{"id":5286,"date":"2023-12-11T08:00:32","date_gmt":"2023-12-11T08:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5286"},"modified":"2024-09-18T13:13:43","modified_gmt":"2024-09-18T13:13:43","slug":"o-consumo-de-combustiveis-fosseis-e-o-alarmante-efeito-nos-biomas-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5286","title":{"rendered":"O consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis e o alarmante efeito nos biomas brasileiros"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"avancos-da-matriz-energetica-brasileira-e-os-desafios-no-cenario-atual-das-mudancas-climaticas\"><span style=\"color: #808080;\">Avan\u00e7os da matriz energ\u00e9tica brasileira e os desafios no cen\u00e1rio atual das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mundo tem at\u00e9 2030 para reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em 43%, se quiser impedir consequ\u00eancias clim\u00e1ticas irrevers\u00edveis decorrentes do aumento de 1,5 grau Celsius do aquecimento global, segundo o \u00faltimo <a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/report\/ar6\/wg3\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">relat\u00f3rio divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC)<\/span><\/strong><\/a> da ONU. S\u00e3o menos de seis anos para evitar que seja ultrapassado o limite estabelecido no Acordo de Paris em 2015. Contudo, estima-se que essa temperatura ser\u00e1 atingida nos pr\u00f3ximos cinco anos, segundo a <a href=\"https:\/\/news.un.org\/pt\/tags\/organizacao-meteorologica-mundial\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM)<\/span><\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>A queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis para consumo de energia \u00e9 respons\u00e1vel por 80% das emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono (CO<sub>2<\/sub>), metano (CH<sub>4<\/sub>) e \u00f3xido nitroso (N<sub>2<\/sub>O), os principais gases do efeito estufa. O desmatamento de florestas tropicais como a Amaz\u00f4nia corresponde aos outros 20% destas emiss\u00f5es. Somados, tornam-se os principais causadores pelo aumento da temperatura terrestre e toda uma cadeia de efeitos ambientais, clim\u00e1ticos e sociais. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-o-desmatamento-de-florestas-tropicais-como-a-amazonia-corresponde-a-20-das-emissoes-mundiais-de-gases-de-efeito-estufa-foto-valter-campanato-agencia-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5287\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura1-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura1-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura1-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura1-768x460.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura1-1536x919.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura1-800x479.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura1-1160x694.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. O desmatamento de florestas tropicais como a Amaz\u00f4nia corresponde a 20% das emiss\u00f5es mundiais de gases de efeito estufa.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Valter Campanato\/ Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEstamos cada vez mais impactados. Devemos considerar que a emerg\u00eancia clim\u00e1tica \u00e9 um problema de ordem complexa e planet\u00e1ria, que evoca a\u00e7\u00f5es imediatas para o seu enfrentamento. Conviveremos com essas consequ\u00eancias por muito tempo e o termo \u2018emerg\u00eancia clim\u00e1tica\u2019 vem para dar o verdadeiro sentido de urg\u00eancia, j\u00e1 que n\u00e3o estamos mais falando do futuro, e sim do agora\u201d, alerta Adriana Kataoka, professora do Departamento de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e coordenadora do Comit\u00ea Gestor de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental da<span style=\"color: #800000;\"> <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/\"><strong>Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro)<\/strong><\/a>.<\/span><\/p>\n<p>Para Jos\u00e9 Eduardo Viglio, professor do Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas (IFCH) e do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.nepam.unicamp.br\/\"><strong>N\u00facleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam)<\/strong><\/a><\/span> da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"..\/..\/..\/..\/Downloads\/unicamp.br\"><strong>Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)<\/strong><\/a><\/span>, os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 s\u00e3o sentidos no mundo todo. \u201cAs recorrentes mudan\u00e7as clim\u00e1ticas causadas, sobretudo, pelo uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis nos \u00faltimos s\u00e9culos t\u00eam efeitos globais, embora afetem localidades e regi\u00f5es de modo particular\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"impactos-nos-biomas-brasileiros\"><strong>Impactos nos biomas brasileiros<\/strong><\/h4>\n<p>O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses mais afetados pelo aumento do aquecimento global, j\u00e1 que suas dimens\u00f5es continentais acabam sendo expostas inevitavelmente e atingidas de forma direta. No pa\u00eds, o aumento da temperatura ocasiona na perda de \u00e1reas costeiras decorrente da eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, em eventos clim\u00e1ticos extremos, em mudan\u00e7as dos padr\u00f5es de chuva, nas conhecidas ondas de calor, inc\u00eandios florestais, perda da biodiversidade, chuvas \u00e1cidas, aumento da frequ\u00eancia de secas e consequentemente em crises h\u00eddricas. \u201cSendo totalmente dependente de hidrel\u00e9tricas (um total de 73,6% de toda energia gerada no ano passado), quando ocorrem situa\u00e7\u00f5es de secas extremas com os reservat\u00f3rios a n\u00edveis cr\u00edticos, o uso das usinas termoel\u00e9tricas \u00e9 ativado para substituir ou complementar a demanda da popula\u00e7\u00e3o, gerando assim mais impactos com o aumento na queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, analisa Jos\u00e9 Eduardo Viglio, que \u00e9 um dos autores do estudo <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1_r5Nm0wgJVl5UW2PueCQp8wSSI5zlLS6\/view?usp=drive_link\">\u201c<strong>Narrativas cient\u00edficas sobre petr\u00f3leo e mudan\u00e7as do clima e suas reverbera\u00e7\u00f5es na pol\u00edtica clim\u00e1tica brasileira<\/strong><\/a>\u201d.<\/span>\u00a0Prova disso foi a pior crise h\u00eddrica vivenciada pelo pa\u00eds em\u00a0 2021, cujas precipita\u00e7\u00f5es foram as mais baixas dos \u00faltimos 91 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"conviveremos-com-essas-consequencias-por-muito-tempo-e-o-termo-emergencia-climatica-vem-para-dar-o-verdadeiro-sentido-de-urgencia-ja-que-nao-estamos-mais-falando-do-futuro\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cConviveremos com essas consequ\u00eancias por muito tempo e o termo \u2018emerg\u00eancia clim\u00e1tica\u2019 vem para dar o verdadeiro sentido de urg\u00eancia, j\u00e1 que n\u00e3o estamos mais falando do futuro, e sim do agora.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O estado do Amazonas vive uma verdadeira crise ambiental, onde recentemente uma onda de fuma\u00e7a provocada pelas queimadas cobriu a capital Manaus, deixando o ar praticamente irrespir\u00e1vel. Somente nos \u00faltimos tr\u00eas meses, foram mais de 15 mil focos de inc\u00eandio, sendo 72 queimadas registradas somente em tr\u00eas dias do m\u00eas de novembro, conforme dados do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/inpe\/pt-br\"><strong>Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a do clima no mundo se manifesta diretamente nos biomas brasileiros, intensificando a severidade e a frequ\u00eancia de secas que, combinadas com o extremo calor, criam condi\u00e7\u00f5es para queimadas mais devastadoras. Somente em 2023 foram mais de 9 milh\u00f5es de hectares atingidos pelas chamas no pa\u00eds, segundo dados do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/\"><strong>MapBiomas<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"avancos-no-panorama-brasileiro\"><strong>Avan\u00e7os no panorama brasileiro<\/strong><\/h4>\n<p>Atualmente o consumo de combust\u00edveis como gasolina, diesel, carv\u00e3o, g\u00e1s natural representa 82% das fontes de energia utilizadas no mundo, segundo a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.iea.org\/\"><strong>Ag\u00eancia Internacional de Energia (IEA)<\/strong><\/a><\/span>. Felizmente, o Brasil tem uma situa\u00e7\u00e3o bem diferente da m\u00e9dia global, com 48% de sua energia produzida atrav\u00e9s de fontes renov\u00e1veis. Al\u00e9m disso, o pa\u00eds lidera o ranking de matrizes energ\u00e9ticas mais renov\u00e1veis no mundo, segundo dados do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/mme\/pt-br\"><strong>Minist\u00e9rio de Minas e Energia<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p>A capacidade geogr\u00e1fica do Brasil tamb\u00e9m o deixa em uma posi\u00e7\u00e3o vantajosa para a gera\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel, como, por exemplo, as hidrel\u00e9tricas, possuindo inclusive a maior bacia hidrogr\u00e1fica do mundo. No entanto, o consumo deste tipo de energia vem caindo, principalmente, por conta das <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5053\"><strong>crises h\u00eddricas<\/strong><\/a><\/span> cada vez mais recorrentes, cujas secas e escassez t\u00eam papel crucial no ciclo hidrol\u00f3gico e na disponibilidade de \u00e1gua.\u00a0(Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-hidreletricas-sao-fontes-renovaveis-de-energia-porem-nao-sao-isentas-de-impactos-ao-meio-ambiente-e-populacoes-tradicionais-foto-caio-coronel-itaipu-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5288\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura2-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura2-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura2-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura2-768x460.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura2-1536x919.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura2-800x479.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura2-1160x694.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/CC-4E23-reportagem-Consumo-de-combusti\u0301veis-fo\u0301sseis-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Hidrel\u00e9tricas s\u00e3o fontes renov\u00e1veis de energia, por\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o isentas de impactos ao meio ambiente e popula\u00e7\u00f5es tradicionais.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Caio Coronel\/ Itaipu. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, outras fontes renov\u00e1veis e competitivas surgem para minimizar esses efeitos. Esse \u00e9 o caso da energia solar, que se tornou a segunda maior fonte de energia no Brasil \u2013 atr\u00e1s apenas da hidrel\u00e9trica \u2013 apresentando um crescimento de 64% em 2022 em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, segundo levantamento da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.absolar.org.br\/\"><strong>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR)<\/strong><\/a><\/span>. \u201cO Brasil tem avan\u00e7ado na produ\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel com uma s\u00e9rie de pol\u00edticas de incentivo voltadas tanto para resid\u00eancias quanto para com\u00e9rcios, ajudando a alavancar o uso dessas fontes de energias que n\u00e3o s\u00e3o as principais e aumentando tamb\u00e9m o est\u00edmulo global nesse sentido\u201d, declara Jos\u00e9 Eduardo Viglio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-brasil-tem-avancado-na-producao-de-energia-renovavel-com-uma-serie-de-politicas-de-incentivo-voltadas-tanto-para-residencias-quanto-para-comercios-ajudando-a-alavancar-o-uso-dessas-fontes\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO Brasil tem avan\u00e7ado na produ\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel com uma s\u00e9rie de pol\u00edticas de incentivo voltadas tanto para resid\u00eancias quanto para com\u00e9rcios, ajudando a alavancar o uso dessas fontes de energias.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em se tratando de energia e\u00f3lica, o Brasil mant\u00e9m o sexto lugar no ranking mundial, segundo dados do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/gwec.net\/globalwindreport2023\/\"><strong><em>Global Wind Energy Council (GWEC)<\/em><\/strong><\/a><\/span>, um fato bastante relevante se considerarmos que em 2012 o pa\u00eds ocupava o 15\u00ba lugar. E n\u00e3o menos importante, a biomassa representa cerca de 8,55% dentro de toda matriz energ\u00e9tica brasileira, segundo informa\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio de Minas e Energia. Vers\u00e1til, esta fonte de energia resulta tamb\u00e9m em biocombust\u00edveis, biog\u00e1s, alimenta\u00e7\u00e3o animal, fertilizantes, produtos qu\u00edmicos e o chamado biopl\u00e1stico ou pl\u00e1stico verde: que mesmo sendo considerado pela ONU uma solu\u00e7\u00e3o sustentavelmente brasileira, ainda apresenta controv\u00e9rsias e requer um olhar mais cauteloso em todo seu processo de origem.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"desafios-da-transicao-energetica-no-cenario-atual-como-avancar-ainda-mais\"><strong>Desafios da<\/strong><strong> transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica no cen\u00e1rio atual: como avan\u00e7ar ainda mais?<\/strong><\/h4>\n<p>Mesmo sendo refer\u00eancia no \u00e2mbito da energia renov\u00e1vel, o Brasil ainda tem desafios a enfrentar para uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica efetiva e progressiva. \u201cComo \u00e9 o exemplo da energia h\u00eddrica que, apesar de ser considerada limpa, n\u00e3o est\u00e1 totalmente isenta de impactos. Para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas este tipo de energia \u00e9 positivo sim, mas em termos de efeitos diretos e regionais tamb\u00e9m h\u00e1 impactos, talvez em menor propor\u00e7\u00e3o, mas que devem ser observados\u201d, pondera Jos\u00e9 Eduardo Viglio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o de forma \u00fanica para cada regi\u00e3o do pa\u00eds: s\u00e3o necess\u00e1rias din\u00e2micas diferentes de acordo com suas diversidades. A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9 um processo complexo que requer planejamento, investimento e coopera\u00e7\u00e3o entre governos, ind\u00fastria e sociedade. \u201c\u00c9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a profunda que vai al\u00e9m de uma mudan\u00e7a de comportamento, mas perpassa o modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico, envolvendo\u00a0 mudan\u00e7as pol\u00edticas e culturais\u201d, destaca Adriana Kataoka. \u201cPrecisamos, portanto, falar em mudan\u00e7as de paradigmas, j\u00e1 que, de forma direta ou indireta, cada um contribui com a manuten\u00e7\u00e3o\u00a0 de um modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico pautado no ac\u00famulo, no enriquecimento de uma minoria em detrimento de uma maioria que n\u00e3o tem acesso a esses recursos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"e-necessaria-uma-mudanca-profunda-que-vai-alem-de-uma-mudanca-de-comportamento-mas-perpassa-o-modelo-de-desenvolvimento-economico-envolvendo-mudancas-politicas-e-culturais\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201c\u00c9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a profunda que vai al\u00e9m de uma mudan\u00e7a de comportamento, mas perpassa o modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico, envolvendo mudan\u00e7as pol\u00edticas e culturais.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Felizmente, a AIE projetou que o consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis ter\u00e1 significativa queda nos pr\u00f3ximos dez anos e entrar\u00e1 em decl\u00ednio permanente \u00e0 medida que as pol\u00edticas clim\u00e1ticas entrarem em vigor. Isso implica no envolvimento de tecnologia, mas ela sozinha n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 necess\u00e1ria uma forma de combate no \u00e2mbito global para a implementa\u00e7\u00e3o destas pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para quest\u00f5es de sustentabilidade e de enfrentamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, refor\u00e7a Adriana Kataoka. \u201cTudo isso passa pela aquisi\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o e principalmente pela amplia\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de que somos respons\u00e1veis pelas emiss\u00f5es e tamb\u00e9m pela solu\u00e7\u00e3o dos danos ao planeta\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-combustiveis-fosseis-prejudicam-meio-ambiente-e-intensificam-o-efeito-estufa-foto-pedro-martinelli-isa-divulgacao\"><strong>Capa. Combust\u00edveis fosseis prejudicam meio ambiente e intensificam o efeito estufa.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Pedro Martinelli\/ ISA. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"http-dx-doi-org-10-5935-2317-6660-20230061\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230061\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20230061<\/a><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Avan\u00e7os da matriz energ\u00e9tica brasileira e os desafios no cen\u00e1rio atual das&hellip;\n","protected":false},"author":42,"featured_media":5289,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5286"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5286"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5286\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7124,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5286\/revisions\/7124"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}