{"id":5351,"date":"2023-12-14T07:20:07","date_gmt":"2023-12-14T07:20:07","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5351"},"modified":"2025-11-25T11:41:12","modified_gmt":"2025-11-25T11:41:12","slug":"nos-temos-lacunas-enormes-tanto-no-ensino-fundamental-quanto-no-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5351","title":{"rendered":"\u201cN\u00f3s temos lacunas enormes, tanto no ensino fundamental quanto no m\u00e9dio\u201d"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"confira-entrevista-com-a-educadora-bernardete-angelina-gatti-pesquisadora-do-departamento-de-pesquisas-educacionais-da-fundacao-carlos-chagas\"><span style=\"color: #808080;\">Confira entrevista com a educadora Bernardete Angelina Gatti, pesquisadora do Departamento de Pesquisas Educacionais da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A educadora Bernardete Angelina Gatti, membro destacado da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/catedraeducacaousp.org\/\">C\u00e1tedra Alfredo Bosi<\/a><\/strong><\/span> de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica no Instituto de Estudos Avan\u00e7ados (IEA) da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\">Universidade de S\u00e3o Paulo<\/a><\/strong><\/span> (USP) e da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/\">Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong><\/span>, \u00e9 uma figura central no cen\u00e1rio da forma\u00e7\u00e3o de professores no pa\u00eds. Nascida em Mat\u00e3o (SP), sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica e profissional \u00e9 marcada por uma busca incessante pelo conhecimento, iniciada na d\u00e9cada de 1960. Graduada em Pedagogia pela USP em 1962, Bernardete Gatti complementou sua forma\u00e7\u00e3o com estudos parciais na licenciatura em Matem\u00e1tica na mesma universidade. No entanto, foi durante seu doutorado em Psicologia na Universit\u00e9 de Paris VII, em 1972, e seus p\u00f3s-doutorados no Canad\u00e1 e nos Estados Unidos, que ela moldou sua vis\u00e3o inovadora sobre a forma\u00e7\u00e3o de professores. Ao retornar ao Brasil, iniciou sua carreira de pesquisadora na <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.fcc.org.br\/fcc\/\">Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas (FCC)<\/a><\/strong><\/span>, destacando-se por coordenar estudos pioneiros sobre a forma\u00e7\u00e3o de professores. \u201c<\/em><em>\u00c9 muito question\u00e1vel a forma\u00e7\u00e3o nas licenciaturas, que nem sempre formam um profissional que tem condi\u00e7\u00f5es de falar com crian\u00e7as de 10, 11, 12 anos. Ent\u00e3o n\u00f3s temos a\u00ed uma lacuna formativa muito grande\u201d, pontua. Em entrevista exclusiva para a revista Ci\u00eancia &amp; Cultura, Bernardete Gatti discute os obst\u00e1culos enfrentados na qualifica\u00e7\u00e3o dos professores atuantes no ensino fundamental e m\u00e9dio e os desafios para os pesquisadores \u2013 especialmente as pesquisadoras mulheres, que t\u00eam que equilibrar em uma fr\u00e1gil balan\u00e7a a vida profissional e familiar. \u201cA pesquisa n\u00e3o tira f\u00e9rias \u2013 nem a maternidade\u201d, enfatiza. A pesquisadora tamb\u00e9m aborda as dificuldades das crian\u00e7as e jovens e a necessidade de uma pol\u00edtica educacional nacional mais integrada e sist\u00eamica. \u201cN\u00f3s temos que ter um planejamento educacional sist\u00eamico porque n\u00e3o existe educa\u00e7\u00e3o superior sem boa educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica\u201d, afirma. <\/em><\/p>\n<p><em>Confira a entrevista completa!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura &#8211; No contexto da Educa\u00e7\u00e3o, como voc\u00ea percebe a evolu\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a e contribui\u00e7\u00e3o das mulheres ao longo do tempo? Quais foram os avan\u00e7os e desafios enfrentados por elas na \u00e1rea educacional?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bernardete Angelina Gatti &#8211; <\/strong>Se voc\u00ea olhar, por exemplo, na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, os cargos mais altos s\u00e3o ocupados por homens. Isso \u00e9 notado inclusive no<strong><span style=\"color: #800000;\"> <a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/\">Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC)<\/a><\/span>,<\/strong> que teve s\u00f3 uma mulher no comando. Ent\u00e3o, os cargos de lideran\u00e7a s\u00e3o, na grande maioria, de homens. Nas secretarias de educa\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios agora est\u00e3o aparecendo mais mulheres, mas ainda assim h\u00e1 um predom\u00ednio de homens. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pesquisa educacional, acredito que h\u00e1 um equil\u00edbrio entre homens e mulheres. Mesmo assim, creio que a quest\u00e3o associada \u00e0s mulheres tem muito a ver com a sua dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0s crian\u00e7as. Eu pude observar isso enquanto coordenadora do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.fcc.org.br\/fcc\/educacao-pesquisa\/\">Departamento de Pesquisas Educacionais<\/a><\/strong><\/span> da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.concursosfcc.com.br\/\">Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas (FCC)<\/a><\/strong><\/span>. Muitas mulheres come\u00e7avam como pesquisadoras, mas n\u00e3o permaneciam porque entravam na fase de escolher ter filhos, depois criar os filhos. E os cuidados com as crian\u00e7as fica muito a cargo da mulher. A\u00ed elas desistiam da carreira. Claro que algumas permaneceram, mas h\u00e1 sempre esse complicador. Porque a pesquisa n\u00e3o tira f\u00e9rias \u2013 nem a maternidade. Muitas vezes os pesquisadores v\u00e3o a campo para coleta de dados, observa\u00e7\u00e3o, entrevistas, etc. E \u00e9 frequente que essas localidades sejam longe do domic\u00edlio dos pesquisadores, o que dificulta para as mulheres que t\u00eam filhos, escola, cuidados, hor\u00e1rios, etc. Quando voc\u00ea tem financiamento de pesquisa, voc\u00ea tem prazos para entrega de relat\u00f3rios, e eu conhe\u00e7o pesquisadoras e pesquisadores que varam a noite para concluir suas an\u00e1lises. H\u00e1 casos em que a gente precisa at\u00e9 voltar aos nossos interlocutores, aos participantes da pesquisa. Enfim, \u00e9 uma dedica\u00e7\u00e3o que muitas vezes se torna incompat\u00edvel com a maternidade. Assim, \u00e9 diferente para e mulher do que para o homem. Na sociedade brasileira n\u00f3s conseguimos caminhar muito: h\u00e1 esposos que ajudam, ficam com os filhos, compreendem que h\u00e1 etapas da vida profissional da mulher que precisam de mais aten\u00e7\u00e3o. Mas ainda existem muitos obst\u00e1culos e muita incompreens\u00e3o. Eu mesma fui testemunha de muitos div\u00f3rcios, porque h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a do homem que ainda acredita que a mulher tem certas obriga\u00e7\u00f5es em casa. Ent\u00e3o essa quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, ela n\u00e3o est\u00e1 ainda totalmente superada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"precisamos-relativizar-pensando-cada-regiao-cada-necessidade-realmente-discriminando-contextos-e-situacoes-para-entender-bem-e-para-fazer-as-acoes-afirmativas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cPrecisamos relativizar, pensando cada regi\u00e3o, cada necessidade. Realmente discriminando contextos e situa\u00e7\u00f5es para entender bem e para fazer as a\u00e7\u00f5es afirmativas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; A diversidade \u00e9 crucial para o avan\u00e7o do ensino. Como a inclus\u00e3o de diferentes perspectivas, incluindo a presen\u00e7a feminina, pode enriquecer e aprimorar o panorama educacional no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BAG &#8211;<\/strong> Na minha percep\u00e7\u00e3o, e pelos dados que eu tenho do professorado, essa diversidade varia de regi\u00e3o para regi\u00e3o. Existem regi\u00f5es em que h\u00e1 uma diversidade maior at\u00e9 de n\u00edvel socioecon\u00f4mico \u2013 porque o n\u00edvel socioecon\u00f4mico menos vantajoso atinge justamente essas etnias. Eu acredito que \u00e9 preciso haver mais est\u00edmulo em regi\u00f5es onde, por exemplo, h\u00e1 um predom\u00ednio dessas etnias. Por exemplo, na regi\u00e3o Norte, a etnia ind\u00edgena \u00e9 muito bem representada. Ent\u00e3o precisamos fazer um esfor\u00e7o no sentido de fornecer apoios diversificados para que mais ind\u00edgenas tenham acesso \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e se candidatem a uma carreira de pesquisador, de professor de n\u00edvel superior e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, onde tamb\u00e9m o n\u00famero de negros e pardos n\u00e3o \u00e9 correspondente \u00e0 sua propor\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o. Como pesquisadora, acredito que essa propor\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente em diferentes regi\u00f5es. E temos que considerar isso porque o dado geral pode camuflar as situa\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o precisamos relativizar, pensando cada regi\u00e3o, cada necessidade. Realmente discriminando contextos e situa\u00e7\u00f5es para entender bem e para fazer as a\u00e7\u00f5es afirmativas. Voc\u00ea tem que ter essas distin\u00e7\u00f5es para saber onde vai atuar, sen\u00e3o n\u00e3o acaba tendo o efeito esperado. Ainda assim, temos, no n\u00edvel nacional, considerando a propor\u00e7\u00e3o de negros, pardos e brancos, uma predomin\u00e2ncia de pesquisadores brancos. Isso \u00e9 vis\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Quais s\u00e3o os principais desafios da educa\u00e7\u00e3o no Brasil atualmente? Como podemos superar obst\u00e1culos como a desigualdade de acesso, a qualidade do ensino e a forma\u00e7\u00e3o de professores?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BAG &#8211;<\/strong> Eu acho que n\u00f3s temos que encarar a verdade desse pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. N\u00f3s t\u00ednhamos muitos problemas antes da pandemia. Problemas que eram mostrados de diversos modos. Voc\u00ea n\u00e3o tinha uma evolu\u00e7\u00e3o na aprendizagem \u2013 isso j\u00e1 estava muito bem colocado. N\u00f3s temos lacunas enormes, tanto no ensino fundamental quanto no m\u00e9dio. O grande problema que n\u00f3s temos na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e9 a qualidade. \u00c9 de realmente voc\u00ea ter condi\u00e7\u00f5es da escola, dos professores e dos gestores, de se organizarem para propiciar condi\u00e7\u00f5es de aprendizagem dos conte\u00fados b\u00e1sicos necess\u00e1rios \u00e0 vida comum. Esses conhecimentos b\u00e1sicos nos curr\u00edculos definidos por estados e munic\u00edpios a partir da base nacional comum nem sempre s\u00e3o bem tratados pelos professores, porque n\u00f3s temos tamb\u00e9m um problema em rela\u00e7\u00e3o aos professores. \u00c9 muito question\u00e1vel a forma\u00e7\u00e3o nas licenciaturas, que nem sempre formam um profissional que tem condi\u00e7\u00f5es de falar com crian\u00e7as de 10, 11, 12 anos. Ent\u00e3o n\u00f3s temos a\u00ed uma lacuna formativa muito grande que as pesquisas v\u00eam mostrando reiteradamente. N\u00e3o \u00e9 de hoje que grupos de pesquisadores batem nessa tecla que n\u00f3s t\u00ednhamos que rever a proposi\u00e7\u00e3o das licenciaturas. Porque \u00e9 o professor que vai estar l\u00e1 na linha de frente. E esse professor pode se tornar um coordenador pedag\u00f3gico, um diretor, um supervisor de ensino. Ent\u00e3o precisa melhorar as condi\u00e7\u00f5es formativas iniciais desse profissional, porque ele se sacrifica muito na cadeira dele para ter aquelas aprendizagens que ele n\u00e3o teve no seu curso de inicia\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 um ponto que est\u00e1 colocado muito claramente: a necessidade de mudan\u00e7a de pol\u00edtica e de investimento muito forte. O segundo ponto \u00e9 que deixamos de lado, n\u00e3o fizemos uma pol\u00edtica forte para formar professores nas \u00e1reas mais duras (f\u00edsica, qu\u00edmica, matem\u00e1tica, ci\u00eancias, biologia). N\u00f3s temos falta desses professores. N\u00f3s temos uma lacuna enorme e a\u00ed os gestores da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica t\u00eam que escolher pessoas que t\u00eam forma\u00e7\u00e3o por proximidade. E isso \u00e9 uma quest\u00e3o que nunca foi objeto de um projeto nacional, porque isso \u00e9 compet\u00eancia do governo federal atuar nesses nichos para suprir forma\u00e7\u00f5es adequadas para o trabalho, seja com os adolescentes do final do ensino fundamental, seja para o ensino m\u00e9dio. N\u00f3s discutimos muito curr\u00edculo, mas n\u00e3o nos perguntamos quem \u00e9 que vai realizar na pr\u00e1tica esse curr\u00edculo. N\u00f3s avan\u00e7amos, mas mesmo assim, os avan\u00e7os ao n\u00edvel do conjunto nacional ainda s\u00e3o prec\u00e1rios. Temos que pensar tamb\u00e9m na carreira do professor, o que \u00e9 oferecido. N\u00f3s temos o piso nacional, que foi uma iniciativa muito importante. Mas as carreiras n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o atraentes para jovens que est\u00e3o ingressando num mundo competitivo no sentido de que oferece muitas oportunidades diferenciadas. E a profiss\u00e3o de professor ficou um pouco amarrada. Ent\u00e3o precisamos mexer um pouquinho nisso, com uma pol\u00edtica articulada para a forma\u00e7\u00e3o de professores. N\u00f3s temos que ter um planejamento educacional sist\u00eamico porque n\u00e3o existe educa\u00e7\u00e3o superior sem boa educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. N\u00e3o adianta querer que a educa\u00e7\u00e3o superior cres\u00e7a quando 48% dos que acessam o ensino m\u00e9dio n\u00e3o terminam. N\u00e3o adianta querer ampliar o ensino superior sem pensar nessa base. Porque o ensino superior e a pesquisa dependem de uma boa forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-ensino-superior-e-a-pesquisa-dependem-de-uma-boa-formacao-basica\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO ensino superior e a pesquisa dependem de uma boa forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2013 Muita gente culpa a pandemia pelas dificuldades e baixos \u00edndices educacionais no pa\u00eds, mas, na verdade, isso \u00e9 um problema anterior. Mas como a pandemia impactou realmente a educa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BAG &#8211;<\/strong> Para mim, quem mais teve problema foi a crian\u00e7ada que estava entrando no per\u00edodo de alfabetiza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o per\u00edodo mais delicado. N\u00e3o h\u00e1 v\u00eddeo, n\u00e3o h\u00e1 projeto de intera\u00e7\u00e3o s\u00edncrona que possa suprir a presen\u00e7a ou a observa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a nos detalhes, ou a aprendizagem coletiva da crian\u00e7a. Uma crian\u00e7a de 6 ou 7 anos ficar numa tela como uma sala de aula \u00e9 problem\u00e1tico. Os pais vivenciaram isso e as pesquisas mostram. As crian\u00e7as sofreram muito e houve, sim, uma lacuna num per\u00edodo em que a parte neurol\u00f3gica da crian\u00e7a est\u00e1 florindo. Se existe um processo mais dif\u00edcil nas etapas da atua\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o escolar \u00e9 o per\u00edodo da alfabetiza\u00e7\u00e3o b\u00e1sica inicial. At\u00e9 h\u00e1 um grupo na <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"Funda%25C3%25A7%25C3%25A3o%20Carlos%20Chagas\">Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas<\/a><\/strong><\/span> com a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unesco.org\/\">Unesco<\/a><\/strong><\/span> que estamos fazer um estudo para analisar as iniciativas que existiram nesse per\u00edodo e o impacto daquilo que foi feito \u2013 ou deixou de ser feito. Ent\u00e3o, foi um per\u00edodo muito dif\u00edcil, sim, de muita perda. A vantagem \u00e9 que a crian\u00e7a \u00e9 muito resiliente. Ela aprende nas mais adversas situa\u00e7\u00f5es. A crian\u00e7a \u00e9 exposta novamente \u00e0 escola e ao grupo, ao letramento e a atividades de leitura, e acaba recuperando. Por outro lado, os professores tamb\u00e9m sofreram bastante. Mais tarde, muitas pesquisas mostram o esfor\u00e7o que eles tentaram fazer. Por exemplo, a maioria n\u00e3o tinha o h\u00e1bito de usar muito computador, n\u00e3o dominava certas plataformas e ferramentas. Eles tamb\u00e9m tiveram que se adaptar e aprender. Mas foi em uma urg\u00eancia, uma ang\u00fastia, e que realmente deixou sequelas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; A educa\u00e7\u00e3o em ci\u00eancias desde a inf\u00e2ncia \u00e9 essencial. Como podemos incentivar e estimular o ensino de ci\u00eancias para crian\u00e7as, tornando esse aprendizado mais interessante e acess\u00edvel?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BAG \u2013<\/strong> Infelizmente, essa educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem muita base. Uma vez eu estava discutindo verbas para bolsas para a \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o com grande cientista do <strong><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\"><span style=\"color: #800000;\">Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq)<\/span>.<\/a><\/strong> E ele me disse \u201cn\u00e3o sei o porqu\u00ea de tanta bolsa para educa\u00e7\u00e3o\u201d. Eu respondi \u201cvoc\u00ea \u00e9 um grande pesquisador que acabou de se queixar que n\u00e3o tem podido ter o n\u00famero de auxiliares e assistentes necess\u00e1rios para o seu campo. Por qu\u00ea? Porque a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica n\u00e3o est\u00e1 caminhando. Precisamos de bolsas para educa\u00e7\u00e3o porque a pesquisa vai ajudar a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica a caminhar\u201d. Ele ficou pasmo porque n\u00e3o tinha pensado nisso, de que a pesquisa depende daqueles que v\u00eam com a forma\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Acho que os pesquisadores deviam ajudar muito com a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, porque s\u00e3o essas pesquisas que v\u00e3o indicar o caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"nos-necessitamos-de-uma-politica-integrada-do-ministerio-da-educacao-mec-para-a-educacao-brasileira-escolar-como-um-todo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cN\u00f3s necessitamos de uma pol\u00edtica integrada do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) para a educa\u00e7\u00e3o brasileira escolar como um todo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Quais pol\u00edticas p\u00fablicas poderiam contribuir significativamente para a melhoria do sistema educacional brasileiro, especialmente em termos de qualidade, inclus\u00e3o e acesso equitativo \u00e0 educa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BAG &#8211;<\/strong> N\u00f3s necessitamos de uma pol\u00edtica integrada do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) para a educa\u00e7\u00e3o brasileira escolar como um todo. N\u00f3s n\u00e3o temos isso, ainda mais considerando a regionalidade, as diferen\u00e7as sociais. Os \u00f3rg\u00e3os do MEC funcionam separado. As pol\u00edticas s\u00e3o esparsas: v\u00e3o aparecendo aqui e ali em forma de programas. N\u00e3o h\u00e1 um projeto unificado, um projeto de na\u00e7\u00e3o. Falta um pouco de interlocu\u00e7\u00e3o e de uma pol\u00edtica articulada. Al\u00e9m de articular essa pol\u00edtica no n\u00edvel federal, ela tem que estar articulada com as pol\u00edticas estaduais e municipais. Sempre pensando que n\u00f3s temos um \u201cp\u00e9 de barro\u201d \u2013 a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Ent\u00e3o vamos ajudar a torn\u00e1-la um \u201cp\u00e9 de a\u00e7o\u201d. Todo mundo junto para que se robuste\u00e7a toda a educa\u00e7\u00e3o. N\u00f3s ficamos atirando pra l\u00e1, atirando pra c\u00e1, atirando pra cima, atirando pra baixo, sem enfrentar o problema de uma pol\u00edtica educacional. Porque uma pol\u00edtica educacional precisaria de no m\u00ednimo 15 a 20 anos de continuidade. Mas n\u00e3o \u00e9 o que acontece. Cada governo que entra muda tudo e tem que come\u00e7ar tudo outra vez. Houve um per\u00edodo, entre 2007 e 2015, que n\u00f3s at\u00e9 conseguimos ter uma ideia de pol\u00edtica nacional de educa\u00e7\u00e3o, com um esfor\u00e7o de integra\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, havia dificuldades. Mas depois entramos num per\u00edodo de muitas disputas, houve uma ruptura muito grande. N\u00f3s tivemos cinco ministros da educa\u00e7\u00e3o desconexos entre si, desconexos com o que vinha sendo feito. E agora n\u00f3s estamos tentando recuperar. Ent\u00e3o vamos ver para onde vamos caminhar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Confira entrevista com a educadora Bernardete Angelina Gatti, pesquisadora do Departamento de&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":5352,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,864],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5351"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5351"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5351\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5355,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5351\/revisions\/5355"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5352"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}