{"id":5966,"date":"2024-05-02T07:30:55","date_gmt":"2024-05-02T07:30:55","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5966"},"modified":"2025-11-25T11:40:44","modified_gmt":"2025-11-25T11:40:44","slug":"a-construcao-do-conhecimento-cientifico-depende-de-interacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=5966","title":{"rendered":"&#8220;A constru\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico depende de intera\u00e7\u00f5es&#8221;"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"confira-entrevista-com-marie-anne-van-sluys-professora-do-departamento-de-botanica-da-usp\"><span style=\"color: #808080;\">Confira entrevista com Marie-Anne Van Sluys, professora do Departamento de Bot\u00e2nica da USP<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como a biologia molecular de plantas poderia contribuir para a compreens\u00e3o de diversidade gen\u00e9tica e de funcionamento das plantas? \u00c9 essa a quest\u00e3o que Marie-Anne Van Sluys e seu grupo de pesquisa vem tentando responder. A professora titular no Departamento de Bot\u00e2nica da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\">Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/a><\/strong><\/span> e vice-presidente da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/aciesp.org.br\/\">Academia de Ci\u00eancias do Estado de S\u00e3o Paulo (Aciesp)<\/a><\/strong> <\/span>j\u00e1 conseguiu avan\u00e7ar muito nessa quest\u00e3o. Um dos marcos em sua carreira foi sua participa\u00e7\u00e3o no maior sequenciamento do genoma da cana-de-a\u00e7\u00facar comercial. Al\u00e9m disso, teve papel fundamental no projeto pioneiro de pesquisa gen\u00f4mica da bact\u00e9ria Xylella fastidiosa, respons\u00e1vel pela clorose variegada dos citros (CVC), doen\u00e7a das laranjeiras conhecida como \u201cpraga do amarelinho\u201d. \u201cEsses estudos podem colaborar para ter uma fruta mais saud\u00e1vel, um plantio mais produtivo\u201d, explica. Marie-Anne Van Sluys destaca que o aumento do n\u00famero de mulheres cientistas no Brasil est\u00e1 intrinsecamente ligado ao progresso da ci\u00eancia no pa\u00eds, mas afirma que ainda h\u00e1 muito trabalho a ser feito. \u201c\u00c9 um trabalho ainda longo, mas j\u00e1 mudou muito em rela\u00e7\u00e3o ao in\u00edcio da minha carreira, que \u00e9 uma carreira a\u00ed de 30 anos, desde inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica at\u00e9 professora titular. Ent\u00e3o acho que esse \u00e9 um ponto interessante de pensar o quanto mudou em uma gera\u00e7\u00e3o\u201d. A pesquisadora tamb\u00e9m defende que a diversidade contribui muito para a ci\u00eancia \u2013 especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 criatividade. \u201cEnxergo que precisamos sair da bolha, e um ambiente diverso faz com que tenhamos contato com v\u00e1rias bolhas, com v\u00e1rias realidades, e nos ajude a olhar problemas com outros olhos\u201d. <\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>Confira a entrevista completa!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura &#8211; Como coordenadora do grupo de pesquisas em biologia molecular de plantas na USP, quais s\u00e3o as principais \u00e1reas de foco e projetos que o grupo est\u00e1 desenvolvendo atualmente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marie-Anne Van Sluys &#8211; <\/strong>A \u00e1rea de biologia molecular de plantas \u00e9 uma \u00e1rea relativamente recente se considerarmos o tempo de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico, porque \u00e9 uma \u00e1rea que nasce no final do s\u00e9culo passado. Inicialmente, a biologia molecular de plantas veio associada a compreender fen\u00f4menos de fisiologia, de desenvolvimento, de fun\u00e7\u00e3o, assim como os mecanismos de diversidade gen\u00e9tica. Meu grupo come\u00e7ou focando nessa \u00e1rea: como a biologia molecular de plantas poderia contribuir para a compreens\u00e3o de diversidade gen\u00e9tica e de funcionamento das plantas. Hoje, nosso grupo foca na hist\u00f3ria evolutiva de alguns genes importantes. S\u00e3o genes que atuam na libera\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar (sacarose) nos tecidos de cana-de-a\u00e7\u00facar. Tamb\u00e9m estudamos a hist\u00f3ria de genes que participam da via de produ\u00e7\u00e3o da tiamina (vitamina B1) e tamb\u00e9m sobre genes de resposta de defesa \u2013 ou seja, como esses genes evolu\u00edram para contribuir com a defesa das plantas quando elas s\u00e3o atacadas por pat\u00f3genos. A\u00ed vem a segunda parte. Estudamos a intera\u00e7\u00e3o planta-microrganismos. Nessa intera\u00e7\u00e3o, por exemplo, quando h\u00e1 uma virose ou uma infec\u00e7\u00e3o bacteriana, as plantas precisam responder a essa presen\u00e7a do micro-organismo, e reconhecer se essa bact\u00e9ria \u00e9 ben\u00e9fica ou causadora de doen\u00e7a. Um exemplo de uma bact\u00e9ria ben\u00e9fica, que estudamos h\u00e1 muitos anos no Brasil e que \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o enorme do grupo originalmente de Johanna D\u00f6bereiner \u2013 que est\u00e1 comemorando seu centen\u00e1rio \u2013 s\u00e3o as bact\u00e9rias fixadoras de nitrog\u00eanio. Essa \u00e9 uma bact\u00e9ria ben\u00e9fica e a planta precisa reconhecer isso e deix\u00e1-la colonizar os tecidos. No outro extremo, h\u00e1 bact\u00e9rias que s\u00e3o patog\u00eanicas, e a\u00ed h\u00e1 exemplos cl\u00e1ssicos no Brasil, inclusive com contribui\u00e7\u00f5es importantes do nosso grupo, como a <em>Xylella fastidiosa<\/em>, que causa a praga do amarelinho nos laranjais. Como a <em>Xylella<\/em>, h\u00e1 tamb\u00e9m as <em>Xanthomas albilieans<\/em>, que s\u00e3o bact\u00e9rias que causam doen\u00e7a em cana-de-a\u00e7\u00facar. Nosso grupo, recentemente, tem estudado a intera\u00e7\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar com essa bact\u00e9ria, que \u00e9 patog\u00eanica, e como a cana reconhece ou n\u00e3o esse processo. Por fim, tamb\u00e9m estudamos o que chamamos de gen\u00f4mica comparativa. Conhecemos muito bem alguns genes que promovem a defesa ou que favorecem o estabelecimento de doen\u00e7a em arroz, milho e trigo. A ideia \u00e9 trazer esse conhecimento de outras plantas para o genoma de cana-de-a\u00e7\u00facar, e ent\u00e3o usar a estrat\u00e9gia de gen\u00f4mica comparada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"quando-voce-esta-comendo-uma-laranja-esses-estudos-podem-colaborar-para-ter-uma-fruta-mais-saudavel-um-plantio-mais-produtivo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cQuando voc\u00ea est\u00e1 comendo uma laranja, esses estudos podem colaborar para ter uma fruta mais saud\u00e1vel, um plantio mais produtivo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2013 Quais s\u00e3o os avan\u00e7os mais recentes e significativos na pesquisa em biologia molecular de plantas e como essas descobertas podem impactar a sociedade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MVS \u2013<\/strong> Quando voc\u00ea est\u00e1 comendo uma laranja, esses estudos podem colaborar para ter uma fruta mais saud\u00e1vel, um plantio mais produtivo. Esses estudos contribuem para compreender esse contato e como que esse contato pode se tornar uma doen\u00e7a ou n\u00e3o. Se compreendermos isso, podemos contribuir para o manejo da agricultura porque conseguimos, por exemplo, identificar precocemente o estabelecimento da doen\u00e7a. Por exemplo, para laranjais, o impacto do sequenciamento do genoma da <em>Xylella<\/em> permitiu que o grupo do Centro de Citricultura do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.iac.sp.gov.br\/\">Instituto Agron\u00f4mico (IAC) <\/a><\/strong><\/span>desenvolvesse o controle da doen\u00e7a usando um mecanismo muito interessante, que \u00e9 o mesmo que usamos quando estamos gripado e temos muita secre\u00e7\u00e3o: usamos algo que liquefaz a secre\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o n\u00e3o entope os vasos da planta. Assim, compreendendo o mecanismo, podemos ter estrat\u00e9gias de controle ou estrat\u00e9gias para minimizar a doen\u00e7a no campo. Os programas de melhoramento podem buscar composi\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas no cruzamento para refor\u00e7ar a toler\u00e2ncia. No nosso caso, em seres humanos, tomamos vacina, por exemplo, para desenvolver resist\u00eancia. Em plantas, n\u00e3o conseguimos fazer isso. Ent\u00e3o, precisamos, de um lado, controlar a doen\u00e7a, conhecendo os sintomas, para minimiz\u00e1-los. Por outro, no campo, voc\u00ea faz melhoramento gen\u00e9tico para desenvolver cultivares que sejam resistentes. Ent\u00e3o, essa \u00e9 uma transposi\u00e7\u00e3o para o agricultor que resulta em benef\u00edcio para a sociedade quando voc\u00ea pensa em qualidade de produto que chega \u00e0 mesa do consumidor ou, por exemplo, para a produ\u00e7\u00e3o de sucos, no caso de laranja. E no caso de cana-de-a\u00e7\u00facar, na hora que voc\u00ea aumenta a produtividade, isso impacta a produtividade tanto na ind\u00fastria do a\u00e7\u00facar quanto na ind\u00fastria do etanol e na ind\u00fastria da bioenergia.<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Como a pesquisa em biologia molecular de plantas contribui para a promo\u00e7\u00e3o da sustentabilidade e seguran\u00e7a alimentar global?<\/strong><strong><br \/>\nMVS &#8211;<\/strong> Um ponto bacana \u00e9 o que mencionei quando falei sobre trazer o conhecimento sobre arroz, milho e trigo para a cana-de-a\u00e7\u00facar. Esses conhecimentos podem ser extrapolados para outras plantas e outros sistemas. Ent\u00e3o, a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/\">Revista Pesquisa Fapesp<\/a><\/strong><\/span> publicou recentemente um fato muito interessante sobre as \u00e1rvores gigantes da Amaz\u00f4nia. Se compreendermos os mecanismos que fazem com que aquelas plantas, por exemplo, cres\u00e7am e armazenem CO<sub>2<\/sub>, come\u00e7amos a ter uma transfer\u00eancia de conhecimento sobre capta\u00e7\u00e3o e fixa\u00e7\u00e3o de CO<sub>2<\/sub> e com isso podemos pensar em estrat\u00e9gias que possam minimizar o impacto dos gases do efeito estufa. Do ponto de vista de sustentabilidade, se compreendermos a intera\u00e7\u00e3o, conseguimos diminuir a aplica\u00e7\u00e3o de insumos que n\u00e3o ter\u00e3o efeito. Ent\u00e3o essa transfer\u00eancia para a sustentabilidade precisa ser olhada n\u00e3o no foco do projeto espec\u00edfico, mas como uma compet\u00eancia de conhecimento que pode ser transferido entre diferentes sistemas. Acho que esse \u00e9 um ponto importante. Do mesmo modo que falamos do microbioma do intestino humano, as plantas tamb\u00e9m t\u00eam um microbioma. E a compreens\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o desse microbioma \u2013 e, novamente, aqui cabe o exemplo da fixa\u00e7\u00e3o do nitrog\u00eanio, dos estudos feitos por Johanna D\u00f6bereiner e v\u00e1rios outros grupos no Brasil \u2013 contribui para a qualidade do solo, para a qualidade da planta, e, \u00e0s vezes, para o manejo desse microbioma. Ent\u00e3o tudo que falamos sobre microbioma em humanos e animais, \u00e9 algo que tamb\u00e9m estamos come\u00e7ando a compreender em plantas. E isso tem impacto na sustentabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"acredito-que-a-dualidade-que-existe-e-que-durante-muito-tempo-as-mulheres-eram-consideradas-como-assessoras-ou-contribuintes-mas-nao-pesquisadoras-ou-lideres\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAcredito que a dualidade que existe \u00e9 que durante muito tempo as mulheres eram consideradas como assessoras ou contribuintes, mas n\u00e3o pesquisadoras ou l\u00edderes.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; O Instituto de Bioci\u00eancias da USP tem desempenhado um papel crucial na pesquisa cient\u00edfica. Como voc\u00ea v\u00ea a intera\u00e7\u00e3o entre a academia e a sociedade no contexto da biologia molecular de plantas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MVS &#8211;<\/strong> O que temos hoje, por exemplo, de transfer\u00eancia de conhecimento, \u00e9 uma aluna de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que veio para um est\u00e1gio de ver\u00e3o naquela bolsa que \u00e9 uma parceria da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/\">Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC)<\/a><\/strong><\/span> com a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/fapesp.br\/\">Fapesp<\/a><\/strong><\/span>, que \u00e9 o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.abc.org.br\/nacional\/programas-cientificos-nacionais\/programa-aristides-pacheco-leao\/\">programa Aristides Pacheco Le\u00e3o<\/a><\/strong><\/span> \u2013 um programa de est\u00edmulo \u00e0 voca\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Ela ficou cerca de 50 dias aqui no laborat\u00f3rio. Ela tem um trabalho com produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel e comunidades ind\u00edgenas da regi\u00e3o no Par\u00e1. Ent\u00e3o, ela veio aprender conosco com a expectativa de levar esse conhecimento para l\u00e1. Isso \u00e9 o que temos de forma mais direta, digamos assim. Mas tamb\u00e9m atuamos de diversas outras formas. Minha atua\u00e7\u00e3o de grupo, por exemplo, \u00e9 mais do ponto de vista de gest\u00e3o, de ajudar a desenvolver programas que possam ter esse impacto nas comunidades. Participei da organiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios programas na Fapesp, entre eles o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.amazoniamaisdez.org.br\/\">Amaz\u00f4nia+10<\/a><\/strong><\/span>, para ajudar as funda\u00e7\u00f5es de amparo \u00e0 pesquisa, as secretarias de meio ambiente e as secretarias de educa\u00e7\u00e3o a desenvolver programas que possam fazer essa transfer\u00eancia de conhecimento. Tamb\u00e9m temos a forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos, e eu tenho muito orgulho de todo mundo que passou pelo laborat\u00f3rio, porque temos um grupo inserido nas mais diferentes frentes: desde pessoas que trabalham em grandes ind\u00fastrias, que trabalham no exterior, at\u00e9 pessoas que montaram suas pequenas empresas, passando por professores que atuam nos diferentes n\u00edveis educacionais.<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Quais s\u00e3o os avan\u00e7os e desafios enfrentados pelas mulheres nesse ambiente cient\u00edfico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MVS &#8211;<\/strong> Tive a oportunidade de vivenciar uma transi\u00e7\u00e3o. Acho que entre o momento que iniciei a minha carreira e o est\u00e1gio em que eu me encontro hoje, podemos observar uma grande mudan\u00e7a. Quando comecei, participei de v\u00e1rias mesas em que era a \u00fanica mulher, ou em que era a primeira vez que havia uma mulher participando. Eram situa\u00e7\u00f5es muito inusitadas de como encaminhar e como se posicionar. Isso hoje j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 verdade. Temos a oportunidade de ter pesquisadoras inseridas em posi\u00e7\u00f5es de destaque, como temos Helena Nader, que \u00e9 a primeira presidente da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/\">Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC)<\/a><\/strong><\/span>, ou a Vanderlan Bolzani, que foi tamb\u00e9m a primeira presidente da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/aciesp.org.br\/\">Academia de Ci\u00eancias do Estado de S\u00e3o Paulo (Aciesp)<\/a><\/strong><\/span>. Acredito que essas posi\u00e7\u00f5es de destaque est\u00e3o come\u00e7ando a ser ocupadas. Temos outras posi\u00e7\u00f5es onde o cerco ainda \u00e9 fechado. Acredito que a dualidade que existe \u00e9 que durante muito tempo \u2013 e aqui podemos pegar o exemplo da Rosalind Franklin l\u00e1 na descoberta da estrutura da mol\u00e9cula de DNA \u2013 \u00e9 que as mulheres eram consideradas como assessoras ou contribuintes, mas n\u00e3o pesquisadoras ou l\u00edderes. E isso tem mudado. As mulheres t\u00eam sido mais reconhecidas, tanto que o Pr\u00eamio Nobel do ano passado reconheceu o maior n\u00famero de mulheres em sua hist\u00f3ria. Ent\u00e3o, acredito que essa transi\u00e7\u00e3o est\u00e1 ocorrendo. Ainda \u00e9 um trabalho de formiguinha, eu diria, para que a lideran\u00e7a feminina, enquanto criatividade, enquanto estrat\u00e9gia de conhecimento, enquanto autonomia, seja reconhecida. \u00c9 um trabalho ainda longo, mas j\u00e1 mudou muito em rela\u00e7\u00e3o ao in\u00edcio da minha carreira, que \u00e9 uma carreira a\u00ed de 30 anos, desde inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica at\u00e9 professora titular. Ent\u00e3o acho que esse \u00e9 um ponto interessante de pensar o quanto mudou em uma gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-construcao-do-conhecimento-cientifico-ainda-que-seja-um-trabalho-muitas-vezes-considerado-individual-depende-de-interacoes\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA constru\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico, ainda que seja um trabalho muitas vezes considerado individual, depende de intera\u00e7\u00f5es.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; A diversidade \u00e9 crucial para o avan\u00e7o da ci\u00eancia. Como a inclus\u00e3o de diferentes perspectivas, incluindo a presen\u00e7a de mulheres, afeta a qualidade e amplitude das pesquisas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MVS &#8211;<\/strong> Eu diria que o ponto principal \u00e9 a criatividade. Porque um dos motores da ci\u00eancia \u00e9 voc\u00ea observar, pensar sobre o problema, sobre a pergunta, e sobre como voc\u00ea pode responder aquela pergunta. Esse processo de observa\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o, questionamento e elabora\u00e7\u00e3o de um experimento \u00e9 um processo criativo. E o olhar individual \u00e9 muito importante para definir a pergunta que voc\u00ea quer responder. Al\u00e9m disso, nesse processo, voc\u00ea tem que ler e conhecer o trabalho de outros pesquisadores para trazer para a sua pergunta, voc\u00ea tem que interagir. Ent\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico, ainda que seja um trabalho muitas vezes considerado individual, depende de intera\u00e7\u00f5es. Assim, quanto mais diverso for o seu universo de contato, mais criativo ele ser\u00e1. E a criatividade vem do indiv\u00edduo, vem de cada hist\u00f3ria. Enxergo que precisamos sair da bolha, e um ambiente diverso faz com que tenhamos contato com v\u00e1rias bolhas, com v\u00e1rias realidades, e nos ajude a olhar problemas com outros olhos. Se tenho essa oportunidade no dia a dia do laborat\u00f3rio, ou no dia a dia de sala de aula, ou no dia a dia de um congresso, de uma reuni\u00e3o, eu sou capaz de ampliar a minha rede de contatos e de interpreta\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Confira entrevista com Marie-Anne Van Sluys, professora do Departamento de Bot\u00e2nica da&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":5967,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,864],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5966"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5966"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5966\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5969,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5966\/revisions\/5969"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5967"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5966"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5966"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5966"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}