{"id":5779,"date":"2024-04-08T07:58:57","date_gmt":"2024-04-08T07:58:57","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5779"},"modified":"2024-09-18T13:08:31","modified_gmt":"2024-09-18T13:08:31","slug":"alem-da-ciencia-retrato-em-familia-de-cesar-lattes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5779","title":{"rendered":"Al\u00e9m da Ci\u00eancia: Retrato em fam\u00edlia de Cesar Lattes"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"em-entrevista-exclusiva-filhas-de-lattes-revelam-o-lado-humano-do-renomado-fisico\"><span style=\"color: #808080;\">Em entrevista exclusiva, filhas de Lattes revelam o lado humano do renomado f\u00edsico<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por tr\u00e1s do renomado f\u00edsico Cesar Lattes, conhecido por suas contribui\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias na f\u00edsica de part\u00edculas, h\u00e1 um lado muitas vezes esquecido: o homem de fam\u00edlia dedicado e amoroso. Engana-se quem pensa que, mesmo imerso em sua intensa vida profissional, Lattes se distanciou de sua amada Martha Siqueira Netto e de suas queridas filhas Maria Carolina, Maria Cristina, Maria L\u00facia e Maria Tereza. Em cada passo de sua jornada cient\u00edfica, ele carregava consigo o amor e a presen\u00e7a forte que marcavam sua rela\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia. O f\u00edsico n\u00e3o poupava esfor\u00e7os para garantir o bem-estar da fam\u00edlia e para proporcionar \u00e0s suas filhas o m\u00e1ximo de acesso ao conhecimento. Ele valorizava cada conquista delas, mesmo que parecesse trivial aos olhos de outros. Al\u00e9m disso, Lattes cultivava o apre\u00e7o da fam\u00edlia pela cultura brasileira, especialmente pela m\u00fasica, enriquecendo ainda mais o ambiente familiar com arte e sabedoria. Nesta entrevista exclusiva, as filhas de Cesar Lattes nos conduzem por um retrato \u00edntimo e emocionante da vida familiar do renomado cientista. Juntas, elas compartilham mem\u00f3rias e revelam o lado humano por tr\u00e1s do g\u00eanio que marcou a hist\u00f3ria da ci\u00eancia brasileira.<\/em><\/p>\n<p><em>Confira a entrevista!<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura &#8211; Cesar Lattes \u00e9 um dos maiores cientistas brasileiros, e sua pesquisa tem imenso impacto nacional e internacional. Mas como ele era em fam\u00edlia? Quais caracter\u00edsticas ou eventos ficaram mais marcantes na mem\u00f3ria de voc\u00eas?<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Maria Cristina Lattes<\/strong> &#8211; Papai morou em v\u00e1rios lugares, algumas vezes n\u00f3s acompanhamos. A fam\u00edlia do papai \u00e9 daqui de S\u00e3o Paulo e a fam\u00edlia da mam\u00e3e \u00e9 de Recife. Fomos para o Rio de Janeiro, depois viemos para Campinas, quando foi criada a Unicamp. Mas ainda nem existia a Unicamp fisicamente, na verdade. Existiam alguns pr\u00e9dios que eram usados pelas faculdades de medicina, todos espalhados. E n\u00f3s viemos para c\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Maria L\u00facia Lattes<\/strong> &#8211; Ele tinha uma quest\u00e3o muito interessante: qualquer profiss\u00e3o que a pessoa exercesse, ele saberia muita coisa daquela profiss\u00e3o. Por exemplo, eu acho que ele sabia de psicologia, em termos de autor, mais do que eu. Uma vez ele se encontrou com a minha cunhada, que \u00e9 bailarina, e ela falou: \u201ceu nunca vi uma pessoa entender tanto de bal\u00e9 que nem o seu pai\u201d. Ent\u00e3o, qualquer profiss\u00e3o que voc\u00ea tivesse, ele se interessaria e saberia muito a respeito. Tinha que tomar cuidado, \u00e0s vezes, para que voc\u00ea n\u00e3o se sentisse amea\u00e7ada e constrangida [risos]. Mas, via de regra, eu acho que ele estimulou todas n\u00f3s em todas as profiss\u00f5es que abra\u00e7amos.<\/p>\n<p><strong>Maria Cristina Lattes<\/strong> &#8211; Sem contar que ele nunca exigiu que tiv\u00e9ssemos n\u00edvel universit\u00e1rio. Para ele era uma coisa natural voc\u00ea procurar esse caminho. Eu me lembro que quando comecei a trabalhar como t\u00e9cnica em Qu\u00edmica, estava feliz da vida, porque com 19 anos estava ganhando um dinheirinho. Mas ele falou \u201cs\u00f3 que daqui a pouco voc\u00ea vai enjoar, porque um trabalho t\u00e9cnico n\u00e3o vai te solicitar tanto\u201d. S\u00f3 que ele nunca falou para mim \u201cvoc\u00ea tem que fazer faculdade\u201d. Depois acabei percebendo que queria fazer um curso superior. A Carol, nossa irm\u00e3 mais velha, sempre teve interesse em arte. E ele incentivava que ela tivesse contato e conhecimento com tudo relacionado \u00e0 arte. N\u00e3o existia uma press\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a isso. Era natural.<\/p>\n<p><strong>Maria Tereza Lattes<\/strong> &#8211; Fazia parte do dia-a-dia que fossemos para a universidade. N\u00e3o era uma imposi\u00e7\u00e3o, uma coisa obrigat\u00f3ria.<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-lattes-com-filhas-e-netos-fonte-unicamp-arquivo-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5781\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figura01-263x300.jpg\" alt=\"\" width=\"438\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figura01-263x300.jpg 263w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figura01-897x1024.jpg 897w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figura01-768x877.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figura01-11x12.jpg 11w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figura01-800x914.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figura01.jpg 972w\" sizes=\"(max-width: 438px) 100vw, 438px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Lattes com filhas e netos.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Unicamp\/ Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Em v\u00e1rias entrevistas e depoimentos de amigo consta que ele n\u00e3o media esfor\u00e7os para que as filhas tivessem o m\u00e1ximo acesso ao conhecimento, valorizando tudo o que elas produziam, e ainda apreciassem a produ\u00e7\u00e3o cultural brasileira, em especial a m\u00fasica. Poderiam comentar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MCL &#8211; <\/strong>Ele sempre estimulou nossa curiosidade, aprendizado, cultura. Engra\u00e7ado que de uma forma muito natural, n\u00f3s n\u00e3o perceb\u00edamos que est\u00e1vamos sendo incentivadas. Isso era natural. Ele n\u00e3o dizia \u201cvoc\u00ea precisa ler isso, voc\u00ea precisa estudar aquilo\u201d. Ele nunca imp\u00f4s nada. Em termos de cultura, tinha uma coisa que acho interessante: pod\u00edamos ler o que quis\u00e9ssemos, desde que n\u00e3o fosse fotonovela. Voc\u00eas se lembram disso?<\/p>\n<p><strong>MLL \u2013<\/strong> Lembro. Fotonovela n\u00e3o podia. Nem aqueles livrinhos de banca, ele tamb\u00e9m n\u00e3o gostava [risos]. Agora, tinha uma coisa que ele falava que era muito interessante: depois que voltei para morar em Campinas, o meu primeiro consult\u00f3rio era debaixo do quarto dele. E qualquer livro que eu comprasse, ele dizia \u201csua educa\u00e7\u00e3o eu vou pagar at\u00e9 o fim\u201d. Ent\u00e3o, ele normalmente pagava todos os meus livros. O que eu fosse comprar, era ele que pagava.<\/p>\n<p><strong>MTL <\/strong>\u2013 Sim. Para qualquer neto, qualquer neta, ele sempre fez isso. Tenho livros e livros e livros at\u00e9 hoje por causa disso.<\/p>\n<p><strong>MCL<\/strong> &#8211; Eu s\u00f3 ganhei enciclop\u00e9dias! [risos] Mas ganhei algumas coisas interessantes, como J\u00falio Verne, Jorge Amado. Era muito mesclado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ele-sempre-estimulou-nossa-curiosidade-aprendizado-cultura-de-uma-forma-muito-natural\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEle sempre estimulou nossa curiosidade, aprendizado, cultura, de uma forma muito natural.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Muitos alunos dele me disseram que realmente ele n\u00e3o impunha o aprendizado, nem entregava nada pronto: ele ia conversando, estimulando a construir o racioc\u00ednio&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>MTL &#8211;<\/strong> \u00c9, ele ensinava estimulando o racioc\u00ednio. Ele falava: \u201cagora me ensine o que foi que eu te expliquei\u201d.<\/p>\n<p><strong>MCL<\/strong> &#8211; Eu achava f\u00edsica muito interessante e f\u00e1cil, mas era uma quest\u00e3o tamb\u00e9m de olhar as coisas com muita tranquilidade. Ele n\u00e3o mistificava a f\u00edsica. Ent\u00e3o, se voc\u00ea tinha alguma d\u00favida, voc\u00ea perguntava, ele te respondia. E as minhas d\u00favidas, pelo menos, chegaram s\u00f3 at\u00e9 o colegial, porque depois segui outro caminho&#8230; Ent\u00e3o eram coisas que, quando olhamos para tr\u00e1s, vemos que era superficial. O que era complicado \u00e9 que quando eu tinha que estudar acelerado para alguma coisa, eu preferia perguntar para a minha m\u00e3e, porque ele nunca me deixou decorar uma f\u00f3rmula. Ent\u00e3o, se eu perguntava para ele alguma coisa, ele fazia com que eu entendesse a forma para chegar at\u00e9 l\u00e1. Ele dizia: \u201cdepois voc\u00ea pode decorar, mas voc\u00ea tem que saber chegar l\u00e1\u201d.<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-cesar-lattes-e-sua-esposa-martha-siqueira-netto-fonte-unicamp-arquivo-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5782\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figra02-289x300.jpg\" alt=\"\" width=\"481\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figra02-289x300.jpg 289w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figra02-768x798.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figra02-12x12.jpg 12w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figra02-800x831.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figra02.jpg 868w\" sizes=\"(max-width: 481px) 100vw, 481px\" \/><br \/>\n<\/strong><strong>Figura 2. Cesar Lattes e sua esposa Martha Siqueira Netto.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Unicamp\/ Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2013 Sem contar que tinha os cachorros tamb\u00e9m, que sempre o acompanhavam em aulas, cursos, confer\u00eancias&#8230;<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>MLL<\/strong> &#8211; Papai foi de vanguarda nisso! Ele ia para a Unicamp levando o cachorro, viajava levando o cachorro, levava o cachorro para o hotel&#8230; O cachorro que mais durou com ele chamava Arthur da Costa e Silva, em homenagem ao nosso presidente. Mas tinha o apelido de Ga\u00facho. Era um perdigueiro meio vira-lata que o acompanhava em defesa de tese, andava pela Unicamp&#8230;<\/p>\n<p><strong>MTL<\/strong> \u2013Os nomes eram sempre peculiares: tinha a Larissa e o Gorbatchov, o Salom\u00e3o, o Chico Buarque de Holanda&#8230;<\/p>\n<p><strong>MCL<\/strong> \u2013 Os nomes dizem muito do humor dele! [risos]\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ele-era-um-grande-patriota-para-ele-era-inadmissivel-que-a-pessoa-nao-representasse-o-proprio-pais\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEle era um grande patriota. Para ele era inadmiss\u00edvel que a pessoa n\u00e3o representasse o pr\u00f3prio pa\u00eds.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; E como isso influenciou a escolha profissional de voc\u00eas? Alguma de voc\u00eas \u00e9 f\u00edsica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MCL \u2013 <\/strong>N\u00e3o! Nenhuma de n\u00f3s seguiu esse caminho!<\/p>\n<p><strong>MTL<\/strong> &#8211; A Carol era artista pl\u00e1stica, eu sou arquiteta, a Cristina se formou T\u00e9cnica em Qu\u00edmica, mas depois fez faculdade de Administra\u00e7\u00e3o, e a Maria L\u00facia \u00e9 psic\u00f3loga.<\/p>\n<p><strong>MCL<\/strong> &#8211; Acho, que, de certa forma, n\u00f3s tivemos sorte de n\u00e3o ter o pendor para f\u00edsica, porque, sendo filhas dele, eu acho que seria muito \u201cpesado\u201d ser filha dele e ter a profiss\u00e3o de f\u00edsico. Seria complicado.<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-as-filhas-de-lattes-em-homenagem-ao-pai-na-unicamp-fonte-unicamp-arquivo-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5783\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figura03-300x205.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figura03-300x205.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figura03-1024x698.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figura03-768x524.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figura03-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figura03-800x545.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figura03-1160x791.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1E24-entrevista-irma\u0303s-Lattes-figura03.jpg 1527w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3: As filhas de Lattes em homenagem ao pai na Unicamp.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Unicamp\/ Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Falando da profiss\u00e3o dele, quando voc\u00eas eram menores, como voc\u00eas viam a carreira dele? Como entendiam o que o pai de voc\u00eas estava fazendo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MLL<\/strong> &#8211; Eu n\u00e3o tinha a menor dimens\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>MTL<\/strong> &#8211; Eu achava muito diferente dos pais das minhas amigas.<\/p>\n<p><strong>MCL<\/strong> &#8211; Eu achava at\u00e9 que ele trabalhava pouco, porque ele n\u00e3o tinha que sair ou voltar em um hor\u00e1rio fixo [risos].<\/p>\n<p><strong>MLL<\/strong> &#8211; Eu desconfiava dele tamb\u00e9m. Eu falava para minhas amigas: \u201cmas como assim seu pai sai todo dia para trabalhar?\u201d. Porque o meu ficava em casa.<\/p>\n<p><strong>MCL<\/strong> \u2013 Ele trabalhava em casa e, muitas vezes, noites adentro. Ent\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos essa rotina do pai que sai todo dia para um escrit\u00f3rio, por exemplo. Era um ritmo muito peculiar. S\u00f3 que quando voc\u00ea faz parte, voc\u00ea n\u00e3o percebe isso. Aquele \u00e9 o seu normal.<\/p>\n<p><strong>MTL<\/strong> &#8211; Nunca soubemos que ele era famoso. Sab\u00edamos que ele tinha uma certa import\u00e2ncia, mas famoso, quem est\u00e1 mostrando para n\u00f3s agora s\u00e3o todos voc\u00eas.<\/p>\n<p><strong>MLL<\/strong> &#8211; Quando viemos para Campinas, teve um certo rebuli\u00e7o, foi jornalista l\u00e1 no hotel entrevistar ele. Mas eu n\u00e3o tinha a dimens\u00e3o do que era.<\/p>\n<p><strong>MTL<\/strong> &#8211; Eu n\u00e3o achava que aquilo era s\u00f3 para n\u00f3s, eu achava que com todo mundo era assim.<\/p>\n<p><strong>MCL<\/strong> &#8211; Eu tamb\u00e9m achava isso, que fazia parte da vida da maioria das pessoas. Ainda bem! J\u00e1 pensou se tiv\u00e9ssemos essa consci\u00eancia? [risos] Al\u00e9m disso, ele era um grande patriota. Para ele era inadmiss\u00edvel que a pessoa n\u00e3o representasse o pr\u00f3prio pa\u00eds. Ent\u00e3o, mesmo em oportunidades de trabalho que ele p\u00f4de desenvolver com outras equipes de outros pa\u00edses, ele fazia quest\u00e3o de ter os cr\u00e9ditos para o Brasil.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"para-mim-independente-de-ser-o-meu-pai-eu-me-deparei-com-um-personagem-interessantissimo-e-colocado-na-historia-de-uma-maneira-singular\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cPara mim, independente de ser o meu pai, eu me deparei com um personagem interessant\u00edssimo e colocado na hist\u00f3ria de uma maneira singular.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; <\/strong><strong>Voc\u00eas est\u00e3o preparando um livro para celebrar o centen\u00e1rio de Lattes. Pode falar um pouquinho sobre a obra?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MCL<\/strong> &#8211; Estou organizando com a concord\u00e2ncia e a colabora\u00e7\u00e3o das irm\u00e3s. Tudo come\u00e7ou quando mexi nas fotos de fam\u00edlia, guardadas principalmente por ele. E a\u00ed comecei a tomar consci\u00eancia do personagem que era o papai. Para mim, independente de ser o meu pai, eu me deparei com um personagem interessant\u00edssimo e colocado na hist\u00f3ria de uma maneira singular. Quando comecei a mexer, percebi a import\u00e2ncia dele na hist\u00f3ria da f\u00edsica, e como foi tudo isso ambientado em uma \u00e9poca t\u00e3o turbulenta no Brasil. Ent\u00e3o, isso foi aumentando o projeto, que era para ser uma coisa pequena, dom\u00e9stica, s\u00f3 que eram tantas informa\u00e7\u00f5es, tantas coisas que seriam importantes de serem colocadas, que o livro tomou uma dimens\u00e3o maior. Meu genro \u00e9 editor e come\u00e7ou a coordenar e a me ajudar a desenvolver esse projeto. Ent\u00e3o vai ser um livro a respeito do papai, que est\u00e1 sendo desenvolvido com a ajuda de todo mundo, e que nasceu n\u00e3o de uma cobran\u00e7a, mas uma vontade de ter esse registro.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; <\/strong><strong>No processo de pesquisa para o livro, e de todas essas comemora\u00e7\u00f5es que est\u00e3o ocorrendo, quais descobertas e informa\u00e7\u00f5es mais lhes chamaram a aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MLL<\/strong> &#8211; Acho que est\u00e1 sendo divertido relembrar dele e de suas hist\u00f3rias. Papai tinha um humor bem irreverente, bem pitoresco. Ent\u00e3o, para mim, me divertiu um bocado algumas hist\u00f3rias dele que lembramos juntas. Assim, para mim o que mais pegou foi essa parte afetiva. E confesso que me surpreendo, porque entendo raso o que ele fez. Acho muito legal, entendo a import\u00e2ncia, mas n\u00e3o consigo explicar. Me d\u00e1 umas lufadas de orgulho rever o que ele fez com um distanciamento, agora que sou mais velha. E a parte dele como pai, como pessoa, me diverte. Porque ele era irreverente, eu gosto de irrever\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>MCL<\/strong> &#8211; Tem horas que a emo\u00e7\u00e3o toma conta, viu? Para mim, ele \u00e9 uma das pessoas mais generosas que eu conhe\u00e7o. Ele nunca teve um olhar cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o a nenhuma pessoa, desde que a pessoa estivesse fazendo o poss\u00edvel. Eu nunca vi meu pai dizer que algu\u00e9m era \u201cburro\u201d. Ele sempre respeitou o ser humano naquilo que a pessoa podia fazer.<\/p>\n<p><strong>MTL<\/strong> &#8211; O que oferecia de melhor para ele estava \u00f3timo. Ele conseguia buscar na pessoa aquilo que ela estava oferecendo, e para ele aquilo era motivo de orgulho. Ele tinha amigos de v\u00e1rias classes sociais, intelectuais, e tratava todos da mesma forma. N\u00e3o delicado, porque ele n\u00e3o era uma pessoa exatamente delicada. Mas era gentil. E jamais em cima do pedestal, sempre p\u00e9 no ch\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; <\/strong><strong>Por fim, qual o maior legado que ele deixou para voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MTL<\/strong> &#8211; Para mim foi ser uma pessoa correta. Nada a mais, nada a menos. Ele me ensinou isso.<\/p>\n<p><strong>MLL<\/strong> &#8211; Acho que o maior legado dele foi despertar o desejo de aprender em n\u00f3s, estimulando a curiosidade intelectual. Ele era muito curioso. Essa quest\u00e3o de voc\u00ea ser curioso e desejar aprender, eu acho que foi um legado importante que ele me deixou. E tamb\u00e9m ter nos preservado, de certa forma, de tudo aquilo. N\u00f3s s\u00f3 pudemos conhecer, de fato, a dimens\u00e3o de quem ele era depois. N\u00e3o era isso que era importante para ele. O importante para ele era ser um pai que nos formasse bem.<\/p>\n<p><strong>MCL<\/strong> &#8211; Para mim, o legado foi o amor familiar. Independente de qualquer dificuldade de relacionamento, ele deixou uma fam\u00edlia com uma estrutura de amor que n\u00e3o vemos em qualquer lugar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-lattes-em-familiafonte-unicamp-arquivo-reproducao\"><strong>Capa. Lattes em fam\u00edlia<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Unicamp\/ Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"http-dx-doi-org-10-5935-2317-6660-20240013\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20240013\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20240013<\/a><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em entrevista exclusiva, filhas de Lattes revelam o lado humano do renomado&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":5800,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5779"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5779"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5779\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7117,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5779\/revisions\/7117"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5800"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5779"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5779"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5779"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}