{"id":6068,"date":"2024-06-03T08:00:44","date_gmt":"2024-06-03T08:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6068"},"modified":"2024-06-03T15:11:46","modified_gmt":"2024-06-03T15:11:46","slug":"ciencia-cultura-no-brasil-uma-jornada-de-75-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6068","title":{"rendered":"Ci\u00eancia &#038; Cultura no Brasil, uma jornada de 75 anos"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"nas-ultimas-decadas-o-pais-passou-por-uma-revolucao-nao-so-demografica-e-economica-mas-tambem-cientifica-tecnologica-e-cultural\"><span style=\"color: #808080;\">Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o pa\u00eds passou por uma revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 demogr\u00e1fica e econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m cient\u00edfica, tecnol\u00f3gica e cultural.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1948 foi criada a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/portal.sbpcnet.org.br\/\"><strong>Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC)<\/strong><\/a><\/span>, gra\u00e7as \u00e0 iniciativa de pesquisadores que se deram conta da import\u00e2ncia da pesquisa para o Brasil. Sem essa associa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 imposs\u00edvel pensar o desenvolvimento da ci\u00eancia brasileira. O mesmo pode ser dito a respeito da cria\u00e7\u00e3o a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\"><strong>Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes)<\/strong><\/a><\/span> e do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\"><strong>Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq)<\/strong><\/a><\/span>, duas ag\u00eancias de fomento criadas em 1951.<\/p>\n<p>Quando comparamos o Brasil do final da d\u00e9cada de 1940 com o da atualidade, as diferen\u00e7as s\u00e3o marcantes. Para citar alguns indicadores demogr\u00e1ficos: naquela \u00e9poca o pa\u00eds tinha em torno de 50 milh\u00f5es de habitantes, atualmente somos mais de 200 milh\u00f5es; apenas um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o vivia em situa\u00e7\u00e3o urbana, atualmente esta propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de mais de 85%; a taxa de fecundidade (n\u00famero de filhos por mulheres em idade f\u00e9rtil) era em torno de 6, atualmente ela \u00e9 1,7; mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o tinha menos de 18 anos de idade, atualmente essa porcentagem caiu para aproximadamente 25%; a expectativa de vida era de 46,8 anos, atualmente ela \u00e9 de 77,5 anos; o n\u00famero de estudantes universit\u00e1rios era menos de 100.000, atualmente ele \u00e9 de mais de 9.000.000. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-a-universidade-do-rio-de-janeiro-foi-a-primeira-universidade-do-brasil-criada-em-1920-hoje-temos-2-595-instituicoes-de-ensino-superior-das-quais-aproximadamente-200-sao-universidades-f\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6070\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-2-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-2-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-2-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-2-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-2.jpg 1750w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. A Universidade do Rio de Janeiro foi a primeira universidade do Brasil, criada em 1920. Hoje, temos 2.595 institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, das quais aproximadamente 200 s\u00e3o universidades.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Acervo NPD\/FAU\/ETU. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>O final da Segunda Guerra Mundial marcou um per\u00edodo crucial no Brasil. O pa\u00eds estava se urbanizando, um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o vivendo em cidades e a manufatura j\u00e1 sendo respons\u00e1vel por 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso se acentuou na d\u00e9cada de 1950 quando come\u00e7amos a perder nossa \u201cvoca\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria\u201d e buscava-se industrializar e modernizar o pa\u00eds. A segunda metade da d\u00e9cada de 1950 foi marcada pela ideologia desenvolvimentista. Nesse per\u00edodo um novo processo de industrializa\u00e7\u00e3o teve lugar com a produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis e outros bens dur\u00e1veis. Bras\u00edlia, a nova capital constru\u00edda em cinco anos, estabeleceu a arquitetura brasileira como um \u00edcone de nossa modernidade.<\/p>\n<p>Desde aquela \u00e9poca, este processo se acentuou e, atualmente, a maior parte dos produtos manufaturados que consumimos s\u00e3o produzidos no pa\u00eds, v\u00e1rios deles sendo inclusive exportados. Entre esses produtos, est\u00e3o os bens simb\u00f3licos, como as telenovelas, can\u00e7\u00f5es e filmes. Possu\u00edmos uma s\u00f3lida rede de transportes e um eficiente sistema de comunica\u00e7\u00e3o, e o n\u00edvel t\u00e9cnico das redes de comunica\u00e7\u00e3o de massa \u00e9 compar\u00e1vel ao dos pa\u00edses mais adiantados. O Brasil tem usinas nucleares, plataformas mar\u00edtimas de extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, produz avi\u00f5es e faz transplantes card\u00edacos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"nos-ultimos-75-anos-o-brasil-se-tornou-um-pais-mais-industrializado-moderno-e-complexo-ao-mesmo-tempo-temos-uma-sociedade-extremamente-desigual-com-um-dos-piores-indices-de-distribuicao-de\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cNos \u00faltimos 75 anos o Brasil se tornou um pa\u00eds mais industrializado, moderno e complexo. Ao mesmo tempo, temos uma sociedade extremamente desigual com um dos piores \u00edndices de distribui\u00e7\u00e3o de renda do mundo e uma s\u00e9rie de problemas sociais que afligem principalmente os mais pobres.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 75 anos o Brasil se tornou um pa\u00eds mais industrializado, moderno e complexo. Ao mesmo tempo, temos uma sociedade extremamente desigual com um dos piores \u00edndices de distribui\u00e7\u00e3o de renda do mundo e uma s\u00e9rie de problemas sociais que afligem principalmente os mais pobres. O Brasil passou por um processo de desenvolvimento desigual e combinado, criando um quadro em que h\u00e1, simultaneamente, uma mis\u00e9ria extrema e elementos de progresso t\u00e9cnico e de modernidade. Nossos cientistas e suas associa\u00e7\u00f5es s\u00e3o constantemente convocados a opinar e apresentar solu\u00e7\u00f5es a este quadro contradit\u00f3rio.<\/p>\n<p>O Brasil passou por uma revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 demogr\u00e1fica e econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m cient\u00edfica, tecnol\u00f3gica e cultural. Temos 2.595 institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, das quais aproximadamente 200 s\u00e3o universidades. Contamos com uma pujante comunidade cient\u00edfica atuante em todas as \u00e1reas do conhecimento. A cultura tamb\u00e9m passou por grandes transforma\u00e7\u00f5es. No final da d\u00e9cada de 1940 ainda n\u00e3o havia transmiss\u00f5es televisivas e o r\u00e1dio era o principal meio de comunica\u00e7\u00e3o de massa. Em termos musicais, ele transmitia principalmente o samba, que era o g\u00eanero hegem\u00f4nico. Hoje em dia o mercado musical se segmentou e h\u00e1 uma profus\u00e3o de g\u00eaneros: m\u00fasica sertaneja, funk, hip hop, rock, etc. No final da d\u00e9cada de 1940 ainda n\u00e3o havia a televis\u00e3o no Brasil, que iniciou suas transmiss\u00f5es nos anos 1950 at\u00e9 praticamente se universalizar e se tornar o meio de comunica\u00e7\u00e3o de massa hegem\u00f4nico. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-primeira-transmissao-de-tv-no-brasil-foi-feita-em-1950-para-apenas-200-aparelhos-hoje-sao-mais-de-100-milhoes-no-pais-foto-arquivo-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6071\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-3-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-3-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-3-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-3-768x431.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-3-1536x863.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-3-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-3-800x449.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-3-1160x652.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-opinia\u0303o-Cie\u0302ncia-e-Cultura-no-Brasil-um-jornada-de-75-anos-figura-3.jpg 1750w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Primeira transmiss\u00e3o de TV no Brasil foi feita em 1950 para apenas 200 aparelhos \u2013 hoje s\u00e3o mais de 100 milh\u00f5es no pa\u00eds.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<h6 id=\"\" style=\"text-align: center;\"><\/h6>\n<p>Como o analfabetismo era alto, lia-se pouco. Para votar, era preciso ser alfabetizado e, portanto, boa parte da popula\u00e7\u00e3o era exclu\u00edda desse direito que \u00e9 um indicador de cidadania. O analfabetismo caiu, mas hoje em dia temos a exclus\u00e3o digital, que faz com que boa parte de nossa popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha acesso pleno \u00e0 internet.<\/p>\n<p>Nos anos 1940 havia grande efervesc\u00eancia cultural. O contato mais intenso com os Estados Unidos, que durante a guerra inauguraram a \u201cPol\u00edtica de Boa Vizinhan\u00e7a\u201d, significou que muitos produtos da ind\u00fastria cultural norte-americana come\u00e7aram a ser mais consumidos no Brasil, entre eles o cinema de Hollywood e a m\u00fasica norte-americana. Isto criou tamb\u00e9m uma maior intera\u00e7\u00e3o art\u00edstica entre o Brasil e aquele pais, da qual a ida de Carmen Miranda para Hollywood nas d\u00e9cadas de quarenta e cinquenta e a Bossa Nova no final da d\u00e9cada de 1950 s\u00e3o exemplos da circula\u00e7\u00e3o cultural no \u00e2mbito da m\u00fasica.<\/p>\n<p>A partir dessa \u00e9poca, o debate sobre o nacional e o estrangeiro adquiriu uma import\u00e2ncia crescente. Assim, entre 1945 e 1964 a quest\u00e3o nacional foi debatida intensamente. Participam ativamente deste debate o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) e o Centro Popular de Cultura, movimento ligado \u00e0 Uni\u00e3o Nacional de Estudantes (CPC).<\/p>\n<p>A partir de 1964, com a tomada do poder pelos militares, houve uma crescente centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e administrativa, atrav\u00e9s da integra\u00e7\u00e3o do mercado nacional, da implanta\u00e7\u00e3o de redes de estradas, de telefonia, de comunica\u00e7\u00e3o de massa. Nesse per\u00edodo, o debate sobre o nacional e o regional continuou, mas foi colocado em novos termos. O Estado avocou a si o papel de ser o criador e basti\u00e3o da identidade nacional, respons\u00e1vel por promover o progresso.<\/p>\n<p>Com a luta pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e com o processo de abertura pol\u00edtica que marcaram o fim do ciclo militar, a cultura passa a ganhar novamente maior visibilidade no Brasil. Houve um intenso processo de constitui\u00e7\u00e3o de novos atores sociais e a constru\u00e7\u00e3o de novas identidades socais.<\/p>\n<p>O que se verifica hoje em termos culturais \u00e9 um pa\u00eds de grande complexidade com m\u00faltiplos atores. A cultura brasileira pode ser apreciada atrav\u00e9s das mais diversas manifesta\u00e7\u00f5es em toda sua complexidade: no folclore e na cultura popular, na m\u00fasica, na literatura, nas artes pl\u00e1sticas, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"somos-uma-sociedade-com-uma-grande-diversidade-cultural-racial-etnica-e-religiosa-cabe-aos-nossos-cientistas-contribuir-para-o-conhecimento-desta-riqueza\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cSomos uma sociedade com uma grande diversidade cultural, racial, \u00e9tnica e religiosa. Cabe aos nossos cientistas contribuir para o conhecimento desta riqueza.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a globaliza\u00e7\u00e3o, ficou mais dif\u00edcil decidir o que \u00e9 nacional ou n\u00e3o. Atualmente, temos religi\u00f5es de matriz africana, como a Umbanda e o Batuque se disseminando em pa\u00edses vizinhos como o Uruguai e a Argentina e a presen\u00e7a da Igreja Universal do Reino de Deus, criada em 1977, em 143 pa\u00edses. M\u00fasicos brasileiros produzem can\u00e7\u00f5es <em>rock<\/em>, g\u00eanero criado nos Estados Unidos, que falam frequentemente sobre o Brasil, sem que ningu\u00e9m questione sua brasilidade. Para tornar as cosias mais complexas, a banda <em>Sepultura<\/em> comp\u00f4s m\u00fasicas em ingl\u00eas que fizeram sucesso nos Estados Unidos e na Europa. Esse grupo lan\u00e7ou um disco chamado <em>Roots. <\/em>Para buscar suas ra\u00edzes, eles se embrenharam numa aldeia xavante, no estado do Mato Grosso.<\/p>\n<p>Durante a fase populista de nossa hist\u00f3ria, o que vinha de fora era frequentemente visto como impuro e, portanto, perigoso. Assim, a Coca-Cola e o cinema de Hollywood eram muitas vezes satanizadas como exemplos de imperialismo cultural norte-americano, ao passo que o samba e o <em>Cinema Novo <\/em>eram vistos como exemplos do que havia de mais autenticamente nacional. Hoje a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais complexa: o logotipo da Coca-Cola est\u00e1 nas camisetas de nossos principais time de futebol e Sting, roqueiro ingl\u00eas, se dizia um defensor dos ind\u00edgenas do Brasil. <em>A Grande Arte, <\/em>filme feito por um brasileiro, apesar de rodado no Brasil, \u00e9 falado em ingl\u00eas. <em>O Quatrilho<\/em>, ao contr\u00e1rio da tradi\u00e7\u00e3o do <em>Cinema Novo<\/em>, n\u00e3o escolheu a figura do nordestino, mas a do colono italiano do Sul do pa\u00eds para retratar o Brasil. O filme foi estrelado por artistas da Rede Globo. Esta rede exporta suas telenovelas, <em>made in Brazil<\/em>, para pa\u00edses como, por exemplo, Portugal e China.<\/p>\n<p>Comparado com o ano de 1948, nosso pa\u00eds se tornou muito mais complexo, com uma gama de atores e identidades sociais, e fen\u00f4menos que n\u00e3o existiam naquela \u00e9poca. Trata-se de um pa\u00eds, ao mesmo tempo, moderno e atrasado. Somos uma sociedade com uma grande diversidade cultural, racial, \u00e9tnica e religiosa. Cabe aos nossos cientistas contribuir para o conhecimento desta riqueza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-revista-acompanhou-transformacoes-cientificas-e-culturais-do-paisfoto-arquivo-reproducao\"><strong>Capa. Revista acompanhou transforma\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e culturais do pa\u00eds<br \/>\n<\/strong>(Foto: Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o pa\u00eds passou por uma revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 demogr\u00e1fica&hellip;\n","protected":false},"author":201,"featured_media":6069,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6068"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/201"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6068"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6068\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6106,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6068\/revisions\/6106"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6069"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6068"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6068"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6068"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}