{"id":5102,"date":"2023-11-23T07:59:11","date_gmt":"2023-11-23T07:59:11","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5102"},"modified":"2024-09-18T13:11:40","modified_gmt":"2024-09-18T13:11:40","slug":"fauna-brasileira-surpreendente-superlativa-em-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5102","title":{"rendered":"Fauna brasileira: surpreendente, superlativa, em risco!"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"fauna-tem-um-papel-fundamental-na-manutencao-e-regeneracao-das-areas-verdes\"><span style=\"color: #808080;\">Fauna tem um papel fundamental na manuten\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas verdes<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Surpreendente, superlativa, megadiversa. Esses s\u00e3o alguns dos adjetivos associados \u00e0 biodiversidade brasileira, que concentra mais de 13% da biota do planeta. Dos seis biomas do Brasil (Amaz\u00f4nia, Caatinga, Cerrado, Mata Atl\u00e2ntica, Pampa e Pantanal), dois s\u00e3o considerados <em>hotspots<\/em> \u2013 \u00e1reas com grande riqueza e endemismos, consideradas priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o em n\u00edvel mundial \u2013 o Cerrado e a Mata Atl\u00e2ntica. Conforme descreve o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/icmbio\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/publicacoes\/publicacoes-diversas\/livro_vermelho_2018_vol1.pdf\"><em>Livro Vermelho da Fauna Brasileira Amea\u00e7ada de Extin\u00e7\u00e3o<\/em><\/a><\/strong><\/span> (2018), compila\u00e7\u00f5es recentes indicam que entre os animais vertebrados h\u00e1 no Brasil cerca de 4.545 esp\u00e9cies de peixes, 1.080 de anf\u00edbios, 773 de r\u00e9pteis, 1.919 de aves e 701 mam\u00edferos. O Brasil \u00e9 o pa\u00eds com maior n\u00famero de esp\u00e9cies de anf\u00edbios e primatas do mundo, o segundo em mam\u00edferos e o terceiro em aves e r\u00e9pteis. Tamb\u00e9m \u00e9 o sexto pa\u00eds em endemismos de vertebrados, sendo as taxas mais altas para os anf\u00edbios, com 57%, e os r\u00e9pteis, com 37%. A Amaz\u00f4nia \u00e9 o bioma com maior riqueza de esp\u00e9cies da fauna, seguido da Mata Atl\u00e2ntica e do Cerrado.<\/p>\n<p>A primeira lista de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o publicada no Brasil \u00e9 de 1968. Elaborada pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), ent\u00e3o \u00f3rg\u00e3o ambiental competente, dessa lista constavam 44 esp\u00e9cies da fauna, incluindo mam\u00edferos, aves e r\u00e9pteis. Desde ent\u00e3o, o n\u00famero de esp\u00e9cies amea\u00e7adas tem sido sempre crescente em cada edi\u00e7\u00e3o dessa lista oficial, e poucas esp\u00e9cies deixaram a lista. O mais urbanizado e fragmentado de todos os biomas brasileiros, a Mata Atl\u00e2ntica, \u00e9 tamb\u00e9m o bioma com maior n\u00famero de esp\u00e9cies amea\u00e7adas: mais da metade delas (50,5%) se encontram nesse bioma, sendo que 38,5% s\u00e3o end\u00eamicas. (Gr\u00e1fico 1)<\/p>\n<h6 id=\"grafico-1-especies-ameacadas-por-ano-de-publicacao-das-listas-numero-tem-sido-crescente-fonte-livro-vermelho-da-fauna-brasileira-ameacada-de-extincao-icmbio-2018\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5104\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-grafico1-300x172.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-grafico1-300x172.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-grafico1-768x441.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-grafico1-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-grafico1-800x459.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-grafico1.jpg 882w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><br \/>\n<strong>Gr\u00e1fico 1. Esp\u00e9cies amea\u00e7adas por ano de publica\u00e7\u00e3o das listas, n\u00famero tem sido crescente.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Livro Vermelho da Fauna Brasileira Amea\u00e7ada de Extin\u00e7\u00e3o, ICMBio, 2018)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda conforme o levantamento do <em>Livro Vermelho<\/em>, os principais fatores de press\u00e3o \u00e0s esp\u00e9cies continentais est\u00e3o relacionados \u00e0s consequ\u00eancias de atividades agropecu\u00e1rias, seja pela fragmenta\u00e7\u00e3o e diminui\u00e7\u00e3o da qualidade do habitat em \u00e1reas em que a atividade est\u00e1 consolidada ou pelo cont\u00ednuo processo de perda de habitat onde a atividade est\u00e1 em expans\u00e3o. O segundo maior fator de press\u00e3o \u00e9 a expans\u00e3o urbana, seguido de empreendimentos para gera\u00e7\u00e3o de energia, que incluem a constru\u00e7\u00e3o de barragens e represas para empreendimentos hidrel\u00e9tricos, parques e\u00f3licos e linhas de transmiss\u00e3o. A polui\u00e7\u00e3o, seja industrial, urbana, ou agr\u00edcola, causada pelo uso de agrot\u00f3xicos, \u00e9 a quarta amea\u00e7a que mais afeta as esp\u00e9cies continentais, atingindo principalmente os invertebrados \u2013 como caranguejos-de-rio e borboletas \u2013 mas afetando tamb\u00e9m peixes \u00f3sseos, aves, anf\u00edbios, r\u00e9pteis e mam\u00edferos. Um levantamento mais recente, o <strong>\u201c<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.bpbes.net.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/BPBES_Completo_VF-1.pdf\"><em>1\u00ba Diagn\u00f3stico Brasileiro de Biodiversidade &amp; Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos<\/em><\/a><\/span><em>\u201d<\/em><\/strong><em>, <\/em>elaborado pela <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.bpbes.net.br\/\">Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos<\/a><\/strong><\/span> (BPBES, da sigla em ingl\u00eas) mostra esses dados. (Tabela 1)<\/p>\n<h6 id=\"tabela-1-levantamento-do-1o-diagnostico-brasileiro-de-biodiversidade-servicos-ecossistemicos-elaborado-pela-plataforma-brasileira-de-biodiversidade-e-servicos-ecossistemicosfonte-1o\" style=\"text-align: center;\">\u00a0<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5110\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-tabela1-300x142.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"284\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-tabela1-300x142.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-tabela1-1024x484.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-tabela1-768x363.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-tabela1-18x9.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-tabela1-800x378.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-tabela1.jpg 1039w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><br \/>\n<strong>Tabela 1. Levantamento do <\/strong><a href=\"https:\/\/www.bpbes.net.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/BPBES_Completo_VF-1.pdf\"><strong><em>1\u00ba Diagn\u00f3stico Brasileiro de Biodiversidade &amp; Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos<\/em><\/strong><\/a><strong><em>, <\/em><\/strong><strong>elaborado pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos<br \/>\n<\/strong>(Fonte: 1\u00ba Diagn\u00f3stico Brasileiro de Biodiversidade &amp; Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A forma como cada um desses fatores impacta a degrada\u00e7\u00e3o dos habitats e consequentemente os animais que neles habitam varia entre os biomas. \u201cCada esp\u00e9cie tem um conjunto de adapta\u00e7\u00f5es para determinado habitat, com maior ou menor capacidade de se adaptar \u00e0s modifica\u00e7\u00f5es que por ventura ocorram naquele ambiente. Algumas esp\u00e9cies s\u00e3o extremamente sens\u00edveis a qualquer mudan\u00e7a e essas s\u00e3o as primeiras a desaparecer localmente quando o ambiente se altera ou reduz de tamanho\u201d, explica Marl\u00facia Martins, pesquisadora do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.museu-goeldi.br\/assuntos\/o-museu\">Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi<\/a><\/strong><\/span>.<\/p>\n<p>E o que torna algumas esp\u00e9cies mais sens\u00edveis a altera\u00e7\u00f5es do ambiente? Alguns animais precisam, por exemplo, de uma certa \u00e1rea para se reproduzir ou para se relacionar com outras esp\u00e9cies. Quando essa \u00e1rea \u00e9 reduzida pode haver uma extin\u00e7\u00e3o em n\u00edvel local. \u201cSe esse animal eventualmente possuir distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica ampla, essa extin\u00e7\u00e3o local n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o grave para a esp\u00e9cie, mas se ela s\u00f3 existe em uma \u00e1rea restrita, ficar\u00e1 ainda mais vulner\u00e1vel \u00e0 extin\u00e7\u00e3o. Da\u00ed nossa preocupa\u00e7\u00e3o com essas esp\u00e9cies sens\u00edveis porque sem seu habitat local, elas ser\u00e3o extintas de uma vez por todas\u201d, alerta Marl\u00facia Martins.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"uma-chance-a-mais\"><strong>Uma chance a mais<\/strong><\/h4>\n<p>A primeira lei que busca proteger a fauna silvestre no Brasil \u00e9 a Lei de Prote\u00e7\u00e3o a Fauna (Lei 5197, de 03 de janeiro de 1967). Em 1992, o pa\u00eds tornou-se um dos signat\u00e1rios da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/mma\/pt-br\/assuntos\/biodiversidade\/convencao-sobre-diversidade-biologica\">Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica<\/a><\/strong><\/span> (CDB), promulgada pelo Decreto n\u00ba 2.519 em 1998. Entre os compromissos assumidos pelos pa\u00edses membros da CDB destaca-se o desenvolvimento de estrat\u00e9gias, pol\u00edticas, planos e programas nacionais de biodiversidade. Pouco tempo depois, no ano 2000, o pa\u00eds instituiu o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/mma\/pt-br\/assuntos\/areasprotegidasecoturismo\/sistema-nacional-de-unidades-de-conservacao-da-natureza-snuc\">Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza<\/a><\/strong> <\/span>(SNUC, <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.icmbio.gov.br\/educacaoambiental\/politicas\/snuc.html\">Lei n\u00ba 9.985<\/a><\/strong><\/span>). As unidades de conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o espa\u00e7os territoriais com limites definidos e com caracter\u00edsticas naturais relevantes, legalmente institu\u00eddas pelo Poder P\u00fablico, sob regime especial de administra\u00e7\u00e3o, ao qual se aplicam garantias de prote\u00e7\u00e3o. Elas est\u00e3o organizadas em dois grupos: Unidades de Prote\u00e7\u00e3o Integral, com regras e normas bastante restritivas, como as que valem nos parques nacionais. No outro grupo est\u00e3o as Unidades de Uso Sustent\u00e1vel que conciliam a conserva\u00e7\u00e3o da natureza com o uso sustent\u00e1vel de parte dos recursos naturais. \u00c9 neste grupo que est\u00e3o as \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APAs).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-mudancas-climaticas-se-juntaram-aos-fatores-que-alteram-o-equilibrio-dos-ecossistemas-e-consequentemente-a-populacao-das-especies-da-fauna-em-todos-dos-biomas-brasileiros\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAs mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se juntaram aos fatores que alteram o equil\u00edbrio dos ecossistemas e, consequentemente, a popula\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies da fauna em todos dos biomas brasileiros.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os principais objetivos do SNUC est\u00e3o justamente contribuir para a conserva\u00e7\u00e3o da variedade de esp\u00e9cies biol\u00f3gicas e dos recursos gen\u00e9ticos no territ\u00f3rio nacional e nas \u00e1guas jurisdicionais e proteger as esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. \u201cO SNUC \u00e9 a nossa melhor estrat\u00e9gia de conserva\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o de todos os biomas brasileiros\u201d pontua Marl\u00facia Martins. \u201cCombinado com o C\u00f3digo Florestal, que legisla a organiza\u00e7\u00e3o das propriedades rurais para garantir a prote\u00e7\u00e3o de nascentes, margens dos rios, \u00e1reas de alta declividade, temos os instrumentos legais para proteger n\u00e3o s\u00f3 a biodiversidade, mas tamb\u00e9m garantir \u00e1gua pot\u00e1vel para todos, menor ocorr\u00eancia de desastres como inunda\u00e7\u00f5es, deslizamentos e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos de qualidade. Se bem aplicado e gerido, e com apoio da popula\u00e7\u00e3o, esse modelo pode proporcionar melhor qualidade de vida para todos\u201d, destacou a pesquisadora do Museu Goeldi.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m ressalta a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o ambiental e de campanhas que ajudem a explicar para o p\u00fablico leigo \u2013 especialmente para as pessoas que vivem em ambientes urbanos \u2013 sobre o impacto que a perda de uma esp\u00e9cie poderia causar no planeta. \u201cA vantagem dessas campanhas \u00e9 que as a\u00e7\u00f5es direcionadas ao salvamento da on\u00e7a-pintada, mico-le\u00e3o-dourado ou araras-azuis, por exemplo, em geral, levam em considera\u00e7\u00e3o o ambiente como um todo, e isso acaba melhorando as condi\u00e7\u00f5es de outras esp\u00e9cies e n\u00e3o s\u00f3 da que est\u00e1 amea\u00e7ada\u201d, explicou Martins. Nos biomas tudo est\u00e1 conectado. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-campanhas-de-preservacao-beneficiam-o-habitat-como-um-todo-e-nao-apenas-a-especie-alvo-da-campanha-fonte-leonardo-ramos-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5106\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig1a-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig1a-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig1a-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig1a-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig1a-800x534.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig1a.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/> <img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5107\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig1b-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig1b-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig1b-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig1b-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig1b-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig1b-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig1b-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig1b-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig1b.jpg 1620w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Campanhas de preserva\u00e7\u00e3o beneficiam o habitat como um todo e n\u00e3o apenas a esp\u00e9cie alvo da campanha.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/User:LeonardoRamos\">Leonardo Ramos<\/a>. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"um-mundo-interligado\"><strong>Um mundo interligado<\/strong><\/h4>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 fauna sem habitat. Conforme explica Marl\u00facia Martins, muitas vezes, a degrada\u00e7\u00e3o e a redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea do habitat v\u00eam com o seu isolamento, o que tamb\u00e9m impacta na reprodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, colaborando para sua extin\u00e7\u00e3o. \u201cTodas as \u00e1reas verdes \u2013 seja uma floresta, seja um fragmento de mata em uma \u00e1rea de cultivo, at\u00e9 parques urbanos \u2013 podem funcionar como corredores para indiv\u00edduos de v\u00e1rios biomas, viabilizando sua comunica\u00e7\u00e3o com indiv\u00edduos da mesma esp\u00e9cie, de outras esp\u00e9cies, assim como o acesso ao alimento e \u00e0 \u00e1gua. Esses corredores verdes s\u00e3o muito importantes na manuten\u00e7\u00e3o da fauna\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Da mesma forma que os animais dependem do habitat para se alimentar, se reproduzir, para viver, a fauna tem um papel fundamental na manuten\u00e7\u00e3o regenera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas verdes. Para entender essa fun\u00e7\u00e3o precisamos entender como as plantas se reproduzem e de como esse processo \u00e9 dependente da poliniza\u00e7\u00e3o feita por animais. \u201cA poliniza\u00e7\u00e3o \u00e9 a garantia de que as plantas v\u00e3o se reproduzir, v\u00e3o gerar flores, frutos e dar origem a novas plantas\u201d, lembra a pesquisadora do Museu Goeldi. Abelhas, besouros, borboletas e muitos desempenham essa fun\u00e7\u00e3o e, com a degrada\u00e7\u00e3o de seus habitats, esse processo entra em risco. Isso sem falar nos impactos na produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-perda-de-qualquer-especie-e-grave-porque-em-cada-bioma-se-estabelecem-interconexoes-entre-todos-os-seres-que-ali-habitam-seja-como-alimento-como-polinizador\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA perda de qualquer esp\u00e9cie \u00e9 grave porque em cada bioma se estabelecem interconex\u00f5es entre todos os seres que ali habitam, seja como alimento, como polinizador.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro exemplo das intera\u00e7\u00f5es entre fauna e flora \u00e9 a dispers\u00e3o das sementes pelos animais dispersores como p\u00e1ssaros, insetos, macacos e roedores. Ainda segundo Marl\u00facia Martins, um papel important\u00edssimo, mas pouco conhecido, \u00e9 o de regula\u00e7\u00e3o do ecossistema. \u201cAlgumas plantas competem entre si por espa\u00e7o, por luz, podendo sufocar outros indiv\u00edduos. Quando alguns animais herb\u00edvoros se alimentam dessas plantas, eles equilibram o sistema como um todo\u201d, explicou.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"um-mundo-em-desequilibrio\"><strong>Um mundo em desequil\u00edbrio<\/strong><\/h4>\n<p>Mais recentemente, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se juntaram aos fatores que alteram o equil\u00edbrio dos ecossistemas e, consequentemente, a popula\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies da fauna em todos dos biomas brasileiros. O boto-cor-de-rosa \u00e9 apenas um dos tristes exemplos recentes. S\u00edmbolo da biodiversidade da Amaz\u00f4nia, ele j\u00e1 est\u00e1 na lista de mam\u00edferos amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o por conta de modifica\u00e7\u00f5es ambientais provocadas por barramentos e a pr\u00e1tica de pesca insustent\u00e1vel. Desde o fim do m\u00eas de setembro, pelo menos 150 botos-cor-de-rosa e tucuxis (outro golfinho da Amaz\u00f4nia) morreram por conta das altas temperaturas e da estiagem considerada a mais severa na regi\u00e3o nos \u00faltimos 100 anos na Regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme explica a pesquisadora do Instituto de <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/mamiraua.org.br\/\">Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Mamirau\u00e1<\/a><\/strong><\/span>, Miriam Marmontel, a regi\u00e3o do m\u00e9dio Rio Solim\u00f5es, que juntamente com o Rio Negro formam o Rio Amazonas, com foco no Lago Tef\u00e9, experimentou o primeiro caso de UME (<em>unusual mortality event<\/em>, ou evento de mortalidade incomum) de botos amaz\u00f4nicos, atrelado \u00e0s altas temperaturas registradas, em combina\u00e7\u00e3o com um evento de seca extrema, p\u00e9ssima qualidade do ar e extraordinariamente baixa umidade do ar. \u201cAinda n\u00e3o descartamos a possibilidade de uma causa multifatorial, mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o calor intenso desempenhou um papel fundamental na crise\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"atualmente-estamos-vivenciando-um-processo-de-extincao-macica-ou-seja-a-quantidade-de-especies-extintas-nos-ultimos-100-anos-no-planeta-por-conta-das-atividades-humanas-ja-e-maior-do-que-to\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAtualmente estamos vivenciando um processo de extin\u00e7\u00e3o maci\u00e7a, ou seja, a quantidade de esp\u00e9cies extintas nos \u00faltimos 100 anos no planeta por conta das atividades humanas j\u00e1 \u00e9 maior do que todos os eventos de extin\u00e7\u00e3o que aconteceram em eras geol\u00f3gicas passadas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os botos evolu\u00edram na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, por isso se adaptaram ao subir e descer das \u00e1guas, conseguem adentrar a mata alagada e ca\u00e7ar peixes em seu interior, explica Miriam Marmontel. \u201cToda a sua anatomia \u00e9 adaptada para esse ambiente, permitindo uma flexibilidade \u00edmpar para contornar os troncos das \u00e1rvores alagadas. Eles s\u00e3o do mundo aqu\u00e1tico, conseguem lidar com cheias extremas \u2013 mas n\u00e3o com secas extremas ou extremos de calor\u201d, explica. Ainda segundo a pesquisadora, os cet\u00e1ceos produzem calor e mant\u00e9m temperatura corporal constante, em torno de 37 <sup>o<\/sup>C. Eles tamb\u00e9m desenvolveram outros mecanismos para livrar-se do calor ou para poup\u00e1-lo em um ambiente onde a perda de calor \u00e9 bem maior do que no ambiente terrestre. Mas a mesma gordura que lhes proporciona prote\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica, hidrodin\u00e2mica, controle da flutua\u00e7\u00e3o e estoque de energia, pode se tornar uma armadilha nos tr\u00f3picos porque os botos n\u00e3o t\u00eam gl\u00e2ndulas sudor\u00edparas. \u00a0Se a temperatura de um animal aumenta em 10 <sup>o<\/sup>C, sua taxa metab\u00f3lica provavelmente dobrar\u00e1 e prejudicar\u00e1 todo o equil\u00edbrio bioqu\u00edmico, levando o organismo a um colapso. \u201cA probabilidade de que eventos como este voltem a acontecer \u00e9 muito alta j\u00e1 a partir do pr\u00f3ximo ano, quando se estima que o efeito do El Ni\u00f1o que estamos vivenciando agora seja ainda mais forte. Como vem alertando os meteorologistas, eventos de secas e cheias extremas v\u00e3o ocorrer com mais intensidade e frequ\u00eancia nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, em fun\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, alertou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-valor-da-vida\"><strong>O valor da vida<\/strong><\/h4>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como recuperar um animal extinto da natureza, a extin\u00e7\u00e3o \u00e9 irrevers\u00edvel. No Brasil, dez esp\u00e9cies foram consideradas extintas, algumas recentemente. Uma delas \u00e9 o limpa-folha-do-nordeste, cuja ocorr\u00eancia era restrita a apenas tr\u00eas localidades nos estados do Alagoas e Pernambuco. Na <em>Lista<\/em> de 2014, este pequeno p\u00e1ssaro end\u00eamico e raro foi classificado como criticamente em perigo, mas em 2018 foi considerado extinto, ou seja, quando n\u00e3o restam quaisquer d\u00favidas de que o \u00faltimo indiv\u00edduo tenha morrido. \u201cA estrutura dos remanescentes de mata onde o limpa-folha vivia foi t\u00e3o alterada que n\u00e3o havia mais brom\u00e9lias, das quais a esp\u00e9cie parecia ser dependente\u201d, segundo a <em>Lista Vermelha<\/em>. Uma planta, uma esp\u00e9cie, uma rela\u00e7\u00e3o delicada e insubstitu\u00edvel. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-limpa-folha-do-nordeste-especie-nao-resistiu-a-perda-de-habitat-no-nordeste-fonte-https-ebird-org-species-alfgle1sitelanguagees-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5108\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"374\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig2-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig2-768x575.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig2-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-reportagem-Fauna-brasileira-fig2.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Limpa-Folha-do-Nordeste. Esp\u00e9cie n\u00e3o resistiu \u00e0 perda de habitat no Nordeste.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: <a href=\"https:\/\/ebird.org\/species\/alfgle1?siteLanguage=es\">https:\/\/ebird.org\/species\/alfgle1?siteLanguage=es<\/a>. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A perda de qualquer esp\u00e9cie \u00e9 grave porque em cada bioma se estabelecem interconex\u00f5es entre todos os seres que ali habitam, seja como alimento, como polinizador. A redu\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es ou a extin\u00e7\u00e3o colocam em risco outras esp\u00e9cies, seja da fauna, seja da flora, colocando essa cadeia de elos e liga\u00e7\u00f5es em desequil\u00edbrio. Conforme explica Marl\u00facia Martins, em cada extin\u00e7\u00e3o h\u00e1 o risco do chamado efeito em cascata, de extin\u00e7\u00f5es subsequentes. Atualmente estamos vivenciando um processo de extin\u00e7\u00e3o maci\u00e7a, ou seja, a quantidade de esp\u00e9cies extintas nos \u00faltimos 100 anos no planeta por conta das atividades humanas j\u00e1 \u00e9 maior do que todos os eventos de extin\u00e7\u00e3o que aconteceram em eras geol\u00f3gicas passadas. \u201cIsso \u00e9 fruto da a\u00e7\u00e3o humana e ser\u00e1 agravado pelo aquecimento global que vai atingir de maneira indiscriminada um conjunto enorme de esp\u00e9cies\u201d, afirma a pesquisadora. Entender a import\u00e2ncia de preservar esse equil\u00edbrio do qual depende a sobreviv\u00eancia da fauna em todos os biomas \u00e9 crucial, assim como compreender que a extin\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo definitivo. \u201cTrata-se de um compromisso \u00e9tico com a vida: do mesmo jeito que n\u00f3s existimos, outras esp\u00e9cies t\u00eam o mesmo direito de existir\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-biodiversidade-brasileira-concentra-mais-de-13-da-biota-do-planetafonte-sharp-photography-reproducao\"><strong>Capa. <\/strong><strong>Biodiversidade brasileira concentra mais de 13% da biota do planeta<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Sharp Photography. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"http-dx-doi-org-10-5935-2317-6660-20230058\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230058\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230058<\/a><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Fauna tem um papel fundamental na manuten\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas verdes&hellip;\n","protected":false},"author":18,"featured_media":5109,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5102"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5102"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5102\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7121,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5102\/revisions\/7121"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5109"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}