{"id":4391,"date":"2023-07-04T07:30:42","date_gmt":"2023-07-04T07:30:42","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4391"},"modified":"2023-07-03T17:14:20","modified_gmt":"2023-07-03T17:14:20","slug":"luta-em-defesa-da-ciencia-encabecou-surgimento-da-sbpc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4391","title":{"rendered":"Luta em defesa da Ci\u00eancia encabe\u00e7ou surgimento da SBPC"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"primeira-reportagem-especial-sobre-os-75-anos-da-entidade-narra-como-o-periodo-pos-guerra-e-decisoes-politicas-em-sao-paulo-impulsionaram-manifestacoes-em-prol-do-setor-no-brasil-sbpc-foi-fundada-em\"><span style=\"color: #808080;\">Primeira reportagem especial sobre os 75 anos da entidade narra como o per\u00edodo p\u00f3s-guerra e decis\u00f5es pol\u00edticas em S\u00e3o Paulo impulsionaram manifesta\u00e7\u00f5es em prol do setor no Brasil. SBPC foi fundada em 8 de julho de 1948<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria dos Estados Unidos e seus aliados na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) despertou o interesse mundial pelos avan\u00e7os da Ci\u00eancia, afinal, grandes descobertas na Qu\u00edmica e na F\u00edsica e novas tecnologias desenvolvidas na \u00e9poca, como radares e computadores, se mostraram como fatores decisivos nos campos de batalha. O investimento em pesquisa tornou-se uma demanda global, e algo que passou a ser considerado pelo Brasil tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u201cA guerra \u00e9 sempre um momento de reflex\u00e3o para os pa\u00edses, sobre a sua rela\u00e7\u00e3o com a tecnologia. E, para o Brasil, isso n\u00e3o foi diferente, tanto \u00e9 que a Segunda Guerra Mundial, na verdade, \u00e9 um dos primeiros momentos da hist\u00f3ria do Pa\u00eds em que o Estado faz investimento em Ci\u00eancia da forma como a gente conhece, financiando projetos de pesquisa\u201d, explica o historiador Bruno Roma, que atua no Centro de Mem\u00f3ria da SBPC.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o Pa\u00eds estava vivendo um per\u00edodo econ\u00f4mico chamado Nacional-desenvolvimentismo. Incentivado pela vis\u00e3o internacional p\u00f3s-guerra, o Brasil viu a sua economia crescer e acreditava que s\u00f3 alcan\u00e7aria a soberania nacional se tivesse uma ind\u00fastria forte, mas, para isso, era necess\u00e1rio ter tecnologia pr\u00f3pria, ou seja, investir em Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>E se as na\u00e7\u00f5es estavam interessadas no setor, os cientistas, globalmente, come\u00e7aram a perceber o aumento no interesse governamental em seus trabalhos. Assim, entidades representantes da classe cient\u00edfica come\u00e7aram a surgir ao redor mundo, um movimento que se seguiu aqui no Brasil e foi precursor da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia, a SBPC.<\/p>\n<p>\u201cOs fundadores da SBPC s\u00e3o tr\u00eas m\u00e9dicos de forma\u00e7\u00e3o: Maur\u00edcio Rocha e Silva, Jos\u00e9 Reis e Paulo Sawaya. O Rocha e Silva \u00e9, talvez, a figura que mais encabe\u00e7ou esse movimento. Como estudou nos Estados Unidos e na Inglaterra, ele j\u00e1 sabia que em alguns pa\u00edses fora do Brasil, como na Alemanha, na Fran\u00e7a e na pr\u00f3pria Inglaterra, existiam associa\u00e7\u00f5es como a que viria a ser a SBPC, associa\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento da Ci\u00eancia. Muito incentivado por isso, ele convida as outras duas figuras para tentar motivar a comunidade cient\u00edfica em torno deles, principalmente a comunidade paulista\u201d, detalha Roma.<\/p>\n<p>At\u00e9 que veio um gatilho que mobilizou a cria\u00e7\u00e3o urgente da SBPC. Em 1948, o diretor do Instituto Butantan, Eduardo Vaz, come\u00e7ou a demitir em massa cientistas que trabalhavam na entidade nas \u00e1reas de qu\u00edmica e endocrinologia. Era uma ordem do ent\u00e3o governador de S\u00e3o Paulo, Ademar de Barros, que decidiu reduzir as pesquisas que n\u00e3o tinham liga\u00e7\u00e3o direta com a produ\u00e7\u00e3o de soro antiof\u00eddico.<\/p>\n<p>\u201cO Ademar de Barros quis reduzir as fun\u00e7\u00f5es do Butantan, suspendendo alguns departamentos. Mandou todo mundo embora, porque ele tinha aquela vis\u00e3o de que o Butantan era para ser uma f\u00e1brica de vacinas e n\u00e3o um ambiente de pesquisas. Ele n\u00e3o conseguia ver que essas duas coisas s\u00e3o completamente ligadas.\u201d<\/p>\n<p>Em maio daquele ano, Rocha e Silva, Reis e Sawaya fizeram uma primeira reuni\u00e3o na Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Medicina e perceberam que dava para construir uma entidade pelos direitos dos cientistas, mas que precisavam reunir mais gente. No dia 8 de julho, os especialistas conseguem qu\u00f3rum suficiente e criam, ali, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cPara a comunidade cient\u00edfica paulista, esse momento em que o governador de S\u00e3o Paulo interferiu em um dos institutos de pesquisa mostrou que era a hora apropriada para criar uma associa\u00e7\u00e3o para lutar pelo progresso da ci\u00eancia em nosso pa\u00eds\u201d, conta a pesquisadora Ana Maria Fernandes, na obra\u00a0<em>A constru\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia no Brasil e a SBPC<\/em>.<\/p>\n<p>Resumidamente, a SBPC nasceu com tr\u00eas objetivos. O primeiro era provar para a sociedade e para os governos a import\u00e2ncia da ci\u00eancia, ou seja, lutar pela sua defesa. O segundo objetivo era pensar na divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, em medidas que difundissem a ci\u00eancia. E o terceiro, era buscar melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho para os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cA primeira pauta da SBPC foi interceder pelo Butantan, dizer: \u2018n\u00e3o, a comunidade cient\u00edfica precisa ser ouvida, o Estado n\u00e3o pode fazer essa interfer\u00eancia aqui dentro sem escutar a comunidade\u2019\u201d, detalha Roma, complementando: \u201cDepois disso, as pautas que v\u00eam s\u00e3o muito ligadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos cientistas. Ao financiamento dos institutos, como o Instituto Biol\u00f3gico de S\u00e3o Paulo e a Fiocruz. Ent\u00e3o, eram falas muito ligadas a isso, quase como um agrupamento de classe.\u201d<\/p>\n<p>E quando as primeiras conquistas vieram, foi o momento de se pensar mais longe. A SBPC percebeu que, assim como registrado em seu nome, era necess\u00e1ria uma atua\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>\u201cEu acredito que \u00e9 a partir da d\u00e9cada de 1950 que a SBPC come\u00e7a a pensar grande, por assim dizer, e ter pautas mais ligadas ao Governo Federal. \u00c9 assim que a entidade inspira a cria\u00e7\u00e3o do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico), da Capes (Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior) e demais entidades cient\u00edficas que v\u00e3o surgindo durante a d\u00e9cada\u201d, conclui Roma.<\/p>\n<p>Hoje, a SBPC representa 177 sociedades cient\u00edficas afiliadas e conta com mais de 3 mil s\u00f3cios ativos. A import\u00e2ncia da entidade para o Brasil foi registrada no calend\u00e1rio nacional: em 2001 foi sancionada a lei n\u00ba 10.221, que criou o Dia Nacional da Ci\u00eancia, e em 2008, a lei n\u00ba 11.807, que estabeleceu o Dia Nacional do Pesquisador. As datas s\u00e3o comemoradas todo 8 de julho, em alus\u00e3o ao dia em que a SBPC foi fundada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"reportagens-especiais-recontam-a-historia-da-sbpc\"><strong>Reportagens especiais recontam a hist<\/strong><strong>\u00f3<\/strong><strong>ria da SBPC<\/strong><\/h4>\n<p>Esta reportagem \u00e9 parte de uma s\u00e9rie especial para os 75 anos da SBPC, que ser\u00e3o comemorados no pr\u00f3ximo s\u00e1bado, dia 8 de julho.<\/p>\n<p>Se quiser saber mais sobre o per\u00edodo de funda\u00e7\u00e3o da entidade e seus primeiros anos de atividade, ou\u00e7a o epis\u00f3dio \u201c<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.jornaldaciencia.org.br\/quinta-temporada-de-o-som-da-ciencia-abordara-os-75-anos-da-sbpc\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mem\u00f3rias da Ci\u00eancia Brasileira<\/a><\/strong><\/span>\u201d, do podcast O Som da Ci\u00eancia, uma produ\u00e7\u00e3o da equipe de comunica\u00e7\u00e3o da SBPC.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria tamb\u00e9m utilizou trechos da obra \u201cA constru\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia no Brasil e a SBPC\u201d, de Ana Maria Fernandes e informa\u00e7\u00f5es da reportagem \u201c<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/cientistas-unidos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cientistas<\/a>\u00a0unidos<\/strong><\/span>\u201d, publicada pela revista Pesquisa Fapesp em 2019.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.jornaldaciencia.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Jornal da Ci\u00ea<\/em><em>ncia<\/em><\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-fundacao-da-sbpc-em-1948fonte-folha-da-noite-9-de-julho-1948\"><strong>Capa. Funda\u00e7\u00e3o da SBPC em 1948<\/strong><br \/>\n(Fonte: Folha da Noite, 9 de julho 1948)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Primeira reportagem especial sobre os 75 anos da entidade narra como o&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":4392,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4391"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4391"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4391\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4394,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4391\/revisions\/4394"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4392"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4391"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4391"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4391"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}