{"id":5275,"date":"2023-12-05T07:30:31","date_gmt":"2023-12-05T07:30:31","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5275"},"modified":"2023-12-04T18:27:45","modified_gmt":"2023-12-04T18:27:45","slug":"primeiros-dias-da-cop28-em-dubai-sucesso-do-brasil-e-aprovacao-do-fundo-de-perdas-e-danos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5275","title":{"rendered":"Primeiros dias da COP28 em Dubai: sucesso do Brasil e aprova\u00e7\u00e3o do fundo de perdas e danos"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"o-fisico-paulo-artaxo-vice-presidente-da-sbpc-e-professor-titular-da-usp-reporta-ao-jornal-da-ciencia-ao-longo-desta-semana-os-destaques-da-conferencia-das-nacoes-unidas-sobre-mudancas-climaticas\"><span style=\"color: #808080;\">O f\u00edsico Paulo Artaxo, vice-presidente da SBPC e professor titular da USP, reporta ao Jornal da Ci\u00eancia, ao longo desta semana, os destaques da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas de 2023, a COP28, que re\u00fane 197 pa\u00edses entre 30 de novembro e 12 de dezembro em Dubai, nos Emirados \u00c1rabe<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Come\u00e7ou ontem a COP-28 em Dubai. J\u00e1 no primeiro dia foi aprovado a cria\u00e7\u00e3o do fundo volunt\u00e1rio de perdas e danos, um fundo de cerca de US$ 100 bilh\u00f5es por ano, para ajudar os pa\u00edses pobres a se adaptar ao novo clima, e compensar pelos danos clim\u00e1ticos. \u00c9 uma discuss\u00e3o que j\u00e1 tem 25 anos. Mas a emerg\u00eancia clim\u00e1tica mostra que as necessidades s\u00e3o de no m\u00ednimo US$ 500 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano para estas tarefas.\u00a0 E tem dois aspectos importantes:<\/p>\n<p>1) Os pa\u00edses ricos v\u00e3o iniciar a depositar recursos neste fundo de perdas e danos, com dinheiro p\u00fablico, dos impostos de cada cidad\u00e3o. E as companhias de petr\u00f3leo, que lucraram trilh\u00f5es de d\u00f3lares somente nesta d\u00e9cada? Quem fica com os lucros s\u00e3o as companhias de petr\u00f3leo e carv\u00e3o e quem paga o preju\u00edzo s\u00e3o os cidad\u00e3os? E este fundo \u00e9 totalmente volunt\u00e1rio, n\u00e3o vinculante.<\/p>\n<p>2) Corre pelos corredores da COP28 que isso foi mais uma manobra dos pa\u00edses produtores de petr\u00f3leo. Eles v\u00e3o fazer todo o poss\u00edvel para que no documento final da COP28 n\u00e3o mencione explicitamente o fim dos combust\u00edveis f\u00f3sseis. O Secret\u00e1rio Geral da ONU Ant\u00f4nio Guterres, foi forte em seu discurso, explicitando que o mundo tem que acabar rapidamente com o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 tendo uma forte participa\u00e7\u00e3o na COP28, com 3 diferentes palcos. Al\u00e9m de Lula, est\u00e3o em Dubai 7 ministros, incluindo Fernando Hadad (Economia), Marina Silva (Meio ambiente e Mudan\u00e7as do Clima), N\u00edsia Trindade (Sa\u00fade), Luciana Alves (Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o), Carlos F\u00e1varo (Agricultura), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agr\u00e1rio), Alexandre Silveira (Minas e Energia), al\u00e9m de Alu\u00edzio Mercadante e Andr\u00e9 Correa do Lago entre outros. A delega\u00e7\u00e3o brasileira conta com 2.400 participantes, a maior entre todos os pa\u00edses.<\/p>\n<p>Hadad e Mercadante lan\u00e7aram hoje um plano de transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, com uma proposta de globaliza\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel e inclusiva. Eles apontam para o sistema financeiro nacional apoiando a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e a sustentabilidade. Haddad e Marina lan\u00e7aram o plano Florestas Tropicais para Sempre. A proposta \u00e9 criar um instrumento financeiro para compensar quem preserva florestas em todo o mundo, criando condi\u00e7\u00f5es para que pa\u00edses desenvolvidos possam auxiliar os pa\u00edses a protegerem as florestas tropicais.<\/p>\n<p>O Pavilh\u00e3o do Brasil na COP 28 est\u00e1 sediando uma s\u00e9rie de pain\u00e9is que ter\u00e3o a participa\u00e7\u00e3o de representantes do Governo Federal e da sociedade civil em debates sobre diversos temas ligados ao clima e \u00e0 energia renov\u00e1vel. Foram definidos 10 eixos tem\u00e1ticos: Adapta\u00e7\u00e3o e Perdas e Danos, Financiamento Clim\u00e1tico e Mercado de Carbono, Florestas e Bioeconomia, Governan\u00e7a Clim\u00e1tica Compartilhada: Entes e Poderes, Ind\u00fastria e gest\u00e3o de Res\u00edduos, Justi\u00e7a Clim\u00e1tica, Juventudes, Igualdade de G\u00eanero e Racismo Ambiental, Oceanos, Gest\u00e3o Costeira e Recursos H\u00eddricos, Povos Ind\u00edgenas, Povos e Comunidades Tradicionais, Seguran\u00e7a Alimentar e Agricultura de Baixa Emiss\u00e3o de Carbono e Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica e Transportes.<\/p>\n<p>Nem tudo s\u00e3o flores, claro. Vimos tamb\u00e9m o convite para que o Brasil integre a OPEP+ (Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo (Opep). O Ministro de Minas e Energia na contram\u00e3o de uma economia moderna, baseada nos enormes recursos naturais renov\u00e1veis do Brasil (gera\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica e solar), imediatamente apoiou o convite para integrar a OPEP+. Ele tamb\u00e9m apoia abertamente a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Foz do Amazonas.\u00a0 Na verdade, a COP28 teria que trazer o compromisso de acabar com a era do petr\u00f3leo e iniciar a era da energia sustent\u00e1vel, pois a janela de abertura para novos po\u00e7os de petr\u00f3leo j\u00e1 passou h\u00e1 d\u00e9cadas. O Minist\u00e9rio de Minas e Energia e a Petrobras est\u00e3o alinhados com o passado e o atraso energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>Tudo isso somente nos primeiros 2 dias de COP. Teremos 2 semanas com fortes emo\u00e7\u00f5es sobre o futuro de nosso planeta. A sociedade n\u00e3o pode desistir de lutar por um futuro clim\u00e1tico sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>Paulo Artaxo, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia \u2013 SBPC<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O f\u00edsico Paulo Artaxo, vice-presidente da SBPC e professor titular da USP,&hellip;\n","protected":false},"author":79,"featured_media":3349,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5275"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5275"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5275\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5277,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5275\/revisions\/5277"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3349"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5275"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5275"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5275"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}