{"id":4273,"date":"2023-06-14T07:59:35","date_gmt":"2023-06-14T07:59:35","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4273"},"modified":"2023-10-16T12:33:17","modified_gmt":"2023-10-16T12:33:17","slug":"sustentabilidade-e-reducao-das-vulnerabilidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4273","title":{"rendered":"Sustentabilidade e redu\u00e7\u00e3o das vulnerabilidades"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"a-necessaria-construcao-de-pontes-entre-as-ciencias-e-a-sociedade\"><span style=\"color: #808080;\">A necess\u00e1ria constru\u00e7\u00e3o de pontes entre as ci\u00eancias e a sociedade<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A degrada\u00e7\u00e3o ambiental e seus impactos nos sistemas de suporte \u00e0 vida est\u00e3o entre os grandes desafios que a humanidade tem de enfrentar. Nossa criatividade e o desenvolvimento do conhecimento nos levaram a uma situa\u00e7\u00e3o paradoxal: somos capazes de resolver grandes amea\u00e7as \u00e0 vida (como a produ\u00e7\u00e3o de vacinas), mas estamos sofrendo as consequ\u00eancias de nosso progresso material e existencial (polui\u00e7\u00e3o, aquecimento global, esgotamento de recursos naturais). A verdade \u00e9 que quanto mais avan\u00e7amos na produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos e na aplica\u00e7\u00e3o destes \u00e0 busca do bem-estar da humanidade, mais parece que precisamos encontrar solu\u00e7\u00f5es para os efeitos do nosso pr\u00f3prio avan\u00e7o. E, na medida em que os problemas se agravam, fica evidente que as pessoas mais vulner\u00e1veis a todos esses problemas s\u00e3o sempre as mesmas: aquelas que est\u00e3o no polo mais fr\u00e1gil das desigualdades recorrentes em nossa sociedade.<\/p>\n<p>Mas as quest\u00f5es ambientais, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a degrada\u00e7\u00e3o dos ecossistemas s\u00e3o apenas uma parte dos desafios que o mundo acad\u00eamico tem pela frente. Em comum com outros grandes problemas, como a paz, a redu\u00e7\u00e3o da pobreza, a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade, os temas associados \u00e0 sustentabilidade demandam abordagens integrativas: entre disciplinas, entre institui\u00e7\u00f5es e entre setores da sociedade, em diferentes escalas territoriais, do local ao global. A constru\u00e7\u00e3o de pontes (interdisciplinaridade e transdisciplinaridade) \u00e9, portanto, um importante tema da agenda de prioridades para quem produz conhecimentos e quem formula e executa pol\u00edticas p\u00fablicas.<sup>[1]<\/sup><\/p>\n<p>A Universidade, como fonte de conhecimento, tem importante responsabilidade nesse processo, como parte da solu\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m como parte do problema. Novos campos e procedimentos para lidar com grandes e complexos desafios est\u00e3o sendo constru\u00eddos atualmente, em diferentes institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas. Como institui\u00e7\u00e3o, a Universidade evoluiu e mudou substancialmente o seu perfil, desde os seus prim\u00f3rdios, h\u00e1 quase um mil\u00eanio. Mas, em todo o mundo, desde as rebeli\u00f5es estudantis de 1968 e as reformas que ela inspirou (abrindo-se \u00e0 sociedade, mas tamb\u00e9m criando defesas), muito pouco mudou.<\/p>\n<p>A menos que algumas mudan\u00e7as sejam feitas no <em>modus operandi<\/em> da estrutura de produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos, a lacuna entre as demandas da sociedade por solu\u00e7\u00f5es e a limitada capacidade da Universidade para fornec\u00ea-las aumentar\u00e1. Enquanto isso, parte da pesquisa geralmente realizada por universidades est\u00e1 sendo produzida em institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o acad\u00eamicas, p\u00fablicas ou privadas. Essas \u00faltimas, ao contr\u00e1rio da Universidade, t\u00eam-se mostrado mais flex\u00edveis e adapt\u00e1veis \u00e0s novas e complexas demandas. Por serem orientadas para a solu\u00e7\u00e3o de problemas (<em>problem-oriented<\/em>), por defini\u00e7\u00e3o, e por n\u00e3o possu\u00edrem estruturas r\u00edgidas e fragmentadas em compartimentos disciplinares, as institui\u00e7\u00f5es de pesquisa n\u00e3o acad\u00eamicas costumam funcionar por meio de for\u00e7as-tarefas, cujos membros, uma vez atingido o objetivo, s\u00e3o redistribu\u00eddos em outros projetos. As institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o acad\u00eamicas est\u00e3o se mostrando mais <em>responsivas<\/em> em atender \u00e0s novas e complexas demandas cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas,<sup>[2]<\/sup> integrando, na pr\u00e1tica, conhecimentos e profissionais das ci\u00eancias b\u00e1sicas e aplicadas.<sup>[3]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-interdisciplinaridade-como-foco-do-debate\">A Interdisciplinaridade como foco do debate<\/h4>\n<p>Pr\u00e1ticas interdisciplinares t\u00eam um papel importante no debate sobre a crise e o futuro da Universidade. Embora n\u00e3o seja uma quest\u00e3o nova<sup>[4]<\/sup>, \u00e9 altamente relevante para o presente e o futuro do <em>modus operandi<\/em> da produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos. Muita coisa mudou desde as primeiras configura\u00e7\u00f5es da Universidade, ainda na idade m\u00e9dia. Das forma\u00e7\u00f5es cient\u00edficas amplas, que cobriam campos como a medicina, a natureza e elementos do que hoje chamamos de humanidades, um longo caminho foi percorrido. J\u00e1 n\u00e3o se formam mais generalistas, mas principalmente especialistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"quanto-mais-avancamos-na-producao-de-conhecimentos-e-na-aplicacao-destes-a-busca-do-bem-estar-da-humanidade-mais-parece-que-precisamos-encontrar-solucoes-para-os-efeitos-do-nosso-proprio-ava\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cQuanto mais avan\u00e7amos na produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos e na aplica\u00e7\u00e3o destes \u00e0 busca do bem-estar da humanidade, mais parece que precisamos encontrar solu\u00e7\u00f5es para os efeitos do nosso pr\u00f3prio avan\u00e7o.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A especializa\u00e7\u00e3o moldou o mundo acad\u00eamico principalmente ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo, produzindo uma formid\u00e1vel gama de disciplinas<sup>[5] <\/sup>em um n\u00famero crescente de campos isolados e autocentrados. Esse processo tem sido respaldado pela prolifera\u00e7\u00e3o de peri\u00f3dicos especializados e, tamb\u00e9m, pela estrutura institucional montada para o credenciamento, a avalia\u00e7\u00e3o e o financiamento de projetos de pesquisa e de cursos.<\/p>\n<p>O s\u00e9culo XX foi palco de um verdadeiro <em>big bang<\/em> disciplinar. Novos campos cient\u00edficos e demandas tecnol\u00f3gicas levaram ao surgimento de novas disciplinas, como \u00e9 o caso da engenharia aeroespacial e da inform\u00e1tica. H\u00e1 tamb\u00e9m um processo de subdivis\u00e3o de antigos campos de estudos, como a fragmenta\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o em hist\u00f3ria natural em duas \u00e1reas acad\u00eamicas: a biologia e a geologia. E h\u00e1, tamb\u00e9m, agrega\u00e7\u00e3o de disciplinas antes separadas, formando novos campos, como a biof\u00edsica e as neuroci\u00eancias.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria recente das ci\u00eancias nos mostra que algumas interse\u00e7\u00f5es de disciplinas surgiram como instrumentos necess\u00e1rios para a solu\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es como a bio\u00e9tica. Esse novo campo \u00e9 consequ\u00eancia da evolu\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias da vida (particularmente da engenharia gen\u00e9tica) e das quest\u00f5es epistemol\u00f3gicas e \u00e9ticas levantadas por cientistas de diferentes \u00e1reas.<\/p>\n<p>A Figura 1 apresenta, de modo esquem\u00e1tico, a situa\u00e7\u00e3o de diferentes tipos de foco de pesquisa, do particular (muito sobre pouco) ao integrador (pouco sobre muito). A amplitude da vis\u00e3o de quem est\u00e1 muito pr\u00f3ximo do objeto \u00e9, naturalmente, menor. No entanto, permite a percep\u00e7\u00e3o de detalhes. J\u00e1 quem est\u00e1 mais afastado consegue ver o problema com maior abrang\u00eancia (ainda que com menos detalhe) e integrar conhecimentos especializados.<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-modelo-ilustrativo-dos-diferentes-focos-de-pesquisa-que-caracterizam-abordagens-especialistas-e-integradoras-diante-de-objetos-complexos-fonte-elaborado-pelos-autores\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4276\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura1-300x137.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"228\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura1-300x137.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura1-1024x468.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura1-768x351.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura1-18x8.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura1-800x365.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura1-1160x530.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura1.jpg 1441w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Modelo ilustrativo dos diferentes focos de pesquisa, que caracterizam abordagens especialistas e integradoras diante de objetos complexos.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: elaborado pelos autores)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o, como requisito ao enfrentamento de desafios complexos, est\u00e1 na ordem do dia. Isso n\u00e3o significa negar a relev\u00e2ncia da especializa\u00e7\u00e3o, mas apenas a necess\u00e1ria constru\u00e7\u00e3o de pontes para a colabora\u00e7\u00e3o entre <em>diferentes ci\u00eancias<\/em>. J\u00e1 h\u00e1, inclusive, propostas de organiza\u00e7\u00e3o de modos de integra\u00e7\u00e3o sob a forma de uma disciplina em si, como \u00e9 o caso da <em>Integration and Implementation Science<\/em> \u2013 I2S.<sup>[6]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"riscos-e-alertas-como-motores-da-necessaria-integracao\">Riscos e alertas como motores da necess\u00e1ria integra\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>O fato de termos chegado a novos patamares quanto \u00e0s possibilidades de intervir sobre os diferentes modos de vida renova o desencanto e o alerta lan\u00e7ado por Jacob Bronowski (1978) <sup>[7] <\/sup>sobre as implica\u00e7\u00f5es da capacidade humana de destruir o seu pr\u00f3prio <em>habitat<\/em>, como ficou evidente ap\u00f3s diversos desastres ambientais, entre eles, os bombardeios at\u00f4micos de Hiroshima e Nagasaki (1945). Outros eventos posteriores tamb\u00e9m servem de advert\u00eancia, dentre eles a explos\u00e3o de um reator da usina nuclear de Chernobyl (1986), vazamentos de navios petroleiros em diferentes locais no mundo e, tamb\u00e9m no Brasil, como o que ocorreu na Ba\u00eda de Guanabara (2000) e na Bacia de Campos (2011), bem como os rompimentos das barragens de rejeitos de minera\u00e7\u00e3o ocorridos nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas em Nova Lima (2001), Mira\u00ed (2007), Itabirito (2014), Mariana (2015) e Brumadinho (2019).<\/p>\n<p>O debate sobre os riscos de um cataclismo planet\u00e1rio decorrente da a\u00e7\u00e3o humana foi tema importante nos f\u00f3runs cient\u00edficos da d\u00e9cada de 1970, ap\u00f3s a crise do petr\u00f3leo, a dissemina\u00e7\u00e3o do uso da energia nuclear e o surgimento da \u201cquest\u00e3o ambiental\u201d. As implica\u00e7\u00f5es do avan\u00e7o das t\u00e9cnicas aplicadas aos sistemas de vida tamb\u00e9m \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o central, que levou \u00e0 formula\u00e7\u00e3o do <em>princ\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o<\/em>, uma preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9tica e filos\u00f3fica que deve muito ao <em>princ\u00edpio da responsabilidade<\/em> de Hans Jonas (1984).<sup>[8]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-universidade-pode-desempenhar-um-papel-estruturante-ao-criar-espacos-de-interacao-e-dialogo-nao-somente-entre-os-diversos-campos-disciplinares-interdisciplinaridade-que-formam-sua-organ\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cA Universidade pode desempenhar um papel estruturante, ao criar espa\u00e7os de intera\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo, n\u00e3o somente entre os diversos campos disciplinares (interdisciplinaridade) que formam sua organiza\u00e7\u00e3o departamental, como tamb\u00e9m reunindo atores de fora do mundo acad\u00eamico (governo, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade e empresas): transdisciplinaridade.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alertas tamb\u00e9m foram inclu\u00eddos nos escritos dos \u201cautores rebeldes\u201d que reagiram contra o estilo de vida que emergiu do industrialismo, particularmente nas tr\u00eas d\u00e9cadas do ciclo de crescimento econ\u00f4mico que se seguiu \u00e0 Segunda Guerra Mundial. Consumismo, desperd\u00edcio de energia e de mat\u00e9rias-primas, gera\u00e7\u00e3o de montanhas de lixo, exclus\u00e3o social de um n\u00famero crescente de pessoas em todo o mundo, degrada\u00e7\u00e3o ambiental, necessidade de destruir o capital \u2013 por meio de guerras \u2013 como condi\u00e7\u00e3o para o crescimento econ\u00f4mico e a crescente obsolesc\u00eancia de conhecimentos, t\u00e9cnicas e bens, entre outros aspectos, provocou uma onda de rea\u00e7\u00f5es contra o papel e a din\u00e2mica da evolu\u00e7\u00e3o da tecnoci\u00eancia. Um desses rebeldes, Ivan Illich (1973),<sup>[9]<\/sup> chamou a aten\u00e7\u00e3o para a inutilidade de acumular conhecimento desnecess\u00e1rio por meio da educa\u00e7\u00e3o formal e para a import\u00e2ncia do conhecimento que n\u00e3o \u00e9 ensinado nas escolas.<\/p>\n<p>Evocando o que chamou de <em>economia budista<\/em>, Ernst Schumacher (1973)<sup>[10]<\/sup> dirigiu sua an\u00e1lise para o fato de que a ci\u00eancia e a tecnologia (C&amp;T) seguiam uma via em que a humanidade passava a adotar solu\u00e7\u00f5es cada vez mais complexas para problemas muitas vezes simples, destruindo ou desprezando o acervo de conhecimentos tradicionais. O ambiente da Universidade foi palco desse tipo de debate durante a d\u00e9cada de 1970 e parte da d\u00e9cada de 1980. O conceito de <em>tecnologia apropriada<\/em> tornou-se uma quest\u00e3o que seduziu pesquisadores de diversas \u00e1reas. A no\u00e7\u00e3o de <em>ecodesenvolvimento<\/em> foi resultado tanto desse processo quanto da importante <em>Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Meio Ambiente Humano<\/em>, realizada em Estocolmo, em 1972.<sup>[11]<\/sup><\/p>\n<p>Edgar Morin deu uma importante contribui\u00e7\u00e3o ao debate, ao apresentar sua vis\u00e3o da <em>complexidade<\/em>. Sua prol\u00edfica produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, em especial a s\u00e9rie <em>O M\u00e9todo<\/em>, busca lan\u00e7ar novas bases epistemol\u00f3gicas para que a ci\u00eancia possa restaurar sua capacidade de lidar com problemas complexos, de forma integrada, promovendo o di\u00e1logo entre as disciplinas<sup>[12]<\/sup>. O autor pontifica que tal processo deve ser precedido por uma reforma no sistema educacional.<\/p>\n<p>Embora muitos autores rebeldes ou reformistas tenham vindo das ci\u00eancias humanas, o debate n\u00e3o se restringiu a seus campos de ci\u00eancia. Importantes ingredientes desse debate foram produzidos no \u00e2mbito das ci\u00eancias exatas, da vida e da natureza.<\/p>\n<p>Edward Wilson (1998)<sup>[13]<\/sup> evoca o conceito de <em>consilience<\/em> como uma forma de agregar e\/ou integrar conhecimentos, ao vincular fatos e teorias relacionados, desenvolvidos em disciplinas, para produzir uma base comum de explica\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos. A obra lan\u00e7a uma sugest\u00e3o de como (re)organizar as ci\u00eancias da vida, com a biologia no centro. O desafio para a Universidade, entretanto, \u00e9 muito mais amplo e exige outras centralidades.<\/p>\n<p>Ilya Prigogine foi agraciado com o Pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica, em 1977, por sua contribui\u00e7\u00e3o no campo da termodin\u00e2mica. Mas foi al\u00e9m da sua zona de conforto disciplinar, ao publicar (com Isabelle Stengers) uma obra que postula a relev\u00e2ncia de se transpor as barreiras disciplinares para a efetiva solu\u00e7\u00e3o dos grandes desafios da humanidade.<sup>[14]<\/sup><\/p>\n<p>Os autores acima citados s\u00e3o apenas uma amostra do quanto a interdisciplinaridade \u00e9 relevante para um novo arranjo da organiza\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias, em sintonia com as grandes demandas da sociedade, sem deixar de lado o papel da imagina\u00e7\u00e3o e da especializa\u00e7\u00e3o. Interdisciplinaridade pode, ent\u00e3o, ser definida como mais do que a mera intera\u00e7\u00e3o. \u00c9, principalmente, o di\u00e1logo, a integra\u00e7\u00e3o e a s\u00edntese de conhecimentos disciplinares. Isso demanda mais do que vontade. \u00c9 preciso tamb\u00e9m m\u00e9todos, arranjos institucionais, crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o, mecanismos de apoio e recompensa, dentre outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"muitas-experiencias-recentes-tem-mostrado-que-o-dialogo-e-a-integracao-de-especialistas-de-diferentes-formacoes-sao-possiveis-e-sao-tambem-cruciais-para-a-resolucao-de-problemas-complexos\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cMuitas experi\u00eancias recentes t\u00eam mostrado que o di\u00e1logo e a integra\u00e7\u00e3o de especialistas de diferentes forma\u00e7\u00f5es s\u00e3o poss\u00edveis; e s\u00e3o, tamb\u00e9m, cruciais para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas complexos.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, muitas universidades j\u00e1 contam com espa\u00e7os interdisciplinares de forma\u00e7\u00e3o, pesquisa cient\u00edfica e desenvolvimento de tecnologias, onde convivem docentes de diferentes forma\u00e7\u00f5es. Mas s\u00e3o casos isolados e h\u00e1 ainda muito a ser feito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"interacao-com-o-mundo-real-transdisciplinaridade\">Intera\u00e7\u00e3o com o <em>mundo real<\/em> (transdisciplinaridade)<\/h4>\n<p>Um dos efeitos da trajet\u00f3ria de especializa\u00e7\u00e3o da Universidade em departamentos disciplinares \u00e9 tamb\u00e9m a exist\u00eancia, ainda, de poucos espa\u00e7os de intera\u00e7\u00e3o com o chamado \u201cmundo real\u201d, ou seja, com o que acontece fora dos <em>campi<\/em> e para al\u00e9m dos setores naturais de interlocu\u00e7\u00e3o com cada disciplina.<\/p>\n<p>Vale assinalar que o mesmo processo de compartimentaliza\u00e7\u00e3o dos conhecimentos se reproduz no seio das estruturas de tomada de decis\u00e3o p\u00fablica, o que representa um desafio ao enfrentamento de demandas sociais complexas. A organiza\u00e7\u00e3o do aparelho de estado em setores tem\u00e1ticos, que se traduz em minist\u00e9rios e institui\u00e7\u00f5es com responsabilidades tamb\u00e9m tem\u00e1ticas, acaba reproduzindo o mesmo tipo de isolamento (e muitas vezes at\u00e9 de conflitos) entre as miss\u00f5es de cada organismo. Assim, por exemplo, \u00e9 frequente a constata\u00e7\u00e3o de que uma a\u00e7\u00e3o visando a promo\u00e7\u00e3o da agricultura ou a constru\u00e7\u00e3o de uma infraestrutura exponha um conflito de miss\u00f5es com a tamb\u00e9m responsabilidade p\u00fablica de proteger o meio ambiente. Em princ\u00edpio, organismos de governo devem seguir prioridades e diretrizes de planejamento definidas em planos de a\u00e7\u00e3o integrada, mas o fato de que cada um opera segundo suas l\u00f3gicas disciplinares dificulta tal coordena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um departamento de Universidade pode desenvolver um conhecimento que, se aplicado (no sistema produtivo ou em a\u00e7\u00e3o governamental), tende a gerar a necessidade da produ\u00e7\u00e3o de algum \u201cant\u00eddoto cient\u00edfico\u201d no \u00e2mbito de outro departamento. Analogamente, o minist\u00e9rio pode adotar uma pol\u00edtica que implicar\u00e1 a necessidade de a\u00e7\u00e3o corretiva por outro minist\u00e9rio. S\u00e3o jogos de soma negativa, que conspiram contra o bom senso e a racionalidade. Nada mais razo\u00e1vel do que evitar ou reverter este tipo de pr\u00e1tica. Nesse aspecto, a Universidade pode desempenhar um papel estruturante, ao criar espa\u00e7os de intera\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo, n\u00e3o somente entre os diversos campos disciplinares (interdisciplinaridade) que formam sua organiza\u00e7\u00e3o departamental, como tamb\u00e9m reunindo atores de fora do mundo acad\u00eamico (governo, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade e empresas): transdisciplinaridade. Trata-se, aqui, de <em>portais<\/em> que podem devolver \u00e0 Universidade um protagonismo relevante na sociedade. Isso significa ampliar o <em>ethos<\/em> acad\u00eamico, com a inclus\u00e3o do compromisso com resultados e a responsabilidade com os efeitos do uso dos conhecimentos gerados. Vale assinalar que v\u00e1rias universidades j\u00e1 disp\u00f5em de estruturas institucionais de apoio \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de empresas e a\u00e7\u00f5es voltadas a comunidades, na forma de incubadoras de projetos e de empresas, envolvendo iniciativas de estudantes e pesquisadores.<\/p>\n<p>A Figura 2 mostra um esquema de organiza\u00e7\u00e3o da Universidade, com seus departamentos disciplinares, um espa\u00e7o interdisciplinar (<em>hub <\/em>integrador<em>),<\/em> uma incubadora de projetos e de empresas e um portal de interface com o \u201cmundo real\u201d (pesquisas e a\u00e7\u00f5es transdisciplinares).<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-modelo-esquematico-de-organizacao-da-universidade-com-departamentos-disciplinares-um-centro-integrador-hub-interdisciplinar-e-o-portal-para-o-mundo-externo-transdisciplinaridade-font\" style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4277\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura2-300x219.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"364\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura2-300x219.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura2-1024x746.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura2-768x560.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura2-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura2-800x583.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura2-1160x845.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura2.jpg 1441w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<\/strong><strong>Figura 2. Modelo esquem\u00e1tico de organiza\u00e7\u00e3o da Universidade, com departamentos disciplinares, um centro integrador (<em>hub<\/em> interdisciplinar) e o portal para o mundo externo (transdisciplinaridade).<br \/>\n<\/strong>(Fonte: adaptado de Bursztyn e Drummond, 2013)<sup>[15]<\/sup><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-coconstrucao-de-conhecimento\">A coconstru\u00e7\u00e3o de conhecimento&#8230;<\/h4>\n<p>O encadeamento da pesquisa b\u00e1sica com a aplicada, em sintonia com as demandas da sociedade, pressup\u00f5e um conjunto de procedimentos. M\u00e9todos, m\u00e9tricas, conceitos e metalinguagens precisam ser devidamente intelig\u00edveis n\u00e3o apenas entre pesquisadores das diferentes disciplinas, mas tamb\u00e9m pelos demandadores\/usu\u00e1rios do conhecimento gerado. Esse \u00faltimo grupo, na verdade, pode\/deve ser tamb\u00e9m protagonista do processo de constru\u00e7\u00e3o dos saberes.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria das pol\u00edticas p\u00fablicas \u00e9 rica em exemplos de \u201cboas ideias\u201d que fracassaram, pelo simples fato de que foram produzidas de cima para baixo (<em>top down<\/em>), sem a considera\u00e7\u00e3o da sua viabilidade e\/ou aceitabilidade no \u201cmundo real\u201d. Frustra\u00e7\u00f5es nas ci\u00eancias aplicadas, em experimentos de transfer\u00eancia de conhecimentos b\u00e1sicos a decis\u00f5es executivas, t\u00eam levado \u00e0 ado\u00e7\u00e3o do conceito de <em>coconstru\u00e7\u00e3o.<\/em><sup>[16]<\/sup> Trata-se, aqui, de pr\u00e1ticas em que saberes e expectativas de atores n\u00e3o acad\u00eamicos (tanto representantes das popula\u00e7\u00f5es, quanto tomadores de decis\u00f5es p\u00fablicas e privadas) s\u00e3o integrados em todas as etapas da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica: desde a identifica\u00e7\u00e3o do problema, at\u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o das f\u00f3rmulas de enfrentamento, no \u201cmundo real\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 que se ter em conta, ao abordar o tema da coconstru\u00e7\u00e3o de conhecimento, que o sistema tradicional de valida\u00e7\u00e3o e de recompensas pela produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ainda n\u00e3o est\u00e1 devidamente ajustado a pr\u00e1ticas que fogem ao <em>julgamento pelos pares<\/em> e ao escrut\u00ednio de peri\u00f3dicos especializados. Publicar uma cartilha, com a divulga\u00e7\u00e3o dos conhecimentos cient\u00edficos em linguagem acess\u00edvel a n\u00e3o especialistas, n\u00e3o conta muito entre os crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias de fomento ou na pontua\u00e7\u00e3o para a progress\u00e3o funcional no meio acad\u00eamico. Mas pode contribuir bastante para a difus\u00e3o de conhecimentos junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral. \u00c9 nesse sentido que a transdisciplinaridade, praticada por meio de processos de coconstru\u00e7\u00e3o de conhecimentos, traz \u00e0 tona o debate sobre amplia\u00e7\u00e3o dos mecanismos de <em>julgamento por pares<\/em>, introduzindo tamb\u00e9m crit\u00e9rios que considerem a \u201cavalia\u00e7\u00e3o pelos \u00edmpares\u201d, ou seja, por atores de fora do mundo acad\u00eamico.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"um-exemplo-de-hub-interdisciplinar-e-portal-transdisciplinar-possivel\">Um exemplo de <em>hub<\/em> (interdisciplinar) e portal (transdisciplinar) poss\u00edvel<\/h4>\n<p>As evid\u00eancias de que muitos dos grandes problemas atuais n\u00e3o se restringem \u00e0s fronteiras nacionais tem levado a esfor\u00e7os no sentido de se definir agendas globais. Assim foi na constru\u00e7\u00e3o da Agenda 21, assinada por 179 pa\u00edses, em 1992, no Rio de Janeiro. Foi, tamb\u00e9m, o foco dos 8 Objetivos do Mil\u00eanio para 2015, da ONU, em 2000; e, mais recentemente, dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) para 2030. Enfrentar tais desafios requer unir esfor\u00e7os entre na\u00e7\u00f5es, entre setores das sociedades e entre especialistas.<\/p>\n<p><em>Hubs<\/em> acad\u00eamicos t\u00eam surgido nas universidades, principalmente desde os anos 1990, com a cria\u00e7\u00e3o de cursos interdisciplinares, que passaram (no caso do Brasil) a ser objeto de tratamento espec\u00edfico no sistema de credenciamento e avalia\u00e7\u00e3o da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), a partir de 1999.<sup>[17]<\/sup> S\u00e3o espa\u00e7os onde temas complexos, que envolvem a converg\u00eancia de conhecimentos de v\u00e1rios campos cient\u00edficos, s\u00e3o estudados e onde profissionais s\u00e3o formados. Mais recentemente, na Universidade, tem surgido experi\u00eancias pioneiras de portais abertos ao mundo exterior. N\u00e3o se trata, necessariamente, de estruturas f\u00edsicas restritas a um determinado campus. Podem ser redes de pesquisadores de diversas institui\u00e7\u00f5es, com interfaces com atores envolvidos em a\u00e7\u00f5es executivas e aplicadas no mundo real.<sup>[18]<\/sup><\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/redeclima.ccst.inpe.br\/\"><strong>Rede Clima<\/strong><\/a><\/span> (Rede Brasileira de Estudos sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais), estabelecida em 2007, que re\u00fane profissionais de uma ampla gama de institui\u00e7\u00f5es, em diferentes localidades. Por meio de 15 sub-redes tem\u00e1ticas, a Rede Clima tem atuado em apoio \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de estudos e documentos de refer\u00eancia do governo brasileiro, tanto ao n\u00edvel nacional quanto internacional. Um deles foi a 4.\u00aa\u00a0Comunica\u00e7\u00e3o Nacional \u00e0 <em>Conven\u00e7\u00e3o Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidades sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/em> (4\u00aa CN\/UNFCCC), conclu\u00edda em 2020. Ali, grandes temas, como os destacados nos 17 ODS da ONU, e que tem interface com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, foram tratados segundo um procedimento metodol\u00f3gico integrador, desenvolvido pela pr\u00f3pria Rede Clima: a abordagem <em>Nexus+<\/em>.<sup>[19, 20]<\/sup> Apoiado sobre quatro grandes eixos de seguran\u00e7a (h\u00eddrica, energ\u00e9tica, alimentar e socioecol\u00f3gica), o <em>Nexus+<\/em> permitiu a elabora\u00e7\u00e3o da 4\u00aa CN\/UNFCCC a partir de uma abordagem que fugiu \u00e0 cultura anterior e recorrente, de fragmenta\u00e7\u00e3o das an\u00e1lises segundo as especialidades dos seus autores. O resultado foi uma sintonia fina com o universo de pol\u00edticas p\u00fablicas afins, abrindo portas para enfrentamentos mais efetivos dos problemas tratados. A Figura 3 apresenta os 17 ODS, em suas correspond\u00eancias \u00e0s quatro seguran\u00e7as da abordagem <em>Nexus+<\/em> e as contribui\u00e7\u00f5es das 15 sub-redes tem\u00e1ticas que comp\u00f5em a Rede Clima.<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-esquema-que-ilustra-as-relacoes-entre-os-17-ods-os-quatro-eixos-da-abordagem-nexus-e-as-sub-redes-tematicas-da-rede-clima-fonte-elaborado-pelos-autores\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4278\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura3-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura3-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura3-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura3-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura3-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura3-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura3-800x450.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura3-1160x653.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-opiniao-Sustentabilidade-e-reduc\u0327a\u0303o-das-vulnerabilidades-figura3.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Esquema que ilustra as rela\u00e7\u00f5es entre os 17 ODS, os quatro eixos da abordagem Nexus+ e as sub-redes tem\u00e1ticas da Rede Clima.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: elaborado pelos autores)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"conclusao\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Mais do que o j\u00e1 complexo problema da fragmenta\u00e7\u00e3o em disciplinas, que \u00e0s vezes op\u00f5e os universos das ci\u00eancias b\u00e1sicas e aplicadas, \u00e9 preciso tamb\u00e9m enfrentar o fosso que separa \u201co mundo das ci\u00eancias\u201d do \u201cmundo real\u201d. H\u00e1 not\u00e1veis experi\u00eancias em curso pelo mundo afora.<sup>[21]<\/sup> \u00c9 preciso abrir espa\u00e7os para o di\u00e1logo entre as disciplinas e da academia com a sociedade. Sair da zona de conforto de falar apenas para os <em>pares<\/em>, abrindo-se tamb\u00e9m \u00e0s demandas e ao escrut\u00ednio dos <em>\u00edmpares<\/em>, \u00e9 um desafio.<\/p>\n<p>Muitas experi\u00eancias recentes t\u00eam mostrado que o di\u00e1logo e a integra\u00e7\u00e3o de especialistas de diferentes forma\u00e7\u00f5es s\u00e3o poss\u00edveis; e s\u00e3o, tamb\u00e9m, cruciais para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas complexos. O descompasso entre a urg\u00eancia da resolu\u00e7\u00e3o dos grandes desafios da sociedade e, por outro lado, o relativamente lento processo de produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos b\u00e1sicos na fronteira da ci\u00eancia \u00e9 um aspecto a ser levado em conta. Mas h\u00e1 um acervo consider\u00e1vel de saberes dispon\u00edveis, que podem ser aplicados em prazos relativamente curtos. A produ\u00e7\u00e3o de vacinas contra o covid-19 \u00e9 um exemplo eloquente das possibilidades de encurtamento do <em>gap<\/em> entre os <em>timings<\/em> do mundo real e do mundo cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Universidades de ponta no panorama internacional j\u00e1 perceberam a relev\u00e2ncia da cria\u00e7\u00e3o de <em>hubs<\/em> interdisciplinares e portais transdisciplinares e isso tem produzido importantes resultados. No Brasil, esse tipo de pr\u00e1tica e os necess\u00e1rios arranjos institucionais t\u00eam avan\u00e7ado, mas ainda encontram resist\u00eancia em alguns ambientes marcadamente dominados pela cultura e pelas estruturas de decis\u00e3o baseadas na disciplinaridade. \u00c9 hora de repensar isso.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"referencias\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/h5>\n<h6 id=\"1-bursztyn-m-and-purushothaman-s-interdisciplinary-and-transdisciplinary-scholarship-for-a-civilisation-in-distress-questions-for-and-from-the-global-south-global-social-challenges-journal-vo\"><span style=\"color: #808080;\">[1] Bursztyn, M. and Purushothaman, S. Interdisciplinary and transdisciplinary scholarship for a civilisation in distress: Questions for and from the Global South. Global Social Challenges Journal, Vol. 1, pp. 94-114, 2022. https:\/\/bristoluniversitypressdigital.com\/gsc\/view\/journals\/gscj\/1\/1\/article-p94.xml<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"2-nas-facilitating-interdisciplinary-research-committee-on-facilitating-interdisciplinary-research-national-academy-of-sciences-national-academy-of-engineering-institute-of-medicine-1\"><span style=\"color: #808080;\">[2] NAS. Facilitating Interdisciplinary Research. Committee on Facilitating Interdisciplinary Research, National Academy of Sciences, National Academy of Engineering, Institute of Medicine, 1\u2013332. 2004. http:\/\/www.nap.edu\/catalog\/11153.html<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"3-kates-r-w-editor-readings-in-sustainability-science-and-technology-harvard-cid-working-paper-no-213-2010\"><span style=\"color: #808080;\">[3] Kates, R. W. (Editor). Readings in Sustainability Science and Technology. Harvard CID Working Paper No. 213, 2010.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"http-www-hks-harvard-edu-centers-cid-publications-faculty-working-papers-cid-working-paper-no-213\"><span style=\"color: #808080;\">http:\/\/www.hks.harvard.edu\/centers\/cid\/publications\/faculty-working-papers\/cid-working-paper-no.-213<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"4-klein-j-t-interdisciplinarity-history-theory-practice-wayne-state-university-press-detroit-1990\"><span style=\"color: #808080;\">[4] Klein, J. T. Interdisciplinarity: History, Theory &amp; Practice. Wayne State University Press. Detroit 1990.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"5-max-neef-m-a-foundations-of-transdisciplinarity-ecological-economics-num-53-pp-5-16-2005-www-elsevier-com-locate-ecolecon\"><span style=\"color: #808080;\">[5] Max-Neef, M. A. Foundations of transdisciplinarity. Ecological Economics, num. 53, pp. 5-16, 2005. www.elsevier.com\/locate\/ecolecon<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"6-bammer-g-disciplining-interdisciplinarity-integration-and-implementation-sciences-for-researching-complex-real-world-problems-australian-national-university-press-canberra-2013-https-libra\"><span style=\"color: #808080;\">[6] Bammer, G. Disciplining Interdisciplinarity Integration and Implementation Sciences for Researching Complex Real-World Problems. Australian National University Press, Canberra, 2013. https:\/\/library.oapen.org\/viewer\/web\/viewer.html?file=\/bitstream\/handle\/20.500.12657\/33556\/459901.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"7-bronowski-jacob-the-common-sense-of-science-harvard-university-press-cambridge-ma-1978\"><span style=\"color: #808080;\">[7] Bronowski, Jacob. The common sense of science, Harvard University Press, Cambridge \u2013 MA, 1978.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"8-jonas-h-the-imperative-of-responsibility-in-search-of-ethics-for-the-technological-age-university-of-chicago-press-chicago-1984\"><span style=\"color: #808080;\">[8] Jonas, H. The Imperative of Responsibility: In Search of Ethics for the Technological Age. University of Chicago Press, Chicago, 1984.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"9-illich-i-celebration-of-awareness-a-call-for-institutional-revolution-penguin-education-harmondsworth-uk-1973\"><span style=\"color: #808080;\">[9] Illich, I. Celebration of awareness: a call for institutional revolution. Penguin Education, Harmondsworth, UK, 1973.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"10-schumacher-e-f-small-is-beautiful-economics-as-if-people-mattered-harper-row-new-york-1973\"><span style=\"color: #808080;\">[10] Schumacher, E.F. Small is beautiful: economics as if people mattered. Harper &amp; Row, New York, 1973.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"11-sachs-i-ecodesenvolvimento-crescer-sem-destruir-vertice-sa%cc%83o-paulo-1986\"><span style=\"color: #808080;\">[11] Sachs, I. Ecodesenvolvimento: crescer sem destruir. Ve\u0301rtice. Sa\u0303o Paulo, 1986.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"12-morin-e-o-metodo-vida-da-vida-ed-europa-america-cintra-portugal-1980\"><span style=\"color: #808080;\">[12] Morin, E. O M\u00e9todo \u2013 Vida da Vida. Ed. Europa-Am\u00e9rica, Cintra &#8211; Portugal, 1980.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"13-wilson-e-o-consilience-the-unity-of-knowledge-knopf-new-york-1998\"><span style=\"color: #808080;\">[13] Wilson, E. O. Consilience: the unity of knowledge. Knopf, New York, 1998.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"14-prigogine-i-stengers-i-o-fim-das-certezas-tempo-caos-e-as-leis-da-natureza-ed-unesp-sao-paulo-1996\"><span style=\"color: #808080;\">[14] Prigogine, I.; Stengers, I. O Fim das Certezas &#8211; Tempo, Caos e as Leis da Natureza. Ed. UNESP, S\u00e3o Paulo, 1996.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"15-bursztyn-m-drummond-j-sustainability-science-and-the-university-pitfalls-and-bridges-to-interdisciplinarity-environmental-education-research-v-20-p-1-20-2013-https-www-tandfonline\"><span style=\"color: #808080;\">[15] Bursztyn, M.; Drummond, J. Sustainability science and the university: pitfalls and bridges to interdisciplinarity. Environmental Education Research, v. 20, p. 1-20, 2013. https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/13504622.2013.780587<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"16-djenontin-i-n-s-meadow-a-m-the-art-of-co-production-of-knowledge-in-environmental-sciences-and-management-lessons-from-international-practice-environmental-management-616-885\"><span style=\"color: #808080;\">[16] Djenontin, I. N. S.; Meadow, A. M. The art of co-production of knowledge in environmental sciences and management: lessons from international practice. Environmental Management, 61(6), 885\u2013903, 2018. https:\/\/doi.org\/10.1007\/s00267-018-1028-3<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"17-litre-g-lindoso-d-and-bursztyn-m-a-long-and-winding-road-towards-institutionalizing-interdisciplinarity-lessons-from-environmental-and-sustainability-science-programs-in-brazil-in-b-vie\"><span style=\"color: #808080;\">[17] Litre, G., Lindoso, D. and Bursztyn, M. A long and winding road towards institutionalizing interdisciplinarity: lessons from environmental and sustainability science programs in Brazil, in B. Vienni Baptista and J.T. Klein (eds) Institutionalizing Interdisciplinarity and Transdisciplinarity: Collaboration Across Cultures and Communities, Abingdon: Routledge, pp 57\u201371, 2022.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"18-mertens-f-tavora-r-santandreu-a-lujan-a-arroyo-r-saint-charles-j-2022-participacao-e-transdisciplinaridade-em-ecosaude-a-perspectiva-da-analise-de-redes-sociais-saude\"><span style=\"color: #808080;\">[18] Mertens, F., T\u00e1vora, R., Santandreu, A., Luj\u00e1n, A., Arroyo, R., &amp; Saint-Charles, J. (2022). Participa\u00e7\u00e3o e transdisciplinaridade em Ecosa\u00fade: a perspectiva da an\u00e1lise de redes sociais. Sa\u00fade e Sociedade, 31(3), 1\u201312. https:\/\/doi.org\/10.1590\/s0104-12902022190903en<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"19-araujo-m-ometto-j-rodrigues-filho-s-bursztyn-m-lindoso-d-litre-g-gaivizzo-l-ferreira-j-reis-r-assad-e-the-socio-ecological-nexus-approach-used-by-the-brazilia\"><span style=\"color: #808080;\">[19] Araujo, M. ; Ometto, J.; Rodrigues-Filho, S.; Bursztyn, M. ; Lindoso, D.; Litre, G.; Gaivizzo, L. ; Ferreira, J. ; Reis, R. ; Assad, E. . The socio-ecological Nexus+ approach used by the Brazilian Research Network on Global Climate Change. Current Opinion in Environmental Sustainability, v. 39, p. 62-70, 2019.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"20-viggiani-coutinho-s-m-santos-d-v-bursztyn-m-marengo-j-a-rodrigues-filho-s-a-lucena-a-f-p-rodriguez-d-a-maia-s-m-f-the-nexus-approach-applied-to-studies-of-impacts\"><span style=\"color: #808080;\">[20] Viggiani Coutinho, S. M.; Santos, D. V; Bursztyn, M.; Marengo, J. A.; Rodrigues-Filho, S.a; Lucena, A. F. P. ; Rodriguez, D. A.; MAIA, S. M. F.. The Nexus+ approach applied to studies of Impacts, vulnerability and adaptation to climate change in Brazil. Sustainability in Debate, v. 11, num. 3, pp. 24-56, 2020. doi:10.18472\/SustDeb.v11n3.2020.33514<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"21-bammer-g-browne-c-a-ballard-c-et-al-setting-parameters-for-developing-undergraduate-expertise-in-transdisciplinary-problem-solving-at-a-university-wide-scale-a-case-study-humanit-soc-s\"><span style=\"color: #808080;\">[21] Bammer, G., Browne, C.A., Ballard, C. et al. Setting parameters for developing undergraduate expertise in transdisciplinary problem solving at a university-wide scale: a case study. Humanit Soc Sci Commun, vol. 10 &#8211; 208, 2023. https:\/\/doi.org\/10.1057\/s41599-023-01709-8<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"capa-construcao-de-pontes-entre-ciencia-e-sociedade-e-fundamental-para-reducao-das-desigualdades-e-manutencao-do-meio-ambiente-foto-por-marcel-bursztyn\"><strong>Capa. Constru\u00e7\u00e3o de pontes entre ci\u00eancia e sociedade \u00e9 fundamental para redu\u00e7\u00e3o das desigualdades e manuten\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<br \/>\n<\/strong>(Foto por Marcel Bursztyn)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"bursztyn-marcel-e-tavora-renata-sustentabilidade-e-reducao-das-vulnerabilidades-a-necessaria-construcao-de-pontes-entre-as-ciencias-e-a-sociedade-cienc-cult-online\"><span style=\"color: #808080;\">BURSZTYN, Marcel \u00a0e\u00a0 TAVORA, Renata.<span class=\"article-title\">\u00a0Sustentabilidade e redu\u00e7\u00e3o das vulnerabilidades: a necess\u00e1ria constru\u00e7\u00e3o de pontes entre as ci\u00eancias e a sociedade.<\/span><i>\u00a0Cienc. Cult.<\/i>\u00a0[online]. 2023, vol.75, n.2 [citado\u00a0 2023-10-16], pp.01-08. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252023000200014&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230030.<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A necess\u00e1ria constru\u00e7\u00e3o de pontes entre as ci\u00eancias e a sociedade &nbsp;&hellip;\n","protected":false},"author":99,"featured_media":4279,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4273"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/99"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4273"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4273\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4926,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4273\/revisions\/4926"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}