{"id":4384,"date":"2023-08-07T08:00:04","date_gmt":"2023-08-07T08:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4384"},"modified":"2023-10-16T12:34:49","modified_gmt":"2023-10-16T12:34:49","slug":"saude-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-no-contexto-latino-americano-atual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4384","title":{"rendered":"Sa\u00fade coletiva, desenvolvimento e qualidade de vida no contexto latino-americano atual"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"a-saude-ambiental-animal-e-humana-estao-interligadas-e-precisam-ser-consideradas-em-conjunto-na-busca-de-solucoes-para-os-problemas-atuais\"><span style=\"color: #808080;\">A sa\u00fade ambiental, animal e humana est\u00e3o interligadas e precisam ser consideradas em conjunto na busca de solu\u00e7\u00f5es para os problemas atuais.<\/span><\/h4>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h4 id=\"introducao\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Nos pa\u00edses latino-americanos, compartilhamos de algumas caracter\u00edsticas fundamentais: na maioria deles existe uma desigualdade flagrante, nossas democracias s\u00e3o jovens e t\u00eam algumas fragilidades institucionais, e todos fomos marcados de alguma forma pela viol\u00eancia colonizadora.<\/p>\n<p>Nossas d\u00edvidas n\u00e3o s\u00e3o exclusivamente financeiras (sejam elas externas ou com as elites internas), mas s\u00e3o tamb\u00e9m d\u00edvidas sociais. Precisamos incrementar a inclus\u00e3o social na regi\u00e3o e diminuir as inequidades. Precisamos um modelo de desenvolvimento que seja tamb\u00e9m inclusivo, respeitoso das diferen\u00e7as e que n\u00e3o agrida o meio ambiente.<\/p>\n<p>No campo da Sa\u00fade Coletiva, que \u00e9 ao mesmo tempo um campo de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, de interven\u00e7\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e de produ\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, essas caracter\u00edsticas t\u00eam um impacto importante. Nunes <sup>[1]<\/sup> afirmava que a Sa\u00fade Coletiva possui uma tr\u00edplice dimens\u00e3o: como corrente de pensamento, como movimento social e como pr\u00e1tica te\u00f3rica.<\/p>\n<p>Atravessamos um s\u00e9culo XXI marcado pelo aquecimento global, recentemente submetido a uma crise pand\u00eamica provocada pela covid-19 e a uma agudiza\u00e7\u00e3o dos movimentos migrat\u00f3rios (que a guerra europeia s\u00f3 nos permite imaginar que se agravar\u00e1).<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que a ideia de &#8220;uma s\u00f3 sa\u00fade&#8221; (<em>One Health<\/em>)<sup>[2,3,4]<\/sup> come\u00e7ou a ser defendida na sa\u00fade p\u00fablica mundial. O que esse conceito significa? Que a sa\u00fade ambiental, animal e humana est\u00e3o inevitavelmente interligadas e que n\u00e3o haver\u00e1 solu\u00e7\u00e3o isolada para nenhuma delas.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-trajetoria-da-saude-publica\"><strong>A trajet\u00f3ria da Sa\u00fade P\u00fablica<\/strong><\/h4>\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria, houve mudan\u00e7as importantes na concep\u00e7\u00e3o sobre a produ\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as.<sup>[5,6]<\/sup> Na antiguidade, as doen\u00e7as significavam problemas com os deuses. Em <em>\u201cAres, \u00e1guas e lugares\u201d<\/em> de Hip\u00f3crates j\u00e1 apareciam essas quest\u00f5es. Os gregos utilizavam essas ideias para escolher a localiza\u00e7\u00e3o das novas cidades. A Higeia (higiene) teria sido uma das filhas de Escul\u00e1pio, sendo a outra a Panaceia. Nesse marco paradigm\u00e1tico, a produ\u00e7\u00e3o de sa\u00fade dependeria de realizar agrados aos deuses: jejuns, sacrif\u00edcios, rezas, respeito de regras e interdi\u00e7\u00f5es alimentares, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"precisamos-incrementar-a-inclusao-social-na-regiao-e-diminuir-as-inequidades-precisamos-um-modelo-de-desenvolvimento-que-seja-tambem-inclusivo-respeitoso-das-diferencas-e-que-nao-agrida-o-m\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cPrecisamos incrementar a inclus\u00e3o social na regi\u00e3o e diminuir as inequidades. Precisamos um modelo de desenvolvimento que seja tamb\u00e9m inclusivo, respeitoso das diferen\u00e7as e que n\u00e3o agrida o meio ambiente.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa teoria demi\u00fargica dos povos antigos pressupunha interven\u00e7\u00f5es coletivas e individuais. Rituais coletivos, obedi\u00eancia individual. Ainda que nos pare\u00e7a uma teoria antiga e superada, tem sido reavivada na atualidade em alguns ambientes de fanatismo religioso.<\/p>\n<p>Com a industrializa\u00e7\u00e3o europeia, grandes parcelas da popula\u00e7\u00e3o na Inglaterra e outros pa\u00edses passaram a viver em condi\u00e7\u00f5es de vida miser\u00e1veis. As cidades n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de moradia, \u00e1gua, esgoto. As doen\u00e7as come\u00e7aram a ser relacionadas a problemas com miasmas e com os pobres. Acreditava-se que os efl\u00favios e fedores contaminavam os humores do corpo. Assim, deram-se as condi\u00e7\u00f5es para que uma teoria errada desse certo, e em v\u00e1rios pa\u00edses come\u00e7aram a se implantar medidas de sa\u00fade p\u00fablica vinculadas ao saneamento e \u00e0 higiene. Chadwick em Londres, Virchow na Alemanha, socialistas ut\u00f3picos na Fran\u00e7a promoveram verdadeiras revolu\u00e7\u00f5es urbanas em prol da preven\u00e7\u00e3o das epidemias e doen\u00e7as.<sup>[7]<\/sup> Os registros de \u00f3bitos e doen\u00e7as \u2013 e, junto com eles, a estat\u00edstica &#8211; tiveram nessa \u00e9poca seu grande impulso.<sup>[8]<\/sup> Dir\u00edamos, ent\u00e3o, que a produ\u00e7\u00e3o de sa\u00fade teve um modelo assistencial urban\u00edstico, com interven\u00e7\u00f5es efetuadas fora do setor sa\u00fade. Essa trajet\u00f3ria permite afirmar que a sa\u00fade p\u00fablica nasceu sem grande rela\u00e7\u00e3o com a medicina e j\u00e1 portadora de uma contradi\u00e7\u00e3o fundamental: entre controle sanit\u00e1rio e higi\u00eanico das popula\u00e7\u00f5es e as reivindica\u00e7\u00f5es de direito humanit\u00e1rio. Essas tens\u00f5es s\u00e3o constitutivas do campo da sa\u00fade p\u00fablica e at\u00e9 hoje n\u00e3o est\u00e3o resolvidas.<\/p>\n<p>Em 1876, o artigo de Koch sobre o antraz marcou a entrada e o reconhecimento da era microbiana. Essas descobertas deram nascimento \u00e0 parasitologia e \u00e0 bacteriologia. Suas interven\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas (ainda antes do reconhecimento cient\u00edfico de sua rela\u00e7\u00e3o causal com as doen\u00e7as) foram incorporadas ao mundo da produ\u00e7\u00e3o industrial alimentar na Fran\u00e7a e na Alemanha. O desabrochar da teoria dos germes deu grande impulso a teoria da unicausalidade (um germe &#8211; uma doen\u00e7a). Nascia assim uma esperan\u00e7a iluminista: a de que a produ\u00e7\u00e3o de sa\u00fade dependeria da descoberta dos agentes etiol\u00f3gicos e de agentes terap\u00eauticos ou de procedimentos que evitassem a contamina\u00e7\u00e3o. Vacinas, elimina\u00e7\u00e3o de vetores, bloqueios de focos etc. desde finais do s\u00e9culo XIX e ao longo do s\u00e9culo XX se constitu\u00edram em grandes avan\u00e7os. A sa\u00fade p\u00fablica se vinculava cada vez mais \u00e0 medicina (preventiva) e a cl\u00ednica ganhou destaque. A descoberta das bact\u00e9rias trouxe nova for\u00e7a a ideia de uma autoridade p\u00fablica encarregada de zelar pelo bem-estar da comunidade (campanhas, a\u00e7\u00f5es compuls\u00f3rias: vacinas). (Figura1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-edward-jenner-1749-1823-aplicando-a-primeira-vacina-contra-a-variola-em-james-phipps-vacinas-eliminacao-de-vetores-bloqueios-de-focos-etc-desde-finais-do-seculo-xix-e-ao-longo-do-sec\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4386\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura1-300x212.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"354\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura1-300x212.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura1-1024x725.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura1-768x544.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura1-1536x1087.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura1-800x566.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura1-1160x821.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Edward Jenner (1749-1823), aplicando a primeira vacina contra a var\u00edola em James Phipps. Vacinas, elimina\u00e7\u00e3o de vetores, bloqueios de focos, etc. desde finais do s\u00e9culo XIX e ao longo do s\u00e9culo XX se constitu\u00edram em grandes avan\u00e7os<br \/>\n<\/strong>(Imagem: \u00d3leo sobre tela por Ernes Board, Dea Picture Library. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1965 Leavell, H. &amp; Clark E. G.<sup>[9]<\/sup> elaboram a teoria da multicausalidade. O modelo ecol\u00f3gico por eles apresentado trata das doen\u00e7as como processo. A \u201chist\u00f3ria natural do processo de sa\u00fade-doen\u00e7a\u201d estabeleceu os per\u00edodos de pr\u00e9-patog\u00eanese e de patog\u00eanese. Tamb\u00e9m se apresenta nesse modelo a tr\u00edade ecol\u00f3gica, que destaca a relev\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o entre agente, hospedeiro e ambiente para que se desenvolva uma doen\u00e7a. Surgem dali tamb\u00e9m os conceitos de preven\u00e7\u00e3o primeira, segunda e terceira. A cl\u00ednica (diagn\u00f3stico e terap\u00eautica) seria, ent\u00e3o, uma forma de preven\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria.<\/p>\n<p>Cada uma dessas teorias causais produziu formas de intervir para evitar doen\u00e7as, interven\u00e7\u00f5es que abrangiam tanto o plano do individual quanto o coletivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-saude-coletiva-e-uma-criacao-brasileira-nascida-no-final-dos-anos-1970-no-marco-de-um-contexto-latino-americano-que-se-encontrava-em-ebulicao-e-fervilhante-e-que-tratava-das-questoes-soci\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cA Sa\u00fade Coletiva \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o brasileira, nascida no final dos anos 1970, no marco de um contexto latino-americano que se encontrava em ebuli\u00e7\u00e3o e fervilhante e que tratava das quest\u00f5es sociais associadas \u00e0 sa\u00fade por meio do que se chamava de \u2018medicina social\u2019.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais recentemente, nos anos 1990, no mundo anglo-sax\u00e3o, cunhou-se a express\u00e3o <em>Syndemic approach <\/em><sup>[10,11]<\/sup> para se referir ao estudo dos agravos que as rela\u00e7\u00f5es entre v\u00e1rias infe\u00e7\u00f5es concomitantes, as rela\u00e7\u00f5es entre doen\u00e7as e ambiente social ou as rela\u00e7\u00f5es entre condi\u00e7\u00f5es psicossociais e doen\u00e7as podem implicar nas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. Essas intera\u00e7\u00f5es adversas, segundo alguns autores, v\u00e3o al\u00e9m das j\u00e1 muito conhecidas comorbilidade ou multi-morbidade, pois a abordagem sind\u00eamica pretende focar e aprofundar as rela\u00e7\u00f5es desses agravos com o ambiente e a piora das condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade das comunidades. A abordagem sind\u00eamica prega o estudo exaustivo do ambiente e das rela\u00e7\u00f5es sociais em diferentes agrupamentos e busca melhorar a efic\u00e1cia dos tratamentos e reduzir os custos das interven\u00e7\u00f5es.<sup>[12]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cIssues such as global warming, environmental degradation, global health disparities, human rights violations, structural violence, and wars exacerbate syndemics with damaging impacts on global health. A syndemic understanding of disease is now gaining recognition in the public and global health research spheres.<sup>[i]<\/sup>\u201d<\/em><sup>[<\/sup><sup>11]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma abordagem sem d\u00favida mais complexa que a da sa\u00fade p\u00fablica cl\u00e1ssica, e que teve r\u00e1pida aceita\u00e7\u00e3o no nosso meio. Mas, chama a aten\u00e7\u00e3o \u2013 quase como uma forma de neocolonialismo \u2013 que n\u00f3s latino-americanos devamos esperar que venha do Norte um modelo explicativo funcionalista, que apenas engatinha em dire\u00e7\u00e3o ao que desenvolvemos na regi\u00e3o desde os anos 1970 do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-medicina-social-latino-americana-e-a-saude-coletiva-brasileira\"><strong>A medicina social latino-americana e a sa\u00fade coletiva brasileira<\/strong><\/h4>\n<p>Qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre a Sa\u00fade Coletiva brasileira e a Sa\u00fade P\u00fablica cl\u00e1ssica mundial? A Sa\u00fade Coletiva \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o brasileira, nascida no final dos anos 1970, no marco de um contexto latino-americano que se encontrava em ebuli\u00e7\u00e3o e fervilhante e que tratava das quest\u00f5es sociais associadas \u00e0 sa\u00fade por meio do que se chamava de \u201cmedicina social\u201d.<sup>[1]<\/sup><\/p>\n<p>A Medicina Social latino-americana centrou suas an\u00e1lises na desigualdade do sistema social vigente (determinada pela macroestrutura produtiva), chamando a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade \u00e9tica e pol\u00edtica de mudar as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o como principal determinante do processo de sa\u00fade-doen\u00e7a. Claramente ancorada no estrutural marxismo, essa argumenta\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica se renova na atualidade em tempos de aquecimento global.<\/p>\n<p>Nesse marco disciplinar da medicina social latino-americana, as desigualdades foram apontadas n\u00e3o somente como produtoras de doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m como obst\u00e1culo para a recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Assim, o acesso \u00e0 aten\u00e7\u00e3o, \u00e0 qualidade de assist\u00eancia, e as formas que assume \u2013 ou n\u00e3o \u2013 a pol\u00edtica p\u00fablica passaram a se constituir em objeto de estudo e preocupa\u00e7\u00e3o. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-as-desigualdades-sociais-sao-nao-apenas-produtoras-de-doenca-como-tambem-obstaculo-para-a-recuperacao-da-saude-imagem-nailana-thiely-ascom-uepa-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4387\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura2-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura2-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura2-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura2-768x431.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura2-1536x863.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura2-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura2-800x449.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura2-1160x652.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><strong style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, 'Helvetica Neue', Arial, 'Noto Sans', sans-serif, 'Apple Color Emoji', 'Segoe UI Emoji', 'Segoe UI Symbol', 'Noto Color Emoji';\">Figura 2. As desigualdades sociais s\u00e3o n\u00e3o apenas produtoras de doen\u00e7a, como tamb\u00e9m obst\u00e1culo para a recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.<br \/>\n<\/strong><span style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, 'Helvetica Neue', Arial, 'Noto Sans', sans-serif, 'Apple Color Emoji', 'Segoe UI Emoji', 'Segoe UI Symbol', 'Noto Color Emoji';\">(Imagem: Nailana Thiely\/ Ascom UEPA. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para alguns autores, a singular articula\u00e7\u00e3o entre elabora\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e o engajamento na constru\u00e7\u00e3o do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) s\u00e3o caracter\u00edsticas <em>sui generis<\/em> da Sa\u00fade Coletiva brasileira.<sup>[13]<\/sup><\/p>\n<p>H\u00e1 consenso entre v\u00e1rios autores <sup>[1,13]<\/sup> sobre o fato de a Sa\u00fade Coletiva ter nascido do encontro da Sa\u00fade P\u00fablica com as Ci\u00eancias Sociais, num momento hist\u00f3rico muito marcado nas ci\u00eancias sociais locais pela sustenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica no estrutural-marxismo: assim, desde as suas origens, a Sa\u00fade Coletiva reconhece o sujeito como um ser hist\u00f3rico e social.<\/p>\n<p>A Sa\u00fade Coletiva Brasileira produziu \u2013 em seus quase 50 anos de exist\u00eancia \u2013 importantes contribui\u00e7\u00f5es cr\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o aos efeitos da hegemonia da biomedicina. Relevantes an\u00e1lises sobre os efeitos das desigualdades na distribui\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e agravos. E manteve uma clara \u00eanfase na determina\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-hist\u00f3rica e cultural dos objetos estudados. Desta forma, quando falamos em sa\u00fade coletiva, n\u00e3o estamos em um campo que coincide totalmente com o da biomedicina, ainda que se superponha parcialmente com ela.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 importante de se ressaltar, e \u00e0s vezes nos custa que seja compreendido por nossos colegas de outras partes do mundo. Mas posicionar-se no campo da sa\u00fade coletiva implica uma proximidade com as ci\u00eancias sociais e certa cr\u00edtica da biomedicina como forma hegem\u00f4nica de reflex\u00e3o sobre a sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"podemos-e-devemos-produzir-e-desenvolver-medicamentos-vacinas-e-insumos-para-a-saude-de-maneira-autonoma\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cPodemos e devemos produzir e desenvolver medicamentos, vacinas e insumos para a sa\u00fade de maneira aut\u00f4noma.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para muitos de n\u00f3s, sanitaristas formados na sa\u00fade coletiva, temas como os dos sistemas produtivos, quest\u00f5es energ\u00e9ticas e desenvolvimento regional tornaram-se temas estrat\u00e9gicos e pr\u00f3ximos de nossa disciplina. Assim, tamb\u00e9m sabemos desde o advento de nossa disciplina, da necessidade da interdisciplinaridade e da insufici\u00eancia das ci\u00eancias duras para explicar, compreender e resolver problemas epidemiol\u00f3gicos. As intera\u00e7\u00f5es entre pat\u00f3genos, entre quest\u00f5es sociais e distribui\u00e7\u00e3o e\/ou agravos de doen\u00e7as caracterizam o campo da Sa\u00fade Coletiva desde seus prim\u00f3rdios.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-atual-conjuntura-na-regiao\"><strong>A atual conjuntura na regi\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Vivemos um mundo globalizado e marcado pelas desigualdades. As marcas da pandemia s\u00f3 exacerbaram a concentra\u00e7\u00e3o da riqueza e a exclus\u00e3o. Sequelas podem ser detectadas na piora de indicadores de sa\u00fade, no incremento das desigualdades de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e no aumento da viol\u00eancia dom\u00e9stica.<sup>[14,15]<\/sup><\/p>\n<p>Grande parte da alimenta\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 produzida na nossa regi\u00e3o. Isso poderia nos dar uma vantagem estrat\u00e9gica significativa ou, ao contr\u00e1rio, nos deixar sujeitos aos des\u00edgnios do norte global. A Am\u00e9rica Latina tem condi\u00e7\u00f5es de transformar a produ\u00e7\u00e3o mundial de alimentos em cadeias produtivas limpas, ecologicamente sustent\u00e1veis \u200b\u200be respeitosas com o meio ambiente de nossos povos. (Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-a-america-latina-tem-condicoes-de-transformar-a-producao-mundial-de-alimentos-em-cadeias-produtivas-limpas-ecologicamente-sustentaveis-e-respeitosas-com-o-meio-ambiente-imagem-embrapa-r\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4388\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura3-300x188.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"314\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura3-300x188.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura3-1024x643.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura3-768x482.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura3-1536x965.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura3-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura3-800x502.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura3-1160x729.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/CC-2E23-opinia\u0303o-Sau\u0301de-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-figura3.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. A Am\u00e9rica Latina tem condi\u00e7\u00f5es de transformar a produ\u00e7\u00e3o mundial de alimentos em cadeias produtivas limpas, ecologicamente sustent\u00e1veis e respeitosas com o meio ambiente.<br \/>\n<\/strong>(Imagem: Embrapa. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m temos \u2013 como regi\u00e3o \u2013 uma necessidade urgente de sair do papel de produtor global de commodities que sempre nos coloca em desvantagem nas balan\u00e7as comerciais, e poder\u00edamos muito bem planejar cadeias produtivas mais limpas e interligadas regionalmente. Elas existem hoje entre alguns pa\u00edses para a montagem de autom\u00f3veis, por exemplo. Por que n\u00e3o expandir essas negocia\u00e7\u00f5es para outras \u00e1reas e incorporar mais tecnologia?<\/p>\n<p>Todos os nossos pa\u00edses sofreram desesperadamente devido \u00e0 falta de suprimentos b\u00e1sicos de sa\u00fade causados \u200b\u200bpela pandemia de covid-19. M\u00e1scaras foram importados da China, pa\u00edses ricos correram para comprar vacinas em quantidades que \u00e0s vezes quadruplicavam sua popula\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 hoje temos regi\u00f5es da \u00c1frica com taxas de vacina\u00e7\u00e3o muito baixas.<\/p>\n<p>Precisamos assumir que podemos atingir a soberania sanit\u00e1ria. No Brasil, o que chamamos de Complexo Econ\u00f4mico Industrial da Sa\u00fade <sup>[16]<\/sup> tem sido amplamente estudado. Podemos e devemos produzir e desenvolver medicamentos, vacinas e insumos para a sa\u00fade de maneira aut\u00f4noma.<\/p>\n<p>Em suma, a produ\u00e7\u00e3o de um setor (como o da sa\u00fade) que consome e demanda muita tecnologia e capacita\u00e7\u00e3o para seu desenvolvimento, que estimula o desenvolvimento cient\u00edfico e que ativa uma grande cadeia de valor, aumentando o PIB, poderia se tornar um grande mobilizador das nossas economias. Hoje, grande parte dos insumos que consumimos no Sul Global vem da \u00cdndia. Contudo, temos em solo latino-americano importantes centros de pesquisa e importantes Universidades que poderiam realizar fant\u00e1sticos trabalhos conjuntos de colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Precisamos \u2013 sim \u2013 que esses benef\u00edcios do desenvolvimento econ\u00f4mico sejam utilizados para reduzir as iniquidades e parte delas tamb\u00e9m pode ser enfrentada por meio do setor sa\u00fade. Por isso, temos insistido em que a conquista de \u201c<em>One Health<\/em>\u201d esteja tamb\u00e9m indissociavelmente ligada ao desenvolvimento dos nossos sistemas de sa\u00fade, que defendemos como p\u00fablicos e de acesso universal. Grande parte da popula\u00e7\u00e3o de nossos pa\u00edses acessa benef\u00edcios essenciais \u00e0s suas pr\u00f3prias custas, o gasto do pr\u00f3prio bolso representa uma grande parte das despesas de muitas fam\u00edlias latino-americanas.<\/p>\n<p>Temos d\u00edvidas hist\u00f3ricas com nossos povos. Arrastamos marcas de racismo, machismo e colonialismo. Precisamos avan\u00e7ar em prol da dignidade de nossos povos, \u00fanica forma de combater a viol\u00eancia e a exclus\u00e3o crescentes que se arrastam pela regi\u00e3o. Temos defendido que a mudan\u00e7a de uma sociedade segregada para uma sociedade tolerante \u00e0 diferen\u00e7a e razoavelmente integrada n\u00e3o se dar\u00e1 \u201cnaturalmente\u201d. Muito esfor\u00e7o concreto dever\u00e1 ser empreendido pelas pol\u00edticas p\u00fablicas para a supera\u00e7\u00e3o desse <em>status quo<\/em>.<sup>[17]<\/sup><\/p>\n<p>Bhabha <sup>[18]<\/sup> destaca que na contemporaneidade s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel pensar na mudan\u00e7a pol\u00edtica a partir de um momento h\u00edbrido, que enfatiza a necessidade de heterogeneidade e de negocia\u00e7\u00f5es agon\u00edsticas porque n\u00e3o existe uma comunidade unit\u00e1ria que possa afrontar a necessidade de articula\u00e7\u00e3o de interesses. Os equipamentos das pol\u00edticas p\u00fablicas deveriam ser amplamente reformados para evitar a tentativa neocolonial de produzir identidades homog\u00eaneas. Longe de ser um problema para o caminho progressista (como as leem alguns setores da esquerda) as reivindica\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias poderiam ser, assim, o caminho meton\u00edmico da mudan\u00e7a social.<\/p>\n<p>Precisamos ser atores na promo\u00e7\u00e3o de <em>advocacy<\/em> na defesa da vida, da dignidade, da equidade e ativos tamb\u00e9m em recusar qualquer posi\u00e7\u00e3o de subalternidade, seja ela epistemol\u00f3gica, lingu\u00edstica ou tecnol\u00f3gica.<sup>[18]<\/sup><\/p>\n<p>A troca de experi\u00eancias, colabora\u00e7\u00e3o e aconselhamento e assessorias tamb\u00e9m podem nos fortalecer neste campo dos Sistemas Integrados de Sa\u00fade. Em nome das gera\u00e7\u00f5es futuras, tomara que saibamos como faz\u00ea-lo!<\/p>\n<p>Ou, como apontam outros autores, <sup>[19]<\/sup> a sa\u00fade coletiva, ao introduzir as ci\u00eancias humanas no campo da sa\u00fade, reestrutura as coordenadas desse campo, trazendo para o seu interior as dimens\u00f5es simb\u00f3lica, \u00e9tica e pol\u00edtica, o que somente poder\u00e1 revitalizar o discurso biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-saude-coletiva-envolve-nao-apenas-medicina-mas-a-saude-humana-animal-e-ambiental-em-conjuntoimagem-por-freepik-com-reproducao\"><strong>Capa. Sa\u00fade coletiva envolve n\u00e3o apenas medicina, mas a sa\u00fade humana, animal e ambiental em conjunto<br \/>\n<\/strong>(Imagem por Freepik.com. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"onocko-campos-rosana-saude-coletiva-desenvolvimento-e-qualidade-de-vida-no-contexto-latino-americano-atual-as-saudes-ambiental-animal-e-humana-estao-interligadas-e-precisam-ser-consideradas\"><span style=\"color: #808080;\">ONOCKO-CAMPOS, Rosana.<span class=\"article-title\">\u00a0Sa\u00fade coletiva, desenvolvimento e qualidade de vida no contexto latino-americano atual: as sa\u00fades ambiental, animal e humana est\u00e3o interligadas e precisam ser consideradas em conjunto na busca de solu\u00e7\u00f5es para os problemas atuais.<\/span><i>\u00a0Cienc. Cult.<\/i>\u00a0[online]. 2023, vol.75, n.2 [citado\u00a0 2023-10-16], pp.01-06. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252023000200016&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230032.<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A sa\u00fade ambiental, animal e humana est\u00e3o interligadas e precisam ser consideradas&hellip;\n","protected":false},"author":110,"featured_media":4385,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4384"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/110"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4384"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4384\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4928,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4384\/revisions\/4928"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4385"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}