{"id":5874,"date":"2024-04-29T08:00:38","date_gmt":"2024-04-29T08:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5874"},"modified":"2024-09-18T12:57:25","modified_gmt":"2024-09-18T12:57:25","slug":"aziz-absaber-geografo-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5874","title":{"rendered":"Aziz Ab\u2019S\u00e1ber, ge\u00f3grafo do Brasil"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"pesquisador-lutou-pelo-meio-ambiente-pela-ciencia-e-pela-cultura-brasileira\"><span style=\"color: #808080;\">Pesquisador lutou pelo meio ambiente, pela ci\u00eancia e pela cultura brasileira<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"parto-do-principio-de-que-as-pessoas-precisam-em-primeiro-lugar-entender-o-que-e-cultura-para-depois-entender-o-que-e-ciencia-assim-cultura-e-o-conjunto-de-valores-do-homem-algo-que-vem-sendo-co\" style=\"padding-left: 160px; text-align: right;\"><em>Parto do princ\u00edpio de que as pessoas precisam, em primeiro lugar, entender o que \u00e9 cultura para depois, entender o que \u00e9 ci\u00eancia. Assim, cultura \u00e9 o conjunto de valores do homem, algo que vem sendo conquistado desde a pr\u00e9-hist\u00f3ria at\u00e9 a contemporaneidade. A pesquisa agrega conhecimento \u00e0 cultura, alimenta a ci\u00eancia e acelera os processos evolutivos das sociedades<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"aziz-absaber-marco-de-2012\" style=\"padding-left: 160px; text-align: right;\">(Aziz Ab\u2019S\u00e1ber, mar\u00e7o de 2012)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando olhamos para a vastid\u00e3o verde da Amaz\u00f4nia, para a caatinga resiliente do Nordeste ou para quaisquer outras paisagens morfoclim\u00e1ticas que comp\u00f5em a geografia do Brasil, nos lembramos, imediatamente, do legado de um dos mais brilhantes cientistas e intelectuais brasileiros: Aziz Nacib Ab\u2019S\u00e1ber.<\/p>\n<p>Nascido em 24 de outubro de 1924, em S\u00e3o Luiz do Paraitinga (SP), Ab\u2019S\u00e1ber dedicou quase sete d\u00e9cadas de sua vida ao estudo profundo das paisagens brasileiras. Sua jornada acad\u00eamica iniciou-se aos 17 anos, quando ingressou no curso de Geografia e Hist\u00f3ria da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias (FFLC) da USP. Desde cedo mergulhou nas complexidades das paisagens naturais e nos ecossistemas, transformando suas pesquisas numa densa obra rica de conhecimentos que iluminam os caminhos da ci\u00eancia. De origem humilde, mas contando sempre com ajuda de amigos, ele viajou pelo pa\u00eds inteiro ao longo de sua jornada e estudou o relevo do Brasil de forma sistem\u00e1tica, o que o ajudou a entender melhor a natureza e a sociedade do pa\u00eds. Ele evidenciou e deu luz a conhecimentos sobre o Brasil que at\u00e9 ent\u00e3o haviam sido estudadas quase que exclusivamente por ge\u00f3grafos estrangeiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"para-absaber-a-historia-e-a-cultura-dos-povos-influenciam-os-ambientes-percepcao-que-em-muito-auxiliou-na-compreensao-dos-problemas-ambientais-como-resultantes-da-profunda-imbricac\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cPara Ab\u2019S\u00e1ber, a hist\u00f3ria e a cultura dos povos influenciam os ambientes, percep\u00e7\u00e3o que em muito auxiliou na compreens\u00e3o dos problemas ambientais como resultantes da profunda imbrica\u00e7\u00e3o entre a natureza e a sociedade humana.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ab\u2019S\u00e1ber nos agraciou com diversos livros sobre as paisagens, sobre os biomas e sobre os impactos da urbaniza\u00e7\u00e3o no quadro natural do pa\u00eds, temas hoje t\u00e3o em pauta em tempos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Sua contribui\u00e7\u00e3o vai muito al\u00e9m dos n\u00fameros \u2013 embora suas mais de 350 obras, das quais aproximadamente 50 se debru\u00e7am sobre a Amaz\u00f4nia, sejam testemunhas de sua incans\u00e1vel dedica\u00e7\u00e3o. Ele foi um dos grandes defensores da Amaz\u00f4nia, e fomentou o desenvolvimento da consci\u00eancia sobre a import\u00e2ncia crucial da preserva\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais como elementos essenciais \u00e0 vida humana e \u00e0s sociedades.<\/p>\n<p>\u201cA paisagem \u00e9 sempre uma heran\u00e7a\u201d, dizia. Para Ab\u2019S\u00e1ber, a hist\u00f3ria e a cultura dos povos influenciam os ambientes, percep\u00e7\u00e3o que em muito auxiliou na compreens\u00e3o dos problemas ambientais como resultantes da profunda imbrica\u00e7\u00e3o entre a natureza e a sociedade humana. Na sua compreens\u00e3o os diferentes ambientes devem ser compreendidos pela intera\u00e7\u00e3o entre elementos de ordem natural (solo, clima, vegeta\u00e7\u00e3o, relevo, \u00e1guas) e de ordem social (ind\u00fastria, cidades, agricultura, economia, pol\u00edtica, etc.), sendo que dessa combina\u00e7\u00e3o resultam espa\u00e7os e lugares diversos do Brasil. Tomando por base a combina\u00e7\u00e3o entre os elementos do quadro f\u00edsico-natural das paisagens brasileiras, especialmente a combina\u00e7\u00e3o entre o relevo, o clima e os biomas, ele compartimentou o Brasil em seis diferentes Dom\u00ednios Morfoclim\u00e1ticos: Amaz\u00f4nia, Cerrado, Caatinga, Mares de Morros, Arauc\u00e1ria e Pradaria; entre eles, ou separando-os no espa\u00e7o, as Faixas de Transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"dizia-que-a-humanidade-precisa-criar-uma-nova-maneira-de-agir-tanto-ao-nivel-individual-quanto-ao-nivel-coletivo-e-que-era-preciso-desenvolver-a-consciencia-ambiental-e-o-cuidado-com-o-plan\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cDizia que a humanidade precisa criar uma nova maneira de agir, tanto ao n\u00edvel individual quanto ao n\u00edvel coletivo, e que era preciso desenvolver a consci\u00eancia ambiental e o cuidado com o planeta.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Defensor incans\u00e1vel do meio ambiente, engajou-se em lutas ambientalistas e batalhas pela preserva\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o das florestas amaz\u00f4nicas e das caatingas, dentre outras importantes lutadas em defesa da natureza, do meio ambiente e da justi\u00e7a social. Ele desenvolveu v\u00e1rios trabalhos importantes, como o Projeto Floram, em 1989, que detalhou as possibilidades de reflorestamento de 2,3% do territ\u00f3rio brasileiro para fins ambientais, sociais e econ\u00f4micos. Nos \u00faltimos anos de sua vida enfrentou dois problemas importantes no Brasil: o projeto de transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco e o projeto de novo c\u00f3digo florestal; no primeiro sua preocupa\u00e7\u00e3o se voltava aos impactos de que essa gigantesca obra poderia trazer para as paisagens e para as popula\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o e, no segundo, com a \u00e1rdua luta que seria necess\u00e1ria travar com a cobi\u00e7a dos propriet\u00e1rios de terras e a necess\u00e1ria prote\u00e7\u00e3o da natureza.<\/p>\n<p>Como professor, Aziz n\u00e3o se limitou a transmitir conhecimento, ele transformou suas d\u00e9cadas de experi\u00eancia de campo em aulas que ficaram gravadas na mem\u00f3ria dos alunos. Sua abordagem po\u00e9tica e pr\u00e1tica cativava mentes jovens, inspirando uma nova gera\u00e7\u00e3o de cientistas e ge\u00f3grafos a seguirem seus passos. O professor Aziz defendia a educa\u00e7\u00e3o ambiental, entendendo-a como necess\u00e1ria e dependente da ci\u00eancia. Ele dizia que a humanidade precisa criar uma nova maneira de agir, tanto ao n\u00edvel individual quanto ao n\u00edvel coletivo, e que era preciso desenvolver a consci\u00eancia ambiental e o cuidado com o planeta, pois em sua vis\u00e3o era importante cuidar do meio ambiente em todas as suas dimens\u00f5es. Sua vis\u00e3o compreendia a proje\u00e7\u00e3o dos homens nos espa\u00e7os terrestres, herdados da natureza e da hist\u00f3ria. Seu compromisso com a dissemina\u00e7\u00e3o da cultura e da ci\u00eancia para todos era not\u00e1vel, como evidenciado pelo projeto de forma\u00e7\u00e3o de bibliotecas comunit\u00e1rias que apoiava.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"aziz-absaber-foi-mais-do-que-um-cientista-foi-um-guardiao-das-riquezas-naturais-do-nosso-pais\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAziz Ab\u2019S\u00e1ber foi mais do que um cientista, foi um guardi\u00e3o das riquezas naturais do nosso pa\u00eds.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao longo de sua carreira, Aziz Ab\u2019S\u00e1ber deixou um rastro de conquistas e honrarias. Foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC) entre 1993 e 1995 e presidente do Conselho de Defesa do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico, Art\u00edstico, Arqueol\u00f3gico e Tur\u00edstico do Estado de S\u00e3o Paulo (Condephaat), al\u00e9m de membro da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC) e diretor do Instituto de Geografia da USP (IGEO\/USP), entre outros cargos de destaque. Seu trabalho em geomorfologia, paleogeografia, geologia e estudos urbanos deixou marcas profundas no campo da ci\u00eancia. Ele atuou de forma brilhante no sentido de pautar as quest\u00f5es ambientais brasileiras no \u00e2mbito da pol\u00edtica de Estado do Brasil, sendo um baluarte da defesa ambiental e da justi\u00e7a social posto seu envolvimento com a democracia no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Sua presen\u00e7a e seus ensinamentos s\u00e3o muito sens\u00edveis entre n\u00f3s, mesmo ap\u00f3s sua partida em 12 de mar\u00e7o de 2012, aos 87 anos. Aziz Ab\u2019S\u00e1ber continua vivo nas p\u00e1ginas de seus livros, nas mentes daqueles que tiveram o privil\u00e9gio de serem seus alunos, na partilha de uma amizade calorosa, e nas florestas que tanto amou e defendeu. Para a Ci\u00eancia &amp; Cultura, \u00e9 uma honra prestar essa homenagem a um dos grandes nomes da ci\u00eancia brasileira. Aziz Ab\u2019S\u00e1ber foi mais do que um cientista, foi um guardi\u00e3o das riquezas naturais do nosso pa\u00eds, um mestre inspirador e um defensor incans\u00e1vel do conhecimento e da preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 id=\"http-dx-doi-org-10-5935-2317-6660-20240014\"><span style=\"color: #808080;\">http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20240014<\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pesquisador lutou pelo meio ambiente, pela ci\u00eancia e pela cultura brasileira &nbsp;&hellip;\n","protected":false},"author":187,"featured_media":5875,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52,21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5874"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/187"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5874"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5874\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7102,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5874\/revisions\/7102"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5875"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5874"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5874"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5874"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}