{"id":5209,"date":"2023-11-23T07:30:14","date_gmt":"2023-11-23T07:30:14","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5209"},"modified":"2025-11-25T11:41:19","modified_gmt":"2025-11-25T11:41:19","slug":"precisamos-investir-no-ensino-na-ciencia-e-em-equipamentos-cientificos-de-ponta-para-competirmos-em-pe-de-igualdade-com-as-instituicoes-de-pesquisa-estrangeiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5209","title":{"rendered":"\u201cPrecisamos investir no ensino, na ci\u00eancia e em equipamentos cient\u00edficos de ponta para competirmos em p\u00e9 de igualdade com as institui\u00e7\u00f5es de pesquisa estrangeiras\u201d"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"confira-entrevista-com-a-astrofisica-brasileira-thaisa-storchi-bergmann-professora-da-ufrgs\"><span style=\"color: #808080;\">Confira entrevista com a astrof\u00edsica brasileira Thaisa Storchi Bergmann, professora da UFRGS<\/span><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Buracos Negros Supermassivos (BNS) s\u00e3o verdadeiros \u201cmonstros\u201d que chegam a ter mais de um bilh\u00e3o de massas solares e dos quais nada escapa, nem mesmo a luz. Eles habitam o n\u00facleo das gal\u00e1xias massivas e t\u00eam um papel fundamental em sua evolu\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o fosse por eles, poder\u00edamos nem estar aqui! \u201c<\/em><em>Ainda n\u00e3o sabemos como se formaram os BNS, somente os estelares. O novo telesc\u00f3pio James Webb est\u00e1 mostrando um Universo distante bem mais evolu\u00eddo do que esper\u00e1vamos, e BNS ativos (AGN &#8211; Active Galactic Nuclei), ou seja, que est\u00e3o capturando mat\u00e9ria, bem cedo no Universo\u201d, explica entusiasticamente Thaisa Storchi Bergmann. A renomada astrof\u00edsica brasileira \u00e9 uma figura crucial no panorama da ci\u00eancia, dedicando d\u00e9cadas ao estudo profundo dos BNS no cora\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias. Professora na P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o do Instituto de F\u00edsica da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/ufrgs\/inicial\">Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)<\/a><\/strong><\/span> e chefe do Grupo de Pesquisa em Astrof\u00edsica, Thaisa Bergmann \u00e9 uma refer\u00eancia incontest\u00e1vel na comunidade cient\u00edfica. Seu trabalho inovador na Astrof\u00edsica Extragal\u00e1ctica abrange desde o estudo dos processos de alimenta\u00e7\u00e3o de Buracos Negros Supermassivos at\u00e9 a din\u00e2mica estelar e de g\u00e1s em sua proximidade. Para a pesquisadora, ainda temos um longo caminho a trilhar \u2013 e a ci\u00eancia e a educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais para avan\u00e7armos na \u00e1rea. \u201cPrecisamos investir no ensino, na ci\u00eancia e em equipamentos cient\u00edficos de ponta, para competirmos em p\u00e9 de igualdade com as institui\u00e7\u00f5es de pesquisa estrangeiras\u201d, defende. <\/em><\/p>\n<p><em>Confira a entrevista completa!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura &#8211; No campo da Astronomia, historicamente dominado por homens, como voc\u00ea percebe a evolu\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a e contribui\u00e7\u00e3o das mulheres? Quais s\u00e3o os avan\u00e7os e desafios enfrentados pelas mulheres nesse ambiente cient\u00edfico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Thaisa Storchi Bergmann &#8211;<\/strong> Quando comecei a participar de confer\u00eancias internacionais, haviam muito poucas mulheres, muitas vezes era eu e mais umas poucas, chegando no m\u00e1ximo a 5% dos participantes. Agora, as confer\u00eancias na minha \u00e1rea s\u00e3o quase parit\u00e1rias, cerca de 40% de mulheres. Ent\u00e3o houve avan\u00e7o, sim, as mulheres est\u00e3o participando mais, s\u00e3o inclusive mais &#8220;entusiasmadas&#8221; que os homens nas confer\u00eancias, em termos de participa\u00e7\u00e3o\/perguntas, e at\u00e9 mesmo organiza\u00e7\u00e3o das confer\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"qualquer-area-da-atividade-humana-se-beneficia-da-diversidade-isso-leva-a-um-aumento-na-diversidade-de-abordagens-e-metodologias-o-que-pode-levar-a-resultados-e-descobertas-que-nao-seriam-p\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cQualquer \u00e1rea da atividade humana se beneficia da diversidade: isso leva a um aumento na diversidade de abordagens e metodologias, o que pode levar a resultados e descobertas que n\u00e3o seriam poss\u00edveis de outra forma.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; A diversidade \u00e9 essencial para o avan\u00e7o da ci\u00eancia. Como a inclus\u00e3o de diferentes perspectivas, incluindo a presen\u00e7a de mulheres, enriquece e aprimora a pesquisa em Astronomia e \u00e1reas correlatas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>TSB &#8211; <\/strong>Qualquer \u00e1rea da atividade humana se beneficia da diversidade: isso leva a um aumento na diversidade de abordagens e metodologias, o que pode levar a resultados e descobertas que n\u00e3o seriam poss\u00edveis de outra forma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Quais s\u00e3o os desafios espec\u00edficos enfrentados pela comunidade de Astronomia no Brasil e como super\u00e1-los? De que forma a falta de recursos ou investimento afeta o desenvolvimento da pesquisa nesse campo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>TSB &#8211;<\/strong> No Brasil a diversidade n\u00e3o \u00e9 um grande problema, no que se refere a mulheres em particular. Creio que o nosso problema \u00e9 ainda o acesso ao ensino de qualidade e o combate \u00e0s desigualdades sociais. Eu sou a favor da escola de tempo integral, bem equipadas, em que os alunos t\u00eam acesso a ensino e alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Seus estudos est\u00e3o focados em Buracos Negros Supermassivos (BNS). Poderia compartilhar um pouco mais sobre essa \u00e1rea de pesquisa e como esses estudos contribuem para a compreens\u00e3o do universo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>TSB &#8211;<\/strong> Quando comecei meu trabalho de pesquisa, nos anos 1990, ainda n\u00e3o se sabia o que se descobriu com o Hubble: que os buracos negros supermassivos habitavam o n\u00facleo da maioria das gal\u00e1xias grandes como a Via L\u00e1ctea. Hoje sabemos isso e que eles produzem um efeito de &#8220;<em>feedback<\/em>&#8221; nas suas gal\u00e1xias, afetando a sua evolu\u00e7\u00e3o, em geral, retardando a forma\u00e7\u00e3o de estrelas. Se n\u00e3o houvesse esse efeito, as gal\u00e1xias seriam diferentes e podemos at\u00e9 questionar se existir\u00edamos, pois fazemos parte de um todo, em que tudo influencia tudo, e o nosso buraco negro supermassivo, no centro da Via L\u00e1ctea, influenciou sua evolu\u00e7\u00e3o. Discuto isto no meu livro \u201c<strong><em><a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books\/about\/MyNews_Explica_Buracos_Negros.html?id=DevMEAAAQBAJ&amp;redir_esc=y\">MyNews Explica &#8211; Buracos Negros<\/a><\/em><\/strong>\u201d, da editora Almedina. \u00c9 um livro de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que pode entusiasmar jovens a seguir a carreira, pois conto tamb\u00e9m um pouco da minha hist\u00f3ria com a hist\u00f3ria dos buracos negros. Ele est\u00e1 dispon\u00edvel em algumas livrarias, na Amazon, Google Books, site da editora Almedina, livraria Martins Fontes, entre outras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"creio-que-o-nosso-problema-e-ainda-o-acesso-ao-ensino-de-qualidade-e-o-combate-as-desigualdades-sociais\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cCreio que o nosso problema \u00e9 ainda o acesso ao ensino de qualidade e o combate \u00e0s desigualdades sociais.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Voc\u00ea tem utilizado a Espectroscopia de Campo Integral em grandes telesc\u00f3pios para mapear a cinem\u00e1tica estelar e do g\u00e1s no entorno dos BNS. Como essa abordagem tecnol\u00f3gica revoluciona a compreens\u00e3o desses fen\u00f4menos astron\u00f4micos e quais descobertas significativas foram realizadas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>TSB &#8211;<\/strong> \u00c9 uma t\u00e9cnica muito poderosa, pois, enquanto no passado us\u00e1vamos espectr\u00f3grafos para obter espectros e imageadores para obter imagens, a espectroscopia de campo integral permite obter as duas coisas ao mesmo tempo, e imagens em todos os comprimentos de onda. Podemos estudar a distribui\u00e7\u00e3o espacial das propriedades do g\u00e1s e das estrelas, incluindo a sua cinem\u00e1tica, resolvida espacialmente no objeto de estudo, como uma gal\u00e1xia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Em meio a tantas \u00e1reas de estudo dentro da Astronomia, o que a fascina particularmente nesse campo e quais s\u00e3o as possibilidades de descobertas futuras que mais a entusiasmam?<\/strong><\/p>\n<p><strong>TSB &#8211;<\/strong> Ainda n\u00e3o sabemos como se formaram os BNS, somente os estelares. O novo telesc\u00f3pio James Webb est\u00e1 mostrando um Universo distante bem mais evolu\u00eddo do que esper\u00e1vamos, e BNS ativos (AGN &#8211; <em>Active Galactic Nuclei<\/em>), ou seja, que est\u00e3o capturando mat\u00e9ria, bem cedo no Universo. Ainda n\u00e3o temos um censo disso, mas estamos a caminho de obt\u00ea-lo. Alguns j\u00e1 est\u00e3o dizendo que as novas observa\u00e7\u00f5es favorecem o colapso direto dos BNS no centro das gal\u00e1xias, uma das teorias poss\u00edveis. Al\u00e9m disso, v\u00e1rios outros projetos v\u00e3o desvendar o funcionamento dos AGN, como o LSST (<strong><em><a href=\"https:\/\/kipac.stanford.edu\/research\/projects\/vera-rubin-observatorys-legacy-survey-space-and-time\">Legacy Survey of Space and Time<\/a><\/em><\/strong>), que vai filmar o Universo ao longo de mais de 10 anos, e vamos descobrir muita coisa sobre os AGNs, que s\u00e3o na sua maioria vari\u00e1veis, e a variabilidade medida pelo LSST vai funcionar como um &#8220;SONAR&#8221; da estrutura mais interna dos AGNs.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Como podemos estimular o interesse de jovens na Astronomia e nas Ci\u00eancias Espaciais, considerando especialmente o contexto do Brasil? Que iniciativas ou abordagens podem despertar essa curiosidade e incentivar futuros pesquisadores nesse campo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>TSB &#8211;<\/strong> Acho que valorizando a ci\u00eancia, os cientistas e os educadores. Precisamos investir no ensino, na ci\u00eancia e em equipamentos cient\u00edficos de ponta, para competirmos e p\u00e9 de igualdade com as institui\u00e7\u00f5es de pesquisa estrangeiras. Se os jovens tiverem o mesmo acesso a instrumentos de ponta e projetos na fronteira do conhecimento, podem at\u00e9 ir para o exterior para aumentar sua experi\u00eancia, mas ter\u00e3o atrativos para voltar. No caso do Brasil, temos a possibilidade de acesso ao LSST, GMT, Gemini, e poderemos no futuro participar de projetos espaciais como o HWO (<strong><em><a href=\"https:\/\/cor.gsfc.nasa.gov\/studies\/habitable-worlds\/hwo.php\">Habitable Worlds Observatory<\/a><\/em><\/strong>), para 2040; fui numa reuni\u00e3o sobre este instrumento e vieram falar comigo mostrando interesse na participa\u00e7\u00e3o brasileira no projeto.<\/p>\n<h4 id=\"\" style=\"text-align: center;\"><\/h4>\n<h4 id=\"fazemos-parte-de-um-todo-em-que-tudo-influencia-tudo-e-o-nosso-buraco-negro-supermassivo-no-centro-da-via-lactea-influenciou-sua-evolucao\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u00a0<\/em><em>\u201cFazemos parte de um todo, em que tudo influencia tudo, e o nosso buraco negro supermassivo, no centro da Via L\u00e1ctea, influenciou sua evolu\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Confira entrevista com a astrof\u00edsica brasileira Thaisa Storchi Bergmann, professora da UFRGS&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":5210,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,864],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5209"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5209"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5209\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5212,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5209\/revisions\/5212"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5210"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5209"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5209"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5209"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}