{"id":5925,"date":"2024-04-29T07:40:27","date_gmt":"2024-04-29T07:40:27","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5925"},"modified":"2024-09-18T12:59:07","modified_gmt":"2024-09-18T12:59:07","slug":"aziz-nacib-absaber-um-professor-inesquecivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5925","title":{"rendered":"Aziz Ab\u2019S\u00e1ber: Um professor inesquec\u00edvel"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"depoimento-de-uma-ex-aluna-das-decadas-de-1960-1970\"><span style=\"color: #808080;\">Depoimento de uma ex-aluna das d\u00e9cadas de 1960-1970 <\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 200px; text-align: right;\"><em>Ab\u2019S\u00e1ber \u201cfoi e \u00e9 respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o graduada e p\u00f3s-graduada de centenas de estudantes, a quem dedicou especial aten\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 200px; text-align: right;\">(Aldo Paviani, 2012)<sup>[1]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este ano marca o centen\u00e1rio de nascimento do Professor Azi Nacib Ab\u2019S\u00e1ber e doze anos que nos deixou. Como legado, deixou numerosos estudos que se tornaram fundamentais para o conhecimento da natureza no Brasil, bem como a lembran\u00e7a de suas aulas de Geomorfologia na gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geografia no Departamento de Geografia (DG) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Publica\u00e7\u00f5es sobre suas atividades, contribui\u00e7\u00e3o e import\u00e2ncia cient\u00edfica j\u00e1 foram objeto de v\u00e1rios eventos e de obras de refer\u00eancia em sua homenagem. Posso destacar a de Lombardo (2007),<sup>[2]<\/sup> como n\u00famero especial da <a href=\"https:\/\/www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br\/index.php\/espacoacao\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Revista Espa\u00e7o@A\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/a> da Universidade Estadual Paulista (Unesp); a de Modenesi-Gauttieri <em>et al<\/em>. (2010),<sup>[3]<\/sup> intitulada <em>\u201cA obra de Aziz Nacib Ab\u2019S\u00e1ber\u201d<\/em>, que re\u00fane todas as suas publica\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de fotos e entrevista; e a de Silva, Ramos e Cordeiro (2013),<sup>[4]<\/sup> intitulada <em>\u201cCaminhos de Ab\u2019S\u00e1ber. Caminhos do Brasil\u201d<\/em>, um semin\u00e1rio em sua homenagem. Lombardo (2007)<sup>[2]<\/sup> o denominou de \u201cum ge\u00f3grafo, \u00e0 frente de seu tempo\u201d e Mauro (2012)<sup>[5]<\/sup> considera sua contribui\u00e7\u00e3o ainda como atual.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, optei aqui por fazer um breve depoimento como sua ex-aluna sobretudo dos anos 70 do s\u00e9culo passado, dividido em sete cenas, aqui ditas partes, que ocorreram no DG\/FFLCH\/USP. Elas iniciam pela prova do vestibular para ingresso na gradua\u00e7\u00e3o de Geografia nesse Departamento, em 1968, e depois seguem como aluna das disciplinas de Geomorfologia da gradua\u00e7\u00e3o em Geografia de 1968 a 1971 e de Mestrado em Geografia F\u00edsica na d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"sua-luta-e-de-outros-engajados-nessa-causa-fizeram-com-que-na-constituicao-federal-de-1988-a-amazonia-fosse-legalmente-protegida-junto-a-outros-biomas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cSua luta e de outros engajados nessa causa fizeram com que na constitui\u00e7\u00e3o federal de 1988 a Amaz\u00f4nia fosse legalmente protegida, junto a outros biomas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e3o cenas que o tornaram, para mim, um professor inesquec\u00edvel, que contribuiu com os alunos que por ele passaram, com seus conhecimentos para al\u00e9m da Geomorfologia e das quest\u00f5es ambientais e seus exemplos ao fazer isso Hoje, cerca de cinco d\u00e9cadas depois, posso avaliar mais claramente o que aprendi naquela \u00e9poca e que aqui comento em cada uma das partes, \u00e0 luz da experi\u00eancia e consci\u00eancia profissional que vivi. Passo a seguir ao depoimento dividido em exame vestibular, Gradua\u00e7\u00e3o, P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e termino com os coment\u00e1rios sobre o que \u00e9 ser Ge\u00f3grafo, parafraseando o t\u00edtulo de um dos seus livros.<sup>[6]<\/sup><\/p>\n<p>No dizer de Paviani Ab\u2019S\u00e1ber \u201cfoi e \u00e9 respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o graduada e p\u00f3s-graduada de centenas de estudantes, a quem dedicou especial aten\u00e7\u00e3o.\u201d (Aldo Paviani, 2012)<sup>[1]<\/sup>. Eu sou prova disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"parte-1\"><strong>Parte 1<\/strong><\/h4>\n<p>In\u00edcio de 1968. Sala 7 do Departamento de Geografia da USP em S\u00e3o Paulo, lotada, onde ocorria a prova escrita do vestibular para ingresso no curso de gradua\u00e7\u00e3o em Geografia do DG\/FFLCH\/USP. N\u00e3o havia FUVEST. O vestibular era feito no pr\u00f3prio DG. Aziz Nacib Ab\u2019S\u00e1ber (que eu n\u00e3o conhecia, nem sabia de sua import\u00e2ncia), presidia os trabalhos e informava as instru\u00e7\u00f5es sobre a prova. Eu realizava essa prova. De certo modo meio intimidada, assim como v\u00e1rios colegas presentes, pela situa\u00e7\u00e3o estressante de prestar vestibular, mas tamb\u00e9m por aquele homem imponente, alto, nariz erguido, cabelos escuros penteados meio em desalinho, olhando a todos e ningu\u00e9m em particular e, vez por outra, ao teto alto e ao jardim externo visto das grandes janelas, enquanto falava. Seus passos de um lado ao outro da sala seguiam uma linha imagin\u00e1ria (para n\u00f3s), \u00e0 medida que ia falando as instru\u00e7\u00f5es. Vestia um terno cinza, com palet\u00f3 desabotoado e camisa branca, sem mangas e sem gravata. Ao encerrar as instru\u00e7\u00f5es, giz na m\u00e3o, vai \u00e0 lousa e escreve \u201cAmaz\u00f4nia\u201d. Era para escrevermos sobre esse tema. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-aziz-absaber-em-aula-na-uspfonte-njr-eca-usp-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5926\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Um-professor-inesqueci\u0301vel-figura1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Um-professor-inesqueci\u0301vel-figura1-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Um-professor-inesqueci\u0301vel-figura1-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Um-professor-inesqueci\u0301vel-figura1-768x511.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Um-professor-inesqueci\u0301vel-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Um-professor-inesqueci\u0301vel-figura1-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Um-professor-inesqueci\u0301vel-figura1.jpg 1110w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Aziz Ab\u2019S\u00e1ber em aula na USP<br \/>\n<\/strong>(Fonte: NJR\/ECA\/USP. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje entendi que, nesse final da d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo passado, ele j\u00e1 se preocupava com essa regi\u00e3o, ou bioma, ou ecossistema, ou territ\u00f3rio, nome a depender do escopo do trabalho. E com o qual ele continuou se preocupando praticamente por toda a sua vida.<sup>[7, 8]<\/sup> At\u00e9 ganhou pr\u00eamio Jabuti com o livro \u201c<em>Amaz\u00f4nia: do discurso a pr\u00e1xis\u201d<\/em>.<sup>[9]<\/sup><\/p>\n<p>Em v\u00e1rios artigos e nas aulas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o que se seguiram at\u00e9 a d\u00e9cada de 1990, ele exp\u00f4s seu significado para o Brasil e o mundo, muito enfaticamente e afirmando que a degrada\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia traria consequ\u00eancias que iriam al\u00e9m da perda de biodiversidade. Ele j\u00e1 defendia a ideia de que a explora\u00e7\u00e3o de seus recursos naturais era uma quest\u00e3o de Estado. J\u00e1 sabia disso naquela \u00e9poca. Sua luta e de outros engajados nessa causa, fizeram com que na constitui\u00e7\u00e3o federal de 1988 a Amaz\u00f4nia fosse legalmente protegida, como patrim\u00f4nio nacional do Pa\u00eds. junto a outros biomas, exceto o Cerrado. Assim, sua utiliza\u00e7\u00e3o s\u00f3 poderia ser feita na forma da lei, de modo a assegurar sua preserva\u00e7\u00e3o, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. O que n\u00e3o quer dizer que isso tenha acontecido desde ent\u00e3o na realidade, ao contr\u00e1rio, somos bombardeados, quase que diariamente, com not\u00edcias de expans\u00e3o do desmatamento.<\/p>\n<p>Ao colocar o tema Amaz\u00f4nia na prova escrita do vestibular em 1968, e sem falar no termo sustentabilidade, que surgiu e se propagou poucos anos mais tarde, ele revelava uma vontade de que volt\u00e1ssemos nosso olhar para a import\u00e2ncia desse t\u00e3o not\u00e1vel bioma e nos prepar\u00e1ssemos para defend\u00ea-lo. Aprendi, naquele momento, o que era um professor-cidad\u00e3o e um ge\u00f3grafo engajado na luta ambiental em defesa do territ\u00f3rio brasileiro. Ele estava \u00e0 frente de seu tempo, como disse Lombardo.<sup>[2]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"parte-2\"><strong>Parte 2<\/strong><\/h4>\n<p>Primeiro semestre de 1969, Ab\u2019S\u00e1ber ministrava a disciplina de Geomorfologia no referido Departamento, aos alunos de gradua\u00e7\u00e3o em Geografia, dos quais eu j\u00e1 fazia parte. Ele caminha de um lado ao outro da sala de aula, explicando o relevo da Am\u00e9rica do Sul. Parecia um grande ator fazendo um mon\u00f3logo para uma plateia atenta e ansiosa por absorver suas ideias. Usava termos geol\u00f3gicos e geomorfol\u00f3gicos com os quais mal come\u00e7\u00e1vamos a nos habituar, contudo, o impressionante \u00e9 que consegu\u00edamos \u201cver\u201d as paisagens sobre as quais ele discorria. S\u00f3 a voz, o gesticular modesto, mas suficientemente forte, o giz reluzindo entre seus dedos e a lousa, que esperava, quieta, por exercer sua fun\u00e7\u00e3o de colaboradora cognitiva. Ela era e ainda \u00e9 bem grande, presa \u00e0 parede frontal da sala, da janela \u00e0 porta. Teria uns seis metros? Nunca medi. Para ele era sob medida. Ele antevia, sem erros, o que desenharia, pois o desenho e seu significado j\u00e1 existiam, plenos, em sua mente.<\/p>\n<p>De s\u00fabito, o desenho de um enorme perfil topogr\u00e1fico latitudinal do litoral banhado pelo oceano Pac\u00edfico at\u00e9 o litoral banhado pelo oceano Atl\u00e2ntico brota de seus dedos na lousa enquanto segura vigorosamente o giz que, vez por outra, entre um risco e outro, ele erguia como a batuta de um maestro. N\u00e3o bastando, ele vai escrevendo sobre o perfil os nomes de suas paisagens, configuradas em grandes compartimentos com suas formas de relevo pr\u00f3prias, como assinaturas geol\u00f3gico-geomorfol\u00f3gicas, sustentadas pelos substratos silenciosos de diferentes idades. N\u00e3o se falava ainda em Megageomorfologia, mas era isso. \u00c0 medida que ia desenhando ia contando a hist\u00f3ria geol\u00f3gico-geomorfol\u00f3gica de cada um, explicava os componentes que denunciavam os fatores respons\u00e1veis pela sua configura\u00e7\u00e3o. Um filme n\u00e3o o faria melhor. Nada al\u00e9m do que um professor, uma lousa, um giz e uma mente vivaz e competente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"absaber-revelava-uma-consciencia-politica-e-uma-postura-de-resistencia-o-que-de-modo-tao-coerente-nos-ensinava-algo-mais-que-geomorfologia-com-sua-atitude\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAb\u2019S\u00e1ber revelava uma consci\u00eancia pol\u00edtica e uma postura de resist\u00eancia o que, de modo t\u00e3o coerente, nos ensinava algo mais que Geomorfologia com sua atitude.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sem ousar perguntar, dado que hipnotizados e boquiabertos, ouv\u00edamos e anot\u00e1vamos tudo, inclusive o desenho que, obviamente, n\u00e3o ficava nem parecido. Mas que, em nossa mem\u00f3ria, restava impec\u00e1vel. Nunca esqueci essa aula. Se eu fechar os olhos ainda vejo o enorme perfil. Era a primeira vez que via algo desse tipo e t\u00e3o completo da Am\u00e9rica do Sul e come\u00e7ava a entender. Utilizado como recurso did\u00e1tico. Por\u00e9m, conv\u00e9m dizer e hoje sei, que era muito mais do que um perfil, seu tom exalava a paix\u00e3o pelo que fazia e ensinava, exemplo muito eficiente para nossa forma\u00e7\u00e3o. Palavras e uma figura de s\u00edntese, descortinavam essa pr\u00e1tica aos futuros ge\u00f3grafos. Me apaixonei pela Geomorfologia, e n\u00e3o fui a \u00fanica. A influ\u00eancia de um professor pode motivar novos ge\u00f3grafos e professores de Geografia a usarem os mesmos recursos. Sobretudo em escolas, em geral, perif\u00e9ricas aos grandes centros urbanos, onde giz e lousa s\u00e3o tudo que se tem.<\/p>\n<p>Por outro lado, hoje acompanho a an\u00e1lise de Mello e Oliveria (2021),<sup>[10]<\/sup> quando lembram que Ab\u2019S\u00e1ber se preocupava com o fato de o ensino dos conte\u00fados geogr\u00e1ficos daquela \u00e9poca n\u00e3o refletirem o que era a ci\u00eancia geogr\u00e1fica produzida na Universidade. Isso, para ele, estava distante da realidade dos alunos e, por vezes, distante do dom\u00ednio dos pr\u00f3prios professores, principalmente na escola fundamental e m\u00e9dia. Por essa raz\u00e3o ele apontava a necessidade de forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica dos docentes, tendo como maior parte os trabalhos de campo. Essas ideias influenciaram bastante a dita \u201cnova escola\u201d com a qual ele contribuiu bastante sobre como ensinar Geografia nessas escolas. Ainda concordando com Mello e Oliveria (2021),<sup>[10]<\/sup> quando afirmam que do ponto de vista did\u00e1tico interpretam que a proposta de Aziz se aproxima do que hoje chamamos de Pedagogia \u201cfreireana\u201d (sic). Isso mesmo, do patrono da Educa\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Aprendi mais do que Geomorfologia nessa aula, que \u00e9 preciso \u201cver\u201d as paisagens para entend\u00ea-las para poder ensin\u00e1-las como elas merecem. Aprendi tamb\u00e9m uma forma de dar aula e de adapt\u00e1-la ao perfil dos alunos e \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da escola, bem como da import\u00e2ncia do campo. E s\u00f3 estava no segundo ano da gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"parte-3\"><strong>Parte 3<\/strong><\/h4>\n<p>\u00c0 porta dos anos 1970. Muito interessada em Geomorfologia, chega em minhas m\u00e3os um texto de Ab\u2019S\u00e1ber de 1969, da s\u00e9rie (ou cole\u00e7\u00e3o) Geomorfologia, n. 18, editado pelo extinto Instituto de Geografia da USP (IGEOG-USP), criado em 1963 e extinto em agosto de 1986, quando foi incorporado ao DG, o qual ele presidiu. Ele intensificou a publica\u00e7\u00e3o da cole\u00e7\u00e3o Geomorfologia, entre as v\u00e1rias outras cole\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas publicadas, e nesse texto, prop\u00f5e uma metodologia de an\u00e1lise em tr\u00eas n\u00edveis que representam tr\u00eas abordagens sucessivas de um mesmo objeto geomorfol\u00f3gico. Ao ler o texto parece o Professor falando. Pode-se \u201cv\u00ea-lo\u201d em cada linha. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-aziz-absaber-tinha-especial-dedicacao-a-educacaofoto-francisco-emolo-espaco-aberto-usp-reproducao\" style=\"text-align: center;\">\u00a0<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5928\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Um-professor-inesqueci\u0301vel-figura2-233x300.jpg\" alt=\"\" width=\"388\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Um-professor-inesqueci\u0301vel-figura2-233x300.jpg 233w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Um-professor-inesqueci\u0301vel-figura2-9x12.jpg 9w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/CC-1S24-opinia\u0303o-Um-professor-inesqueci\u0301vel-figura2.jpg 693w\" sizes=\"(max-width: 388px) 100vw, 388px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Aziz Ab\u2019S\u00e1ber tinha especial dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong>(Foto: Francisco Emolo\/ Espa\u00e7o Aberto\/ USP. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, para apreender melhor as ideia do Professor Ab\u2019S\u00e1ber, Mauro (2012),<sup>[5]<\/sup> com quem concordo plenamente, afirmou: \u201cN\u00e3o h\u00e1 como trabalhar com a Geomorfologia brasileira, tanto no magist\u00e9rio quanto na pesquisa, sem efetuar leituras da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de Ab\u2019S\u00e1ber\u201d. Tal produ\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m foi bem discutida, te\u00f3rica e metodologicamente, por Vitte (2010),<sup>[11]<\/sup> ao dividir os momentos sucessivos da Geomorfologia brasileira, e apontar sua ruptura epistemol\u00f3gica na d\u00e9cada de 1950, da qual Ab\u2019S\u00e1ber participava ativamente, sendo um dos seus not\u00e1veis representantes.<\/p>\n<p>Essa ruptura decorria do fato da comunidade brasileira de geomorf\u00f3logos, e dele em particular, tomarem contato com a Teoria da Pediplana\u00e7\u00e3o de Lester King proposta em 1956, a qual rompe te\u00f3rica e metodologicamente com o conhecido Ciclo geogr\u00e1fico de evolu\u00e7\u00e3o do relevo de Willian Morris Davis de 1899, o \u2018ciclo davisiano\u2019. Concordando com Vitte (2010),<sup>[11]<\/sup> essa ruptura se caracteriza pelo fato de a an\u00e1lise geomorfol\u00f3gica abandonar o paradigma at\u00e9 ent\u00e3o sacralizado universalmente de evolu\u00e7\u00e3o do relevo e de enquadrar um dado relevo como produto de uma determinada fase do ciclo davisiano. \u00c9 quando a Geomorfologia muda de paradigma e passa a tentar reconhecer as grandes superf\u00edcies de aplainamento e respectivas idades, sob condi\u00e7\u00f5es paleoclim\u00e1ticas e consequ\u00eancias, que se sucederam. Assim, a hist\u00f3ria do relevo mudou. E Ab\u2019S\u00e1ber defendia essa mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Some-se que nessa mesma oportunidade a Geomorfologia carecia de uma sistematiza\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica. Ent\u00e3o, Ab\u2019S\u00e1ber (1969)<sup>[12]<\/sup> naquele referido texto e em suas aulas, prop\u00f4s que a an\u00e1lise geomorfol\u00f3gica seja feita em tr\u00eas n\u00edveis de tratamento, por ele considerados metodologicamente fundamentais: 1) a compartimenta\u00e7\u00e3o topogr\u00e1fica; 2) a estrutura superficial da paisagem; e 3) a fisiologia da paisagem. Trata-se de entender que a topografia permite visualizar o modelado do relevo de uma dada \u00e1rea, que \u00e9 sustentado por uma estrutura superficial que cont\u00e9m solos, col\u00favios, linhas de pedras e cascalheiras, e que apresenta uma din\u00e2mica definida e pr\u00f3pria, que ele chama de fisiologia da paisagem e evolui no tempo. Pude aprender que cortes topogr\u00e1ficos (N\u00edvel 1) apenas fazem sentido se lhe for adicionado seu suporte (estrutura) (N\u00edvel 2) e sua din\u00e2mica (fisiologia) (N\u00edvel 3), ao longo do tempo, sobretudo Quatern\u00e1rio. Entendi que para entender a paisagem era imprescind\u00edvel integrar esses 3 n\u00edveis de abordagem. At\u00e9 hoje essa proposta continua bem aceita e \u00e9 bastante utilizada. Em outras palavras, Ab\u2019S\u00e1ber\u201d continua geomorfologicamente atual.<sup>[2]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"visao-integrada-e-multiescalar-e-chave-para-compreender-a-paisagem-era-preciso-ir-alem-de-olhar-era-preciso-ver-e-ler-a-paisagem\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cVis\u00e3o integrada e multiescalar \u00e9 chave para compreender a paisagem. Era preciso ir al\u00e9m de olhar, era preciso \u2018ver\u2019 e \u2018ler\u2019 a paisagem.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Compreende-se que as unidades t\u00eamporo-espaciais correspondem a compartimentos de fisionomia homog\u00eanea e intr\u00ednsecos do meio f\u00edsico, compondo \u00e1reas reconhec\u00edveis na superf\u00edcie terrestre, que podem ser entendidas como paisagens, vis\u00edveis em m\u00e9dias e grandes escalas cartogr\u00e1ficas. E mais, que a an\u00e1lise integrada nesses tr\u00eas n\u00edveis permite a obten\u00e7\u00e3o de indicadores comportamentais\/funcionais mais seguros, como subs\u00eddios para a elabora\u00e7\u00e3o de planos de controle preventivo de impactos negativos de uso e ocupa\u00e7\u00e3o das terras, visando manuten\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio ambiental. Hoje o sabemos como equil\u00edbrio socioambiental.<\/p>\n<p>Por essas ideias, pode-se deduzir que, para Ab\u2019S\u00e1ber, a paisagem vai al\u00e9m do que se v\u00ea, e que para entend\u00ea-la \u00e9 preciso \u2018ver\u2019 tamb\u00e9m o que ela cont\u00e9m e como funciona. Conv\u00e9m lembrar, que desde aquela \u00e9poca, os conceitos de paisagem evolu\u00edram muito em Geografia, mas tamb\u00e9m em outras ci\u00eancias. E enfatizar que o que se v\u00ea e se destaca ao v\u00ea-la \u00e9 o relevo&#8230; um importante descritor em m\u00e9dias e grandes escalas. \u2018Ler a paisagem\u2019, como ele disse em uma entrevista, era entend\u00ea-la dessa forma. Ele estava de fato \u00e0 frente de seu tempo ao considerar o que atualmente se fala em an\u00e1lise 3D (tr\u00eas dimens\u00f5es espaciais) e 4D (a dimens\u00e3o temporal) e se representa em blocos 3D com base em modelos digitais de eleva\u00e7\u00e3o e em perfis topogr\u00e1ficos (2D) nos estudos geoambientais para delimitar e entender as paisagens. Ali\u00e1s, nem o termo geoambiental era dito por ele. Mas a li\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica daquele momento ficou registrada! E pode perfeitamente ser aplicada. Como o \u00e9.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"parte-4\"><strong>Parte 4<\/strong><\/h4>\n<p>In\u00edcio dos anos de 1970. Novamente em sala de aula, coincidentemente a mesma do exame vestibular (desta vez j\u00e1 no 1\u00ba ano da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o), Ab\u2019S\u00e1ber prescrevia uma prova aos p\u00f3s-graduandos de Geografia F\u00edsica sobre Geomorfologia. Porta fechada. Bate \u00e0 porta um homem vestido \u00e0 paisana acompanhado de soldados da Pol\u00edcia Militar. Ab\u2019S\u00e1ber atende. O homem fala, em tom amea\u00e7ador, que desejam entrar para buscar um aluno (colega nosso e que fazia a prova). Ab\u2019S\u00e1ber diz, em bom-tom e calmo, algo mais ou menos assim: como professor sou soberano em sala de aula, meus alunos est\u00e3o fazendo prova e eu n\u00e3o vou interromp\u00ea-los; quando eles acabarem o senhor poder\u00e1 entrar. Em seguida fechou a porta, postando-se contra o vidro da porta, de modo que o tal homem n\u00e3o visse nem ouvisse o que acontecia dentro da sala e voltou-se para os alunos dizendo: ao acabarem a prova saiam da sala e lentamente dirijam-se \u00e0 rampa do pr\u00e9io e sigam at\u00e9 a sa\u00edda. N\u00e3o parem e n\u00e3o formem grupos, nem falem de pol\u00edtica. A partir de l\u00e1 corram at\u00e9 o \u00f4nibus e saiam r\u00e1pido da Cidade Universit\u00e1ria (Campus da USP-S\u00e3o Paulo). O colega procurado pulou a janela enorme da lateral da sala e evadiu-se do local. Daquela vez deu certo. Depois n\u00e3o mais. Como sabemos e lamentamos.<\/p>\n<p>Que cena do\u00edda. Mais tarde realizei o quanto, pois na \u00e9poca s\u00f3 sobrevinham o espanto e o medo. Hoje sei que o contexto era maior que a prova. Aprendi que o professor n\u00e3o pode estar alheio ao que est\u00e1 acontecendo e deve tomar uma posi\u00e7\u00e3o clara. E assumir essa posi\u00e7\u00e3o com suas atitudes. Aziz assim o fez. A ditadura continuou um bom tempo e a repress\u00e3o piorou bastante. Mas, Ab\u2019S\u00e1ber foi um exemplo de coragem e de coer\u00eancia, desta vez como professor-cidad\u00e3o. Posi\u00e7\u00e3o que ele guardou a vida toda, tanto assim que mais tarde integrou partido pol\u00edtico e defendeu pol\u00edticos e institui\u00e7\u00f5es que eram contra a ditadura.<\/p>\n<p><span style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, 'Helvetica Neue', Arial, 'Noto Sans', sans-serif, 'Apple Color Emoji', 'Segoe UI Emoji', 'Segoe UI Symbol', 'Noto Color Emoji';\">Ab\u2019S\u00e1ber revelava uma consci\u00eancia pol\u00edtica e uma postura de resist\u00eancia, o que, de modo t\u00e3o coerente, assim nos ensinava algo mais que Geomorfologia com sua atitude. Que o professor \u00e9 soberano em sala de aula, sim, mas num sentido muito maior. Era o professor engajado na pol\u00edtica que deixava claro para n\u00f3s e para os militares e indiv\u00edduos \u00e0 paisana, quem mandava na sala de aula. No per\u00edodo que se seguiu aprendi muito sobre tudo isso. Hoje sei de soberania de um professor num sentido muito, mas muito maior. Mas come\u00e7ou com esse epis\u00f3dio.<\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"parte-5\"><strong>Parte 5<\/strong><\/h4>\n<p>Segundo semestre de 1972, se me lembro bem. Estava no 2\u00ba ano do Mestrado. Ab\u2019S\u00e1ber comanda uma excurs\u00e3o para o Vale do Para\u00edba com os alunos da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geografia F\u00edsica daquele mesmo DG. Eu escolhera trabalhar com Pedologia e Geomorfologia no mestrado, junto ao Programa de Geografia F\u00edsica do Departamento de Geografia da USP. Em outras palavras, trabalhava com a estrutura superficial da paisagem. Por qu\u00ea? Porque me permitia identificar a g\u00eanese dos solos e suas rela\u00e7\u00f5es com os demais componentes da paisagem, em especial com o relevo, e claramente inspirada pelos 3 n\u00edveis da an\u00e1lise geomorfol\u00f3gica, que come\u00e7ou com aquela publica\u00e7\u00e3o Geomorfologia n.18 de Ab\u2019S\u00e1ber (1969).<sup>[12]<\/sup> Hoje tenho claro esse pensamento. Mas, na \u00e9poca n\u00e3o tinha. As escolhas iam acontecendo naturalmente, influenciadas pelo ambiente que viv\u00edamos e professores que nos guiavam. Eram paix\u00f5es inocentes. Que felizmente foram amadurecendo.<\/p>\n<p>No micro \u00f4nibus azul e branco que nos levava ao campo e que n\u00f3s, alunos, cham\u00e1vamos carinhosamente de De Martonne, um geomorf\u00f3logo ilustre, segu\u00edamos viagem. No caminho v\u00e1rias paradas, Planalto Atl\u00e2ntico e o seu substrato cristalino sustentando seu relevo serrano, Vale do Para\u00edba rebaixado em rela\u00e7\u00e3o ao Planalto Atl\u00e2ntico, mostrando um relevo colinoso muito suave e assentado sobre um substrato sedimentar, e, por fim Santa Isabel, um munic\u00edpio com suas cascalheiras e depress\u00f5es, por vezes formando lagos, revelando percursos fluviais, terra\u00e7os, subsid\u00eancias. Em cada uma explica\u00e7\u00f5es de como se formou aquela paisagem geomorfol\u00f3gica. Cada parada uma aula. E mais, como as popula\u00e7\u00f5es foram ocupando aqueles espa\u00e7os que fazem liga\u00e7\u00e3o entre S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Agora o Professor se misturava a n\u00f3s. Cadernetas de campo e m\u00e1quinas fotogr\u00e1ficas em punho (n\u00e3o existiam celulares), material obrigat\u00f3rio, \u00edamos registrando tudo. Para minha surpresa, Ab\u2019S\u00e1ber era como n\u00f3s e cozinhava pros alunos, contava hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Nas palavras de Monteiro (2013):<sup>[13]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 200px;\"><em>\u201c&#8230;aquelas prodigiosas m\u00e3os que desenhavam no quadro negro, que figuravam mapas e blocos-diagramas da maior clareza did\u00e1tica\u2026 aquelas mesmas grandes m\u00e3os que cozinhavam para os estudantes durante excurs\u00f5es did\u00e1ticas; aquelas mesmas que cozinhavam as sopas para os pobres&#8230;\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 200px;\"><em>(Monteiro 2013)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Assim, prossegu\u00edamos aprendendo sobre as paisagens, sua ocupa\u00e7\u00e3o e as consequ\u00eancias. Campo \u00e9 outra coisa. Cada parada era uma aula em si e por si. Sua abordagem j\u00e1 era multiescalar, multidisciplinar e multicrit\u00e9rio, como se diz hoje, e por aproxima\u00e7\u00f5es escalares sucessivas e integradas, da escala regional \u00e0 local, da topogr\u00e1fica \u00e0 fisiol\u00f3gica, passando pela estrutural, caracterizavam e diferenciavam o que era heran\u00e7a paleoclim\u00e1tica do que era clim\u00e1tico, da cobertura vegetal e dos solos que a sustentavam, como sintomas do clima, e, finalmente, dos usos, abusos e desusos que j\u00e1 se fazia daquelas paisagens. Tudo integrado. Essas abordagens eram sua marca registrada.<\/p>\n<p>Aprendi, assim, o que era vis\u00e3o integrada, ou porque n\u00e3o dizer, geogr\u00e1fica. E que essa vis\u00e3o integrada e multiescalar \u00e9 chave para compreender a paisagem. Era preciso ir al\u00e9m de olhar, era preciso \u201cver\u201d e \u201cler\u201d a paisagem, como ele disse em uma de suas entrevistas, com todos os seus componentes articulados entre si, configurando-a. Que ensinamento. E ainda nem se falava os termos an\u00e1lise multiescalar e multicrit\u00e9rio. Mas ele j\u00e1 praticava isso, embora com outros nomes. Entretanto o princ\u00edpio ficou.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"parte-6\"><strong>Parte 6<\/strong><\/h4>\n<p>Ainda meados de 1972. N\u00e3o havia xerox, nem todos conseguiam acessar as publica\u00e7\u00f5es na biblioteca. O centro acad\u00eamico datilografava muitos textos e os reproduzia em mime\u00f3grafo a \u00e1lcool para disponibiliz\u00e1-los aos alunos. Nessa \u00e9poca Aziz presidia o Instituto de Geografia da USP (IGEOG-USP). E nele editava a publica\u00e7\u00e3o de textos simples, como j\u00e1 exposto, em preto e branco e impressas em <em>off set<\/em>. A pol\u00edtica editorial por ele conduzida era multitem\u00e1tica, consubstanciada em s\u00e9ries (colet\u00e2neas), cujos t\u00edtulos reproduziam as disciplinas do curso de gradua\u00e7\u00e3o em Geografia. Inclu\u00edam tamb\u00e9m de estudos de caso, de vis\u00f5es te\u00f3ricas, de propostas metodol\u00f3gicas, de teses e disserta\u00e7\u00f5es. Assim, havia as s\u00e9ries de Geomorfologia, Climatologia, Geomorfologia e Pedologia, Biogeografia, e tamb\u00e9m Geografia Urbana, Geografia Agr\u00e1ria e outras tantas, a pre\u00e7os muito acess\u00edveis. Formaram cole\u00e7\u00f5es memor\u00e1veis que muito auxiliavam os alunos e, porque n\u00e3o dizer, os docentes tamb\u00e9m. Paralelamente, Aziz tamb\u00e9m intensificou na pr\u00e1tica uma das atribui\u00e7\u00f5es do IGEOG: distribuir bolsas de estudo. Os valores eram inferiores aos da FAPESP, CNPq, CAPES. Mas ajudavam muito. As normas do IGEOG e os princ\u00edpios dele ajudavam a formar novos profissionais de Geografia. Novamente, a preocupa\u00e7\u00e3o do Professor Aziz com a divulga\u00e7\u00e3o cientifica, com a pesquisa e o ensino.<\/p>\n<p>Aprendi que a gest\u00e3o de uma institui\u00e7\u00e3o de pesquisa, como era o IGEOG, deve ter pol\u00edticas inclusivas, embro n\u00e3o se usasse esse termo \u00e0 \u00e9poca. E que tais pol\u00edticas devem favorecer o acesso aos materiais e equipamentos que auxiliem os alunos e os docentes em seus estudos e ensino, e sejam de qualidade. O IGEOG tinha esses princ\u00edpios em seu estatuto\/regulamento. Publica\u00e7\u00f5es, bolsas, atendimento de acad\u00eamicos, apoio ao ensino fundamental (professores e alunos).<\/p>\n<p>Segundo palavras felizes e oportunas de Mauro (2012):<sup>[5]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 200px;\"><em>\u201cO pesquisador, enquanto cidad\u00e3o, identifica-se e transpassa, em muito, os limites de seu objeto de pesquisa, se relaciona com ele, com a racionalidade da ci\u00eancia, mas sempre com a dedica\u00e7\u00e3o de quem tem emo\u00e7\u00f5es e ama\u201d (p.8). <\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"parte-7\"><strong>Parte 7<\/strong><\/h4>\n<p>Modo indireto de estar com Ab\u2019S\u00e1ber foi atrav\u00e9s tamb\u00e9m de seu livro: <em>\u201cO que \u00e9 ser ge\u00f3grafo\u201d<\/em><sup>[7]<\/sup> que resulta das entrevistas concedidas \u00e0 jornalista Cynara Menezes, com mais de 20 horas de grava\u00e7\u00e3o, como lembra Kzam (2022).<sup>[14]<\/sup> Segundo este autor, esse livro [&#8230;] \u201crepresenta uma esp\u00e9cie de autobiografia pessoal e profissional, pois revela as proezas e adversidades de seu comportamento \u00edntegro e sens\u00edvel \u00e0s diversas inquieta\u00e7\u00f5es da controvertida organiza\u00e7\u00e3o espacial brasileira[&#8230;]. Professor Em\u00e9rito da FFLCH-USP, agraciado com o t\u00edtulo de Presidente de Honra da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia), tornou-se um dos cientistas mais respeitados dentro e fora dos c\u00edrculos acad\u00eamicos do pa\u00eds, o que pouco intelectuais conseguiram\u201d. Eu acrescentaria que muito merecido.<\/p>\n<p>Resumindo ainda Kzam (2022),<sup>[14]<\/sup> o livro est\u00e1 dividido em duas partes. A primeira, intitulada \u201cProfiss\u00e3o: ge\u00f3grafo\u201d, \u00e9 a maior das duas, e cont\u00e9m 32 cap\u00edtulos. Nela, destaca-se a import\u00e2ncia do trabalho de campo e da abordagem interdisciplinar para a compreens\u00e3o da realidade social e natural. Nesse sentido, entre outros, Ab\u2019 S\u00e1ber destaca o papel de Pierre Monbeig (1908-1987), que foi quem organizou a primeira aula de campo da qual ele, Ab\u2019S\u00e1ber, participou e que, segundo ele, teria mudado sua vida para sempre, pois como ele disse: \u201csenti que podia <em>ler<\/em> a paisagem\u201d (it\u00e1lico nosso). A segunda parte, denominada de \u201cUma \u00c9tica para a Vida\u201d, cont\u00e9m 7 cap\u00edtulos que ressaltam, entre outros aspectos, a necessidade de desenvolvimento da \u00e9tica nos estudos geogr\u00e1ficos, como, por exemplo, dentre outros, o cuidado com os grupos sociais mais vulner\u00e1veis, pois, nas palavras dele, os mais carentes representam \u201cmultid\u00f5es que est\u00e3o abaixo da linha da pobreza\u201d. Esse era Aziz Ab\u2019S\u00e1ber.<\/p>\n<p>Vale chamar a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que, sem d\u00favida alguma, a Geografia, principalmente na USP, respondeu bastante bem a essa recomenda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"consideracoes-finais\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h4>\n<p>O Professor Aziz Nacib Ab\u2019S\u00e1ber ensinou muito mais que Geomorfologia, com certeza. Ensinou did\u00e1tica, \u00e9tica, coer\u00eancia, coragem, cidadania, paix\u00e3o pelo que se dedicou, vincula\u00e7\u00e3o entre natureza e sociedade, metodologia de pesquisa em Geomorfologia, em Geografia F\u00edsica e at\u00e9 de ensino da Geografia no n\u00edvel secund\u00e1rio (hoje n\u00edvel fundamental e m\u00e9dio) com muito campo.<\/p>\n<p>Nesse imenso Brasil, que ele conhecia t\u00e3o bem, suas ideias e seu modo de ensinar, sua pr\u00e1tica usual, com muitos perfis, blocos diagrama, e uma orat\u00f3ria impec\u00e1vel, eram um exemplo de pr\u00e1tica acad\u00eamica, que inegavelmente inspiraram toda uma gera\u00e7\u00e3o. E mais, aprendi que o que ele estava divulgando em aulas, publica\u00e7\u00f5es, orienta\u00e7\u00f5es e eventos, demonstravam o v\u00ednculo inquestion\u00e1vel entre pesquisa e ensino, fato novo e muito estimulante para quem estava acostumado a livros did\u00e1ticos que os professores utilizavam em suas aulas, no antigo gin\u00e1sio e colegial (hoje n\u00edvel fundamental e m\u00e9dio, respectivamente), que perfilhavam e ainda o fazem em muitos casos, uma did\u00e1tica tradicional.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, finalmente entendi que, para ele, geograficamente, nem tudo era uma quest\u00e3o de escala, mas muito mais de integra\u00e7\u00e3o de escalas, hoje abordagens multiescalar no tempo e no espa\u00e7o e multicrit\u00e9rio na abordagem, deixando testemunhos vis\u00edveis e por vezes nem sempre nas paisagens, como testemunhos na sua reconstitui\u00e7\u00e3o evolutiva. E de inclus\u00e3o do ser humano e respectivos impactos ao usar, bem ou n\u00e3o, as paisagens e seus recursos, desde aqueles na escala local at\u00e9 a mundial, como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e impactos decorrentes. E aprendi, tamb\u00e9m, que podemos fazer tudo isso sem deixar nosso humanismo de lado. Ele tem que fazer parte. De tudo.<\/p>\n<p>No dizer de Monteiro (2013) lembrando Guimar\u00e3es Rosa \u201c&#8230;as pessoas que amamos n\u00e3o morrem; ficam ENCANTADAS\u201d. Eu arriscaria dizer que Ab\u2019S\u00e1ber ficou ENCANTADO (por ter nos deixado), por\u00e9m ap\u00f3s e ainda, por continuar a ENCANTAR a muitos.<\/p>\n<p>Miss\u00e3o cumprida, Professor!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"referencias\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/h5>\n<h6 id=\"1-paviani-a-2013-aziz-absaber-geomorfologo-e-humanista-homenagem-ao-professor-aziz-nacib-absaber-silva-m-a-u-ramos-i-cordeiro-p-r-org-2013-caminhos-de-ab\"><span style=\"color: #808080;\">[1] PAVIANI, A. (2013) Aziz Ab\u2019S\u00e1ber, geomorf\u00f3logo e humanista. Homenagem ao professor Aziz Nacib Ab\u2019S\u00e1ber . SILVA, M. A.U.; RAMOS, I.; CORDEIRO, P. R. (Org.) (2013) Caminhos de Ab\u2019S\u00e1ber. Caminhos do Brasil; Salvador: EDUFBA. Anais, p.15-24.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"2-lombardo-m-org-2007-rev-espaco-acao-vol-1-no-1-ed-especial-em-homenagem-a-aziz-nacib-absaber-unesp-rio-claro\"><span style=\"color: #808080;\">[2] LOMBARDO, M (Org.) (2007). Rev. Espa\u00e7o &amp; A\u00e7\u00e3o, Vol. 1, no. 1, Ed. especial em homenagem a Aziz Nacib Ab\u2019S\u00e1ber, UNESP, Rio Claro.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"3-modenesi-gauttieri-m-c-et-al-org-2010a-obra-do-professor-aziz-absaber-sao-paulo-beca\"><span style=\"color: #808080;\">[3] MODENESI-GAUTTIERI, M. C. et al. (Org.). (2010)A obra do professor Aziz Ab\u00b4S\u00e1ber. S\u00e3o Paulo: Beca.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"4-silva-m-a-u-ramos-i-cordeiro-p-r-org-2013-caminhos-de-absaber-caminhos-do-brasil-salvador-edufba-livro-resultante-de-seminario-homonimo-contendo-os-varios-artigos-de-a\"><span style=\"color: #808080;\">[4] SILVA, M. A.U.; RAMOS, I.; CORDEIRO, P. R. (Org.) (2013) Caminhos de Ab\u2019S\u00e1ber. Caminhos do Brasil; Salvador: EDUFBA. Livro resultante de semin\u00e1rio hom\u00f4nimo, contendo os v\u00e1rios artigos de autores que com ele conviveram.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"5-mauro-c-a-2012-a-atualidade-da-visao-de-absaber-soc-nat-uberlandia-ano-24-n-1-7-20-jan-abr-2012\"><span style=\"color: #808080;\">[5] MAURO, C.A. (2012) A atualidade da vis\u00e3o de Ab\u2019S\u00e1ber. Soc. &amp; Nat., Uberl\u00e2ndia, ano 24 n. 1, 7-20, jan\/abr. 2012.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"6-absaber-a-n-2007-o-que-e-ser-geografo-memorias-profissionais-de-aziz-nacib-absaber-a-n-rio-de-janeiro-record\"><span style=\"color: #808080;\">[6] AB\u2019S\u00c1BER, A.N. (2007).O que \u00e9 ser ge\u00f3grafo: mem\u00f3rias profissionais de Aziz Nacib AB\u2019S\u00c1BER, A. N. Rio de Janeiro: Record,.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"7-absaber-a-n-2003-a-amazonia-brasileira-i-scientific-american-brasil-sao-paulo-v-1-n-9-p-98-fev\"><span style=\"color: #808080;\">[7] AB\u2019S\u00c1BER, A.N.. (2003 a) Amaz\u00f4nia brasileira I . Scientific American, Brasil S\u00e3o Paulo, v. 1, n. 9, p. 98, fev..<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"8-absaber-a-n-2003-b-amazonia-brasileira-ii-scientific-american-brasil-sao-paulo-v-1-n-10-p-98-mar\"><span style=\"color: #808080;\">[8] AB\u2019S\u00c1BER, A.N.. (2003 b) Amaz\u00f4nia brasileira II . Scientific American, Brasil S\u00e3o Paulo, v. 1, n. 10, p. 98, mar..<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"9-absaber-a-n-1996-amazonia-do-discurso-a-praxis-sao-paulo-edusp\"><span style=\"color: #808080;\">[9] AB\u2019S\u00c1BER, A.N.. (1996) Amazonia: do discurso a pr\u00e1xis. S\u00e3o Paulo : Edusp.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"10-mello-m-c-oliveira-j-2021-aziz-nacib-absaber-e-a-proposta-escolanovista-contida-no-projeto-brasileiro-para-o-ensino-de-geografia-brazilian-journal-of\"><span style=\"color: #808080;\">[10] MELLO, M.C.. OLIVEIRA, J. (2021). Aziz Nacib Ab\u2019S\u00e1ber e a proposta escolanovista contida no \u201cprojeto brasileiro para o ensino de geografia\u2019\u2019 . Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.7, n.4, p. 38143-38156 apr 2021.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"11-vitte-a-c-2010-breves-consideracoes-sobre-a-historia-da-geomorfologia-geografica-no-brasil-geo-uerj-ano-12-v-1-no-21-1o-semestre-de-2010\"><span style=\"color: #808080;\">[11] VITTE, A.C. 2010. Breves considera\u00e7\u00f5es sobre a hist\u00f3ria da geomorfologia geogr\u00e1fica no Brasil. Geo UERJ &#8211; Ano 12, v.1, no .21, 1\u00ba semestre de 2010.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"12-absaber-a-n-1969-um-conceito-de-geomorfologia-a-servico-das-pesquisas-sobre-o-quaternario-geomorfologia-n-18-p-1-23\"><span style=\"color: #808080;\">[12] AB&#8217;SABER, A.N.. (1969) Um conceito de geomorfologia a servi\u00e7o das pesquisas sobre o quatern\u00e1rio. Geomorfologia, n. 18, p. 1-23.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"13-monteiro-c-a-f-2013-seminario-homenagem-a-aziz-absaber-manifestacao-in-silva-m-a-u-ramos-i-cordeiro-p-r-org-2013-caminhos-de-absaber-caminhos-do-brasil-sa\"><span style=\"color: #808080;\">[13] MONTEIRO, C.A.F. (2013) Semin\u00e1rio homenagem \u00e0 Aziz Ab\u2019S\u00e1ber. Manifesta\u00e7\u00e3o. In SILVA, M. A.U.; RAMOS, I.; CORDEIRO, P. R. (Org.) (2013) Caminhos de Ab\u2019S\u00e1ber. Caminhos do Brasil; Salvador: EDUFBA. Anais, p.33-34.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"14-kzam-a-2022-absaber-a-n-o-que-e-ser-geografo-memorias-profissionais-de-aziz-nacib-absaber-rio-de-janeiro-rev-de-ci-humanas-v-22-n-2-jul-dez-2022-dossie-pratica\"><span style=\"color: #808080;\">[14] KZAM, A. (2022) Ab\u2019S\u00e1ber, A. N. O que \u00e9 ser ge\u00f3grafo: mem\u00f3rias profissionais de Aziz Nacib Ab\u2019S\u00e1ber. Rio de Janeiro. Rev.de Ci. Humanas, v. 22, n. 2 | Jul.-Dez.2022 Dossi\u00ea Pr\u00e1ticas como Pesquisa: Cria\u00e7\u00e3o\/(Des)Organiza\u00e7\u00e3o dos corpos da cena, p.366-368.<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"capa-geografo-dedicou-sua-vida-a-conhecer-o-territorio-brasileiro-e-a-ensinar-sobre-elefonte-iea-usp-reproducao\"><strong>Capa. Ge\u00f3grafo dedicou sua vida a conhecer o territ\u00f3rio brasileiro \u2013 e a ensinar sobre ele<br \/>\n<\/strong>(Fonte: IEA\/ USP. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"http-dx-doi-org-10-5935-2317-6660-20240019\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20240019\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20240019<\/a><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Depoimento de uma ex-aluna das d\u00e9cadas de 1960-1970 &nbsp; Ab\u2019S\u00e1ber \u201cfoi e&hellip;\n","protected":false},"author":192,"featured_media":5927,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5925"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/192"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5925"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5925\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7104,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5925\/revisions\/7104"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5927"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}