{"id":3930,"date":"2023-05-03T08:00:52","date_gmt":"2023-05-03T08:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3930"},"modified":"2023-08-30T18:56:00","modified_gmt":"2023-08-30T18:56:00","slug":"a-universidade-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3930","title":{"rendered":"A Universidade do Futuro"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"o-mundo-e-as-demandas-estao-mudando-a-universidade-e-seu-tripe-fundamental-enfrentam-tempos-de-adaptacao-e-reflexao-sobre-o-futuro\"><span style=\"color: #808080;\">O mundo e as demandas est\u00e3o mudando, a universidade e seu trip\u00e9 fundamental enfrentam tempos de adapta\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o sobre o futuro<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Observando as \u00faltimas novidades da \u00e1rea de tecnologia e inform\u00e1tica \u00e9 poss\u00edvel perceber uma tend\u00eancia \u00e0s novas tecnologias. Esse sistema de desenvolvimento de novos conhecimentos, plataformas e aparelhos eletr\u00f4nicos j\u00e1 alterou em muito o curso da humanidade. Isso \u00e9 o que o engenheiro e economista alem\u00e3o Klaus Schwab tem chamado de \u201cA Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial\u201d, que se caracteriza pelo uso de todas as tecnologias existentes na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. A universidade est\u00e1 intrinsecamente conectada a esse sistema e sente todas as recentes mudan\u00e7as, precisando novamente mudar, se adaptar e refletir qual a universidade do futuro no Brasil, olhando atentamente suas agendas, prioridades e \u00eanfases de ensino e pesquisa.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 preciso iniciar o debate em como o conhecimento \u00e9 desenvolvido, e como se transfere em pesquisa, produto e parte intr\u00ednseca do cotidiano de muitas pessoas. De acordo com algumas ag\u00eancias, o conhecimento no mundo dobra a cada dois anos, fato que se coloca como ponto essencial para a universidade, trazendo a necessidade de formar os estudantes com amplitude de vis\u00e3o em diversas \u00e1reas, uma vez que o conhecimento est\u00e1 cada vez mais interdisciplinar. Segundo Elisabete Monteiro de Aguiar Pereira, professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/\">Universidade Estadual de Campinas<\/a><\/strong><\/span> (Unicamp) e coordenadora do Grupo Internacional de Estudos e Pesquisas sobre Educa\u00e7\u00e3o Superior, \u201ca universidade est\u00e1 atenta e acompanha a velocidade dessa revolu\u00e7\u00e3o do conhecimento, bem como as novas formas de trabalhar essa din\u00e2mica produ\u00e7\u00e3o de conhecimento\u201d.<\/p>\n<p>No Brasil, a pesquisa dentro da universidade resiste e ainda \u00e9 grande devido ao seu enorme potencial, financiamento e captura de c\u00e9rebros pelo sistema de ensino. Para a pesquisadora, essa postura de adapta\u00e7\u00e3o aos tempos foi o que permitiu \u00e0 universidade ser uma das poucas institui\u00e7\u00f5es sociais que perduram h\u00e1 mais de 1000 anos. \u201cEla \u00e9 uma das institui\u00e7\u00f5es sociais mais longevas, se apenas contarmos o tempo depois de Cristo \u2013 \u2018DC\u2019. A <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unesco.org\/en\">Unesco<\/a><\/strong><\/span> considera a primeira universidade, a Universidade Quaraouiyine, que data do ano de 850 e est\u00e1 na cidade de Fez, em Marrocos\u201d, completa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"nunca-se-produziu-tanto-conhecimento-como-nos-seculos-20-e-21-essa-explosao-levou-ao-aumento-das-universidades-cursos-de-especializacao-pos-graduacao-e-a-uma-explosao-de-escala-das-coisas\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cNunca se produziu tanto conhecimento como nos s\u00e9culos 20 e 21. Essa explos\u00e3o levou ao aumento das universidades, cursos de especializa\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e a uma explos\u00e3o de escala das coisas em quantidade e demandas da sociedade.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse sistema de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento \u00e9 muito forte nas universidades p\u00fablicas do Brasil. Ivan Domingues, professor do Departamento de Filosofia da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufmg.br\/\">Universidade Federal de Minas Gerais<\/a><\/strong><\/span> (UFMG), explica que a pesquisa e a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento \u00e9 uma atribui\u00e7\u00e3o da universidade, desde que ela foi organizada por Wilhem Humbolt, em 1810, em Berlim, iniciando o modelo moderno de universidade que influenciou as universidades ocidentais. Antes desse per\u00edodo, ela n\u00e3o tinha a fun\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, mas apenas de transmiss\u00e3o. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-a-pesquisa-e-a-producao-de-conhecimento-e-uma-atribuicao-da-universidadefoto-tomaz-silva-agencia-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3933\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura1-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura1-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura1-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura1-768x460.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura1-1536x919.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura1-800x479.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura1-1160x694.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. A pesquisa e a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento \u00e9 uma atribui\u00e7\u00e3o da universidade<br \/>\n<\/strong>(Foto: Tomaz Silva\/ Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pereira lembra que a Unicamp, a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\">Universidade de S\u00e3o Paulo<\/a> <\/strong><\/span>(USP), a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unesp.br\/\">Universidade Estadual Paulista<\/a><\/strong><\/span> (Unesp), as universidades federais e estaduais de outros estados e algumas privadas, tiveram inspira\u00e7\u00e3o nesse modelo humboltidiano, isto \u00e9, no modelo de universidade de pesquisa. O que se entende por esse modelo \u00e9: a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extens\u00e3o; a liberdade de ensinar e pesquisar; a defesa da pesquisa b\u00e1sica desinteressada. Muitas Institui\u00e7\u00f5es de Educa\u00e7\u00e3o Superior (IES) no Brasil n\u00e3o fazem pesquisa, ou seja, n\u00e3o se voltam para a produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia da dimens\u00e3o e da import\u00e2ncia das universidades brasileiras, a USP est\u00e1 em 8.\u00ba lugar no ranking mundial em quantidade de publica\u00e7\u00f5es entre 938 universidades do mundo. Os artigos publicados pela USP, entre 2010 e 2014, foram 955 e est\u00e3o entre os 10% mais citados no mundo. A Unesp est\u00e1 em 158.\u00ba e a Unicamp est\u00e1 em 186.\u00ba, \u201co que demonstra uma boa contribui\u00e7\u00e3o das universidades brasileiras na divulga\u00e7\u00e3o de importantes conhecimentos para o mundo\u201d, complementa Pereira.<\/p>\n<p>A <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.shanghairanking.com\/\"><em>Academic Ranking of World Universities<\/em><\/a><\/strong><\/span> publicou em 2022 sua mais recente pesquisa, colocando a USP entre as 150 melhores universidades do mundo, Unicamp no grupo 301-400 e a Unesp, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no grupo 401-500. Ao todo, 22 universidades brasileiras figuram na lista (Tabela 1).<\/p>\n<h6 id=\"tabela-1-ranking-das-melhores-universidades-de-2022fonte-jornal-da-usp-com-dados-da-academic-ranking-of-world-universities-2022\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3934\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-tabela1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"451\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-tabela1-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-tabela1-1024x769.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-tabela1-768x577.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-tabela1-1536x1154.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-tabela1-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-tabela1-800x601.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-tabela1-1160x871.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-tabela1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><br \/>\n<strong>Tabela 1. Ranking das melhores universidades de 2022<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Jornal da USP com dados da Academic Ranking of World Universities 2022)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os professores Pereira e Domingues tamb\u00e9m contam que, al\u00e9m das universidades, o Brasil tem alguns Institutos de Pesquisas que s\u00e3o n\u00e3o universit\u00e1rios. Os mais conhecidos s\u00e3o o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/inpe\/pt-br\">Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais<\/a><\/strong><\/span> (INPE), o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/\">Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada<\/a><\/strong><\/span> (IPEA), vinculado ao Minist\u00e9rio da Economia, o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.ita.br\/\">Instituto Tecnol\u00f3gico da Aeron\u00e1utica<\/a><\/strong><\/span> (ITA) o<span style=\"color: #800000;\"><strong> <a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.ime.eb.mil.br\/\">Instituto Militar de Engenharia<\/a> (IME), e o <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/impa.br\/pt_BR\">Instituto de Matem\u00e1tica Pura Aplicada<\/a><\/strong><\/span> (IMPA), vinculado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia e ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o neurocientista Luiz Roberto Giorgetti de Britto, professor do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas<span style=\"color: #800000;\"><strong> <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ww3.icb.usp.br\/\">ICB-USP<\/a><\/strong><\/span>, o foco da universidade \u00e9 primeiramente o ensino, que est\u00e1 atrelado e se beneficia da pesquisa e da extens\u00e3o. \u201cO diferencial da universidade \u00e9 sua preocupa\u00e7\u00e3o com o ensino. O fato de ela n\u00e3o ter esse monop\u00f3lio na pesquisa \u00e9 um sinal de avan\u00e7o da sociedade. Significa que essas outras institui\u00e7\u00f5es de tecnologia e inform\u00e1tica est\u00e3o mais avan\u00e7adas e a universidade n\u00e3o conseguiu acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas por <em>n<\/em> raz\u00f5es\u201d, afirma o cientista, com uma vis\u00e3o bastante positiva das mudan\u00e7as que estamos vivendo recentemente com a alta velocidade da pesquisa em tecnologia.<\/p>\n<p>Ele segue explicando que a universidade n\u00e3o tem capacidade log\u00edstica de atrair uma pessoa dedicada a pesquisa de tecnologia, pois ela tem a preocupa\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o e \u00e9 engessada em alguns aspectos administrativos e burocr\u00e1ticos como sal\u00e1rios iguais e cria\u00e7\u00e3o de novos cursos, \u201co que tem acontecido \u00e9 que os bons profissionais, formados dentro da universidade, v\u00e3o para a iniciativa privada, porque t\u00eam mais oportunidades, sal\u00e1rios astronomicamente maiores\u201d, completa. Ainda h\u00e1 de se apontar mais problemas que tornam a universidade menos eficaz: sua burocratiza\u00e7\u00e3o. Segundo Britto, mesmo as universidades que nasceram com a ideia de serem menos burocratizadas est\u00e3o seguindo o mesmo caminho e esse fator \u00e9 extremamente dificultante. Por\u00e9m, Pereira segue com uma vis\u00e3o positiva das recentes mudan\u00e7as, \u201cse tomarmos em considera\u00e7\u00e3o as tr\u00eas primeiras revolu\u00e7\u00f5es industriais do mundo e vermos que a universidade acompanhou todas elas, podemos afirmar que ela acompanhar\u00e1 esta quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial\u201d, resume.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"existe-toda-uma-estrutura-voltada-para-um-tipo-de-pesquisa-que-nao-atende-a-realidade-brasileira-a-classe-baixa-e-a-media-tem-demandas-coletivas-que-nao-sao-atendidas-a-nossa-universidade-d\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cExiste toda uma estrutura voltada para um tipo de pesquisa que n\u00e3o atende a realidade brasileira. A classe baixa e a m\u00e9dia t\u00eam demandas coletivas que n\u00e3o s\u00e3o atendidas. A nossa universidade do futuro tem que se preocupar com essas quest\u00f5es de equanimidade.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Renato Dagnino, professor do Departamento de Pol\u00edticas Cient\u00edficas e Tecnol\u00f3gicas (DPCT) da Unicamp, enfatiza que o foco das universidades brasileiras deveria ser mais local. \u201cO que preocupa \u00e9 o fato de que mesmo a pesquisa que se faz na universidade n\u00e3o est\u00e1 orientada para o que deveria ser o trabalho numa universidade p\u00fablica. Esse \u00e9 o tema central no caso dos pa\u00edses perif\u00e9ricos, em particular do Brasil, onde n\u00f3s temos um potencial t\u00e9cnico cient\u00edfico bastante relevante\u201d, defende o professor, completando que as agendas da universidade e suas prioridades est\u00e3o orientadas para o que se faz no norte global e n\u00e3o se conecta com a realidade do brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"disparidade\"><strong>Disparidade<\/strong><\/h4>\n<p>H\u00e1 uma disparidade na qualidade do ensino b\u00e1sico e do ensino superior no Brasil. Isso acaba gerando a forma\u00e7\u00e3o de muitos profissionais extremamente qualificados que n\u00e3o s\u00e3o absorvidos pelo mercado brasileiro, e acabam sendo atra\u00eddos para fora. Dagnino aponta que no per\u00edodo entre 2006 e 2008, quando a economia estava em alta, o Brasil formou 90 mil mestres e doutores em ci\u00eancias duras, 30 mil por ano, segundo dados da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\">Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior<\/a><\/strong><\/span> (Capes). Uma Pesquisa de Inova\u00e7\u00e3o (Pintec), feita pelo <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/\">Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica<\/a> <\/strong><\/span>(IBGE) em 2011, perguntou para as empresas inovadoras \u201cquantos mestres e doutores em ci\u00eancias duras voc\u00ea contratou para realizar P&amp;D?\u201d A resposta \u00e9 que em tr\u00eas anos eles contrataram 68 pessoas dos 90 mil formados. Ou seja, \u201cestamos formando gente para quem?\u201d, questiona o professor Dagnino. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-entre-2006-e-2008-o-brasil-formou-90-mil-mestres-e-doutores-em-ciencias-duras-30-mil-por-ano-segundo-a-capes-foto-ana-marina-coutinho-sgcom-ufrj-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3935\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura2-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura2-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura2-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura2-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura2-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-A-Universidade-do-Futuro-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Entre 2006 e 2008, o Brasil formou 90 mil mestres e doutores em ci\u00eancias duras, 30 mil por ano, segundo a Capes.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Ana Marina Coutinho &#8211; SGCOM\/UFRJ. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portanto, os professores concordam que est\u00e1 na hora de pensar a universidade do futuro no Brasil. O que \u00e9 preciso adaptar, mudar, acelerar para que esse sistema de gera\u00e7\u00e3o de conhecimento seja de qualidade, acess\u00edvel, absorvido pelo mercado brasileiro e pensado para o interesse p\u00fablico. Mas Pereira j\u00e1 adianta, \u201cn\u00e3o haver\u00e1 uma universidade de modelo \u00fanico. Nunca existiu e n\u00e3o existir\u00e1. A universidade continuar\u00e1 sendo o local mais adequado para o ensino das gera\u00e7\u00f5es, a produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos e a ter o olhar para a sociedade do seu tempo. As formas \u00e9 que est\u00e3o se alterando desde j\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"os-problemas\"><strong>Os problemas<\/strong><\/h4>\n<p>Houve uma explos\u00e3o do conhecimento e das disciplinas a partir da metade do s\u00e9culo 19. \u201cNunca se produziu tanto conhecimento como nos s\u00e9culos 20 e 21 e nunca foi t\u00e3o grande o n\u00famero de disciplinas e de \u00e1reas do conhecimento. Essa explos\u00e3o levou ao aumento das universidades, cursos de especializa\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e a uma explos\u00e3o de escala das coisas em quantidade e demandas da sociedade\u201d, explica Domingues. Com essa velocidade, novos cursos \u2013 que demoram para ser elaborados e aprovados \u2013 acabam inaugurando j\u00e1 obsoletos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Britto aponta que, apesar de a autonomia das autarquias universit\u00e1rias ser prevista pela constitui\u00e7\u00e3o, na pr\u00e1tica, n\u00e3o h\u00e1 efetividade quando para se criar um novo cargo \u00e9 preciso solicita\u00e7\u00e3o \u00e0 Assembleia Legislativa, o que acaba envolvendo um jogo pol\u00edtico complexo e flutuante, dependente de partidos dominantes do momento. \u201cIsso acaba atrasando e dificultando os projetos que a universidade tem de tentar acompanhar\u201d. Segundo o pesquisador, \u00e9 preciso haver um esfor\u00e7o no sentido de interagir mais com as \u00e1reas de tecnologia, o que n\u00e3o \u00e9 nada simples visto as limita\u00e7\u00f5es atuais das universidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-universidade-deve-ser-mantida-pelo-proprio-bem-da-sociedade-a-forma-como-ela-sera-esta-na-relacao-direta-de-como-a-sociedade-sera\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">&#8220;A universidade deve ser mantida pelo pr\u00f3prio bem da sociedade. A forma como ela ser\u00e1 est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o direta de como a sociedade ser\u00e1.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer que a universidade se torna menos relevante com as mudan\u00e7as que est\u00e3o ocorrendo, porque ela \u00e9 fundamental \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de pessoal qualificado e tem uma representatividade significativa na pesquisa mundial, mas como torn\u00e1-la atrativa, adapt\u00e1vel e de qualidade para todos?<\/p>\n<p>Os professores Dagnino e Domingues foram consistentes em afirmar que a universidade est\u00e1 muito massificada hoje, e esse n\u00e3o era o planejamento. A Unicamp, por exemplo, foi planejada para abrigar no m\u00e1ximo 10 mil alunos. Segundo seu Anu\u00e1rio Estat\u00edstico de 2020, com a base de dados de 2019, mostram quase 40 mil alunos matriculados somando gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, com uma taxa de aceita\u00e7\u00e3o de apenas 4,3%, segundo as notas de aprova\u00e7\u00e3o na primeira fase e pontua\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos matriculados em documento da Comiss\u00e3o Permanente para os Vestibulares (Comvest) de 2016.<\/p>\n<p>Isso mostra um planejamento inadequado ao crescimento geogr\u00e1fico do pa\u00eds e ao imagin\u00e1rio social criado de que \u00e9 necess\u00e1rio ter uma gradua\u00e7\u00e3o para ser um bom profissional. Dentre as solu\u00e7\u00f5es apresentadas, os entrevistados lembram que a maioria dos pa\u00edses valoriza tamb\u00e9m outros tipos de forma\u00e7\u00e3o, como a t\u00e9cnica, absorvendo o mercado com bons sal\u00e1rios \u2013 algo que n\u00e3o acontece no Brasil e cria-se a solu\u00e7\u00e3o \u00fanica de que \u00e9 preciso ter n\u00edvel superior, lotando as universidades, tornando-as massificadas.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que se defende a universidade p\u00fablica para todos, mas para sua qualidade ser mantida \u00e9 preciso planejamento e projeto de m\u00e9dio e longo prazos. Segundo Domingues, a universidade no Brasil inchou em quantidade e tornou-se confusa com m\u00faltiplas tarefas, excesso de fun\u00e7\u00f5es aos docentes e sem mudan\u00e7as r\u00e1pidas. \u00c9 preciso agora modificar o card\u00e1pio das ofertas de ensino superior, visando educa\u00e7\u00e3o humanista, mas n\u00e3o esquecendo que as escolas t\u00e9cnicas t\u00eam seu valor e precisam de maior investimento, assim como o ensino b\u00e1sico.<\/p>\n<p>Em 2019, a USP contava com pouco mais de 97 mil alunos. Al\u00e9m disso, para o mesmo ano, cerca de 1,2 milh\u00e3o de alunos estavam matriculados nas 69 universidades federais do pa\u00eds. Para Domingues, o \u201cn\u00famero m\u00e1gico\u201d de funcionamento das universidades, com a sua estrutura atual, seria de 33 mil alunos. Mas, como Britto assume, n\u00e3o podemos deixar de lado todo esse contingente, pois os alunos s\u00e3o o que fazem da universidade ser tudo o que ela \u00e9 hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-papel-da-universidade\"><strong>O papel da universidade<\/strong><\/h4>\n<p>Dagnino defende que um dos pap\u00e9is da universidade \u00e9 atender as demandas da sociedade e pesquisar solu\u00e7\u00f5es para ela. O sistema atual \u00e9 muito elitizado e voltado para a pesquisa ao estilo europeu ou norte-americano, o que n\u00e3o condiz com a realidade latina. \u201cExiste toda uma estrutura voltada para um tipo de pesquisa que n\u00e3o atende a realidade brasileira, n\u00e3o dialoga com aqueles que pagam a universidade atrav\u00e9s dos impostos. A classe baixa e a m\u00e9dia t\u00eam demandas coletivas que n\u00e3o s\u00e3o atendidas. A nossa universidade do futuro tem que se preocupar com essas quest\u00f5es de equanimidade.\u201d<\/p>\n<p>Britto tamb\u00e9m lembra que a miss\u00e3o do trip\u00e9 \u2013 pesquisa, ensino e extens\u00e3o \u2013 \u00e9 ser voltada para a sociedade e a universidade do futuro precisa abranger isso. \u201cA inova\u00e7\u00e3o precisa tamb\u00e9m estar nesse projeto, tudo o que pesquisamos precisa ter um impacto social\u201d, completa. Al\u00e9m dessas mudan\u00e7as, a universidade precisa aprender a conversar com outras institui\u00e7\u00f5es, saber negociar com o governo, interagir com a ind\u00fastria e dialogar com a sociedade, atrav\u00e9s da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, \u201cAinda temos que aprender bastante a disseminar o nosso conhecimento para um p\u00fablico geral. Porque sabemos disseminar a pesquisa para o meio cient\u00edfico, para os nossos pares, mas n\u00e3o sabemos muito sobre essa dissemina\u00e7\u00e3o do conhecimento para o p\u00fablico em geral\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-universidade-do-futuro-o-ensino\"><strong>A universidade do futuro: o ensino <\/strong><\/h4>\n<p>Dentro desse projeto pensado para adaptar a universidade \u00e0s mudan\u00e7as atuais, o ensino tamb\u00e9m precisa ser repensado. Segundo Britto, a universidade tem que encontrar um modo de se ajustar, usando ferramentas da inform\u00e1tica, ensino a dist\u00e2ncia e outras estrat\u00e9gias. \u201cN\u00e3o tem mais sentido tentarmos, como faz\u00edamos 50 anos atr\u00e1s, passar conhecimento para os alunos. Isso \u00e9 imposs\u00edvel com o avan\u00e7o do conhecimento que n\u00f3s temos no s\u00e9culo XXI, principalmente. E isso vem aumentando a cada dia mais\u201d, completa o professor e explica que a USP e outras universidades tem tentado se adaptar com novas formata\u00e7\u00f5es de sala de aula &#8211; fugindo do modelo tradicional das carteiras em fila &#8211; cursos h\u00edbridos e a internacionaliza\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 \u00e9 forte para a pesquisa e precisa de mais incentivo na \u00e1rea do ensino, como o interc\u00e2mbio de alunos.<\/p>\n<p>O pesquisador continua, defendendo que o ensino cl\u00e1ssico j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais atrativo e eficiente nem para os jovens digitais e nem para os mais velhos. Pereira, completa que, com a densidade de conhecimento que est\u00e1 dispon\u00edvel hoje e ao alcance de todos, o docente passa a ter um novo papel, seja presencial ou a dist\u00e2ncia, para a forma\u00e7\u00e3o de profissionais com vis\u00e3o inter e multidisciplinar contempor\u00e2nea. \u201cA pandemia trouxe a necessidade de ser mais estudado e aplicado o ensino a dist\u00e2ncia, conhecendo quais suas possibilidades e limita\u00e7\u00f5es. Desde a vis\u00e3o de uma forma mais democr\u00e1tica de ensino universit\u00e1rio, at\u00e9 de organizar novas metodologias que n\u00e3o sejam apenas a transposi\u00e7\u00e3o de aulas presenciais para aulas online\u201d, completa. Sobre o formato das salas de aula e a estrutura f\u00edsica das universidades, Domingues comenta que \u201cuniversidade \u00e9 mais que sala de aula, \u00e9 um ambiente. O aluno precisa estar dispon\u00edvel para suas viv\u00eancias, eventos e networking\u201d, para uma forma\u00e7\u00e3o completa.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o tend\u00eancias que a \u00e1rea da pesquisa j\u00e1 tem passado, visto os crescentes grupos de pesquisa e o desenvolvimento em parcerias internacionais. A pesquisa n\u00e3o \u00e9 mais feita solitariamente, e o ensino tamb\u00e9m n\u00e3o deve ser. \u201cO mundo globalizado pede a forma\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos com perspectivas inter e multiculturais, com estudos e pesquisas sobre grandes temas da humanidade como: polui\u00e7\u00e3o, desmatamento, extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, degrada\u00e7\u00e3o do solo, produ\u00e7\u00e3o de alimento para uma poss\u00edvel superpopula\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, energia limpa, evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, epidemias e crises de sa\u00fade, discrimina\u00e7\u00e3o, conflitos em larga escala, conflitos religiosos, grupos extremistas. A gradua\u00e7\u00e3o, j\u00e1 h\u00e1 tempos, deixou de ser vista como forma\u00e7\u00e3o final e \u00e9 entendida como forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica que favorece ao profissional conhecimentos b\u00e1sicos para uma aut\u00f4noma continuidade de aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos\u201d, explica Pereira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"solucoes\"><strong>Solu\u00e7\u00f5es <\/strong><\/h4>\n<p>Como parte das problem\u00e1ticas apontadas, a universidade do futuro precisa iniciar um di\u00e1logo entre seus pares \u2013 docentes, pesquisadores, servidores, ag\u00eancias de fomento, gestores. \u201c\u00c9 poss\u00edvel fazer pesquisa de excelente qualidade, original, de alta complexidade, para atender a outras realidades que n\u00e3o a realidade dos pa\u00edses desenvolvidos. N\u00e3o pode ficar orientando a nossa pesquisa e o nosso ensino para as necessidades que n\u00e3o s\u00e3o nossas\u201d, completa Dagnino.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio acrescentar que um bom momento para iniciar esse di\u00e1logo de qual universidade queremos para o futuro \u00e9 agora. O momento em que fundos est\u00e3o sendo recompostos e religados. Mas n\u00e3o se pode repetir o que foi feito no passado, esperando algum sucesso similar. \u00c9 preciso pensar algo novo, para o novo momento vivido. Ap\u00f3s uma s\u00e9rie de desmontes vividos pela universidade, \u00e9 preciso reergu\u00ea-la para o futuro. \u201cN\u00e3o podemos repetir o que foi feito no passado porque n\u00e3o \u00e9 o que a sociedade brasileira precisa para construir um futuro melhor. Decidir como ser\u00e1 feito agora tem que vir de baixo para cima, n\u00e3o \u00e9 ministro que vai decidir, mas toda a sociedade, em di\u00e1logo\u201d, defende Dagnino.<\/p>\n<p>O pesquisador tamb\u00e9m lembra que uma possibilidade de melhorar o sistema est\u00e1 acontecendo com a curriculariza\u00e7\u00e3o da extens\u00e3o, mas deve ser projetado e executado com aten\u00e7\u00e3o e cuidado. Complementando, Domingues atenta para solu\u00e7\u00f5es, pois \u201c\u00e9 preciso mudar as agendas, as \u00eanfases e as prioridades. O desafio \u00e9 preparar quadros para o mundo do futuro em que a maioria das profiss\u00f5es hoje conhecidas n\u00e3o mais existir\u00e1, exigindo n\u00e3o mais uma habilidade t\u00e9cnica ou uma profiss\u00e3o espec\u00edfica, mas a forma\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos aut\u00f4nomos e polivalentes, capazes de aprender novas habilidades em tempo real e se adaptar \u00e0s novas demandas e as mais diversas situa\u00e7\u00f5es\u201d, explica.<\/p>\n<p>Pereira completa com algumas ideias que j\u00e1 est\u00e3o sendo implementadas, como adotar um curr\u00edculo mais multicultural com possibilidades de ser desenvolvido em qualquer universidade do mundo; pesquisas interdisciplinares e em redes de pesquisas com participantes de diversas universidades do mundo, sobre quest\u00f5es amplas da humanidade; atividade de extens\u00e3o voltada para a sociedade mais ampla e n\u00e3o s\u00f3 a local, regional ou nacional. \u201cUma coisa que podemos ter certeza \u00e9 que a universidade continuar\u00e1 a existir daqui a 100 anos. A certeza vem da sua capacidade em \u2018ler\u2019 as necessidades da sociedade e de se adequar a elas. A universidade deve ser mantida pelo pr\u00f3prio bem da sociedade. A forma como ela ser\u00e1, est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o direta de como a sociedade ser\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-um-dos-papeis-da-universidade-e-atender-as-demandas-da-sociedade-e-pesquisar-solucoes-para-ela-foto-imagem-de-master1305-freepik-reproducao\"><strong>Capa. Um dos pap\u00e9is da universidade \u00e9 atender as demandas da sociedade e pesquisar solu\u00e7\u00f5es para ela.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Imagem de master1305\/Freepik. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"francisco-karina-a-universidade-do-futuro-o-mundo-e-as-demandas-estao-mudando-a-universidade-e-seu-tripe-fundamental-enfrentam-tempos-de-adaptacao-e-reflexao-sobre-o-futuro-cienc-cult\"><span style=\"color: #808080;\"><em>FRANCISCO, Karina.<span class=\"article-title\">\u00a0A Universidade do Futuro: o mundo e as demandas est\u00e3o mudando, a universidade e seu trip\u00e9 fundamental enfrentam tempos de adapta\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o sobre o futuro.<\/span>\u00a0Cienc. Cult.\u00a0[online]. 2023, vol.75, n.1 [citado\u00a0 2023-08-30], pp.01-04. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252023000100014&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230014.<\/em><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O mundo e as demandas est\u00e3o mudando, a universidade e seu trip\u00e9&hellip;\n","protected":false},"author":86,"featured_media":3936,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3930"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/86"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3930"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3930\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4640,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3930\/revisions\/4640"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3936"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}