{"id":5691,"date":"2024-04-08T08:00:27","date_gmt":"2024-04-08T08:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5691"},"modified":"2024-09-18T13:03:57","modified_gmt":"2024-09-18T13:03:57","slug":"cesar-lattes-na-universidade-federal-de-mato-grosso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5691","title":{"rendered":"Cesar Lattes na Universidade Federal do Mato Grosso"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"projeto-lattes-deu-oportunidade-a-ufmt-de-fazer-parte-de-um-grupo-de-destacadas-instituicoes-de-pesquisa-na-area-de-raios-cosmicos-altas-energias-e-geocronologia\"><span style=\"color: #808080;\">Projeto Lattes deu oportunidade \u00e0 UFMT de fazer parte de um grupo de destacadas institui\u00e7\u00f5es de pesquisa na \u00e1rea de raios c\u00f3smicos, altas energias e geocronologia. <\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Algo marcou a minha vida aos 19 anos que definitivamente determinou que eu continuasse me aplicando aos estudos e insistisse em qualificar especificamente para formar professores de F\u00edsica. Foi um longo caminho com todas as nuances da vida de um ser humano comum do sexo feminino, nascida no continente sul-americano, migrante das Minas Gerais para o Mato Grosso. Casamento, filhas, trabalho, n\u00e3o necessariamente nessa ordem, mas nada, ap\u00f3s conhecer Cesar Lattes, mudaria meus planos de me qualificar para formar professores da Educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Contarei um pouco das minhas mem\u00f3rias desse primeiro contato:<\/p>\n<p>Era um dia qualquer de maio de 1986, depois de muito trabalho para o Centro Acad\u00eamico de F\u00edsica \u201cProfessor Jo\u00e3o Vasconcellos Coelho\u201d arrecadar recursos para receber Cesar Lattes, fomos eu, meu colega Paulo e Francisco Carlos Monteiro (Xyco) de fusca, buscar o eminente f\u00edsico no aeroporto Marechal Rondon em V\u00e1rzea Grande, cidade vizinha, porque nosso aeroporto \u201cde Cuiab\u00e1\u201d fica na cidade depois da ponte do Rio Cuiab\u00e1. Colocamos nossas melhores roupas e o carro estava impec\u00e1vel. Esperamos e esperamos, porque chegamos cedo. O avi\u00e3o pousou e o cora\u00e7\u00e3o disparou, de repente corremos para o sagu\u00e3o e encontramos um senhor de bermuda, camisa florida e sand\u00e1lia Itapu\u00e3, muito na moda naquele tempo, \u00f3culos no alto da cabe\u00e7a vindo em nossa dire\u00e7\u00e3o. Claro que esper\u00e1vamos um senhor de terno, todo formal. Hoje sei que fomos levados pelo imagin\u00e1rio do que seria a indument\u00e1ria de um \u201cpr\u00eamio Nobel\u201d \u2013 gostei de ver que meu modelo n\u00e3o estava correto. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-professor-lattes-palestrando-no-departamento-de-fisicaacervo-pessoal\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5693\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura1-193x300.jpg\" alt=\"\" width=\"321\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura1-193x300.jpg 193w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura1-8x12.jpg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura1.jpg 554w\" sizes=\"(max-width: 321px) 100vw, 321px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Professor Lattes palestrando no Departamento de F\u00edsica<br \/>\n<\/strong>(Acervo pessoal)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cesar Lattes nos cumprimentou com um sorriso paternal. Apresentei-me, assim como os demais. Ele perguntou se eu acreditava em realidade objetiva \u2013 gelei. Claro que nem sabia do que se tratava, mas para aparecer disse a ele que estava estudando o paradoxo dos g\u00eameos, ele sorriu de novo e disse que Albert Einstein era uma besta e que n\u00e3o me preocupasse com isso. Uma vez no carro, j\u00e1 pr\u00f3ximo da hora do almo\u00e7o, o convidamos para almo\u00e7ar. Hav\u00edamos guardado dinheiro para lev\u00e1-lo a uma das nossas mais tradicionais peixarias da cidade, a saudosa \u201cPeixaria Popular\u201d. Era momento raro para n\u00f3s, tanto pela companhia ilustre quanto pelo almo\u00e7o na peixaria \u2013 assim como no Sul e Sudeste h\u00e1 muitas churrascarias, aqui temos peixarias. Bom, ele perguntou se na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) tinha restaurante universit\u00e1rio e quis almo\u00e7ar l\u00e1. Fiquei preocupada com o nosso card\u00e1pio, mas foi \u00f3timo porque tinha, entre outras iguarias do bandej\u00e3o nosso de cada dia, farofa de banana. Cesar Lattes foi uma \u00f3tima companhia nesse almo\u00e7o especial. Lembro-me pouco de detalhes da nossa conversa, mas recordo que os alunos dos cursos de F\u00edsica, Matem\u00e1tica e Qu\u00edmica logo o reconheceram e formamos um grupo animado falando de ci\u00eancia, de professores, de Brasil e de futuro. De repente, ele se incomoda com algo na boca e tira a dentadura para limpar o inc\u00f4modo, sem a menor cerim\u00f4nia, espanto geral que passou num lampejo, afinal entre jovens universit\u00e1rios esse tipo de atitude n\u00e3o causa mais do que uma pequena estranheza \u2013 tomara que hoje ainda seja assim. Foi uma aula de vida e de sinceridade e aprendi que o que importa \u00e9 o nosso conhecimento, nossa responsabilidade, nossas convic\u00e7\u00f5es e o resto \u00e9 resto. Foram dias memor\u00e1veis, uma semana de aulas com ele, e muita, muita conversa, sobre a ci\u00eancia brasileira, sobre o Brasil. Sei que tamb\u00e9m nossos professores do ent\u00e3o departamento de F\u00edsica nunca mais foram os mesmos e que muitos sonhos de se qualificar, fazer pesquisa de ponta, vieram dali.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s essa visita ao Departamento de F\u00edsica, dois protocolos de inten\u00e7\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica foram firmados, noticiados na imprensa local,<sup>[i]<\/sup> entre o departamento de F\u00edsica Geral e Experimental da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), o Departamento de F\u00edsica do Centro de Ci\u00eancias Exatas e de Tecnologia da UFMT, o N\u00facleo de Estudos e Pesquisa do Rio de Janeiro (NEPEC) e o N\u00facleo de Instrumenta\u00e7\u00e3o da UFMT. Esses protocolos foram a promessa de um conv\u00eanio entre essas institui\u00e7\u00f5es, que foram assinados no gabinete do ent\u00e3o reitor Eduardo De Lam\u00f4nica Freire. \u00c9 importante destacar a presen\u00e7a, al\u00e9m de Cesar Lattes e Armando Dias Tavares, este \u00faltimo presidente do N\u00facleo de Estudos e Pesquisas do Rio de Janeiro, Carlos Augusto de Azevedo, membro do N\u00facleo de Estudos e Pesquisas, Ab\u00edlio Camilo Fernandes Neto, Francisco Carlos Monteiro, respectivamente chefe e subchefe do Departamento de F\u00edsica da UFMT, Paulo Eduardo Dias e eu como representantes do Centro Acad\u00eamico de F\u00edsica, Jos\u00e9 M\u00e1rio Fontes Amiden, coordenador do N\u00facleo de Instrumenta\u00e7\u00e3o da UFMT e Trentino Polga, do Centro Tecnol\u00f3gico para Inform\u00e1tica, do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-existencia-do-pion-ou-meson-pi-foi-comprovada-experimentalmente-por-cesar-lattes-entao-jovem-com-24-anos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA exist\u00eancia do P\u00edon, ou M\u00e9son Pi, foi comprovada experimentalmente por C\u00e9sar Lattes, ent\u00e3o jovem com 24 anos.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, com a chegada da minha primeira filha, me afastei temporariamente das atividades acad\u00eamicas, tranquei o curso, mas acompanhei pelo notici\u00e1rio local a assinatura do termo de coopera\u00e7\u00e3o que consolidou na UFMT o Projeto Lattes dando oportunidade \u00e0 UFMT de fazer parte de um grupo de destacadas institui\u00e7\u00f5es de pesquisa na \u00e1rea de raios c\u00f3smicos, altas energias e geocronologia.<\/p>\n<p>Foi um tempo de efervesc\u00eancia com a expectativa de coopera\u00e7\u00e3o virtuosa entre institui\u00e7\u00f5es de diversos pa\u00edses: Brasil, Jap\u00e3o, Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, It\u00e1lia, Pol\u00f4nia e Bol\u00edvia. No Brasil, faziam parte do programa a Universidade de Campinas (Unicamp), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e o Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF), e, na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a Academia de Ci\u00eancias da Rep\u00fablica Socialista Sovi\u00e9tica da Ge\u00f3rgia, atrav\u00e9s de Nina Nikolaevna Roinisrivili. Vale destacar que nessa mesma ocasi\u00e3o outro protocolo de inten\u00e7\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica foi assinado tamb\u00e9m com a <em>Scuela Normale Superior de Pisa<\/em> e com o Laborat\u00f3rio de Geocronologla e Geoqu\u00edmica Isot\u00f3pica de Pisa (It\u00e1lia), que possibilitaria a vinda dos pesquisadores Erasmo Recami e Giorgio Ferrara para a concretiza\u00e7\u00e3o de outro projeto idealizado pelo cientista Cesar Lattes: a data\u00e7\u00e3o da nossa bela Chapada dos Guimar\u00e3es com participa\u00e7\u00e3o do Departamento de Geologia da UFMT. Deu-se ent\u00e3o in\u00edcio ao \u201cPrograma Cesar Lattes\u201d. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-assinatura-do-protocolo-de-intencao-de-cooperacao-cientifica-da-esquerda-para-direita-nina-nikolaevna-takao-tati-o-reitor-de-lamonica-freire-cesar-lattes-edson-shibuya-acerv\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5695\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura2-300x176.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"293\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura2-300x176.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura2-768x450.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura2-800x469.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura2.jpg 835w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Assinatura do Protocolo de inten\u00e7\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u2013 da esquerda para direita: <\/strong><strong>Nina Nikolaevna, Takao Tati, o reitor De Lamonica Freire, Cesar Lattes, Edson Shibuya.<br \/>\n<\/strong>(Acervo pessoal)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cesar Lattes se mudou para Cuiab\u00e1 e passou a residir no Bairro Boa Esperan\u00e7a, ao lado da UFMT, em meados de 1988. Logo ap\u00f3s instalado, trouxe Takao Tati, que veio do Jap\u00e3o para ficar um ano na UFMT.<\/p>\n<p>Soube de uma palestra que ele faria no Departamento de F\u00edsica e n\u00e3o pude resistir em assisti-la. O tema era \u201cUma Expectativa de Observa\u00e7\u00e3o dos Fen\u00f4menos de Energia Ultra-alta\u201d. Takao Tati falou da Teoria Qu\u00e2ntica de Campos, subjacente \u00e0 previs\u00e3o te\u00f3rica do f\u00edsico japon\u00eas Yukawa de que a for\u00e7a nuclear entre n\u00facleons \u00e9 mediada por uma part\u00edcula, desconhecida naquela \u00e9poca \u2013 o P\u00edon. A exist\u00eancia do P\u00edon, ou M\u00e9son Pi, foi comprovada experimentalmente por Cesar Lattes, ent\u00e3o jovem com 24 anos. A imprensa local noticiou, destacando:<sup>[ii]<\/sup> \u201cO que constituiu no <em>alvorecer da f\u00edsica das part\u00edculas elementares<\/em>\u201d, considerou Takao Tati. O cientista japon\u00eas explicou ainda que o programa de coopera\u00e7\u00e3o entre Brasil, Pol\u00f4nia, Jap\u00e3o, URSS e Bol\u00edvia \u201cest\u00e1 observando fen\u00f4menos que ocorrem a energias ultra-altas, induzidos por raios c\u00f3smicos, tendo obtido muitos resultados interessantes que sugerem a exist\u00eancia de novos estados da mat\u00e9ria, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos. Ele citou, tamb\u00e9m, a teoria de renormaliza\u00e7\u00e3o, da qual \u00e9 precursor, cuja validade \u00e9 aplicada a partir de fen\u00f4menos de baixas energias. Se seu limite de aplicabilidade aparecer nos fen\u00f4menos de ultra-altas-energias, segundo Takao Tati, \u201cdever\u00e1 ocorrer uma profunda reformula\u00e7\u00e3o no conceito fundamental da f\u00edsica \u2013 o espa\u00e7o-tempo.\u201d (Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-palestra-do-prof-takao-tati-ao-fundo-professores-marcos-joao-vasconcelos-coelho-cesar-lattes-eu-e-um-colega-da-licenciatura-acervo-pessoal\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5696\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura3-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura3-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura3-768x433.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura3-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura3-800x451.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura3.jpg 843w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Palestra do Prof. Takao Tati. Ao fundo: professores Marcos, Jo\u00e3o Vasconcelos Coelho, Cesar Lattes, eu e um colega da licenciatura.<br \/>\n<\/strong>(Acervo pessoal)<\/h6>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-abrangencia-do-programa-lattes-na-ufmt\"><strong>A abrang\u00eancia do Programa Lattes na UFMT<\/strong><\/h4>\n<p>Era a inaugura\u00e7\u00e3o de uma nova etapa da UFMT e do Departamento de F\u00edsica, fazendo valer sua autonomia. Parecia florescer, porque o ensino e extens\u00e3o j\u00e1 eram atividades muito bem desenvolvidas e, agora, ter\u00edamos a possibilidade de produzir pesquisa de ponta, consolidando o trip\u00e9 pesquisa-ensino-extens\u00e3o, voca\u00e7\u00e3o da academia. Mas nada \u00e9 f\u00e1cil, inclusive no \u00e2mbito das cr\u00edticas. Eduardo De Lamonica Freire, em entrevista para a imprensa, pontuou que \u201cse sente espantado\u201d quando lhe \u00e9 questionada a validade do Programa C\u00e9sar Lattes, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico\u00a0(CNPq), em uma universidade regional. Lattes defendia, tamb\u00e9m, afirmando que \u201cA ci\u00eancia \u00e9 universal e deve ser desenvolvida em favor do ensino&#8230;\u201d e foi enf\u00e1tico ao lembrar a universalidade da ci\u00eancia e a necessidade do desenvolvimento tecnol\u00f3gico no \u201cmundo moderno\u201d.<sup>[iii]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-ciencia-e-universal-e-deve-ser-desenvolvida-em-favor-do-ensino\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA ci\u00eancia \u00e9 universal e deve ser desenvolvida em favor do ensino.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por outro lado, sob a \u00f3tica dos nossos professores do Departamento de F\u00edsica, capitaneados por Ab\u00edlio, Amiden e Xyco, o Programa Cesar Lattes era a oportunidade sonhada para a implementa\u00e7\u00e3o da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em n\u00edvel de mestrado e doutorado. Muito esfor\u00e7o foi feito para a adequa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o f\u00edsico, laborat\u00f3rios e instala\u00e7\u00e3o de Cesar Lattes e Takao Tati em Cuiab\u00e1. O apoio inicial do CNPq foi fundamental: era o impulso necess\u00e1rio, naquele momento, para a que o embri\u00e3o que indicava a potencialidade da F\u00edsica da UFMT se desenvolvesse.<\/p>\n<p>Estavam previstas, no \u00e2mbito do Programa, pesquisas em: F\u00edsica Te\u00f3rica, a cargo de Takao Tati, do Jap\u00e3o; Intera\u00e7\u00e3o da Radia\u00e7\u00e3o com a Mat\u00e9ria, coordenada por Adriano Goggini, da Escola Superior de Pisa, It\u00e1lia; e a Intera\u00e7\u00e3o de Energia Muito Alta, com a colabora\u00e7\u00e3o de pesquisadores da Bol\u00edvia, Jap\u00e3o e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Vale destacar dois outros temas bem oportunos. Part\u00edculas e radia\u00e7\u00e3o solar, considerando que 1988 \/1989 foi um per\u00edodo em que o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/antes-da-tempestade\/\">Sol entrou em atividade m\u00e1xima, com erup\u00e7\u00f5es que enviaram a Terra uma maior densidade de part\u00edculas com propriedades n\u00e3o compreendidas<\/a><\/strong><\/span>. O projeto destinava-se tamb\u00e9m a estudar varia\u00e7\u00f5es das radia\u00e7\u00f5es solares e data\u00e7\u00e3o geocronol\u00f3gica da Chapada dos Guimar\u00e3es e Pantanal Mato-Grossense, envolvendo tamb\u00e9m pesquisadores do Departamento de Geologia. Sobre a Chapada dos Guimar\u00e3es \u00e9 importante destacar que \u00e9 um importante ponto tur\u00edstico a cerca de 60 km de Cuiab\u00e1. Estudos geol\u00f3gicos determinam que se trata de uma regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o rochosa constitu\u00edda por um dep\u00f3sito marinho com idade estimada entre 440 e 475 milh\u00f5es de anos. Foi um mar fechado de \u00e1guas rasas, hoje com imensos e lindos pared\u00f5es de rocha. Naquele tempo at\u00e9 os uf\u00f3logos l\u00e1 esperavam discos voadores. Apesar das pesquisas, contudo, a regi\u00e3o n\u00e3o possui sua composi\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica totalmente conhecida. O Pantanal Mato-Grossense, a cerca de 150 km, \u00e9 a maior plan\u00edcie de inunda\u00e7\u00e3o da Terra. Esse segundo estudo ficou sob a coordena\u00e7\u00e3o de Giorgi Ferrara, do Laborat\u00f3rio de Geocronologia do e Qu\u00edmica Isot\u00f3pica de Pisa, na It\u00e1lia. Logo, podemos observar que era um projeto de f\u00f4lego que, se consolidado, mudaria em definitivo a F\u00edsica do Estado de Mato Grosso.<\/p>\n<p>Ainda afastada do curso de F\u00edsica, acompanhei pela imprensa a not\u00edcia da abertura da mostra da descoberta cient\u00edfica do Cesar Lattes intitulada \u201c40 anos da descoberta do M\u00e9son Pi\u201d, organizada por Ernest Hamburguer, do Departamento de F\u00edsica Experimental do Instituto de F\u00edsica da USP, no corredor do Departamento de F\u00edsica da UFMT. Pesquisei para lembrar a data, com muito custo e ajuda de um amigo, e descobrimos que foi em 4 de outubro de 1988. Eu gostaria ter ido, mas minha filha estava com um ano e meio, e deveria estar demandando a presen\u00e7a da m\u00e3e. (Figura 4)<\/p>\n<h6 id=\"figura-4-abertura-da-exposicao-comemorativa-dos-40-anos-de-descoberta-do-meson-pi-acervo-pessoal\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5697\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura4A-300x203.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"203\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura4A-300x203.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura4A-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura4A.jpg 758w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/> <img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5698\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura4B-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura4B-300x192.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura4B-768x492.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura4B-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura4B.jpg 781w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><strong>Figura 4. Abertura da exposi\u00e7\u00e3o comemorativa dos 40 anos de descoberta do M\u00e9son Pi.<br \/>\n<\/strong>(Acervo pessoal)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Busquei nos arquivos da UFMT o desenrolar de toda essa hist\u00f3ria, do Projeto Lattes e seus frutos na UFMT. Encontrei apenas algumas pequenas notas na imprensa. Falei com professores da \u00e9poca e consegui um depoimento que expressa um sentimento do ent\u00e3o chefe do Departamento de F\u00edsica, o grande articulador da vinda de Cesar Lattes para Cuiab\u00e1, Ab\u00edlio Camilo Fernandes Neto, j\u00e1 citado. Permito-me transcrev\u00ea-lo:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cFoi com grande satisfa\u00e7\u00e3o que a UFMT, mais especificamente o Departamento de F\u00edsica, recebeu o Professor e Pesquisador Cesar Lattes para um per\u00edodo de palestras e desenvolvimento de projetos. Al\u00e9m da satisfa\u00e7\u00e3o, foi uma surpresa muito agrad\u00e1vel receber, pela primeira vez em nosso Departamento de F\u00edsica, um cientista t\u00e3o importante do Brasil e do mundo. Muitos professores e alunos n\u00e3o acreditavam que o famoso Lattes estava em visita \u00e0 nossa Universidade.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que era um desafio para os professores do departamento fazerem parte do Programa Cesar Lattes, previsto para ser desenvolvido na UFMT sob sua coordena\u00e7\u00e3o, com dura\u00e7\u00e3o prevista de tr\u00eas anos. Outros cientistas renomados do mundo, principalmente do Leste Europeu, participaram das atividades do projeto, realizando visitas a Cuiab\u00e1, com o objetivo maior de ampliar e consolidar a forma\u00e7\u00e3o em ci\u00eancia b\u00e1sica da comunidade cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica de Mato Grosso.<\/p>\n<p>Outro projeto apresentado aos professores, n\u00e3o apenas do Departamento de F\u00edsica, mas tamb\u00e9m de outras \u00e1reas, foi sobre os raios c\u00f3smicos, que contou com a participa\u00e7\u00e3o ativa de pesquisadores da Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Acredito que uma das maiores contribui\u00e7\u00f5es de Cesar Lattes para a UFMT e o Departamento de F\u00edsica tenha sido a vinda do professor e cientista do Jap\u00e3o, Takao Tati. Tati e sua esposa residiram em Cuiab\u00e1 por um ano. Durante esse per\u00edodo, Tati escreveu um livro sobre a eletrodin\u00e2mica qu\u00e2ntica, fazendo refer\u00eancias \u00e0 sua perman\u00eancia na UFMT e ao apoio que recebeu para elaborar seu livro e dar continuidade aos seus estudos \u2013 o livro foi revisado e traduzido pelo Jo\u00e3o Vasconcellos Coelho, fundador do nosso departamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-programa-cesar-lattes-era-a-oportunidade-sonhada-para-a-implementacao-da-pos-graduacao-em-nivel-de-mestrado-e-doutorado\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO Programa Cesar Lattes era a oportunidade sonhada para a implementa\u00e7\u00e3o da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em n\u00edvel de mestrado e doutorado.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cesar Lattes foi recebido com muita honra pelo reitor Eduardo De Lamonica Freire e todo o reitorado, demonstrando o interesse da UFMT em contar com sua presen\u00e7a e dos demais professores que ele pretendia convidar para implementar os diversos projetos. A contribui\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico da universidade seria significativa com os trabalhos a serem desenvolvidos. Foi um per\u00edodo de muito estudo e acesso ao desenvolvimento cient\u00edfico nas \u00e1reas dos projetos desenvolvidos, vivenciado tanto pelos professores quanto pelos alunos do Departamento de F\u00edsica da UFMT.<\/p>\n<p>Apesar de j\u00e1 estar com a sa\u00fade debilitada, Lattes sempre foi muito atencioso e preocupado com a possibilidade de criar grupos de pesquisa, principalmente na \u00e1rea dos raios c\u00f3smicos. Suas pegadas permanecem para sempre no Departamento de F\u00edsica da UFMT, e seus ensinamentos est\u00e3o gravados nos cora\u00e7\u00f5es e mentes dos professores e alunos. Gratid\u00e3o eterna. (Figura 5)<\/p>\n<h6 id=\"figura-5-professores-do-departamento-de-fisica-em-1988-em-pe-da-esquerda-para-a-direita-walter-milhomen-francisco-monteiro-xyco-abilio-camilo-nina-cesar-lattes-takao-tati-trentino-polga-e-ma\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5699\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura5-300x191.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura5-300x191.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura5-768x488.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura5-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura5-800x509.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-opinia\u0303o-Cesar-Lattes-na-Universidade-Federal-de-Mato-Grosso-figura5.jpg 829w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 5. Professores do Departamento de F\u00edsica em 1988. Em p\u00e9 da esquerda para a direita: Walter Milhomen, Francisco Monteiro (Xyco) Abilio Camilo, Nina, Cesar Lattes, Takao Tati, Trentino Polga e Marcos. Sentados da esquerda para direita: Carlos Rinaldi, Shozo Shiraya, Jos\u00e9 de Souza Nogueira (Paran\u00e1), Telma Cenira, Edson Shibuya e Carlos Eduardo Rondon (Caju).<br \/>\n<\/strong>(Acervo pessoal).<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De minha parte, entendo que o Projeto Cesar Lattes n\u00e3o vingou como esperado. Mas fato \u00e9 que hoje somos um Instituto de F\u00edsica com dois cursos de gradua\u00e7\u00e3o e quatro programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Considerando nossa hist\u00f3ria, temos um bom DNA acad\u00eamico. Vale a pena aproveitar!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-cesar-lattes-contribuiu-para-o-desenvolvimento-cientifico-e-tecnologico-da-ufmt-acervo\"><strong>Capa. C\u00e9sar Lattes contribuiu para <\/strong><strong>o desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico da UFMT.<br \/>\n<\/strong>(Acervo)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"http-dx-doi-org-10-5935-2317-6660-20240007\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20240007\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20240007<\/a><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Projeto Lattes deu oportunidade \u00e0 UFMT de fazer parte de um grupo&hellip;\n","protected":false},"author":184,"featured_media":5701,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5691"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/184"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5691"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5691\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7109,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5691\/revisions\/7109"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5701"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}