{"id":4023,"date":"2023-05-03T07:59:48","date_gmt":"2023-05-03T07:59:48","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4023"},"modified":"2023-08-30T18:58:01","modified_gmt":"2023-08-30T18:58:01","slug":"universidade-publica-no-brasil-nova-expansao-com-novos-significados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4023","title":{"rendered":"Universidade p\u00fablica no Brasil: nova expans\u00e3o com novos significados"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"a-universidade-brasileira-ampliou-e-diversificou-suas-vagas-tornando-seu-acesso-mais-democratico\"><span style=\"color: #808080;\">A universidade brasileira ampliou e diversificou suas vagas, tornando seu acesso mais democr\u00e1tico.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira universidade das Am\u00e9ricas foi criada em 1538, na Rep\u00fablica Dominicana. A Universidade de S\u00e3o Domingos foi a pioneira e abriu caminho para outras, no Peru (1551) e no M\u00e9xico (1553). Na Am\u00e9rica no Norte, a primeira universidade, Harvard, surgiu em 1636. No Brasil, esse in\u00edcio foi bem mais tardio. Embora j\u00e1 contasse com escolas superiores isoladas, desde 1808, como a Escola de Cirurgia da Bahia (1808) e a Faculdade de Direito de Olinda (1827), somente no s\u00e9culo 20, o pa\u00eds fundou sua primeira universidade: a Universidade do Rio de Janeiro, criada em 1920, pelo Decreto n.\u00ba 14.343.<\/p>\n<p>O ensino superior no Brasil n\u00e3o s\u00f3 demorou a surgir \u2013 como tamb\u00e9m, a se expandir. At\u00e9 2002, o pa\u00eds tinha apenas 45 universidades federais, concentradas, principalmente, nas regi\u00f5es Sudeste e Sul. De acordo com dados do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/download.inep.gov.br\/download\/superior\/censo\/2013\/resumo_tecnico_censo_educacao_superior_2013.pdf\"><strong><em>Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior 2013<\/em><\/strong><\/a><\/span><strong><em>,<\/em><\/strong> do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/inep\/pt-br\"><strong>Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira<\/strong><\/a><\/span> (Inep), esse n\u00famero elevou-se para 63, em 2014, com o Programa de Apoio a Planos de Reestrutura\u00e7\u00e3o e Expans\u00e3o das Universidades Federais (Reuni). Os 148 campi experimentaram um aumento para 321, no per\u00edodo, constru\u00eddos principalmente em cidades de m\u00e9dio porte no interior do pa\u00eds, visando a desconcentra\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n<p>Com isso, entre 2003 e 2013, o percentual de crescimento das matr\u00edculas, nas regi\u00f5es Nordeste e Norte, foi de 94% e 76%, respectivamente, segundo o relat\u00f3rio <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/index.php?option=com_docman&amp;view=download&amp;alias=16762-balanco-social-sesu-2003-2014&amp;Itemid=30192\"><strong><em>A democratiza\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior no pa\u00eds 2003-2014<\/em><\/strong><\/a><\/span> da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Superior (SESu). O documento tamb\u00e9m mostra um aumento de 86% nas matr\u00edculas nas universidades federais, no per\u00edodo. Al\u00e9m disso, as vagas nos cursos noturnos \u2014 que beneficiam os estudantes trabalhadores \u2014 subiram de 944.584 para 3,45 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cCom a implementa\u00e7\u00e3o do programa Reuni, a partir de 2007, houve uma amplia\u00e7\u00e3o na oferta de vagas e cursos p\u00fablicos, a diversifica\u00e7\u00e3o dos turnos, com a cria\u00e7\u00e3o de novos campi, Universidades e Institutos Federais. Se em 2007, havia 1,3 milh\u00e3o de matriculados (cerca de 0,7% da popula\u00e7\u00e3o), em 2019 esse n\u00famero saltou para 2,08 milh\u00f5es (quase 1,0% da popula\u00e7\u00e3o brasileira)\u201d, aponta Maria Ang\u00e9lica Pedra Minhoto, professora do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o da Escola de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (EFLCH) da <strong>Universidade Federal de S\u00e3o Paulo<\/strong> (Unifesp) e coordenadora do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/souciencia.unifesp.br\/\"><strong>Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ci\u00eancia<\/strong><\/a><\/span> (SoU_Ci\u00eancia).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"impacto\"><strong>Impacto<\/strong><\/h4>\n<p>Essa expans\u00e3o impactou, significativamente, as realidades locais. A instala\u00e7\u00e3o das universidades (e, consequentemente, de seus alunos), impactaram, positivamente, desde o mercado imobili\u00e1rio e de materiais de constru\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o setor de servi\u00e7os, como os de alimenta\u00e7\u00e3o e lazer, impulsionando a amplia\u00e7\u00e3o de postos de trabalho variados, resultando em ganhos para as comunidades em que se essas institui\u00e7\u00f5es se instalaram. Al\u00e9m disso, a presen\u00e7a das universidades acarretou aumento da qualifica\u00e7\u00e3o, que se refletiu no mercado de trabalho local, tanto pela contrata\u00e7\u00e3o direta dos profissionais formados, como pela ocupa\u00e7\u00e3o de outros postos de trabalho por pessoas melhor qualificadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-estabelecimento-dos-campi-nas-periferias-e-interior-do-pais-contribuiu-para-democratizar-o-acesso-das-comunidades-locais-a-vida-e-cultura-universitarias\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cO estabelecimento dos campi nas periferias e interior do pa\u00eds contribuiu para democratizar o acesso das comunidades locais \u00e0 vida e cultura universit\u00e1rias.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Houve tamb\u00e9m um impacto indireto, sentido atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, no fortalecimento de uma consci\u00eancia cr\u00edtica e pol\u00edtica, que resultou em atua\u00e7\u00f5es mais diversas na comunidade. \u201cIsso inclui desde pessoas que fizeram cursos de extens\u00e3o e passaram a ver com outros olhos aspectos da realidade brasileira, at\u00e9 egressos que assumem fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas em seus munic\u00edpios, ou passam a atuar politicamente em organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil de diversas ordens\u201d, explica Marcelo Ximenes Aguiar Bizerril, professor da Faculdade UnB Planaltina da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unb.br\/\"><strong>Universidade de Bras\u00edlia<\/strong><\/a><\/span> (UnB). Professor h\u00e1 17 anos em um dos primeiros campi dessa fase de expans\u00e3o e interioriza\u00e7\u00e3o do ensino superior p\u00fablico, tendo dirigido esse campus na periferia de Bras\u00edlia por nove anos nas fases iniciais de sua implanta\u00e7\u00e3o, Bizerril cita como exemplo o primeiro prefeito quilombola do pa\u00eds, no munic\u00edpio de Cavalcante (GO), que \u00e9 membro da comunidade Kalunga e egresso do curso de licenciatura em educa\u00e7\u00e3o do campo, da UnB. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-vilmar-kalunga-primeiro-prefeito-quilombola-do-pais-do-municipio-de-cavalcante-go-membro-da-comunidade-kalunga-e-egresso-do-curso-de-licenciatura-em-educacao-do-campo-da-universidade-de\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4026\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-figura1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-figura1-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-figura1-768x511.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-figura1-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-figura1.jpg 1014w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Vilmar Kalunga, primeiro prefeito quilombola do pa\u00eds, do munic\u00edpio de Cavalcante (GO), membro da comunidade Kalunga e egresso do curso de licenciatura em educa\u00e7\u00e3o do campo da Universidade de Bras\u00edlia (UnB)<br \/>\n<\/strong>(Foto: Arquivo Pessoal. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda, o estabelecimento dos campi nas periferias e interior do pa\u00eds, contribuiu para democratizar o acesso das comunidades locais \u00e0 vida e cultura universit\u00e1rias. Nesse conceito, incluem-se o acesso \u00e0s estruturas f\u00edsicas como bibliotecas, laborat\u00f3rios, audit\u00f3rios, quadras esportivas, favorecendo o conhecimento e a assimila\u00e7\u00e3o dos valores intr\u00ednsecos da universidade p\u00fablica, como a ci\u00eancia, a cultura, a diversidade e a democracia. \u201cEssa aproxima\u00e7\u00e3o se deu por meio de projetos de extens\u00e3o e pesquisa, mas tamb\u00e9m pela pr\u00f3pria exist\u00eancia dos campi e sua tradi\u00e7\u00e3o de livre acesso \u00e0s suas depend\u00eancias, e as m\u00faltiplas rela\u00e7\u00f5es que v\u00e3o se estabelecendo\u00a0entre\u00a0a comunidade local e a acad\u00eamica\u201d, aponta Bizerril.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"desafios\"><strong>Desafios<\/strong><\/h4>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o das universidades na periferia e no interior do pa\u00eds facilitou o acesso, ao ensino superior p\u00fablico, para jovens e adultos que antes n\u00e3o tinham essa perspectiva em suas vidas. \u201cA expans\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o superior (IES) brasileiras foi muito importante, pois permitiu, al\u00e9m do ingresso de maior n\u00famero de pessoas, a amplia\u00e7\u00e3o do acesso pela interioriza\u00e7\u00e3o de novos campi e a cria\u00e7\u00e3o dos Institutos Federais de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia (IFs), o que trouxe para a educa\u00e7\u00e3o superior pessoas que n\u00e3o poderiam ter se deslocado para estudar longe do seu domic\u00edlio\u201d, afirma Gladys Beatriz Barreyro, professora na Escola de Artes, Ci\u00eancias e Humanidades (EACH) da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\"><strong>Universidade de S\u00e3o Paulo<\/strong><\/a><\/span> (USP). A pesquisadora tamb\u00e9m aponta que se, por um lado, essa amplia\u00e7\u00e3o foi muito essencial, por outro ela ainda foi insuficiente.<\/p>\n<p>O n\u00famero de vagas nas universidade e IES cresceu, mas n\u00e3o acompanhou a necessidade real da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u2013 especialmente a de baixa renda. A demanda continua sendo maior do que a expans\u00e3o trazida pelo Reuni. \u201cA expans\u00e3o do ensino privado \u00e9 astronomicamente superior do que das universidades p\u00fablicas e isso acarreta equidade e oportunidade de acesso ao estudante que deseja ingressar na universidade\u201d, explica Maria das Gra\u00e7as Gon\u00e7alves Vieira Guerra, professora do Centro de Educa\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal da Para\u00edba<\/strong><\/a> <\/span>(UFPB). \u201c\u00c9 preciso uma pol\u00edtica p\u00fablica de reestrutura\u00e7\u00e3o curricular mais radical, capaz de atingir um maior contingente da popula\u00e7\u00e3o na idade de escolariza\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria\u201d, defende a pesquisadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-cotas-para-negros-indigenas-e-estudantes-do-ensino-publico-modificou-drasticamente-o-perfil-da-comunidade-estudantil-universitaria-diversificando-a-e-tornando-a-mais-proxima-ao-que-e-o\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cAs cotas para negros, ind\u00edgenas e estudantes do ensino p\u00fablico, modificou drasticamente o perfil da comunidade estudantil universit\u00e1ria, diversificando-a e tornando-a mais pr\u00f3xima ao que \u00e9 o Brasil de fato.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, esse ciclo de expans\u00e3o parece ter se esgotado nos \u00faltimos anos e o n\u00famero de matr\u00edculas p\u00fablicas tem encolhido visivelmente. \u201cEm 1995, o Brasil tinha por volta de 670 mil matriculados em universidades p\u00fablicas. S\u00f3 ultrapassamos a marca de um milh\u00e3o de matriculados no ano de 2002. Em termos de propor\u00e7\u00e3o de matr\u00edculas sobre a popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, esses n\u00fameros n\u00e3o representam nem 0,5%\u201d, ressalta Minhoto. A pesquisadora tamb\u00e9m aponta que a distribui\u00e7\u00e3o de matr\u00edculas no ensino superior, entre\u00a0as diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, ainda \u00e9 desigual. \u201cNo Sul h\u00e1 o maior percentual de matriculados e no Nordeste, o menor. Essa realidade n\u00e3o ajuda a combater as hist\u00f3ricas desigualdades\u00a0entre\u00a0as diferentes regi\u00f5es. Por isso, a pol\u00edtica de expans\u00e3o e interioriza\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Superior \u00e9 estrat\u00e9gica e seu planejamento deve ser retomado\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"diversidade\"><strong>Diversidade<\/strong><\/h4>\n<p>A expans\u00e3o das universidades trouxe para o debate a quest\u00e3o da diversidade. Al\u00e9m de aumentar o n\u00famero de vagas, o objetivo era trazer para a educa\u00e7\u00e3o superior os grupos historicamente exclu\u00eddos: pobres, negros, ind\u00edgenas, filhos de pais com pouca e\/ou nenhuma escolaridade e estudantes das escolas p\u00fablicas.\u00a0Assim, se no in\u00edcio dos anos 1990, oito entre 10 alunos eram brancos, hoje essa propor\u00e7\u00e3o caiu para seis entre 10 estudantes, segundo o\u00a0<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.semesp.org.br\/mapa\/\"><strong><em>Mapa do Ensino Superior no Brasil 2022<\/em><\/strong><\/a><\/span><em>,\u00a0<\/em>elaborado pelo\u00a0<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.semesp.org.br\/\"><strong>Instituto Semesp<\/strong><\/a><\/span>. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-expansao-das-universidade-aumentou-o-numero-de-vagas-e-trouxe-para-a-educacao-superior-os-grupos-historicamente-excluidos-pobres-negros-indigenas-filhos-de-pais-com-pouca-e-ou-nenhuma-es\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4027\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-final-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-final-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-final-768x460.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-final-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-final-800x480.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-final.jpg 1014w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Expans\u00e3o das universidade aumentou o n\u00famero de vagas e trouxe para a educa\u00e7\u00e3o superior os grupos historicamente exclu\u00eddos: pobres, negros, ind\u00edgenas, filhos de pais com pouca e\/ou nenhuma escolaridade e estudantes das escolas p\u00fablicas.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Ag\u00eancia Brasil\/ Valter Campanato. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre as pol\u00edticas de inclus\u00e3o no ensino superior, a Lei de Cotas certamente foi a que teve um dos maiores impactos na mudan\u00e7a do perfil do estudante, j\u00e1 em seu primeiro ano de implanta\u00e7\u00e3o, em 2013. \u201cH\u00e1 uma amplia\u00e7\u00e3o evidente em termos de diversidade \u00e9tnico-racial, de 2013 para 2019, refletindo o impacto da pol\u00edtica de cotas na mudan\u00e7a do perfil dos estudantes\u201d, afirma Minhoto.<\/p>\n<p>As cotas para negros, ind\u00edgenas e estudantes do ensino p\u00fablico, modificou drasticamente o perfil da comunidade estudantil universit\u00e1ria, diversificando-a e tornando-a mais pr\u00f3xima ao que \u00e9 o Brasil de fato, e, ao mesmo tempo, distanciando-a da elite (classe m\u00e9dia e alta), que tradicionalmente monopolizava os espa\u00e7os das IES p\u00fablicas. Em diversos espa\u00e7os da educa\u00e7\u00e3o superior, programas de a\u00e7\u00e3o afirmativa tiveram \u00eaxito, ao abrir vagas p\u00fablicas para segmentos que antes eram exclu\u00eddos ou sub-representados. \u201cPerceb\u00edamos que as universidades p\u00fablicas eram do Estado, mas n\u00e3o se destinavam ao povo. Vagas em universidades p\u00fablicas de melhor qualidade, e nos cursos de maior prest\u00edgio social, eram (e ainda s\u00e3o, em grande medida, apesar das pol\u00edticas de a\u00e7\u00f5es afirmativas compensat\u00f3rias) destinadas quase que, exclusivamente, a uma minoria branca e de classe dominante da sociedade\u201d, ressalta Guerra.<\/p>\n<p>Assim, em uma d\u00e9cada, as cotas foram capazes de incluir, na Educa\u00e7\u00e3o Superior, estudantes pobres, negros, ind\u00edgenas e provenientes de escolas p\u00fablicas em uma propor\u00e7\u00e3o in\u00e9dita no pa\u00eds. A maioria desses estudantes representa a primeira gera\u00e7\u00e3o de suas fam\u00edlias a ter acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior. \u201cOs cotistas t\u00eam apresentado um desempenho acad\u00eamico similar ao dos n\u00e3o cotistas, no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) (ver <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/repositorio.unifesp.br\/xmlui\/handle\/11600\/62422\"><strong>Relat\u00f3rio do SoU_Ci\u00eancia<\/strong><\/a><\/span>), al\u00e9m de se evadirem proporcionalmente\u00a0menos. Esse cen\u00e1rio, aliado ao fato de que o sal\u00e1rio \u00e9 em m\u00e9dia 2,5 vezes maior\u00a0entre\u00a0os brasileiros portadores de diploma superior do que\u00a0entre\u00a0os que possuem diploma de n\u00edvel m\u00e9dio, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.oecd-ilibrary.org\/education\/education-at-a-glance-2018_eag-2018-en\"><strong>OCDE<\/strong><\/a><\/span>), nos d\u00e1 a dimens\u00e3o do impacto promovido por essa pol\u00edtica no combate \u00e0s desigualdades e na promo\u00e7\u00e3o da mobilidade social no pa\u00eds\u201d, aponta Minhoto. \u201cEssas informa\u00e7\u00f5es nos permitem assegurar que as pol\u00edticas afirmativas e de inclus\u00e3o social promoveram uma esp\u00e9cie de revolu\u00e7\u00e3o silenciosa no pa\u00eds\u201d, termina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"esse-seria-o-momento-de-retomar-a-expansao-universitaria-criando-estruturas-para-acolher-essa-diversidade-de-alunos-e-caminhando-rumo-a-uma-universidade-cidada-que-reconhece-e-deseja-que-os\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cEsse seria o momento de retomar a expans\u00e3o universit\u00e1ria, criando estruturas para acolher essa diversidade de alunos e caminhando rumo a uma universidade cidad\u00e3, que reconhece e deseja que os direitos das pessoas estejam presentes e ativos, dentro e fora de seus limites.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pesquisas sobre o perfil dos estudantes, associadas ao desempenho acad\u00eamico, bem como o acompanhamento de egressos, sua empregabilidade e aumento da renda familiar, vem sendo feitas e mostram resultados amplamente favor\u00e1veis \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas, no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, outros aspectos, que dizem respeito a mudan\u00e7as sociais a partir da valoriza\u00e7\u00e3o do conhecimento, do estudo e da forma\u00e7\u00e3o intelectual em classes sociais, mostram a import\u00e2ncia das a\u00e7\u00f5es afirmativas. \u201cIsso certamente for\u00e7ou a universidade a lidar com temas que eram gritantes na sociedade, mas minimizados no dia a dia das universidades como o racismo, a LGBTfobia, a acessibilidade, a inclus\u00e3o, as doen\u00e7as mentais, o suic\u00eddio, o acesso digital, a assist\u00eancia estudantil, e a pr\u00f3pria revis\u00e3o da pr\u00e1tica pedag\u00f3gica no ensino superior\u201d, aponta Bizerril.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"democratizacao\"><strong>Democratiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>O aumento de vagas e campi implicou na contrata\u00e7\u00e3o de um grande contingente de servidores p\u00fablicos, como docentes ou t\u00e9cnicos administrativos. Essa amplia\u00e7\u00e3o de vagas, para atua\u00e7\u00e3o profissional no ensino superior p\u00fablico, democratizou o acesso ao trabalho nas universidades e ajudou a mudar o perfil dos docentes e t\u00e9cnicos. No caso dos docentes, perfis mais diversificados foram contratados, abalando a hegemonia dos pesquisadores de carreira, que sa\u00edam do doutorado ou p\u00f3s-doutorado, direto para as universidades, muitas vezes, para seguir atuando no mesmo grupo de pesquisa no qual foi formado. J\u00e1 no caso dos t\u00e9cnicos, houve uma amplia\u00e7\u00e3o de contrata\u00e7\u00e3o, para perfis profissionais at\u00e9 ent\u00e3o inexistentes nas universidades, atraindo pessoal mais escolarizado e com outras perspectivas profissionais. \u201cEsse aumento na diversidade docente resultou em um fortalecimento do debate interno a respeito do conhecimento transdisciplinar e das miss\u00f5es e pap\u00e9is da universidade p\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade. E a diversidade de profissionais t\u00e9cnicos fortaleceu debates internos a respeito dos direitos desse segmento e de seu papel no funcionamento da universidade, como na gest\u00e3o e no acesso \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Bizerril. (Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-altaci-rubim-foi-a-primeira-professora-indigena-da-unb-o-aumento-de-vagas-e-campi-implicou-na-contratacao-de-um-grande-contingente-de-servidores-publicos-como-docentes-ou-tecnicos-administ\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4028\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-figura3-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-figura3-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-figura3-768x511.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-figura3-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-figura3-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/CC-1E23-reportagem-Universidade-pu\u0301blica-no-Brasil-nova-expansa\u0303o-com-novos-significados-figura3.jpg 1014w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Altaci Rubim foi a primeira professora ind\u00edgena da UnB. O aumento de vagas e campi implicou na contrata\u00e7\u00e3o de um grande contingente de servidores p\u00fablicos, como docentes ou t\u00e9cnicos administrativos<br \/>\n<\/strong>(Foto: Carlos Vieira\/ CB. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 interessante avaliar o impacto da expans\u00e3o das universidades p\u00fablicas, atrav\u00e9s da inser\u00e7\u00e3o de seus egressos. Um <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.14507\/epaa.30.6058\"><strong>estudo de caso<\/strong><\/a> <\/span>recente mostrou que os alunos egressos da Unifesp, de diferentes origens socioecon\u00f4micas, t\u00eam conseguido exercer, de forma equitativa, as suas atividades profissionais na \u00e1rea em que se formaram. Ainda \u00e9 preciso superar desafios \u00e0 dificuldade para se empregar, \u00e0 faixa de renda e \u00e0 continuidade dos estudos, mas isso j\u00e1 demonstra os efeitos da mudan\u00e7a no perfil de egressos, na sociedade e no mercado de trabalho. \u201cA educa\u00e7\u00e3o apenas n\u00e3o resolve os problemas sociais e s\u00e3o necess\u00e1rias outras pol\u00edticas complement\u00e1rias. Reserva de vagas segundo crit\u00e9rios sociais em concursos p\u00fablicos, assim como incentivos \u00e0s empresas que contratem ex-cotistas ou ex-bolsistas, poderiam ajudar na inclus\u00e3o dos estudantes no mercado de trabalho\u201d, enfatiza Barreyro.<\/p>\n<p>Diante disso, esse seria o momento de retomar a expans\u00e3o universit\u00e1ria, criando estruturas para acolher essa diversidade de alunos e caminhando rumo a uma universidade cidad\u00e3, que reconhece e deseja que os direitos das pessoas estejam presentes e ativos, dentro e fora de seus limites. \u201cA IES precisa ser criativa e eficiente, mantendo sua qualidade, tanto para a sociedade abastada e como para a sem recursos. Para acolher a massa de exclu\u00eddos e ter um papel relevante na integra\u00e7\u00e3o social desses sujeitos, para produzir conhecimento local-regional &#8211; internacional e ter relev\u00e2ncia nos projetos de desenvolvimento nacional, para contribuir para superar esse triste momento de barb\u00e1rie cultural, desmoraliza\u00e7\u00e3o \u00e9tica, retrocesso social e desesperan\u00e7a pol\u00edtica, a IES precisa se recriar de fato como \u2018l\u00f3cus\u2019 social para todos, com pol\u00edticas p\u00fablicas para amplia\u00e7\u00e3o que garantam condi\u00e7\u00f5es de acesso e perman\u00eancia\u201d, defende Guerra.<\/p>\n<p>Desta forma, \u00e9 necess\u00e1rio retomar o processo de expans\u00e3o das universidades, dessa vez fazendo os ajustes a partir das li\u00e7\u00f5es aprendidas e das m\u00faltiplas experi\u00eancias vividas em todos os cantos do pa\u00eds. \u201cPara isso, \u00e9 importante valorizar que essas hist\u00f3rias sejam contadas, revistas, discutidas e socializadas; \u00e9 fundamental criar espa\u00e7os de di\u00e1logo dos atores que viveram essas experi\u00eancias para tirarmos as li\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e acertarmos mais nas pr\u00f3ximas tentativas\u201d, aponta Bizerril.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-as-cotas-para-negros-indigenas-e-estudantes-do-ensino-publico-modificou-drasticamente-o-perfil-da-comunidade-estudantil-universitaria-imagem-de-freepik-com\"><strong>Capa. As cotas para negros, ind\u00edgenas e estudantes, do ensino p\u00fablico, modificou drasticamente o perfil da comunidade estudantil universit\u00e1ria.<br \/>\n<\/strong>(Imagem de Freepik.com)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"bueno-chris-universidade-publica-no-brasil-nova-expansao-com-novos-significados-a-universidade-brasileira-ampliou-e-diversificou-suas-vagas-tornando-seu-acesso-mais-democratico-cienc\"><span style=\"color: #808080;\"><em>BUENO, Chris.<span class=\"article-title\">\u00a0Universidade p\u00fablica no Brasil: nova expans\u00e3o com novos significados: a universidade brasileira ampliou e diversificou suas vagas, tornando seu acesso mais democr\u00e1tico.<\/span>\u00a0Cienc. Cult.\u00a0[online]. 2023, vol.75, n.1 [citado\u00a0 2023-08-30], pp.01-06. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252023000100016&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230016.<\/em><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A universidade brasileira ampliou e diversificou suas vagas, tornando seu acesso mais&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":4029,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4023"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4023"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4023\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4642,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4023\/revisions\/4642"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4029"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}