{"id":5915,"date":"2024-04-29T08:00:51","date_gmt":"2024-04-29T08:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5915"},"modified":"2024-09-18T13:00:44","modified_gmt":"2024-09-18T13:00:44","slug":"aziz-absaber-o-geografo-brasileiro-que-inovou-as-pesquisas-sobre-a-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5915","title":{"rendered":"Aziz Ab\u2019S\u00e1ber: o ge\u00f3grafo brasileiro que inovou as pesquisas sobre a Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"pesquisador-defendia-visao-social-politica-e-ecologica-na-protecao-e-manutencao-das-florestas\"><span style=\"color: #808080;\">Pesquisador defendia vis\u00e3o social, pol\u00edtica e ecol\u00f3gica na prote\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o das florestas <\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX testemunharam o surgimento de iniciativas que buscavam estudar e minimizar o impacto das a\u00e7\u00f5es humanas sobre os ecossistemas globais. Em 1988, por exemplo, a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\"><strong>Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU)<\/strong><\/a><\/span> apoiou a cria\u00e7\u00e3o do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/antigo.mctic.gov.br\/mctic\/opencms\/ciencia\/SEPED\/clima\/ciencia_do_clima\/painel_intergovernamental_sobre_mudanca_do_clima.html\"><strong>Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC)<\/strong><\/a><\/span>, encarregado, at\u00e9 os dias atuais, de sintetizar os conhecimentos cient\u00edficos relativos ao fen\u00f4meno at\u00e9 ent\u00e3o conhecido como \u201caquecimento global\u201d. No mesmo ano, em uma importante confer\u00eancia sobre Clima e Desenvolvimento realizada em Hamburgo, na Alemanha, um desafio foi lan\u00e7ado para o Brasil: promover um projeto in\u00e9dito de florestamento, aproveitando o potencial do territ\u00f3rio e as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do pa\u00eds. A miss\u00e3o foi acatada por pesquisadores do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.iea.usp.br\/\"><strong>Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade de S\u00e3o Paulo (IEA-USP)<\/strong><\/a> <\/span>e se tornou, anos depois, um dos trabalhos mais aclamados de um dos mais respeitados ge\u00f3grafos e ambientalistas brasileiros, o defensor da Amaz\u00f4nia, Aziz Nacib Ab\u2019S\u00e1ber.<\/p>\n<p>Mesmo sem saber o que o futuro reservava, Ab\u2019S\u00e1ber, falecido em 2012, deixou o interior de S\u00e3o Paulo aos 16 anos, em 1940, e encontrou no campus da USP seu ref\u00fagio. Apaixonado por bibliotecas e enciclop\u00e9dias, iniciou os estudos no curso de Hist\u00f3ria e Geografia e, logo na primeira semana, descobriu o rumo que daria \u00e0 sua carreira. \u201cEscolhi ser ge\u00f3grafo no primeiro dia de aula na Universidade (&#8230;); eu gostei de ler a paisagem mais do que gostei de ler livros sobre hist\u00f3ria\u201d, revelou o pesquisador em entrevista ao projeto <em>A Ci\u00eancia que Eu Fa\u00e7o<\/em>, do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/mast\/pt-br\"><strong>Museu de Astronomia e Ci\u00eancias Afins (MAST)<\/strong><\/a><\/span>. Segundo Jacques Marcovitch, professor em\u00e9rito da Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o e Contabilidade da USP, colega de trabalho e amigo de Ab\u2019S\u00e1ber, a paix\u00e3o pelas paisagens cresceu junto com o ge\u00f3grafo tanto como uma causa quanto como uma consequ\u00eancia. \u201cAziz Ab\u2019S\u00e1ber afirmou certa vez que, em sua juventude, n\u00e3o podendo comprar muitos livros de geografia, decidiu ler a paisagem como forma de aprendizado\u201d, recorda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"aziz-absaber-afirmou-certa-vez-que-em-sua-juventude-nao-podendo-comprar-muitos-livros-de-geografia-decidiu-ler-a-paisagem-como-forma-de-aprendizado\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAziz Ab\u2019S\u00e1ber afirmou certa vez que, em sua juventude, n\u00e3o podendo comprar muitos livros de geografia, decidiu ler a paisagem como forma de aprendizado.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s anos de dedica\u00e7\u00e3o durante a gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, Ab\u2019S\u00e1ber finalmente viu seu sonho de trabalhar na USP se concretizar. Com poucas vagas dispon\u00edveis, o pesquisador, a princ\u00edpio, aceitou o cargo rec\u00e9m-disponibilizado de jardineiro do campus, enquanto tamb\u00e9m lecionava geografia em escolas e faculdades. Apenas tr\u00eas meses depois, foi transferido para a fun\u00e7\u00e3o de pr\u00e1tico de laborat\u00f3rio e assumiu uma posi\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima da academia. Conheceu de perto diversas paisagens e biomas brasileiros, incluindo a Amaz\u00f4nia, em 1952, e tornou-se livre-docente em 1965. Depois de duas d\u00e9cadas como docente, aposentou-se, mas continuou atuando na Universidade como professor visitante. Foi assim que, em 1988, ingressou no IEA ao lado de outros renomados pesquisadores de diversas \u00e1reas, como o administrador Jacques Marcovitch e o f\u00edsico Jos\u00e9 Goldemberg. L\u00e1, sua presen\u00e7a se tornou fundamental para enfrentar o desafio lan\u00e7ado ao Brasil na confer\u00eancia de Hamburgo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"pesquisas-na-amazonia\"><strong>Pesquisas na Amaz\u00f4nia<\/strong><\/h4>\n<p>De car\u00e1ter t\u00e3o interdisciplinar quanto Ab\u2019S\u00e1ber idealizava, o IEA foi ber\u00e7o para a cria\u00e7\u00e3o de uma ambiciosa iniciativa que visava a recupera\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal brasileira, especialmente nas florestas. \u201cEra um somat\u00f3rio de projetos regionais, relacionado a uma correta tipologia de florestamentos ou reflorestamentos\u201d, afirma Jacques Marcovitch. A Amaz\u00f4nia, o maior bioma do pa\u00eds, se tornou foco do projeto, batizado como \u201cFloram Amaz\u00f4nia \u2013 Florestas para o Meio Ambiente\u201d. O pesquisador destaca que a iniciativa combinou as viv\u00eancias de nomes como Leopold Rod\u00e9s, experiente em quest\u00f5es tecnol\u00f3gicas, e Werner Zulauf, conhecedor de temas sobre a preserva\u00e7\u00e3o ambiental, com a vis\u00e3o de Aziz Ab\u2019S\u00e1ber, engajado na pesquisa e no reconhecimento do territ\u00f3rio nacional. Jos\u00e9 Goldemberg, que j\u00e1 foi reitor da USP e presidente da <a href=\"http:\/\/portal.sbpcnet.org.br\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC)<\/span><\/strong><\/a>, al\u00e9m do membro respons\u00e1vel por trazer as quest\u00f5es tratadas na confer\u00eancia para o IEA, concorda que a participa\u00e7\u00e3o de Ab\u2019S\u00e1ber foi essencial. \u201cEra ele quem conhecia a regi\u00e3o [amaz\u00f4nica], podia identificar quais \u00e1reas seriam adequadas para o reflorestamento e que tipo de esp\u00e9cies vegetais seriam indicadas para tal\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"julgava-indispensavel-enxergar-toda-a-area-como-um-conjunto-de-fatores-sociais-e-politicos-fisicos-e-ecologicos-tendo-como-pano-de-fundo-uma-lamentavel-filosofia-da-devastacao\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cJulgava indispens\u00e1vel enxergar toda a \u00e1rea como um conjunto de fatores sociais e pol\u00edticos, f\u00edsicos e ecol\u00f3gicos, tendo como pano de fundo uma lament\u00e1vel \u2018filosofia da devasta\u00e7\u00e3o\u2019 ent\u00e3o, ali, dominante.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do conhecimento cient\u00edfico e territorial, as contribui\u00e7\u00f5es de Ab\u2019S\u00e1ber para a cria\u00e7\u00e3o do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/gHmsYvddx6wRTNBG5mk7HRq\/?lang=pt\"><strong>projeto Floram<\/strong><\/a><\/span> tiveram tamb\u00e9m um forte car\u00e1ter social e pessoal, decisivo para que o projeto alcan\u00e7asse a dimens\u00e3o cient\u00edfica e o prest\u00edgio que conquistou. Jacques Marcovitch enfatiza o papel \u00fanico do ge\u00f3grafo e ambientalista na facilita\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo entre empres\u00e1rios e acad\u00eamicos, bem como na prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade. \u201cDefendia toler\u00e2ncia zero com os devastadores (&#8230;), n\u00e3o negociava porcentagens de redu\u00e7\u00e3o e evitava que os espa\u00e7os da Amaz\u00f4nia virassem mercadorias\u201d, observa. O pesquisador tamb\u00e9m ressalta que Ab\u2019S\u00e1ber buscava implementar uma abordagem multifacetada na Amaz\u00f4nia, considerando n\u00e3o apenas a geomorfologia e a vegeta\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. \u201cJulgava indispens\u00e1vel enxergar toda a \u00e1rea como um conjunto de fatores sociais e pol\u00edticos, f\u00edsicos e ecol\u00f3gicos, tendo como pano de fundo uma lament\u00e1vel \u2018filosofia da devasta\u00e7\u00e3o\u2019 ent\u00e3o, ali, dominante\u201d, recorda. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-projeto-floram-visava-promover-o-reflorestamento-numa-escala-de-magnitude-ineditafonte-ambiente-legal-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5916\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-reportagem-o-geo\u0301grafo-brasileiro-que-inovou-as-pesquisas-sobre-a-Amazo\u0302nia-figura1-300x150.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"249\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-reportagem-o-geo\u0301grafo-brasileiro-que-inovou-as-pesquisas-sobre-a-Amazo\u0302nia-figura1-300x150.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-reportagem-o-geo\u0301grafo-brasileiro-que-inovou-as-pesquisas-sobre-a-Amazo\u0302nia-figura1-1024x510.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-reportagem-o-geo\u0301grafo-brasileiro-que-inovou-as-pesquisas-sobre-a-Amazo\u0302nia-figura1-768x383.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-reportagem-o-geo\u0301grafo-brasileiro-que-inovou-as-pesquisas-sobre-a-Amazo\u0302nia-figura1-1536x766.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-reportagem-o-geo\u0301grafo-brasileiro-que-inovou-as-pesquisas-sobre-a-Amazo\u0302nia-figura1-18x9.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-reportagem-o-geo\u0301grafo-brasileiro-que-inovou-as-pesquisas-sobre-a-Amazo\u0302nia-figura1-800x399.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-reportagem-o-geo\u0301grafo-brasileiro-que-inovou-as-pesquisas-sobre-a-Amazo\u0302nia-figura1-1160x578.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-reportagem-o-geo\u0301grafo-brasileiro-que-inovou-as-pesquisas-sobre-a-Amazo\u0302nia-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1.<\/strong><strong> Projeto Floram visava promover o reflorestamento numa escala de magnitude in\u00e9dita<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Ambiente Legal. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com os esfor\u00e7os de Ab\u2019S\u00e1ber e dos demais integrantes do IEA, o projeto Floram se destacou no cen\u00e1rio mundial. A proposta apresentava potencial para posicionar o Brasil como protagonista nos debates ambientais, contribuindo para a mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a recupera\u00e7\u00e3o do meio ambiente. \u201cO Brasil poderia colaborar com um programa internacional de sequestro de g\u00e1s carb\u00f4nico e alcan\u00e7ar v\u00e1rios resultados. O pa\u00eds se colocava em condi\u00e7\u00f5es morais de exigir contrapartidas dos pa\u00edses p\u00f3s-industrializados, principais respons\u00e1veis pela libera\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o de CO<sub>2<\/sub> na atmosfera; ao mesmo tempo, poderia obter uma reserva de fitomassa, de grandes propor\u00e7\u00f5es, para efeitos produtivos m\u00faltiplos de interesse nacional\u201d, explica Jacques Marcovitch. Apesar do enorme potencial, passados 25 anos desde sua concep\u00e7\u00e3o, as propostas do Floram n\u00e3o foram implementadas por falta de recursos financeiros, conforme observa Goldemberg.<\/p>\n<p>Junto \u00e0s dificuldades para o financiamento, outros desafios enfrentados durante a elabora\u00e7\u00e3o da proposta podem ter colaborado para o <em>status <\/em>atual do projeto. Jos\u00e9 Goldemberg explica, por exemplo, que alguns dos principais problemas identificados por Ab\u2019S\u00e1ber nos anos 1980 caracterizam, at\u00e9 hoje, os trabalhos na Amaz\u00f4nia, como a enorme \u00e1rea envolvida, dificuldades de acesso e o grau de destrui\u00e7\u00e3o do bioma original. \u201cS\u00f3 um profundo conhecedor da \u00e1rea como Ab\u2019S\u00e1ber poderia tentar resolver estes problemas via reflorestamento\u201d, acrescenta. Ainda assim, o projeto serve como refer\u00eancia e inspira\u00e7\u00e3o para novas propostas. \u201cO Floram foi um precursor das ideias correntes de plantar um trilh\u00e3o de \u00e1rvores nas florestas devastadas no mundo (em particular na Amaz\u00f4nia) para resolver ou atenuar o problema da recaptura de carbono j\u00e1 lan\u00e7ado na atmosfera\u201d, comenta o pesquisador, citando um projeto em desenvolvimento pelo Instituto Tecnol\u00f3gico de Zurich.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"legado\"><strong>Legado<\/strong><\/h4>\n<p>O legado de Aziz Ab\u2019S\u00e1ber atinge a humanidade em diversos aspectos. Al\u00e9m da contribui\u00e7\u00e3o para o ambientalismo por meio de propostas como o Floram, o pesquisador inovou a Geografia ao introduzir o conceito de Redutos e Ref\u00fagios, inspirado na Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o do bi\u00f3logo Charles Darwin. A ideia defende que, em um passado distante, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e no n\u00edvel das mar\u00e9s criaram zonas de clima seco que dividiram as florestas. Segundo o ge\u00f3grafo, plantas e animais migraram para ref\u00fagios, ou redutos, \u00famidos, onde se desenvolveram separadamente por d\u00e9cadas. Quando a volta da umidade permitiu uma nova expans\u00e3o das florestas, as esp\u00e9cies que viveram isoladas haviam acumulado tantas mudan\u00e7as que se dividiram em esp\u00e9cies diferentes. O conceito \u00e9 semelhante \u00e0quele defendido por Darwin em sua mais famosa Teoria, que considera o isolamento das popula\u00e7\u00f5es um fator crucial para a diferencia\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. Para Ab\u2019S\u00e1ber, Darwin estava estudando os redutos sem saber. \u201cO pioneiro em estudar os ref\u00fagios \u00e9 certamente Darwin\u201d, disse em entrevista ao <em>Portal Dr\u00e1uzio Varella<\/em> em 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"qualquer-projeto-de-reflorestamento-depende-da-participacao-da-populacao-nativa-que-ajuda-a-implantar-a-floresta-se-transforma-no-guardiao-da-floresta-e-dependendo-das-especies-plantadas-u\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cQualquer projeto de reflorestamento depende da participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o nativa que ajuda a implantar a floresta, se transforma no guardi\u00e3o da floresta e, dependendo das esp\u00e9cies plantadas, usa os produtos para sua manuten\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como ativista, Aziz Ab\u2019S\u00e1ber defendeu a ideia de uma Geografia mais humana, que levasse em conta as necessidades sociais em sua formula\u00e7\u00e3o. Jacques Marcovitch relembra que o amigo foi \u201cintrodutor, entre n\u00f3s, do conceito de \u2018geografia humanista\u2019, defendido por Antoine Bailly\u201d. A abordagem citada coloca o homem no centro das an\u00e1lises geogr\u00e1ficas e incentiva a integra\u00e7\u00e3o do ge\u00f3grafo, pessoalmente, no estudo. Goldemberg acrescenta que o \u00e2mbito social defendido por Ab\u2019S\u00e1ber se torna ainda mais relevante em projetos como o Floram, focados na conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e da biodiversidade. \u201cQualquer projeto de reflorestamento depende da participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o nativa que ajuda a implantar a floresta, se transforma no guardi\u00e3o da floresta e, dependendo das esp\u00e9cies plantadas, usa os produtos para sua manuten\u00e7\u00e3o\u201d, comenta. Nas palavras de Aziz Ab\u2019S\u00e1ber durante a entrevista ao projeto <em>A Ci\u00eancia que Eu Fa\u00e7o<\/em>, \u201co problema \u00e9 saber se os projetos v\u00e3o ser \u00fateis para o conjunto da popula\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o para alguns meros capitalistas\u201d.<\/p>\n<p>Prestes a completar seu centen\u00e1rio em outubro de 2024, Aziz Ab\u2019S\u00e1ber se destaca, hoje, como um dos geomorfologistas brasileiros mais respeitados no mundo. Os reconhecimentos recebidos em vida, como dois Pr\u00eamios Jabuti, em honra por dois de seus livros, o Pr\u00eamio Internacional de Ecologia (1998), o Pr\u00eamio Unesco para Ci\u00eancia e Meio Ambiente (2001), entre outros, somam-se aos frutos colhidos como consequ\u00eancia de seus trabalhos e ocupam lugar importante na mem\u00f3ria coletiva. Ainda que parte dos diversos desafios identificados por ele para a preserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia ainda n\u00e3o tenham sido superados, sua contribui\u00e7\u00e3o para o entendimento e a valoriza\u00e7\u00e3o do bioma foi essencial. Para Jacques Marcovitch, o legado \u00e9 tamb\u00e9m uma li\u00e7\u00e3o. \u201cA hist\u00f3ria do Brasil conquistou um intelectual que n\u00e3o via o universo ao seu redor apenas como objeto de an\u00e1lise, mas igualmente como cen\u00e1rio de injusti\u00e7as por ele diagnosticadas e denunciadas\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-aziz-absaber-defendeu-a-ideia-de-uma-geografia-que-levasse-em-conta-as-necessidades-sociais-em-sua-formulacaofoto-icarabe-reproducao\"><strong>Capa. Aziz Ab\u2019S\u00e1ber <\/strong><strong>defendeu a ideia de uma Geografia que levasse em conta as necessidades sociais em sua formula\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong>(Foto. ICArabe. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"http-dx-doi-org-10-5935-2317-6660-20240021\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20240021\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20240021<\/a><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pesquisador defendia vis\u00e3o social, pol\u00edtica e ecol\u00f3gica na prote\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o das&hellip;\n","protected":false},"author":124,"featured_media":5917,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5915"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/124"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5915"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5915\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7106,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5915\/revisions\/7106"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5917"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}