{"id":4619,"date":"2023-08-24T07:30:01","date_gmt":"2023-08-24T07:30:01","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4619"},"modified":"2025-11-25T11:41:50","modified_gmt":"2025-11-25T11:41:50","slug":"se-a-pesquisa-cientifica-quiser-se-manter-relevante-ela-precisa-romper-com-o-antropocentrismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4619","title":{"rendered":"\u201cSe a pesquisa cient\u00edfica quiser se manter relevante, ela precisa romper com o antropocentrismo\u201d"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"confira-entrevista-com-elizabeth-macedo-professora-do-centro-de-educacao-e-humanidades-da-uerj\"><span style=\"color: #808080;\">Confira entrevista com Elizabeth Macedo, professora do Centro de Educa\u00e7\u00e3o e Humanidades da UERJ<\/span><\/h4>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Uma das principais pesquisadoras do campo dos Estudos Curriculares no Brasil, Elizabeth Macedo vem discutindo incansavelmente os caminhos da educa\u00e7\u00e3o brasileira. Nos \u00faltimos anos, a professora do Departamento de Estudos Aplicados ao Ensino, do Centro de Educa\u00e7\u00e3o e Humanidades da <\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.uerj.br\/\"><strong><em>Universidade do Estado do Rio de Janeiro<\/em><\/strong><\/a><\/span><em> (UERJ), tem estudado os efeitos das recentes pol\u00edticas curriculares e educacionais sobre os sujeitos, especialmente, dos chamados grupos minorit\u00e1rios. \u201cQuando esses grupos sa\u00edram do lugar de silenciamento em que os colocamos por s\u00e9culos, tivemos contato com cosmologias que podem nos ajudar muito a re-entender e re-encantar nossa ci\u00eancia e nossa educa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. Al\u00e9m de desconstruir estrat\u00e9gias postas em a\u00e7\u00e3o para fixar a alteridade, suas pesquisas visam compreender como alunos e professores buscam se constituir em um espa\u00e7o t\u00e3o normalizado como as escolas. \u201cMesmo concep\u00e7\u00f5es que valorizam o conhecimento do aluno o tomam apenas como ponto de partida\u201d, explica. Coordenadora do grupo de pesquisa \u201cCurr\u00edculo, Cultura e Diferen\u00e7a\u201d do <\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.cnpq.br\/\"><strong><em>Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico<\/em><\/strong><\/a><\/span><em> (CNPq), Macedo celebra os avan\u00e7os obtidos na quest\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para ajudar na redu\u00e7\u00e3o de desigualdades sociais, mas enfatiza que ainda h\u00e1 muito a se fazer \u2013 e refazer, posto que muito foi descaracterizado. A pesquisadora tamb\u00e9m destaca que educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o reduz desigualdades sociais: \u201cesta \u00e9 uma fal\u00e1cia economicista que lhe imputa um fracasso anunciado: efetivamente, o fracasso da gest\u00e3o econ\u00f4mica que se transfere \u00e0 escola\u201d, enfatiza.<\/em><\/p>\n<p><em>Confira a entrevista completa!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura &#8211; Como a diversidade cultural de quilombolas, extrativistas, povos ind\u00edgenas e outras comunidades tradicionais do Brasil contribui ou poderia contribuir para o desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o e da pesquisa cient\u00edfica? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Elizabeth Macedo &#8211;<\/strong> Temos algumas respostas poss\u00edveis. Essas experi\u00eancias t\u00eam \u201cconte\u00fados\u201d que, portanto, podem ser trabalhados na educa\u00e7\u00e3o, como informam \u00e0 ci\u00eancia. Na minha vis\u00e3o, j\u00e1 temos sido mais inclusivos em rela\u00e7\u00e3o a esses \u201cconte\u00fados\u201d tanto na educa\u00e7\u00e3o quanto na ci\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o h\u00e1 algumas d\u00e9cadas. O problema \u00e9 que, com frequ\u00eancia, inclu\u00edmos os \u201cconte\u00fados\u201d e, ao mesmo tempo, desvalorizamos os sistemas de pensamento em que eles est\u00e3o inseridos. No caso da pesquisa cient\u00edfica, por exemplo, muitas pistas vieram e v\u00eam das rela\u00e7\u00f5es cotidianas que as comunidades estabelecem com a natureza. Essas pistas s\u00e3o tratadas segundo a l\u00f3gica da ci\u00eancia que, em muito, se erige na desvaloriza\u00e7\u00e3o dos saberes comunit\u00e1rios. Isso acaba refletido na escola, onde o conhecimento acad\u00eamico \u00e9 colocado em oposi\u00e7\u00e3o ao conhecimento cotidiano. Mesmo concep\u00e7\u00f5es que valorizam o conhecimento do aluno, o tomam apenas como ponto de partida. Por isso entendo que a contribui\u00e7\u00e3o mais potente da diversidade cultural n\u00e3o est\u00e1 vinculada aos \u201cconte\u00fados\u201d das experi\u00eancias, mas \u00e0 possibilidade de aprender a borrar limites entre o saber cient\u00edfico e o comunit\u00e1rio, entre natureza e cultura, entre humano e mundo. J\u00e1 desde algum tempo muitas te\u00f3ricas feministas e <em>queer<\/em> t\u00eam buscado romper essas polariza\u00e7\u00f5es e dicotomias, pondo em quest\u00f5es narrativas que a Modernidade foi produzindo em prol da valoriza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. Recentemente, v\u00eam sendo traduzidos alguns livros de Donna Haraway, um dos nomes mais importantes na defesa da necessidade de borrar fronteiras, que s\u00e3o muitas em nossa forma\u00e7\u00e3o: entre natureza e cultura; entre homem, mundo natural e m\u00e1quina; entre conhecimento e afetos; e por a\u00ed vai. N\u00e3o se trata de juntar ou articular os polos, mas buscar outras formas de conceber nossa rela\u00e7\u00e3o com o mundo. Dito de forma ainda mais radical, conceber as rela\u00e7\u00f5es que nos produzem, assim como ao que chamamos de mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-contribuicao-mais-potente-da-diversidade-cultural-nao-esta-vinculada-aos-conteudos-das-experiencias-mas-a-possibilidade-de-aprender-a-borrar-limites-entre-o-saber-cientif\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cA contribui\u00e7\u00e3o mais potente da diversidade cultural n\u00e3o est\u00e1 vinculada aos \u2018conte\u00fados\u2019 das experi\u00eancias, mas \u00e0 possibilidade de aprender a borrar limites entre o saber cient\u00edfico e o comunit\u00e1rio, entre natureza e cultura, entre humano e mundo.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2013 Como a participa\u00e7\u00e3o desses grupos v\u00eam mudando uma vis\u00e3o \u201ctradicional\u201d de ci\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EM &#8211; <\/strong>\u00c9 preciso reconhecer que a visibilidade que essas comunidades v\u00eam conquistando com muita luta pol\u00edtica pelo direito de simplesmente existir colocou o universalismo da ci\u00eancia ou do erudito, que se transforma em conte\u00fado escolar, em xeque. Ao ecoar, o grito dessas outras formas de existir no mundo torna qualquer pretens\u00e3o universalista uma impossibilidade em si. N\u00e3o tem mais volta e os genoc\u00eddios que assistimos nos \u00faltimos anos, a eclos\u00e3o do extremismo de direita, s\u00e3o a tentativa desesperada de voltar a um mundo imposs\u00edvel. Por outro lado, quando esses grupos sa\u00edram do lugar de silenciamento em que os colocamos por s\u00e9culos, tivemos contato com cosmologias que podem nos ajudar muito a re-entender e re-encantar nossa ci\u00eancia e nossa educa\u00e7\u00e3o. E a\u00ed n\u00e3o se trata de \u201cconte\u00fados\u201d, mas de perspectivas onto-epistemol\u00f3gicas outras. Pensar o mundo de forma relacional, uma novidade na discuss\u00e3o te\u00f3rica ocidental, por exemplo, \u00e9 uma caracter\u00edstica muito forte de cosmologias ind\u00edgenas, de povos da floresta, da cultura negra e quilombola. Como e quando essas perspectivas v\u00e3o entrar ou \u201ctomar de assalto\u201d a escola e a ci\u00eancia \u00e9 dif\u00edcil prever, at\u00e9 porque s\u00e3o muitas as viol\u00eancias pol\u00edticas que temos visto desde que essas popula\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a conquistar reconhecimento e direito de existir. Ao mesmo tempo, trata-se de um movimento em curso \u2013 que possivelmente sempre esteve a\u00ed, mesmo que sufocado \u2013 que dificilmente poder\u00e1 ser parado. Se a pesquisa cient\u00edfica quiser se manter relevante, ela precisa, como vem fazendo, romper com o antropocentrismo, a ideia de uma ci\u00eancia que explora, para o bem do humano, o mundo\/natureza. Quando ela faz isso, se aproxima das cosmologias que desprezou para constituir sua excel\u00eancia. Se a escola quiser se manter relevante, ela precisa recuperar-se como lugar de relacionalidade com o outro (n\u00e3o apenas humano) e, possivelmente, ir\u00e1 se aproximar, cada vez mais, das formas de educar valorizadas pelas comunidades \u201ctradicionais\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Que balan\u00e7o pode ser feito atualmente das pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras direcionadas \u00e0 supera\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais\u00a0no\u00a0Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EM &#8211; <\/strong>Esta pergunta ajuda a diminuir o perigo de uma leitura muito efusiva do que eu disse anteriormente, mesmo que eu tenha chamado a aten\u00e7\u00e3o para as viol\u00eancias a que os sujeitos \u201coutrificados pela norma\u201d s\u00e3o submetidos cotidianamente. Acho que \u00e9 desnecess\u00e1rio dizer que n\u00e3o houve pol\u00edticas para redu\u00e7\u00e3o de qualquer desigualdade no Brasil dos \u00faltimos anos ou, ainda pior, houve um desmantelamento das poucas pol\u00edticas que a sociedade brasileira tinha conseguido erigir nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas. N\u00e3o considerando os \u00faltimos anos, podemos talvez dizer que fizemos um importante trabalho no sentido de botar em a\u00e7\u00e3o pol\u00edticas p\u00fablicas que ajudaram na redu\u00e7\u00e3o de desigualdades sociais. Tivemos pol\u00edticas importantes para as popula\u00e7\u00f5es de baixa renda que, se n\u00e3o necessariamente reduziram o tamanho da desigualdade, criaram condi\u00e7\u00f5es de vida mais dignas para uma parcela mais pobre da popula\u00e7\u00e3o. Nossa desigualdade social \u00e9 enorme, de modo que muito ainda precisa ser feito (mesmo antes do ultraliberalismo recente). E a desigualdade n\u00e3o \u00e9 apenas social, o Brasil \u00e9 estruturalmente racista, olig\u00e1rquico, machista, homof\u00f3bico. O muito que precisa ser feito n\u00e3o depende apenas de governos, ainda que uma maior representatividade da diversidade da popula\u00e7\u00e3o no sistema pol\u00edtico e jur\u00eddico seja imperativa. H\u00e1 que se considerar tamb\u00e9m que nosso lugar na geopol\u00edtica mundial \u00e9 outro elemento que dificulta a efetiva\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as estruturais necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-visibilidade-que-essas-comunidades-vem-conquistando-com-muita-luta-politica-pelo-direito-de-simplesmente-existir-colocou-em-xeque-o-universalismo-da-ciencia-ou-do-erudito-que-se-transforma\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cA visibilidade que essas comunidades v\u00eam conquistando com muita luta pol\u00edtica pelo direito de simplesmente existir colocou em xeque o universalismo da ci\u00eancia ou do erudito que se transforma em conte\u00fado escolar.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2013 E em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, mais especificamente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EM &#8211; <\/strong>\u00c9 importante destacar que educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o reduz desigualdades sociais. Esta \u00e9 uma fal\u00e1cia economicista que lhe imputa fracasso anunciado: efetivamente, o fracasso da gest\u00e3o econ\u00f4mica que se transfere \u00e0 escola. Desde os anos 2000, as pol\u00edticas educacionais v\u00eam buscando atacar os desdobramentos, no campo da educa\u00e7\u00e3o, das elevadas desigualdades sociais no Brasil. Novamente, n\u00e3o estou considerando os retrocessos nos \u00faltimos anos, amplificados pela pandemia. O grande destaque foi a universaliza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o fundamental e uma melhora consider\u00e1vel do acesso ao ensino m\u00e9dio. Tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de redistribui\u00e7\u00e3o de fundos para a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, com determina\u00e7\u00e3o de uma aloca\u00e7\u00e3o m\u00ednima de verbas para que estados e munic\u00edpios possam fazer face \u00e0s necessidades de financiamento da educa\u00e7\u00e3o, foi um ganho enorme. Nesse aspecto quero destacar que, com toda a press\u00e3o de desmantelamento do Estado que vimos nos \u00faltimos anos, uma nova legisla\u00e7\u00e3o do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/fundeb\"><strong>Fundo de Manuten\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e de Valoriza\u00e7\u00e3o dos Profissionais da Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a><\/span> (Fundeb) foi aprovada, garantindo a chegada de recursos na ponta do sistema. O piso salarial do magist\u00e9rio, atrelado ao fundo, \u00e9 outra medida que contribui para um sistema educacional menos desigual. Ao longo do per\u00edodo, vimos tamb\u00e9m discuss\u00f5es importantes de ra\u00e7a, g\u00eanero, sexualidade chegarem \u00e0s escolas \u2013 ainda que a via de curr\u00edculos nacionais n\u00e3o me pare\u00e7a a mais apropriada. A forma\u00e7\u00e3o de professores para lidar com estes conte\u00fados, ainda que aqu\u00e9m do necess\u00e1rio, contou com diferentes pol\u00edticas de produ\u00e7\u00e3o de material e oferecimento de cursos. Estruturou-se um sistema de avalia\u00e7\u00e3o, que considero controverso, mas que, com a amplia\u00e7\u00e3o de universidades p\u00fablicas e institutos tecnol\u00f3gicos, criou condi\u00e7\u00f5es de acesso de muitos ao ensino superior. As leis de cotas aos poucos v\u00eam se firmando no cen\u00e1rio nacional, tanto para o acesso ao n\u00edvel superior quanto aos postos de trabalho. Vou parar por aqui na enumera\u00e7\u00e3o que trouxe para mostrar o quanto se avan\u00e7ou com pol\u00edticas p\u00fablicas de redu\u00e7\u00e3o de desigualdades no campo da educa\u00e7\u00e3o. Se elas parecem agulha num palheiro, \u00e9 porque os n\u00edveis de desigualdade da sociedade brasileira s\u00e3o abissais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-desigualdade-nao-e-apenas-social-o-brasil-e-estruturalmente-racista-oligarquico-machista-homofobico\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cA desigualdade n\u00e3o \u00e9 apenas social: o Brasil \u00e9 estruturalmente racista, olig\u00e1rquico, machista, homof\u00f3bico.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2013 Nesse contexto, o que poderia\/ deveria ser feito para avan\u00e7ar as discuss\u00f5es \u2013 e as pol\u00edticas p\u00fablicas \u2013 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EM &#8211; <\/strong>Ao mesmo tempo em que celebro o que foi feito, tamb\u00e9m destaco o que h\u00e1 para fazer \u2013 e refazer, posto que muito foi descaracterizado. Mas tamb\u00e9m quero falar do que os resultados de pesquisa indicam que n\u00e3o ajudam. Centraliza\u00e7\u00e3o curricular, na forma de curr\u00edculos e\/ou de livros\/apostilas, n\u00e3o contribui para a redu\u00e7\u00e3o de desigualdades. Muitas pesquisas norte-americanas, onde estudos de medida de desempenho correlacionados com desigualdade s\u00e3o comuns, mostram que, no geral, n\u00e3o h\u00e1 redu\u00e7\u00e3o de desigualdades quando essas estrat\u00e9gias s\u00e3o adotadas. Em muitos casos, ocorre exatamente o inverso. Testagens nacionais centralizadas tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam se mostrado um instrumento poderoso no sentido de reduzir desigualdades, muitas vezes servindo mesmo para cristaliz\u00e1-las. E \u00e9 relevante destacar que com todas as pol\u00edticas que celebrei acima, um dos n\u00facleos duros de nossas pol\u00edticas educacionais dos anos 2000 tem sido constitu\u00eddo de curr\u00edculo nacional-testagem. \u00c9 uma dupla que tem sido deixada de lado em muitos pa\u00edses que celebraram resultados no <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/inep\/pt-br\/areas-de-atuacao\/avaliacao-e-exames-educacionais\/pisa\"><strong>Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes<\/strong><\/a><\/span> (Pisa) no in\u00edcio das testagens e, paulatinamente, foram recentrando sua educa\u00e7\u00e3o nas escolas e nas experi\u00eancias que a\u00ed ocorrem. No Brasil, acirramos a l\u00f3gica de controle, <span style=\"text-decoration: line-through;\">em<\/span> muito em fun\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o acintosa de funda\u00e7\u00f5es ligadas ao mercado econ\u00f4mico e produtivo na \u201ccogest\u00e3o\u201d da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. E n\u00e3o se trata de uma posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de entidades filantr\u00f3picas, mas da defesa de um debate aberto em que pesquisas divergentes possam ser trazidas \u00e0 mesa em que pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o formuladas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Confira entrevista com Elizabeth Macedo, professora do Centro de Educa\u00e7\u00e3o e Humanidades&hellip;\n","protected":false},"author":9,"featured_media":4686,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,864],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4619"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4619"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4619\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4621,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4619\/revisions\/4621"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4686"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}