{"id":4464,"date":"2023-07-13T07:30:25","date_gmt":"2023-07-13T07:30:25","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4464"},"modified":"2025-11-25T11:42:04","modified_gmt":"2025-11-25T11:42:04","slug":"ser-uma-cientista-negra-e-travar-uma-batalha-que-e-ideologica-e-se-afirmar-enquanto-produtora-intelectual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4464","title":{"rendered":"\u201cSer uma cientista negra \u00e9 travar uma batalha que \u00e9 ideol\u00f3gica e se afirmar enquanto produtora intelectual\u201d"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"confira-entrevista-com-a-quimica-e-ativista-anita-canavarro-benite-professora-do-instituto-de-quimica-da-ufg\"><span style=\"color: #808080;\">Confira entrevista com a qu\u00edmica e ativista Anita Canavarro Benite, professora do Instituto de Qu\u00edmica da UFG<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quando era crian\u00e7a, Anna Maria Canavarro Benite viu sua m\u00e3e improvisar um cano para fazer a \u00e1gua de um po\u00e7o chegar at\u00e9 a casa sem encanamento. N\u00e3o foi um fato in\u00e9dito: sua m\u00e3e, que era professora de ci\u00eancias mesmo sem ter ensino superior, sempre buscava solu\u00e7\u00f5es criativas, modificando os objetos para solucionar os problemas do dia a dia. Foi assim que despertou seu interesse pelas transforma\u00e7\u00f5es dos materiais \u2013 e pela ci\u00eancia. Seguir a carreira acad\u00eamica parecia um sonho distante para uma menina negra e pobre da baixada fluminense. Mas Anita, como \u00e9 conhecida, n\u00e3o desistiu: cursou doutorado e mestrado em Ci\u00eancias pela <\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufrj.br\/\"><strong><em>Universidade Federal do Rio de Janeiro<\/em><\/strong><\/a><\/span><em> (UFRJ) e hoje \u00e9 professora do Instituto de Qu\u00edmica da <\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufg.br\/\"><strong><em>Universidade Federal de Goi\u00e1s<\/em><\/strong><\/a><\/span><em> (UFG). <\/em><em>Destacando que o estudo faz promo\u00e7\u00f5es em termos de mobilidade social na vida de pessoas negras e pobres, Benite \u00e9 ativista do <\/em><span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/dandaranocerrado.website\/\"><em>Grupo de Mulheres Negras Dandara no Cerrado<\/em><\/a><\/strong><\/span><em> e coordenadora do <\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/lpeqi.quimica.ufg.br\/\"><strong><em>Laborat\u00f3rio de Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o Qu\u00edmica e Inclus\u00e3o<\/em><\/strong><\/a><\/span><em> (LPEQI). \u201c<\/em><em>N\u00f3s produzimos uma ci\u00eancia que \u00e9 localizada e que precisa sim ter compromisso com as rela\u00e7\u00f5es sociais, sejam de g\u00eanero ou de ra\u00e7a. A ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apartada de uma sociedade\u201d, afirma. Al\u00e9m disso, idealizou o <\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"Projeto%2520Investiga%2520Menina\"><strong><em>Projeto Investiga Menina<\/em><\/strong><\/a><\/span><em>, que busca inspirar alunas negras a seguirem carreiras nas \u00e1reas exatas e cient\u00edficas, e instituiu, em 2009, o <\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"Grupo%2520de%2520Estudos%2520sobre%2520a%2520Descoloniza%25C3%25A7%25C3%25A3o%2520do%2520Curr%25C3%25ADculo%2520de%2520Ci%25C3%25AAncias\"><strong><em>Grupo de Estudos sobre a Descoloniza\u00e7\u00e3o do Curr\u00edculo de Ci\u00eancias<\/em><\/strong><\/a><\/span><em> (Coletivo CIATA), cujas a\u00e7\u00f5es desenvolvidas renderam o Diploma de Reconhecimento por a\u00e7\u00e3o cotidiana na luta pela defesa, promo\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos em Goi\u00e1s (2013) e Honra ao M\u00e9rito pela Assessoria Especial para Direitos Humanos e Cidadania (2014). \u201c<\/em><em>Ser uma pesquisadora negra \u00e9 um ato contra-hegem\u00f4nico, \u00e9 um ato de resistir, \u00e9 um ato de produzir dentro dessa l\u00f3gica pensando em projetos coletivos de liberta\u00e7\u00e3o para quem voc\u00ea de fato representa\u201d, conclui.<\/em><\/p>\n<p><em>Confira a entrevista completa!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura &#8211; Sua forma\u00e7\u00e3o \u00e9 em Qu\u00edmica. Quais desafios que enfrentou \u2013 e que a maioria das mulheres enfrenta \u2013 em uma \u00e1rea tradicionalmente constitu\u00edda por uma maioria masculina?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Anita Benite &#8211;<\/strong> Eu sou qu\u00edmica, fiz bacharelado e licenciatura em qu\u00edmica, e mestrado na \u00e1rea de ci\u00eancias. Eu trabalhei com bioinorg\u00e2nica medicinal com desenvolvimento em sil\u00edcio de prot\u00f3tipos para candidatos a f\u00e1rmacos. Quando estudei esta \u00e1rea, h\u00e1 15 anos, era uma \u00e1rea de ponta e permanece sendo at\u00e9 hoje porque a modelagem otimiza processos de cria\u00e7\u00e3o de novos produtos. Os desafios s\u00e3o os mesmos para todas as mulheres que trilham uma carreira que n\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do cuidado. Portanto, n\u00f3s precisamos provar nossa capacidade, nossa criatividade, nosso empenho laboral o tempo todo. Temos que provar que somos capazes, gritar para se fazer ouvir. A falta de representatividade feminina nessas \u00e1reas as tornam tamb\u00e9m menos receptivas e menos emp\u00e1ticas. Com as nossas presen\u00e7as, precisamos nos afirmar e afirmar nossas produ\u00e7\u00f5es e nossa intelig\u00eancia o tempo todo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ser-uma-cientista-negra-e-travar-uma-batalha-que-e-ideologica-e-se-afirmar-enquanto-produtora-intelectual-frente-ao-recrudescimento-do-racismo-por-sua-propria-manifestacao-epistemicida-curric\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cSer uma cientista negra \u00e9 travar uma batalha que \u00e9 ideol\u00f3gica e se afirmar enquanto produtora intelectual frente ao recrudescimento do racismo por sua pr\u00f3pria manifesta\u00e7\u00e3o epistemicida curricular ao n\u00e3o se ver no curr\u00edculo, n\u00e3o se ler nos artigos, n\u00e3o encontrar algu\u00e9m que tenha produzido e que seja igual a voc\u00ea.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Como foi para voc\u00ea, enquanto mulher negra, se estabelecer como uma pesquisadora renomada nesta \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AB &#8211; <\/strong>Ser uma pesquisadora negra significa basicamente entender uma quest\u00e3o: a ci\u00eancia condicionou o racismo. Essa \u201ccondi\u00e7\u00e3o m\u00edtica\u201d de que negro n\u00e3o tem alma e por isso pode ser escravizado recebeu uma justificativa racional da ci\u00eancia. A psicologia, a medicina, o direito, a biologia, a qu\u00edmica constroem esse arqu\u00e9tipo da justificativa racional. Eu fui presidente da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/abpn.org.br\/\"><strong>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisadores Negros<\/strong><\/a> <\/span>(ABPN), uma associa\u00e7\u00e3o que congrega mais de quatro mil pesquisadores, de 2016 e 2018, al\u00e9m de secret\u00e1ria-executiva de 2018 a 2020 e editora chefe da revista de 2020 a 2022. A ABPN \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que assume a categoria ra\u00e7a como crit\u00e9rio e \u00e9 composta em sua maioria por mulheres negras. Pensando nisso, ser uma cientista e pesquisadora negra significa reconhecer a interdi\u00e7\u00e3o de acesso a negros e negras nas esferas de poder. E reconhecer que isso acontece por uma configura\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria sociedade moderna. Essa interdi\u00e7\u00e3o nas esferas de poder \u00e9 bem recente. Ela que inaugura a dicotomia entre estado-na\u00e7\u00e3o e subalternizado, entre colonizadores e colonos, entre ser racional e ser selvagem. Tudo isso \u00e9 produto de uma estrutura social que se repete nas diferentes configura\u00e7\u00f5es de sociedade, portanto as pesquisas e as sociedades cient\u00edficas em si n\u00e3o est\u00e3o alheias a isso. Ent\u00e3o, ser uma pesquisadora negra \u00e9 um ato contra-hegem\u00f4nico, \u00e9 um ato de resistir, \u00e9 um ato de produzir dentro dessa l\u00f3gica pensando em projetos coletivos de liberta\u00e7\u00e3o para quem voc\u00ea de fato representa. Assim, ser uma cientista negra \u00e9 travar uma batalha que \u00e9 ideol\u00f3gica e se afirmar enquanto produtora intelectual frente ao recrudescimento do racismo por sua pr\u00f3pria manifesta\u00e7\u00e3o epistemicida curricular ao n\u00e3o se ver no curr\u00edculo, n\u00e3o se ler nos artigos, n\u00e3o encontrar algu\u00e9m que tenha produzido e que seja igual a voc\u00ea. Pensando em um curr\u00edculo intercultural, em um curr\u00edculo que se comprometa com quem n\u00f3s somos, que nos represente \u2013 e tendo em mente que a pesquisa no Brasil \u00e9 produzida dentro das institui\u00e7\u00f5es de ensino (96% do que produzimos de conhecimento cient\u00edfico \u00e9 feito dentro de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior) \u2013 ent\u00e3o n\u00f3s estamos falando ainda de travar uma batalha que \u00e9 tamb\u00e9m curricular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Vivemos um momento no qual o conservadorismo ganha for\u00e7a e os direitos das mulheres, conquistados com muita luta, s\u00e3o atacados. Como voc\u00ea v\u00ea este momento hist\u00f3rico? Quais os caminhos para minimizarmos os impactos deste ataque conservador?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AB &#8211; <\/strong>Se vivemos um momento em que o conservadorismo ganha for\u00e7a e o direito das minorias s\u00e3o atacados, por outro lado, este momento hist\u00f3rico tamb\u00e9m \u00e9 o momento revisional que questiona a pr\u00f3pria natureza da ci\u00eancia. N\u00f3s observamos o que aconteceu na hist\u00f3rica recente: o retrocesso com a pandemia e todos os males que ela nos trouxe, sobretudo quando uma direita conservadora ataca a ci\u00eancia. Ent\u00e3o, em pouco tempo n\u00f3s assistimos no Brasil algu\u00e9m que estava \u00e0 frente do pa\u00eds conseguindo dar tanto dem\u00e9rito \u00e0s nossas produ\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, causando um dos maiores impactos no calend\u00e1rio de vacina\u00e7\u00e3o de nossas crian\u00e7as. Se por um lado o conservadorismo tenta avan\u00e7ar no que diz respeito ao controle de corpos, \u00e9 esse mesmo o conservadorismo que ataca a ci\u00eancia, que questiona e faz o cientista se questionar se esse modelo de fato est\u00e1 conversando com quem n\u00f3s somos. Porque se esse modelo n\u00e3o dialoga, n\u00e3o atende esses grupos. Assim, por outro lado, a ci\u00eancia est\u00e1 se questionando nesse exato momento como fazer para estabelecer esses v\u00ednculos. Porque \u00e9 preciso questionar esse modelo de ci\u00eancia que se diz neutro, esse modelo centrado nas produ\u00e7\u00f5es de homens brancos europeus. O que ela fez para perder a credibilidade em t\u00e3o pouco tempo passa por uma discuss\u00e3o de diversidade como quesito de inova\u00e7\u00e3o dentro do modelo cient\u00edfico. Esse modelo pobre, produzido a partir de vis\u00e3o de sujeito universal, se mostrou ineficaz \u2013 sobretudo no di\u00e1logo com a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o, com quem paga impostos para que essa ci\u00eancia seja produzida. Ent\u00e3o incluir diversidade dentro do modelo cient\u00edfico significa aumentar a resposta do modelo. O modelo universal \u00e9 pobre, \u00e9 dogm\u00e1tico. Um modelo que inclua diversidade, por outro lado, aumenta as possibilidades de di\u00e1logo dessa ci\u00eancia com mais pessoas atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o de modelos mais robustos, que seriam os modelos que fornecem respostas maiores para os problemas da humanidade. Mas est\u00e1 nas pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es sociais e essas rela\u00e7\u00f5es se estabelecem tamb\u00e9m dentro de mecanismos de produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e sobretudo na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"um-modelo-que-inclua-diversidade-por-outro-lado-aumenta-as-possibilidades-de-dialogo-dessa-ciencia-com-mais-pessoas-atraves-da-promocao-de-modelos-mais-robustos-que-seriam-os-modelos-que-f\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cUm modelo que inclua diversidade, por outro lado, aumenta as possibilidades de di\u00e1logo dessa ci\u00eancia com mais pessoas atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o de modelos mais robustos, que seriam os modelos que fornecem respostas maiores para os problemas da humanidade.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Por outro lado, h\u00e1 tamb\u00e9m uma luta cada vez maior pela diversidade e pela inclus\u00e3o. Quais os benef\u00edcios dessa diversidade na ci\u00eancia e na educa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AB \u2013 <\/strong>A educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tem um papel primordial de estreitar os la\u00e7os entre o que a gente produz dentro do conhecimento cient\u00edfico e a sociedade brasileira. N\u00f3s vivemos numa sociedade que taxa impostos regressivamente, ent\u00e3o os produtores e os gestores dos processos pagam pouco e quem compra as mercadorias de fato, que \u00e9 a maior parte da popula\u00e7\u00e3o \u2013 sobretudo a popula\u00e7\u00e3o negra \u2013 paga muito mais. E s\u00e3o esses impostos que garantem a manuten\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia brasileira. Por isso \u00e9 preciso que encurtemos esses la\u00e7os para alcan\u00e7ar esse di\u00e1logo e para de fato reverberarmos aquilo que fazemos. Eu penso muito no que passamos agora t\u00e3o recentemente, com duros ataques \u00e0 nossa exist\u00eancia e a sociedade brasileira deixando de reconhecer a credibilidade do que a ci\u00eancia faz. Isso tem um efeito at\u00e9 hoje na sa\u00fade e na qualidade de vida da nossa popula\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tem um papel primordial nesse lugar de combater a ignor\u00e2ncia, de combater o dogma, de combater esse adoecimento que coloca a ci\u00eancia brasileira num lugar ruim, num lugar de dem\u00e9rito. S\u00f3 atrav\u00e9s dessa educa\u00e7\u00e3o \u00e9 que conseguiremos minimizar um pouco dos males causados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Como a universidade pode contribuir para essa discuss\u00e3o sobre diversidade, inclus\u00e3o e mesmo sobre democracia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AB &#8211;<\/strong> A universidade, por sua vez, deve contribuir para essas discuss\u00f5es inserindo sobretudo questionamentos sobre esse modelo \u00fanico e neutro de produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia. \u00c9 nesse momento que a universidade brasileira precisa dar um salto e discutir as rela\u00e7\u00f5es. N\u00f3s n\u00e3o produzimos ci\u00eancia com mecanismos isolados, de maneira isolada. N\u00e3o produzimos ci\u00eancia sem levar em conta a pr\u00f3pria exist\u00eancia do cientista e os universos sociais pol\u00edticos e econ\u00f4micos que permeiam essa exist\u00eancia. N\u00f3s produzimos uma ci\u00eancia que \u00e9 localizada e que precisa, sim, ter compromisso com as rela\u00e7\u00f5es sociais, sejam de g\u00eanero ou de ra\u00e7a. A ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apartada de uma sociedade. Sobretudo por que vivemos num pa\u00eds racista. Se n\u00f3s vivemos numa sociedade adoecida, a ci\u00eancia \u00e9 um microcosmos que vai repetir esse adoecimento. Ent\u00e3o, nesse lugar do que \u00e9 discut\u00edvel, do que \u00e9 din\u00e2mico, do que est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o, precisamos inserir essa contribui\u00e7\u00e3o, questionando modelos neutros descomprometidos com quem n\u00f3s somos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-educacao-cientifica-tem-um-papel-primordial-nesse-lugar-de-combater-a-ignorancia-de-combater-o-dogma-de-combater-esse-adoecimento-que-coloca-a-ciencia-brasileira-num-lugar-ruim-num-lugar\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cA educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tem um papel primordial nesse lugar de combater a ignor\u00e2ncia, de combater o dogma, de combater esse adoecimento que coloca a ci\u00eancia brasileira num lugar ruim, num lugar de dem\u00e9rito.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; O que fazer, em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas, para diminuir a viol\u00eancia e aumentar a inclus\u00e3o de mulheres, negros, ind\u00edgenas, popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ no ensino superior e na ci\u00eancia (assim como em outros setores)?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AB &#8211;<\/strong> Em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas, penso que precisamos garantir editais n\u00e3o s\u00f3 de acesso, mas tamb\u00e9m de perman\u00eancia. Precisamos garantir editais de manuten\u00e7\u00e3o de bem-estar das minorias \u2013 que, quando juntas, s\u00e3o maioria de fato no ensino superior e na ci\u00eancia. Precisamos garantir paridade nos comit\u00eas de avalia\u00e7\u00e3o dentro das ag\u00eancias de fomento, garantindo diversidade nesses comit\u00eas. Precisamos garantir editais que tenham o recorte de reserva de vagas para mulheres, para negros e negras, para popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, para terem acesso a projetos que estabele\u00e7am de fato rela\u00e7\u00f5es com as discuss\u00f5es sobre essas rela\u00e7\u00f5es sociais. E \u00e9 dessa maneira que n\u00f3s vamos poder avan\u00e7ar um pouco mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Confira entrevista com a qu\u00edmica e ativista Anita Canavarro Benite, professora do&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":4688,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,864],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4464"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4464"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4464\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4468,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4464\/revisions\/4468"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4688"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4464"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4464"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4464"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}