{"id":4477,"date":"2023-07-19T07:30:16","date_gmt":"2023-07-19T07:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4477"},"modified":"2023-07-18T12:55:47","modified_gmt":"2023-07-18T12:55:47","slug":"america-latina-ganha-forca-para-a-devolucao-de-seu-patrimonio-historico-retirado-ilegalmente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4477","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina ganha for\u00e7a para a devolu\u00e7\u00e3o de seu patrim\u00f4nio hist\u00f3rico retirado ilegalmente"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"diferentes-paises-da-regiao-conseguiram-restaurar-fosseis-e-pecas-de-valor-historico-padrao-e-positivo-mas-ainda-insuficiente\"><span style=\"color: #808080;\">Diferentes pa\u00edses da regi\u00e3o conseguiram restaurar f\u00f3sseis e pe\u00e7as de valor hist\u00f3rico. Padr\u00e3o \u00e9 positivo, mas ainda insuficiente.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O <em>Ubirajara jubatus<\/em> voltou. O f\u00f3ssil de dinossauro brasileiro foi retirado da regi\u00e3o do Cariri cearense de maneira irregular em 1995 e estava no Museu Estadual de Hist\u00f3ria Natural da cidade de Karlsruhe, na Alemanha.\u00a0Seu retorno ao Brasil foi marcado pela luta da comunidade cient\u00edfica nacional, atrav\u00e9s de intensa campanha na m\u00eddia e nas redes sociais, e o <em>Ubirajara jubatus<\/em> acabou se tornando um s\u00edmbolo do esfor\u00e7o brasileiro para recuperar pe\u00e7as hist\u00f3ricas contrabandeados para o exterior.<\/p>\n<p>O dinossauro sul-americano, que possui as evid\u00eancias mais antigas de possuir estruturas semelhantes a penas, tem sido um gatilho para que o Brasil e outros pa\u00edses latino-americanos ganhem maior for\u00e7a internacional para recuperar pe\u00e7as de seu passado retirados clandestinamente de seus territ\u00f3rios. O caso deu in\u00edcio a um novo processo de repatria\u00e7\u00e3o de 45 f\u00f3sseis que ser\u00e3o devolvidos ao Brasil pelo governo franc\u00eas e se soma a outro processo de restitui\u00e7\u00e3o de mais de 998 f\u00f3sseis, todos extra\u00eddos ilegalmente da bacia do Araripe, localizada entre os estados do Cear\u00e1, Pernambuco e Piau\u00ed, no Nordeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Essas conquistas serviram tamb\u00e9m para denunciar publicamente o chamado colonialismo na ci\u00eancia. O colonialismo paleontol\u00f3gico \u00e9 a pr\u00e1tica na qual pesquisadores de um pa\u00eds roubam um recurso de outro \u2013 no caso um f\u00f3ssil \u2013o levam para seu pr\u00f3prio pa\u00eds, estudam, publicam, e divulgam sem a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores do pa\u00eds de origem. A pr\u00e1tica era vista como \u201cnormalizada\u201d at\u00e9 a d\u00e9cada de 1990 ou in\u00edcio dos anos 2000, mas nas \u00faltimas d\u00e9cadas a comunidade cient\u00edfica come\u00e7ou a se posicionar contra ela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"repatriacao\"><strong>Repatria\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>O M\u00e9xico tamb\u00e9m teve repatria\u00e7\u00f5es bem-sucedidas: desde 2018 conseguiu restaurar quase 12 mil pe\u00e7as arqueol\u00f3gicas, hist\u00f3ricas e etnogr\u00e1ficas que estavam fora do pa\u00eds. Uma dessas pe\u00e7as, o Monumento <em>Chalcatzingo 9<\/em>, tamb\u00e9m conhecido como \u201c<em>Portal para o submundo<\/em>\u201d, foi devolvido ao M\u00e9xico este ano pelos Estados Unidos, ap\u00f3s uma espera de mais de 50 anos.<\/p>\n<p>Outro exemplo aconteceu na Argentina em maio de 2021, quando a Fran\u00e7a concordou em devolver os restos mortais do chefe ind\u00edgena tehuelche Liempich\u00fan Sakamata que estavam no Museu do Homem em Paris. Seu t\u00famulo foi profanado em 1896 por um conde franc\u00eas que enviou esses restos mortais para seu pa\u00eds em 1897 junto com mais de 1.400 objetos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"patrimonio-da-humanidade\"><strong>Patrim\u00f4nio da humanidade<\/strong><\/h4>\n<p>Apesar da luta estar rendendo frutos positivos, eles ainda s\u00e3o insuficientes. Ainda \u00e9 preciso muito esfor\u00e7o e negocia\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica para reaver suas pe\u00e7as hist\u00f3ricas \u2013 o que \u00e9 dificultado ainda mais quando elas s\u00e3o consideradas \u201cpatrim\u00f4nio da humanidade\u201d. Pa\u00edses como a Inglaterra e a Fran\u00e7a ainda relutam em devolver essas pe\u00e7as (f\u00f3sseis e at\u00e9 restos mortais) devido a argumentos baseados no fato de serem patrim\u00f4nio da humanidade, afirmando que sua conserva\u00e7\u00e3o, cuidado e exibi\u00e7\u00e3o devem continuar sendo realizados por esses pa\u00edses.<\/p>\n<p>O repatriamento mostra que o colonialismo cient\u00edfico ainda ocorre em diversas formas. Por isso \u00e9 importante que retornem seus pa\u00edses de origem para promover o desenvolvimento cient\u00edfico nacional e regional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>Com informa\u00e7\u00f5es de <a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/www.scidev.net\/\">SciDev.Net<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-luara-baggi-ascom-mcti\">Capa: <a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/sintonizemcti\/52970287226\/\" rel=\"noopener\">Luara Baggi\u00a0 (ASCOM\/MCTI)<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Diferentes pa\u00edses da regi\u00e3o conseguiram restaurar f\u00f3sseis e pe\u00e7as de valor hist\u00f3rico.&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":4479,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4477"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4477"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4477\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4480,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4477\/revisions\/4480"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4479"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}