{"id":4294,"date":"2023-06-14T07:59:16","date_gmt":"2023-06-14T07:59:16","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4294"},"modified":"2023-10-16T12:30:21","modified_gmt":"2023-10-16T12:30:21","slug":"fronteiras-borradas-quando-a-ciencia-basica-encontra-a-realidade-social-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4294","title":{"rendered":"Quando a ci\u00eancia b\u00e1sica encontra a realidade social brasileira"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"quando-as-disciplinas-da-ciencia-basica-saem-dos-laboratorios-seus-contornos-tornam-se-porosos-pela-forca-da-transdisciplinaridade-e-de-novas-perspectivas-coletivas-que-atravessam-os-campos-da-educac\"><span style=\"color: #808080;\">Quando as disciplinas da ci\u00eancia b\u00e1sica saem dos laborat\u00f3rios, seus contornos tornam-se porosos pela for\u00e7a da transdisciplinaridade e de novas perspectivas coletivas que atravessam os campos da educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e meio ambiente.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Produto primeiro da curiosidade humana, chave para a compreens\u00e3o do mundo, acervo do conhecimento para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. S\u00e3o v\u00e1rias as po\u00e9ticas utilizadas ao se dissertar sobre as ci\u00eancias b\u00e1sicas. Essa forma de classificar e compartimentar o conhecimento cient\u00edfico est\u00e1 no centro dos debates do Ano Internacional das Ci\u00eancias B\u00e1sicas para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (IYBSSD 2022, na sigla em ingl\u00eas). A proposta foi lan\u00e7ada por Michel Spiro, presidente da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/council.science\/pt\/member\/international-union-of-pure-and-applied-physics-iupap\/\"><strong>Uni\u00e3o Internacional de F\u00edsica Pura e Aplicada<\/strong><\/a><\/span> (IUPAP) e abra\u00e7ada pela <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\"><strong>Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/strong><\/a><\/span> (ONU) e pela <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unesco.org\/pt\"><strong>Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura<\/strong><\/a><\/span> (Unesco), embalando uma vasta agenda de atividades desde seu lan\u00e7amento, em 8 de julho de 2022, at\u00e9 julho deste ano.<\/p>\n<p>As ci\u00eancias b\u00e1sicas, contudo, t\u00eam suas fronteiras borradas quando convergem e encontram com as viv\u00eancias da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade e do meio ambiente diretamente impactados pela realidade social de um pa\u00eds de renda m\u00e9dia e grande desigualdade como o Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-ciencias-basicas-na-escola-da-organizacao-gradual-e-seriada-a-complexa-e-ininterrupta-integracao-do-conhecimento\"><strong>As ci\u00eancias b\u00e1sicas na escola: da organiza\u00e7\u00e3o gradual e seriada \u00e0 complexa e ininterrupta integra\u00e7\u00e3o do conhecimento <\/strong><\/h4>\n<p>Gal\u00e1xias consideradas as mais antigas do universo s\u00e3o descobertas pela emiss\u00e3o de luz e radia\u00e7\u00e3o captadas por super telesc\u00f3pios; prote\u00ednas terap\u00eauticas s\u00e3o ativadas por meio de vacinas feitas com material gen\u00e9tico e complexos modelos de linguagem em Intelig\u00eancia Artificial (IA) tornam-se acess\u00edveis em telefones celulares. Ainda \u00e9 v\u00e1lido explicar e ensinar esse complexo mundo a partir da separa\u00e7\u00e3o dos conhecimentos de base l\u00f3gica, apoiados na ideia de <em>physis<\/em>, dos pragm\u00e1ticos, orientados pela ideia de <em>techne<\/em>?<\/p>\n<p>Naomar de Almeida Filho, professor do Instituto de Sa\u00fade Coletiva da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"Universidade%2520Federal%2520da%2520Bahia\"><strong>Universidade Federal da Bahia<\/strong><\/a><\/span> (UFBA), v\u00ea nessa distin\u00e7\u00e3o as marcas hist\u00f3ricas da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, de uma vis\u00e3o processual fatiada e linear da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho e do mundo, que al\u00e9m de n\u00e3o representar mais o conhecimento contempor\u00e2neo, impacta negativamente a educa\u00e7\u00e3o ao manter uma antiga ideia de complexifica\u00e7\u00e3o gradual, na qual \u00e9 preciso ensinar o mais simples primeiro para que o complexo venha somente numa etapa posterior. \u201cIsto traz um desafio de como formar sujeitos capazes de pensar na complexidade e exp\u00f5e uma certa mitologia, uma aplica\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o linear como se fosse necess\u00e1rio \u00e0s disciplinas serem tratadas em separado para depois se somarem. S\u00f3 que n\u00e3o tem um depois, pois a integra\u00e7\u00e3o do conhecimento acontece o tempo inteiro\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"isto-traz-um-desafio-de-como-formar-sujeitos-capazes-de-pensar-na-complexidade-e-expoe-uma-certa-mitologia-uma-aplicacao-da-visao-linear-como-se-fosse-necessario-as-disciplinas-serem-tratada\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cIsto traz um desafio de como formar sujeitos capazes de pensar na complexidade e exp\u00f5e uma certa mitologia, uma aplica\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o linear como se fosse necess\u00e1rio \u00e0s disciplinas serem tratadas em separado para depois se somarem. S\u00f3 que n\u00e3o tem um depois, pois a integra\u00e7\u00e3o do conhecimento acontece o tempo inteiro.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O titular da C\u00e1tedra de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica da USP localiza no arcabou\u00e7o educacional brasileiro a origem dessa vis\u00e3o linear, num desenho curricular cujas mat\u00e9rias do ensino fundamental passam a se organizar em \u00e1reas no ensino m\u00e9dio. Na universidade, quando seria esperado um novo olhar sobre a especializa\u00e7\u00e3o do conhecimento para a forma\u00e7\u00e3o profissional, o mesmo processo reticulado e fragmentado \u00e9 novamente reapresentado em cadeiras seriadas, presentes na maioria dos curr\u00edculos dos cursos superiores. \u201cO curioso a se pensar \u00e9 que, pelo menos na organiza\u00e7\u00e3o curricular atualmente vigente no Brasil, \u00e9 justamente na educa\u00e7\u00e3o infantil em que se aplica essa indiferencia\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o pensamento da complexidade, quando se estimula um pensamento mais rico e sofisticado\u201d, refor\u00e7a Almeida Filho.<\/p>\n<p>Essa sofistica\u00e7\u00e3o e riqueza do pensamento cient\u00edfico, para Adriana Mohr, professora do Departamento de Metodologia de Ensino e Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"Universidade%2520Federal%2520de%2520Santa%2520Catarina\"><strong>Universidade Federal de Santa Catarina<\/strong><\/a><\/span> (UFSC), acontece quando os estudantes s\u00e3o apresentados a problemas, sejam eles cotidianos, pr\u00e1ticos ou abstratos, e que, para solucion\u00e1-los, consigam ir al\u00e9m das fronteiras disciplinares, transformando informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em conhecimento. \u201cO central \u00e9 fazer o conhecimento significativo para aquele grupo de alunos e problematiz\u00e1-lo. Ao trabalhar com problema de um esgoto em frente \u00e0 rua, por exemplo, poder pensar esse mesmo esgoto e transform\u00e1-lo num modelo do mundo microbiano, num problema intelectual para os alunos, e assim discutir o que s\u00e3o microrganismos e articular outros conhecimentos, como compreender a distribui\u00e7\u00e3o territorial da cidade pelas redes pluviais. \u00c9 pensar num problema intelectual para al\u00e9m do operativo\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisadora destaca que essa articula\u00e7\u00e3o est\u00e1 na base do papel primeiro das ci\u00eancias na forma\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os mais cr\u00edticos e precisa dialogar com as realidades e a diversidades do ambiente escolar. \u201cEnt\u00e3o, qu\u00edmica, f\u00edsica e biologia, assim como geografia e hist\u00f3ria precisam ser trabalhadas no contexto da escola, onde se encontram sujeitos distintos, um ambiente muito rico em termos de diversidade, com crian\u00e7as, jovens e adultos com outras expectativas, com outras realidades\u201d, completa Mohr.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"as-ciencias-basicas-na-saude-e-no-meio-ambiente-coletividade-e-solidariedade-na-producao-de-novos-sentidos-para-a-sociedade\"><strong>As ci\u00eancias b\u00e1sicas na sa\u00fade e no meio ambiente: coletividade e solidariedade na produ\u00e7\u00e3o de novos sentidos para a sociedade<\/strong><\/h4>\n<p>Os conhecimentos em sa\u00fade e em meio ambiente quando em contexto social tamb\u00e9m exigem uma ci\u00eancia que queira ser mais do que b\u00e1sica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"quimica-fisica-e-biologia-assim-como-geografia-e-historia-precisam-ser-trabalhadas-no-contexto-da-escola-onde-se-encontram-sujeitos-distintos-um-ambiente-muito-rico-em-termos-de-diversid\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cQu\u00edmica, f\u00edsica e biologia, assim como geografia e hist\u00f3ria, precisam ser trabalhadas no contexto da escola, onde se encontram sujeitos distintos, um ambiente muito rico em termos de diversidade, com crian\u00e7as, jovens e adultos com outras expectativas, com outras realidades.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Yeimi Alzate L\u00f3pez, antrop\u00f3loga sanitarista e docente do Instituto de Sa\u00fade Coletiva da UFBA, coordena o Construindo Comunidades Saud\u00e1veis. O projeto de pesquisa em sa\u00fade e ambiente \u00e9 integrado ao Periferias em Todos os Cantos (PETOC), articula\u00e7\u00e3o interdisciplinar e intradisciplinar de diversos projeto de extens\u00e3o liderados pela UFBA e presente nas comunidades soteropolitanas. Ela e sua equipe realizam um trabalho h\u00e1 mais de cinco anos em duas localidades que, por meio de metodologias como mapeamento colaborativo, cartografia afetiva, memorial comunit\u00e1rio e inqu\u00e9rito sorol\u00f3gico conseguem produzir dados cient\u00edficos consistentes e debater conceitos b\u00e1sicos da biologia e da sa\u00fade, como no\u00e7\u00f5es como risco, preven\u00e7\u00e3o, vetor e transmiss\u00e3o de doen\u00e7as infecciosas como a leptospirose. \u201cConseguimos ampliar a vis\u00e3o e perceber que, mesmo falando de sa\u00fade e ambiente, a gente ficava correndo atr\u00e1s da doen\u00e7a. No entanto, as comunidades t\u00eam outras quest\u00f5es relacionadas \u00e0 sa\u00fade que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente as doen\u00e7as, que s\u00e3o importantes e est\u00e3o ligadas aos processos de vulnerabiliza\u00e7\u00e3o, \u00e0s quest\u00f5es das desigualdades sociais e da forma\u00e7\u00e3o das periferias\u201d. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-projeto-de-pesquisa-em-saude-e-ambiente-construindo-comunidades-saudaveis-integrado-ao-periferias-em-todos-os-cantos-petocfoto-nana-moraes-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4297\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura1-300x212.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"354\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura1-300x212.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura1-1024x725.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura1-768x544.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura1-1536x1087.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura1-800x566.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura1-1160x821.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Projeto de pesquisa em sa\u00fade e ambiente Construindo Comunidades Saud\u00e1veis, integrado ao Periferias em Todos os Cantos (PETOC)<br \/>\n<\/strong>(Foto: Nana Moraes. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por motivos alheios \u00e0 pandemia, mas sincr\u00f4nicos a ela, as comunidades Alto do Cabrito e Pau da Lima foram escolhidas para um aprofundado de pesquisa participante com os princ\u00edpios freireanos, envolvendo todas as ci\u00eancias, incluindo as mais duras, como epidemiologia e ecologia. A mudan\u00e7a provocou um embate s\u00e9rio nas rela\u00e7\u00f5es entre as disciplinas, e todos os participantes, de pesquisadores a mobilizadores comunit\u00e1rios, tiveram de fazer treinamentos e viv\u00eancias em Educa\u00e7\u00e3o Popular em Sa\u00fade. Para L\u00f3pez, foi a partir dessas escolhas e tens\u00f5es que os \u201ccliques\u201d sobre as melhores formas de se debater ci\u00eancia aconteceram. \u201cN\u00e3o adianta ficar empurrando conte\u00fado, por exemplo, se uma quest\u00e3o \u00e9 da ci\u00eancia b\u00e1sica, pois assim n\u00e3o v\u00e3o ter interesse. Quando a gente falava de mapeamento colaborativo, parecia uma coisa de brincadeira, isso j\u00e1 despertou o olhar. Depois, a gente explicou que aquilo era uma t\u00e9cnica de pesquisa, que eles estavam sendo pesquisadores com a gente, entrevistando as pessoas da comunidade, tornou-se uma brincadeira legal e foram chamando outros jovens. \u00c9 uma forma de as pessoas voltarem a ter um sonho da ci\u00eancia, porque a ci\u00eancia foi ficando excludente, a educa\u00e7\u00e3o foi ficando distante de muitas realidades. Ent\u00e3o, as pessoas j\u00e1 n\u00e3o sonham mais com a ci\u00eancia\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Trazer as experi\u00eancias da comunidade para o debate da ci\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 um movimento vivenciado nas a\u00e7\u00f5es em meio ambiente, como aponta Celso S\u00e1nchez, atual presidente da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"Associa%25C3%25A7%25C3%25A3o%2520Brasileira%2520de%2520Pesquisa%2520em%2520Educa%25C3%25A7%25C3%25A3o%2520em%2520Ci%25C3%25AAncias\"><strong>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisa em Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias<\/strong><\/a><\/span> (Abrapec). Bi\u00f3logo de forma\u00e7\u00e3o e doutor em educa\u00e7\u00e3o e com atua\u00e7\u00e3o nas tem\u00e1ticas do meio ambiente, o pesquisador vai al\u00e9m e reivindica uma mudan\u00e7a de compreens\u00e3o epist\u00eamica e de protocolos nos processos metodol\u00f3gicos da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica para uma ampla participa\u00e7\u00e3o de quilombolas, lideran\u00e7as comunit\u00e1rias, ind\u00edgenas e movimentos sociais como integrantes de copesquisa, coautoria, colabora\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o das bancas. \u201cIsso significa uma mudan\u00e7a paradigm\u00e1tica bastante significativa. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, n\u00e3o \u00e9 um projeto simples, mas estou absolutamente convencido de que \u00e9 fundamental, se a gente quiser de fato fazer com que a ci\u00eancia b\u00e1sica seja um espa\u00e7o de reverbera\u00e7\u00e3o e de sentido\u201d, defende S\u00e1nchez. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-quilombolas-liderancas-comunitarias-indigenas-e-movimentos-sociais-devem-ter-ampla-participacao-como-integrantes-de-copesquisa-coautoria-colaboracao-e-composicao-das-bancas-foto-emers\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4298\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura2-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura2-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura2-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura2-768x461.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura2-1536x921.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura2-800x480.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura2-1160x696.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/CC-2E23-reportagem-Fronteiras-borradas-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Quilombolas, lideran\u00e7as comunit\u00e1rias, ind\u00edgenas e movimentos sociais devem ter ampla participa\u00e7\u00e3o como integrantes de copesquisa, coautoria, colabora\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o das bancas.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Emerson Silva \/ Governo do Tocantins. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Independentemente da radicalidade da proposta, o que Yeimi Lop\u00e9z e Celso S\u00e1nchez sinalizam \u00e9 a centralidade de uma perspectiva transdisciplinar e coletiva \u2013 para al\u00e9m dos tradicionais pares \u2013 no fazer cient\u00edfico. Esta forma de compreens\u00e3o vai em dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria ao individualismo e empreendedorismo hegem\u00f4nicos, como analisa Naomar de Almeida Filho. \u201cA inter-transdisciplinaridade \u00e9 o grande desafio e precisa ser tratada como uma estrat\u00e9gia de transversalidade. As discuss\u00f5es sobre essa forma de envolver os conhecimentos s\u00e3o debatidas no campo da educa\u00e7\u00e3o como se fossem uma refer\u00eancia meramente individual. S\u00f3 que essa interpreta\u00e7\u00e3o tem a premissa equivocada, de que a promo\u00e7\u00e3o de uma pr\u00e1tica inter-transdisciplinar trata de uma s\u00edntese individual, enquanto essa \u00e9 uma premissa que precisa articular as ideias de coletivo e solidariedade\u201d, refor\u00e7a, defendendo a incorpora\u00e7\u00e3o de tais pr\u00e1ticas como a ideia de ci\u00eancia, entendida como um modo de produzir conhecimento, dentre v\u00e1rios outros, e n\u00e3o como um conjunto maior ou menor de conte\u00fados e conclus\u00f5es estanques e segmentados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-comunidades-tem-outras-questoes-relacionadas-a-saude-que-nao-sao-necessariamente-as-doencas-que-sao-importantes-e-estao-ligadas-aos-processos-de-vulnerabilizacao-as-questoes-das-desigual\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cAs comunidades t\u00eam outras quest\u00f5es relacionadas \u00e0 sa\u00fade que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente as doen\u00e7as, que s\u00e3o importantes e est\u00e3o ligadas aos processos de vulnerabiliza\u00e7\u00e3o, \u00e0s quest\u00f5es das desigualdades sociais e da forma\u00e7\u00e3o das periferias.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para que o conhecimento cient\u00edfico produza sentido para a sociedade, faz-se necess\u00e1ria a supera\u00e7\u00e3o das divis\u00f5es tradicionais do conhecimento, entre b\u00e1sicas e aplicadas, ou duras e leves, ou exatas, agr\u00e1rias, da natureza e humanidades. Acima de todas as segmenta\u00e7\u00f5es, precisamos de uma ci\u00eancia cidad\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-um-dos-objetivos-do-ano-internacional-da-ciencia-basica-para-o-desenvolvimento-sustentavel-e-promover-a-educacao-e-a-formacao-cientifica-foto-divulgacao-agencia-brasil\"><strong>Capa. Um dos objetivos do Ano Internacional da Ci\u00eancia B\u00e1sica para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel \u00e9 promover a educa\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"dias-bruno-cesar-fronteiras-borradas-quando-a-ciencia-basica-encontra-a-realidade-social-brasileira-quando-as-disciplinas-da-ciencia-basica-saem-dos-laboratorios-seus-contornos-tornam-se-por\"><span style=\"color: #808080;\">DIAS, Bruno Cesar.<span class=\"article-title\">\u00a0Fronteiras borradas: quando a ci\u00eancia b\u00e1sica encontra a realidade social brasileira: quando as disciplinas da ci\u00eancia b\u00e1sica saem dos laborat\u00f3rios, seus contornos tornam-se porosos pela for\u00e7a da transdisciplinaridade e de novas perspectivas coletivas que atravessam os campos da educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e meio ambiente.<\/span><i>\u00a0Cienc. Cult.<\/i>\u00a0[online]. 2023, vol.75, n.2 [citado\u00a0 2023-10-16], pp.01-04. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252023000200010&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230026.<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando as disciplinas da ci\u00eancia b\u00e1sica saem dos laborat\u00f3rios, seus contornos tornam-se&hellip;\n","protected":false},"author":101,"featured_media":4299,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4294"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4294"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4294\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4922,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4294\/revisions\/4922"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}