{"id":3921,"date":"2023-04-13T07:59:13","date_gmt":"2023-04-13T07:59:13","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3921"},"modified":"2023-08-30T18:54:47","modified_gmt":"2023-08-30T18:54:47","slug":"nos-curriculos-do-ensino-superior-extensao-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3921","title":{"rendered":"Nos curr\u00edculos do ensino superior, extens\u00e3o agora vale tanto quanto gorjeta"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"apesar-de-desvalorizada-extensao-pode-contribuir-para-a-inovacao-social\"><span style=\"color: #808080;\">Apesar de desvalorizada, extens\u00e3o pode contribuir para a inova\u00e7\u00e3o social <\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o curricular da extens\u00e3o \u2013 a chamada curriculariza\u00e7\u00e3o da extens\u00e3o \u2013 foi regulamentada em 2018 e estipula que suas atividades devem compor, no m\u00ednimo, 10% do total da carga hor\u00e1ria dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o, que dever\u00e3o fazer parte da matriz curricular dos cursos.<sup>[i]<\/sup> Essa regulamenta\u00e7\u00e3o ocorreu mais de 60 anos depois da defini\u00e7\u00e3o das diretrizes de atividades de ensino<sup>[ii]<\/sup> e 50 anos depois da Lei 5.540\/68, que trata das atividades de pesquisa<sup>[iii]<\/sup> nas universidades. Ainda assim, apesar dos grandes esfor\u00e7os de alguns docentes de universidades p\u00fablicas e privadas, \u00e9 not\u00f3ria a diferen\u00e7a de investimento e status das atividades de extens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s de ensino e pesquisa. Enquanto as atividades de ensino contam com verbas derivadas de setores p\u00fablicos ou privados, e as de pesquisa s\u00e3o provenientes principalmente de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos (<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.finep.gov.br\/\">Finep<\/a><\/strong><\/span>, <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\">Capes<\/a><\/strong><\/span>, <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.cnpq.br\/\">CNPq<\/a><\/strong><\/span> e outras funda\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 pesquisa) e de algumas parcerias com a iniciativa privada, as atividades de extens\u00e3o de um modo geral n\u00e3o est\u00e3o previstas nos or\u00e7amentos das institui\u00e7\u00f5es (com algumas exce\u00e7\u00f5es, como por exemplo, os hospitais universit\u00e1rios).<\/p>\n<p>Apesar de desvalorizada, a extens\u00e3o universit\u00e1ria \u00e9 um espa\u00e7o importante de forma\u00e7\u00e3o profissional e de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico, podendo n\u00e3o apenas contribuir para a inova\u00e7\u00e3o social, mas tamb\u00e9m para a supera\u00e7\u00e3o das desigualdades na sociedade. Mas n\u00e3o s\u00e3o poucos os obst\u00e1culos a superar.<\/p>\n<p>O sistema de ensino superior no Brasil \u00e9 diversificado e nem todas as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o p\u00fablicas ou mesmo universidades. Observam-se n\u00e3o apenas disparidades regionais, mas tamb\u00e9m diferen\u00e7as estruturais: institui\u00e7\u00f5es privadas com ou sem finalidade de lucro (comunit\u00e1rias, confessionais ou filantr\u00f3picas), organizadas em universidades, centros universit\u00e1rios, faculdades, ou institutos federais. Nas universidades p\u00fablicas existem diferen\u00e7as regionais nos recursos disponibilizados pelo poder p\u00fablico, seja ele federal, estadual ou municipal. Ainda, a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extens\u00e3o, que consta do artigo 207 da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira de 1988, se revela dilu\u00edda em pesos distintos, tanto na avalia\u00e7\u00e3o de docentes, quanto na avalia\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o acad\u00eamico. As ra\u00edzes s\u00e3o hist\u00f3ricas e refletem diferentes concep\u00e7\u00f5es de sociedade, cidadania, educa\u00e7\u00e3o, escola e ensino que revelam ide\u00e1rios conflitantes entre o mundo real, dos educadores, e o mundo oficial, do sistema educativo, como aponta Iria Brzezinski, professora do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s (PUC-Goi\u00e1s), em seu artigo \u201c<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/tes\/a\/TNWFnmD9yYcPCsbfLX4sXrz\/?lang=pt\">Tramita\u00e7\u00e3o e desdobramentos da LDB\/1996: embates entre projetos antag\u00f4nicos de sociedade e de educa\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong><\/span>\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h3 id=\"a-extensao-universitaria-e-as-demandas-da-sociedade\"><strong>A extens\u00e3o universit\u00e1ria e as demandas da sociedade<\/strong><\/h3>\n<p>Mas, afinal de contas, o que \u00e9 extens\u00e3o universit\u00e1ria? De um modo bem simplificado, pode-se dizer que a universidade \u00e9 um importante espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o, acumula\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de conhecimentos. E a extens\u00e3o seria uma forma da universidade compartilhar esse conhecimento com o p\u00fablico externo, promovendo o desenvolvimento social.\u00a0(Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-a-extensao-universitaria-e-uma-forma-de-compartilhar-o-conhecimento-produzido-nas-universidades-com-a-sociedade-promovendo-o-desenvolvimento-social-unicamp-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3924\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura1-300x202.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura1-300x202.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura1-1024x690.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura1-768x517.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura1-1536x1035.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura1-800x539.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura1-1160x781.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. A extens\u00e3o universit\u00e1ria \u00e9 uma forma de compartilhar o conhecimento produzido nas universidades com a sociedade, promovendo o desenvolvimento social.<br \/>\n<\/strong>(Unicamp. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar da diversidade de a\u00e7\u00f5es nas diferentes institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, a extens\u00e3o continua sendo o lado mais fraco no trip\u00e9 ensino-pesquisa-extens\u00e3o. Naomar de Almeida Filho, professor do Instituto de Sa\u00fade Coletiva da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufba.br\/\">Universidade Federal da Bahia<\/a><\/strong><\/span> (UFBA) e professor visitante do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\">Universidade de S\u00e3o Paulo<\/a><\/strong><\/span> (USP), aponta que a extens\u00e3o n\u00e3o \u00e9 priorizada na miss\u00e3o org\u00e2nica das institui\u00e7\u00f5es e n\u00e3o est\u00e1 prevista nos seus or\u00e7amentos, com exce\u00e7\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e atividades na \u00e1rea da sa\u00fade. Mas a extens\u00e3o \u00e9 muitas vezes a \u00fanica forma de quem est\u00e1 fora da universidade se fazer ouvir. \u201c\u00c9 raro um programa ou projeto de extens\u00e3o ser uma a\u00e7\u00e3o que pergunta; costuma-se na extens\u00e3o fornecer de imediato uma solu\u00e7\u00e3o, em vez de ser algo mais explorat\u00f3rio, dial\u00f3gico&#8230; Em tese, as universidades t\u00eam uma miss\u00e3o civilizat\u00f3ria, de modo a n\u00e3o impor a transforma\u00e7\u00e3o, mas relacionando-se com a sociedade com uma postura mais modesta\u201d, explicou, em <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unifesp.br\/reitoria\/dci\/component\/k2\/item\/4209-um-caminho-para-o-dialogo-entre-universidade-e-sociedade\">entrevista<\/a><\/strong><\/span> \u00e0 Revista EntreTeses.<\/p>\n<p>A digital das universidades pode ser encontrada em projetos e\/ou a\u00e7\u00f5es de extens\u00e3o que envolvem organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais diversos, no processo de constru\u00e7\u00e3o de variadas inova\u00e7\u00f5es sociais que tiveram impactos no enfrentamento de desigualdades sociais ou na gera\u00e7\u00e3o de respostas criativas para determinados problemas. Carla Almeida, professora do Departamento de Ci\u00eancias Sociais da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.uem.br\/\">Universidade Estadual de Maring\u00e1<\/a><\/strong><\/span> (UEM) e coordenadora adjunta da \u00e1rea de Ci\u00eancias Pol\u00edticas e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Capes, cita como exemplo a presen\u00e7a de universidades nos programas pilotos dos anos 1980 que, junto \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Movimento Sanitarista, levaram, mais a frente, \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as efetivas na forma\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade no pa\u00eds: \u201caqueles projetos buscavam introduzir na forma\u00e7\u00e3o dos profissionais uma perspectiva de sa\u00fade mais afinada \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o e dos servi\u00e7os p\u00fablicos, de natureza mais preventiva, comunit\u00e1ria e coletiva, o que foi t\u00e3o fundamental na constru\u00e7\u00e3o do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-extensao-universitaria-e-um-espaco-importante-de-formacao-profissional-e-de-producao-de-conhecimento-cientifico-podendo-nao-apenas-contribuir-para-a-inovacao-social-mas-tambem-para-a-supe\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA extens\u00e3o universit\u00e1ria \u00e9 um espa\u00e7o importante de forma\u00e7\u00e3o profissional e de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico, podendo n\u00e3o apenas contribuir para a inova\u00e7\u00e3o social, mas tamb\u00e9m para a supera\u00e7\u00e3o das desigualdades na sociedade.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unifesp.br\/\">Universidade Federal de S\u00e3o Paulo<\/a><\/strong><\/span> (Unifesp), por exemplo, as atividades de extens\u00e3o se d\u00e3o em diversos n\u00edveis: projetos sociais, forma\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia, cria\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de atua\u00e7\u00e3o em movimentos populares, atendimento \u00e0s popula\u00e7\u00f5es mais carentes nas pr\u00f3prias localidades, ensino a refugiados, atendimento em sa\u00fade a grupos sociais vulner\u00e1veis, projetos de combate \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0s drogas, pol\u00edticas de a\u00e7\u00f5es afirmativas, n\u00facleos de estudos africanos e ind\u00edgenas e c\u00e1tedras de estudos populares. \u201cE reservamos \u00e0 cultura um lugar que n\u00e3o \u00e9 limitado ao entretenimento ou ao lazer\u201d, aponta Soraya Smaili, professora do Departamento de Farmacologia da Unifesp e ex-reitora da universidade, em <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unifesp.br\/reitoria\/dci\/component\/k2\/item\/4201-extensao-universitaria-abre-espaco-a-inovacao-social#:~:text=A%20Unifesp%20%C3%A9%20destaque%20no,The%20Higher%20Education%20(THE).\">artigo<\/a><\/strong><\/span> para a revista EntreTeses.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"papel-da-extensao-universitaria-na-inovacao-social\"><strong>Papel da extens\u00e3o universit\u00e1ria na inova\u00e7\u00e3o social<\/strong><\/h4>\n<p>A ideia de inova\u00e7\u00e3o social \u00e9 considerada relativamente jovem por alguns pesquisadores. Alcides Monteiro, professor da Universidade de Beira Interior (UBI) e pesquisador no Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia de Portugal, aponta em <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/dados\/a\/TgyQQ73yL9qF5R3xvSS3J9L\/abstract\/?lang=pt\">artigo<\/a><\/strong><\/span> publicado em 2019 que \u201cno Brasil, e olhando para o campo cient\u00edfico, o debate tem sido rico e diversificado em \u00e2ngulos de abordagem, desde a discuss\u00e3o do conceito e dos referentes te\u00f3ricos que o suportam at\u00e9 a sua liga\u00e7\u00e3o com a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ou \u00e0 conex\u00e3o entre inova\u00e7\u00e3o social e desenvolvimento\u201d.<\/p>\n<p>Carla Almeida considera \u201cequivocada a ideia, que muito circula, de que haveria uma dicotomia entre universidades e sociedade, ou, em outras palavras, de que as universidades estariam distantes e desatentas dos reais problemas que afetam a sociedade brasileira\u201d. Com pesquisas sobre institui\u00e7\u00f5es participativas; democracia e participa\u00e7\u00e3o; g\u00eanero e pol\u00edtica, Almeida pondera que \u201cessa imagem apaga a contribui\u00e7\u00e3o que as universidades p\u00fablicas t\u00eam dado, historicamente, para a gera\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es sociais que passaram a fornecer respostas in\u00e9ditas a problemas para os quais ainda n\u00e3o havia solu\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis\u201d. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-as-universidades-tem-contribuido-historicamente-com-a-sociedade-fornecendo-solucoes-aos-problemas-que-vao-se-colocandounifesp-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3925\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura2-300x150.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura2-300x150.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura2-1024x513.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura2-768x385.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura2-1536x769.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura2-18x9.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura2-800x401.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura2-1160x581.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/CC-1E23-reportagem-Nos-curri\u0301culos-do-ensino-superior-extensa\u0303o-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<\/strong><strong>Figura 2. As universidades t\u00eam contribu\u00eddo historicamente com a sociedade, fornecendo solu\u00e7\u00f5es aos problemas que v\u00e3o se colocando<br \/>\n<\/strong>(Unifesp. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"lacunas-e-desafios-persistem-mas-existem-acoes-em-curso\"><strong>Lacunas e desafios persistem, mas existem a\u00e7\u00f5es em curso<\/strong><\/h4>\n<p>Segundo Almeida, embora todo o ac\u00famulo extensionista que possu\u00edmos, ainda n\u00e3o temos uma cultura que valorize a divulga\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico, n\u00e3o temos uma pol\u00edtica sistem\u00e1tica e eficaz, por parte das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, que preveja, fomente e execute estrat\u00e9gias nessa dire\u00e7\u00e3o. A desconfian\u00e7a e o ataque ao conhecimento cient\u00edfico marcando presen\u00e7a no debate p\u00fablico e impactando negativamente a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o na pandemia s\u00e3o exemplos. \u201cEmbora possamos encontrar iniciativas bastante importantes e criativas nessa dire\u00e7\u00e3o em diversas \u00e1reas do conhecimento, considero fundamental que as universidades brasileiras se engajem fortemente na constru\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias institucionais de divulga\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico. E divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica n\u00e3o se trata, evidentemente, apenas de dar publicidade ao que se produz\u201d, destaca. \u00c9 preciso n\u00e3o apenas investir em \u201ctraduzir\u201d a linguagem cientifica para uma comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica, aberta, ampla, mas tamb\u00e9m e, sobretudo, \u00e9 preciso considerar o p\u00fablico, a sociedade, um agente ativo nessa comunica\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o mero receptor de informa\u00e7\u00e3o. \u201cEspero muito que possamos avan\u00e7ar nessa dire\u00e7\u00e3o\u201d, finaliza a pesquisadora.<\/p>\n<p>Ricardo Abramovay, professor da c\u00e1tedra Josu\u00e9 de Castro da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica e professor s\u00eanior do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Ambiental\u00a0(PROCAM), ambos da USP, pondera que, por mais importante que seja a universidade contribuir no enfrentamento das desigualdades sociais brasileiras, essa a\u00e7\u00e3o \u201ctem que come\u00e7ar muito antes, das etapas correspondentes \u00e0 forma\u00e7\u00e3o inicial dos estudantes. A popula\u00e7\u00e3o de baixa renda tem uma defici\u00eancia em portugu\u00eas, matem\u00e1tica e racioc\u00ednio b\u00e1sico (desafios do s\u00e9culo XX) que as distancia dos desafios do s\u00e9culo XXI, quais sejam autonomia, empatia, criatividade, diversidade e capacidade de aprender coisas novas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-digital-das-universidades-pode-ser-encontrada-em-projetos-e-ou-acoes-de-extensao-que-envolvem-organizacoes-e-movimentos-sociais-diversos-no-processo-de-construcao-de-variadas-inovacoes-soc\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cA digital das universidades pode ser encontrada em projetos e\/ou a\u00e7\u00f5es de extens\u00e3o que envolvem organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais diversos, no processo de constru\u00e7\u00e3o de variadas inova\u00e7\u00f5es sociais que tiveram impactos no enfrentamento de desigualdades sociais ou na gera\u00e7\u00e3o de respostas criativas para determinados problemas.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E acrescenta, \u201cpor mais que as melhores universidades do mundo sejam geradoras de inova\u00e7\u00e3o, elas podem, ao mesmo tempo, contribuir para bloquear ou ao menos retardar as transforma\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao desenvolvimento sustent\u00e1vel.\u201d Para Abramovay, n\u00e3o h\u00e1 exemplo mais claro deste paradoxo que o citado no \u00faltimo livro de Michael Sandel sobre a tirania do m\u00e9rito, no qual \u201cele mostra o papel essencial da riqueza familiar no acesso \u00e0s melhores universidades norte-americanas. O m\u00e9rito torna-se a cobertura fantasiosa cujo verdadeiro corpo \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o social de quem a veste. Imposs\u00edvel pensar em transforma\u00e7\u00e3o social sem enfrentar este problema. E a fantasia se converte em mistifica\u00e7\u00e3o quando a posi\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada \u00e9 vivida por seus detentores como resultado de seu talento e n\u00e3o do dinheiro que lhes abriu as portas de entrada no caminho das posi\u00e7\u00f5es dominantes\u201d.<\/p>\n<p>Ou seja, os 10% do total da carga hor\u00e1ria curricular estudantil dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o podem ser um bom come\u00e7o para ajustar as prioridades de ensino e pesquisa nas universidades brasileiras.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Notas<\/strong><\/span><\/h5>\n<h6 id=\"i-artigo-4o-da-resolucao-no-7-de-18-de-dezembro-de-2018-do-conselho-nacional-de-educacao\"><span style=\"color: #808080;\">[i] Artigo 4\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 7, de 18 de dezembro de 2018, do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"ii-a-primeira-ldb-lei-de-diretrizes-e-bases-lei-no-4-024-61-foi-sancionada-em-20-de-dezembro-de-1961-foi-modificada-por-emendas-e-artigos-tendo-sido-reformada-pelas-leis-5-540-68-e-5-6\"><span style=\"color: #808080;\">[ii] A primeira LDB \u2013 Lei de Diretrizes e Bases (Lei n\u00ba 4.024\/61) foi sancionada em 20 de dezembro de 1961, foi modificada por emendas e artigos, tendo sido reformada pelas Leis 5.540\/68 e 5.692\/71 e, posteriormente, substitu\u00edda pela LDB 9.394\/96, 20 de dezembro de 1996.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"iii-a-lei-no-5-540-de-28-de-novembro-de-1968-fixa-no-artigo-1o-que-o-ensino-superior-tem-por-objetivo-a-pesquisa-o-desenvolvimento-das-ciencias-letras-e-artes-e-a-formacao-de-profissionais-de-ni\"><span style=\"color: #808080;\">[iii] A Lei n\u00ba 5.540, de 28 de novembro de 1968, fixa no artigo 1\u00ba que o ensino superior tem por objetivo a pesquisa, o desenvolvimento das ci\u00eancias, letras e artes e a forma\u00e7\u00e3o de profissionais de n\u00edvel universit\u00e1rio; e, no artigo 2\u00ba, que o ensino superior \u00e9 indissoci\u00e1vel da pesquisa.<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"capa-extensao-universitaria-faz-elo-entre-conhecimento-academico-e-sociedademarcello-casal-agencia-senado-reproducao\"><strong>Capa. Extens\u00e3o universit\u00e1ria faz elo entre conhecimento acad\u00eamico e sociedade<br \/>\n<\/strong>(Marcello Casal\/ Ag\u00eancia Senado. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"assad-leonor-nos-curriculos-do-ensino-superior-extensao-agora-vale-tanto-quanto-gorjeta-apesar-de-desvalorizada-extensao-pode-contribuir-para-a-inovacao-social-cienc-cult-onlin\"><span style=\"color: #808080;\"><em>ASSAD, Leonor.<span class=\"article-title\">\u00a0Nos curr\u00edculos do ensino superior, extens\u00e3o agora vale tanto quanto gorjeta: apesar de desvalorizada, extens\u00e3o pode contribuir para a inova\u00e7\u00e3o social.<\/span>\u00a0Cienc. Cult.\u00a0[online]. 2023, vol.75, n.1 [citado\u00a0 2023-08-30], pp.01-04. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252023000100013&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230013.<\/em><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Apesar de desvalorizada, extens\u00e3o pode contribuir para a inova\u00e7\u00e3o social &nbsp; A&hellip;\n","protected":false},"author":9,"featured_media":3926,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3921"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3921"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3921\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4639,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3921\/revisions\/4639"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3926"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}