{"id":5060,"date":"2023-11-08T07:59:47","date_gmt":"2023-11-08T07:59:47","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5060"},"modified":"2024-09-18T13:12:19","modified_gmt":"2024-09-18T13:12:19","slug":"farmacia-natural-brasileira-biomas-como-bercos-para-a-criacao-de-medicamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5060","title":{"rendered":"Farm\u00e1cia natural brasileira: biomas como ber\u00e7os para a cria\u00e7\u00e3o de medicamentos"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"plantas-animais-e-microrganismos-guardam-receitas-para-a-saude-e-o-bem-estar-mas-desafios-poem-em-cheque-o-potencial-desses-recursos\"><span style=\"color: #808080;\">Plantas, animais e microrganismos guardam \u201creceitas\u201d para a sa\u00fade e o bem-estar, mas desafios p\u00f5em em cheque o potencial desses recursos<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/politica_programa_nacional_plantas_medicinais_fitoterapicos.pdf\">Pol\u00edtica e Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoter\u00e1picos<\/a><\/strong><\/span>, criada em 2006 e detalhada em 2008 pelo <strong><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\"><span style=\"color: #800000;\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS)<\/span><\/a><\/strong>, foi implementada para regulamentar, estimular e promover o acesso seguro e sustent\u00e1vel a uma pr\u00e1tica que j\u00e1 era comum no pa\u00eds h\u00e1 s\u00e9culos: o uso de recursos naturais como medicamentos. Antes mesmo da coloniza\u00e7\u00e3o, em meados de 1500, a rica biodiversidade contida em cada bioma brasileiro e o conhecimento milenar dos povos nativos j\u00e1 se uniam e se transformavam em ferramentas poderosas para promover a cura, o bem-estar e a sa\u00fade da comunidade de forma natural. Ao longo dos anos, os saberes e pr\u00e1ticas tradicionais passaram por diferentes processos de lapida\u00e7\u00e3o e foram combinados com conceitos trazidos pelas comunidades europeias e africanas que chegaram no pa\u00eds, criando uma medicina natural f\u00e9rtil e essencialmente brasileira.<\/p>\n<p>O passar do tempo n\u00e3o diminuiu o interesse pelas propriedades medicinais de plantas, microrganismos e animais. Em paralelo ao desenvolvimento de novas t\u00e9cnicas e tecnologias para explorar o potencial da natureza, diversos rem\u00e9dios importantes com bases naturais foram descobertos e aprimorados. Um marco importante no Brasil se deu em 2009, quando, com o intuito de incentivar e orientar pesquisas para a elabora\u00e7\u00e3o de fitoter\u00e1picos seguros e eficazes, o MS lan\u00e7ou a <strong><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/composicao\/sectics\/daf\/pnpmf\/ppnpmf\/renisus\"><span style=\"color: #800000;\">Rela\u00e7\u00e3o Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (ReniSUS)<\/span>.<\/a><\/strong> A proposta do projeto era direcionar novos estudos que resultassem em produtos vi\u00e1veis para distribui\u00e7\u00e3o via <strong><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/saude-de-a-a-z\/s\/sus\"><span style=\"color: #800000;\">Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)<\/span><\/a><\/strong>, favorecendo o acesso a medicamentos de qualidade para as mais diversas condi\u00e7\u00f5es. Nomes conhecidos como caju, pitanga, guaco e maracuj\u00e1 s\u00e3o algumas das plantas brasileiras que integram essa rela\u00e7\u00e3o e v\u00eam sendo estudadas para substituir ou potencializar os efeitos de rem\u00e9dios sint\u00e9ticos. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-o-caju-assim-como-a-pitanga-o-guaco-e-o-maracuja-sao-algumas-das-plantas-brasileiras-que-integram-a-relacao-nacional-de-plantas-medicinais-de-interesse-ao-sistema-unico-de-saudefoto-es\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5061\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura1-300x157.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura1-300x157.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura1-1024x537.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura1-768x403.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura1-1536x806.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura1-18x9.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura1-380x200.jpg 380w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura1-800x420.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura1-1160x608.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. O caju, assim como a pitanga, o guaco e o maracuj\u00e1, s\u00e3o algumas das plantas brasileiras que integram a Rela\u00e7\u00e3o Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade<br \/>\n<\/strong>(Foto: Escola Bahiana de Medicina e Sa\u00fade P\u00fablica. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Let\u00edcia Lotufo, professora do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ww3.icb.usp.br\/\">Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo<\/a><\/strong><\/span> (ICB\/USP) e membro da coordena\u00e7\u00e3o do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/fapesp.br\/biota\/\">Programa de Pesquisas em Caracteriza\u00e7\u00e3o, Conserva\u00e7\u00e3o e Uso Sustent\u00e1vel da Biodiversidade do Estado de S\u00e3o Paulo (BIOTA\/FAPESP)<\/a><\/strong><\/span>, destaca que, al\u00e9m dos ch\u00e1s e extratos artesanais feitos h\u00e1 s\u00e9culos a partir dessas plantas, hoje, alguns dos medicamentos industrializados mais difundidos, como a aspirina e a histatina, tamb\u00e9m t\u00eam seus princ\u00edpios ativos baseados em recursos naturais \u2013 especialmente microorganismos e plantas. O Caderno de Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica n\u00famero 31 do MS d\u00e1 suporte \u00e0s explica\u00e7\u00f5es da pesquisadora, revelando que cerca de 25% de todos os medicamentos modernos s\u00e3o derivados de plantas medicinais, com um enfoque na aplica\u00e7\u00e3o de tecnologias modernas ao conhecimento tradicional. O documento tamb\u00e9m destaca que o mercado de medicamentos naturais j\u00e1 \u00e9 respons\u00e1vel por movimentar bilh\u00f5es de d\u00f3lares anualmente no mundo todo e afirma que, somente no Brasil, em 2012, ele promoveu a rota\u00e7\u00e3o de at\u00e9 US$ 550 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"desafios\"><strong>Desafios<\/strong><\/h4>\n<p>Em contrapartida \u00e0 grande diversidade biol\u00f3gica abrigada em seu territ\u00f3rio, aos conhecimentos tradicionais presentes na gen\u00e9tica do povo, \u00e0s pol\u00edticas de incentivo e ao tamanho das demandas do mercado, a produ\u00e7\u00e3o sistematizada de medicamentos naturais baseados em nativos brasileiros ainda parece enfrentar desafios e lacunas significativas. \u201cProduzimos muitas pesquisas, mas \u00e9 uma cadeia quebrada\u201d, explica Maria Beatriz Bonacelli, professora do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/portal.ige.unicamp.br\/institucional\/departamentos\/dpct\">Departamento de Pol\u00edtica Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica da Universidade Estadual de Campinas (DPCT\/UNICAMP)<\/a><\/strong><\/span>. \u201cExportamos muito os insumos, as mat\u00e9rias-primas cultivadas aqui, mas elas s\u00e3o processadas, beneficiadas e testadas no exterior para, s\u00f3 ent\u00e3o, voltarem para c\u00e1 como importa\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta a pesquisadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-producao-de-um-medicamento-nunca-pode-ser-baseada-no-extrativismo-de-um-produto-natural-nao-podemos-coletar-toneladas-de-uma-planta-ou-de-um-animal-para-criar-um-medicamento\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA produ\u00e7\u00e3o de um medicamento nunca pode ser baseada no extrativismo de um produto natural, n\u00e3o podemos coletar toneladas de uma planta ou de um animal para criar um medicamento.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O processo indicado por Bonacelli pode dificultar e, at\u00e9 mesmo, encarecer o acesso aos medicamentos naturais pela popula\u00e7\u00e3o brasileira. No entanto, esse foi somente um dos desafios identificados pela equipe da pesquisadora durante o projeto transdisciplinar \u201cProspec\u00e7\u00e3o e Prioriza\u00e7\u00e3o T\u00e9cnico-produtivas para a Integra\u00e7\u00e3o da Cadeia de Fitoter\u00e1picos Amaz\u00f4nicos\u201d, financiado pela Fapesp e Fapeam, que est\u00e1 em execu\u00e7\u00e3o desde 2021 com o objetivo de contribuir para um maior protagonismo da Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica no avan\u00e7o t\u00e9cnico-cient\u00edfico e na produ\u00e7\u00e3o de fitoter\u00e1picos. Nadja Lepsch-Cunha, que tamb\u00e9m coordena o estudo e atua no <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/inpa\/pt-br\">Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (INPA)<\/a><\/strong><\/span>, cita que h\u00e1 a necessidade de ampliar o investimento em pesquisas de base, intensificar a aplica\u00e7\u00e3o das regulamenta\u00e7\u00f5es e estimular as trocas entre os mais diversos n\u00edveis da cadeia produtiva a fim de tornar a explora\u00e7\u00e3o dos biomas brasileiros mais eficaz para a cria\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios seguros, eficientes e sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Let\u00edcia Lotufo destaca que a preserva\u00e7\u00e3o da natureza tamb\u00e9m \u00e9 um desafio a ser levado em conta. \u201cTemos que cuidar da natureza. L\u00e1, est\u00e3o guardados muitos produtos naturais, alguns que nem conhecemos ainda e que podem inspirar o desenvolvimento de medicamentos\u201d, explica. \u201cSendo assim, a produ\u00e7\u00e3o de um medicamento nunca pode ser baseada no extrativismo de um produto natural, n\u00e3o podemos coletar toneladas de uma planta ou de um animal, para criar um medicamento. Esse desenvolvimento s\u00f3 faz sentido se a gente basear o processo em uma fonte renov\u00e1vel\u201d, completa.<\/p>\n<p>Como poss\u00edvel alternativa para aprimorar o processo de desenvolvimento desses medicamentos de forma eficiente e sustent\u00e1vel, J\u00e9ssica Aline Silva Soares, farmac\u00eautica cl\u00ednica e especialista em Sa\u00fade, Bem-Estar e Fitoterapia, defende que a reincorpora\u00e7\u00e3o dos saberes das comunidades tradicionais de forma n\u00e3o-hierarquizada \u00e9 uma etapa essencial para avan\u00e7ar nas pesquisas fitoter\u00e1picas nos biomas brasileiros. \u201cO conhecimento tradicional, hoje, entra em uma perspectiva inferiorizada em rela\u00e7\u00e3o ao conhecimento cient\u00edfico por conta de um processo em que a Ci\u00eancia foi, por muito tempo, usada como ferramenta de poder\u201d, reflete a pesquisadora. \u201c\u00c9 urgente pensar em caminhos para equilibrar a produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de fitoter\u00e1picos com a prote\u00e7\u00e3o das comunidades tradicionais, colocando essas pessoas como protagonistas, permitindo que entrem na academia, e tudo isso por uma perspectiva n\u00e3o-explorat\u00f3ria. Assim, poderemos fortalecer as cadeias produtivas e usar esses recursos de forma respons\u00e1vel\u201d, acrescenta. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-e-fundamental-reconhecer-e-valorizar-os-conhecimentos-tradicionais-sobre-os-recursos-naturais-da-biodiversidade-brasileira-foto-fiocruz-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5062\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura2-300x198.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura2-300x198.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura2-1024x676.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura2-768x507.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura2-1536x1014.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura2-800x528.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura2-1160x766.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Farma\u0301cia-natural-brasileira-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. \u00a0\u00c9 fundamental reconhecer e valorizar os conhecimentos tradicionais sobre os recursos naturais da biodiversidade brasileira.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Fiocruz. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"iniciativas\"><strong>Iniciativas<\/strong><\/h4>\n<p>O projeto \u201cEncontro de Saberes\u201d, adotado por diversas universidades brasileiras desde 2010 para favorecer a integra\u00e7\u00e3o de conhecimentos para al\u00e9m da academia nas pesquisas acad\u00eamicas, se destaca como uma iniciativa positiva para trilhar o caminho mencionado por Soares. A proposta permite que mestres e mestras tradicionais compartilhem ensinamentos na posi\u00e7\u00e3o de docentes no ensino superior, trazendo \u00e0 tona saberes extra-acad\u00eamicos que podem embasar novas pesquisas ou abordagens sobre diversos campos \u2013 incluindo pesquisas sobre medicamentos naturais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ampliar o compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es e o contato entre diferentes inst\u00e2ncias conhecedoras dos biomas brasileiros, unir e sistematizar esses conhecimentos, bem como relacion\u00e1-los com as demandas da popula\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m podem ser passos essenciais para aproveitar o potencial dos biomas brasileiros. Com essa proposta, o site &#8220;<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/fitoterapiabrasil.com.br\/\">Fitoterapia Brasil<\/a><\/strong><\/span>\u201d funciona como um portal nacional que visa sistematizar e garantir acesso a saberes antes dispersos em documentos f\u00edsicos e digitais. O portal, que pretende auxiliar o cumprimento das metas da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/politica_programa_nacional_plantas_medicinais_fitoterapicos.pdf\">Pol\u00edtica e Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoter\u00e1picos<\/a><\/strong><\/span>, re\u00fane dados sobre diferentes esp\u00e9cies, grupos de pesquisa, eventos e legisla\u00e7\u00f5es que tratam de plantas medicinais, al\u00e9m de abas sobre biodiversidade, educa\u00e7\u00e3o e arte, por exemplo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"e-urgente-pensar-em-caminhos-para-equilibrar-a-producao-sustentavel-de-fitoterapicos-com-a-protecao-das-comunidades-tradicionais-colocando-essas-pessoas-como-protagonistas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201c\u00c9 urgente pensar em caminhos para equilibrar a produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de fitoter\u00e1picos com a prote\u00e7\u00e3o das comunidades tradicionais, colocando essas pessoas como protagonistas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por parte do governo, as Farm\u00e1cias Vivas s\u00e3o outra maneira de aproximar, compartilhar e compilar dados sobre a rela\u00e7\u00e3o da comunidade com os medicamentos naturais. Nesses locais, plantas medicinais nativas e ex\u00f3ticas s\u00e3o cultivadas, prescritas e distribu\u00eddas via SUS. \u201cNo Brasil, levantamos mais de 180 Farm\u00e1cias Vivas e cada uma tem um modelo muito pr\u00f3prio, embora todas estejam ligadas \u00e0 Secretaria de Sa\u00fade do Munic\u00edpio\u201d, lembra Maria Beatriz Bonacelli. Nadja Lepsch-Cunha completa que a atua\u00e7\u00e3o desse sistema ocorre de forma diferente em cada munic\u00edpio. \u201cVimos Farm\u00e1cias Vivas formadas por uma s\u00f3 pessoa no interior do Cear\u00e1, onde o governador apoia e a pessoa anda pelo estado inteiro capacitando pessoas para prescrever fitoter\u00e1picos, no caso, basicamente, ch\u00e1s\u201d, explica. \u201cEm outros locais, j\u00e1 se produz extratos, c\u00e1psulas\u2026 Por exemplo, h\u00e1 uma organiza\u00e7\u00e3o bacana em Jardin\u00f3polis, onde montaram uma Farm\u00e1cia Viva que recebe um or\u00e7amento regular da prefeitura e tem oito m\u00e9dicos volunt\u00e1rios\u201d, completa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"um-alerta\"><strong>Um alerta<\/strong><\/h4>\n<p>Apesar de iniciativas como essas contribu\u00edrem para a expans\u00e3o das pesquisas, do uso e do conhecimento sobre plantas medicinais, especialmente aquelas provenientes dos biomas brasileiros, J\u00e9ssica Aline Silva Soares enfatiza a necessidade de uma maior integra\u00e7\u00e3o com a sociedade no contexto brasileiro para aproveitar plenamente o potencial dos recursos dispon\u00edveis em nossos biomas. &#8220;Considerando a riqueza da biodiversidade que temos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o e falando como fitoterapeuta, vejo um cen\u00e1rio promissor para os pr\u00f3ximos anos, gra\u00e7as aos avan\u00e7os nas pol\u00edticas p\u00fablicas e pesquisas relacionadas ao uso desses recursos, por meio das quais podemos fortalecer e cumprir as pol\u00edticas p\u00fablicas&#8221;, afirma. &#8220;No entanto, se n\u00e3o refletirmos sobre como incorporar essas pesquisas ao contexto do nosso pa\u00eds, acredito que a lacuna em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades sociais ainda representar\u00e1 um obst\u00e1culo para o desenvolvimento dessa \u00e1rea&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"considerando-a-riqueza-da-biodiversidade-que-temos-a-nossa-disposicao-e-falando-como-fitoterapeuta-vejo-um-cenario-promissor-para-os-proximos-anos-gracas-aos-avancos-nas-politicas-publicas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cConsiderando a riqueza da biodiversidade que temos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o e falando como fitoterapeuta, vejo um cen\u00e1rio promissor para os pr\u00f3ximos anos, gra\u00e7as aos avan\u00e7os nas pol\u00edticas p\u00fablicas e pesquisas relacionadas ao uso desses recurso.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-biomas-brasileiros-guardam-ingredientes-valiosos-para-a-saude-e-o-bem-estarfoto-comciencia-unicamp-reproducao\"><strong>Capa. Biomas brasileiros guardam ingredientes valiosos para a sa\u00fade e o bem-estar<br \/>\n<\/strong>(Foto: ComCi\u00eancia\/ Unicamp. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"http-dx-doi-org-10-5935-2317-6660-20230059\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230059\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230059<\/a><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Plantas, animais e microrganismos guardam \u201creceitas\u201d para a sa\u00fade e o bem-estar,&hellip;\n","protected":false},"author":124,"featured_media":5063,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5060"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/124"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5060"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5060\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7122,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5060\/revisions\/7122"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5063"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5060"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5060"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5060"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}