{"id":4321,"date":"2023-06-22T07:30:32","date_gmt":"2023-06-22T07:30:32","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4321"},"modified":"2025-11-25T11:42:10","modified_gmt":"2025-11-25T11:42:10","slug":"temos-que-pensar-juntos-para-que-possamos-tracar-uma-trajetoria-futura-de-um-brasil-que-seja-viavel-economicamente-e-mais-justo-socialmente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4321","title":{"rendered":"\u201cTemos que pensar juntos para que possamos tra\u00e7ar uma trajet\u00f3ria futura de um Brasil que seja vi\u00e1vel economicamente e mais justo socialmente\u201d"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"confira-entrevista-com-paulo-artaxo-professor-do-instituto-de-fisica-da-usp-e-vice-presidente-da-sbpc\"><span style=\"color: #808080;\">Confira entrevista com Paulo Artaxo, professor do Instituto de F\u00edsica da USP e vice-presidente da SBPC<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O planeta est\u00e1 ficando mais quente. Com isso, eventos clim\u00e1ticos extremos se tornar\u00e3o cada vez mais frequentes. \u00c9 s\u00f3 acompanhar os notici\u00e1rios: regi\u00f5es batendo recordes de chuvas por um lado, Estados com secas mais longas por outro, al\u00e9m de inunda\u00e7\u00f5es, ciclones, desertifica\u00e7\u00e3o&#8230; \u201cAs mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o mais uma coisa do futuro: elas est\u00e3o conosco aqui hoje no presente\u201d, afirma Paulo Artaxo, professor do\u00a0Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo\u00a0(USP) e vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC). Para o pesquisador, que tamb\u00e9m \u00e9 membro do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) da ONU, o Brasil est\u00e1 caminhando para um aumento m\u00e9dio de temperatura de 4\u00b0C, podendo chegar a 5,5 \u00b0C no Brasil Central, com uma redu\u00e7\u00e3o de chuvas de 30%. Esse cen\u00e1rio far\u00e1 com que \u00e1reas onde hoje s\u00e3o produzidas\u00a0soja\u00a0e\u00a0carne\u00a0possam n\u00e3o ter mais condi\u00e7\u00f5es de produzir competitivamente daqui a 20 ou 30 anos. \u201cEnt\u00e3o um Brasil que dependa demasiado da produ\u00e7\u00e3o de soja e carne pode n\u00e3o ser um Brasil t\u00e3o vi\u00e1vel no futuro quanto ele \u00e9 hoje\u201d, afirma. Artaxo ainda aponta que muitos dos danos causados pelo homem no meio ambiente s\u00e3o irrevers\u00edveis: \u201cquando voc\u00ea destr\u00f3i 500 km\u00b2 de floresta amaz\u00f4nica, mesmo que voc\u00ea abandone aquela terra, ela nunca vai recuperar a vitalidade original que tinha\u201d, ressalta. Mas tamb\u00e9m afirma que a sociedade e o governo devem trabalhar juntos para minimizar esse impacto e tornar o Brasil mais vi\u00e1vel economicamente e mais justo socialmente. \u201cDependendo das nossas a\u00e7\u00f5es hoje, n\u00f3s podemos minimizar os danos para a gera\u00e7\u00e3o futura\u201d. <\/em><\/p>\n<p><em>Confira a entrevista completa!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura &#8211; Estamos no <a href=\"http:\/\/portal.sbpcnet.org.br\/ano-internacional-das-ciencias-basicas\/\"><span style=\"color: #800000;\">Ano internacional da Ci\u00eancia B\u00e1sica para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel<\/span><\/a>, definido pela ONU e pela Unesco para valorizar a ci\u00eancia b\u00e1sica. Por que h\u00e1 essa diferencia\u00e7\u00e3o e essa necessidade de se dar mais import\u00e2ncia \u00e0 ci\u00eancia b\u00e1sica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Artaxo &#8211;\u00a0<\/strong>Eu n\u00e3o fa\u00e7a uma distin\u00e7\u00e3o t\u00e3o \u201cpreto no branco\u201d entre ci\u00eancias b\u00e1sicas e ci\u00eancias aplicadas. Todas as componentes cient\u00edficas t\u00eam uma parcela de ci\u00eancias b\u00e1sicas e uma parcela de ci\u00eancias aplicadas. Temos que equilibrar esse discurso dicot\u00f4mico, porque que na realidade n\u00e3o existe essa dicotomia. Toda ci\u00eancia b\u00e1sica tem aplica\u00e7\u00f5es na nossa sociedade. Essas aplica\u00e7\u00f5es podem n\u00e3o ser t\u00e3o vis\u00edveis facilmente numa primeira abordagem, mas certamente s\u00e3o essenciais e podem ter aplica\u00e7\u00f5es no futuro. Existem v\u00e1rios exemplos na hist\u00f3ria da ci\u00eancia e essa quest\u00e3o \u00e9 muito clara. Einstein, quando bolou a teoria da relatividade, por exemplo, n\u00e3o imaginaria as aplica\u00e7\u00f5es que ter\u00edamos hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-atual-sistema-socioeconomico-aumenta-as-desigualdades-nao-so-economicas-mas-tambem-questoes-como-acesso-a-agua-e-a-alimentacao\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cO atual sistema socioecon\u00f4mico aumenta as desigualdades n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f4micas, mas tamb\u00e9m quest\u00f5es como acesso \u00e0 \u00e1gua e \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Temos ci\u00eancia b\u00e1sica suficiente para alcan\u00e7ar os ODS? <\/strong><\/p>\n<p><strong>PA \u2013 <\/strong>Em primeiro lugar, temos que ter em mente que o Brasil n\u00e3o est\u00e1 isolado de um cen\u00e1rio internacional e, do ponto de vista de um cen\u00e1rio internacional, n\u00f3s estamos muito longe de atingir os 17 <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/sdgs\">Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel<\/a><\/strong><\/span> (ODS). Por exemplo, o ODS 1 \u00e9 a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e o que n\u00f3s vemos \u00e9 o contr\u00e1rio: estamos aumentando a renda dos bilion\u00e1rios e diminuindo a renda da popula\u00e7\u00e3o mais pobre. O atual sistema socioecon\u00f4mico aumenta as desigualdades n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f4micas, mas tamb\u00e9m quest\u00f5es como acesso \u00e0 \u00e1gua e \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. O Brasil hoje tem mais de 30 milh\u00f5es de pessoas que passam fome. E n\u00f3s n\u00e3o estamos isolados: h\u00e1 muitos pa\u00edses que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o ainda mais dram\u00e1tica do que o Brasil. Ent\u00e3o n\u00f3s precisamos acelerar esse processo de atingir os 17 ODS o mais r\u00e1pido poss\u00edvel se quisermos construir uma sociedade mais justa. O Brasil \u00e9 um dos signat\u00e1rios formais das conven\u00e7\u00f5es que cuidam da sustentabilidade do nosso planeta, n\u00e3o s\u00f3 do <strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/88191-acordo-de-paris-sobre-o-clima\">Acordo de Paris<\/a><\/span>,<\/strong> mas da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/91863-agenda-2030-para-o-desenvolvimento-sustent%C3%A1vel\">Agenda 2030<\/a><\/strong><\/span>. N\u00f3s temos que retomar essa agenda e isso \u00e9 um esfor\u00e7o de toda sociedade, n\u00e3o s\u00f3 do governo federal. Isso tem que ser um esfor\u00e7o das ind\u00fastrias, da sociedade civil, dos sistema judici\u00e1rio, legislativo e executivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2013 O atual sistema econ\u00f4mico \u00e9 um dos desafios que precisam ser enfrentados para se atingir os ODS?<\/strong><\/p>\n<p><strong>PA &#8211; <\/strong>O atual sistema econ\u00f4mico \u00e9 insustent\u00e1vel. O <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.weforum.org\/\">F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial<\/a><\/strong> <\/span>que se re\u00fane em Davos (Su\u00ed\u00e7a) todo in\u00edcio do ano deixa isso muito claro: ou mudamos o atual sistema econ\u00f4mico global, ou mudamos o atual sistema econ\u00f4mico global. N\u00f3s temos essas duas alternativas. Isso \u00e9 fundamental porque o atual sistema \u00e9 baseado na explora\u00e7\u00e3o cada vez maior do trabalho barato, dos recursos naturais (que est\u00e3o chegando ao m\u00e1ximo poss\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o, veja a Amaz\u00f4nia), e assim por diante. Ent\u00e3o n\u00f3s temos que mudar esse sistema econ\u00f4mico. O grande problema \u00e9: mudar para qual o sistema? Ningu\u00e9m tem uma solu\u00e7\u00e3o no bolso do colete pronta. Ao mesmo tempo, n\u00f3s temos que sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o em geral do quanto que o sistema econ\u00f4mico atual \u00e9 injusto para com os mais pobres e o quanto ele \u00e9 insustent\u00e1vel para o planeta, mesmo a curto prazo. Esse novo modelo de sistema socioecon\u00f4mico ter\u00e1 que ser constru\u00eddo pela sociedade como um todo. Quem det\u00e9m o capital hoje vai fazer todo o poss\u00edvel para n\u00e3o perder os privil\u00e9gios \u2013 \u00e9 s\u00f3 ver o que temos vivido no Brasil quando se fala de aumentar o sal\u00e1rio m\u00ednimo e certos grupos come\u00e7am a \u201cespernear\u201d, dizendo que isso vai levar o pa\u00eds \u00e0 fal\u00eancia. \u00c9 claro que isso n\u00e3o vai acontecer. Isso faz parte de um jogo para continuar um sistema superinjusto de explora\u00e7\u00e3o dos mais pobres que n\u00f3s temos no Brasil e isso que vai ter que ser mudado a partir da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"so-com-a-popularizacao-da-ciencia-e-com-a-educacao-como-um-todo-nos-vamos-poder-construir-um-brasil-melhor\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cS\u00f3 com a populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e com a educa\u00e7\u00e3o como um todo n\u00f3s vamos poder construir um Brasil melhor.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2013 Nesse caso, o acesso ao conhecimento, especialmente ao conhecimento cient\u00edfico, poderia contribuir para essa sensibiliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>PA &#8211; <\/strong>A gente v\u00ea uma preocupa\u00e7\u00e3o cada vez maior dos cientistas em fazer com que a sua ci\u00eancia chegue na popula\u00e7\u00e3o. Isso a 10 ou 15 anos atr\u00e1s era muito menos importante do que \u00e9 hoje, quando vemos muita gente trabalhando na divulga\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, fazendo a ci\u00eancia chegar ontem ela tem que chegar. N\u00e3o \u00e9 um trabalho f\u00e1cil, n\u00e3o \u00e9 um trabalho trivial, mas vemos muitas iniciativas nessa dire\u00e7\u00e3o. A pr\u00f3pria <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"Sociedade%20Brasileira%20para%20o%20Progresso%20da%20Ci%25C3%25AAncia\">Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia<\/a><\/strong> <\/span>(SBPC) e a <strong><a href=\"http:\/\/www.abc.org.br\/\"><span style=\"color: #800000;\">Academia Brasileira de Ci\u00eancias<\/span><\/a><\/strong> (ABC) trabalham muito nessa dire\u00e7\u00e3o, acreditando que \u00e9 s\u00f3 com a populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e com a educa\u00e7\u00e3o como um todo n\u00f3s vamos poder construir um Brasil melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; \u00c9 poss\u00edvel abordar consci\u00eancia ambiental em sala de aula?<\/strong><\/p>\n<p><strong>PA &#8211; <\/strong>Isso \u00e9 poss\u00edvel desde o ensino fundamental at\u00e9 o ensino superior. Na verdade, n\u00f3s temos que trabalhar e muito pela melhoria da qualidade do ensino no Brasil em geral, e particularmente no ensino mais fundamental. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 fazer o ensino chegar a todas as crian\u00e7as, mas \u00e9 fazer o ensino chegar de uma maneira melhor, ensinando essas crian\u00e7as sobre quem \u00e9 que manda hoje no nosso governo, na nossa economia, na sa\u00fade, na educa\u00e7\u00e3o, e deixando claro que o atual modelo tem que ser modificado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-que-observamos-claramente-e-que-muitos-dos-danos-sao-irreversiveis-agora-dependendo-das-nossas-acoes-hoje-nos-podemos-minimizar-os-danos-para-a-geracao-futura\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cO que observamos claramente \u00e9 que muitos dos danos s\u00e3o irrevers\u00edveis. Agora, dependendo das nossas a\u00e7\u00f5es hoje, n\u00f3s podemos minimizar os danos para a gera\u00e7\u00e3o futura.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; \u00c9 poss\u00edvel reverter os danos causados \u00e0 camada de oz\u00f4nio, \u00e0s florestas, etc.?<\/strong><\/p>\n<p><strong>PA &#8211; <\/strong>Alguns danos s\u00e3o irrevers\u00edveis. Alguns danos n\u00e3o t\u00eam volta. Por exemplo, quando voc\u00ea derrete o gelo que est\u00e1 na Groenl\u00e2ndia a milh\u00f5es de anos e esse gelo vira \u00e1gua e aumenta o n\u00edvel do mar, a ci\u00eancia n\u00e3o conhece nenhuma maneira de reverter esse processo. Quando voc\u00ea destr\u00f3i 500 km\u00b2 de floresta amaz\u00f4nica, mesmo que voc\u00ea abandone aquela terra, ela nunca vai recuperar a vitalidade original que tinha. Ent\u00e3o, o que observamos claramente \u00e9 que muitos dos danos s\u00e3o irrevers\u00edveis. Agora, dependendo das nossas a\u00e7\u00f5es hoje, n\u00f3s podemos minimizar os danos para a gera\u00e7\u00e3o futura. Isso \u00e9 feito reduzindo o m\u00e1ximo poss\u00edvel, e o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e construindo uma sociedade muito mais justa e muito mais eficiente no uso dos recursos naturais, no uso de energia, mais sustent\u00e1vel a m\u00e9dio e longo prazo. Esse \u00e9 o caminho que temos que seguir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; As a\u00e7\u00f5es de governos e da ci\u00eancia s\u00e3o urgentes para enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u00c9 poss\u00edvel consolidar uma base cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica para o uso sustent\u00e1vel das florestas tropicais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>PA &#8211; <\/strong>J\u00e1 existem in\u00fameros exemplos nesse sentido. Por exemplo, no caso da Amaz\u00f4nia \u00e9 poss\u00edvel sim usar os recursos naturais sem destru\u00ed-los. Na verdade, destruir esses recursos naturais \u00e9 um crime de lesa-p\u00e1tria que vai impactar e muito a atual gera\u00e7\u00e3o de brasileiros. Porque as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o mais uma coisa do futuro: elas est\u00e3o conosco aqui hoje no presente. Mas o Brasil \u00e9 muito mais do que Amaz\u00f4nia. O Brasil tem tamb\u00e9m que pensar como vamos nos adaptar \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, por exemplo, nas nossas \u00e1reas costeiras, com aumento do n\u00edvel do mar. N\u00f3s temos que pensar, com a redu\u00e7\u00e3o da chuva no Nordeste, como falaremos da condi\u00e7\u00e3o de vida para milh\u00f5es de brasileiros que vivem hoje na regi\u00e3o. A economia brasileira \u00e9 baseada no agroneg\u00f3cio e o agroneg\u00f3cio no Brasil Central vai se tornar muito mais dependente de \u00e1gua. Mas a precipita\u00e7\u00e3o est\u00e1 diminuindo no Brasil Central como resultado das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Ent\u00e3o o Brasil que dependa demasiado da produ\u00e7\u00e3o de soja e carne pode n\u00e3o ser um Brasil t\u00e3o vi\u00e1vel no futuro quanto ele \u00e9 hoje. S\u00e3o quest\u00f5es urgentes que temos que resolver como sociedade como um todo. N\u00f3s temos que pensar em todos esses aspectos e pensar juntos \u2013 a sociedade, o governo, as ind\u00fastrias \u2013 para que possamos tra\u00e7ar uma trajet\u00f3ria futura de um Brasil que seja vi\u00e1vel economicamente e mais justo socialmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Confira entrevista com Paulo Artaxo, professor do Instituto de F\u00edsica da USP&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":4689,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,864],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4321"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4321"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4321\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4326,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4321\/revisions\/4326"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4689"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}