{"id":4309,"date":"2023-06-15T07:30:19","date_gmt":"2023-06-15T07:30:19","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4309"},"modified":"2023-06-15T10:13:40","modified_gmt":"2023-06-15T10:13:40","slug":"abreugrafia-o-exame-que-salvou-milhares-de-vida-da-tuberculose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4309","title":{"rendered":"Abreugrafia: o exame que salvou milhares de vidas da tuberculose"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"invencao-do-exame-rendeu-ao-medico-brasileiro-manoel-dias-de-abreu-tres-indicacoes-ao-premio-nobel\"><span style=\"color: #808080;\">Inven\u00e7\u00e3o do exame rendeu ao m\u00e9dico brasileiro Manoel Dias de Abreu tr\u00eas indica\u00e7\u00f5es ao Pr\u00eamio Nobel<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A abreugrafia \u00e9 um exame de pulm\u00e3o que come\u00e7ou a ser desenvolvido h\u00e1 100 anos e revolucionou o diagn\u00f3stico e o tratamento da tuberculose. E foi inventada por um brasileiro: Manoel Dias de Abreu.<\/p>\n<p>Em 1922, a cidade do Rio de Janeiro estava assolada por uma terr\u00edvel epidemia de tuberculose. Ali\u00e1s, entre o final do s\u00e9culo 19 e in\u00edcio do s\u00e9culo 20, a doen\u00e7a era a maior respons\u00e1vel pela mortalidade na capital carioca. Ap\u00f3s trabalhar por sete anos como m\u00e9dico em Paris, o m\u00e9dico paulista se deparou com um cen\u00e1rio assombroso ao voltar ao pa\u00eds. Abreu come\u00e7ou a trabalhar nos hospitais Rio de Janeiro e n\u00e3o demorou para perceber que os doentes chegavam j\u00e1 em estado grave, quando o tratamento e o isolamento eram in\u00fateis para conter a morte iminente. Isso refor\u00e7ou sua cren\u00e7a de que o controle da tuberculose s\u00f3 seria poss\u00edvel por meio do diagn\u00f3stico em massa da popula\u00e7\u00e3o. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-manoel-dias-de-abreudivulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4310\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abreugrafia-1-208x300.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abreugrafia-1-208x300.jpg 208w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abreugrafia-1-8x12.jpg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abreugrafia-1.jpg 693w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Manoel Dias de Abreu<br \/>\n<\/strong>(Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Frente a esse cen\u00e1rio, Abreu come\u00e7ou a desenvolver uma t\u00e9cnica de diagn\u00f3stico precoce de tuberculose de uso amplo e baixo custo no antigo Hospital Alem\u00e3o, onde chefiava o servi\u00e7o de radiologia. Os engenheiros da Casa Lohner, uma subsidi\u00e1ria da\u00a0<em>Siemens<\/em>\u00a0no Rio de Janeiro, constru\u00edram os primeiros aparelhos a partir de desenhos do pr\u00f3prio m\u00e9dico. Combinando as t\u00e9cnicas de radiologia e de fotografia, a m\u00e1quina emitia um feixe de raios-X, que sensibilizava uma tela que se tornava fluorescente e produzia uma imagem vis\u00edvel a olho nu, captada por uma c\u00e2mera fotogr\u00e1fica. O que diferia a nova t\u00e9cnica da radiografia \u00e9 que uma radiografia depende da fonte de raios-X, uma radia\u00e7\u00e3o altamente penetrante, mas que \u00e9 menos ou mais absorvida dependendo do tecido humano sobre o qual incide. O m\u00e9todo de Abreu tamb\u00e9m utilizava\u00a0raios-x, por\u00e9m a imagem era gerada em uma tela de material fluorescente, que fazia parte do aparelho, e era fotografada da mesma forma que se fotografa uma paisagem qualquer.\u00a0Al\u00e9m disso, a radiografia registrava a imagem em um filme de 30 x 40 cm, enquanto a nova t\u00e9cnica fazia o registro em filmes de 35 mm &#8211; bem mais baratos.<\/p>\n<p>Apesar da menor dimens\u00e3o do filme, o registro era plenamente eficaz para o diagn\u00f3stico. O m\u00e9todo se provou sens\u00edvel, com especificidade razo\u00e1vel e de baixo custo operacional. Al\u00e9m disso,\u00a0era um m\u00e9todo port\u00e1til, o\u00a0que permitia a realiza\u00e7\u00e3o de um grande n\u00famero de exames em um curto espa\u00e7o de tempo.<\/p>\n<p>Assim, Abreu conseguiu em 1936 as primeiras imagens n\u00edtidas que permitiram ver sinais de tuberculose ainda n\u00e3o detectados por outras t\u00e9cnicas de diagn\u00f3stico. Em apenas duas semanas de uso, o primeiro aparelho, instalado em um centro de sa\u00fade do Rio de Janeiro, foi usado para examinar 758 pessoas e detectou 44 com les\u00f5es pulmonares.\u00a0O novo m\u00e9todo permitiu o diagn\u00f3stico e o tratamento precoce de pessoas com tuberculose que, embora sem sintomas, poderiam transmitir a doen\u00e7a para outras, desse modo ajudando a conter a dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, controlada efetivamente com o uso de antibi\u00f3ticos a partir da d\u00e9cada de 1950.\u00a0(Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-pacientes-realizando-abreugrafia-imagem-revista-brasileira-de-tuberculose-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4311\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abreugrafia-2-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abreugrafia-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abreugrafia-2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abreugrafia-2-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abreugrafia-2-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abreugrafia-2-800x450.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abreugrafia-2-1160x653.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abreugrafia-2.jpg 1477w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Pacientes realizando abreugrafia.<br \/>\n<\/strong>(Imagem: Revista Brasileira de Tuberculose. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica, por ser simples, de baixo custo e permitir a identifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de sinais de c\u00e2ncer e doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o, rapidamente se disseminou e foi incorporada pelos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade do Brasil e de outros pa\u00edses. A pequena foto passou a fazer parte de uma carteirinha, que podia ser apresentada onde fosse necess\u00e1rio (como matr\u00edcula escolar ou registro de emprego).<\/p>\n<p>Chamado pelo pr\u00f3prio Abreu de roentgenfotografia, o novo m\u00e9todo ganhou o nome oficial de abreugrafia em 1939, como decis\u00e3o un\u00e2nime dos m\u00e9dicos que participaram do I Congresso Nacional de Tuberculose. Por seu trabalho, Abreu foi indicado tr\u00eas vezes ao Pr\u00eamio Nobel: em 1946, 1951 e 1953, mas n\u00e3o levou o pr\u00eamio. O uso intensivo da t\u00e9cnica foi criticado e limitado com o tempo, at\u00e9 que a exig\u00eancia da abreugrafia para matr\u00edcula escolar e emprego foi abolida no fim da d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-aparelho-usado-para-fazer-abreugrafiaimagem-revista-brasileira-de-tuberculose-reproducao\"><strong>Capa. Aparelho usado para fazer abreugrafia<br \/>\n<\/strong>(Imagem: Revista Brasileira de Tuberculose. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Inven\u00e7\u00e3o do exame rendeu ao m\u00e9dico brasileiro Manoel Dias de Abreu tr\u00eas&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":4312,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4309"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4309"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4309\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4315,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4309\/revisions\/4315"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4312"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}