{"id":3580,"date":"2022-12-14T10:32:55","date_gmt":"2022-12-14T10:32:55","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3580"},"modified":"2022-12-14T10:32:55","modified_gmt":"2022-12-14T10:32:55","slug":"cerca-de-70-dos-brasileiros-confiam-na-ciencia-mas-campanhas-de-desinformacao-afetaram-credibilidade-academica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3580","title":{"rendered":"Cerca de 70% dos brasileiros confiam na ci\u00eancia, mas campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o afetaram credibilidade acad\u00eamica"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"estudo-realizado-pelo-instituto-nacional-de-ciencia-e-tecnologia-em-comunicacao-publica-da-ciencia-e-tecnologia-inct-cpct-mensurou-percepcao-da-populacao-durante-periodo-de-pandemia\"><span style=\"color: #808080;\">Estudo realizado pelo Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia em Comunica\u00e7\u00e3o P\u00fablica da Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT-CPCT) mensurou percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o durante per\u00edodo de pandemia<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar do papel importante desempenhado pela \u00e1rea cient\u00edfica durante a pandemia de covid-19, com destaque \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de vacinas de forma r\u00e1pida e segura, as campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o tiveram grande influ\u00eancia na queda da confian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o sobre a Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 o que aponta a pesquisa \u201cConfian\u00e7a na ci\u00eancia no Brasil em tempos de pandemia\u201d, realizada pelo Instituto Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o P\u00fablica da Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT-CPCT) e divulgada na \u00faltima segunda-feira (12\/12).<\/p>\n<p>Das 2.069 pessoas entrevistadas ao redor do Pa\u00eds, 68,9% declararam confiar ou confiar muito na Ci\u00eancia. Apesar de ser um bom n\u00famero, os pesquisadores alertaram que tal porcentagem \u00e9 menor do que em outros estudos que mediram a mesma taxa de confiabilidade \u2013 caso do \u00cdndice do Estado da Ci\u00eancia, realizado pela 3M, em que este indicador chegou a 90%.<\/p>\n<p>\u201cA gente tem que ter muito cuidado quando vai fazer compara\u00e7\u00f5es, se caiu ou diminuiu a confian\u00e7a, porque se a gente n\u00e3o tem exatamente a mesma formula\u00e7\u00e3o de pergunta, a mesma escala de respostas, isso pode enviesar os resultados. N\u00e3o podemos afirmar, com certeza. Mas a gente j\u00e1 tinha algumas pesquisas que estavam sendo divulgadas durante a pandemia e que mostraram um cen\u00e1rio mais otimista, com um n\u00edvel de confian\u00e7a maior. E a\u00ed, baseado nestas pesquisas, a gente percebe que sim, parece que a pandemia influenciou negativamente a confian\u00e7a das pessoas na Ci\u00eancia\u201d, explicou Vanessa Fagundes, uma das idealizadoras do estudo. Fagundes \u00e9 assessora de comunica\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), onde coordena um programa de comunica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Yurij Castelfranchi, professor associado do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas (FAFICH), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que tamb\u00e9m encabe\u00e7ou a equipe de pesquisadores do estudo, apontou que \u00e9 necess\u00e1ria cautela na percep\u00e7\u00e3o ao dizer se houve uma queda de confian\u00e7a, refor\u00e7ando que a metodologia do estudo afeta seus resultados significativamente.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s fizemos a pergunta \u2018o quanto voc\u00ea confia na ci\u00eancia?\u2019 e, aparentemente, essa confian\u00e7a diminuiu. Mas fizemos outra pergunta: \u2018quais fontes voc\u00ea considera mais confi\u00e1veis para se informar?\u2019, e a porcentagem de cientistas aumentou. A resposta de uma pergunta \u00e9 diferente de como essa pergunta \u00e9 formulada. A gente precisa olhar as rela\u00e7\u00f5es dessas perguntas, para entender o que est\u00e1 aumentando e diminuindo e o porqu\u00ea\u201d, explicou.<\/p>\n<h3 id=\"escolaridade-renda-e-o-periodo-de-pandemia-afetam-confiabilidade\"><strong>Escolaridade, renda e o per\u00edodo de pandemia afetam confiabilidade<\/strong><\/h3>\n<p>Questionados se a pandemia afetou a sua confian\u00e7a na Ci\u00eancia, apenas 32,9% dos entrevistados alegaram que a sua confian\u00e7a foi inalterada neste per\u00edodo, enquanto que para 67,1% a pandemia foi um per\u00edodo de mudan\u00e7a de atitudes. Para os pesquisadores, este dado mostra que a desinforma\u00e7\u00e3o que circulou intensamente foi um fator relevante na constru\u00e7\u00e3o de uma polariza\u00e7\u00e3o entre quem confia ou n\u00e3o nas decis\u00f5es cient\u00edficas.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m apontou que o n\u00edvel de confian\u00e7a na Ci\u00eancia \u00e9 afetado pelos graus de escolaridade e renda dos entrevistados, sendo maior entre aqueles que possuem algum curso superior ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e em quem possui renda familiar maior do que cinco sal\u00e1rios-m\u00ednimos.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise dos perfis que mais desconfiam da Ci\u00eancia, esse p\u00fablico est\u00e1 mais presente na regi\u00e3o Centro-Oeste, independentemente de sua escolaridade, renda ou idade. Na regi\u00e3o, 43% dos entrevistados declararam confiar pouco ou nada na Ci\u00eancia, 14% a mais do que a m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p>Para o vice-coordenador do INCT-CPCT, professor de Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente de honra da SBPC, Ildeu de Castro Moreira, o estudo \u00e9 importante, pois mostra uma necessidade de aten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e0s percep\u00e7\u00f5es da sociedade, e deve ser utilizado como base para a constru\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas cient\u00edficas a partir do novo Governo Federal, que chega em 2023.<\/p>\n<p>\u201cA gente est\u00e1 vivendo um per\u00edodo de mudan\u00e7as governamentais, e esse \u00e9 um momento de pensar coisas novas. No nosso campo, isso significa pesquisar, investigar e entender mais a popula\u00e7\u00e3o brasileira. A import\u00e2ncia desse estudo \u00e9 pensar essa realidade e como ela pode refletir em pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>Esses e muitos outros resultados podem ser verificados no resumo executivo da survey.<br \/>\nClique<a href=\"https:\/\/www.inct-cpct.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Resumo_executivo_Confianca_Ciencia_VF_Ascom_5-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0<span style=\"color: #800000;\"><strong>aqui<\/strong><\/span><\/a><span style=\"color: #800000;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span>para acessar o PDF e conferir os dados da pesquisa.<\/p>\n<p><strong>Evento de divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A roda de debates para divulga\u00e7\u00e3o do estudo \u201cConfian\u00e7a na ci\u00eancia no Brasil em tempos de pandemia\u201d ocorreu na \u00faltima segunda-feira (12\/12), no Casa de Oswaldo Cruz, e contou tamb\u00e9m com a presen\u00e7a da pesquisadora Luisa Massarani, coordenadora do INCT-CPCT, al\u00e9m de coment\u00e1rios de Soraya Smaili, do Centro de Estudos SoU_Ci\u00eancia; do jornalista Herton Escobar e de Thaiane de Oliveira, da Universidade Federal Fluminense.<\/p>\n<p>O evento completo pode ser conferido na\u00a0<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/fb.watch\/hoa--xdiYd\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">p\u00e1gina da Casa de Oswaldo Cruz no Facebook.<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.jornaldaciencia.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Jornal da Ci\u00eancia<\/em><\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-julia-koblitz-unsplash-com\">Capa. <a class=\"N2odk RZQOk eziW_ cl4O9 KHq0c\" href=\"https:\/\/unsplash.com\/@jkoblitz\">Julia Koblitz<\/a> | <a href=\"http:\/\/unsplash.com\">Unsplash.com<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Estudo realizado pelo Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia em Comunica\u00e7\u00e3o P\u00fablica&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":3581,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3580"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3580"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3580\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3582,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3580\/revisions\/3582"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3581"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}