{"id":4204,"date":"2023-05-25T10:47:27","date_gmt":"2023-05-25T10:47:27","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4204"},"modified":"2023-05-25T10:47:27","modified_gmt":"2023-05-25T10:47:27","slug":"a-fisica-em-disputa-com-a-filosofia-e-a-literatura-os-embates-entre-guido-beck-mario-bunge-e-ernesto-sabato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4204","title":{"rendered":"A f\u00edsica em disputa com a filosofia e a literatura: os embates entre Guido Beck, Mario Bunge e Ernesto S\u00e1bato"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"discussao-coloca-em-debate-o-que-significa-dedicar-se-a-carreira-cientifica\"><span style=\"color: #808080;\">Discuss\u00e3o coloca em debate o que significa dedicar-se \u00e0 carreira cient\u00edfica<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao longo do ano de 1944, houve uma intensa e, em alguns momentos, dram\u00e1tica, troca de cartas entre tr\u00eas f\u00edsicos, naquela altura, vivendo e trabalhando na Argentina. As idades deles variavam entre os 24 e 40 anos. Dois eram argentinos, o terceiro era ap\u00e1trida. Havia amizade e respeito m\u00fatuo entre os tr\u00eas. Al\u00e9m desses sentimentos, havia uma profunda vontade de fazer com que a Argentina progredisse. Apesar de todas essas caracter\u00edsticas, a correspond\u00eancia entre eles foi, em muitos momentos, tensa, pouco amistosa.<\/p>\n<p>As cartas entre Guido Beck, Mario Bunge e Ernesto S\u00e1bato dizem respeito ao sentido e \u00e0 origem da express\u00e3o \u201cdedica\u00e7\u00e3o exclusiva\u201d. Para o primeiro, ela significava n\u00e3o ter outra atividade que aquela conscientemente eleita; sua origem estava, portanto, em uma decis\u00e3o deliberada em favor de uma pr\u00e1tica, a qual poderia sustentar a escolha feita. Para o segundo f\u00edsico, a ci\u00eancia, sozinha, seria incapaz de sustentar e justificar tal escolha, uma vez que sofre inger\u00eancias externas, como da pol\u00edtica. Finalmente, para o terceiro personagem, ainda que concordando com a necessidade de dedica\u00e7\u00e3o a uma \u00fanica atividade, essa corresponderia a algo que existiria nos seres humanos, as voca\u00e7\u00f5es. Assim, a escolha seria incapaz de resultar de uma delibera\u00e7\u00e3o racional.<\/p>\n<p>Ao chegar \u00e0 Argentina em maio de 1943, Beck sabia ser imprescind\u00edvel atuar no ambiente para ser bem-sucedido. Os anos passados em universidades no hemisf\u00e9rio norte, ensinaram-lhe que, sem o apoio do ambiente \u00e0 ci\u00eancia e aos cientistas, qualquer esfor\u00e7o seria in\u00fatil. Para o ambiente funcionar a contento era preciso que a ci\u00eancia incorporasse os valores corretos, o que se daria atrav\u00e9s da pr\u00f3pria pr\u00e1tica. Beck pretendia ensinar f\u00edsica moderna com a transmiss\u00e3o de valores para uma pr\u00e1tica cient\u00edfica s\u00e3 e duradoura. No ano seguinte, Beck envolveu-se em dois conflitos com jovens colegas devido a diferen\u00e7as concernentes \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios, que via como imprescind\u00edveis e pelos quais se batia em p\u00fablico, para a pr\u00e1tica da ci\u00eancia. O primeiro deles envolveu Bunge; o segundo, S\u00e1bato. As causas dos conflitos foram as mesmas: Beck n\u00e3o aceitava as indecis\u00f5es de seus colaboradores, fruto da incapacidade de conduzir a atividade profissional escolhida a partir de crit\u00e9rios e valores pertinentes. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-guido-beck-fisico-nascido-no-imperio-austro-hungaro-emigrou-para-a-argentina-em-1943-onde-foi-um-dos-fundadores-da-associacao-argentina-de-fisica-em-1951-mudou-se-para-o-brasil-onde-tra\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4205\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-1-202x300.jpg\" alt=\"\" width=\"337\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-1-202x300.jpg 202w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-1-690x1024.jpg 690w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-1-8x12.jpg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-1.jpg 693w\" sizes=\"(max-width: 337px) 100vw, 337px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Guido Beck, f\u00edsico nascido no Imp\u00e9rio Austro-H\u00fangaro, emigrou para a Argentina em 1943, onde foi um dos fundadores da Associa\u00e7\u00e3o Argentina de F\u00edsica. Em 1951 mudou-se para o Brasil, onde trabalhou no Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF) e depois na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bunge foi apresentado a Beck por S\u00e1bato.<sup>[1]<\/sup> Feitas as apresenta\u00e7\u00f5es, Beck falou sobre problemas do seu interesse e que poderiam ser investigados pelo jovem f\u00edsico, dando in\u00edcio a uma rela\u00e7\u00e3o de orientador-orientando.<\/p>\n<p>Beck sabia das outras atividades de seu orientando al\u00e9m da pesquisa para a tese de doutorado; n\u00e3o desconhecia a atra\u00e7\u00e3o que aquele sentia pela filosofia a ponto de criar um peri\u00f3dico na \u00e1rea (<em>Minerva<\/em>). A leitura do primeiro n\u00famero levou Beck, em 30 de maio de 1944, a advertir o futuro fil\u00f3sofo da ci\u00eancia:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cCaro Gauchito. <\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Recebi o primeiro n\u00famero de Minerva. Voc\u00ea sabe que eu n\u00e3o esperava nada de bom desta empreitada, mas tenho que dizer que foi um golpe muito forte para mim, foi muito pior do que eu esperava. (\u2026) Considerando este artigo como uma rea\u00e7\u00e3o nervosa, rea\u00e7\u00e3o contra as necessidades de <\/em>self-restriction<em> indispens\u00e1vel na investiga\u00e7\u00e3o (liberdade?), tenho que lhe dizer abertamente que, no ambiente alem\u00e3o anterior a 1933, um tal artigo teria impedido automaticamente a carreira universit\u00e1ria de seu autor. Em qualquer outro pa\u00eds, um tal artigo n\u00e3o pode dar outro resultado que ser um <\/em>handicap<em> muito grave.\u201d<sup>[2]<\/sup><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Beck formulou suas cr\u00edticas sem dar margem a incompreens\u00f5es:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201c(&#8230;) se trata de um artigo com afirma\u00e7\u00f5es completamente falsas, sem nenhum sentido cient\u00edfico, que permite a conclus\u00e3o de que seu autor n\u00e3o sabe o que \u00e9 um trabalho cient\u00edfico. \u00c9 particularmente perigoso em um ambiente jovem, sem tradi\u00e7\u00f5es e sem esp\u00edrito cr\u00edtico bastante forte. Se permanece assim, exige um rep\u00fadio p\u00fablico claro.\u201d<sup>[3]<\/sup>\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em ambientes sem tradi\u00e7\u00e3o, a publica\u00e7\u00e3o desses textos seria prejudicial. Evitar danos seria atrav\u00e9s de declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica em rep\u00fadio ao artigo publicado para n\u00e3o deixar d\u00favidas acerca do car\u00e1ter do seu autor: \u201cMas n\u00e3o h\u00e1 outro caminho, sem car\u00e1ter forte n\u00e3o h\u00e1 ci\u00eancia. Lamento muito ter que dizer tudo isto e sinto, parcialmente, como um fracasso pessoal dos meus esfor\u00e7os feitos ap\u00f3s a minha chegada a este pa\u00eds.\u201d<sup>[4]<\/sup><\/p>\n<p>A empreitada editorial de Bunge corroborou algumas apreens\u00f5es acumuladas desde que chegou \u00e0 Argentina. Apesar das facilidades materiais para a vida na Argentina daquela \u00e9poca, Beck achava que os jovens daquele pa\u00eds n\u00e3o se dedicavam o suficiente \u00e0 ci\u00eancia. A ci\u00eancia era uma atividade complexa que exigia dedica\u00e7\u00e3o integral. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-mario-bunge-fisico-filosofo-da-ciencia-e-humanista-argentino-foi-membro-da-american-association-for-the-advancement-of-science-e-da-royal-society-of-canada-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4206\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-2-201x300.jpg\" alt=\"\" width=\"335\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-2-201x300.jpg 201w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-2-686x1024.jpg 686w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-2-8x12.jpg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-2.jpg 693w\" sizes=\"(max-width: 335px) 100vw, 335px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Mario Bunge, f\u00edsico, fil\u00f3sofo da ci\u00eancia e humanista argentino. Foi membro da <em>American Association for the Advancement of Science<\/em> e da <em>Royal Society of Canada<\/em>.<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dia ap\u00f3s a carta de Beck, Bunge respondeu ao seu orientador:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cMeu querido Dr. Beck<\/em><em>: <\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Lamento muito que \u201cMinerva\u201d, em particular o meu artigo, tenham o impressionado t\u00e3o mal. Na verdade, eu n\u00e3o esperava outra coisa de um inimigo declarado da filosofia (\u2026)<\/em><em>. Parece-me in\u00fatil discutir estas coisas convosco: se fosse um artigo <strong>cient\u00edfico<\/strong>, eu me submeteria com prazer \u00e0 sua opini\u00e3o, mas se trata de um trabalho <strong>filos\u00f3fico<\/strong>.\u201d<sup>[5]<\/sup><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bunge recusou o pedido e os argumentos de Beck, defendendo que o seu caso n\u00e3o contaminaria o ambiente cient\u00edfico, a ponto de afetar outros jovens:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cLamento muito que v\u00f3s considereis este artigo como um fracasso parcial de seus magn\u00edficos esfor\u00e7os feitos na Argentina. (\u2026) convosco eu quis aprender f\u00edsica, mas n\u00e3o filosofia, nem m\u00e9todos seguros e baratos para fazer uma \u201ccarreira universit\u00e1ria\u201d, o que n\u00e3o me interessa.\u201d<sup>[6]<\/sup><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os termos usados pelo futuro fil\u00f3sofo s\u00e3o eloquentes. A carta de Bunge n\u00e3o ficou sem reposta. Escrita em 4 de julho, Beck manteve o tom cordial, ainda assim ele repetiu as raz\u00f5es pelas quais reagiu de forma dura ao artigo de Bunge, explicando as motiva\u00e7\u00f5es para a cr\u00edtica ao artigo sobre epistemologia. O inc\u00f4modo foi provocado pela presen\u00e7a de valores equivocados. Os valores corretos n\u00e3o foram assimilados e, pior, Bunge n\u00e3o queria incorpor\u00e1-los. A origem da sua rea\u00e7\u00e3o \u00e9 a falta de rigor de seu orientando com o seu pr\u00f3prio trabalho. A n\u00e3o assimila\u00e7\u00e3o dos valores corretos impediria a forma\u00e7\u00e3o de uma comunidade, j\u00e1 que os v\u00ednculos entre os seus membros seriam d\u00e9beis e sujeitos a press\u00f5es externas:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cSegundo nossos costumes e tradi\u00e7\u00f5es, a dire\u00e7\u00e3o de trabalhos cient\u00edficos de um aluno implica a obriga\u00e7\u00e3o de defend\u00ea-lo sempre que seja atacado. Como posso vos defender, se reprovais os pontos acima mencionados? V\u00f3s me dizeis que n\u00e3o vos interessa uma tal defesa. Pode ser. Mas n\u00e3o se trata de sua obriga\u00e7\u00e3o, trata-se de uma obriga\u00e7\u00e3o pela qual eu sou o respons\u00e1vel.\u201d<sup>[7]<\/sup> <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o seriam os alunos os respons\u00e1veis pela autoriza\u00e7\u00e3o para defend\u00ea-los; esta \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o dos professores, estes sabem quando e por que defender os seus alunos. Tal defesa n\u00e3o focaria os resultados cient\u00edficos, ela diria respeito a valores e atitudes da pr\u00e1tica cient\u00edfica. No \u00faltimo trecho de sua carta, Beck insiste na necessidade das escolhas acertadas:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cInsisto particularmente no fato de que a minha decis\u00e3o n\u00e3o tem que ver com os trabalhos que v\u00f3s realizastes sob minha dire\u00e7\u00e3o. (\u2026) se v\u00f3s considerais a filosofia como mais importantes e como mais urgente que a f\u00edsica, eu considero como seu dever consagrar toda sua energia e todo seu tempo \u00e0 filosofia. Mas trabalhando <strong>bem<\/strong>, com sumo cuidado e de maneira cient\u00edfica, n\u00e3o como em seu artigo.\u201d<sup>[8]<\/sup><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acima, sobressai a import\u00e2ncia de as pessoas dedicarem-se integralmente \u00e0s escolhas feitas, bem como a necess\u00e1ria ado\u00e7\u00e3o de bons par\u00e2metros para avaliar os resultados alcan\u00e7ados. Em 6 de junho, Beck informava que n\u00e3o via condi\u00e7\u00f5es de prosseguir como orientador de Bunge.<sup>[9]<\/sup> Tr\u00eas meses depois da interrup\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o, Bunge procurava Beck, pedindo para reconsiderar sua decis\u00e3o. Seu pedido de armist\u00edcio foi aceito.<sup>[10]<\/sup><\/p>\n<p>A comunidade f\u00edsica argentina era pequena nessa altura. Bunge, entre os jovens f\u00edsicos, era considerado uma promessa. O rompimento da orienta\u00e7\u00e3o por parte de Beck tornou-se p\u00fablica. Bunge recorreu a dois matem\u00e1ticos, J\u00falio Rey Pastor e Manuel Sadosky, a fim de saber se haveria algum erro t\u00e9cnico nas aplica\u00e7\u00f5es daquele \u201cc\u00e1lculo\u201d \u00e0 epistemologia.<sup>[11]<\/sup> Ambos os matem\u00e1ticos escreveram a Beck, lamentando o rompimento da orienta\u00e7\u00e3o. Rey Pastor n\u00e3o se satisfez em externar a sua contrariedade com o epis\u00f3dio. Ele procurou contribuir para a supera\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as entre Beck e Bunge. O matem\u00e1tico espanhol solicitou a Beck reconsiderar sua decis\u00e3o e retomar a orienta\u00e7\u00e3o. Talvez sem saber que Bunge j\u00e1 tinha feito o mesmo pedido, Rey Pastor escreveu a Beck, em 6 de outubro de 1944 uma carta em tom leve e amigo:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201c<\/em><em>O simp\u00e1tico Mario Bunge falou comigo, muito triste com a sua severidade, por quem sente o maior respeito e grande admira\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Eu o fiz ver alguma confus\u00e3o no famoso par\u00e1grafo booleano (&#8230;). Apesar de sua grande autoestima, reconheceu nobremente minhas cr\u00edticas, que em parte coincidem com as suas, mas parece muito dif\u00edcil, dados os costumes argentinos, obrig\u00e1-lo a fazer uma retrata\u00e7\u00e3o p\u00fablica. H\u00e1 um antigo apotegma, que sempre serviu de padr\u00e3o de conduta para os fidalgos castelhanos, segundo o qual, quando erram, a honra exige \u201csustent\u00e1-lo e n\u00e3o emend\u00e1-lo\u201d. Essa regra me parece muito absurda, mas foi herdada por falantes de espanhol, que entendem a honra desta forma e \u00e9 dif\u00edcil ir contra os costumes de cada pa\u00eds, por mais absurdos que sejam. (&#8230;) atrevo-me a pedir-lhe que lhe d\u00ea a absolvi\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d<sup>[12]<\/sup><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vejamos, agora, o outro entrevero vivido por Beck em seus primeiros anos na Argentina. A segunda situa\u00e7\u00e3o colocou-o em confronto com S\u00e1bato, que era ainda f\u00edsico. (Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-ernesto-sabato-romancista-ensaista-e-artista-plastico-argentino-foi-um-dos-maiores-autores-argentinos-do-seculo-xx-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4207\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-3-300x168.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-3-300x168.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-3-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-3-768x431.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-3-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-3-800x449.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-3-1160x651.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/artigo-videira-figura-3.jpg 1477w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Ernesto S\u00e1bato, romancista, ensa\u00edsta e artista pl\u00e1stico argentino, foi um dos maiores autores argentinos do s\u00e9culo XX.<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e1bato, segundo ele mesmo, tinha, desde cedo, interesse por literatura, pintura, como tamb\u00e9m por ci\u00eancias e matem\u00e1tica. Na escola, teve bons professores de f\u00edsica, os quais, aliados ao gosto em pensar de forma l\u00f3gica e estruturada, fez com decidisse seguir carreira em f\u00edsica e matem\u00e1tica. O in\u00edcio da sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica foi exitoso. S\u00e1bato foi visto como uma promessa entre os jovens argentinos. Ap\u00f3s estagiar em lugares como o laborat\u00f3rio Curie, em Paris (Fran\u00e7a), e o MIT, em Massachusetts (EUA), foi nomeado professor na <em>Universidade de La Plata<\/em>.<sup>[13]<\/sup><\/p>\n<p>Na segunda metade dos anos 1930, S\u00e1bato come\u00e7ou a pensar em se dedicar profissionalmente \u00e0 literatura. O an\u00fancio de que pretendia trocar a f\u00edsica pela literatura provocou rea\u00e7\u00f5es, conforme registrou em sua autobiografia:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cQuando, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 40, tomei a decis\u00e3o de abandonar a ci\u00eancia, recebi dur\u00edssimas cr\u00edticas dos cientistas mais destacados do pa\u00eds. O doutor Houssay<\/em><em> negou-me o cumprimento para sempre. O doutor Gaviola<\/em><em>, ent\u00e3o diretor do observat\u00f3rio de C\u00f3rdoba, que tanto me estimara, disse: \u2018S\u00e1bato<\/em><em> abandona a ci\u00eancia pelo charlatanismo\u2019. E Guido Beck (&#8230;)<\/em><em> em uma carta lamenta-se dizendo: \u2018Em seu caso, perdemos um f\u00edsico muito capaz em quem depositamos muitas esperan\u00e7as\u2019.\u201d<sup>[14]<\/sup><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tr\u00eas importantes figuras do cen\u00e1rio cient\u00edfico argentino reagiram negativamente. As palavras de S\u00e1bato permitem inferir que a mais suave foi a do antigo assistente de Heisenberg. As cartas entre Beck e S\u00e1bato s\u00e3o claras para que se perceba que o primeiro n\u00e3o se opunha \u00e0 escolha do segundo. Ao contr\u00e1rio, percebe-se nelas um apoio ao futuro autor de \u201c<em>O T\u00fanel\u201d<\/em>. Nem poderia ser outra a sua atitude. Desejando convencer pelo exemplo, Beck reconhecia o direito de S\u00e1bato escolher a profiss\u00e3o que mais lhe agradasse.<\/p>\n<p>Se o \u201centrevero\u201d com S\u00e1bato fosse relativo apenas \u00e0 escolha de uma profiss\u00e3o, o roteiro seria o mesmo da \u201cguerra\u201d entre Beck e Bunge. No entanto, houve um ingrediente a mais: os padr\u00f5es de qualidade liter\u00e1ria a serem respeitados. A quest\u00e3o dos crit\u00e9rios foi explicitamente mencionada por Beck e Gaviola. Eles n\u00e3o admitiam crit\u00e9rios \u201camb\u00edguos\u201d e \u201cinsuficientes\u201d. Continuemos com o relato de S\u00e1bato sobre as rea\u00e7\u00f5es dos seus colegas ao serem informados da sua decis\u00e3o:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cEnfurecidos pelo que chamavam de minha pirra\u00e7a, em reiteradas ocasi\u00f5es o doutor Gaviola<\/em><em>, junto a Guido Beck<\/em><em>, foram at\u00e9 nosso rancho para tentar convencer minha mulher [Matilde] da loucura que eu estava cometendo, justo quando o pa\u00eds mais precisava de cientistas. E embora houvesse tentado explicar-lhes minha crise espiritual, e convenc\u00ea-los de que minha verdadeira voca\u00e7\u00e3o era a arte, n\u00e3o conseguiram me entender, pois, para esses homens, a ci\u00eancia \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o suprema do homem. Guido Beck atribu\u00eda minha decis\u00e3o \u00e0 superficialidade sul-americana, e Gaviola disse que me perdoaria se algum dia eu conseguisse escrever algo como \u2018A Montanha M\u00e1gica\u2019.\u201d<sup>[15]<\/sup><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesta passagem, h\u00e1 tr\u00eas elementos relevantes para o entendimento da personalidade de Beck e o tipo de a\u00e7\u00e3o que queira transmitir aos jovens, esclarecendo quais valores Beck gostaria de ver presentes na ci\u00eancia. O primeiro dos elementos a ser destacado \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o. O segundo \u00e9 a superficialidade da sua decis\u00e3o. O \u00faltimo concernia \u00e0 qualidade da literatura a ser produzida: era fundamental seguir exemplos de excelentes escritores.<\/p>\n<p>S\u00e1bato abordou em cartas a sua crise espiritual. A primeira, de 3 de junho de 1944, foi escrita em tom franco e cordial. \u00c9 ineg\u00e1vel o respeito e a estima que o escritor argentino sentia pelo emigrado de origem austr\u00edaco, no que era correspondido. S\u00e1bato n\u00e3o via sentido em dedicar-se a uma atividade que n\u00e3o corresponde \u00e0 sua verdadeira voca\u00e7\u00e3o. Sem o respeito a esta \u00faltima, os resultados alcan\u00e7ados n\u00e3o seriam aut\u00eanticos:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201c<\/em><em>Meu querido Beck<\/em><em>: <\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>[&#8230;]<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cConhe\u00e7o o seu pensamento a respeito e concordo totalmente com voc\u00ea que a f\u00edsica \u00e9 uma coisa muito s\u00e9ria para ser considerada um hobby. [&#8230;] A voca\u00e7\u00e3o [\u00e9] uma for\u00e7a interior que manda fazer algo, contra todas as dificuldades que a vida pode colocar \u00e0 frente. Ou seja, \u00e9 o completo oposto de facilidade e esfor\u00e7o m\u00ednimo. \u00c9 a dificuldade e o esfor\u00e7o m\u00e1ximo. Voc\u00ea, por exemplo, n\u00e3o parou de trabalhar em suas teorias, apesar da guerra e dos campos de concentra\u00e7\u00e3o; vive para a f\u00edsica, sonha com a f\u00edsica e at\u00e9 seria capaz de morrer pela f\u00edsica. Essa \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o. [&#8230;] concordo plenamente com voc\u00ea que n\u00e3o d\u00e1 para ser s\u00e9rio em nenhum ramo da atividade humana se n\u00e3o se dedicar totalmente a ele.\u201d<sup>[16]<\/sup><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m da cordialidade, tamb\u00e9m a franqueza com a qual S\u00e1bato descreve a sua situa\u00e7\u00e3o merece ser considerada. Ele sabia que a sua decis\u00e3o repercutiria nos esfor\u00e7os de Beck e Gaviola pela cria\u00e7\u00e3o de uma comunidade em f\u00edsica. S\u00e1bato valorizava a amizade e o comportamento de Beck a ponto de solicitar que a sua decis\u00e3o fosse avaliada com equil\u00edbrio. Menos de uma semana depois de receber a carta acima, Beck redigiu sua resposta: \u201cRecebi sua carta e agrade\u00e7o sua confian\u00e7a. Parece-me que nos entendemos muito melhor do que v\u00f3s pensais (&#8230;). Nunca quis mais do que uma decis\u00e3o acertada, seguida de um esfor\u00e7o completo.\u201d<sup>[17]<\/sup><\/p>\n<p>Repete-se a defesa de uma decis\u00e3o clara e inequ\u00edvoca, capaz de provocar a\u00e7\u00f5es coerentes. Beck mostrava-se satisfeito por S\u00e1bato ter um prop\u00f3sito. Apesar de os dois concordarem em pontos relevantes, em outros, percebem diferen\u00e7as sutis entre eles. Uma delas diz respeito \u00e0 exist\u00eancia de voca\u00e7\u00f5es. Beck n\u00e3o dava import\u00e2ncia a elas. J\u00e1 S\u00e1bato acreditava que, sem o respeito \u00e0s voca\u00e7\u00f5es, os seres humanos estariam condenados a viver de modo f\u00fatil e in\u00fatil. Beck \u00e9 menos r\u00edgido neste ponto:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cN\u00e3o conhe\u00e7o \u2018voca\u00e7\u00f5es\u2019, o que conhe\u00e7o s\u00e3o desejos e contradi\u00e7\u00f5es entre elas. Voc\u00ea tem que escolher um, tem que cuidar desse desejo, tem que desenvolv\u00ea-lo, tem que lutar por ele e tem que matar todos os outros desejos contr\u00e1rios.\u201d<sup>[18]<\/sup> <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As palavras de Beck mostram que o seu tom foi distinto daquele que o futuro escritor lhe atribui na sua autobiografia. O f\u00edsico austr\u00edaco n\u00e3o parou a\u00ed, emitindo sua opini\u00e3o sobre a quest\u00e3o dos padr\u00f5es adequados:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cSacrificar um desejo forte \u00e9 um processo complicado. H\u00e1 que se aproveitar ao m\u00e1ximo esse sacrif\u00edcio. H\u00e1 que saber por que esse sacrif\u00edcio \u00e9 feito. No seu caso, como perdemos em v\u00f3s um f\u00edsico muito capaz, em quem t\u00ednhamos grandes esperan\u00e7as, isso significa que h\u00e1 que seguir bons padr\u00f5es na literatura. Sacrificar a f\u00edsica, tomando a literatura argentina como padr\u00e3o? N\u00e3o. Tomando a literatura castelhana como padr\u00e3o (ou mais)? Sim.\u201d<sup>[19]<\/sup> <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Beck repete a posi\u00e7\u00e3o de Gaviola sobre a import\u00e2ncia de escolher excelentes padr\u00f5es, necess\u00e1rios para avaliar corretamente os resultados obtidos. Os eventos de 1944 fizeram com que Beck n\u00e3o se iludisse sobre as dificuldades do trabalho ainda a ser feito, j\u00e1 que envolveram duas promessas da f\u00edsica argentina.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise da correspond\u00eancia entre os nossos personagens evidencia que os tr\u00eas concordavam quanto \u00e0 necessidade de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva. Onde estaria, ent\u00e3o, a raiz das disputas e diferen\u00e7as entre eles? Arriscamo-nos a afirmar que o desacordo estava na (in)capacidade de a ci\u00eancia ser capaz de dar vaz\u00e3o, independentemente da literatura e filosofia, \u00e0quilo que pode ser genuinamente qualificado como humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Agradecimentos<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Antonio Augusto Passos Videira agradece as bolsas de pesquisa concedidas pelo CNPq (n\u00ba 306.612\/2018-6) e UERJ (Proci\u00eancia). Rafael Velloso agradece a bolsa de doutorado concedida pela Capes (n\u00ba de processo 88887.621975\/2021-00).<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Notas<\/strong><\/span><\/h5>\n<h6 id=\"1-bunge-2014-p-75-2-videira-e-puig-2020-pp-187-188-3-videira-e-puig-2020-p-188-4-videira-e-puig-2020-p-189-5-videira-e-puig-2020-p-189-sublinhado-no-original-6-vi\"><span style=\"color: #808080;\">[1] Bunge (2014), p. 75.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[2] Videira e Puig (2020), pp. 187-188.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[3] Videira e Puig (2020), p. 188.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[4] Videira e Puig (2020), p. 189.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[5] Videira e Puig (2020), p. 189. Sublinhado no original.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[6] Videira e Puig (2020), p. 190. Sublinhado no original.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[7] Videira e Puig (2020), p. 194.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[8] Videira e Puig (2020), pp. 194-195. Sublinhado no original.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[9] Videira e Puig (2020), p. 196.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[10] Videira e Puig (2020), p. 202. Sublinhado no original.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[11] Bunge (2014), p. 109.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[12] Videira e Puig (2020), p. 204.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[13] Ernesto S\u00e1bato. Antes del fin. Buenos Aires: Booket, 2006, pp. 75-84.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[14] S\u00e1bato (2006), p. 86.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[15] S\u00e1bato (2006), p. 87.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[16] Videira e Puig (2020), pp. 191-193.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[17] Videira e Puig (2020), p. 196.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[18] Videira e Puig (2020), p. 196.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[19] Videira e Puig (2020), pp. 196-197.<\/span><\/h6>\n<h5 id=\"referencias\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/h5>\n<h6 id=\"bunge-m-memorias-entre-dos-mundos-barcelona-buenos-aires-gedisa-eudeba-2014-sabato-e-antes-del-fin-buenos-aires-booket-2006videira-a-a-p-puig-c-f-guido-beck-the-career-o\"><span style=\"color: #808080;\">Bunge, M. <em>Memorias entre dos mundos<\/em>. Barcelona\/Buenos Aires: Gedisa\/Eudeba, 2014.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">S\u00e1bato, E. <em>Antes del fin<\/em>. Buenos Aires: Booket, 2006<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">Videira, A. A., P.; Puig, C. F. <em>Guido Beck \u2013 the career of a theoretical physicist seen through his correspondence<\/em>. S\u00e3o Paulo: Livraria da F\u00edsica, 2020.<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"capa-imagem-rawpixel-com-freepik-com\">Capa: (Imagem: @<a href=\"https:\/\/br.freepik.com\/autor\/rawpixel-com\">rawpixel.com<\/a>\/ <a href=\"https:\/\/br.freepik.com\/\">Freepik.com<\/a>)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Discuss\u00e3o coloca em debate o que significa dedicar-se \u00e0 carreira cient\u00edfica &nbsp;&hellip;\n","protected":false},"author":93,"featured_media":4208,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4204"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/93"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4204"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4204\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4209,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4204\/revisions\/4209"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4208"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}