{"id":4286,"date":"2023-06-14T08:00:18","date_gmt":"2023-06-14T08:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4286"},"modified":"2023-10-16T12:31:50","modified_gmt":"2023-10-16T12:31:50","slug":"diversidade-na-ciencia-a-necessidade-de-borrar-fronteiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4286","title":{"rendered":"Diversidade na ci\u00eancia: a necessidade de borrar fronteiras"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"diversidade-e-fundamental-para-trazer-novos-olhares-e-novas-solucoes-para-a-ciencia-e-a-sociedade\" style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #808080;\">Diversidade \u00e9 fundamental para trazer novos olhares \u2013 e novas solu\u00e7\u00f5es \u2013 para a ci\u00eancia e a sociedade<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Olhando a Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia no s\u00e9culo XIX, podemos identificar rela\u00e7\u00f5es entre nomes como George Morton, que prop\u00f4s a Teoria da Inferioridade das Ra\u00e7as, e Charles Darwin, autor da Teoria da Sele\u00e7\u00e3o Natural; e entre Morton e fatos como persegui\u00e7\u00e3o a ind\u00edgenas e a popula\u00e7\u00f5es negras e mesti\u00e7as nas Am\u00e9ricas. Morton, em seu livro \u201c<em>Crania americana\u201d,<\/em><sup>[1]<\/sup> de 1839, exp\u00f4s a teoria de que o cr\u00e2nio caucasiano seria mais avan\u00e7ado do que os de ra\u00e7as (como ele as classificava) mongol, malaia, americana (na qual agrupou cr\u00e2nios de popula\u00e7\u00f5es nativas do continente) e et\u00edope (na qual abrigou cr\u00e2nios de origem africana). E fez isto partindo da medi\u00e7\u00e3o do volume interior de centenas de cr\u00e2nios de diferentes origens. Ao ler o <em>Crania americana<\/em>, Darwin considerou Morton uma autoridade na discuss\u00e3o racial e, em seu livro \u201c<em>A origem das esp\u00e9cies\u201d<\/em> publicado pela primeira vez em 1859, se apoiou na teoria de Morton para tentar explicar a explora\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as n\u00e3o brancas por ra\u00e7as brancas, ainda que sem concordar com a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante mais de um s\u00e9culo, o determinismo biol\u00f3gico sustentou que as diferen\u00e7as sociais e econ\u00f4micas s\u00e3o herdadas. E mais, o chamado racismo cient\u00edfico influenciou \u2013 e influencia \u2013 de forma expl\u00edcita ou subjetiva, o comportamento de grande parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Foi somente em 1981, com o livro \u201c<em>A Falsa Medida do Homem\u201d,<\/em> de Stephen Jay Gould, professor da Universidade de Harvard, que o racismo cient\u00edfico come\u00e7ou a ser desmontado. Nesse trabalho, Gould defende a tese de que, ao longo da hist\u00f3ria da ci\u00eancia, os cientistas que estudavam seres humanos permitiram, com base no pr\u00f3prio preconceito, que suas cren\u00e7as sociais influenciassem suas an\u00e1lises e coleta de dados. Ainda que Gould admitisse que sua vis\u00e3o pol\u00edtica influenciasse sua vis\u00e3o cient\u00edfica de mundo, ele demonstrou n\u00e3o haver rela\u00e7\u00e3o entre as ra\u00e7as e seus n\u00edveis de intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>O determinismo biol\u00f3gico envolve tamb\u00e9m outras facetas: homens seriam mais competentes em atividades cient\u00edficas do que mulheres; popula\u00e7\u00f5es tradicionais n\u00e3o t\u00eam habilidades em ci\u00eancia; popula\u00e7\u00f5es da Europa, dos Estados Unidos, e de alguns pa\u00edses asi\u00e1ticos s\u00e3o mais inteligentes do que popula\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica do Sul e da \u00c1frica. Mas n\u00e3o faltam exemplos que contestam esses dogmas. Em 2018, a rede de televis\u00e3o americana <em>Public Broadcasting Service<\/em>, mais conhecida como PBS, um contraponto \u00e0s grandes redes comerciais que operam no pa\u00eds, publicou uma lista de dez cientistas negros que os professores de ci\u00eancias deveriam conhecer (<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.pbs.org\/education\/blog\/ten-black-scientists-that-science-teachers-should-know-about-and-free-resources\"><em>Ten Black Scientists that Science Teachers Should Know About<\/em><\/a><\/strong><\/span>). Nela constam nomes de homens e mulheres norte-americanos \u2013 alguns identificados como <em>African-American<\/em>, ainda que tenham nascido nos Estados Unidos \u2013 que desenvolveram atividades destacadas de pesquisa cient\u00edfica em diferentes ramos. A lista se inicia com George Washington Carver, um escravo nascido nos anos 1860, que se tornou bot\u00e2nico e professor, e inventou mais de 300 usos para o amendoim. Carter desenvolveu v\u00e1rios m\u00e9todos, incluindo um para evitar o esgotamento do solo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"no-final-do-seculo-xx-alertas-com-relacao-a-mudancas-climaticas-comecaram-a-por-em-questao-a-ciencia-e-o-desenvolvimento-tecnologico-vigente\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cNo final do s\u00e9culo XX, alertas com rela\u00e7\u00e3o a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas come\u00e7aram a p\u00f4r em quest\u00e3o a ci\u00eancia e o desenvolvimento tecnol\u00f3gico vigente.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em 2018, a Revista Galileu publicou uma lista de \u201c23 cientistas negros que enfrentaram o racismo e entraram para a hist\u00f3ria da ci\u00eancia\u201d. Dentre esses, constam o senegal\u00eas L\u00e9opold S\u00e9dar Senghor e cinco brasileiros; todos os demais s\u00e3o estado-unidenses. Os brasileiros Milton Santos e Luiza Bairros j\u00e1 faleceram. Mas S\u00f4nia Guimar\u00e3es, Viviane dos Santos Barbosa e Simone Maia Evaristo, que tamb\u00e9m constam da lista, s\u00e3o provas vivas de que \u00e9 um mito a ci\u00eancia ser branca e masculina.<\/p>\n<p>A paulista <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/elas-estao-vindo-sonia-guimaraes-sobre-mulheres-e-meninas-nas-ciencias\/\">Sonia Guimar\u00e3es<\/a><\/strong><\/span> foi a primeira mulher negra brasileira a se tornar doutora em F\u00edsica e a lecionar no Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica (ITA). Na adolesc\u00eancia, trabalhava para poder pagar um cursinho e prestar vestibular para engenharia civil. Apesar de ser excelente aluna, um de seus professores a orientou a buscar os cursos menos concorridos. Guimar\u00e3es possui uma patente de detectores utilizados em m\u00edsseis para identificar avi\u00f5es em movimento. Em <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sp\/vale-do-paraiba-regiao\/noticia\/primeira-professora-negra-no-ita-sonia-guimaraes-cobra-igualdade-para-mulheres-conservadorismo-ja-nao-e-mais-capaz-de-nos-parar.ghtml\">entrevista<\/a><\/strong><\/span> concedida em 2018, comentou que \u201cmais de 20 anos depois, o n\u00famero de mulheres \u00e9 ainda restrito \u2013 entre os 110 aprovados em 2018 no ITA, apenas sete eram meninas\u201d. E acrescentou: o ITA \u201c\u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o conservadora, masculina e branca&#8230; O conservadorismo pode at\u00e9 desacelerar nosso processo, mas hoje j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais capaz de nos parar\u201d.<\/p>\n<p>A baiana de Salvador <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Viviane_dos_Santos_Barbosa\">Viviane dos Santos Barbosa<\/a><\/strong><\/span> \u00e9 bi\u00f3loga e cursou Qu\u00edmica industrial na Universidade Federal da Bahia (UFBA), mas apenas por dois anos. Em 1990, Barbosa foi para a Holanda estudar engenharia qu\u00edmica e bioqu\u00edmica na <em>Delft<\/em> <em>University of Technology<\/em>, onde concluiu o bacharelado em Engenharia Qu\u00edmica e Bioqu\u00edmica e o Mestrado em Engenharia Qu\u00edmica, com foco em Nanotecnologia. L\u00e1, desenvolveu uma pesquisa com catalisadores que, por meio de uma mistura de pal\u00e1dio e platina, podem ser usados na produ\u00e7\u00e3o de energia alternativa e no controle ambiental, reduzindo emiss\u00f5es de gases t\u00f3xicos. Em 2010, seu trabalho foi apresentado na <em>International Aerosol Conference<\/em>, em Helsink, na Finl\u00e2ndia, e recebeu a premia\u00e7\u00e3o m\u00e1xima entre 800 trabalhos concorrentes.<\/p>\n<p>Simone Maia Evaristo, bi\u00f3loga, mestre em Infec\u00e7\u00e3o HIV\/Aids e especialista em Citologia Cl\u00ednica, \u00e9 um exemplo de mulher negra e cientista que percebe claramente que a ci\u00eancia reflete a vis\u00e3o de mundo do cientista. Ela aponta: \u201cum machista, por exemplo, n\u00e3o consegue incorporar a vis\u00e3o feminina; uma pessoa racista n\u00e3o consegue visualizar a contribui\u00e7\u00e3o de uma pessoa negra. Ela fica no seu mundo, desenvolve seu trabalho e perde a grandiosidade das diferen\u00e7as entre olhares e contribui\u00e7\u00f5es distintas\u201d. E acrescenta \u201cno per\u00edodo da escravid\u00e3o era \u2018normal\u2019 um cientista achar que uma pessoa podia ser escravizada\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"desenvolvimento-da-ciencia-reflete-a-historia-e-vice-versa\"><strong>Desenvolvimento da ci\u00eancia reflete a hist\u00f3ria; e vice-versa <\/strong><\/h4>\n<p>Se nos s\u00e9culos XVIII e XIX houve um grande desenvolvimento cient\u00edfico, com importantes avan\u00e7os na Qu\u00edmica, na F\u00edsica e na Biologia, e com populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia,<sup>[2]<\/sup> o s\u00e9culo XX foi marcado por avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, que caracterizaram a Segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (1850 at\u00e9 o fim da Segunda Guerra Mundial) e a Terceira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, tamb\u00e9m conhecida como Revolu\u00e7\u00e3o Tecno-cient\u00edfica (ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial). Grandes avan\u00e7os cient\u00edficos transformaram o setor produtivo agr\u00edcola e principalmente o industrial. Ap\u00f3s a Segunda Guerra, o processo produtivo foi impulsionado pelo desenvolvimento tecnol\u00f3gico, Alemanha, Fran\u00e7a e Inglaterra perderam a centralidade na ci\u00eancia, e o desenvolvimento cient\u00edfico se espalhou pelo mundo, em particular pelos Estados Unidos, R\u00fassia e Jap\u00e3o. A diversidade de culturas come\u00e7ou a influenciar a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-ciencias-basicas-em-particular-as-ciencias-biologicas-e-as-ciencias-sociais-antropologia-sociologia-e-historia-por-exemplo-se-viram-fortalecidas-por-movimentos-sociais-como-os-movim\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cAs ci\u00eancias b\u00e1sicas, em particular as Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e as Ci\u00eancias Sociais (Antropologia, Sociologia e Hist\u00f3ria, por exemplo), se viram fortalecidas por movimentos sociais, como os movimentos Negro, LGBT (atualmente LGBTQIA+) e Feminista.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, o pensamento global predominante na ci\u00eancia era de que o meio ambiente seria uma fonte inesgot\u00e1vel de recursos e, consequentemente, o aproveitamento dos recursos naturais seria infinito. Todos os ramos das ci\u00eancias b\u00e1sicas e aplicadas contribu\u00edram para isso. Por\u00e9m, no final do s\u00e9culo XX, alertas com rela\u00e7\u00e3o a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas come\u00e7aram a p\u00f4r em quest\u00e3o a ci\u00eancia e o desenvolvimento tecnol\u00f3gico vigente: as temperaturas m\u00e9dias do planeta Terra estavam aumentando, devido \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o do efeito estufa.<sup>[3]<\/sup> Um marco divisor foi a Primeira Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, tamb\u00e9m conhecida como Rio 92 ou Eco-92. A ci\u00eancia e o desenvolvimento apregoado por um seleto grupo masculino, branco e europeu foi posta em xeque. Mas somente 20 anos depois, mais uma vez no Rio de Janeiro, a discuss\u00e3o sobre impactos no clima, inicialmente limitada a percep\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e cient\u00edficas, se estendeu para o contexto muito mais amplo de sustentabilidade<\/p>\n<p>Os movimentos sociais, que surgiram como consequ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial ainda no s\u00e9culo XIX, vinham crescendo pouco a pouco e se viram fortalecidos. Afinal, todos, independentemente de g\u00eanero, cor, op\u00e7\u00e3o sexual e nacionalidade, estavam correndo s\u00e9rios riscos. Portanto, os impactos no ambiente n\u00e3o poderiam ser tratados de forma isolada das quest\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais. E mais: a ci\u00eancia realizada por um seleto grupo (masculino e branco) n\u00e3o estava dando conta de resolver a crise ambiental que se anunciava.<\/p>\n<p>As ci\u00eancias b\u00e1sicas, em particular as Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e as Ci\u00eancias Sociais (Antropologia, Sociologia e Hist\u00f3ria, por exemplo), se viram fortalecidas por movimentos sociais, como os movimentos Negro, LGBT (atualmente LGBTQIA+) e Feminista. E mais, os movimentos visando a inclus\u00e3o de todos permitiram a inclus\u00e3o da cultura e da cosmovis\u00e3o e epistemologia ind\u00edgenas na produ\u00e7\u00e3o de disserta\u00e7\u00f5es, teses e artigos cient\u00edficos; homens negros e mulheres, de todas as origens, passaram a ter acesso ao ensino superior por meio de a\u00e7\u00f5es afirmativas. Pouco a pouco, a diversidade come\u00e7ou a invadir a academia. (Figura1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-a-fundacao-de-amparo-a-pesquisa-do-estado-do-rio-de-janeiro-faperj-e-o-instituto-serrapilheira-divulgaram-em-janeiro-de-2023-um-edital-que-preve-r-102-milhoes-entre-pagamento-de-bolsas\" style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4287\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura1-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura1-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura1-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura1-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura1-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura1.jpg 1562w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<\/strong><strong>Figura 1. A Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e o Instituto Serrapilheira divulgaram em janeiro de 2023 um Edital que prev\u00ea R$ 10,2 milh\u00f5es, entre pagamento de bolsas e investimento, visando apoiar projetos de pesquisa conduzidos por cientistas negros e ind\u00edgenas e promover a diversidade cient\u00edfica.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Raphael Pizzino\/SGCOM\/UFRJ. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"acoes-afirmativas-lutas-conquistas-e-desafios\"><strong>A\u00e7\u00f5es afirmativas: lutas, conquistas e desafios<\/strong><\/h4>\n<p>A\u00e7\u00f5es afirmativas s\u00e3o pol\u00edticas p\u00fablicas focadas em grupos que sofrem discrimina\u00e7\u00e3o (\u00e9tnica, racial, de g\u00eanero, religiosa). Elas t\u00eam por objetivo promover a inclus\u00e3o socioecon\u00f4mica de popula\u00e7\u00f5es historicamente privadas do acesso a oportunidades. A premissa b\u00e1sica de a\u00e7\u00f5es afirmativas \u00e9 promover igualdade de acesso a oportunidades e s\u00e3o particularmente importantes em sociedades desiguais.<\/p>\n<p>Com a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 houve substitui\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas assistencialistas contra a pobreza por uma legisla\u00e7\u00e3o baseada na dignidade da pessoa (o artigo 1\u00ba, inciso III da Carta Magna) e da igualdade (caput do artigo 5\u00ba). E mais, o Pre\u00e2mbulo da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, assegura \u201cdireitos sociais e individuais, a liberdade, a seguran\u00e7a, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justi\u00e7a como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos\u201d; o Cap\u00edtulo VIII inclui os direitos coletivos dos povos ind\u00edgenas e os direitos quilombolas se encontram no Artigo n<sup>\u00ba<\/sup> 68 das Disposi\u00e7\u00f5es Constitucionais Transit\u00f3rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"para-que-a-pesquisa-cientifica-basica-ou-aplicada-se-mantenha-relevante-e-necessario-romper-com-o-antropocentrismo-com-essa-ideia-de-uma-ciencia-que-explora-o-mundo-natureza-para-o-bem-do\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cPara que a pesquisa cient\u00edfica, b\u00e1sica ou aplicada, se mantenha relevante, \u00e9 necess\u00e1rio romper com o antropocentrismo, com essa ideia de uma ci\u00eancia que explora o mundo\/natureza para o bem do humano.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas eram necess\u00e1rias a\u00e7\u00f5es afirmativas efetivas. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) saiu na frente e em 2001, com base na Lei 3.524\/2000 aprovada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), reservou 50% das vagas para estudantes egressos de escolas p\u00fablicas. Em setembro de 2001, a Lei 3.708 da ALERJ estabeleceu a cota m\u00ednima de at\u00e9 40% das vagas dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o da UERJ e da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) para as popula\u00e7\u00f5es negra e parda, incluindo nesta cota m\u00ednima negros e pardos beneficiados pela Lei n\u00ba 3524\/2000. Em 2003, foi a vez da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), que reservou 40% das vagas nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o para candidatos afrodescendentes que cursaram o Ensino M\u00e9dio em escolas p\u00fablicas. Em 2004, a Universidade de Bras\u00edlia (UnB) tornou-se a primeira universidade federal do Brasil a reservar 20% das vagas para negros. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-universidades-se-mobilizaram-para-realizar-acoes-que-contribuisse-para-a-entrada-de-negros-e-indigenas-no-ensino-superior-foto-beto-monteiro-secom-unb-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4288\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura2-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura2-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura2-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura2-1160x774.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura2.jpg 1693w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Universidades se mobilizaram para realizar a\u00e7\u00f5es que contribu\u00edsse para a entrada de negros e ind\u00edgenas no ensino superior.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Beto Monteiro\/Secom UnB. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o havia uma lei que regulamentasse nem tornasse esse tipo de a\u00e7\u00e3o afirmativa uma pol\u00edtica de Estado. E em 2009, o Partido Democratas (DEM), herdeiro do Partido Arena que apoiou o regime militar, entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma Argui\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), para que todos os estabelecimentos de ensino superior suspendessem imediatamente os processos que envolvessem a aplica\u00e7\u00e3o do tema \u201ccotas raciais\u201d para ingresso em universidades. A resposta do STF saiu apenas tr\u00eas anos depois, mas abriu o caminho para a aprova\u00e7\u00e3o da lei 12.711\/2012, conhecida como Lei de Cotas, que instituiu a\u00e7\u00f5es afirmativas para ingresso no ensino superior federal.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"empatia-para-lidar-com-as-diferencas\"><strong>Empatia para lidar com as diferen\u00e7as <\/strong><\/h4>\n<p>Elizabeth Fernandes Macedo, professora titular do Departamento de Estudos Aplicados ao Ensino da UERJ, aponta que \u00e9 preciso reconhecer que a visibilidade que estas comunidades (quilombolas, extrativistas, povos ind\u00edgenas e outras comunidades tradicionais) v\u00eam conquistando, com muita luta pol\u00edtica pelo direito de simplesmente existir, colocou em xeque o universalismo da ci\u00eancia ou do erudito, que se transforma em conte\u00fado escolar. \u201cAo ecoar o grito dessas outras formas de existir no mundo, torna qualquer pretens\u00e3o universalista uma impossibilidade em si\u201d, afirma. \u201cPor outro lado, quando esses grupos sa\u00edram do lugar de silenciamento em que os colocamos por s\u00e9culos, tivemos contato com cosmologias que podem nos ajudar muito a re-entender e re-encantar nossa ci\u00eancia e nossa educa\u00e7\u00e3o. E a\u00ed n\u00e3o se trata de \u2018conte\u00fados\u2019, mas de outras perspectivas onto-epistemol\u00f3gicas, ou seja, uma tentativa de articular epistemologia e ontologia,<sup>[4]<\/sup> sob o argumento de que s\u00e3o mutuamente implicadas\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>Macedo acrescenta que \u201cpensar o mundo de forma relacional, uma novidade na discuss\u00e3o te\u00f3rica ocidental, \u00e9 uma caracter\u00edstica muito forte de cosmologias ind\u00edgenas, de povos da floresta, da cultura negra e quilombola\u201d. Ou seja, para que a pesquisa cient\u00edfica, b\u00e1sica ou aplicada, se mantenha relevante, \u00e9 necess\u00e1rio romper com o antropocentrismo, com essa ideia de uma ci\u00eancia que explora o mundo\/natureza para o bem do humano.<\/p>\n<p>Apesar das viol\u00eancias a que os sujeitos \u201coutrificados pela norma\u201d s\u00e3o submetidos cotidianamente e, desconsiderando os \u00faltimos anos quando houve um desmantelamento das poucas pol\u00edticas que a sociedade brasileira tinha conseguido erigir nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, Macedo considera que temos pol\u00edticas importantes para as popula\u00e7\u00f5es de baixa renda. Mas a desigualdade social no Brasil \u00e9 enorme. Presidente da <em>International Association for the Advancement of Curriculum Studies<\/em>, a pesquisadora aponta que essa desigualdade n\u00e3o \u00e9 apenas social: \u201co Brasil \u00e9 estruturalmente racista, olig\u00e1rquico, machista e homof\u00f3bico. O muito que precisa ser feito n\u00e3o depende apenas de governos, ainda que uma maior representatividade da diversidade da popula\u00e7\u00e3o no sistema pol\u00edtico e jur\u00eddico seja imperativa\u201d. Coordenadora do grupo de pesquisa <em>Curr\u00edculo, cultura e diferen\u00e7a<\/em>, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) ela acrescenta que a centraliza\u00e7\u00e3o curricular, na forma de curr\u00edculos e\/ou de livros\/apostilas, n\u00e3o contribui para a redu\u00e7\u00e3o de desigualdades; testagens nacionais centralizadas tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam se mostrado um instrumento poderoso no sentido de reduzir desigualdades, muitas vezes servindo para cristaliz\u00e1-las.<\/p>\n<p>Simone Evaristo, a partir de sua viv\u00eancia de mulher negra, destaca que quando o cientista n\u00e3o consegue aceitar as diferen\u00e7as, a ci\u00eancia que faz fica baseada nos seus questionamentos dentro daquilo que acredita. Falta-lhe empatia, afirma Evaristo. Ela explica que \u201ca natureza em si \u00e9 diversa para contribuir, embelezar e estimular a cria\u00e7\u00e3o de ideias\u201d. O cientista arrogante, que \u00e9 aquele se sup\u00f5e superior, acha que a sua ideia e a sua perspectiva s\u00e3o absolutas. Com uma vasta experi\u00eancia, Evaristo teve um caminho marcado pela invisibilidade, mas hoje se v\u00ea mais livre: \u201c<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/identidadesnaciencia.fundep.ufmg.br\/simone-evaristo\/\">Eu vejo que a mulher na ci\u00eancia \u00e9 batalhadora. N\u00e3o \u00e9 derrotista! E a minha for\u00e7a vem da paix\u00e3o pelo que eu fa\u00e7o<\/a><\/strong><\/span>\u201d.<\/p>\n<p>Essa for\u00e7a pouco a pouco se faz cada vez mais presente no cotidiano de universidades e centros de pesquisa brasileiros. <span style=\"color: #333333;\">Ailton Alves Lacerda Krenak<\/span>, l\u00edder ind\u00edgena, ambientalista, fil\u00f3sofo, poeta e escritor brasileiro da etnia ind\u00edgena Krenak, professor <em>Honoris Causa<\/em> pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); <span style=\"color: #333333;\">Anita Canavarro Benite<\/span>, professora de qu\u00edmica na Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG) e fundadora do grupo de Estudos sobre a Descoloniza\u00e7\u00e3o do Curr\u00edculo de Ci\u00eancias (CIATA), do Instituto de Qu\u00edmica da UFG, com a proposta de descolonizar o estudo de ci\u00eancias; <span style=\"color: #333333;\">Enedina Alves Marques<\/span> (1913-1942), primeira mulher negra a se formar em engenharia no Brasil; <span style=\"color: #333333;\">Gersem Jos\u00e9 dos Santos Luciano<\/span>, ind\u00edgena do povo Baniwa, de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM), professor do Departamento de Antropologia da UnB, que atua nas \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e diversidade, movimento ind\u00edgena e direitos ind\u00edgenas; Jo\u00e3o dos Santos Vila da Silva, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, com pesquisas na interface Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (TIC) e Geotecnologias; Katemari Diogo da Rosa, professora de F\u00edsica da UFBA, membro da <em>American Association of Physics Teachers<\/em>, da <em>National Organization of Gay and Lesbian Scientists and Technical Professionals<\/em> (NOGLSTP) e da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisadoras\/es Negras\/os (ABPN); e Maria Beatriz do Nascimento (1942-1995), historiadora e ativista no movimento negro, que fez pesquisa independente em quilombos, vistos como sistemas alternativos \u00e0 estrutura escravagista, com continuidade em favelas, particularmente no caso do Rio de Janeiro, s\u00e3o alguns exemplos. (Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-ailton-alves-lacerda-krenak-lider-indigena-ambientalista-filosofo-poeta-e-escritor-brasileiro-da-etnia-indigena-krenak-professor-honoris-causa-pela-universidade-federal-de-juiz-de-fora\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4289\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura3-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura3-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura3-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura3-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura3-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura3-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura3-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Diversidade-na-cie\u0302ncia-figura3.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Ailton Alves Lacerda Krenak, l\u00edder ind\u00edgena, ambientalista, fil\u00f3sofo, poeta e escritor brasileiro da etnia ind\u00edgena Krenak, professor Honoris Causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)<br \/>\n<\/strong>(Foto: Garapa &#8211; Coletivo Multim\u00eddia, <a href=\"http:\/\/www.garapa.org\/\">www.garapa.org<\/a>. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Macedo \u00e9 precisa ao afirmar que \u201cn\u00e3o se trata de juntar ou articular os polos, mas buscar outras formas de conceber nossa rela\u00e7\u00e3o com o mundo, de conceber as rela\u00e7\u00f5es que nos produzem, assim como ao que chamamos de mundo, na defesa da necessidade de borrar as fronteiras entre natureza e cultura; entre homem, mundo natural e m\u00e1quina; entre conhecimento e afetos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Notas<\/strong><\/span><\/h5>\n<h6 id=\"1-crania-americana-or-a-comparative-view-of-the-skulls-of-the-various-aboriginal-nations-of-north-and-south-america-de-samuel-george-morton-1799-1851-disponivel-em-https-www-biodiversityl\"><span style=\"color: #808080;\">[1] Crania Americana: or a Comparative View of the Skulls of the Various Aboriginal Nations of North and South America, de Samuel George Morton (1799-1851). Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/www.biodiversitylibrary.org\/bibliography\/51431&gt;.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"2-todos-os-1-250-exemplares-da-primeira-edicao-de-sobre-a-origem-das-especies-por-meio-da-selecao-natural-ou-a-preservacao-de-racas-favorecidas-na-luta-pela-vida-de-charles-darwin-foram-vendidos-n\"><span style=\"color: #808080;\">[2] Todos os 1.250 exemplares da primeira edi\u00e7\u00e3o de Sobre a origem das esp\u00e9cies por meio da sele\u00e7\u00e3o natural ou a preserva\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as favorecidas na luta pela vida, de Charles Darwin, foram vendidos no dia de seu lan\u00e7amento em 24 de novembro de 1859. O t\u00edtulo foi reduzido para A Origem das Esp\u00e9cies, na 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada em 1872. Fonte: J. E. Domingues, Ensinar Hist\u00f3ria. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ensinarhistoria.com.br\/linha-do-tempo\/lancada-a-origem-especies-charles-darwin\/<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"3-trata-se-de-um-fenomeno-natural-responsavel-pela-manutencao-do-calor-na-terra-mas-que-vem-apresentando-uma-maior-intensidade-em-razao-da-poluicao-do-ar-resultante-das-praticas-humanas-a-descobert\"><span style=\"color: #808080;\">[3] Trata-se de um fen\u00f4meno natural respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o do calor na Terra, mas que vem apresentando uma maior intensidade em raz\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o do ar resultante das pr\u00e1ticas humanas A descoberta do efeito estufa envolve quatro cientistas europeus: o matem\u00e1tico e f\u00edsico franc\u00eas Jean-Baptiste Joseph Fourier (1768-1830), o f\u00edsico brit\u00e2nico John Tyndall (1821-1893), o meteorologista sueco Nils Gustaf Ekholm (1848-1923) e o qu\u00edmico sueco Svante Arrhenius (1859-1927).<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"4-a-ontologia-tem-sido-tradicionalmente-um-ramo-da-filosofia-que-trata-do-problema-do-ser-e-da-realidade-a-epistemologia-tem-por-objeto-o-processo-de-conhecimento-do-sujeito-suas-fontes-e-suas-f\"><span style=\"color: #808080;\">[4] A ontologia tem sido, tradicionalmente, um ramo da filosofia que trata do problema do ser e da realidade. A epistemologia tem por objeto o processo de conhecimento do sujeito, suas fontes e suas formas de produzir conhecimento cient\u00edfico. (Masson, G., 2022. 10.5212\/PraxEduc.v.17.20169.059).<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"capa-lutas-sociais-e-politicas-publicas-contribuiram-para-diversificar-o-perfil-da-universidade-brasileira-imagem-de-rawpixel-com-no-freepik\"><strong>Capa. Lutas sociais e pol\u00edticas p\u00fablicas contribu\u00edram para diversificar o perfil da universidade brasileira.<br \/>\n<\/strong>(Imagem de rawpixel.com no Freepik)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"assad-leonor-diversidade-na-ciencia-a-necessidade-de-borrar-fronteiras-diversidade-e-fundamental-para-trazer-novos-olhares-e-novas-solucoes-para-a-ciencia-e-a-sociedade\"><span style=\"color: #808080;\">ASSAD, Leonor.<span class=\"article-title\">\u00a0Diversidade na ci\u00eancia: a necessidade de borrar fronteiras: diversidade \u00e9 fundamental para trazer novos olhares &#8211; e novas solu\u00e7\u00f5es &#8211; para a ci\u00eancia e a sociedade.<\/span><i>\u00a0Cienc. Cult.<\/i>\u00a0[online]. 2023, vol.75, n.2 [citado\u00a0 2023-10-16], pp.01-06. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252023000200012&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230028.<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Diversidade \u00e9 fundamental para trazer novos olhares \u2013 e novas solu\u00e7\u00f5es \u2013&hellip;\n","protected":false},"author":9,"featured_media":4290,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4286"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4286"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4286\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4924,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4286\/revisions\/4924"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4290"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}