{"id":3839,"date":"2023-03-22T07:59:57","date_gmt":"2023-03-22T07:59:57","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3839"},"modified":"2023-08-30T14:36:48","modified_gmt":"2023-08-30T14:36:48","slug":"diversidade-e-direitos-humanos-na-universidade-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3839","title":{"rendered":"Diversidade e direitos humanos na universidade do futuro"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"pensar-a-diversidade-e-os-direitos-humanos-na-universidade-contribui-para-ampliar-os-dialogos-e-a-luta-por-uma-sociedade-mais-equitativa\"><span style=\"color: #808080;\">Pensar a diversidade e os direitos humanos na universidade contribui\u00a0para\u00a0ampliar\u00a0os di\u00e1logos e a luta por uma sociedade mais equitativa<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O presente texto deriva de minha contribui\u00e7\u00e3o como expositor no encerramento da 9\u00aa Confer\u00eancia do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/aforges.org\/\">F\u00f3rum de Gest\u00e3o do Ensino Superior nos Pa\u00edses e Regi\u00f5es de L\u00edngua Portuguesa (FORGES)<\/a><\/strong><\/span>, realizada de 20 a 22 de novembro de 2019 em Bras\u00edlia, Brasil, na Universidade de Bras\u00edlia (UnB), tendo como tema central \u201cA integra\u00e7\u00e3o do ensino superior dos pa\u00edses lus\u00f3fonos para a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento humano\u201d, com o t\u00edtulo: \u201c<em>Uma Universidade Popular para uma Educa\u00e7\u00e3o Emancipat\u00f3ria<\/em>\u201d.<sup>[1]<\/sup><\/p>\n<p>Aqui destaco alguns excertos do que est\u00e1 publicado, na medida em que guardam conex\u00e3o com o tema proposto para esta edi\u00e7\u00e3o de <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a><\/strong><\/span> \u2013 \u201c<em>Universidade do Futuro no Brasil<\/em>\u201d \u2013 e mais propriamente com o que trato em meu artigo \u201c<em>Diversidade e Direitos Humanos na Universidade do Futuro<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Iniciei a minha sauda\u00e7\u00e3o aos participantes da 9\u00aa Confer\u00eancia com uma evoca\u00e7\u00e3o. Presente em Coimbra, na Sala dos Capelos, da vetusta universidade, nos come\u00e7os da d\u00e9cada de 2000, para um Congresso Portugal-Brasil, guardo em mim at\u00e9 hoje o sentimento marcado pela disposi\u00e7\u00e3o de todos ali presentes, de construir caminhos para a uma hist\u00f3ria comum: \u201ca hist\u00f3ria comum que forja a comunidade de culturas e a comunidade de afetos que somos\u201d.<sup>[2]<\/sup><\/p>\n<p>Essas palavras, ditas pelo ent\u00e3o presidente do Conselho Diretivo da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, logo a seguir, seu vice-reitor, o professor Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Avel\u00e3s Nunes, assinalaram as distin\u00e7\u00f5es entre o Portugal portugu\u00eas e o Brasil brasileiro, no que tange aos seus caminhos, nas condi\u00e7\u00f5es daquele congresso. Mas se prestam tamb\u00e9m para designar as distin\u00e7\u00f5es entre o Portugal portugu\u00eas e os pa\u00edses que formam a comunidade de povos de l\u00edngua portuguesa, presentes nesta 9\u00aa Confer\u00eancia (Angola, Cabo Verde, Macau, Mo\u00e7ambique e certamente entre os participantes, Guin\u00e9 Bissau, Guin\u00e9 Equatorial, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, Timor-Leste) no que tange aos seus pr\u00f3prios e intercruz\u00e1veis caminhos, em que pese, lembra Eduardo Louren\u00e7o, \u201ccada povo s\u00f3 o \u00e9 por se conceber justamente como destino\u201d.<sup>[3]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-exclusao-social-crescente-e-a-outra-face-deste-tipo-de-desenvolvimento-perverso-ou-maligno-e-a-exclusao-social-e-um-dos-fenomenos-mais-dramaticos-do-nosso-tempo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA exclus\u00e3o social crescente \u00e9 a outra face deste tipo de desenvolvimento perverso ou maligno. E a exclus\u00e3o social \u00e9 um dos fen\u00f4menos mais dram\u00e1ticos do nosso tempo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temos, sim, os povos que se expressam em l\u00edngua portuguesa, essa hist\u00f3ria comum que nos forja enquanto comunidade de culturas e comunidade de afetos, e que nos amalgama a partir de algum momento em nossas pr\u00f3prias hist\u00f3rias. Mas, se temos uma hist\u00f3ria desde a\u00ed comum, o que temos de comum em nossos destinos?<\/p>\n<p>Ao meu perceber, o que h\u00e1 de comum entre n\u00f3s, desde um momento objetivo de encontro e de qualquer possibilidade de um destino tamb\u00e9m comum, \u00e9 o impacto dram\u00e1tico do colonialismo que se imp\u00f4s sobre nossas identidades e as proje\u00e7\u00f5es decorrentes dessa experi\u00eancia em nossa atualidade p\u00f3s-colonial afetada econ\u00f4mica e politicamente pelas injun\u00e7\u00f5es atuais do ultra-neoliberalismo e pelos desafios de toda ordem como exig\u00eancias de liberta\u00e7\u00e3o e de emancipa\u00e7\u00e3o num processo de a\u00e7\u00e3o decolonial.<\/p>\n<p>Sob a perspectiva da condi\u00e7\u00e3o ultra-neoliberal, sigo pensando num bom portugu\u00eas que ajude a interpretar os desafios que se colocam \u00e0 nossa considera\u00e7\u00e3o. Retomo Avel\u00e3s Nunes: Nos \u00faltimos anos \u2013 diz ele \u2013 tenho dado alguma aten\u00e7\u00e3o \u00e0 problem\u00e1tica da globaliza\u00e7\u00e3o. Refiro-me ao que costumo chamar a terceira onda da globaliza\u00e7\u00e3o, marcada por um processo acelerado de desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico, especialmente no que toca aos transportes, \u00e0s telecomunica\u00e7\u00f5es e \u00e0 inform\u00e1tica. Para as classes dominantes, para as multinacionais e para o seu estado, pouco importa que milh\u00f5es de pessoas morram de fome e de doen\u00e7as provocadas pela fome. O que importa, num quadro como este, \u00e9 melhorar o poder de compra dos clientes (a pequena camada de ricos) e, se poss\u00edvel, acrescentar uns quantos privilegiados a este n\u00facleo de elite. O que, evidentemente, aconselha a (e pressiona no sentido da) concentra\u00e7\u00e3o dos rendimentos ainda mais acentuada e desigual.<\/p>\n<p>A exclus\u00e3o social crescente \u00e9 a outra face deste tipo de desenvolvimento perverso ou maligno. E a exclus\u00e3o social \u00e9 um dos fen\u00f4menos mais dram\u00e1ticos do nosso tempo. Como escreveu um autor, quando se falava de exploradores e explorados, havia que contar com estes, porque os explorados estavam dentro do sistema (sem explorados n\u00e3o pode haver exploradores), enquanto os exclu\u00eddos est\u00e3o, por defini\u00e7\u00e3o, fora do sistema, s\u00e3o inexistentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-luta-por-uma-sociedade-alternativa-pressupoe-que-a-politica-prevaleca-sobre-as-pretensas-leis-naturais-do-mercado-ou-da-economia-implicando-um-espirito-de-resistencia-e-u\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cA luta por uma sociedade alternativa pressup\u00f5e que a pol\u00edtica prevale\u00e7a sobre as pretensas \u2018leis naturais\u2019 do mercado ou da economia, implicando um esp\u00edrito de resist\u00eancia e um projeto pol\u00edtico inspirado em valores\u201d.<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 importante salientar, por\u00e9m, que a cr\u00edtica da globaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode confundir-se com a defesa do regresso a um qualquer \u201cpara\u00edso perdido\u201d, negador da ci\u00eancia e do progresso. A sa\u00edda desta caminhada vertiginosa para o abismo tem de assentar na confian\u00e7a no homem e nas suas capacidades. Tem de partir da rejei\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica de uma qualquer inevitabilidade tecnol\u00f3gica, que nos imporia, sem alternativa poss\u00edvel, a atual globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal, uma das marcas incontorn\u00e1veis dessa civiliza\u00e7\u00e3o fim-da-hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Assim como essa globaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um \u201cproduto t\u00e9cnico\u201d deterministicamente resultante da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, antes \u00e9 um projeto pol\u00edtico levado a cabo de forma consciente e sistem\u00e1tica pelos poderes dominantes, enquadrado e apoiado pelas grandes centrais produtoras da ideologia dominante, tamb\u00e9m a luta por uma sociedade alternativa pressup\u00f5e que a pol\u00edtica prevale\u00e7a sobre as pretensas \u201cleis naturais\u201d do mercado ou da economia, implicando um esp\u00edrito de resist\u00eancia e um projeto pol\u00edtico inspirado em valores e empenhado em objetivos que o \u201cmercado\u201d n\u00e3o reconhece nem \u00e9 capaz de prosseguir.<\/p>\n<p>Todos sabemos, por\u00e9m, que as mudan\u00e7as necess\u00e1rias n\u00e3o acontecem s\u00f3 porque n\u00f3s acreditamos que \u00e9 poss\u00edvel um mundo melhor. Essas mudan\u00e7as h\u00e3o de verificar-se como resultado das leis de movimento das sociedades humanas, e todos sabemos tamb\u00e9m que o voluntarismo e as boas inten\u00e7\u00f5es nunca foram o motor da hist\u00f3ria. Mas a consci\u00eancia disso mesmo n\u00e3o tem que matar o nosso direito \u00e0 utopia e o nosso direito ao sonho.<\/p>\n<p>At\u00e9 aqui, discorri seguindo Avel\u00e3s.<sup>[4]<\/sup> Mas, nesse diapas\u00e3o, trata-se, pois, de indagar-se de que desenvolvimento se cuida, quando falamos em desenvolvimento. Essa \u00e9 a quest\u00e3o proposta por Roberta Amanaj\u00e1s Monteiro, em tese defendida na Faculdade de Direito da UnB, sob minha orienta\u00e7\u00e3o em 2018. Com o tema \u201c<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/repositorio.unb.br\/handle\/10482\/34052\"><em>Qual desenvolvimento? O deles ou o nosso? A Hidrel\u00e9trica de Belo Monte e seus impactos nos direitos humanos dos povos ind\u00edgenas<\/em><\/a><\/strong><\/span>\u201d, a pesquisadora apresenta exatamente a tens\u00e3o entre o desenvolvimentismo e os direitos humanos a partir do estudo de caso da constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica de Belo Monte e os seus impactos aos ind\u00edgenas Arara da Terra Ind\u00edgena Volta Grande e Juruna, da Paqui\u00e7amba. A pergunta central de sua tese interpela como ocorre a tens\u00e3o entre projetos de desenvolvimentismo e os direitos humanos dos povos ind\u00edgenas, e se os conflitos se inscrevem na matriz colonial de poder. Fundamentada na teoria da Colonialidade do Poder de Anibal Quijano e nos autores do pensamento decolonial, a metodologia eleita por Roberta Amanaj\u00e1s apoiada em investiga\u00e7\u00e3o emp\u00edrica, fornece os argumentos da constata\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia da ideia de ra\u00e7a no percurso do licenciamento ambiental do empreendimento.<\/p>\n<p>Para a autora, numa aproxima\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gico-jur\u00eddica, a compreens\u00e3o de que \u00e9 a partir da ideia de ra\u00e7a que \u00e9 negada a condi\u00e7\u00e3o de sujeito de direitos e de conhecimento aos povos ind\u00edgenas, consequentemente dos seus direitos de territ\u00f3rio, natureza, modo de vida e direito \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e consulta pr\u00e9via, a conclus\u00e3o leva, necessariamente, \u00e0 expectativa militante de constru\u00e7\u00e3o de elementos de desenvolvimento a partir dos pr\u00f3prios povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"interpelar-a-universidade-para-que-ela-se-abra-a-novos-modos-de-ingresso-e-de-inclusao-de-segmentos-dela-excluidos-alargar-o-ambito-das-pautas-pedagogicas-que-desenvolve-e-fazer-circular-no\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cInterpelar a universidade para que ela se abra a novos modos de ingresso e de inclus\u00e3o de segmentos dela exclu\u00eddos. Alargar o \u00e2mbito das pautas pedag\u00f3gicas que desenvolve e fazer circular no ambiente do ensino e da pesquisa novos temas, cosmologias plurais, epistemologias mais complexas e um di\u00e1logo mais amplo entre os saberes.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em Avel\u00e3s Nunes, a aproxima\u00e7\u00e3o mediada pela economia pol\u00edtica e pela filosofia, e mais propriamente por teorias da justi\u00e7a, segue uma linha civilizat\u00f3ria que mais se afasta das op\u00e7\u00f5es que mercantilizam a vida, enquanto se orienta para proje\u00e7\u00f5es que garantam o direito \u00e0 vida plena, de homens e mulheres de carne e osso sim, porque ideologicamente o nosso percurso colonial separou seres humanos, para distinguir os que se inserem no contrato social os que ficam fora dele, os selvagens, os bestializados, os escravizados, os diminu\u00eddos, os segregados, os sobrantes \u201ccivilizat\u00f3rios\u201d todos alienados do humano.<\/p>\n<p>Abri essa linha de problematiza\u00e7\u00e3o exatamente com um autor portugu\u00eas, at\u00e9 para ponderar o lugar de Portugal no experimento colonial e indicar que desde esse lugar o modo decolonial \u00e9 tamb\u00e9m uma condi\u00e7\u00e3o para que a liberta\u00e7\u00e3o e a emancipa\u00e7\u00e3o sejam poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Para Paulo Freire, t\u00e3o marcante em nossa cultura comum, <em>a desumaniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 destino<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cA luta pela humaniza\u00e7\u00e3o, pelo trabalho livre, pela desaliena\u00e7\u00e3o, pela afirma\u00e7\u00e3o dos homens como pessoas, como \u2018seres para si\u2019, esta luta pela humaniza\u00e7\u00e3o somente \u00e9 poss\u00edvel porque a desumaniza\u00e7\u00e3o, mesmo que um fato concreto na hist\u00f3ria, n\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, destino dado, mas resultado de uma \u2018ordem\u2019 injusta que gera a viol\u00eancia dos opressores e esta, o ser menos. (\u2026) O ser menos leva os oprimidos, cedo ou tarde, a lutar contra quem os fez menos. E esta luta somente tem sentido quando os oprimidos, ao buscarem recuperar sua humanidade, que \u00e9 uma forma de cri\u00e1-la, n\u00e3o se sintam opressores, nem se tornem, de fato, opressores dos opressores, mas restauradores da humanidade em ambos. E a\u00ed est\u00e1 a grande tarefa humanista e hist\u00f3rica dos oprimidos \u2013 libertar-se a si mesmos e aos opressores. (\u2026) S\u00f3 o poder que nas\u00e7a da debilidade dos oprimidos ser\u00e1 suficientemente forte para libertar a ambos.\u201d<sup>[6]<\/sup><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com efeito, embora afirmem Ana Claudia Rozo Sandoval e Lu\u00eds Carlos Santos<sup>[7]<\/sup> que:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201ca disputa pela realidade \u00e9 um tra\u00e7o comum dos fil\u00f3sofos, seja ele interpretando, desconstruindo, criando conceitos, mas o que est\u00e1 em causa \u00e9 disputar a realidade. E para isso colocamos em crise o solo em que se pisa, como um lugar produzido \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a da produ\u00e7\u00e3o de um discurso que legitimou historicamente a explora\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o, e o conflito estabelecido ao buscar filosofar-se caiu na armadilha da representa\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 um dos primeiros elementos que precisam ser descortinados, a representa\u00e7\u00e3o. Pois a imagem que se traduziu nos discursos era apenas a europeia. O exerc\u00edcio de pensar-se, o que \u00e9 pr\u00f3prio da filosofia encontra-se no po\u00e7o sem fundo, no beco sem sa\u00edda da armadilha da representa\u00e7\u00e3o europeia moderna, ocidentalizada na contemporaneidade. A perspectiva decolonial (ou estudos Modernidade\/colonialidade) e as filosofias africanas colocam em discuss\u00e3o o epistemic\u00eddio e o semioc\u00eddio cultural. O conhecimento, e as formas de acess\u00e1-lo, e a diversidade cultural no fazer filos\u00f3fico colocam em evid\u00eancia outros modos de ser e fazer filosofia. Problemas n\u00e3o considerados filos\u00f3ficos come\u00e7am a ser problemas de interesse de outros sujeitos que foram negados pelo sistema mundo eurocentrado\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todavia, o n\u00facleo de minha argumenta\u00e7\u00e3o, busca em Boaventura de Sousa Santos sua proposi\u00e7\u00e3o feita no espa\u00e7o do F\u00f3rum Social Mundial de Porto Alegre uma bem elaborada proposta para a constitui\u00e7\u00e3o de uma Universidade Popular dos Movimentos Sociais, atenta a essas exig\u00eancias de um conhecimento emancipat\u00f3rio. Em Boaventura isso significa constituir oportunidades de emancipa\u00e7\u00e3o que deem conte\u00fado eficaz a mecanismos do estado de direito, da democracia e dos direitos humanos para que n\u00e3o se contrafa\u00e7am em artificialismos enganosos que esvaziem \u201calternativas positivas geradas por um pensamento alternativo de alternativas e todas as possibilidades epistemol\u00f3gicas, te\u00f3ricas e metodol\u00f3gicas aptas a realizar a tarefa pol\u00edtica de superar a domina\u00e7\u00e3o capitalista, colonialista e patriarcal\u201d.<sup>[8]<\/sup><\/p>\n<p>E o fa\u00e7o para salientar que esses pontos correspondem, em seus fundamentos, \u00e0s expectativas que defendem uma universidade aberta \u00e0 cidadania, preocupada com a forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica dos acad\u00eamicos e mais democr\u00e1tica. Uma universidade, como lembrava Boaventura de Sousa Santos em sua recente visita \u00e0 UnB, consciente de que \u201co que lhe resta de hegemonia \u00e9 o ser um espa\u00e7o p\u00fablico onde o debate e a cr\u00edtica sobre o longo prazo das sociedades se podem realizar com muito menos restri\u00e7\u00f5es do que \u00e9 comum no resto da sociedade\u201d e que encontra no exerc\u00edcio da pluralidade tolerante a media\u00e7\u00e3o apta a torn\u00e1-la uma \u201cincubadora de solidariedade e de cidadania ativa\u201d.<\/p>\n<p>Um modelo assim j\u00e1 se apresenta como proposi\u00e7\u00e3o interpelante da universidade convencional, desde que ela se abra a, pelo menos, duas condi\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 o dar-se conta da natureza social do processo que lhe cabe desenvolver. N\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o trivial, porque ela implica opor-se \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de mercadoriza\u00e7\u00e3o do ensino e da pesquisa e consequente redu\u00e7\u00e3o do sentido de indisponibilidade do bem Educa\u00e7\u00e3o, constitucionalmente definido como um bem p\u00fablico, processo dram\u00e1tico e cruento em curso autorit\u00e1rio em muitos de nossos pa\u00edses, num projeto claramente hostil \u00e0 ideia de universidade como valor social e ao conhecimento cr\u00edtico como elemento nutriente de pr\u00e1ticas e de pensamentos democr\u00e1tico e emancipat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A outra condi\u00e7\u00e3o, \u00e9 a de interpelar a universidade para que ela se abra a novos modos de ingresso e de inclus\u00e3o de segmentos dela exclu\u00eddos, a exemplo das pol\u00edticas de a\u00e7\u00f5es afirmativas. Possibilita, assim, alargar o \u00e2mbito das pautas pedag\u00f3gicas que desenvolve e fazer circular no ambiente do ensino e da pesquisa novos temas, cosmologias plurais, epistemologias mais complexas e um di\u00e1logo mais amplo entre os saberes. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-politicas-afirmativas-contribuem-para-que-as-universidades-se-abram-a-novos-modos-de-ingresso-e-de-inclusao-de-segmentos-dela-excluidos-fazendo-circular-no-ambiente-do-ensino-e-da-pesquisa\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3840\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-opiniao-Diversidade-e-Direitos-Humanos-na-Universidade-do-Futuro-figura1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-opiniao-Diversidade-e-Direitos-Humanos-na-Universidade-do-Futuro-figura1-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-opiniao-Diversidade-e-Direitos-Humanos-na-Universidade-do-Futuro-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/CC-1E23-opiniao-Diversidade-e-Direitos-Humanos-na-Universidade-do-Futuro-figura1.jpg 488w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Pol\u00edticas afirmativas contribuem para que as universidades se abram a novos modos de ingresso e de inclus\u00e3o de segmentos dela exclu\u00eddos, fazendo circular no ambiente do ensino e da pesquisa novos temas, cosmologias plurais, epistemologias mais complexas e um di\u00e1logo mais amplo entre os saberes<br \/>\n<\/strong>(Foto: Beto Monteiro\/Secom UnB. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao fim e ao cabo, concluindo com o recorte que trouxe para meu artigo, na tem\u00e1tica proposta para esta edi\u00e7\u00e3o de Cultura &amp; Ci\u00eancia, pensar Uma Universidade Popular para uma Educa\u00e7\u00e3o Emancipat\u00f3ria, algo que, a meu ver, transparece nos debates acerca dos compromissos da institui\u00e7\u00e3o com a realiza\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, \u00e9 que libertar-se, emancipar-se, dizemos n\u00f3s em nosso projeto acad\u00eamico que denominamos O Direito Achado na Rua: \u201cn\u00e3o \u00e9 dom; \u00e9 tarefa, que se realiza na Hist\u00f3ria, porque n\u00e3o nos libertamos isoladamente, mas em conjunto\u201d. E se ela n\u00e3o existe em si, o Direito de emancipar-se \u00e9 comumente a sua express\u00e3o, porque ele \u00e9 a sua afirma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-social \u201cque acompanha a conscientiza\u00e7\u00e3o de liberdades antes n\u00e3o pensadas (como em nosso tempo, a das mulheres e das minorias \u00e9tnicas) e de contradi\u00e7\u00f5es entre as liberdades estabelecidas como a liberdade contratual, que as desigualdades sociais tornam ilus\u00f3ria e que, para buscar o caminho de sua realiza\u00e7\u00e3o, tem de estabelecer a desigualdade, para nivelar os socialmente desfavorecidos, enquanto ainda existam\u201d.<sup>[9]<\/sup><\/p>\n<p>Pensar a diversidade e os direitos humanos na universidade do futuro \u00e9 cuidar de problematizar os modos de os conhecer e de os realizar, em raz\u00e3o das lutas para o seu reconhecimento, a partir das quais se constituem como n\u00facleo da expans\u00e3o pol\u00edtica da justi\u00e7a e condi\u00e7\u00e3o de legitima\u00e7\u00e3o das formas de articula\u00e7\u00e3o do poder e de distribui\u00e7\u00e3o equitativa dos bens e valores socialmente produzidos.<\/p>\n<p>Em suma, compreender os direitos humanos dentro de \u201cum programa que d\u00e1 conte\u00fado ao protagonismo humanista, conquanto orienta projetos de vida e percursos emancipat\u00f3rios que levam \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de projetos de sociedade para instaurar espa\u00e7os recriados pelas lutas sociais pela dignidade\u201d.<sup>[10]<\/sup><\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"referencias\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h5>\n<h6 id=\"1-revista-forges-n-especial-2020-numero-comemorativo-do-10-o-aniversario-da-forges-publicado-em-2020-11-19-https-revistaforges-pt-index-php-revista-issue-view-8\">[1] REVISTA FORGES. n. Especial (2020): N\u00daMERO COMEMORATIVO DO 10.\u00ba ANIVERS\u00c1RIO DA FORGES Publicado em 2020-11-19 (<a href=\"https:\/\/revistaforges.pt\/index.php\/revista\/issue\/view\/8\">https:\/\/revistaforges.pt\/index.php\/revista\/issue\/view\/8<\/a>).<\/h6>\n<h6 id=\"2-boletim-da-faculdade-de-direito-stvdia-ivridica-48-colloquia-6-universidade-de-coimbra-coimbra-editora-conferencias-na-faculdade-de-direito-de-coimbra-1999-2000\">[2] Boletim da Faculdade de Direito \u2013 STVDIA IVRIDICA 48, Colloquia \u2013 6, Universidade de Coimbra, Coimbra Editora, Confer\u00eancias na Faculdade de Direito de Coimbra 1999 \/ 2000.<\/h6>\n<h6 id=\"3-lourenco-eduardo-mitologia-da-saudade-seguido-de-portugal-como-destino-sao-paulo-companhia-das-letras-1999\">[3] LOUREN\u00c7O, Eduardo. Mitologia da Saudade Seguido de Portugal como Destino. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1999.<\/h6>\n<h6 id=\"4-nunes-antonio-jose-avelas-neoliberalismo-e-direitos-humanos-rio-de-janeiro-editora-renovar-2003\">[4] NUNES, Antonio Jos\u00e9 Avel\u00e3s. Neoliberalismo e Direitos Humanos. Rio de Janeiro: Editora Renovar, 2003.<\/h6>\n<h6 id=\"5-monteiro-roberta-amanajas-qual-desenvolvimento-o-deles-ou-o-nosso-tese-de-doutorado-defendida-na-faculdade-de-direito-da-unb-2018\">[5] MONTEIRO, Roberta Amanaj\u00e1s. Qual desenvolvimento? O deles ou o nosso? Tese de Doutorado defendida na Faculdade de Direito da UnB, 2018.<\/h6>\n<h6 id=\"6-freire-paulo-pedagogia-do-oprimido-11a-edicao-rio-de-janeiro-paz-e-terra-2011\">[6] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011.<\/h6>\n<h6 id=\"7-sandoval-ana-claudia-santos-luis-carlos-estudos-decoloniais-e-filosofia-africana-por-uma-perspectiva-outra-no-ensino-da-filosofia-revista-paginas-de-filosofia-v-6-n-2-p-1-18-jul-dez\">[7] SANDOVAL, Ana Claudia; SANTOS, Luis Carlos. Estudos Decoloniais e Filosofia Africana: por uma Perspectiva Outra no Ensino da Filosofia. Revista P\u00e1ginas de Filosofia, v. 6, n. 2, p.1-18, jul.\/dez. 2014.<\/h6>\n<h6 id=\"8-santos-boaventura-de-sousa-universidade-popular-dos-movimentos-sociais-upms-forum-social-mundial-porto-alegre-2003-forum-social-tematico-2012-porto-alegre-24-29-jane\">[8] SANTOS, Boaventura de Sousa. \u00a0Universidade Popular dos Movimentos Sociais &#8211; UPMS \u2013 Forum Social Mundial, Porto Alegre, 2003; F\u00f3rum Social Tem\u00e1tico 2012, Porto Alegre, 24-29 Janeiro <a href=\"https:\/\/www.boaventuradesousasantos.pt\/pages\/pt\/upms.php\">https:\/\/www.boaventuradesousasantos.pt\/pages\/pt\/upms.php<\/a>, acesso em 08\/03\/2023; A universidade popular dos movimentos sociais: entrevista com o prof. Boaventura de Sousa Santos, entrevista concedida a J\u00falia F. Benzaquen. Imagens &amp; Palavras \u2022 Educ. Soc. 33 (120) \u2022 Set 2012; SANTOS, Boaventura de Sousa. Descolonizar: abrindo a hist\u00f3ria do presente. Belo Horizonte: Aut\u00eantica Editora; S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2022.<\/h6>\n<h6 id=\"9-sousa-junior-jose-geraldo-de-o-direito-como-liberdade-o-direito-achado-na-rua-porto-alegre-sergio-antonio-fabris-editor-sousa-junior-jose-geraldo-de-organizador-da-universidade-necessari\">[9] SOUSA JUNIOR, Jos\u00e9 Geraldo de. O Direito como Liberdade: O Direito Achado na Rua. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor; SOUSA JUNIOR, Jos\u00e9 Geraldo de (Organizador). Da Universidade Necess\u00e1ria \u00e0 Universidade Emancipat\u00f3ria. Bras\u00edlia: Editora UnB, 2012. SOUSA JUNIOR, Jos\u00e9 Geraldo de. Movimentos Sociais nos 50 Anos da UnB: Construindo uma Universidade Emancipat\u00f3ria. In R\u00caSES, Erlando da Silva (Organizador). Universidade e Movimentos Sociais. Belo Horizonte: Fino Tra\u00e7o Editora, 2015.<\/h6>\n<h6 id=\"10-escrivao-filho-antonio-sousa-junior-jose-geraldo-de-para-um-debate-teorico-conceitual-e-politico-sobre-os-direitos-humanos-belo-horizonte-editora-dplacido-2016-2a-reimpressao-201\">[10] ESCRIV\u00c3O FILHO, Antonio; SOUSA JUNIOR, Jos\u00e9 Geraldo de. Para um Debate Te\u00f3rico-Conceitual e Pol\u00edtico sobre os Direitos Humanos. Belo Horizonte: Editora D\u2019Pl\u00e1cido, 2016; 2\u00aa reimpress\u00e3o 2019.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6 id=\"capa-universidade-e-local-para-se-discutir-direitos-humanos-e-diversidade-assim-como-problemas-atuais-da-sociedadeantonio-scarpinetti-ascom-unicamp-reproducao\"><strong>Capa. Universidade \u00e9 local para se discutir direitos humanos e diversidade assim como problemas atuais da sociedade<br \/>\n<\/strong>(<a href=\"mailto:scarpa@reitoria.unicamp.br\">Antonio Scarpinetti<\/a>\/ Ascom Unicamp. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"sousa-junior-jose-geraldo-de-diversidade-e-direitos-humanos-na-universidade-do-futuro-pensar-a-diversidade-e-os-direitos-humanos-na-universidade-contribui-para-ampliar-os-dialogos-e-a-luta-por\"><span style=\"color: #808080;\"><em>SOUSA JUNIOR, Jos\u00e9 Geraldo de.<span class=\"article-title\">\u00a0Diversidade e direitos humanos na universidade do futuro: pensar a diversidade e os direitos humanos na universidade contribui para ampliar os di\u00e1logos e a luta por uma sociedade mais equitativa.<\/span>\u00a0Cienc. Cult.\u00a0[online]. 2023, vol.75, n.1 [citado\u00a0 2023-08-30], pp.01-09. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252023000100009&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230009.<\/em><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pensar a diversidade e os direitos humanos na universidade contribui\u00a0para\u00a0ampliar\u00a0os di\u00e1logos e&hellip;\n","protected":false},"author":85,"featured_media":3841,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3839"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3839"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3839\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4633,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3839\/revisions\/4633"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3841"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}