{"id":4742,"date":"2023-09-18T08:00:45","date_gmt":"2023-09-18T08:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4742"},"modified":"2024-02-15T11:03:38","modified_gmt":"2024-02-15T11:03:38","slug":"integracao-latino-americana-e-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=4742","title":{"rendered":"Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana e Democracia"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"a-uniao-da-america-latina-em-um-momento-de-turbulencias-e-crises-e-um-desafio-mas-tambem-uma-solucao\"><span style=\"color: #808080;\">A uni\u00e3o da Am\u00e9rica Latina em um momento de turbul\u00eancias e crises \u00e9 um desafio \u2013 mas tamb\u00e9m uma solu\u00e7\u00e3o<\/span><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A abordagem do tema \u201cIntegra\u00e7\u00e3o Latino-Americana e Democracia\u201d ser\u00e1 realizada de um modo multidisciplinar, envolvendo as dimens\u00f5es ecol\u00f3gicas, econ\u00f4micas, pol\u00edticas, cient\u00edficas e culturais.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos denominar nosso tempo de \u201cA Era da Mundializa\u00e7\u00e3o de Conflitualidades\u201d, marcada pelo crescimento da produ\u00e7\u00e3o industrial, o avan\u00e7o do capital financeiro, o aumento das migra\u00e7\u00f5es internacionais, a p\u00f3s-modernidade como forma cultural, a revolu\u00e7\u00e3o das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, a crise do meio ambiente e a crise social mundial. Desde os anos de 1990, novos dilemas e problemas sociais emergem no horizonte planet\u00e1rio, configurando novas quest\u00f5es sociais mundiais que se manifestam, de forma articulada e an\u00e1loga, mas com distintas especificidades, nas diferentes sociedades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"vivemos-uma-situacao-de-incerteza-fabricada-na-qual-ha-uma-pressao-continua-para-desmantelar-as-garantias-socialmente-construidas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cVivemos uma situa\u00e7\u00e3o de incerteza fabricada, na qual h\u00e1 uma press\u00e3o cont\u00ednua para desmantelar as garantias socialmente constru\u00eddas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A l\u00f3gica cultural dessa era de modernidade tardia, marcada pela inseguran\u00e7a, rep\u00f5e a alteridade cultural, pois o culto da liberdade individual e o desdobramento da personalidade passam ao centro das preocupa\u00e7\u00f5es. Entretanto, rompe-se a consci\u00eancia coletiva da integra\u00e7\u00e3o social. Vivemos uma situa\u00e7\u00e3o de incerteza fabricada, na qual h\u00e1 uma press\u00e3o cont\u00ednua para desmantelar as garantias socialmente constru\u00eddas. Trata-se de uma ruptura do contrato social e dos la\u00e7os sociais, provocando fen\u00f4menos de desfilia\u00e7\u00e3o e de ruptura nas rela\u00e7\u00f5es de alteridade, dilacerando o v\u00ednculo entre o eu e o outro.<\/p>\n<p>Partimos de um contexto de incerteza mundial, em sistemas pol\u00edticos complexos. Destaca Alfredo Pena-Vega (EHESS, Paris), em \u201c<em>Welcome<\/em> \u00e0 era da incerteza: uma reflex\u00e3o antropol\u00edtica sobre um futuro global\u201d:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cEncontramo-nos num ponto de viragem decisivo na forma como entendemos e concebemos o nosso destino comum. As policrises globais est\u00e3o a convergir, mas a sua simultaneidade n\u00e3o \u00e9 o resultado de uma infeliz coincid\u00eancia. S\u00e3o semelhantes a todas as outras que marcaram a hist\u00f3ria. Mas h\u00e1 uma diferen\u00e7a, na medida em que esta \u00e9 a primeira policrise verdadeiramente global do nosso s\u00e9culo. A hip\u00f3tese central deste artigo \u00e9 que as incertezas que surgiram na sequ\u00eancia da convuls\u00e3o planet\u00e1ria da pandemia, da escalada da crise clim\u00e1tica e do ressurgimento da guerra no cora\u00e7\u00e3o da Europa s\u00e3o extremamente abrangentes, mas ao mesmo tempo inesperadas e prescientes. Inesperado, porque, por um lado, revela a necessidade de integrar a d\u00favida e o erro e a multidimensionalidade dos fen\u00f3menos no nosso modo de pensar, que deve ser o sino quo non da investiga\u00e7\u00e3o, do exame e da reflex\u00e3o\u201d. <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Iniciamos pela an\u00e1lise da integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina em uma perspectiva econ\u00f4mica. Seria a UNASUL, desde 2007, \u201cuma alternativa econ\u00f4mica vi\u00e1vel para que os pa\u00edses sul-americanos, ao se integrarem regionalmente, tenham estabilidade macroecon\u00f4mica e desenvolvimento econ\u00f4mico e social?\u201d, indaga Fernando Ferrari Filho (UFRGS):<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cA integra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma etapa de agrega\u00e7\u00e3o de interesses que leva \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de \u2018blocos econ\u00f4micos\u2019, que por sua vez, v\u00e3o de zona de livre com\u00e9rcio, \u00e0 uni\u00e3o aduaneira, ao mercado comum e finalmente \u00e0 uni\u00e3o econ\u00f4mica e monet\u00e1ria. Neste sentido, o Mercosul \u00e9 um processo, por exemplo. Outrossim, a estrat\u00e9gia de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica deve estar aliada a mecanismos de realiza\u00e7\u00e3o da democracia, para gerar uma sociedade pluralista e participante. Do ponto de vista pol\u00edtico a regi\u00e3o convive entre formalismos eleitorais e profundas clivagens ideol\u00f3gicas, que provocam uma consistente m\u00e1 qualidade da democracia.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Permanecem, entretanto, os dilemas do espa\u00e7o pol\u00edtico na Am\u00e9rica Latina, salienta Ben\u00edcio Schmidt (UnB), em seu texto \u201cAm\u00e9rica Latina: integra\u00e7\u00e3o e democracia\u201d:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201ca legitima\u00e7\u00e3o dos regimes democr\u00e1ticos tamb\u00e9m abarca a exist\u00eancia necess\u00e1ria de pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o social, de formas previstas de participa\u00e7\u00e3o popular para garantir a cidadania, e assim por diante. Tudo isso exige a conformidade com a contemporaneidade mundial, que tem destacado a emerg\u00eancia de novos processos de forma\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica, com os usos de redes sociais, campanhas pol\u00edticas com apelo \u00e0 psicologia comportamental, uso de intelig\u00eancia artificial partindo de dados publicamente dispon\u00edveis sobre perfis dos cidad\u00e3os e de grupos, e outros recursos dispon\u00edveis pelo acervo das ci\u00eancias sociais contempor\u00e2neas\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lembra o autor que, em um contexto marcado tamb\u00e9m pelo ressurgimento de ideologias caracterizadas por ades\u00e3o \u00e0 xenofobia, misoginia e outras virtualidades, realizar a democracia em conson\u00e2ncia com pol\u00edticas de desenvolvimento econ\u00f4mico continua sendo um desafio.<\/p>\n<p>A coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica regional ressurge na reportagem de Bianca Bosso, pois mesmo com o avan\u00e7o de regimes democr\u00e1ticos na Am\u00e9rica-Latina, a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos pa\u00edses ainda se mostra como um dos dilemas a serem superados. Acresce-se a quest\u00e3o crucial do desenvolvimento sustent\u00e1vel, explica a mat\u00e9ria de Mariana Hafiz: a necessidade de implementar pol\u00edticas p\u00fablicas para seguran\u00e7a alimentar e nutricional, o combate ao desmatamento ilegal e a conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio gen\u00e9tico da floresta. Tamb\u00e9m se destacou a import\u00e2ncia de incluir os povos origin\u00e1rios em todos os debates envolvendo o desenvolvimento sustent\u00e1vel da Amaz\u00f4nia nos pr\u00f3ximos anos, incluindo mulheres e amaz\u00f4nidas urbanos. Cita o projeto de Alfredo Wagner (UFMA) que trata de garantir o desenvolvimento sustent\u00e1vel e levantar a\u00e7\u00f5es para combater mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, criando condi\u00e7\u00f5es para os povos que habitam a regi\u00e3o promoverem as suas pr\u00f3prias formas de prote\u00e7\u00e3o e defesa dos territ\u00f3rios, e de \u00e1reas preservadas, incluindo as terras e rios da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"em-um-contexto-marcado-tambem-pelo-ressurgimento-de-ideologias-caracterizadas-por-adesao-a-xenofobia-misoginia-e-outras-virtualidades-realizar-a-democracia-em-consonancia-com-politicas-de-d\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEm um contexto marcado tamb\u00e9m pelo ressurgimento de ideologias caracterizadas por ades\u00e3o \u00e0 xenofobia, misoginia e outras virtualidades, realizar a democracia em conson\u00e2ncia com pol\u00edticas de desenvolvimento econ\u00f4mico continua sendo um desafio.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Era da Mundializa\u00e7\u00e3o de Conflitualidades e das incertezas rep\u00f5e a literatura e a arte como reflex\u00f5es sobre a sociedade, a ci\u00eancia e a pol\u00edtica. Na Am\u00e9rica Latina, dede o s\u00e9culo XVI, sucederam-se tr\u00eas modos de representa\u00e7\u00e3o: o discurso da abund\u00e2ncia, o discurso da car\u00eancia e da viol\u00eancia e o discurso do futuro virtual.<sup>[1]<\/sup> Neste s\u00e9culo XXI, ainda que os outros persistam, assoma-se a forma da viol\u00eancia:<sup>[2]<\/sup> as metamorfoses do romance hist\u00f3rico, do romance testemunho, do romance policial ou do romance da viol\u00eancia, vem a expressar tais figura\u00e7\u00f5es e hibridismos.<sup>[3]<\/sup><\/p>\n<p>Escreve Enio Passiani (UFRGS), em \u201cMem\u00f3ria, trauma e Ditadura no Brasil: A literatura testemunhal de Renato Tapaj\u00f3s\u201d, que a viol\u00eancia pol\u00edtica exige a restaura\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria contra a indiferen\u00e7a:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cTal pol\u00edtica da mem\u00f3ria, por conseguinte, mant\u00e9m abertas feridas traum\u00e1ticas e instala um luto insuper\u00e1vel, contribuindo para que o passado n\u00e3o passe, comprometendo o nosso futuro, mesmo quando essa pol\u00edtica \u00e9 invocada em nome da concilia\u00e7\u00e3o e da supera\u00e7\u00e3o em prol da transi\u00e7\u00e3o (supostamente) harm\u00f4nica e saud\u00e1vel dos regimes autorit\u00e1rios para os democr\u00e1ticos\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Precisa o objeto de seu estudo:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cO romance testemunhal, como \u00e9 o caso do livro de Renato Tapaj\u00f3s, n\u00e3o deixa de representar uma esp\u00e9cie de trabalho coletivo de elabora\u00e7\u00e3o do passado traum\u00e1tico uma vez que permite e amplia a circula\u00e7\u00e3o social de um conjunto de experi\u00eancia dolorosas vividas individualmente, mas que s\u00e3o o produto de condi\u00e7\u00f5es sociais e hist\u00f3ricas que ressoam coletivamente, possibilitando o reconhecimento da dor alheia\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o estudo das mem\u00f3rias e trajet\u00f3rias de mulheres exiladas da Am\u00e9rica Latina e do Cone Sul, no per\u00edodo ditatorial das d\u00e9cadas de 70 e 80, exige uma abordagem das pr\u00e1ticas repressivas estatais e paraestatais, bem como recordar as trajet\u00f3rias ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>O texto de N\u00edlia Viscardi (UDELAR, Uruguay), em \u201c<em>Exilios y resistencias de militantes uruguayas: arte, cuerpo y g\u00e9nero a 50 a\u00f1os del golpe de estado<\/em>\u201d evoca a mem\u00f3ria de uma dan\u00e7arina, Ema Haberli, expressando uma combinat\u00f3ria corpo-solidariedade-trabalho-dan\u00e7a contempor\u00e2nea e milit\u00e2ncia ecol\u00f3gica:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cA revis\u00e3o das biografias de mulheres no ex\u00edlio centra-se nas diferen\u00e7as a partir de uma perspectiva de g\u00eanero para compreender a mem\u00f3ria e reconstruir a pr\u00f3pria hist\u00f3ria oral. A forma como o ex\u00edlio \u00e9 percebido e como se d\u00e1 a resposta \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de vida que nele surgem mostram diferen\u00e7as entre homens e mulheres expressas nos problemas de vida que s\u00e3o abordados nas biografias\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>C\u00e9sar Barreira menciona que \u201cfalar de mem\u00f3ria social \u00e9 adentrar uma tem\u00e1tica com diversas possibilidades de an\u00e1lise\u201d. Inicia por problematizar a mem\u00f3ria social com base em algumas m\u00e1ximas que delimitam esse tema e analisa situa\u00e7\u00f5es que configuram reconstru\u00e7\u00f5es de mem\u00f3ria social.<\/p>\n<p>Chegamos, ent\u00e3o, a lembran\u00e7as da ci\u00eancia: mem\u00f3ria, gen\u00e9tica e energia. Distintos cientistas podem ser evocados, <em>in memoriam<\/em>: Ivan Izquierdo, Francisco Mauro Salzano e Roberto Fernando de Souza, todos da UFRGS.<\/p>\n<p>O professor Izquierdo frisava: \u201co sistema nervoso governa todas as atividades dos seres humanos e n\u00e3o humanos (\u2026) atrav\u00e9s da mem\u00f3ria. O tema (\u2026) \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre formas de aprendizado e formas de mem\u00f3ria. Os seres fazem o que fazem porque lembram, e lembram porque alguma vez aprenderam\u201d. Finaliza dizendo \u201cque a memoria \u00e9 composta por formas de aprendizado e de esquecimento\u201d.<\/p>\n<p>Francisco Mauro Salzano (Gen\u00e9tica, UFRGS) escreveu sobre as rela\u00e7\u00f5es entre Biologia e Cultura. Afirmava que a rela\u00e7\u00e3o entre biologia e cultura \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica, pois \u201cno s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX havia um consenso de que os fatores gen\u00e9ticos eram muito importantes no condicionamento do comportamento humano\u201d, o que depois mudou com o desprezo da gen\u00e9tica. Por\u00e9m, \u201co que atualmente se verifica \u00e9 que houve uma mudan\u00e7a quanto a essas duas polaridades, chegando-se a uma ideia de que \u00e9 preciso criar uma intera\u00e7\u00e3o entre esses dois conjuntos de elementos e, assim, poder interpretar o comportamento humano\u201d.<\/p>\n<p>Roberto Fernando de Souza (Qu\u00edmica, UFRGS) analisou a rela\u00e7\u00e3o entre energia e sustentabilidade: focou na \u201cmodifica\u00e7\u00e3o de fontes energ\u00e9ticas\u201d e defendeu que \u201ctemos que mudar de tipo de energia e para que lado podemos ir, a procurar uma solu\u00e7\u00e3o global, do ponto de vista brasileiro\u201d; prop\u00f4s, assim, \u201cuma economia orientada ao hidrog\u00eanio\u201d. Afinal, trata-se de reconhecer heran\u00e7as, sofridas e afetuosas, a palmar o futuro, nos versos da cientista poeta \u00c2ngela Wyse, Neurocientista (UFRGS):<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u201cOu\u00e7o algu\u00e9m pisando o ch\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vejo marcas positivas deixadas no<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Caminho de quem muito andou<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E passos na terra deixada por quem plantou\u201d<\/em><sup>[4]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No plano das virtualidades futuras, as lutas sociais, os sindicatos e os movimentos sociais tra\u00e7am, juntamente com segmentos da intelectualidade universit\u00e1ria, uma agenda pol\u00edtica para o aprofundamento da democracia na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ha-necessidade-de-se-garantir-o-financiamento-adequado-das-universidades-publicas-e-dos-sistemas-de-ciencia-tecnologia-e-inovacao-inclusive-para-propiciar-aos-jovens-uma-presenca-relevante\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cH\u00e1 necessidade de se garantir o financiamento adequado das universidades p\u00fablicas e dos sistemas de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o, inclusive para propiciar aos jovens uma presen\u00e7a relevante no futuro da sociedade.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As for\u00e7as democr\u00e1ticas defendem o papel central das universidades na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, ci\u00eancia e tecnologia, seja nos processos de fabrica\u00e7\u00e3o ou nas tecnologias sociais e, em particular, na constru\u00e7\u00e3o da cidadania. Inclusive, ressaltam o papel fundamental das associa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas \u2013 como a <strong><a href=\"http:\/\/portal.sbpcnet.org.br\/\">Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC)<\/a><\/strong> \u2013 nessa empreitada.<\/p>\n<p>Da mesma forma, h\u00e1 necessidade de se garantir o financiamento adequado das universidades p\u00fablicas e dos sistemas de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o, inclusive para propiciar aos jovens uma presen\u00e7a relevante no futuro da sociedade. Acelera-se, ainda, a combina\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de democracia representativa com a democracia participativa (e o or\u00e7amento participativo), assim como a democracia deliberativa (em conselhos, por exemplo).<sup>[5]<\/sup><\/p>\n<p>Foi poss\u00edvel, ent\u00e3o, formular uma agenda para a democratiza\u00e7\u00e3o profunda das sociedades da Am\u00e9rica Latina, para al\u00e9m das especificidades nacionais:<sup>[6]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Implementar um marco legal para a ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Revitalizar o ensino secund\u00e1rio, combinando a cultura humanista com a educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica;<\/li>\n<li>Garantir o papel central das universidades na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, ci\u00eancias, produ\u00e7\u00e3o e tecnologias; em particular, na constru\u00e7\u00e3o da cidadania. Portanto, o retomar do financiamento adequado das universidades p\u00fablicas e dos sistemas de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o, inclusive para proporcionar aos jovens papel relevante no futuro da sociedade.<\/li>\n<li>Importa efetivar uma s\u00e9rie de medidas contra a exclus\u00e3o social e o desemprego, com a redu\u00e7\u00e3o da pobreza e o aumento real dos sal\u00e1rios-m\u00ednimos, acentuando a expans\u00e3o do empreendedorismo, a participa\u00e7\u00e3o da mulher e a gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda a fim de ampliar a inclus\u00e3o social.<\/li>\n<li>Disseminar a inclus\u00e3o digital em todos os espa\u00e7os sociais.<\/li>\n<li>Garantir do Estado Democr\u00e1tico de Direito.<\/li>\n<li>Combinar as formas da democracia representativa com as formas da democracia participativa e deliberativa.<\/li>\n<li>Retomar o crescimento econ\u00f3mico, com a afirma\u00e7\u00e3o da Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, a economia digital, o fortalecimento da produ\u00e7\u00e3o industrial e do sector dos servi\u00e7os, e a expans\u00e3o das micro e m\u00e9dias empresas.<\/li>\n<li>Expandir a Reforma Agr\u00e1ria ampla e geral e assegurar um papel relevante aos produtores familiares.<\/li>\n<li>Afirmar o modo de produ\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a cidad\u00e3, como possibilidade de supera\u00e7\u00e3o das viol\u00eancias e da viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/li>\n<li>Garantir os territ\u00f3rios, a economia e a cultura dos povos origin\u00e1rios.<\/li>\n<li>Preservar o meio ambiente e o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/li>\n<li>Assegurar a produ\u00e7\u00e3o da diversidade cultural, da democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e da valoriza\u00e7\u00e3o da multiplicidade de conhecimentos, num di\u00e1logo cr\u00edtico entre o senso comum, os pontos de vista tradicionais e o conhecimento cient\u00edfico, reafirmando o hibridismo como contribui\u00e7\u00e3o universal.<\/li>\n<li>Reconhecer a diferen\u00e7a, afirmando os direitos humanos coletivos, garantindo os direitos das mulheres, reconhecendo a juventude, e promovendo a diversidade \u00e9tnica e as a\u00e7\u00f5es afirmativas.<\/li>\n<li>Renovar o multilateralismo nas rela\u00e7\u00f5es internacionais, afirmando as interfaces Sul-Norte e Sul-Sul, e propondo o desenvolvimento sustent\u00e1vel, em um novo horizonte da coopera\u00e7\u00e3o latino-americana.<\/li>\n<li>Afirmar a Paz como direito universal.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este n\u00famero da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a><\/span> insere-se em um contexto de imagina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, pol\u00edtica, cient\u00edfica e cultural, vislumbrando virtualidades para a Am\u00e9rica Latina do futuro. Pois, segundo o antrop\u00f3logo Caleb Alves (UFRGS),<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>A leitura invade<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>as linhas da m\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>e procura <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>na indiferen\u00e7a dos pares<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>qual destino<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>ainda tem for\u00e7as<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>para resgatar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>tua humanidade<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Notas<\/strong><\/span><\/h5>\n<h5 id=\"1-ortega-julio-el-sujeto-dialogico-negociaciones-de-la-modernidad-conflictiva-mexico-fce-2010\"><span style=\"color: #808080;\">[1] Ortega, Julio. El sujeto dial\u00f3gico: negociaciones de la modernidad conflictiva. M\u00e9xico: FCE, 2010.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"2-adorno-sergio-preface-de-la-violence-dans-limaginaire-latino-americain-in-corten-andre-cote-anne-elizabeth-dirs-la-violence-dans-limaginaire-lat\"><span style=\"color: #808080;\">[2] Adorno, S\u00e9rgio. \u201cPr\u00e9face de La violence dans l\u2019imaginaire latino-am\u00e9ricain\u201d. In: CORTEN, Andr\u00e9 &amp; C\u00d4T\u00c9, Anne-\u00c9lizabeth (Dirs.). La violence dans l\u2019imaginaire latino-am\u00e9ricain. Paris: Karthala; Qu\u00e9bec: Presses de l\u2019Universit\u00e9 du Qu\u00e9bec, 2008.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"3-tavares-dos-santos-jose-vicente-figuraciones-de-la-violencia-sociologia-de-novelas-latinoamericanas-buenos-aires-teseo-2022-tavares-dos-santos-jose-vicente-o-romance-da-violencia-sociol\"><span style=\"color: #808080;\">[3] Tavares-dos-Santos, Jos\u00e9 Vicente. Figuraciones de la violencia (sociolog\u00eda de novelas latinoamericanas). Buenos Aires: TESEO, 2022; Tavares-dos-Santos, Jos\u00e9 Vicente. O Romance da Viol\u00eancia: sociologia das metamorfoses do romance policial. Porto Alegre: TOMO, 2020; Tavares-dos-Santos, Jos\u00e9 Vicente e Viscardi, Nilia. \u201cDossi\u00ea Literatura, Sociedade e Viol\u00eancia: apresenta\u00e7\u00e3o\u201d. In: O P\u00fablico e o Privado. Fortaleza: EdUECE, v.21, n.44, 2023, pp. 7-21.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"4-wyse-angela-neuropoesia-porto-alegre-tomo-2016\"><span style=\"color: #808080;\">[4] Wyse, Angela. Neuropoesia. Porto Alegre: TOMO, 2016.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"5-fedozzi-luciano-orcamento-participativo-reflexoes-sobre-a-experiencia-de-porto-alegre-porto-alegre-tomo-2001-sintomer-yves-o-poder-ao-povo-juris-de-cidadaos-sorteio-e-democracia-partici\"><span style=\"color: #808080;\">[5] Fedozzi, Luciano. Or\u00e7amento Participativo. Reflex\u00f5es Sobre A Experi\u00eancia De Porto Alegre. Porto Alegre: TOMO, 2001; Sintomer, Yves. O poder ao povo: j\u00faris de cidad\u00e3os, sorteio e democracia participativa. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"6-tavares-dos-santos-jose-vicente-autoritarismo-y-crisis-de-la-democracia-el-neoliberalismo-dependente-conservador-en-brasil-in-torres-ruiz-rene-y-dario-salinas-coords-cr\"><span style=\"color: #808080;\">[6] Tavares-dos-Santos, Jos\u00e9 Vicente. \u201cAutoritarismo y crisis de la democracia: el neoliberalismo dependente conservador en Brasil\u201d. In: Torres-Ru\u00edz, Ren\u00e9 y Dar\u00edo Salinas (Coords.). Crisis pol\u00edtica, autoritarismo y democracia. M\u00e9xico: Siglo XXI, 2022.<\/span><\/h5>\n<hr \/>\n<h6 id=\"capa-a-logica-cultural-da-era-de-modernidade-tardia-marcada-pela-inseguranca-repoe-a-alteridade-cultural-foto-roberto-huczek-unsplash-com-reproducao\"><strong>Capa: A l\u00f3gica cultural da era de modernidade tardia, marcada pela inseguran\u00e7a, rep\u00f5e a alteridade cultural.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Roberto Huczek\/ Unsplash.com. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"tavares-dos-santos-jose-vicente-integracao-latino-americana-e-democracia-a-uniao-da-america-latina-em-um-momento-de-turbulencias-e-crises-e-um-desafio-mas-tambem-uma-solucao-cienc-cult\"><span style=\"color: #808080;\">TAVARES-DOS-SANTOS, Jos\u00e9 Vicente.<span class=\"article-title\">\u00a0Integra\u00e7\u00e3o latino-americana e democracia: a uni\u00e3o da Am\u00e9rica Latina em um momento de turbul\u00eancias e crises \u00e9 um desafio, mas tamb\u00e9m uma solu\u00e7\u00e3o.<\/span><i>\u00a0Cienc. Cult.<\/i>\u00a0[online]. 2023, vol.75, n.3 [citado\u00a0 2024-02-15], pp.1-5. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252023000300001&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230033.<\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A uni\u00e3o da Am\u00e9rica Latina em um momento de turbul\u00eancias e crises&hellip;\n","protected":false},"author":122,"featured_media":4745,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52,21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4742"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/122"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4742"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4742\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5502,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4742\/revisions\/5502"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4745"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}