{"id":5625,"date":"2024-03-12T07:30:04","date_gmt":"2024-03-12T07:30:04","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5625"},"modified":"2024-03-11T18:58:03","modified_gmt":"2024-03-11T18:58:03","slug":"somente-com-politicas-de-equidade-e-que-as-mulheres-terao-os-seus-direitos-garantidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5625","title":{"rendered":"Somente com pol\u00edticas de equidade \u00e9 que as mulheres ter\u00e3o os seus direitos garantidos"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"em-seminario-promovido-pela-sbpc-no-dia-8-de-marco-pesquisadoras-refletem-os-desafios-de-ser-mulher-em-sociedade-e-sua-presenca-no-campo-cientifico\"><span style=\"color: #808080;\">Em semin\u00e1rio promovido pela SBPC no dia 8 de mar\u00e7o, pesquisadoras refletem os desafios de ser mulher em sociedade e sua presen\u00e7a no campo cient\u00edfico<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de ter uma crescente nas conquistas no campo legislativo, faltam pol\u00edticas e demais a\u00e7\u00f5es para garantir a equidade plena \u00e0s mulheres. Este foi o principal diagn\u00f3stico do evento \u201cFalam as cientistas: a SBPC e o futuro da ci\u00eancia brasileira\u201d, uma iniciativa da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC) para comemorar e refletir sobre a viv\u00eancia feminina.<\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o especial ocorreu na \u00faltima sexta-feira, 8 de mar\u00e7o, Dia Internacional das Mulheres. A abertura do evento contou com uma cerim\u00f4nia composta pelo presidente da entidade, Renato Janine Ribeiro, pela qu\u00edmica e vencedora da 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio \u201cCarolina Bori Ci\u00eancia &amp; Mulher\u201d na \u00e1rea de Exatas e Ci\u00eancias da Terra, Yvonne Mascarenhas, e pela diretora da SBPC, Laila Salmen Espindola.<\/p>\n<p>\u201cO car\u00e1ter pol\u00edtico \u00e9 o que devemos levar do Dia das Mulheres. No passado, o que se fizesse em prol das identidades minorit\u00e1rias ou reprimidas era considerado um desvio das lutas sociais. Mas a experi\u00eancia hist\u00f3rica mostrou que se n\u00e3o existirem mobiliza\u00e7\u00f5es por todas as causas dignas, as quest\u00f5es n\u00e3o ser\u00e3o resolvidas. Para fazer e lutar por dignidade, n\u00f3s temos que estar envolvidos em todas as causas, o que inclui a luta pelos direitos das mulheres\u201d, afirmou Janine Ribeiro.<\/p>\n<p>Diretora da SBPC e professora da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), Laila Salmen Espindola ressaltou que essa celebra\u00e7\u00e3o do Dia Internacional das Mulheres \u00e9 uma consequ\u00eancia do trabalho da SBPC na defesa da justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>\u201cEsse dia \u00e9 uma \u00f3tima oportunidade, certamente pol\u00edtica, de debater as reivindica\u00e7\u00f5es por equidade de direitos e igualdade de oportunidades. \u00c9 um dia especial para evocar em todas e todos a necessidade de lutar por essa transforma\u00e7\u00e3o social. Essa data traz a hist\u00f3ria secular de lutas travadas diariamente por mulheres ao redor do mundo, um mundo que foi moldado para ser desigual. \u00c9 preciso que a hist\u00f3ria conte sobre essas mulheres lutadoras, sobre n\u00f3s, pretas, ind\u00edgenas, brancas e pardas, mulheres comumente atormentadas pelo temor causado pela desigualdade de g\u00eanero enraizada na nossa sociedade\u201d, disse Espindola.<\/p>\n<p>Encerrando a primeira programa\u00e7\u00e3o da manh\u00e3, a qu\u00edmica Yvonne Mascarenhas apresentou uma linha do tempo sobre as conquistas das mulheres ao longo dos anos, ressaltando que, mesmo legalmente amparadas, as mulheres ainda sofrem consequ\u00eancias do passado hist\u00f3rico enraizado na sociedade.<\/p>\n<p>\u201cEu poderia dizer que a mulher brasileira j\u00e1 conseguiu obter legalmente os seus principais direitos civis. O que resta a partir da\u00ed? \u00c9 necess\u00e1rio vencer os obst\u00e1culos socioculturais e econ\u00f4micos que ainda condicionam as mulheres a tomarem decis\u00f5es subordinadas ao seu papel de cuidadora, tanto da fam\u00edlia como nas profiss\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Mascarenhas citou dados do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) sobre a busca e forma\u00e7\u00e3o de mulheres, que mostram a concentra\u00e7\u00e3o em determinadas \u00e1reas e a exclus\u00e3o em outras. N\u00e3o coincidentemente, as \u00e1reas em que h\u00e1 menos mulheres s\u00e3o aquelas tradicionalmente conhecidas como \u201c\u00e1reas masculinas\u201d:<\/p>\n<p>\u201cSe observarmos os dados disponibilizados pelo MEC sobre os 20 cursos que receberam o maior n\u00famero de matr\u00edculas de pessoas do sexo feminino, um dado atualizado em 2023, fica evidente a alta participa\u00e7\u00e3o feminina nas \u00e1reas de Humanas e Biol\u00f3gicas e a baixa participa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de Exatas. A meu ver, isso ainda \u00e9 decorrente de como educamos meninas e meninos. A mulher brasileira ainda precisa livrar-se de certas caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas e socioculturais para viver a plena realiza\u00e7\u00e3o de suas escolhas vocacionais\u201d, concluiu a cientista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ciencia-deve-se-ocupar-de-pluralidade\"><strong>Ci\u00eancia deve se ocupar de pluralidade<\/strong><\/h4>\n<p>Seguindo com a programa\u00e7\u00e3o especial, ap\u00f3s a fala de Mascarenhas foi realizada uma mesa-redonda sobre mulher e Ci\u00eancia. O debate contou com as presen\u00e7as de Fernanda Staniscuaski, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenadora do Movimento\u00a0<em>Parent in Science<\/em>; Cristina Caldas, diretora de Ci\u00eancia do Instituto Serrapilheira; Rosangela Aparecida Hil\u00e1rio, professora da Universidade Federal de Rond\u00f4nia (UNIR) e integrante da Rede Mulheres Cientistas; Cristiane Gomes Juli\u00e3o, doutoranda em Antropologia Social no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e l\u00edder ind\u00edgena Pankararu; e Debora Peres Menezes, professora titular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e diretora de Avalia\u00e7\u00e3o de Resultados e Solu\u00e7\u00f5es Digitais do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico). A media\u00e7\u00e3o foi de Miriam Grossi, professora da UFSC.<\/p>\n<p>Abrindo as falas, Fernanda Staniscuaski apresentou o conceito de equidade e como ele \u00e9 necess\u00e1rio para se pensar as realidades das pesquisadoras.<\/p>\n<p>\u201cEle \u00e9 o nosso caminho para chegarmos na igualdade de g\u00eanero. Equidade pressup\u00f5e que a gente vai ter medidas adaptadas aos contextos das mulheres. Por exemplo, um dos principais problemas que a gente tem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 progress\u00e3o das mulheres na academia \u2013 e, obviamente, n\u00e3o s\u00f3 na academia \u2013 \u00e9 a quest\u00e3o da queda de produtividade depois da chegada dos filhos. Medidas compensat\u00f3rias s\u00e3o fundamentais para que a gente consiga atingir essa equidade, que vai nos levar \u00e0 igualdade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A coordenadora do Movimento\u00a0<em>Parent in Science<\/em>\u00a0ressaltou a necessidade de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre mitos e preconceitos na maternidade. \u201cQuando nos tornamos m\u00e3es, n\u00e3o nos tornamos menos comprometidas com a nossa carreira e nem nos tornamos menos capazes\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Diretora de Ci\u00eancia do Instituto Serrapilheira, Cristina Caldas apresentou iniciativas que a entidade realiza para promover a equidade. Entre elas est\u00e1 o b\u00f4nus da diversidade, recursos extras que s\u00e3o destinados a pesquisadores vinculados ao Instituto que desejam estimular maior diversidade em suas \u00e1reas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um recurso destinado para formar e trazer pessoas de grupos sub-representados. A gente convida os cientistas que a gente apoia a olharem para os seus grupos de pesquisa e a perguntarem: \u2018O meu grupo \u00e9 diverso ou s\u00f3 tem pessoas brancas?\u2019 A partir da\u00ed, a gente faz um convite e destina recursos para que eles possam contratar e formar pessoas de grupos sub-representados, como mulheres, pessoas negras, ind\u00edgenas e pessoas com defici\u00eancia. O nosso principal foco \u00e9 em g\u00eanero e diversidade racial.\u201d<\/p>\n<p>Diretora de Avalia\u00e7\u00e3o de Resultados e Solu\u00e7\u00f5es Digitais do CNPq, Debora Peres Menezes apresentou dados que mostram o caminho de igualdade de g\u00eanero na destina\u00e7\u00e3o de recursos p\u00fablicos. Entretanto, ressaltou a import\u00e2ncia de se analisar esses n\u00fameros com cautela:<\/p>\n<p>\u201cOs homens tendiam a ganhar mais projetos do CNPq, mas a partir de 2015 houve uma equipara\u00e7\u00e3o e, desde ent\u00e3o, as mulheres ganharam mais projetos. Entretanto, isso \u00e9 na m\u00e9dia. Se a gente for olhar com uma lupa neste dado, existem muitas \u00e1reas distintas com realidades muito diferentes. O fato de o n\u00famero maior de mulheres ser um dado na m\u00e9dia representa que em algumas \u00e1reas, como humanidades, a gente tem, de fato, as mulheres coordenando projetos, mas em outras \u00e1reas elas s\u00e3o minoria absoluta.\u201d<\/p>\n<p>A falta de equidade tamb\u00e9m est\u00e1 presente nos montantes de recursos, o que representa uma realidade cont\u00ednua. \u201cSe a gente olha para a m\u00e9trica de dinheiro, o que a gente v\u00ea \u00e9 que os homens s\u00e3o mais bem financiados. Eles sempre foram\u201d, apontou Menezes.<\/p>\n<p>Os recortes societ\u00e1rios tamb\u00e9m apareceram na fala Rosangela Aparecida Hil\u00e1rio, professora da Universidade Federal de Rond\u00f4nia (UNIR) e integrante da Rede Mulheres Cientistas. Para a pesquisadora, \u00e9 necess\u00e1rio entender a estrutura de privil\u00e9gios presente dentro da academia.<\/p>\n<p>\u201cQuando n\u00f3s falamos de cientistas, a gente tem que, imediatamente, ligar \u00e0 quest\u00e3o de ra\u00e7a, para pensarmos de que mulheres n\u00f3s estamos falando e quais s\u00e3o os homens que est\u00e3o acessando esses espa\u00e7os e fechando esses espa\u00e7os de tal maneira que n\u00e3o permitem que outros ocupem\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Hil\u00e1rio destacou que a Ci\u00eancia, por estar presente na sociedade, reproduz as suas estruturas desiguais. \u201cQuando n\u00f3s vamos para o debate de remunera\u00e7\u00e3o, por exemplo, a gente diz que os homens ganham mais do que as mulheres. Volto a dizer: quais homens e quais mulheres? Pelo IBGE, o que est\u00e1 escrito l\u00e1 \u00e9 que ganham melhor os homens brancos, depois as mulheres brancas, seguidas pelos homens negros e, por \u00faltimo, as mulheres negras. E na Ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 diferente, quando a gente pensa em acesso a esses espa\u00e7os que s\u00e3o importantes para a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica: primeiro est\u00e3o os homens brancos, depois as mulheres brancas e a\u00ed os outros.\u201d<\/p>\n<p>A professora e pesquisadora revelou uma pr\u00e9via de um estudo em produ\u00e7\u00e3o da Rede Mulheres Cientistas, que est\u00e1 analisando os impactos da lei n\u00ba 12.990\/2014, que impunha que, at\u00e9 2024, ao menos 20% do corpo docente das institui\u00e7\u00f5es deveria ser composto por pessoas negras. \u201cIsso est\u00e1 bem longe de ser cumprido\u201d, disse.<\/p>\n<p>Encerrando as falas do dia, a doutoranda em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ e l\u00edder ind\u00edgena Pankararu, Cristiane Gomes Juli\u00e3o, refletiu sobre a aus\u00eancia de representatividade nos espa\u00e7os. Segundo a pesquisadora, a Ci\u00eancia \u00e9 permeada pelas caracter\u00edsticas de quem a produz.<\/p>\n<p>\u201cComo \u00e9 que eu posso pensar em Ci\u00eancias Humanas se eu n\u00e3o tiver afeto pelo pr\u00f3ximo? Se eu n\u00e3o buscar na \u00e1rea que eu pesquiso dentro da Antropologia, que \u00e9 a Antropologia Jur\u00eddica, o entendimento sobre a conex\u00e3o do movimento ind\u00edgena e suas lutas por direito territorial, ambiental e direitos humanos? Eu preciso ter um v\u00ednculo afetivo com a luta que eu travo\u201d, analisou.<\/p>\n<p>O evento \u201cFalam as cientistas: a SBPC e o futuro da ci\u00eancia brasileira\u201d tamb\u00e9m contou com as apresenta\u00e7\u00f5es culturais do Levante Feminista Contra o Feminic\u00eddio e das cantoras Indiana Nomma e Cris Pereira. A arte utilizada para ilustrar o evento foi de Mariana Darvenne. A atividade pode ser conferida na \u00edntegra\u00a0<strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=AhMrhykK8Qw&amp;t=8s&amp;ab_channel=SBPCnet\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no canal da SBPC no YouTube<\/a><\/span><\/strong>.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>Jornal da Ci\u00eancia<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em semin\u00e1rio promovido pela SBPC no dia 8 de mar\u00e7o, pesquisadoras refletem&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":3186,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5625"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5625"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5625\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5627,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5625\/revisions\/5627"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3186"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5625"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5625"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5625"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}