{"id":4066,"date":"2023-04-27T07:30:59","date_gmt":"2023-04-27T07:30:59","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4066"},"modified":"2023-04-26T20:12:22","modified_gmt":"2023-04-26T20:12:22","slug":"historias-da-ciencia-no-brasil-a-radio-sociedade-do-rj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4066","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias da ci\u00eancia no Brasil: a R\u00e1dio Sociedade do RJ"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"cientistas-criaram-em-1923-a-radio-pioneira-no-brasil-com-finalidades-educativas-culturais-e-cientificas\"><span style=\"color: #808080;\">Cientistas criaram, em 1923, a r\u00e1dio pioneira no Brasil, com finalidades educativas, culturais e cient\u00edficas. <\/span><\/h4>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Cem anos atr\u00e1s, em 20 de abril de 1923, foi criada por um grupo de cientistas e professores a R\u00e1dio Sociedade do Rio de Janeiro (Figura 1). Pioneira em nossas bandas, n\u00e3o foi fundada por iniciativa estatal nem como uma empresa privada, mas como uma entidade civil, uma sociedade, mantida pelo conjunto de s\u00f3cios e sustentada pelo trabalho de muitos. Foi uma iniciativa inovadora e de grande impacto. No Estatuto da RS estava colocado o seu prop\u00f3sito: &#8220;fundada com fins exclusivamente cient\u00edficos, t\u00e9cnicos, art\u00edsticos e de pura educa\u00e7\u00e3o popular, n\u00e3o se envolver\u00e1 jamais em nenhum assunto de natureza profissional, industrial, comercial ou pol\u00edtico&#8221;. Em 1936 foi doada ao \u201cpovo brasileiro\u201d, para ser administrada pelo Estado, por meio do governo federal, e se transformou na R\u00e1dio MEC com uma hist\u00f3ria centen\u00e1ria de in\u00fameras contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 cultura e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-fon-fon-26-de-maio-de-1923reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4067\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig1-300x221.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"295\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig1-300x221.jpeg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig1-16x12.jpeg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig1.jpeg 598w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Fon Fon, 26 de maio de 1923<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O grande motor da cria\u00e7\u00e3o da RS foi Edgar Roquette-Pinto (1884-1954), m\u00e9dico, antrop\u00f3logo, educador e propulsor das comunica\u00e7\u00f5es no Brasil. Em 1923 ele mobilizou seus colegas da Academia Brasileira de Ci\u00eancias, criada sete anos antes, e da qual era secret\u00e1rio-geral. Contou, em particular, com o apoio decidido de Henrique Morize, presidente da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.abc.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC)<\/strong><\/a><\/span>, e que se tornou tamb\u00e9m presidente da RS (Figura 2). O apoio financeiro para a aquisi\u00e7\u00e3o dos primeiros equipamentos veio de empres\u00e1rios como Dem\u00f3crito Seabra (tesoureiro da RS) e Carlos Guinle. Com a subscri\u00e7\u00e3o de um n\u00famero expressivo de s\u00f3cios, e o patroc\u00ednio de algumas empresas (poucas) foi poss\u00edvel equipar e manter a r\u00e1dio por 13 anos com sua caracter\u00edstica educativa e n\u00e3o comercial.<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-diretores-e-socios-da-radio-sociedade-da-esquerda-para-a-direita-sentados-carlos-guinle-enrique-morize-e-luiz-betim-paes-leme-em-pe-dulcidio-pereira-francisco-lafayette-roquette-pi\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4068\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig2-300x259.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"345\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig2-300x259.jpeg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig2-1024x884.jpeg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig2-768x663.jpeg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig2-14x12.jpeg 14w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig2-800x691.jpeg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig2-1160x1001.jpeg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig2.jpeg 1316w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Diretores e s\u00f3cios da R\u00e1dio Sociedade (Da esquerda para a direita, sentados): Carlos Guinle, enrique Morize e Luiz Betim Paes Leme; (em p\u00e9) Dulc\u00eddio Pereira, Francisco Lafayette, Roquette-Pinto, Dem\u00f3crito Seabra, Mario de Souza, Costa Lima e Nestor Serra<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No in\u00edcio, a ABC e a RS fizeram uma luta exitosa e mais geral, junto ao governo federal, para a libera\u00e7\u00e3o do uso (emiss\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o) da \u201ctelefonia sem fio &#8211; TSF\u201d ou \u201cradiotelefonia\u201d, como era denominada a transmiss\u00e3o radiof\u00f4nica. Acabaram com a anacr\u00f4nica \u201clicen\u00e7a\u201d para a instala\u00e7\u00e3o de receptores. Tiveram tamb\u00e9m que enfrentar muitas dificuldades para o uso de uma tecnologia que era a mais avan\u00e7ada da \u00e9poca. A primeira emissora de r\u00e1dio do mundo surgira tr\u00eas anos antes nos Estados Unidos. Tinham que aprender fazendo, inventando solu\u00e7\u00f5es a cada passo para as dificuldades t\u00e9cnicas e para o conte\u00fado dos programas. Por muitos anos, a RS (a PRA-2) foi a emissora mais potente da Am\u00e9rica do Sul. Entre 1924 e 1928, a RS e a ABC ocuparam o \u201cPavilh\u00e3o Tchecoslovaco\u201d, constru\u00eddo para o Centen\u00e1rio da Independ\u00eancia do Brasil, na Avenida das Na\u00e7\u00f5es (Figura 3). Ap\u00f3s a derrubada do pr\u00e9dio, a R\u00e1dio Sociedade se transferiu para a rua da Carioca e a ABC permaneceu sem sede fixa por muitos anos.<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-pavilhao-tchecoslovacoreproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4069\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig3-210x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig3-210x300.jpeg 210w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig3-8x12.jpeg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig3.jpeg 429w\" sizes=\"(max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Pavilh\u00e3o Tchecoslovaco<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Roquette-Pinto era o apresentador do notici\u00e1rio da RS, que lia e comentava de viva voz, ap\u00f3s uma leitura dos jornais do dia, nos quais assinalava a l\u00e1pis os pontos principais. Aulas e palestras foram transmitidas pela RS sobre temas variados de ci\u00eancia e cultura, feitas por cientistas e professores de institui\u00e7\u00f5es como o Museu Nacional, a Escola Polit\u00e9cnica e o Instituto de Manguinhos. Exemplos: Qu\u00edmica (M\u00e1rio Saraiva e Cust\u00f3dio Jos\u00e9 da Silva); F\u00edsica (Francisco Ven\u00e2ncio Filho); Hist\u00f3ria Natural (Mello Leit\u00e3o); Bot\u00e2nica (Alberto Sampaio); Higiene (Sebasti\u00e3o Barroso); Hist\u00f3ria do Ouro, (Jo\u00e3o Ribeiro e Ferdinando Laboriau); Como Nascem os Rios (Othon Leonardos); Mar\u00e9s (Mauricio Joppert); al\u00e9m de aulas de Literatura, Ingl\u00eas, Hist\u00f3ria, etc. N\u00e3o foram encontrados registros sonoros desses programas, mas \u00e9 curioso especular como os ouvintes, com receptores galena e muitos problemas de sintonia e de qualidade sonora, conseguiam acompanhar programas radiof\u00f4nicos de f\u00edsica, qu\u00edmica, geologia, etc.<\/p>\n<p>A RS foi tamb\u00e9m pioneira e grande divulgadora da m\u00fasica cl\u00e1ssica para os brasileiros ao fazer, ao longo dos anos, in\u00fameras transmiss\u00f5es de concertos e \u00f3peras, inclusive integrais. Posteriormente a m\u00fasica popular, por insist\u00eancia dos ouvintes, ingressou com for\u00e7a na programa\u00e7\u00e3o. Muito(a)s artistas se apresentaram ou surgiram nos microfones da RS, ou depois na R\u00e1dio MEC, como Catulo da Paix\u00e3o Cearense, Paulo Autran, Fernanda Montenegro, Edino Krieger e in\u00fameros outros. Era um complexo cultural que mantinha uma biblioteca, sala de leitura, laborat\u00f3rio t\u00e9cnico, audit\u00f3rio, orquestra, est\u00fadio e que produzia revistas. Foram criadas duas revistas de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e de radiocultura. J\u00e1 em 1923 foi publicada a R\u00e1dio, revista de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica geral orientada para os temas ligados ao r\u00e1dio. Em 1926, surgiu Electron, publica\u00e7\u00e3o bimensal de R\u00e1dio Cultura da R\u00e1dio Sociedade, distribu\u00edda aos seus s\u00f3cios, com tiragem de 3.000 exemplares, e que trazia toda a programa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio (Figura 4).<\/p>\n<h6 id=\"figura-4-revista-electron-1924-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4070\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig4-204x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"272\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig4-204x300.jpeg 204w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig4-8x12.jpeg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig4.jpeg 461w\" sizes=\"(max-width: 272px) 100vw, 272px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 4. Revista Electron, 1924.<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1925, Einstein visitou a RS, ap\u00f3s fazer uma comunica\u00e7\u00e3o na ABC sobre os quanta de luz (Figura 5). Ele fez uma fala transmitida ao vivo, em alem\u00e3o (e logo traduzida para o portugu\u00eas): \u201cAp\u00f3s minha visita a esta R\u00e1dio Sociedade, n\u00e3o posso deixar de mais uma vez admirar os espl\u00eandidos resultados a que a ci\u00eancia chegou, aliada \u00e0 t\u00e9cnica, permitindo aos que vivem isolados os melhores frutos da civiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdade que o livro tamb\u00e9m poderia fazer e o tem feito; mas n\u00e3o com a simplicidade e seguran\u00e7a de uma exposi\u00e7\u00e3o cuidada e ouvida de viva voz. O livro tem que ser escolhido pelo leitor, o que por vezes traz dificuldades. Na cultura levada pela radiotelefonia, desde que sejam pessoas qualificadas as que se encarreguem das divulga\u00e7\u00f5es, quem ouve recebe, al\u00e9m de uma escolha judiciosa, opini\u00f5es pessoais e coment\u00e1rios que aplainam os caminhos e facilitam a compreens\u00e3o: esta \u00e9 a grande obra da R\u00e1dio Sociedade.&#8221; Como relatou um jornal da \u00e9poca, a orquestra da RS executou para Einstein as m\u00fasicas \u201cVis\u00f5es\u201d de Francisco Braga, \u201cBatuque\u201d de Alberto Nepomuceno, \u201cMagn\u00edfico\u201d de Ernesto Nazareth, e \u201cMulatinho\u201d (de Belm\u00e1cio Godinho), \u201cchoro carioca que mais vivamente impressionou ao grande s\u00e1bio, provocando-lhe palmas e exclama\u00e7\u00f5es de aplausos.\u201d Em 1926, foi a vez de Marie Curie, cujas aulas sobre radioatividade na Escola Polit\u00e9cnica foram transmitidas (em franc\u00eas) pela RS.<\/p>\n<h6 id=\"figura-5-einstein-na-abc-e-radio-sociedade-8-de-maio-de-1925reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4071\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig5-300x222.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"295\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig5-300x222.jpeg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig5-16x12.jpeg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig5.jpeg 482w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 5. Einstein na ABC e R\u00e1dio Sociedade. 8 de maio de 1925<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 em 1924, o educador Jo\u00e3o K\u00f6pke prop\u00f4s a Roquette-Pinto um programa dedicado \u00e0s crian\u00e7as: \u201cQuarto de Hora Infantil\u201d. Inicialmente com o pr\u00f3prio K\u00f6pke, como o \u201cVov\u00f4\u201d, o programa teve um sucesso formid\u00e1vel. Prosseguiu, ap\u00f3s a morte de K\u00f6pke, com a \u201cTia Joanna\u201d (Heloisa Alberto Torres) e outras locutoras. Em 1930, entra em cena a \u201cTia Beatriz\u201d, Beatriz Roquette-Pinto, ent\u00e3o com 19 anos, filha do criador da RS, e que o ajudou na r\u00e1dio desde crian\u00e7a, que passou a fazer o programa, com enorme repercuss\u00e3o junto \u00e0 crian\u00e7ada da \u00e9poca (Figuras 6 e 7). No programa se respondia tamb\u00e9m a quest\u00f5es variadas, muitas delas cient\u00edficas, colocadas pelas crian\u00e7as.<\/p>\n<h6 id=\"figura-6-beatriz-roquette-pinto-no-estudio-da-radio-sociedade-em-1931reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4072\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig6-300x195.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"261\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig6-300x195.jpeg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig6-18x12.jpeg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig6.jpeg 482w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 6. Beatriz Roquette-Pinto no Est\u00fadio da R\u00e1dio Sociedade, em 1931<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<h6 id=\"figura-7-tia-beatriz-revista-carioca-n-25-11-de-abril-de-1936reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4073\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig7-300x217.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig7-300x217.jpeg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig7-18x12.jpeg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig7.jpeg 479w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 7. Tia Beatriz. Revista Carioca, n. 25, 11 de abril de 1936<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O surgimento com for\u00e7a das r\u00e1dios comerciais e as exig\u00eancias t\u00e9cnicas da nova legisla\u00e7\u00e3o, estabelecidas pelo governo federal no in\u00edcio dos anos 1930, colocaram em xeque a possibilidade de se manter a R\u00e1dio Sociedade com sua filosofia educativa e sua estrutura n\u00e3o comercial. Em 1936, houve uma articula\u00e7\u00e3o cuidadosa de Roquette-Pinto com o governo (Figura 8), intermediada pelo Ministro Gustavo Capanema e por Carlos Drummond de Andrade, seu chefe de gabinete, para que a RS fosse incorporada pelo governo federal. Get\u00falio Vargas deu garantias de que os objetivos originais da emissora seriam mantidos. Corria-se o risco de, nas m\u00e3os do Estado, a r\u00e1dio ser transformada em m\u00e1quina de propaganda governamental, com o que Roquette-Pinto e seus colegas n\u00e3o concordavam. A RS foi, ent\u00e3o, doada ao governo, ficando vinculada ao Minist\u00e9rio de Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade, e passou a ser a R\u00e1dio Minist\u00e9rio de Educa\u00e7\u00e3o. Hoje, \u00e9 a R\u00e1dio MEC, que passou por momentos dif\u00edceis nos \u00faltimos anos, mas que deve e precisa sobreviver.<\/p>\n<h6 id=\"figura-8-carta-do-ministro-gustavo-capanema-a-roquette-pinto-28-de-agosto-de-1936-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4074\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig8-300x184.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"246\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig8-300x184.jpeg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig8-18x12.jpeg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig8.jpeg 420w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 8. Carta do Ministro Gustavo Capanema a Roquette-Pinto. 28 de agosto de 1936.<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Finalizemos esta est\u00f3ria, que faz parte importante de nossa Hist\u00f3ria, com palavras de Roquette-Pinto (Figura 9) que traduzem sua vis\u00e3o sonhadora sobre o potencial educativo do r\u00e1dio:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>&#8220;A radiotelefonia ser\u00e1 a maior escola do porvir&#8221;.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>&#8220;R\u00e1dio \u00e9 o jornal de quem n\u00e3o sabe ler; \u00e9 o mestre de quem n\u00e3o pode ir \u00e0 escola; (&#8230;) o guia dos s\u00e3os, desde que realizado com esp\u00edrito altru\u00edsta e elevado.\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cA radiodifus\u00e3o permitiria educar, instruir e deleitar os indiv\u00edduos \u2013 mesmo aqueles que n\u00e3o soubessem ler \u2013 e, por isso, defendia que o pr\u00f3prio governo deveria incentiv\u00e1-la.\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cN\u00f3s, que assistimos \u00e0 aurora da radiotelefonia, temos a impress\u00e3o que deveriam sentir alguns dos que conseguiram possuir e ler os primeiros livros. Que abalo no mundo moral! Que meio para transformar um homem em poucos minutos, se o empregarem com boa vontade, com alma e cora\u00e7\u00e3o!\u201d<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"figura-9-edgard-roquette-pinto-decada-de-1950-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4075\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig9-300x250.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig9-300x250.jpeg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig9-14x12.jpeg 14w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/fig9.jpeg 553w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 9. Edgard Roquette-Pinto. D\u00e9cada de 1950.<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A R\u00e1dio Sociedade foi o produto real de um sonho altru\u00edsta de cientistas para a educa\u00e7\u00e3o, a cultura e a ci\u00eancia brasileira. Para seu principal mentor, Roquette-Pinto, o importante \u00e9 sonhar. E tamb\u00e9m agir, para que o sonho se torne realidade. A R\u00e1dio Sociedade\/R\u00e1dio MEC nasceu assim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cientistas criaram, em 1923, a r\u00e1dio pioneira no Brasil, com finalidades educativas,&hellip;\n","protected":false},"author":20,"featured_media":4076,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4066"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4066"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4066\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4078,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4066\/revisions\/4078"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4076"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4066"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4066"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4066"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}