{"id":5527,"date":"2024-02-29T07:30:22","date_gmt":"2024-02-29T07:30:22","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5527"},"modified":"2025-11-25T11:48:46","modified_gmt":"2025-11-25T11:48:46","slug":"os-cientistas-e-o-carnaval-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5527","title":{"rendered":"Os cientistas e o carnaval brasileiro"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"pesquisadores-participam-da-maior-festa-brasileira\"><span style=\"color: #808080;\">Pesquisadores participam da maior festa brasileira<\/span><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O carnaval \u00e9 a festa popular mais ampla e tradicional do Brasil, que atinge uma parcela significativa de sua popula\u00e7\u00e3o a cada ano. Na medida em que a ci\u00eancia e a tecnologia (C&amp;T) se tornaram cada vez mais parte da vida cotidiana, elas penetraram no universo de artistas e foli\u00f5es, em particular, de compositores, carnavalescos e participantes do carnaval. Em muitos desfiles carnavalescos, por exemplo, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, temas ligados \u00e0 C&amp;T t\u00eam surgido no carnaval brasileiro. Para uma an\u00e1lise hist\u00f3rica mais ampla sobre esta rela\u00e7\u00e3o entre carnaval e ci\u00eancia pode ser consultado o artigo: \u201c<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/339458472_A_ciencia_e_o_carnaval_brasileiro\">A Ci\u00eancia e o Carnaval Brasileiro<\/a><\/strong><\/span>\u201d.<\/p>\n<p>Neste texto abordaremos um aspecto particular dentro deste tema: a presen\u00e7a de cientistas em desfiles carnavalescos ou como temas para enredo para escolas de samba. Tomaremos cinco casos como exemplos, nos quais grandes cientistas, brasileiros ou n\u00e3o, se envolveram ativamente em desfiles carnavalescos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">***<\/p>\n<p>Um dos grandes f\u00edsicos do s\u00e9culo XX, <strong>Richard Feynman <\/strong>(1918, 1988), apreciava muito o carnaval e participou dele algumas vezes no Brasil e escreveu sobre isto em seu livro mais conhecido. Extraordinariamente criativo e original, Feynman recebeu o Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica em 1965 (com Julian Schwinger e Sin-Itiro Tomonaga) pelas contribui\u00e7\u00f5es independentes ao desenvolvimento da teoria da eletrodin\u00e2mica qu\u00e2ntica. Em 1999, em pesquisa realizada com f\u00edsicos de todo o mundo, foi considerado um dos dez cientistas mais importantes de todos os tempos.<\/p>\n<p>Feynman esteve algumas vezes no Brasil \u2014 a primeira em 1949, a \u00faltima em 1966. Apreciador da m\u00fasica em geral e do samba em particular, que considerava um ritmo alegre e espont\u00e2neo, desfilou em bloco carnavalesco do Rio de Janeiro. Aprendeu a tocar percuss\u00e3o (frigideira, agog\u00f4, etc&#8230;) e, ap\u00f3s ensaiar alguns meses, desfilou no bloco Os Farsantes de Copacabana, que ganhou o primeiro lugar de um desfile de blocos em fevereiro de 1952. Professor dedicado e entusiasmado, lecionou por aqui e deu importante contribui\u00e7\u00e3o nos prim\u00f3rdios da f\u00edsica te\u00f3rica brasileira, al\u00e9m de ter influenciado na renova\u00e7\u00e3o do ensino de f\u00edsica no pa\u00eds. (Figura 1)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5528\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"212\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig1.jpg 195w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig1-18x12.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Feynman no carnaval do Rio de Janeiro em 1952<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Caltech Archives. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1966, j\u00e1 tendo recebido o Nobel, veio acompanhado de sua esposa, Gweneth, ao Carnaval do Rio de Janeiro como convidado especial da Prefeitura. Foli\u00e3o animado e alegre, assistiu a desfiles, participou de alguns dos bailes mais famosos da cidade e recebeu das escolas de samba um agog\u00f4 e o t\u00edtulo de Foli\u00e3o n.<sup>o<\/sup> 1. Nessa sua vinda ao Brasil, as autoridades aeron\u00e1uticas proibiram a recep\u00e7\u00e3o que escolas de samba fariam a ele ao desembarcar no Gale\u00e3o. Isto n\u00e3o impediu que ele criticasse, em entrevistas, as persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas a cientistas e f\u00edsicos brasileiros, entre os quais Mario Schenberg e Leite Lopes. Feynman n\u00e3o retornaria mais ao Brasil. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-feynman-no-carnaval-do-rio-de-janeiro-em-1966fonte-arquivo\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5529\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig2.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"273\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig2.jpg 221w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig2-13x12.jpg 13w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Feynman no carnaval do Rio de Janeiro em 1966<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Arquivo)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">***<\/p>\n<p>Em 1988, o grande cientista e compositor <strong>Paulo Vanzolini<\/strong> (1924-2013) foi o tema do enredo da Mocidade Alegre (S\u00e3o Paulo), <em>\u201cO cientista e poeta \u2013 Paulo Vanzolini\u201d<\/em>, que ficou em segundo lugar naquele ano. Vanzolini ficou famoso como compositor de nossa m\u00fasica popular, com cl\u00e1ssicos como Ronda, Ju\u00edzo Final e Volta por Cima. Apesar da n\u00e3o tocar instrumentos musicais, comp\u00f4s mais de 70 can\u00e7\u00f5es, interpretadas por grandes nomes da m\u00fasica brasileira, como Chico Buarque, Elis Regina e Martinho da Vila. Formado em medicina, que nunca exerceu, tornou-se um dos maiores zo\u00f3logos brasileiros, especialista em herpetologia, tendo dirigido o Museu de Zoologia da USP por trinta anos. Em conjunto com Aziz Ab&#8217;Saber e Ernest Williams, adaptou a importante Teoria dos Ref\u00fagios, proposta pelo cientista alem\u00e3o J\u00fcrgen Haffer, e ela se tornou uma das explica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas mais significativas para descrever os padr\u00f5es de biodiversidade e endemismo na Floresta Amaz\u00f4nica e na Mata Atl\u00e2ntica. Para ele: \u201cA vida do zo\u00f3logo \u00e9 a melhor vida do mundo. Deus, quando me fez zo\u00f3logo, sabia o que estava fazendo.\u201d (Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-paulo-vanzolini-na-virada-cultural-em-2008fonte-arquivo\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5530\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig3.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig3.jpg 255w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig3-18x12.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Paulo Vanzolini na Virada Cultural, em 2008<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Arquivo)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vanzolini ficou absolutamente fascinado com a homenagem carnavalesca que a Mocidade Alegre lhe fez, em 1988, e percorreu todo o desfile, sorrindo ou chorando de emo\u00e7\u00e3o e cumprimentando os sambistas. Foi um desfile marcante, com um lindo samba, at\u00e9 hoje recordado na escola. O enredo foi <em>\u201cO Cientista Poeta &#8211; Paulo Vanzolini\u201d<\/em> e o samba dizia: (Figura 4)<\/p>\n<h6 id=\"figura-4-vanzolini-no-desfile-de-1988fonte-arquivo\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5532\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig4.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"206\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig4.jpg 195w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig4-18x12.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 4. Vanzolini no desfile de 1988<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Arquivo)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cQue maravilha o cientista e poeta<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Paulo Vanzolini num ber\u00e7o da poesia<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>a Mocidade hoje traz\/derramando a sua arte<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Deus lhe pague as suas obras<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>n\u00e3o esquecerei jamais<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>foi assim que come\u00e7ou<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>no Butant\u00e3 o menino se encantou<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>e seguindo seu caminho\/sempre sozinho<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>em verdes matas (&#8230;)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>oi deixa a lira me levar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>levanta sacode a poeira d\u00e1 volta por cima<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>entra na roda quero ver voc\u00ea sambar\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>A mato-grossense <strong>Graziela Maciel Barroso<\/strong> (1912, 2003) foi uma grande bot\u00e2nica brasileira e a primeira mulher a fazer o concurso para naturalista do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro. Aos 30 anos, havia iniciado como herborizadora e separadora de sementes no Horto Florestal e tamb\u00e9m como estagi\u00e1ria no Jardim Bot\u00e2nico. Em 1946, ingressou na institui\u00e7\u00e3o e come\u00e7ou a trabalhar com seu marido em sistem\u00e1tica bot\u00e2nica. Graziela n\u00e3o tinha curso superior na \u00e9poca, mas treinava novos estagi\u00e1rios e at\u00e9 p\u00f3s-graduandos. Tr\u00eas anos depois, o marido Liberato faleceu. Aos 47 anos, ingressou no curso de biologia na atual Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). E aos 60 anos, em 1973, defendeu seu doutorado, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Como pesquisadora, identificou 11 novos g\u00eaneros e 132 novas esp\u00e9cies de plantas e formou centenas de pesquisadores em mais de 50 anos como profissional. At\u00e9 agora, mais de 25 esp\u00e9cies vegetais foram batizadas com seu nome. (Figura 5)<\/p>\n<h6 id=\"figura-5-graziela-barroso-na-unb-em-1967-jbrjfonte-arquivo\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5531\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig5.jpg\" alt=\"\" width=\"197\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig5.jpg 138w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig5-8x12.jpg 8w\" sizes=\"(max-width: 197px) 100vw, 197px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 5. Graziela Barroso na UnB em 1967 (JBRJ)<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Arquivo)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1997, com 84 anos, Graziela Barroso desfilou em um carro aleg\u00f3rico da Unidos da Tijuca no carnaval carioca. Naquele ano, a escola prestou uma homenagem ao Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro com o enredo: <em>\u201cViagem pitoresca pelos cinco continentes num jardim\u201d. <\/em>(Figura 6)<\/p>\n<h6 id=\"figura-6-graziela-barroso-no-desfile-da-unidos-da-tijucafonte-arquivo\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5533\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig6.jpg\" alt=\"\" width=\"234\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig6.jpg 191w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig6-9x12.jpg 9w\" sizes=\"(max-width: 234px) 100vw, 234px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 6. Graziela Barroso no desfile da Unidos da Tijuca<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Arquivo)<\/h6>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>Roald Hoffmann<\/strong>, qu\u00edmico polon\u00eas-estadunidense e professor na Universidade de Cornell, recebeu o Pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica de 1981. Escreveu pe\u00e7as teatrais, poesia e livros sobre as conex\u00f5es entre arte a ci\u00eancia. \u00c9 detentor (em\u00e9rito) da c\u00e1tedra Frank H. T. Rhodes de Humanidades da Universidade de Cornell. Em 2004, desfilou na Unidos da Tijuca, fantasiado de Santos Dumont (mas com um chap\u00e9u de ga\u00facho), com fantasia desenhada por Paulo Barros. Naquele ano, a Unidos da Tijuca fez um desfile primoroso e ficou em segundo lugar no Carnaval do Rio de Janeiro, perdendo por d\u00e9cimos para a Beija-Flor (h\u00e1 controv\u00e9rsias sobre a apura\u00e7\u00e3o!). (Figura 7)<\/p>\n<h6 id=\"figura-7-roald-hoffmann-no-desfile-da-unidos-da-tijuca-em-2004fonte-arquivo\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5534\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig7.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig7.jpg 202w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig7-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 7. Roald Hoffmann no desfile da Unidos da Tijuca em 2004<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Arquivo)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O enredo da Unidos da Tijuca, que teve a forte colabora\u00e7\u00e3o da Casa da Ci\u00eancia da UFRJ, era baseado na ci\u00eancia, <em>\u201cO sonho da cria\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o do sonho: a arte da ci\u00eancia no tempo do imposs\u00edvel\u201d<\/em>, trouxe o famoso carro aleg\u00f3rico sobre o DNA, e foi manchete de jornais e de revistas em todo o mundo. Entusiasmado, Hoffmann escreveu um artigo para a revista Nature (v. 428, p. 21, 2004) descrevendo sua experi\u00eancia no desfile de Carnaval do Rio. (Figura 8)<\/p>\n<h6 id=\"figura-8-o-famoso-carro-alegorico-do-dna-da-unidos-da-tijucafonte-arquivo\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5535\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig8.jpg\" alt=\"\" width=\"255\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig8.jpg 172w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig8-10x12.jpg 10w\" sizes=\"(max-width: 255px) 100vw, 255px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 8. O famoso carro aleg\u00f3rico do DNA da Unidos da Tijuca<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Arquivo)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">***<\/p>\n<p>Vale recordar ainda uma experi\u00eancia, esta n\u00e3o muito apreciada por ele, de um grande cientista ingl\u00eas com o carnaval brasileiro. Na realidade ela ocorreu no entrudo, em Salvador, em 1832, quando <strong>Charles Darwin <\/strong>estava nesta cidade em sua viagem no Beagle. Darwin escreveu no Di\u00e1rio do Beagle, no dia 4 de mar\u00e7o 1832:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cHoje \u00e9 o primeiro dia do Carnaval, mas Wickham, Sullivan e eu pr\u00f3prio, nada ind\u00f4mitos, est\u00e1vamos determinados a encarar seus perigos. Esses perigos consistem em sermos impiedosamente atingidos por bolas de cera cheias de \u00e1gua e molhados pelo jorro de grandes tinas. Achamos muito dif\u00edcil manter nossa dignidade andando pelas ruas. Carlos V disse que valente \u00e9 o homem capaz de apagar uma vela com seus dedos sem fraquejar; eu digo que valente \u00e9 aquele que consegue andar a passo firme quando h\u00e1 baldes d\u2019\u00e1gua prestes a serem jogados sobre ele de ambos os lados. Ap\u00f3s horas enfrentando o desafio, chegamos por fim ao campo, determinados a permanecer ali at\u00e9 que escurecesse. Assim fizemos, e tive alguma dificuldade para encontrar a estrada de volta, pois tiv\u00e9ramos o cuidado de seguir pela costa al\u00e9m dos limites da cidade. Para completar nossos ris\u00edveis tormentos, uma intensa tempestade nos molhou at\u00e9 os ossos e, por fim, felizmente chegamos ao Beagle.\u201d <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ou seja, Darwin escapuliu do Carnaval da Bahia. Sabia de nada sobre evolu\u00e7\u00e3o no Carnaval&#8230; (Figura 9)<\/p>\n<h6 id=\"figura-9-augustus-earle-companheiro-de-darwin-no-beaglefonte-cena-de-carnaval-entrudo-1822\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5536\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig9.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"186\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig9.jpg 285w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig9-18x12.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 9. Augustus Earle (companheiro de Darwin no Beagle)<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Cena de Carnaval; Entrudo, 1822)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2011, Darwin retornou ao carnaval brasileiro, desta vez na Comiss\u00e3o de Frente e no enredo de uma escola de samba. Naquele ano, a escola de samba Uni\u00e3o da Ilha do Governador, do Rio de Janeiro, apresentou o enredo <em>\u201cO Mist\u00e9rio da Vida\u201d<\/em>, tendo Alex de Souza como carnavalesco. A escola buscou fazer uma viagem no tempo para falar do mist\u00e9rio da vida e da evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. Os organizadores justificaram a escolha do enredo:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cO meio cient\u00edfico ainda comemora os 150 anos da primeira publica\u00e7\u00e3o do livro A Origem das Esp\u00e9cies, livro este que causou uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o no mundo com a teoria da evolu\u00e7\u00e3o. A aventura vivida pelo naturalista ingl\u00eas Charles Darwin a bordo do H.M.S. Beagle, o navio brit\u00e2nico, que em aproximadamente cinco anos, deu a volta ao mundo e que tinha a miss\u00e3o de mapear a Am\u00e9rica do Sul, onde aportaram nas cidades de Salvador e Rio de Janeiro. Esta expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ser\u00e1 revivida pela escola de samba&#8230;\u201d <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O enredo foi influenciado pelas atividades relativas ao Ano Darwin, realizadas dois anos antes pelo projeto Caminhos de Darwin, organizado pelo MCTI e pela Casa da Ci\u00eancia &#8211; UFRJ, e teve a colabora\u00e7\u00e3o de pesquisadores do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro. Apesar de um tr\u00e1gico inc\u00eandio anterior em seus barrac\u00f5es, a escola fez um excelente e animado desfile, conquistou o p\u00fablico e o Estandarte de Ouro como melhor escola e melhor enredo. (Figura 10)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5537\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig10.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"245\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig10.jpg 179w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig10-15x12.jpg 15w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-10-o-enredo-da-uniao-da-ilha-do-governador-em-2011fonte-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 10. O enredo da Uni\u00e3o da Ilha do Governador em 2011<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2014, o desfile da Grande Rio contou a hist\u00f3ria de Maric\u00e1, munic\u00edpio pr\u00f3ximo do Rio de Janeiro, no qual Darwin passou em sua expedi\u00e7\u00e3o de 1832. V\u00e1rias alas trouxeram componentes vestidos como gafanhotos, formigas, borboletas, joaninhas e outros animais observados por ele na Serra da Tiririca. No in\u00edcio, desfilou o carro aleg\u00f3rico \u201cEstufa de Estudos Darwinianos\u201d, com grandes arbustos de grama sint\u00e9tica habitados por acrobatas fantasiados de insetos. Contrariado ou n\u00e3o, Darwin havia retornado ao carnaval brasileiro. Sem perder a dignidade. (Figura 11)<\/p>\n<h6 id=\"figura-11-charles-darwin-nos-anos-1830fonte-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5538\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig11.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig11.jpg 157w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fig11-8x12.jpg 8w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 11. Charles Darwin nos anos 1830<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-unidos-da-tijuca-arquivo-reproducao\">Capa. Unidos da Tijuca\/ Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pesquisadores participam da maior festa brasileira \u00a0 O carnaval \u00e9 a festa&hellip;\n","protected":false},"author":20,"featured_media":5540,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,865],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5527"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5527"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5527\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5541,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5527\/revisions\/5541"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5540"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}