{"id":5721,"date":"2024-03-20T08:00:09","date_gmt":"2024-03-20T08:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5721"},"modified":"2024-09-18T13:05:25","modified_gmt":"2024-09-18T13:05:25","slug":"lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5721","title":{"rendered":"Lattes: conhecer, experimentar e mudar o mundo"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"pesquisas-do-fisico-brasileiro-contribuiram-para-formatar-a-fisica-brasileira-na-segunda-metade-do-seculo-xx\"><span style=\"color: #808080;\">Pesquisas do f\u00edsico brasileiro contribu\u00edram para formatar a f\u00edsica brasileira na segunda metade do s\u00e9culo XX<\/span><\/h4>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Quero neste pobre enredo<br \/>\n<\/em><em>Reviver, glorificando os homens teus<br \/>\n<\/em><em>Lev\u00e1-los ao panteon dos grandes imortais<br \/>\n<\/em><em>Pois merecem muito mais<br \/>\n<\/em><em>(Ci\u00eancia e Arte, can\u00e7\u00e3o de Gilberto Gil em homenagem a Cesar Lattes, no disco Quanta, 1997) <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1947, as contribui\u00e7\u00f5es de Cesar Lattes para a descoberta do m\u00e9son pi mudavam a hist\u00f3ria da f\u00edsica de part\u00edculas. Por\u00e9m, na segunda metade do s\u00e9culo XX, sua colabora\u00e7\u00e3o para a f\u00edsica brasileira vai muito al\u00e9m. Suas descobertas n\u00e3o apenas deram destaque mundial \u00e0 pesquisa brasileira, mas tamb\u00e9m suas colabora\u00e7\u00f5es internacionais contribu\u00edram para o avan\u00e7o da ci\u00eancia no pa\u00eds, inclusive estimulando o surgimento de laborat\u00f3rios e centros de pesquisa.<\/p>\n<p>O primeiro modelo para descrever como funcionava a for\u00e7a nuclear foi elaborado entre os anos 1933 e 1934 pelo f\u00edsico japon\u00eas Hideki Yukawa. A partir de c\u00e1lculos te\u00f3ricos, Yukawa prop\u00f4s que a intera\u00e7\u00e3o entre dois n\u00eautrons, ou entre um pr\u00f3ton e um n\u00eautron acontecia por meio da troca de part\u00edculas. \u201cE a part\u00edcula que estava sendo trocada teria uma massa maior do que a massa do el\u00e9tron e menor do que a massa do pr\u00f3ton. Por ter a massa &#8220;entre\u2019 as massas do el\u00e9tron e do pr\u00f3ton, a part\u00edcula hipot\u00e9tica foi batizada de m\u00e9son (<em>\u2018m\u00e9sos\u2019<\/em> em grego significa \u2018no meio\u2019 ou \u2018entre\u2019)\u201d, explica Carola Chinellato, professora do Instituto de F\u00edsica Gleb Wataghin (IFGW), da Unicamp. \u201cA import\u00e2ncia da descoberta do m\u00e9son pi (ou p\u00edon, como \u00e9 chamado atualmente) por Cesar Lattes, em 1947, foi exatamente comprovar experimentalmente a exist\u00eancia da part\u00edcula sugerida teoricamente por Yukawa. O m\u00e9son seria respons\u00e1vel por intermediar as for\u00e7as nucleares, assim como o f\u00f3ton seria o intermediador das for\u00e7as eletromagn\u00e9ticas\u201d, complementa a pesquisadora da Unicamp.<\/p>\n<p>\u201cO que me chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a inicia\u00e7\u00e3o bastante precoce de Lattes na pesquisa, tendo se formado aos 19 anos\u201d, destaca Nelson Studart, coordenador acad\u00eamico e docente na Escola de Ci\u00eancia Ilum, ligada ao <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/cnpem.br\/\"><strong>Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM)<\/strong><\/a><\/span>. \u201cLattes teve uma forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica em apenas tr\u00eas anos com professores do n\u00edvel de Gleb Wataghin na \u00e1rea te\u00f3rica e de Giuseppe Occhialini na parte experimental. Este foi o respons\u00e1vel direto pela sua ida a Bristol para se engajar no grupo de Cecil Powell que havia desenvolvido a t\u00e9cnica das emuls\u00f5es nucleares para observa\u00e7\u00e3o de part\u00edculas elementares. Deve-se ressaltar o talento cient\u00edfico de Lattes, reconhecido no in\u00edcio de carreira em f\u00edsica te\u00f3rica e que logo abandonou para trabalhar com detec\u00e7\u00e3o de part\u00edculas elementares. Esse talento nato o levou \u00e0s suas maiores contribui\u00e7\u00f5es para a F\u00edsica que s\u00e3o indubitavelmente a descoberta do m\u00e9son pi (ou p\u00edon), em 1947 em Bristol (Inglaterra) que valeu o Pr\u00eamio Nobel ao l\u00edder do grupo Cecil Powell e a produ\u00e7\u00e3o artificial dessa part\u00edcula, no ano seguinte, em Berkeley (Estados Unidos), com o uso do sincroc\u00edclotron, ent\u00e3o mais potente acelerador de part\u00edculas do mundo\u201d, pontua Nelson Studart, que prepara um livro sobre Cesar Lattes.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"colaboracoes-internacionais\"><strong>Colabora\u00e7\u00f5es internacionais<\/strong><\/h4>\n<p>O conhecimento sobre as part\u00edculas elementares teve uma grande evolu\u00e7\u00e3o com a descoberta do p\u00edon. Desde 1947, muitos m\u00e9sons foram descobertos. \u201cNa realidade, hoje conhecemos mais de uma centena de m\u00e9sons. Uma s\u00e9rie de outras part\u00edculas tamb\u00e9m foram descobertas. Sabe-se hoje que nem o pr\u00f3ton nem o n\u00eautron s\u00e3o part\u00edculas elementares, mas s\u00e3o constitu\u00eddos por quarks\u201d, conta Carola Chinellato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-conhecimento-sobre-as-particulas-elementares-teve-uma-grande-evolucao-com-a-descoberta-do-pion\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO conhecimento sobre as part\u00edculas elementares teve uma grande evolu\u00e7\u00e3o com a descoberta do p\u00edon.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por\u00e9m, tudo come\u00e7ou quando Lattes teve a ideia de adicionar boro \u00e0 gelatina das placas fotogr\u00e1ficas, o que permitiu utiliz\u00e1-las para estudar os raios c\u00f3smicos. Em 1946, enquanto passava f\u00e9rias nos Pirineus franceses, Occhialini levou dois conjuntos de placas, uma com adi\u00e7\u00e3o de boro por Lattes e outra sem, a um observat\u00f3rio de 2877 metros de altura acima do n\u00edvel do mar, na montanha Pic du Midi. As placas comprovaram a exist\u00eancia do m\u00e9son pi, mas n\u00e3o continham informa\u00e7\u00f5es suficientes para que determinassem todas as suas propriedades. Assim, Lattes decidiu levar as placas para o monte Chacaltaya, na Bol\u00edvia, que tinha 5421 metros de altitude. Um m\u00eas depois, ele retornou ao Brasil e analisou uma placa revelada com dois completos duplos m\u00e9sons, um m\u00e9son leve e um m\u00e9son pesado, o m\u00e9son pi. Atrav\u00e9s de um microsc\u00f3pio do Departamento de F\u00edsica do Rio de Janeiro, os pesquisadores conseguiram localizar um terceiro duplo m\u00e9son. Retornando a Bristol com a chapa, foram encontrados mais 30 duplos m\u00e9sons. Essas descobertas foram relatadas em \u201c<strong><em>Processes involving charged mesons<\/em><\/strong>\u201d, por Muirhead, Occhialini e Powell. No mesmo ano, ele foi respons\u00e1vel pelo c\u00e1lculo da massa da nova part\u00edcula, em um meticuloso trabalho.<\/p>\n<p>Um ano depois, Lattes levou o seu conhecimento de placas fotogr\u00e1ficas para o Laborat\u00f3rio de Radia\u00e7\u00e3o na Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley, conhecido hoje como <em>Lawrence Berkeley National Laboratory, <\/em>que abrigava o maior acelerador de part\u00edculas do mundo. Em duas semanas trabalhando no novo laborat\u00f3rio, ele conseguiu detectar os m\u00e9sons pi usando o eletro\u00edm\u00e3 do acelerador, junto com o f\u00edsico norte-americano Eugene Gardner. A experi\u00eancia contribuiu para\u00a0impulsionar a constru\u00e7\u00e3o de um acelerador ainda mais potente chamado B\u00e9vatron.\u00a0 Enquanto a descoberta do m\u00e9son pi entrava para a hist\u00f3ria da f\u00edsica de part\u00edculas, a detec\u00e7\u00e3o artificial dos m\u00e9sons criava a era dos aceleradores de part\u00edculas. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-cesar-lattes-e-eugene-gardner-com-o-sincrociclotron-na-universidade-de-berkeley-fonte-cbpf-arquivo-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5725\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"376\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura1-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura1-1024x769.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura1-768x577.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura1-1536x1154.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura1-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura1-800x601.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura1-1160x871.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Ces<\/strong><strong>ar Lattes e Eugene Gardner com o sincroc\u00edclotron na Universidade de Berkeley.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: CBPF\/ Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos anos seguintes, e principalmente a partir da d\u00e9cada de 1960, Lattes se envolveu em um experimento em <a href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?artigos=cesar-lattes-e-a-bola-de-fogo\"><strong><span style=\"color: #800000;\">colabora\u00e7\u00e3o com f\u00edsicos japoneses<\/span><\/strong><\/a> a fim de estudar intera\u00e7\u00f5es de part\u00edculas na atmosfera utilizando os raios c\u00f3smicos. A Colabora\u00e7\u00e3o Brasil-Jap\u00e3o (CBJ) come\u00e7ou a ser planejada ainda em 1959, como mostra carta de Yukawa para Lattes.\u00a0Nessa \u00e9poca, no Jap\u00e3o, o grupo de pesquisa em raios c\u00f3smicos liderado por Yoichi Fujimoto e Jun Nishimura desenvolveram uma nova forma de usar emuls\u00f5es nucleares\u00a0para detectar raios c\u00f3smicos. Essas c\u00e2maras tinham a vantagem de n\u00e3o s\u00f3 reduzir o tamanho das emuls\u00f5es nucleares, mas tamb\u00e9m de aumentar a precis\u00e3o na determina\u00e7\u00e3o da natureza dos tra\u00e7os criados por raios c\u00f3smicos nessas chapas.\u00a0Lattes se interessou pela ideia de usar as c\u00e2maras de emuls\u00e3o nuclear no observat\u00f3rio de Chacaltaya. O lado do Jap\u00e3o ficou respons\u00e1vel em fornecer as emuls\u00f5es nucleares e o material da c\u00e2mara. A parte do Brasil, por arrecadar recursos para a viagem e montagem das c\u00e2maras naquela montanha. Os primeiros grandes resultados da parceria com o Jap\u00e3o aconteceram quando Lattes estava na Unicamp, cujo Instituto de F\u00edsica ele ajudou a organizar. \u201cForam identificados os estados discretos da mat\u00e9ria que Lattes batizou como <em>Mirim<\/em>, <em>A\u00e7u<\/em> e, um pouco depois, o estado <em>Gua\u00e7u<\/em>, alus\u00e3o aos diferentes conte\u00fados energ\u00e9ticos desses estados em homenagem ao idioma dos habitantes primevos do Brasil\u201d, afirmou Alfredo Marques. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-cesar-lattes-e-yochi-fujimoto-fonte-cbpf-arquivo-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5726\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura2-300x158.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura2-300x158.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura2-1024x538.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura2-768x404.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura2-18x9.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura2-380x200.jpg 380w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura2-800x420.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura2.jpg 1077w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Cesar Lattes e Yochi Fujimoto.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: CBPF\/ Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Chacaltaya, ali\u00e1s, pode ser considerado um dos grandes legados de Lattes. <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.chacaltaya.edu.bo\/\"><strong>O Observat\u00f3rio Astrof\u00edsico Chacaltaya<\/strong><\/a><\/span> (Observat\u00f3rio de F\u00edsica C\u00f3smica) pertence \u00e0 <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.umsa.bo\/\"><strong><em>Universidade Mayor de San Andr\u00e9s<\/em><\/strong><strong> (UMSA)<\/strong><\/a><\/span> e trabalha em colabora\u00e7\u00e3o com universidades de todo o mundo, mantendo la\u00e7os hist\u00f3ricos especiais com laborat\u00f3rios de f\u00edsica brasileiros e japoneses. \u00c9 um local importante para pesquisas de raios gama e tamb\u00e9m \u00e9 usado para pesquisas m\u00e9dicas em grandes altitudes. Em 2008, passou a colaborar com o novo projeto do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/lagoproject.net\/index.html\"><strong>Observat\u00f3rio Gigante da Am\u00e9rica Latina (LAGO)<\/strong><\/a><\/span>. Desde 2009, o laborat\u00f3rio tamb\u00e9m inclui uma esta\u00e7\u00e3o de medi\u00e7\u00e3o de gases. Em 2016, foi anunciada a constru\u00e7\u00e3o de um novo observat\u00f3rio de raios c\u00f3smicos (projeto ALPACA). (Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-laboratorio-de-chacaltaya-na-boliviafonte-unicamp-arquivo-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5727\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura3-300x120.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura3-300x120.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura3-1024x410.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura3-768x308.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura3-18x7.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura3-800x320.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura3-1160x465.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/CC-1E24-reportagem-Lattes-conhecer-experimentar-e-mudar-o-mundo-figura3.jpg 1231w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Laborat\u00f3rio de Chacaltaya, na Bol\u00edvia<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Unicamp\/ Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cDurante muitas d\u00e9cadas, esse laborat\u00f3rio foi um lugar singular na hist\u00f3ria da f\u00edsica mundial. Chacaltaya tem uma proje\u00e7\u00e3o mundial e teve um impacto enorme para a hist\u00f3ria da f\u00edsica no continente. Tem que pensar que, pela primeira vez nos anos 1950, um laborat\u00f3rio na Am\u00e9rica do sul estava desenvolvendo e estava envolvido em pesquisas e descobertas fundamentais que estavam na fronteira da f\u00edsica mundial\u201d, destaca Ulisses Barres de Almeida, pesquisador associado do Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF) e vice-diretor do Centro Latino-Americano de F\u00edsica (CLAF). \u201cIsso quer dizer que, pela primeira vez, abre-se a oportunidade para haver uma integra\u00e7\u00e3o da comunidade latino-americana de f\u00edsica. Tanto isso \u00e9 verdade que levou a colabora\u00e7\u00f5es internacionais muito duradouras, como, por exemplo, a colabora\u00e7\u00e3o Brasil e Jap\u00e3o\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>As colabora\u00e7\u00f5es internacionais desempenharam um papel crucial nas pesquisas de Cesar Lattes, proporcionando acesso a recursos, conhecimentos e t\u00e9cnicas avan\u00e7adas que impulsionaram significativamente seus estudos sobre raios c\u00f3smicos e part\u00edculas elementares. Essas colabora\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 ampliaram o alcance de suas investiga\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m evidenciaram a import\u00e2ncia da coopera\u00e7\u00e3o global na expans\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"o-homem-certo-na-hora-certa\"><strong>O homem certo, na hora certa<\/strong><\/h4>\n<p>Nos anos seguintes, Lattes continuou a impulsionar a expans\u00e3o do programa brasileiro de f\u00edsica experimental. Por sua atua\u00e7\u00e3o institucional, ele ajudou a abrir novos horizontes para a F\u00edsica como um todo e para a ci\u00eancia no Brasil e na Am\u00e9rica Latina. E esta a\u00e7\u00e3o era motivada pela cren\u00e7a de que seria poss\u00edvel ter uma na\u00e7\u00e3o desenvolvida e independente por meio da pr\u00e1tica cient\u00edfica. Em 1949, foi criado no Rio de Janeiro o Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF), coordenado por Cesar Lattes e o f\u00edsico Jos\u00e9 Leite Lopes. O CBPF foi importante pela cria\u00e7\u00e3o de novos laborat\u00f3rios, pela moderniza\u00e7\u00e3o dos curr\u00edculos e para a forma\u00e7\u00e3o de novos pesquisadores e professores. Al\u00e9m disso, possibilitou o surgimento de novas institui\u00e7\u00f5es, como o Instituto de Matem\u00e1tica Pura e Aplicada, da Escola Latino-Americana de F\u00edsica e o Centro Latino-Americano de F\u00edsica. Outra importante institui\u00e7\u00e3o, criada apenas dois anos depois, foi o <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq)<\/span>,<\/strong><\/a> cujo objetivo era contribuir para o desenvolvimento industrial, cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico do pa\u00eds. \u00c9 o que os pesquisadores Her\u00e1clio Duarte Tavares, da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\"><strong>USP<\/strong><\/a><\/span>, e Antonio Augusto Passos Videira, da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.uerj.br\/\"><strong>UERJ<\/strong><\/a><\/span>, chamam de nacionalismo cient\u00edfico. \u201cO nacionalismo de Lattes emerge de um contexto espec\u00edfico e de condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas que possibilitaram capitalizar simbolicamente o nacionalismo daquela \u00e9poca e ressignific\u00e1-lo de acordo com suas voca\u00e7\u00f5es\u201d, escreveram os pesquisadores em artigo de 2020, publicado na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.revistas.usp.br\/revhistoria\/article\/view\/152409\"><strong><em>Revista de Hist\u00f3ria<\/em><\/strong><\/a><\/span> da USP.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-colaboracoes-internacionais-desempenharam-um-papel-crucial-nas-pesquisas-de-cesar-lattes-proporcionando-acesso-a-recursos-conhecimentos-e-tecnicas-avancadas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAs colabora\u00e7\u00f5es internacionais desempenharam um papel crucial nas pesquisas de Cesar Lattes, proporcionando acesso a recursos, conhecimentos e t\u00e9cnicas avan\u00e7adas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1952, o CBPF assinou um acordo com a Universidade de San Andr\u00e9s, na Bol\u00edvia, para construir no pico do Monte Chacaltaya um laborat\u00f3rio onde os cientistas pudessem estudar os raios c\u00f3smicos. O laborat\u00f3rio deu origem a novos grupos de pesquisa na Bol\u00edvia e em toda a Am\u00e9rica do Sul. Entre tantas reverbera\u00e7\u00f5es que aconteceram a partir das pesquisas de Lattes, certamente uma das mais duradouras \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de estudos sobre raios c\u00f3smicos. \u201cO Brasil \u00e9 um dos expoentes nesta \u00e1rea at\u00e9 os dias de hoje, com dezenas de cientistas envolvidos no estudo n\u00e3o apenas dos raios c\u00f3smicos de alt\u00edssimas energias, mas tamb\u00e9m nas intera\u00e7\u00f5es entre as part\u00edculas elementares\u201d, afirmou Carola Chinellato. O trabalho e a reputa\u00e7\u00e3o de Lattes abriram o caminho para o desenvolvimento da f\u00edsica experimental no Brasil e na Am\u00e9rica Latina.\u00a0 Hoje o Brasil tem tradi\u00e7\u00e3o no estudo de raios c\u00f3smicos e em outras \u00e1reas da f\u00edsica com importantes n\u00facleos de pesquisa nas universidades e centros, como o Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron de Campinas, o \u00fanico com esse tipo de equipamento no hemisf\u00e9rio sul, utilizado para analisar os \u00e1tomos e as mol\u00e9culas.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o de Lattes de permanecer no Brasil ap\u00f3s a grande repercuss\u00e3o da descoberta do p\u00edon e os projetos nos quais se envolveu, incluindo a organiza\u00e7\u00e3o do Instituto de F\u00edsica na rec\u00e9m-criada <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/\"><strong>Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)<\/strong><\/a><\/span>, denotam sua esperan\u00e7a no futuro do pa\u00eds e confian\u00e7a nos brasileiros como capazes de superar as grandes lacunas da \u00e9poca na forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica. Ele nutria uma firme cren\u00e7a no papel pedag\u00f3gico da ci\u00eancia para a forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es, defendendo e impulsionando, desde os primeiros anos, a inser\u00e7\u00e3o sist\u00eamica da pesquisa cient\u00edfica no ensino superior e a flexibiliza\u00e7\u00e3o das posturas burocr\u00e1ticas destinadas a sustentar essas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"por-sua-atuacao-institucional-ele-ajudou-a-abrir-novos-horizontes-para-a-fisica-como-um-todo-e-para-a-ciencia-no-brasil-e-na-america-latina\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cPor sua atua\u00e7\u00e3o institucional, ele ajudou a abrir novos horizontes para a F\u00edsica como um todo e para a ci\u00eancia no Brasil e na Am\u00e9rica Latina.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Amigo pessoal de Lattes, Alfredo Marques o descrevia como um ser humano complexo que precisou conciliar sua natureza simples, despojada, linear, com o peso da enorme fama que o seguia. S\u00e3o v\u00e1rias as hist\u00f3rias de Lattes percorrendo os corredores do Instituto de F\u00edsica da Unicamp de chinelos e acompanhado do seu cachorro, o perdigueiro \u201cGa\u00facho\u201d. Conforme <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistas.cbpf.br\/index.php\/CS\/article\/view\/40\"><strong>conta<\/strong><\/a><\/span> Marques, certa vez, discutiu com a funcion\u00e1ria da biblioteca do CBPF para inscrever seu cachorro o perdigueiro Ga\u00facho como leitor da biblioteca. Foi a forma que escolheu para protestar contra a opini\u00e3o de um professor que sugeriu bloquear o acesso dos estudantes aos livros para evitar danos e roubos. \u201cNem sempre a conviv\u00eancia com ele foi pac\u00edfica, dependendo do interlocutor, e fez-se acompanhar algumas vezes de explos\u00f5es e rompimentos com pessoas ou com as institui\u00e7\u00f5es que representavam. Quem conviveu com ele provou de seu bom humor e de amizade calorosa e irrestrita; quem trabalhou com ele sentiu seu grande apre\u00e7o pela liberdade de pensamento e a\u00e7\u00e3o em ci\u00eancia, garantindo condi\u00e7\u00f5es de trabalho mesmo quando divergia das ideias de seus associados. Jamais trabalhou para a edifica\u00e7\u00e3o de pedestais que aumentassem sua visibilidade e propiciassem sua adora\u00e7\u00e3o\u201d, detalha o ex-diretor do CBPF.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-colaboracoes-internacionais-de-cesar-lattes-contribuiram-para-incentivar-pesquisa-nacionalfonte-unicamp-arquivo-reproducao\"><strong>Capa. Colabora\u00e7\u00f5es internacionais de Cesar Lattes contribu\u00edram para incentivar pesquisa nacional<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Unicamp\/ Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"http-dx-doi-org-10-5935-2317-6660-20240009\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20240009\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20240009<\/a><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pesquisas do f\u00edsico brasileiro contribu\u00edram para formatar a f\u00edsica brasileira na segunda&hellip;\n","protected":false},"author":18,"featured_media":5722,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5721"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5721"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5721\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7111,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5721\/revisions\/7111"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5722"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5721"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5721"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5721"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}