{"id":5178,"date":"2023-11-23T08:00:04","date_gmt":"2023-11-23T08:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5178"},"modified":"2024-09-18T13:10:19","modified_gmt":"2024-09-18T13:10:19","slug":"como-a-arte-construiu-o-brasil-e-a-diversidade-de-biomas-povos-e-regioes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5178","title":{"rendered":"Como a Arte construiu o Brasil e a diversidade de biomas, povos e regi\u00f5es"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"obras-celebram-natureza-brasileira-e-convidam-a-preservacao\"><span style=\"color: #808080;\">Obras celebram natureza brasileira e convidam \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sagrado s\u00e3o as \u00e1guas do rio e o fogo que acende a vela do batismo da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>As \u00e1guas do rio que corre nas veias dos povos tradicionais \u2013 \u201cO rio \u00e9 nosso sangue\u201d. N\u00e3o \u00e9 a mesma \u00e1gua com lama derramada pelos criminosos da minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O fogo que aquece, que permite preparar o alimento, coletar o mel, se comunicar, ou ro\u00e7ar o terreno. N\u00e3o \u00e9 o mesmo fogo comumente usado hoje para incendiar nossas florestas, desmatar, desertificar.<\/p>\n<p>Como a Arte construiu o Brasil e a diversidade de biomas, povos e regi\u00f5es. Passado e presente \u2013 herdeiros ascendentes ou descendentes com a otimista incumb\u00eancia de assegurar a continuidade da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"amazonia\"><strong>Amaz\u00f4nia<\/strong><\/h4>\n<p>O compositor paraibano Vital Farias, antes de iniciar a cantoria de seu protesto musical \u2013 \u201cSaga da Amaz\u00f4nia\u201d \u2013 obra vision\u00e1ria escrita entre 1979 e 1982, declama um \u201cresumo\u201d da can\u00e7\u00e3o, utilizando as palavras do poeta potiguar Fran\u00e7ois Silvestre: \u201cS\u00f3 \u00e9 cantador quem traz no peito o cheiro e a cor da sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Era uma vez na Amaz\u00f4nia a mais bonita floresta<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Mata verde, c\u00e9u azul, a mais imensa floresta<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>No fundo d&#8217;\u00e1gua as Iaras, caboclo lendas e m\u00e1goas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>E os rios puxando as \u00e1guas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Papagaios, periquitos, cuidavam das suas cores<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Os peixes singrando os rios, curumins cheios de amores<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Sorria o jurupari, uirapuru, seu porvir<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Era fauna, flora, frutos e flores<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Toda mata tem caipora para a mata vigiar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Veio caipora de fora para a mata definhar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>E trouxe drag\u00e3o-de-ferro, pra comer muita madeira<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>E trouxe em estilo gigante, pra acabar com a capoeira<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Fizeram logo o projeto sem ningu\u00e9m testemunhar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Pra o drag\u00e3o cortar madeira e toda mata derrubar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Se a floresta meu amigo, tivesse p\u00e9 pra andar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Eu garanto, meu amigo, que o perigo n\u00e3o tinha ficado l\u00e1<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>O que se corta em segundos gasta tempo pra vingar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>E o fruto que d\u00e1 no cacho pra gente se alimentar?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Depois tem o passarinho, tem o ninho, tem o ar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Igarap\u00e9, rio abaixo, tem riacho e esse rio que \u00e9 um mar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Mas o drag\u00e3o continua na floresta a devorar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>E quem habita essa mata, pra onde vai se mudar?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Corre \u00edndio, seringueiro, pregui\u00e7a, tamandu\u00e1<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Tartaruga, p\u00e9 ligeiro, corre, corre tribo dos Kamaiur\u00e1<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Mas o drag\u00e3o continua na floresta a devorar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>E quem habita essa mata, pra onde vai se mudar?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Corre \u00edndio, seringueiro, pregui\u00e7a, tamandu\u00e1<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Tartaruga, p\u00e9 ligeiro, corre, corre tribo dos Kamaiur\u00e1<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>No lugar que havia mata, hoje h\u00e1 persegui\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Grileiro mata posseiro s\u00f3 pra lhe roubar seu ch\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Castanheiro, seringueiro j\u00e1 viraram at\u00e9 pe\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Afora os que j\u00e1 morreram como ave-de-arriba\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Z\u00e9 de Nana t\u00e1 de prova, naquele lugar tem cova<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Gente enterrada no ch\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Pois mataram \u00edndio que matou grileiro que matou posseiro<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Roubou seu lugar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Pois mataram \u00edndio que matou grileiro que matou posseiro<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Roubou seu lugar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Foi ent\u00e3o que um violeiro chegando na regi\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ficou t\u00e3o penalizado e escreveu essa can\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>E talvez desesperado com tanta devasta\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Pegou a primeira estrada, sem rumo, sem dire\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Os olhos cheios de \u00e1gua, sumiu levando essa m\u00e1goa<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Dentro do seu cora\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Foi ent\u00e3o que um violeiro chegando na regi\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ficou t\u00e3o penalizado que escreveu essa can\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>E talvez desesperado com tanta devasta\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Pegou a primeira estrada, sem rumo, sem dire\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Os olhos cheios de \u00e1gua, sumiu levando essa m\u00e1goa<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Dentro do seu cora\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Aqui termina essa hist\u00f3ria para gente de valor<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Pra gente que tem mem\u00f3ria, muita cren\u00e7a, muito amor<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Pra defender o que ainda resta, sem rodeio, sem aresta<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Era uma vez uma floresta na linha do Equador<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O poema-musical escrito h\u00e1 mais de 41 anos protesta em nome das pessoas que l\u00e1 restaram e ainda lutam pela preserva\u00e7\u00e3o da floresta, lembrando suas belezas e o perigo de seu fim. O \u201cdrag\u00e3o de ferro\u201d \u2013 ferrovia constru\u00edda no \u201ccorredor Caraj\u00e1s\u201d \u2013 conecta a destrui\u00e7\u00e3o da mata com as lendas e mitos \u2013 Iara (M\u00e3e d\u2019\u00c1gua) e a Caipora (M\u00e3e do Mato)&#8230; vigiando e outro vindo de fora, para a \u201cmata definhar\u201d.<\/p>\n<p>Hoje n\u00e3o s\u00e3o os mesmos, os forasteiros interessados apenas em fins lucrativos&#8230; e a saga continua&#8230; \u201cEra uma vez na Amaz\u00f4nia, a mais bonita floresta\u201d.<\/p>\n<p>Mais recentemente, a<em> \u201cCan\u00e7\u00e3o pra Amaz\u00f4nia\u201d, <\/em>outro manifesto musical escrito por Carlos Renn\u00f3 com melodia de Nando Reis e em canto reunido por v\u00e1rias vozes de m\u00fasicos influentes, atualiza as escolhas dos forasteiros de hoje e as consequ\u00eancias para seus povos e a floresta \u2013 garimpo ilegal; terror que assombra com a matan\u00e7a para dizimar povos, como as crian\u00e7as Yanomami; madeira ilegal; inc\u00eandios; a desertifica\u00e7\u00e3o; \u201cas boiadas\u201d e as mudan\u00e7as no clima&#8230; \u201cAmaz\u00f4nia \u00e9 sem igual, sem plano B\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Amaz\u00f4nia<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00c9 sem igual, sem plano B nem clone a<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Amaz\u00f4nia<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Dos povos da floresta sob press\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>O ind\u00edgena, seu grande guardi\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Em comunh\u00e3o com ela h\u00e1 mil\u00eanios<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Nos \u00faltimos e tr\u00e1gicos dec\u00eanios<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Eles n\u00e3o pensam no amanh\u00e3 nem do planeta nem dos pr\u00f3prios filhos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>O que o \u00edndio viu, previu, falou<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Tamb\u00e9m o cientista comprovou<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Desmate aumenta, o clima seco aquece<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>A mata, o c\u00e9u e a Terra, que estarrece<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Esse \u00e9 o recado deles, l\u00e1 no fundo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Salve-se a selva ou n\u00e3o se salva o mundo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Pra n\u00e3o torn\u00e1-los um inferno, um forno<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Salve a Amaz\u00f4nia do ponto sem retorno<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ser\u00e1 que ainda t\u00e1 em tempo ou o timing disso j\u00e1 perdemos?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Pois, evitemos pelo menos os eventos mais extremos<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta<em> \u201cCan\u00e7\u00e3o pra Amaz\u00f4nia\u201d foi<\/em> escrita ao final de 2019 &#8211; in\u00edcio 2020 e gravada somente em 2021 devido \u00e0 pandemia causada pelo SARS-CoV-2 \u2013 o v\u00edrus soberano que iniciou seu comando sobre o mundo no in\u00edcio 2020 \u2013 certamente resultado das transforma\u00e7\u00f5es do meio ambiente, que fazem a ponte epidemiol\u00f3gica entre n\u00f3s e os pat\u00f3genos, em constante evolu\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, esse v\u00edrus ainda continua fazendo suas muta\u00e7\u00f5es e adoecendo as pessoas.<\/p>\n<p>No auge da pandemia, a revolu\u00e7\u00e3o que Steve Jobs fez no mundo \u2013 com certeza gra\u00e7as \u00e0 sua inquieta\u00e7\u00e3o, curiosidade, sensibilidade e prazer em conhecer o desconhecido \u2013 nos permitiram guardar a calma e a f\u00e9 na vida para vermos al\u00e9m do sofrimento, continuarmos exercendo nossas atividades, auxiliados pelos seus feitos vision\u00e1rios. Os cientistas \u2013 \u201cos LeonardoS da Vinci\u201d \u2013 da vida, como her\u00f3is aben\u00e7oados, lutaram contra o tempo, o cansa\u00e7o f\u00edsico e mental, e trouxeram ao mundo a vacina. Vacina que transcreveu beleza particular \u2013 a intelig\u00eancia, a genialidade, o encanto da curiosidade, o conhecer o desconhecido, o respeito \u00e0 sociedade e a esperan\u00e7a de vida. E assim, a cara de quem acreditava na ci\u00eancia foi pura esperan\u00e7a. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-amazoniafoto-kuritafsheen77-freepik-com-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5182\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura1-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura1-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura1-768x511.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura1-1536x1022.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura1-800x532.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura1-1160x772.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Amaz\u00f4nia<\/strong><br \/>\n(Foto: @<u>kuritafsheen77<\/u>\/ Freepik.com. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"cerrado\"><strong>Cerrado<\/strong><\/h4>\n<p>Por aqui, na pandemia da Universidade de Bras\u00edlia&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>A \u00e1rvore do Cerrado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Estava em flores<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Quanta delicadeza!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Era na \u00faltima seca<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Em setembro de 2020<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Hoje, esse templo de ora\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Nas horas do Anjo da for\u00e7a,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>am\u00e9m<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Que fica quase em frente<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>ao nosso Hospital Universit\u00e1rio<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Com seu tronco retorcido<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>suas cascas grossas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Folhas bem verdes e fortes<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Nos lembra<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Que apesar de termos p\u00e9<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Pr\u00e1 andar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Hoje somos como ela<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>N\u00e3o temos como sair correndo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Quem \u00e9 vivo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Corre perigo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Mas ela tamb\u00e9m<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>nos mostra<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>que apesar de vivermos um tempo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>que nos testa<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>a resist\u00eancia e a paci\u00eancia<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Acreditar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>que apesar da devasta\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>cr\u00f4nica<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Tem o ar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>as esta\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cE com os olhos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Cheios de \u00e1gua\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00c9 preciso<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Enquanto a espera aumenta<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Guardar a mem\u00f3ria<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Do amor<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Da cren\u00e7a na vida<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Da esperan\u00e7a<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa, nos deixou como legado, poder se enveredar pelo \u201cGrande Sert\u00e3o: Veredas\u201d na d\u00e9cada de 1950. No romance, a lealdade de Riobaldo para nos descrever o mundo dentro do Cerrado, com os detalhes sobre as plantas, animais, geologia, trilhas, chapad\u00f5es, veredas&#8230; e de seus povos, nos mostra a grandiosidade do segundo maior bioma brasileiro. Riobaldo nos guiou neste \u201cpoema\u201d sobre o Cerrado, o qual ele aprendeu a apreciar as belezas com Diadorim \u2013 \u201cQuando o senhor sonhar, sonhe com aquilo&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Hoje n\u00e3o nos resta muito a sonhar. Em 25 anos de Universidade de Bras\u00edlia (UnB), vi o Cerrado \u201cdefinhar\u201d. Anos durante os quais constru\u00edmos um \u201cBanco de Extratos e Subst\u00e2ncias de Plantas e Fungos Endof\u00edticos do Cerrado\u201d \u2013 legado constru\u00eddo com os estudantes e nosso saudoso amigo bot\u00e2nico Professor Jos\u00e9 Elias de Paula. Os tempos que em par\u00e1vamos a kombi da UnB na beira da estrada, faz\u00edamos cinco metros Cerrado adentro e l\u00e1 estava a planta que quer\u00edamos coletar em busca de novos compostos ativos em algum modelo biol\u00f3gico estudado ou inseticidas\/repelentes para o controle de insetos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-agricultura-depende-da-natureza-saudavel-para-continuar-tal-atividade-economica\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA agricultura depende da natureza saud\u00e1vel para continuar tal atividade econ\u00f4mica.\u201d<\/em>\u00a0<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o tempo&#8230; atr\u00e1s dos cinco metros de Cerrado da beira da estrada era somente a monocultura de soja. E hoje est\u00e1 feita a liga\u00e7\u00e3o entre o desmatamento do Cerrado e a crescente pr\u00e1tica do livre com\u00e9rcio internacional dessa commodity. Esta soja serve para alimentar o gado no exterior (sete toneladas\/ cabe\u00e7a de gado), devido \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o do uso de fontes proteicas de origem animal, quando nos anos de 1996, surgiu na Europa os problemas da \u201cvaca louca\u201d \u2013 doen\u00e7a zoon\u00f3tica neurodegenerativa variante da Doen\u00e7a de Creutzfeldt-Jakob associada ao consumo de carne e subprodutos contaminados com Encefalite Espongiforme Bovina.<\/p>\n<p>O contradit\u00f3rio em toda esta destrui\u00e7\u00e3o do Cerrado \u2013 desmatamento com esgotamento do solo e \u201cgritantes\u201d mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2013 \u00e9 que a agricultura depende da natureza saud\u00e1vel para continuar tal atividade econ\u00f4mica. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-cerrado-calliandra-dysantha-benth-simbolo-do-biomafoto-laila-salmen-espindola\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5183\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura2-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"374\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura2-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura2-1024x765.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura2-768x574.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura2-1536x1148.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura2-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura2-800x598.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura2-1160x867.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Cerrado &#8211; <em>Calliandra dysantha<\/em> Benth. &#8211; s\u00edmbolo do Bioma<\/strong><br \/>\n(Foto: Laila Salmen Espindola)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"caatinga\"><strong>Caatinga<\/strong><\/h4>\n<p>Euclides da Cunha, em \u201cOs Sert\u00f5es\u201d, o primeiro romance-reportagem brasileiro escrito entre 1866-1909 e publicado em 1902, descreve em detalhes o nosso bioma Caatinga. As esta\u00e7\u00f5es secas e de chuvas. Explica o motivo da seca e a \u201cinclem\u00eancia do meio\u201d com todos os seus conhecimentos geol\u00f3gicos e morfol\u00f3gicos que caracteriza o sert\u00e3o, com seu clima \u00e1rido onde \u00e0s vezes n\u00e3o se encontra \u00e1gua nem mesmo para aliviar a sede. Depois celebra a alegria com a chegada da chuva, a exist\u00eancia dos rios tempor\u00e1rios, fala dos animais, das plantas, incluindo o umbuzeiro e conclui&#8230; \u201co sertanejo \u00e9 feliz e n\u00e3o inveja nem mesmo os reis da Terra!\u201d<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1 o bioma foi sendo modificado, ganhando \u00e1reas de desertifica\u00e7\u00e3o, e com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, todos os seres vivos, incluindo seu povo catingueiro (sertanejos, vaqueiros, agricultores, ind\u00edgenas e quilombolas) est\u00e3o tendo que lidar com temperaturas cada vez mais elevadas. Situa\u00e7\u00e3o que gera novos desafios e sofrimentos, diante do agravamento de disponibilidade de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Umbu significa em tupi-guarani \u201c\u00e1rvore que da\u0301 de beber\u201d, que tem capacidade de armazenar \u00e1gua, especialmente na raiz, e atravessar os longos per\u00edodos de seca. Suas ra\u00edzes e seus frutos deliciosos alimentam as pessoas e os animais. A \u00e1rvore centen\u00e1ria com folhas que desaparecem na seca e renascem com as primeiras chuvas t\u00eam ainda propriedades medicinais. Euclides da Cunha, diante das caracter\u00edsticas da esp\u00e9cie caixa d\u2019\u00e1gua, que ajudava a manter a vida no sert\u00e3o, concebeu-lhe como \u201ca\u0301rvore sagrada do sert\u00e3o\u201d:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><em>\u00a0[&#8230;] os umbuzeiros alevantam dous metros sobre o ch\u00e3o, irradiantes em c\u00edrculo, os galhos numerosos.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><em>\u00c9 a \u00e1rvore sagrada do sert\u00e3o. S\u00f3cia fiel das r\u00e1pidas horas felizes e longos dias amargos dos vaqueiros. Representa o mais frisante exemplo de adapta\u00e7\u00e3o da flora sertaneja. Foi, talvez, de talhe mais vigoroso e alto \u2014 e veio descaindo, pouco a pouco, [&#8230;] modificando-se \u00e0 fei\u00e7\u00e3o do meio, desinvoluindo, at\u00e9 se preparar para a resist\u00eancia e reagindo, por fim, desafiando as secas duradouras, sustentando-se nas quadras miser\u00e1veis merc\u00ea da energia vital que economiza nas esta\u00e7\u00f5es ben\u00e9ficas, das reservas guardadas em grande c\u00f3pia nas ra\u00edzes.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><em>E reparte-as com o homem. [&#8230;]<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><em>Alimenta-o e mitiga-lhe a sede. Abre-lhe o seio acariciador e amigo, onde os ramos recurvos e entrela\u00e7ados parecem de prop\u00f3sito feitos para a arma\u00e7\u00e3o das redes bamboantes. E ao chegarem os tempos felizes d\u00e1-lhe os frutos de sabor esquisito para o preparo da umbuzada tradicional.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sem falar das cantorias do grande m\u00fasico Luiz Gonzaga, alegria do nosso Brasil, que canta a natureza desse bioma exclusivamente brasileiro, e a vida de seu povo resiliente e corajoso \u2013 \u201cEspero a chuva cair de novo&#8230;Pra mim vortar&#8217; pro meu sert\u00e3o&#8230;\u201d (Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-caatinga-cordia-oncocalyx-allemao-pau-brancofoto-edilberto-rocha-silveira-ufc\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5184\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura3-242x300.jpg\" alt=\"\" width=\"403\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura3-242x300.jpg 242w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura3-826x1024.jpg 826w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura3-768x952.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura3-1239x1536.jpg 1239w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura3-10x12.jpg 10w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura3-800x992.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura3-1160x1438.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura3.jpg 1508w\" sizes=\"(max-width: 403px) 100vw, 403px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Caatinga &#8211; <\/strong><strong><em>Cordia oncocalyx<\/em><\/strong><strong> Allem\u00e3o (Pau-Branco)<br \/>\n<\/strong>(Foto: Edilberto Rocha Silveira\/ UFC)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"pantanal\"><strong>Pantanal<\/strong><\/h4>\n<p>Manoel de Barros, o poeta do Pantanal \u2013 tamb\u00e9m registrou a simplicidade com sofistica\u00e7\u00e3o, em seu livro \u201cMem\u00f3rias inventadas: a inf\u00e2ncia\u201d publicado em 2003, por meio do poema, cujo nome j\u00e1 nos ensina muito: \u201cAprendimentos\u201d \u2013 que conecta a hist\u00f3ria de vida com o ensino. (Figura 4)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>O fil\u00f3sofo Kierkegaard me ensinou que cultura<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00e9 o caminho que o homem percorre para se conhecer.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>S\u00f3crates fez o seu caminho de cultura e ao fim\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>falou que s\u00f3 sabia que n\u00e3o sabia de nada.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>N\u00e3o tinha as certezas cient\u00edficas.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Mas que aprendera coisas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>di-menor com a natureza.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Aprendeu que as folhas\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>das \u00e1rvores servem para nos\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>ensinar a cair sem\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>alardes. Disse que fosse ele caracol\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>vegetado\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>sobre pedras, ele iria gostar. Iria\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>certamente\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>aprender o idioma que as r\u00e3s falam<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>com as \u00e1guas\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>e ia conversar com as r\u00e3s.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>E gostasse mais de ensinar que a\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>exuber\u00e2ncia maior est\u00e1 nos insetos\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>do que nas paisagens. Seu rosto<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>tinha um lado de<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>ave. Por isso ele podia conhecer\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>todos os p\u00e1ssaros\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>do mundo pelo cora\u00e7\u00e3o de seus\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>cantos. Estudara\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>nos livros demais. Por\u00e9m aprendia\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>melhor no ver,\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>no ouvir, no pegar, no provar e no\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>cheirar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Chegou por vezes de alcan\u00e7ar o\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>sotaque das origens.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Se admirava de como um grilo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>sozinho, um s\u00f3 pequeno\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>grilo, podia desmontar os sil\u00eancios\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>de uma noite!\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Eu vivi antigamente com S\u00f3crates,\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Plat\u00e3o, Arist\u00f3teles \u2014\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>esse pessoal.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Eles falavam nas aulas: Quem se\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>aproxima das origens se renova.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>P\u00edndaro falava pra mim que usava\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>todos os f\u00f3sseis lingu\u00edsticos que\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>achava para renovar sua poesia. Os<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>mestres pregavam<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>que o fasc\u00ednio po\u00e9tico vem das\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>ra\u00edzes da fala.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>S\u00f3crates falava que as express\u00f5es\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>mais er\u00f3ticas\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>s\u00e3o donzelas. E que a Beleza se\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>explica melhor\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>por n\u00e3o haver raz\u00e3o nenhuma nela.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>O que mais eu sei\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>sobre S\u00f3crates \u00e9 que ele viveu uma\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>ascese de mosca.<\/em><\/p>\n<h6 id=\"figura-4-pantanalfoto-unsplash-com-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5185\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura4-300x196.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura4-300x196.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura4-1024x667.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura4-768x500.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura4-1536x1001.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura4-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura4-800x521.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura4-1160x756.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura4.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 4. Pantanal<\/strong><br \/>\n(Foto: Unsplash.com. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"pampa\"><strong>Pampa<\/strong><\/h4>\n<p>O bioma da nossa Elis Regina, que deu vida eterna ao \u201cAl\u00f4, al\u00f4 Marciano\u201d de Rita Lee em 1980:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Al\u00f4, al\u00f4 Marciano<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Aqui quem fala \u00e9 da Terra<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Pra variar, estamos em guerra<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Voc\u00ea n\u00e3o imagina a loucura<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>O ser humano t\u00e1 na maior fissura porque<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>T\u00e1 cada vez mais down in the high Society\u2026<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Pampa \u2013 \u201cPa\u00eds da solid\u00e3o\u201d de Barbosa Lessa, em seu livro de 1984, \u201cRio Grande do Sul: Prazer em conhec\u00ea-lo\u201d \u2013 \u201co pai\u0301s dos horizontes sem-fim, das silenciosas lonjuras\u201d. Bioma da erva-mate dos guaranis que faz a identidade de seu povo com o chimarr\u00e3o \u201cda democracia\u201d. (Figura 5)<\/p>\n<h6 id=\"figura-5-pampafoto-ana-luisa-mengardo-usp-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5186\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura5-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura5-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura5-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura5-768x576.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura5-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura5-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura5-800x600.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura5-1160x870.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura5.jpg 1562w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 5. Pampa<\/strong><br \/>\n(Foto: Ana Luisa Mengardo\/ USP. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"mata-atlantica\"><strong>Mata Atl\u00e2ntica<\/strong><\/h4>\n<p>A carta do mineiro de Itabirinha, escrita \u201c\u00c0 esquerda do Rio Doce, em 11 de setembro de 2020 \u2013 de Ailton Krenak para quem quer cantar e dan\u00e7ar para o c\u00e9u\u201d chama o \u201cAl\u00f4, al\u00f4 Marciano\u201d cantada por Elis:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><em>\u201cPensar o mundo pela l\u00f3gica das disputas virou a raz\u00e3o da humanidade, como se essa ideia tivesse uma natureza pr\u00f3pria. Em outras palavras, o verbo disputar virou verbo vida, passou a nomear o princ\u00edpio das coisas do mundo. Mas como estar al\u00e9m da viol\u00eancia que confirma todos os dias o equ\u00edvoco da narrativa que diz que o mundo foi criado para nos servir e que n\u00f3s estamos aqui para incidir sobre ele? Como estar al\u00e9m? Como deixar de acreditar no mundo como uma plataforma extrativista? Como escapar desse v\u00edrus gigante homo sapiens, essa bact\u00e9ria que come o planeta?\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><em>\u201cQuando defendo que precisamos voltar a sonhar \u00e9 porque precisamos acreditar na cria\u00e7\u00e3o de uma intelig\u00eancia sutil, movente, para permitir que a vida, em sua diferen\u00e7a, coexista.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><em>\u201cPor isso, quando o c\u00e9u criar a press\u00e3o sobre a terra, digo a voc\u00ea que dance, que suspenda o c\u00e9u! Os filhos da terra precisam cantar e dan\u00e7ar para que o c\u00e9u possa dar uma atmosfera vital, necess\u00e1ria para o retorno das flores, dos p\u00e1ssaros, das borboletas, das matas, enfim, para a celebra\u00e7\u00e3o da vida&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sebasti\u00e3o Salgado, o mineiro de Aimor\u00e9s \u2013 cidade com o nome comumente dado aos ind\u00edgenas botocudos da regi\u00e3o \u2013 \u00e9 fot\u00f3grafo da natureza e de gente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"com-as-mudancas-climaticas-todos-os-seres-vivos-estao-tendo-que-lidar-com-temperaturas-cada-vez-mais-elevadas-situacao-que-gera-novos-desafios-e-sofrimentos-diante-do-agravamento-de-dispon\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cCom as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, todos os seres vivos est\u00e3o tendo que lidar com temperaturas cada vez mais elevadas. Situa\u00e7\u00e3o que gera novos desafios e sofrimentos, diante do agravamento de disponibilidade de \u00e1gua.\u201d<\/em>\u00a0<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O conhecimento adquirimos nos livros, nos artigos, em nossos laborat\u00f3rios&#8230; mas a sabedoria \u00e9 de quem saboreia a natureza&#8230; quem fala de onde vem, de onde \u00e9. Sebasti\u00e3o Salgado fotografa a dignidade dessa sabedoria. O fot\u00f3grafo nos encanta com seu amor ao planeta quando nos partilha o conv\u00edvio harm\u00f4nico do homem em belezas intoc\u00e1veis da natureza. Sebasti\u00e3o Salgado nos comove com as alarmantes injusti\u00e7as sociais e a matan\u00e7a dos seres vivos. Fotografa a complexidade na qual o mundo se encontra, e a incapacidade da humanidade em evoluir, com a necessidade de cometer os mesmos erros. A milit\u00e2ncia fotogr\u00e1fica de Sebasti\u00e3o Salgado nos convida a promover e exigir o di\u00e1logo, para que pessoas encontrem bases de coexist\u00eancia pac\u00edfica para seus povos e a natureza.<\/p>\n<p>Em sua terra natal recebeu do Pai uma fazenda, onde com a esposa e filhos decidiram reconstruir a Mata Atl\u00e2ntica dizimada \u2013 decis\u00e3o que reuniu a \u201cmilit\u00e2ncia, profissionalismo, talento e generosidade\u201d e nos faz \u201cesperan\u00e7ar\u201d por um rem\u00e9dio que ajude a cuidar das belezas da natureza e de seus seres vivos, a sarar a tristeza e refazer a coragem para lutar pela vida da Terra. (Figura 6)<\/p>\n<h6 id=\"figura-6-mata-atlantica-caesalpinia-echinata-lam-pau-brasil-simbolo-do-biomafoto-laila-salmen-espindola\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5187\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura6-231x300.jpg\" alt=\"\" width=\"385\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura6-231x300.jpg 231w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura6-789x1024.jpg 789w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura6-768x996.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura6-1184x1536.jpg 1184w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura6-9x12.jpg 9w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura6-800x1038.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura6-1160x1505.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CC-4E23-opiniao-Como-a-Arte-construiu-o-Brasil-figura6.jpg 1410w\" sizes=\"(max-width: 385px) 100vw, 385px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 6. Mata Atl\u00e2ntica \u2013 <em>Caesalpinia echinata<\/em> Lam. (Pau-Brasil) \u2013 s\u00edmbolo do Bioma<\/strong><br \/>\n(Foto: Laila Salmen Espindola)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-manifestacoes-artisticas-refletem-sobre-a-identidade-e-a-natureza-brasileirasfoto-bertholletia-excelsa-bonpl-castanheira-do-brasil-andre-l-r-cardoso-botanico-do-museu\"><strong>Capa. Manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas refletem sobre a identidade e a natureza brasileiras<br \/>\n<\/strong>(Foto: <em>Bertholletia<\/em>\u00a0<em>excelsa<\/em>\u00a0Bonpl. (Castanheira-do- Brasil). Andr\u00e9 L. R. Cardoso &#8211; bot\u00e2nico do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"http-dx-doi-org-10-5935-2317-6660-20230056\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230056\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230056<\/a><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Obras celebram natureza brasileira e convidam \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o &nbsp; Sagrado s\u00e3o as&hellip;\n","protected":false},"author":155,"featured_media":5181,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5178"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/155"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5178"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5178\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7119,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5178\/revisions\/7119"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5181"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5178"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5178"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5178"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}