{"id":3821,"date":"2023-03-22T08:00:27","date_gmt":"2023-03-22T08:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3821"},"modified":"2023-08-30T18:53:53","modified_gmt":"2023-08-30T18:53:53","slug":"novas-cores-e-contornos-na-universidade-o-perfil-do-estudante-universitario-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3821","title":{"rendered":"Novas cores e contornos na Universidade brasileira"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"pais-avanca-na-inclusao-de-estudantes-no-ensino-superior-mas-politicas-publicas-precisam-de-aperfeicoamentos-especialmente-as-de-permanencia\"><span style=\"color: #808080;\">Pa\u00eds avan\u00e7a na inclus\u00e3o de estudantes no ensino superior, mas pol\u00edticas p\u00fablicas precisam de aperfei\u00e7oamentos, especialmente as de perman\u00eancia<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>12,6 milh\u00f5es. Esse \u00e9 o n\u00famero de alunos vinculados a cursos nas Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior (IES) no Brasil, de acordo com o <em>Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior 2021<\/em> do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/inep\/pt-br\">Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira<\/a> <\/strong><\/span>(Inep). A maioria dos estudantes \u00e9 branca, do sexo feminino, com idade entre 19 e 24 anos e frequenta cursos noturnos em institui\u00e7\u00f5es privadas. Direito, administra\u00e7\u00e3o, enfermagem e engenharia civil est\u00e3o entre os cursos mais procurados na rede privada. J\u00e1 na rede p\u00fablica aparecem tamb\u00e9m os cursos de medicina e agronomia.<\/p>\n<p>Segundo a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.andifes.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Clique-aqui-para-acessar-o-arquivo-completo.-1.pdf\"><em>V Pesquisa Nacional do Perfil Socioecon\u00f4mico e Cultural dos(as) Graduandos(as) das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior (IFES)<\/em><\/a> <\/strong><\/span>(2021), elaborada pela <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.andifes.org.br\/\">Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Dirigentes das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior<\/a> <\/strong><\/span>(Andifes), a superioridade do sexo feminino no ensino superior est\u00e1 relacionada ao fato de que elas j\u00e1 s\u00e3o maioria no ensino m\u00e9dio e que estudantes do sexo masculino (egressos ou evadidos) t\u00eam, por sua vez, entrada precoce no mercado de trabalho. Na distribui\u00e7\u00e3o percentual dos concluintes de gradua\u00e7\u00e3o por sexo, segundo a \u00e1rea geral dos cursos, as mulheres s\u00e3o maioria em todos os cursos, exceto engenharia, produ\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o, e nos cursos ligados \u00e0s Tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (TIC).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"quem-e-esse-aluno\"><strong>Quem \u00e9 esse aluno<\/strong><\/h4>\n<p>Ainda de acordo com o \u00faltimo levantamento da Andifes, a despeito dos avan\u00e7os em termos de inclus\u00e3o de estudantes com menor renda, o universit\u00e1rio brasileiro n\u00e3o faz parte da camada mais pobre da popula\u00e7\u00e3o. Os setores mais pobres e miser\u00e1veis nem mesmo chegam a concluir o ensino m\u00e9dio, principal fator de exclus\u00e3o ao ensino superior.<\/p>\n<p>Conforme aponta o professor em\u00e9rito do Departamento de L\u00edngua e Literatura Estrangeiras da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufsc.br\/\">Universidade Federal de Santa Catarina<\/a><\/strong><\/span> (UFSC), Dilvo Ristoff, os campi s\u00e3o mais ricos do que a sociedade em geral. No entanto, o pa\u00eds esbo\u00e7a um movimento em dire\u00e7\u00e3o a um sistema mais excludente. \u201cEm todos os cursos tem ca\u00eddo o n\u00famero de estudantes ricos, mesmo nos de alta demanda, e embora o n\u00famero de alunos no ensino superior n\u00e3o seja um reflexo do n\u00famero de matriculados no ensino m\u00e9dio, esse n\u00famero tem aumentado\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Nas institui\u00e7\u00f5es federais, j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, quase dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o discente \u00e9 proveniente de escolas p\u00fablicas. Em 2014, o percentual de estudantes que havia cursado integralmente, ou na maior parte do tempo, escolas p\u00fablicas de ensino m\u00e9dio, era de 64%. Em 2018, estudantes que cursaram ensino m\u00e9dio em escolas p\u00fablicas eram maioria absoluta (64,7%) \u2013 praticamente o mesmo percentual encontrado na pesquisa de 2014. Estudaram em escolas particulares 35,3%.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"expansao-e-democratizacao\"><strong>Expans\u00e3o e democratiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A partir dos anos 1990, h\u00e1 uma forte expans\u00e3o do ensino superior no Brasil, alimentada pela cria\u00e7\u00e3o de universidades e dos institutos federais, o que aumentou a oferta de vagas. \u201cPartimos de 2,18 milh\u00f5es de ingressantes em 2010 para 3,76 milh\u00f5es em 2020 \u2013 um aumento de 72,5% no fluxo de alunos que entraram no sistema em apenas um dec\u00eanio\u201d, afirma Adriano Senkevics, chefe do N\u00facleo de Assessoramento aos Estudos Educacionais do Inep.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 tamb\u00e9m um processo de democratiza\u00e7\u00e3o no acesso \u00e0s universidades, alicer\u00e7ado em pol\u00edticas p\u00fablicas para inclus\u00e3o de alunos vindos da escola p\u00fablica, de negros e pardos. Isso modifica o perfil dos estudantes que habitualmente frequentavam o ensino superior no Brasil. Se no in\u00edcio dos anos 1990, oito entre 10 alunos eram brancos, hoje, essa propor\u00e7\u00e3o caiu para seis entre 10 estudantes. \u201cAs universidades mudaram de cor, ganharam contornos reais, do dia a dia, com alunos chegando de \u00f4nibus, ampliando as filas nos pontos, aumentando as demandas nos restaurantes universit\u00e1rios, nos espa\u00e7os de conviv\u00eancia, nas bibliotecas, nas vagas por resid\u00eancias estudantis e nos editais de bolsas e aux\u00edlios\u201d, apontou Marcele Regina Nogueira Pereira, vice-presidente da Andifes. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-a-lei-de-cotas-aumentou-diretamente-numero-de-alunos-negros-nas-universidades-foto-beto-monteiro-secom-unb-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3824\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-figura1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-figura1-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-figura1.jpg 488w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. A Lei de Cotas aumentou diretamente n\u00famero de alunos negros nas universidades.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Beto Monteiro\/Secom UnB. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.semesp.org.br\/mapa\/\"><em>Mapa do Ensino Superior no Brasil 2022<\/em><\/a><\/strong><\/span><em>, <\/em>elaborado pelo <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.semesp.org.br\/\">Instituto Semesp<\/a><\/strong><\/span>, como resultado direto da Lei de Cotas, de 2013 para 2020 aumentou o n\u00famero de alunos negros nas universidades. A rede privada registrou um aumento de 1,4 ponto percentual e na rede p\u00fablica esse crescimento foi um pouco maior: 2,3 pontos percentuais. (Tabela 1)<\/p>\n<h6 id=\"tabela-1-aumento-de-alunos-negros-nas-universidades-entre-2013-e-2020fonte-mapa-do-ensino-superior-no-brasil-2022-instituto-semesp\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3825\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-tabela1-300x132.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"219\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-tabela1-300x132.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-tabela1-1024x449.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-tabela1-768x337.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-tabela1-18x8.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-tabela1-800x351.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-tabela1.jpg 1039w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Tabela 1.<\/strong><strong> Aumento de alunos negros nas universidades entre 2013 e 2020<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Mapa do Ensino Superior no Brasil 2022\/Instituto Semesp)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso pode ser ilustrado pelo caso da Faculdade de Direito da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Na Turma 191, que ingressou em 2018 e se formou em 31 de janeiro deste ano, dos <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/direito.usp.br\/noticia\/d30354107f79-cotas-diversidade-pluralismo-pertencimento-e-defesa-da-democracia-marcam-formatura-festiva-da-turma-191\">315 formandos<\/a><\/strong><\/span>, 75 ingressaram via Sistema de Sele\u00e7\u00e3o Unificada (SISU) e 35 pela reserva para pretos, pardos ou ind\u00edgenas (PPIs). A escola do Largo de S\u00e3o Francisco \u00e9 um exemplo de que as pol\u00edticas p\u00fablicas de inclus\u00e3o social t\u00eam tido efeito positivo na transforma\u00e7\u00e3o do perfil do aluno do ensino superior no Brasil. \u201cO campus brasileiro torna-se a cada ano menos branco; o percentual de pretos come\u00e7a a se aproximar mais dos percentuais da sociedade; mais pardos frequentam os cursos universit\u00e1rios; e mais pessoas de baixa renda conseguem chegar \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior\u201d, aponta Ristoff.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"diversidade-e-inclusao\"><strong>Diversidade e inclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A expans\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior no Brasil tem dois momentos, cujas caracter\u00edsticas distintas influenciam no perfil dos estudantes. \u201cH\u00e1 uma diferen\u00e7a significativa entre a expans\u00e3o observada at\u00e9 os anos 1990 e a observada a partir de 2003, nos governos Lula e Dilma\u201d, explica Ristoff. Enquanto a expans\u00e3o dos anos 1990 buscou dar uma resposta \u00e0s demandas por educa\u00e7\u00e3o superior das classes m\u00e9dia e alta, a partir de 2003, o objetivo foi trazer para a educa\u00e7\u00e3o superior os grupos historicamente exclu\u00eddos: pobres, pretos, pardos, ind\u00edgenas, filhos de pais sem escolaridade e estudantes das escolas p\u00fablicas. Segundo o pesquisador, por terem objetivos distintos, esses dois momentos da expans\u00e3o fizeram uso de estrat\u00e9gias e pol\u00edticas espec\u00edficas. \u201cO primeiro, nos anos 1990, buscou expandir o setor privado, para atender especialmente aqueles filhos das classes m\u00e9dia e alta que n\u00e3o conseguiam ingressar nas boas universidades p\u00fablicas do pa\u00eds e que queriam continuar estudando. A ideia era criar condi\u00e7\u00f5es para que o setor privado pudesse atender a essa demanda, sem a necessidade de onerar o setor p\u00fablico. Em parte, a estrat\u00e9gia deu certo, mas sem provocar mudan\u00e7as profundas no perfil dos estudantes universit\u00e1rios. J\u00e1 a expans\u00e3o dos anos Lula e Dilma foi voltada \u00e0 inclus\u00e3o dos exclu\u00eddos\u201d, explica.<\/p>\n<p>Para tanto, foram empregadas duas estrat\u00e9gias b\u00e1sicas: uso diferenciado da expans\u00e3o no setor privado, buscando criar pol\u00edticas inclusivas e amplia\u00e7\u00e3o da oferta de vagas no setor p\u00fablico. Para tornar o setor privado mais inclusivo, foram criados programas como o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/acessounico.mec.gov.br\/\">Portal \u00danico de Acesso ao Ensino Superior<\/a><\/strong><\/span> (PROUNI), o Programa de Est\u00edmulo \u00e0 Reestrutura\u00e7\u00e3o e ao Fortalecimento das Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior (PROIES) e o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES), este com juros altamente subsidiados. No setor p\u00fablico, foram desenvolvidas iniciativas como o Programa de Apoio a Planos de Reestrutura\u00e7\u00e3o e Expans\u00e3o das Universidades Federais (REUNI), um programa de recupera\u00e7\u00e3o e interioriza\u00e7\u00e3o das universidades federais existentes que resultou em 270 novos campi em cidades do interior. E tamb\u00e9m o SISU, que criou rotas de acesso para estudantes pobres, pretos, pardos e ind\u00edgenas, oriundos das escolas p\u00fablicas, como os que entraram em 2018 na Faculdade de Direito da USP. \u201cA Universidade recebeu mais pessoas de diferentes origens sociais, tornou-se mais plural, diversa e inclusiva. Foi um movimento que ajudou a expandir horizontes de milhares de jovens que puderam se reconhecer tamb\u00e9m como parte dela, contribuindo com suas preocupa\u00e7\u00f5es e pautas na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico\u201d, destaca Pereira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-partir-dos-anos-1990-ha-uma-forte-expansao-do-ensino-superior-no-brasil-alimentada-pela-criacao-de-universidades-e-dos-institutos-federais-o-que-aumentou-a-oferta-de-vagas\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cA partir dos anos 1990 h\u00e1 uma forte expans\u00e3o do ensino superior no Brasil alimentada pela cria\u00e7\u00e3o de universidades e dos institutos federais, o que aumentou a oferta de vagas.&#8221;<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram criados os Institutos Federais, com cerca de 660 campi espalhados pelo interior do pa\u00eds e ainda v\u00e1rios programas de bolsas, como o Plano Nacional de Assist\u00eancia Estudantil (PNAES) e o Programa Nacional de Assist\u00eancia Estudantil para as Institui\u00e7\u00f5es de Educa\u00e7\u00e3o Superior P\u00fablicas Estaduais (PNAEST). \u201cTudo isso fez com que o perfil do campus brasileiro, p\u00fablico e privado, come\u00e7asse a sofrer profunda mudan\u00e7a, gradualmente abandonando o elitismo que lhe era caracter\u00edstico\u201d, afirma Ristoff, que teve passagens pelo Inep, pela <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\">Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior<\/a> <\/strong><\/span>(Capes) e pela Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Superior do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC).<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, o n\u00famero de estudantes na educa\u00e7\u00e3o superior oriundos da escola p\u00fablica cresce anualmente. \u201cNa quase totalidade dos cursos, aumenta a presen\u00e7a de estudantes filhos de fam\u00edlias de mais baixa renda, diminuindo a dist\u00e2ncia entre os percentuais do campus e da sociedade como um todo. Mesmo assim, quando comparamos o campus universit\u00e1rio com a sociedade, percebemos que ele continua sendo bem mais branco, mais rico e onde os pardos, na maioria dos cursos, permanecem com percentuais muito distantes de sua representa\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o\u201d, aponta.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"lei-de-cotas\"><strong>Lei de Cotas<\/strong><\/h4>\n<p>Entre as pol\u00edticas de inclus\u00e3o no ensino superior, a Lei de Cotas certamente foi a que teve um dos maiores impactos na mudan\u00e7a do perfil do estudante j\u00e1 em seu primeiro ano de implanta\u00e7\u00e3o, em 2013. \u201cSem d\u00favida, essa lei abriu caminho para uma representa\u00e7\u00e3o parit\u00e1ria de estudantes de diferentes cores e origem familiar, social e escolar\u201d, aponta Ristoff. V\u00e1rias universidades, como a Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade de Bras\u00edlia (UnB), j\u00e1 vinham adotando pol\u00edticas de cotas diferenciadas antes de 2013. Por\u00e9m, a lei n\u00e3o s\u00f3 definiu com mais clareza a pol\u00edtica nacional de inclus\u00e3o, como passou a exigir a sua implementa\u00e7\u00e3o em todas as universidades e institutos federais.<\/p>\n<p>Rapidamente essas institui\u00e7\u00f5es se adaptaram \u00e0s novas demandas, sendo necess\u00e1rio consolidar o que foi criado, aproveitando a oportunidade para pequenos ajustes, especialmente nas medidas para perman\u00eancia. \u201cS\u00e3o muitos os alunos que j\u00e1 tiveram que trancar suas matr\u00edculas pela necessidade de trabalhar. Muitas m\u00e3es precisam deixar os estudos, muitos jovens n\u00e3o conseguem recursos para se alimentar e para comprar seus livros e materiais. O refor\u00e7o em estrat\u00e9gias que permitam diminuir as dificuldades sociais impostas diariamente a cada vez mais brasileiras e brasileiros \u00e9 fundamental. Este cen\u00e1rio \u00e9 real, e lidamos com ele diariamente\u201d, conta Pereira. Para ela, duas medidas podem contribuir de modo mais imediato para a perman\u00eancia de alunos nas universidades federais: transformar o PNAES em lei (hoje as a\u00e7\u00f5es ligadas a essa pol\u00edtica s\u00e3o baseadas em um decreto) e a recomposi\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria para essas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-partir-de-2003-o-objetivo-foi-trazer-para-a-educacao-superior-os-grupos-historicamente-excluidos-pobres-pretos-pardos-indigenas-filhos-de-pais-sem-escolaridade-e-estudantes-das-escolas\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cA partir de 2003 o objetivo foi trazer para a educa\u00e7\u00e3o superior os grupos historicamente exclu\u00eddos: pobres, pretos, pardos, ind\u00edgenas, filhos de pais sem escolaridade e estudantes das escolas p\u00fablicas.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao analisar os impactos da pandemia no acesso de jovens \u00e0 gradua\u00e7\u00e3o, Senkevics mostrou que, a partir de 2015 \u2013 ou seja, antes da pandemia \u2013 uma crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica, com estagna\u00e7\u00e3o financeira e forte queda no PIB, provocou a redu\u00e7\u00e3o dos principais programas federais de bolsas e financiamento estudantil. A pandemia agravou ainda mais uma situa\u00e7\u00e3o de deteriora\u00e7\u00e3o da economia, com forte impacto na popula\u00e7\u00e3o de origem social menos privilegiada. Al\u00e9m disso, um dos principais mecanismos de acesso ao ensino superior no Brasil, o Enem, se tornou menos popular. Isso porque, conforme explica o pesquisador, as escolas p\u00fablicas dispuseram menos alternativas para viabilizar estrat\u00e9gias de ensino-aprendizagem durante o per\u00edodo de suspens\u00e3o das atividades presenciais. Somado a isso, esses alunos dispunham de menos acesso a celulares, internet e computadores em casa \u2013 recursos que se mostraram fundamentais no desempenho da prova. \u201cEsse per\u00edodo singular vivenciado no Brasil e no mundo pode ter aprofundado desigualdades preexistentes e intensificado as dificuldades dos mais pobres prosseguirem com sucesso no ingresso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior\u201d, destaca Senkevics. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-o-enem-um-dos-principais-mecanismos-de-acesso-ao-ensino-superior-no-brasil-se-tornou-menos-popularfoto-gabriel-jabur-agencia-brasilia-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3826\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-figura2-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-figura2-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-figura2.jpg 488w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. O Enem, um dos principais mecanismos de acesso ao ensino superior no Brasil, se tornou menos popular<br \/>\n<\/strong>(Foto: Gabriel Jabur\/ Ag\u00eancia Bras\u00edlia. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o aos alunos j\u00e1 vinculados, segundo a pesquisa do Instituto Semesp, houve um salto no n\u00famero de trancamentos de 2019 para 2020, principalmente na rede p\u00fablica e em cursos presenciais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-que-eles-estudam-e-onde\"><strong>O que eles estudam e onde<\/strong><\/h4>\n<p>A rede privada de ensino superior no Brasil conta com mais de 6,9 milh\u00f5es de alunos, garantindo uma participa\u00e7\u00e3o de quase 77% do total. Isso se deve porque o processo de expans\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior no pa\u00eds que se iniciou no final dos anos 1990 encontrou na rede privada o seu principal motor. Enquanto no ensino p\u00fablico a pol\u00edtica de cotas \u00e9 respons\u00e1vel por aumentar a diversidade dos estudantes, na rede privada, programas de financiamento como o Fies s\u00e3o respons\u00e1veis por ampliar o acesso de alunos mais vulner\u00e1veis no ensino superior privado. Cortes recentes no or\u00e7amento para esse tipo de financiamento representam uma amea\u00e7a \u00e0 continuidade desse processo de inclus\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"uma-crise-economica-e-politica-com-estagnacao-financeira-e-forte-queda-no-pib-provocou-a-reducao-dos-principais-programas-federais-de-bolsas-e-financiamento-estudantil\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cUma crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica, com estagna\u00e7\u00e3o financeira e forte queda no PIB, provocou a redu\u00e7\u00e3o dos principais programas federais de bolsas e financiamento estudantil.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pandemia acelerou uma tend\u00eancia que j\u00e1 vinha sendo observada na educa\u00e7\u00e3o brasileira, a da amplia\u00e7\u00e3o das modalidades remotas de ensino. \u201cDepois de forte per\u00edodo de expans\u00e3o no n\u00famero de vagas, h\u00e1 uma estagna\u00e7\u00e3o do segmento p\u00fablico e o deslocamento, no interior do segmento privado, da oferta de cursos presenciais para cursos a dist\u00e2ncia\u201d, afirma Senkevics, que tamb\u00e9m \u00e9 professor-colaborador da UnB. \u201cOs estudantes dos cursos na modalidade EAD tendem a ser mais velhos do que os do ensino presencial e, consequentemente, o perfil et\u00e1rio dos ingressantes da educa\u00e7\u00e3o superior vem transformando-se. Resta saber se o futuro indicar\u00e1 um rejuvenescimento do p\u00fablico da EAD, de modo a consolid\u00e1-la tamb\u00e9m entre os jovens\u201d, questiona em artigo publicado em 2022 nos <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/cadernosdeestudos.inep.gov.br\/ojs3\/index.php\/cadernos\/article\/view\/5575\"><em>Cadernos de Estudos e Pesquisas em Pol\u00edticas Educacionais<\/em><\/a><em>.<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p>De fato, a pandemia refor\u00e7ou uma tend\u00eancia de queda no n\u00famero de matr\u00edculas presenciais que, em 2020, foi de 9,4%. Conforme aponta o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.semesp.org.br\/mapa\/edicao-12\/\"><em>Mapa do Ensino Superior no Brasil 2022<\/em><\/a><\/strong><\/span>, a modalidade EAD j\u00e1 vinha registrando uma tend\u00eancia de crescimento nos \u00faltimos anos. (Tabela 2)<\/p>\n<h6 id=\"tabela-2-numero-de-matriculas-no-ensino-superior-em-2020-por-regiaofonte-instituto-semesp-base-inep\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3827\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-tabela2-300x88.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"177\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-tabela2-300x88.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-tabela2-1024x302.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-tabela2-768x226.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-tabela2-18x5.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-tabela2-800x236.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-reportagem-Novas-cores-e-contornos-na-Universidade-tabela2.jpg 1039w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><br \/>\n<strong>Tabela 2. N\u00famero de Matr\u00edculas no Ensino Superior em 2020 por Regi\u00e3o<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Instituto Semesp\/Base Inep)<\/h6>\n<p>No primeiro ano da pandemia houve um pequeno decr\u00e9scimo no n\u00famero de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, de 5,8%, e que foi um pouco maior na rede privada (de 6,6%). Mesmo assim, 87,6% das IES brasileiras s\u00e3o privadas, concentrando 77,5% das matr\u00edculas de gradua\u00e7\u00e3o. A maioria dos estudantes universit\u00e1rios brasileiros est\u00e1 na Regi\u00e3o Sudeste, mas o maior percentual de estudantes que frequentam o ensino presencial est\u00e1 no Nordeste.<\/p>\n<p>O <em>Censo <\/em>do Inep tamb\u00e9m detectou um dado preocupante: a queda no n\u00famero de jovens ingressando no ensino superior, isto \u00e9, em geral, os estudantes ingressam mais tarde no ensino superior. Em 2020, 17,8% dos alunos tinham entre 18 e 24 anos. Em 2020, a taxa de escolariza\u00e7\u00e3o l\u00edquida (que mede a propor\u00e7\u00e3o de pessoas de 18 a 24 anos que frequentam o ensino superior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o dessa faixa et\u00e1ria) registrou uma queda de 0,3 pontos percentuais e chegou aos 17,8%. \u201cCom o EAD ainda atraindo um p\u00fablico mais velho, entre 29 e 44 anos, que j\u00e1 est\u00e1 inserido no mercado de trabalho, os mais jovens seguem exclu\u00eddos da educa\u00e7\u00e3o superior. Sem atrairmos os jovens para o ensino superior, estamos n\u00e3o apenas nos afastando da meta do Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, que estabelece uma taxa de escolariza\u00e7\u00e3o l\u00edquida para o ensino superior de 33% em 2024, mas tamb\u00e9m comprometendo o pr\u00f3prio desenvolvimento do pa\u00eds a m\u00e9dio e longo prazo\u201d, aponta o estudo do Semesp.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-expansao-das-universidades-e-politicas-afirmativas-mudaram-o-perfil-do-aluno-universitario-brasileiro-foto-unb-reproducao\"><strong>Capa. Expans\u00e3o das universidades e pol\u00edticas afirmativas mudaram o perfil do aluno universit\u00e1rio brasileiro.<br \/>\n<\/strong>(Foto: UnB. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"mariuzzo-patricia-novas-cores-e-contornos-na-universidade-o-perfil-do-estudante-universitario-brasileiro-pais-avanca-na-inclusao-de-estudantes-no-ensino-superior-mas-politicas-publicas-pre\"><span style=\"color: #808080;\"><em><span class=\"article-title\">MARIUZZO, Patr\u00edcia. Novas cores e contornos na Universidade &#8211; o perfil do estudante universit\u00e1rio brasileiro: pa\u00eds avan\u00e7a na inclus\u00e3o de estudantes no ensino superior, mas pol\u00edticas p\u00fablicas precisam de aperfei\u00e7oamentos, especialmente as de perman\u00eancia.<\/span>\u00a0Cienc. Cult.\u00a0[online]. 2023, vol.75, n.1 [citado\u00a0 2023-08-30], pp.01-06. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252023000100012&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230012.<\/em><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pa\u00eds avan\u00e7a na inclus\u00e3o de estudantes no ensino superior, mas pol\u00edticas p\u00fablicas&hellip;\n","protected":false},"author":18,"featured_media":3828,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3821"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3821"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3821\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4638,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3821\/revisions\/4638"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3828"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}