{"id":5713,"date":"2024-04-08T08:00:09","date_gmt":"2024-04-08T08:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5713"},"modified":"2024-09-18T13:07:46","modified_gmt":"2024-09-18T13:07:46","slug":"cesar-lattes-para-alem-das-fronteiras-cientificas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5713","title":{"rendered":"Cesar Lattes: para al\u00e9m das fronteiras cient\u00edficas"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"fisico-foi-um-pioneiro-do-avanco-cientifico-no-brasil\"><span style=\"color: #808080;\">F\u00edsico foi um pioneiro do avan\u00e7o cient\u00edfico no Brasil <\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O f\u00edsico brasileiro Cesar Mansueto Giulio Lattes, mais conhecido como Cesar Lattes, deixou uma marca permanente na comunidade cient\u00edfica, na forma\u00e7\u00e3o de pesquisadores e na valoriza\u00e7\u00e3o da f\u00edsica. No ano de seu centen\u00e1rio, seu trabalho merece ser relembrado \u2013 e celebrado. \u201cO trabalho de Lattes ajudou a despertar a curiosidade das pessoas pela ci\u00eancia. Mesmo que elas n\u00e3o compreendessem totalmente o que ele fez e produziu, elas, ao menos, sabiam que \u2018algo\u2019 chamado ci\u00eancia existia. E isso n\u00e3o \u00e9 pouco\u201d, menciona Antonio Augusto Passos Videira, professor do Departamento de Filosofia da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.uerj.br\/\"><strong>Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"pioneirismo\"><strong>Pioneirismo<\/strong><\/h4>\n<p>A trajet\u00f3ria de Cesar Lattes iniciou-se em 1946, quando foi para a Inglaterra a convite de seu professor Giuseppe Occhialini para estudar <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?artigos=cesar-lattes-e-a-bola-de-fogo\"><strong>raios c\u00f3smicos<\/strong><\/a><\/span>. Com o intuito de entender melhor o n\u00facleo de um \u00e1tomo, em particular a intera\u00e7\u00e3o entre pr\u00f3tons e n\u00eautrons, componentes do n\u00facleo at\u00f4mico \u2013 que, segundo o f\u00edsico japon\u00eas Hideki Yukawa deveria ser mediada por uma part\u00edcula ainda desconhecida, o m\u00e9son \u2013 Lattes pediu ao fabricante de placas fotogr\u00e1ficas que inclu\u00edsse o elemento qu\u00edmico boro em sua composi\u00e7\u00e3o. Isso faria com que a exposi\u00e7\u00e3o dos registros nas chapas, atingidas pelos raios c\u00f3smicos, durasse mais tempo e, consequentemente, as trajet\u00f3rias das part\u00edculas pudessem ser observadas com mais facilidade.<\/p>\n<p>Occhialini levou as placas modificadas para o Pic du Midi, nos Alpes franceses, durante suas f\u00e9rias, e deixou-as expostas ao chuveiro de part\u00edculas resultantes dos raios c\u00f3smicos (evento que acontece diariamente na atmosfera do planeta). Ao retornar, Occhialini e Lattes perceberam que a ideia da utiliza\u00e7\u00e3o do boro deu certo, resultando em uma melhor visibilidade da trajet\u00f3ria das part\u00edculas. Lattes prop\u00f4s repetir a experi\u00eancia em maiores altitudes, visto que as chances de detec\u00e7\u00e3o dessas part\u00edculas s\u00e3o maiores nessas condi\u00e7\u00f5es. Concordaram, ent\u00e3o, em repetir o experimento em Chacaltaya, na Bol\u00edvia, que possui 5.421 metros de altitude. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-cesar-lattes-em-chacaltayafonte-arquivo-cbpf-foto-enviada-por-fernando-caruso\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5668\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-artigo-Reminisce\u0302ncias-de-Lattes-figura3-243x300.jpg\" alt=\"\" width=\"404\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-artigo-Reminisce\u0302ncias-de-Lattes-figura3-243x300.jpg 243w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-artigo-Reminisce\u0302ncias-de-Lattes-figura3-828x1024.jpg 828w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-artigo-Reminisce\u0302ncias-de-Lattes-figura3-768x950.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-artigo-Reminisce\u0302ncias-de-Lattes-figura3-10x12.jpg 10w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-artigo-Reminisce\u0302ncias-de-Lattes-figura3-800x989.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-artigo-Reminisce\u0302ncias-de-Lattes-figura3-1160x1435.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-artigo-Reminisce\u0302ncias-de-Lattes-figura3.jpg 1216w\" sizes=\"(max-width: 404px) 100vw, 404px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1: Cesar Lattes em Chacaltaya<br \/>\n<\/strong>(<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/figure\/Figura-3-Cesar-Lattes-em-Chacaltaya-Depois-de-expor-por-um-mes-essas-placas-Lattes_fig2_284162857\/actions#reference\">Fonte: Arquivo CBPF<\/a>, foto enviada por Fernando Caruso)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com imagens mais detalhadas captadas durante um m\u00eas, Cesar Lattes confirmou experimentalmente a exist\u00eancia do m\u00e9son pi \u2013 a part\u00edcula respons\u00e1vel pela coes\u00e3o de pr\u00f3tons e n\u00eautrons no \u00e1tomo. \u201cA observa\u00e7\u00e3o desta part\u00edcula denominada p\u00edon resolveu uma grande quest\u00e3o do porqu\u00ea os pr\u00f3tons (cargas positivas) ficavam confinadas no n\u00facleo do \u00e1tomo, sem repuls\u00e3o entre elas\u201d, destaca Edison Shibuya, professor aposentado do instituto de f\u00edsica Gleb Wataghin da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"unicamp.br\"><strong>Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)<\/strong><\/a><\/span>. \u201cA descoberta desta part\u00edcula subat\u00f4mica \u00e9 muito importante para entender as for\u00e7as nucleares, al\u00e9m de ter ocasionado em um impacto gigante na comunidade cient\u00edfica global, especialmente na f\u00edsica de part\u00edculas que originou posteriormente muitas outras tecnologias, como a medicina nuclear utilizada no tratamento do c\u00e2ncer e a internet, por exemplo\u201d, menciona Gabriela Bailas, PhD em f\u00edsica e criadora do canal <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCmiptCNi7GR1P0H6bp9y0lQ\"><strong>F\u00edsica e Afins<\/strong><\/a><\/span>. \u200d<\/p>\n<p>No livro \u201c<em>Cesar Lattes, arrastado pela hist\u00f3ria<\/em>\u201d, o autor C\u00e1ssio Leite Vieira refor\u00e7a a import\u00e2ncia do m\u00e9son pi: \u201cA terapia que usa feixes de p\u00edons para destruir c\u00e9lulas cancerosas passou a ser empregada principalmente a partir da d\u00e9cada de 1980. E a ideia b\u00e1sica por tr\u00e1s do m\u00e9todo \u00e9 que o p\u00edon pode penetrar o tecido saud\u00e1vel sem causar muitos danos, mas, ao chegar ao tumor, a part\u00edcula \u2018explode\u2019 (desintegra-se), matando as c\u00e9lulas doentes\u201d. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-capa-da-revista-science-news-letter-com-lattes-e-gardner-no-sincrociclotron-de-184-fonte-cartas-de-noticias-cientificas-foto-enviada-por-cassio-leite-vieira\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5717\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-reportagem-Influe\u0302ncia-e-legado-figura1-224x300.jpg\" alt=\"\" width=\"374\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-reportagem-Influe\u0302ncia-e-legado-figura1-224x300.jpg 224w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-reportagem-Influe\u0302ncia-e-legado-figura1-766x1024.jpg 766w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-reportagem-Influe\u0302ncia-e-legado-figura1-768x1027.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-reportagem-Influe\u0302ncia-e-legado-figura1-9x12.jpg 9w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-reportagem-Influe\u0302ncia-e-legado-figura1-800x1070.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-reportagem-Influe\u0302ncia-e-legado-figura1.jpg 847w\" sizes=\"(max-width: 374px) 100vw, 374px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2: Capa da revista Science News Letter com Lattes e Gardner no sincrociclotron de 184&#8221;.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Cartas de Not\u00edcias Cient\u00edficas\/ <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/figure\/Cover-of-the-magazine-Science-News-Letters-featuring-Lattes-and-Gardner-at-the-184_fig6_263053023\">foto enviada por C\u00e1ssio Leite Vieira<\/a>)<\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"atuacao\"><strong>Atua\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A descoberta rendeu um <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/160486a0#citeas\"><strong>artigo na revista Nature<\/strong><\/a> <\/span>e o pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica para o f\u00edsico brit\u00e2nico Cecil Powell, ent\u00e3o diretor do laborat\u00f3rio de Londres. O pr\u00eamio era concedido apenas para o chefe do grupo da pesquisa, por\u00e9m sua n\u00e3o atribui\u00e7\u00e3o a Lattes \u00e9 considerada por muitos estudiosos uma injusti\u00e7a. \u201cO pr\u00eamio Nobel envolve mais pol\u00edtica que ci\u00eancia. Dito isso, tamb\u00e9m sabemos que nunca um f\u00edsico latino-americano levou o Nobel apesar de descobertas incr\u00edveis\u201d, declara Gabriela Bailas. Nos anos seguintes, Cesar Lattes recebeu sete indica\u00e7\u00f5es para o Nobel, mas nunca foi agraciado com o pr\u00eamio. \u201cLattes se destacava por sua determina\u00e7\u00e3o, curiosidade e abordagem colaborativa, diferenciando-se de outros cientistas da sua \u00e9poca. Sua disposi\u00e7\u00e3o para o trabalho em equipe combinada com uma not\u00e1vel tenacidade foi evidenciada na sua contribui\u00e7\u00e3o crucial para a descoberta do m\u00e9son pi\u201d, destaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"lattes-se-destacava-por-sua-determinacao-curiosidade-e-abordagem-colaborativa-diferenciando-se-de-outros-cientistas-da-sua-epoca\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cLattes se destacava por sua determina\u00e7\u00e3o, curiosidade e abordagem colaborativa, diferenciando-se de outros cientistas da sua \u00e9poca.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1948, Lattes chega aos Estados Unidos com o intuito de produzir o m\u00e9son pi artificialmente utilizando o acelerador de part\u00edculas na universidade de Berkeley, considerado o maior do mundo. Dez dias depois, Lattes, juntamente com o f\u00edsico norte-americano Eugene Gardner, confirmaram as trajet\u00f3rias da part\u00edcula no acelerador, estabelecendo assim um caminho de novas possibilidades para a f\u00edsica nuclear e um verdadeiro alvoro\u00e7o na comunidade cient\u00edfica. \u201cAl\u00e9m de comprovar a exist\u00eancia do m\u00e9son pi, Lattes ajudou a mostrar que os usu\u00e1rios dos aceleradores de part\u00edculas n\u00e3o precisavam conhecer o funcionamento das m\u00e1quinas para us\u00e1-las adequadamente\u201d, analisa Antonio Videira.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"valorizacao-da-fisica\"><strong>Valoriza\u00e7\u00e3o da f\u00edsica\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>As conquistas de Lattes lhe trouxeram influ\u00eancias e acordos pol\u00edticos, refletindo em uma extensa lista de contribui\u00e7\u00f5es para a f\u00edsica brasileira e consequentemente, em sua autonomia na valoriza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. Entre seus maiores feitos est\u00e1 a cofunda\u00e7\u00e3o do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/cbpf\/pt-br\"><strong>Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF)<\/strong><\/a><\/span> em 1949. Segundo o ranking <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.scimagoir.com\/\"><strong>SCImago<\/strong><\/a> <\/span>de 2015, o CBPF \u00e9, entre todas as institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas brasileiras, a que mais publica trabalhos de excel\u00eancia.<\/p>\n<p>O <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\"><strong>Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq)<\/strong><\/a><\/span>, entidade cujo foco no fomento de bolsas de estudos para pesquisadores, tamb\u00e9m foi uma iniciativa de Lattes, sendo sua cria\u00e7\u00e3o um marco na hist\u00f3ria do desenvolvimento no pa\u00eds. Atualmente, o CNPq conta com cerca de 15 mil bolsistas, conforme o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI). Cinquenta anos depois, o banco de dados de curr\u00edculos acad\u00eamicos do CNPq, a conhecida <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/lattes.cnpq.br\/\"><strong>Plataforma Lattes<\/strong><\/a><\/span>, foi batizada em seu nome, sendo uma dentre tantas homenagens concedidas ao f\u00edsico brasileiro.<\/p>\n<p>Lattes tamb\u00e9m trouxe consigo em 1962 a Colabora\u00e7\u00e3o Brasil-Jap\u00e3o (CBJ): um projeto de coopera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica origin\u00e1rio da fraternidade existente entre Lattes e o Professor Yukawa (o primeiro a destacar a exist\u00eancia do m\u00e9son pi em 1934, sendo uma inspira\u00e7\u00e3o a Lattes). \u201cO projeto entre os dois pa\u00edses impulsionou e consolidou a pesquisa em raios c\u00f3smicos, uma das \u00e1reas na qual cientistas brasileiros fizeram muitas contribui\u00e7\u00f5es relevantes\u201d, destaca Antonio Videira. N\u00e3o o bastante, Lattes foi membro da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/\"><strong>Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC)<\/strong><\/a><\/span> e recebeu nomea\u00e7\u00f5es em diversas entidades nacionais e internacionais, como o t\u00edtulo de cidad\u00e3o honor\u00e1rio pelo governo boliviano por sua atua\u00e7\u00e3o no continente sul-americano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"sua-dedicacao-a-pesquisa-e-sua-influencia-na-formacao-de-novos-cientistas-estabeleceram-um-padrao-elevado-incentivando-a-busca-por-conhecimento-e-a-excelencia-academica\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cSua dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 pesquisa e sua influ\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o de novos cientistas estabeleceram um padr\u00e3o elevado, incentivando a busca por conhecimento e a excel\u00eancia acad\u00eamica.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1967, o f\u00edsico foi contratado pela rec\u00e9m-criada Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sob a incumb\u00eancia de criar as atividades de pesquisa do instituto de f\u00edsica Gleb Wataghin, que at\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3 possu\u00eda a parte did\u00e1tica. Edison Shibuya, professor aposentado do Departamento de Raios C\u00f3smicos e Cronologia, do Instituto de F\u00edsica Gleb Wataghin, na Unicamp, acompanhou de perto o nascimento do instituto e relembra que seu primeiro laborat\u00f3rio de emuls\u00f5es nucleares foi em um banheiro adaptado de um por\u00e3o, o qual dividia com Lattes. \u201cApesar das condi\u00e7\u00f5es modestas, a vida na \u00e9poca era bastante feliz porque t\u00ednhamos tudo que precis\u00e1vamos\u201d, recorda Edison Shibuya. (Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-fotos-da-sede-inicial-da-unicamp-feita-por-edison-shibuya-em-fevereiro-de-1968-quando-ajudou-a-preparar-em-campinas-o-primeiro-experimento-da-colaboracao-brasil-japao-de-raios-cosmicos-fo\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5718\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-reportagem-Influe\u0302ncia-e-legado-figura3-245x300.jpg\" alt=\"\" width=\"409\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-reportagem-Influe\u0302ncia-e-legado-figura3-245x300.jpg 245w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-reportagem-Influe\u0302ncia-e-legado-figura3-837x1024.jpg 837w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-reportagem-Influe\u0302ncia-e-legado-figura3-768x939.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-reportagem-Influe\u0302ncia-e-legado-figura3-10x12.jpg 10w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-reportagem-Influe\u0302ncia-e-legado-figura3-800x978.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-reportagem-Influe\u0302ncia-e-legado-figura3.jpg 952w\" sizes=\"(max-width: 409px) 100vw, 409px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Fotos da sede inicial da Unicamp feita por Edison Shibuya em Fevereiro de 1968, quando ajudou a preparar em Campinas o primeiro experimento da Colabora\u00e7\u00e3o Brasil-Jap\u00e3o de Raios C\u00f3smicos.<\/strong><br \/>\n(Fonte: Arquivo)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"legado\"><strong>Legado<\/strong><\/h4>\n<p>Apesar de todo renome internacional como f\u00edsico, Lattes se considerava sobretudo um professor, preocupando-se com a forma\u00e7\u00e3o altamente qualificada de seus alunos. \u201cSua dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 pesquisa e sua influ\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o de novos cientistas estabeleceram um padr\u00e3o elevado, incentivando a busca por conhecimento e a excel\u00eancia acad\u00eamica. Tamb\u00e9m sabemos que ele era uma pessoa que trabalhava muito e exigia bastante de seus alunos\u201d, declara Gabriela Bailas.<\/p>\n<p>Cesar Lattes faleceu em 2005 aos 81 anos, mas, para al\u00e9m de sua vida, seu trabalho inovador e genialidade permaneceriam no imagin\u00e1rio popular e na m\u00eddia, sendo crucial na promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento da f\u00edsica experimental e da comunidade cient\u00edfica brasileira. Por meio de sua influ\u00eancia, Lattes permitiu que seus feitos fossem usados politicamente, cujo objetivo era fixar no Brasil a pesquisa e a educa\u00e7\u00e3o. \u201cDentre suas caracter\u00edsticas, Lattes era perspicaz, intuitivo, humilde, espirituoso, com sentimento de gratid\u00e3o e acima de tudo um patriotismo. Podia ter feito carreira l\u00e1 fora, teve v\u00e1rias propostas, mas preferiu voltar e contribuir para o fortalecimento da f\u00edsica no Brasil\u201d, menciona Edison Shibuya.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-legado-de-cesar-lattes-vai-alem-de-suas-contricoes-para-a-fisica-de-particulasfonte-unicamp-arquivo-reproducao\"><strong>Capa. Legado de Cesar Lattes vai al\u00e9m de suas contri\u00e7\u00f5es para a f\u00edsica de part\u00edculas<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Unicamp\/ Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"http-dx-doi-org-10-5935-2317-6660-20240012\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20240012\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20240012<\/a><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"F\u00edsico foi um pioneiro do avan\u00e7o cient\u00edfico no Brasil &nbsp; O f\u00edsico&hellip;\n","protected":false},"author":42,"featured_media":5716,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5713"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5713"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5713\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7116,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5713\/revisions\/7116"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5716"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5713"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}