{"id":4193,"date":"2023-05-23T07:30:26","date_gmt":"2023-05-23T07:30:26","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4193"},"modified":"2023-05-22T11:06:24","modified_gmt":"2023-05-22T11:06:24","slug":"mineracao-ilegal-leva-a-etnocidio-corrupcao-e-destruicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4193","title":{"rendered":"Minera\u00e7\u00e3o ilegal leva a etnoc\u00eddio, corrup\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h3 id=\"em-10-anos-garimpo-ilegal-aumentou-mais-de-400-em-terras-indigenas-na-amazonia-brasileira\"><span style=\"color: #808080;\">Em 10 anos, garimpo ilegal aumentou mais de 400% em terras ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia brasileira<\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O garimpo ilegal em terras ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia brasileira aumentou mais de quatro vezes em dez anos, ocupando mais de 4.000 hectares de terras Yanomami no primeiro semestre de 2022. No ano anterior, em territ\u00f3rios Munduruku, a atividade destruiu 6.780 hectares. Os dados s\u00e3o do <a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/documents\/o3d00050.pdf\"><span style=\"color: #800000;\"><strong>relat\u00f3rio<\/strong><\/span><\/a> da Alian\u00e7a em Defesa dos Territ\u00f3rios, resultado de uma articula\u00e7\u00e3o in\u00e9dita entre os povos Yanomami, Kayap\u00f3 e Munduruku, os mais afetados pela minera\u00e7\u00e3o, com apoio t\u00e9cnico de pesquisadores do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/\">Instituto Socioambiental<\/a> <\/strong><\/span>(ISA).<\/p>\n<p>A \u00e1rea ocupada pelo garimpo ilegal j\u00e1 supera a do garimpo industrial. O relat\u00f3rio destaca que em 2021 a minera\u00e7\u00e3o ilegal cobriu 106,6 mil hectares contra 97,7 mil ocupados pela minera\u00e7\u00e3o formal. O documento ainda revela que os n\u00fameros da produ\u00e7\u00e3o irregular de ouro tamb\u00e9m superam os da produ\u00e7\u00e3o legal. No Par\u00e1, estado que com o Mato Grosso concentra mais de 90% das autoriza\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o mineral do Brasil, \u201c30,4 toneladas de ouro foram produzidas a partir da minera\u00e7\u00e3o, das quais 22,5 toneladas (74%) foram extra\u00eddas de forma irregular\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Segundo o documento, a falta de controle, a neglig\u00eancia das autoridades e a fragilidade das leis facilitaram irregularidades que v\u00e3o desde a concess\u00e3o de licen\u00e7as para explora\u00e7\u00e3o de determinadas \u00e1reas por mineradoras at\u00e9 a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es financeiras autorizadas a comprar ouro. O garimpo ilegal vem crescendo em diferentes momentos, como durante a alta do ouro na crise mundial de 2008, mas se expandiu durante o \u00faltimo governo.<\/p>\n<p>A minera\u00e7\u00e3o funciona como um mecanismo etnocida: uma tentativa de apagar a cultura e as especificidades desses povos. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, at\u00e9 30 de abril, houve 97 mortes ind\u00edgenas por doen\u00e7as infecciosas, desnutri\u00e7\u00e3o e outras causas, 45% das quais em menores de quatro anos: 21 meninas e 23 meninos. As mortes ocorreram nos povos Yanomami (76 \u00f3bitos), Sanuma (17), Ye&#8217;kuana (2), Shiriana (1) e Shirixana (1).<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o lar de mais de 1,6 milh\u00e3o de ind\u00edgenas. Milhares deles se reuniram em Bras\u00edlia entre os dias 24 e 28 de abril na 19\u00aa edi\u00e7\u00e3o do \u201cAcampamento Terra Livre\u201d, evento organizado pela Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib) sob o lema de demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios. A l\u00edder ind\u00edgena e chefe do Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas, Sonia Guajajara, afirmou que 10% das terras reconhecidas est\u00e3o nas m\u00e3os do garimpo ilegal, do narcotr\u00e1fico e sob a modalidade denominada \u201cgrilagem\u201d, ou seja, posse de terras estrangeiras por meio de t\u00edtulos falsos, o que, em sua opini\u00e3o, \u201cdeixa claro que o Estado n\u00e3o estava atento aos nossos povos\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio conter mais polui\u00e7\u00e3o, preservar a terra e evitar impactos futuros no meio ambiente e nos grupos vulner\u00e1veis. O merc\u00fario, por exemplo, \u00e9 um elemento muito persistente que pode ser transportado pela \u00e1gua e pelo ar e pode, assim, contaminar a cadeia alimentar. Sua emiss\u00e3o no ar \u00e9 produzida pela queima de am\u00e1lgamas, processo utilizado para liberar o ouro da mistura formada com o merc\u00fario. Um <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-022-27997-3\">estudo<\/a> <\/strong><\/span>mostrou que florestas intactas na Amaz\u00f4nia peruana perto de minas de ouro absorvem merc\u00fario e tamb\u00e9m se contaminam, acumulando altos n\u00edveis do elemento na atmosfera, folhas e solo.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio da Alian\u00e7a, a solu\u00e7\u00e3o para o controle da minera\u00e7\u00e3o passa por maior fiscaliza\u00e7\u00e3o, bloqueio de rotas de tr\u00e1fico ilegal, destrui\u00e7\u00e3o de pistas clandestinas, meios de transporte e maquin\u00e1rio, al\u00e9m da interrup\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os como a internet para garimpo em territ\u00f3rios ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>Com informa\u00e7\u00f5es de <a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/www.scidev.net\/\">SciDev.Net<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-foto-por-shane-mclendon-unsplash-com\">Capa. Foto por <a class=\"N2odk RZQOk eziW_ cl4O9 KHq0c\" href=\"https:\/\/unsplash.com\/pt-br\/@kctinman\">Shane McLendon<\/a> | <a href=\"http:\/\/Unsplash.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Unsplash.com<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 10 anos, garimpo ilegal aumentou mais de 400% em terras ind\u00edgenas&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":4196,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4193"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4193"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4197,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4193\/revisions\/4197"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4196"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}