{"id":5899,"date":"2024-04-29T07:50:39","date_gmt":"2024-04-29T07:50:39","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5899"},"modified":"2024-09-18T12:58:14","modified_gmt":"2024-09-18T12:58:14","slug":"aziz-absaber-um-grande-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5899","title":{"rendered":"Aziz Ab\u2019S\u00e1ber: um grande brasileiro"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"geografo-ultrapassou-os-limites-do-ensino-e-da-pesquisa-atuando-em-varias-lutas-sociais-e-ambientais-do-pais\"><span style=\"color: #808080;\">Ge\u00f3grafo ultrapassou os limites do ensino e da pesquisa, atuando em v\u00e1rias lutas sociais e ambientais do pa\u00eds<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aziz Ab\u2019S\u00e1ber foi um homem muito ativo. De meados de d\u00e9cada de 1940, passando por sua vida cient\u00edfica intensa dos anos de 1950, 1960 e 1970, a seus engajamentos sociais e pol\u00edticos nas causas ambientais essenciais que dos anos de 1980 atravessaram a sua vida, e a vida do pa\u00eds, at\u00e9 os anos 2000, Aziz nunca parou de trabalhar um minuto. Seu corpo grande e alto, que sempre chamou a aten\u00e7\u00e3o de todos que o conheceram, n\u00e3o o impedia de ser <em>geograficamente<\/em> <em>m\u00f3vel<\/em>, \u00e1gil e vivaz: Aziz produzia materialmente com seu pr\u00f3prio corpo, atravessando permanentemente mundos e mais mundos do Brasil. N\u00e3o havia pouso, nem pausa, para o corpo de Aziz rastreando a terra. Podemos dizer que o corpo em tr\u00e2nsito de Aziz, um corpo que registrava a natureza pela qual viajava, e ganhava energia com o seu amor por ela, era tamb\u00e9m, de algum modo, <em>a natureza mesma em tr\u00e2nsito e em pensamento<\/em>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do movimento constante, Aziz tamb\u00e9m viveu escrevendo. Escrevendo sem parar \u2013 cadernos, notas, di\u00e1rios de campo, artigos, e, mais tardiamente, livros \u2013 elaborando e reescrevendo permanentemente as suas observa\u00e7\u00f5es e impress\u00f5es, at\u00e9 as fazer alcan\u00e7ar um n\u00edvel muito alto em sua ci\u00eancia, com estilo vivo e intenso. Ainda enquanto estudante, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da USP, quando aluno de Pierre Monbeig, Jean Gag\u00e9, Roger Dion, Aroldo de Azevedo, Roger Bastide, Aziz j\u00e1 se movia no espa\u00e7o e na profundidade da ci\u00eancia que escolhera e que amava, que tanto partilhava com os professores quanto questionava, quando j\u00e1 escrevia sua pr\u00f3pria leitura dos fatos do espa\u00e7o. O jovem cientista tinha a admira\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios mestres, pela clareza e algo de singular de seus pr\u00f3prios trabalhos. Havia algo de percuciente na leitura do jovem ge\u00f3grafo das coisas da terra, al\u00e9m de um amor imenso por todos os lugares e por todas as escalas em que ele estivesse \u2013 S\u00e3o Paulo, Rio Grande do Sul, Manaus, ou o grande territ\u00f3rio do Nordeste Seco&#8230; entre tantos outros mundos da terra que habitavam o seu corpo. Assim que come\u00e7ou a se mover, e a escrever, Aziz marcou os que o cercavam com uma originalidade intensiva, que se fazia evidente em suas raz\u00f5es.<\/p>\n<p>O que interessa \u00e9 que a movimenta\u00e7\u00e3o permanente de Aziz, sua constitui\u00e7\u00e3o como cientista, como construtor de institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1ria, a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), e de cultura, o Conselho de Defesa do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico Arqueol\u00f3gico, Art\u00edstico e Tur\u00edstico (Condephaat) de S\u00e3o Paulo, de pol\u00edtica da ci\u00eancia e de pol\u00edtica de sensibiliza\u00e7\u00e3o para os problemas ecol\u00f3gicos e ambientais do Brasil, da qual foi precursor \u2013 da gera\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Lutzenberger e contempor\u00e2neo de Chico Mendes \u2013 n\u00e3o seu deu em um territ\u00f3rio qualquer. Aziz n\u00e3o se interessava pelo mundo das ideias que apenas se autossustentam, \u00e0 dist\u00e2ncia de situa\u00e7\u00f5es concretas, sociais e humanas historicamente reais. Ao contr\u00e1rio, seu processo de movimento constante no mundo, que o constituiu, se deu sobre o territ\u00f3rio material, maravilhoso, impressionante, ou muito \u00e1rido, do Brasil, em tempos de dif\u00edcil acesso. E ele tamb\u00e9m viajou, no mesmo solo nacional, at\u00e9 as origens trans-humanas mais profundas da terra, com seus efeitos contempor\u00e2neos na vida hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Seu atravessamento cient\u00edfico e estil\u00edstico do mundo era baseado em viagens sucessivas e permanentes, em uma \u00e9poca em que viagens por grandes extens\u00f5es e territ\u00f3rios continentais do Brasil ainda eram aventuras. Seria bonito termos um mapa dos muitos e constantes deslocamentos de Aziz pelo Brasil, em suas v\u00e1rias escalas e em suas variadas pesquisas e nomea\u00e7\u00f5es das coisas que via e que tocava. Este seria o mapa da descoberta dos m\u00faltiplos espa\u00e7os e problemas, da historiciza\u00e7\u00e3o dos acontecimentos da terra, a hist\u00f3ria de um redesenho da ci\u00eancia da geografia e da forma\u00e7\u00e3o de um homem. Em termos macro, todos sabem, Aziz percorreu e descreveu o planalto sul e as campinas dos prados ga\u00fachos, a estrutura geol\u00f3gica formativa do Estado de S\u00e3o Paulo e do pantanal mato-grossense, o mundo do \u201cmar de morros\u201d \u2013 modo cient\u00edfico e po\u00e9tico de nomear grande regi\u00f5es brasileiras, que se tornou popular \u2013 de S\u00e3o Paulo e de Minas Gerais, as grandes estruturas de serrarias e chapadas do planalto central, o \u201cnordeste seco\u201d, em muitos n\u00edveis e escalas de espa\u00e7o e tempo, a Amaz\u00f4nia macro, e em detalhes internos, chegando a imaginar um poss\u00edvel \u201czoneamento eco-econ\u00f4mico, social e antropol\u00f3gico\u201d de todo o espa\u00e7o da floresta, uma raz\u00e3o quase continental, al\u00e9m do estudo de v\u00e1rios s\u00edtios urbanos de cidades brasileiras e um belo livro tardio que pensava o litoral brasileiro por inteiro, ao longo de seus oito mil e quinhentos diferenciados quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"aziz-foi-um-dos-primeiros-a-alertar-para-o-resultado-futuro-das-intervencoes-materiais-e-geoeconomicas-do-presente\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAziz foi um dos primeiros a alertar para o resultado futuro das interven\u00e7\u00f5es materiais e geoecon\u00f4micas do presente.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas qualquer lista a respeito dos muitos n\u00edveis de seu trabalho \u00e9 sempre incompleta: um de seus \u00faltimos belos livros de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica se chamava, depois de tudo, por exemplo, ainda, \u201cBrasil: paisagens de exce\u00e7\u00e3o\u201d. A exce\u00e7\u00e3o e a norma das formula\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas da geografia eram checadas por Aziz em suas fronteiras, e compunham um panorama de uma esp\u00e9cie de <em>pensamento total para a terra<\/em>, de um geografo total, como disse a seu respeito o seu amigo, mestre da climatologia brasileira, Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro<strong>.<\/strong><\/p>\n<p>Em meio a essas pesquisas constantes de geomorfologia, havia o pensador te\u00f3rico mais profundo do espa\u00e7o e <em>da hist\u00f3ria do espa\u00e7o<\/em>, uma novidade epistemol\u00f3gica que ele desenvolveu, derivada dos ge\u00f3logos, dos bi\u00f3logos e, porque n\u00e3o dizer, dos historiadores, importante para a ideia da geografia. Trabalhando com as forma\u00e7\u00f5es no tempo pr\u00e9-hist\u00f3rico dos mundos que ele conhecia bem agora, Aziz tamb\u00e9m projetou os seus conceitos no tempo, constituindo o que chamou de <em>uma fisiologia do espa\u00e7o<\/em>. Em 1977 ele apresentou aquele mapa, s\u00edntese e eleva\u00e7\u00e3o te\u00f3rica simultaneamente de tantos outros que fizera ao longo de trinta anos de pesquisa, e que se tornaria famoso, sendo republicado por ge\u00f3grafos, bi\u00f3logos, paleont\u00f3logos, arque\u00f3logos, antrop\u00f3logos, no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa: <em>Dom\u00ednios naturais da Am\u00e9rica do Sul, 13.000 \u2013 18.000 anos (primeiras aproxima\u00e7\u00f5es)<\/em>. Era o auge de sua pesquisa, e a viravolta conceitual que ela implicava. Um ge\u00f3grafo brasileiro, pensando sempre com o Brasil e desde a universidade no Brasil, surpreendia ent\u00e3o a ideia e o conceito de geografia, com algo que projetava conhecimentos dispersos em outro patamar. Com tudo que sabemos sobre o passado da terra, seus processos formativos e seus signos no presente, podemos projetar uma <em>geografia arqueol\u00f3gica<\/em> e, com alguma precis\u00e3o de ci\u00eancia, conceber como eram os <em>dom\u00ednios morfoclim\u00e1ticos e fitogeogr\u00e1ficos <\/em>(outro de seus conceitos inovadores), os espa\u00e7os totais de um continente, <em>h\u00e1 milhares de anos<\/em> desde o presente. De fato, um mapa da natureza da terra h\u00e1 mais de dez mil anos desde o presente.<\/p>\n<p>O amor pela terra como suporte da vida e da hist\u00f3ria, e por como pens\u00e1-la, se perdia na noite do tempo mais original do passado que a ci\u00eancia do presente podia conceber. N\u00e3o foi por acaso, portanto, que entre n\u00f3s Aziz foi um dos primeiros a alertar para o resultado <em>futuro <\/em>das interven\u00e7\u00f5es materiais e geoecon\u00f4micas do presente. Como a terra em que se vive vem de longe, e ele descrevia essa hist\u00f3ria em seus mapas e a contava em seu corpo como <em>um filme<\/em>, ela tamb\u00e9m se projetava no tempo denso ou aberto do futuro, agora como resultado da a\u00e7\u00e3o constante do homem, e sua civiliza\u00e7\u00e3o total entr\u00f3pica, sobre uma terra \u00e9tica imaginada por vir, que deveria ser protegida. Ele intu\u00eda, em grande escala temporal em que se acostumou a pensar, a crise ambiental geral em que estamos metidos, embora a lesse com outros crit\u00e9rios, bastante mais precisos do que o que circula em nossa consci\u00eancia espetacular do dia a dia. Grandes tempos da terra, no passado e no futuro, em conjunto com um amor incondicional pelo que estava vivo e era suporte de m\u00faltiplos Brasis no seu presente, passaram a ser o mundo em que Aziz, viajante permanente, vivia.<\/p>\n<p>Por isso a atividade permanente de Aziz Ab\u2019S\u00e1ber fez com que o seu corpo, grande e alto, se tornasse um verdadeiro <em>corpo mapa<\/em> do Brasil, um corpo pessoal e inquieto, uma experi\u00eancia da terra e dos homens inscrita na carne, como devem ser as verdadeiras experi\u00eancias, e um corpo p\u00fablico, mapa vivo, que era consultado com prazer por todos, o <em>mapa<\/em>, coisa comunicacional, cient\u00edfica e social do pa\u00eds. O seu <em>corpo mapa<\/em> \u2013 como um dia disse Beatriz Nascimento como desejo de recuperar entre o passado e o futuro os horizontes dos negros diasp\u00f3ricos brasileiros \u2013 era um ser muito acess\u00edvel, entre a ci\u00eancia e a vida, que se confundia profundamente, entre o projeto e a terra, com a ideia de Brasil. Diferente, mas ligado em algum ponto, ao corpo mapa negro da historiadora e fil\u00f3sofa da di\u00e1spora afro-brasileira, que era o trabalho de reconstruir a vida de um povo, o movimento de Aziz era o corpo simb\u00f3lico <em>da ideia de<\/em> <em>fazer o Brasil<\/em>, criar uma na\u00e7\u00e3o decente e moderna por fim. Era a ideia que atravessava toda a gera\u00e7\u00e3o de Ab\u2019S\u00e1ber, como a\u00e7\u00e3o institucional \u2013 a Universidade P\u00fablica \u2013 e como nomea\u00e7\u00e3o, inven\u00e7\u00e3o e compromisso com o saber de um pa\u00eds, o Brasil. Um pa\u00eds redescrito inteiro pelo ge\u00f3grafo, que redescrevia com ele tamb\u00e9m a sua pr\u00f3pria geografia.<\/p>\n<p>Por isso, Aziz teve contato no seu tempo, de amizade e espiritual comum, por assim dizer, com Sergio Buarque de Holanda, com Caio Prado Jr., com Florestan Fernandes \u2013 amigo com quem se identificava muito, por motivos de origem de classe \u2013 com Paulo Em\u00edlio Sales Gomes&#8230; Eram os homens da cria\u00e7\u00e3o do Brasil moderno, informado, cada um radical a seu modo para o pa\u00eds que precisava de cr\u00edtica e de entendimento, que buscavam democracia real e desenvolvimento \u2013 construtores intelectuais de um pais derrotado de modo acachapante por um projeto de integra\u00e7\u00e3o dependente, com fortes tra\u00e7os de arca\u00edsmo social, ao capitalismo internacional, em 1964. Aziz era de fato o corpo mapa, em profundidade geol\u00f3gica, em compromisso antropol\u00f3gico da geografia humana dos muitos brasis que conhecia desde o ch\u00e3o, daquela gera\u00e7\u00e3o de cientistas, de historiadores e de soci\u00f3logos mais velhos, grandes int\u00e9rpretes das estruturas sociais, que o consultavam quando necess\u00e1rio para saber mais, quando se tratava de precisar as diferen\u00e7as entre Mato Grosso e Goi\u00e1s&#8230; O projeto de todos eles era comum, todos enfeixavam saber e cr\u00edtica sobre o sentido maior, um mapa total, do pa\u00eds, que estavam constituindo tamb\u00e9m de modo cientifico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"seu-trabalho-desaguou-nos-anos-de-1980-e-1990-na-consciencia-da-politica-ambiental-necessaria-do-pais\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cSeu trabalho desaguou nos anos de 1980 e 1990 na consci\u00eancia da pol\u00edtica ambiental necess\u00e1ria do pa\u00eds.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E Aziz, o mais jovem dentre eles, e tamb\u00e9m o mais positivo deles pela pr\u00f3pria natureza de sua ci\u00eancia, veio a fazer a ponte, nem sempre sem percal\u00e7os, entre dois mundos e duas gera\u00e7\u00f5es de pesquisadores do Brasil. Seu trabalho desaguou nos anos de 1980 e 1990 na consci\u00eancia da pol\u00edtica ambiental necess\u00e1ria do pa\u00eds, quando, ent\u00e3o, ele se tornou uma esp\u00e9cie de \u00edcone desta nova ordem de cr\u00edtica hist\u00f3rica do capitalismo, surdo, cego e mudo para seus efeitos na <em>natureza <\/em>das coisas por aqui.<\/p>\n<p>Seus parceiros de gera\u00e7\u00e3o, com quem trabalhou articulado e de quem tamb\u00e9m promoveu a obra e o pensamento no Instituto de Geografia, que dirigiu na USP, foram, entre tantos outros, os ge\u00f3grafos Pasquale Petrone, Jo\u00e3o Jos\u00e9 Bigarella, Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro, Antonio Teixeira Guerra, Miguel Costa Jr., Jos\u00e9 Teixeira de Ara\u00fajo Filho, Ari Fran\u00e7a. A rela\u00e7\u00e3o com Paulo Em\u00edlio Vanzolini, bi\u00f3logo e homem de cultura moderna extensa sobre o pa\u00eds, foi especial para ambos. Os estudos da superf\u00edcie do passado de Aziz foram checados, confirmados, e desdobrados por Vanzolini naquilo que ficou conhecido como <em>a teoria dos ref\u00fagios e redutos<\/em>: verdadeiras ilhas de unidade e de descontinuidade ecol\u00f3gica do passado, que se transformaram em <em>rel\u00f3gios temporais<\/em>, geogr\u00e1ficos biol\u00f3gicos, que aceleravam ou retardavam a escolha adaptativa na forma\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies no espa\u00e7o do Brasil.<\/p>\n<p>Sua rela\u00e7\u00e3o com Milton Santos era pessoal, convergente de perspectivas cr\u00edticas sobre a degrada\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o indiscriminada do espa\u00e7o pelo Capital, mas tamb\u00e9m indicava grande diferen\u00e7a de forma\u00e7\u00e3o e natureza da cr\u00edtica: enquanto Milton sempre pensou espa\u00e7o e sociedade como efeito de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica das contradi\u00e7\u00f5es profundas e estruturais do capitalismo, antecipando muito das leituras cr\u00edticas de base marxista dos ge\u00f3grafos, urbanistas e cientistas sociais que consideram terra e espa\u00e7o em seu trabalho, Aziz parecia, mas apenas na apar\u00eancia, conservador no car\u00e1ter de sua cr\u00edtica ecol\u00f3gica intensa dos \u00faltimos anos de sua vida. A cr\u00edtica, para ele, era imanente ao pr\u00f3prio conhecimento profundo da terra, de sua hist\u00f3ria e de sua autoprodu\u00e7\u00e3o, de modo que um tipo de <em>saber da terra<\/em>, sempre em risco e delapidado, o orientava no ataque, por vezes muito duro, que fazia \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o generalizada do espa\u00e7o como suporte de qualquer tipo de ganho. Milton j\u00e1 sabia de sa\u00edda, por sua leitura de <em>O capital<\/em>, e suas implica\u00e7\u00f5es, aquilo que o geografo da forma\u00e7\u00e3o e da terra do Brasil chegaria a ter plena consci\u00eancia, no tempo da expans\u00e3o mundial do capitalismo globalizado e sua l\u00f3gica exclusiva, transformando todo problema do espa\u00e7o e das poss\u00edveis humanidades a ele conexas em mero suporte abstrato da acumula\u00e7\u00e3o de valor.<\/p>\n<p>Ao final da vida, ambos falavam coisas semelhantes, vindos de escolhas de fundamentos de conhecimento diferentes. A primeira vez que ouvi o mote de toda cr\u00edtica pr\u00f3pria \u00e0 ci\u00eancia ambiental que avalia o fim do mundo do est\u00e1gio atual da \u00faltima globaliza\u00e7\u00e3o do capitalismo foi em uma entrevista de Aziz Ab\u2019S\u00e1ber, ainda nos anos de 1990: \u201cAs gera\u00e7\u00f5es de hoje, e seu uso indiscriminado e destrutivo da vida e da natureza, n\u00e3o tem o direito de lesar o patrim\u00f4nio ambiental, o mundo e a vida das gera\u00e7\u00f5es futuras.\u201d Era o modo pr\u00f3prio de Aziz falar das mesmas aliena\u00e7\u00f5es e viol\u00eancias do andamento acelerado e privatizante do mundo, de que falava Milton Santos.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos 1990 Aziz Ab\u2019S\u00e1ber prop\u00f4s e orientou, no espa\u00e7o e na investiga\u00e7\u00e3o de geografia humana, um <em>projeto pol\u00edtico<\/em> de reconhecimento do <em>conceito total de Brasil<\/em>, por assim dizer: as famosas <em>Caravanas da Cidadania <\/em>que enraizaram a presen\u00e7a de Lula no interior do pa\u00eds, e renovaram no pol\u00edtico de esquerda democr\u00e1tica a conex\u00e3o com os setores n\u00e3o urbanos e n\u00e3o modernizados da vida popular, particularmente nos grandes sert\u00f5es do nordeste \u2013 \u201ca zona semi\u00e1rida mais intensamente populosa do mundo\u201d, como dizia Ab\u2019S\u00e1ber \u2013 e do norte do pa\u00eds. Algo importante do entendimento de Lula a respeito da exist\u00eancia concreta dos pobres, marcados por situa\u00e7\u00f5es de espa\u00e7o e clima pr\u00f3prios do pa\u00eds, e suas necessidades de apoio de Estado \u2013 bolsas sociais, extens\u00e3o de energia, pol\u00edticas integradoras de educa\u00e7\u00e3o e de sa\u00fade \u2013 se constituiu naquela demonstra\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de Aziz Ab`S\u00e1ber sobre \u201co conhecimento do Brasil\u201d, como ele dizia, as li\u00e7\u00f5es sobre a geografia humana de massas de semi-inclu\u00eddos na renda e na cidadania. A geografia total, ambiental e humana de Aziz Ab\u2019S\u00e1ber informava a esquerda trabalhista e sindical urbana, que entendia a vida como modernizada, sobre profundos setores humanos, ainda ligados especialmente \u00e0 terra, cuja dist\u00e2ncia da vida inserida de mercado, e da cidadania como seu duplo, era real e sens\u00edvel. Era destes oprimidos e esquecidos do progresso, por v\u00ednculos de espa\u00e7o e geogr\u00e1ficos de longa dura\u00e7\u00e3o, que Aziz chamava \u201cconhecer o Brasil\u201d. Um Brasil que ele sabia desconhecido pelos poderes articulados ao capitalismo da ind\u00fastria mundial, e \u00e0 burguesia cosmopolita, que pouco queria saber. Interessantemente, eram exatamente esses setores da vida nacional, sob o c\u00f3digo secular do dom\u00ednio <em>latifundi\u00e1rio <\/em>e <em>olig\u00e1rquico e de coronel\u00edstico local<\/em>, que \u00e0 esquerda da crise por reformas de base de 1964, incluindo a\u00ed os jovens socialistas dos CPCs e o seu Cinema Novo, tentaram reconhecer e conectar ao desenvolvimento pol\u00edtico e social do pa\u00eds, com os resultados catastr\u00f3ficos da <em>contrarrevolu\u00e7\u00e3o preventiva <\/em>do golpe militar e seu apoio naqueles modos seculares de grandes poderes, explora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o reconhecimento social. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-aziz-absaber-com-lula-durante-caravana-da-cidadania-em-1993fonte-arquivo-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5900\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura1-300x217.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"361\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura1-300x217.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura1-1024x740.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura1-768x555.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura1-1536x1110.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura1-800x578.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura1-1160x838.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Aziz Ab\u2019S\u00e1ber com Lula durante Caravana da Cidadania em 1993<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aziz, um cientista social desde a vida material da terra, que no Brasil tem especial realidade, tentava religar a esquerda democr\u00e1tica de massas urbanizadas, e algo fetichizadas por shoppings e ind\u00fastria cultural total e constante, \u00e0s massas rurais dispersas em realidade de geografia humana de longa dura\u00e7\u00e3o. Porque como ele dizia, com Caio Prado Jr., \u201cacima da Bahia, algo do Brasil pode ser pensado mais com geografia do que com hist\u00f3ria\u201d&#8230; Sua proposi\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o com Lula aprofundaram a aten\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o por esta vida popular de grande invisibilidade para a integra\u00e7\u00e3o moderna de um povo com direitos. Ao mesmo tempo que seu afastamento dos governos Lula de 2003 e 2007 foi certamente imensa perda na constitui\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica ambiental consequente e contempor\u00e2nea, que situasse e posicionasse o Brasil no mundo na perspectiva desta vanguarda das coisas da terra.<\/p>\n<p>Sim, porque em 1996, sete anos antes da primeira chegada da esquerda democr\u00e1tica que Aziz apoiou na figura de Lula ao governo federal, ele apresentava o resultado de projeto de ci\u00eancia, constru\u00e7\u00e3o de pa\u00eds, desenvolvimento e posicionamento pol\u00edtico no mundo, realizado no Instituto de Estudos Avan\u00e7ados (IEA) da USP, de <em>reflorestamento do Brasil em escala nacional<\/em>, o seu t\u00e3o prezado <em>Projeto Floram<\/em>. Instigado e em conex\u00e3o e debates com cientistas eco-socialistas alem\u00e3es, ainda nos anos 1980 Aziz organizou uma ampla equipe multidisciplinar, coordenada por ele, por Leopold Rod\u00e9s e por Werner Zulauf, que concebeu \u2013 em registro de agronomia, climatologia, geomorfologia das tend\u00eancias naturais e produtivas, economia locais, regionais e de setores do territ\u00f3rio, tecnologia e antropologia cultural e suas ci\u00eancias da terra \u2013 <em>o reflorestamento sistem\u00e1tico de todo o Brasil <\/em>degradado em sua flora e fauna do processo de moderniza\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos 480 anos. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-aziz-absaber-organizou-uma-equipe-multidisciplinar-para-planejar-o-reflorestamento-sistematico-de-todo-o-brasil-degradadofonte-iea-usp-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5901\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura2-300x189.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"315\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura2-300x189.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura2-1024x646.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura2-768x484.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura2-1536x968.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura2-800x504.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura2-1160x731.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Aziz-AbSaber-um-grande-brasileiro-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Aziz Ab\u2019S\u00e1ber organizou uma equipe multidisciplinar para planejar o reflorestamento sistem\u00e1tico de todo o Brasil degradado<br \/>\n<\/strong>(Fonte: IEA\/ USP. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O projeto, que n\u00e3o era coisa de perspectivas limitadas sobre estar no mundo do capitalismo globalizado e de inimigos da ci\u00eancia produzida no pa\u00eds, constitu\u00eda as bases da implanta\u00e7\u00e3o de \u201c14 milh\u00f5es de hectares no Brasil, como ponta de lan\u00e7a indutora de florestamentos paralelos, em escala global, totalizando 400 milh\u00f5es de hectares\u201d. O Brasil poderia recuperar seu territ\u00f3rio florestado, sem perder produtividade onde modos intensos de produ\u00e7\u00e3o fossem necess\u00e1rios, e tornar-se refer\u00eancia ativa em pol\u00edtica ambiental global, posicionando-se de modo privilegiado no processo da cr\u00edtica necess\u00e1ria \u00e0 crise universal do presente. Como todos sabemos, naquela quadra hist\u00f3rica a esquerda no governo ignorou a contribui\u00e7\u00e3o mais radical de Aziz Ab\u2019S\u00e1ber, assumindo as consequ\u00eancias do atraso e da aliena\u00e7\u00e3o em campo verdadeiramente essencial da pol\u00edtica de hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-brasil-poderia-recuperar-seu-territorio-florestado-sem-perder-produtividade-onde-modos-intensos-de-producao-fossem-necessarios-e-tornar-se-referencia-ativa-em-politica-ambiental-global\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO Brasil poderia recuperar seu territ\u00f3rio florestado, sem perder produtividade onde modos intensos de produ\u00e7\u00e3o fossem necess\u00e1rios, e tornar-se refer\u00eancia ativa em pol\u00edtica ambiental global.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Era com estas coisas que o menino pobre, sempre reconhecidamente brilhante, nascido em uma pequena cidade do Vale do Para\u00edba, decadente no p\u00f3s 1929, S\u00e3o Luiz do Paraitinga, filho de um imigrante liban\u00eas fugido de guerras religiosas e imperiais do seu tempo, que mal falava o portugu\u00eas, e de uma leg\u00edtima caipira do interior de S\u00e3o Paulo que nunca aprendeu a ler, sonhava. Aziz foi um expoente da forma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds com conhecimento e comprometimento, em seu tempo de vida. Homem que acompanhou de perto a vida concreta das pessoas, da terra, da flora e da fauna, sempre olhando tudo pelo ponto de vista do mais fr\u00e1gil, no mundo social e no da natureza, que ele n\u00e3o separava, ao mesmo tempo que teve o poder de rever inteiramente a sua ci\u00eancia, tudo aquilo que percebia e o que fazia olhar. Poucas vezes o ep\u00edteto <em>um grande brasileiro<\/em> foi t\u00e3o real e t\u00e3o justo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-aziz-absaber-recebe-trofeu-juca-pato-de-intelectual-do-ano-de-2011fonte-folhapress-reproducao\"><strong>Capa. Aziz Ab\u2019S\u00e1ber recebe trof\u00e9u Juca Pato de Intelectual do Ano de 2011<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Folhapress. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"http-dx-doi-org-10-5935-2317-6660-20240018\"><span style=\"color: #808080;\">http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20240018<\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ge\u00f3grafo ultrapassou os limites do ensino e da pesquisa, atuando em v\u00e1rias&hellip;\n","protected":false},"author":191,"featured_media":5902,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5899"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/191"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5899"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5899\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7103,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5899\/revisions\/7103"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5902"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5899"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5899"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}