{"id":6077,"date":"2024-06-03T08:00:39","date_gmt":"2024-06-03T08:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6077"},"modified":"2024-06-02T19:34:49","modified_gmt":"2024-06-02T19:34:49","slug":"os-primeiros-computadores-nos-laboratorios-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6077","title":{"rendered":"Os primeiros computadores nos laborat\u00f3rios brasileiros"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"artigos-publicados-na-ciencia-cultura-mostram-como-o-computador-foi-se-tornando-a-partir-dos-anos-1950-um-equipamento-cada-vez-mais-essencial-para-a-pesquisa-cientifica\"><span style=\"color: #808080;\">Artigos publicados na Ci\u00eancia &amp; Cultura mostram como o computador foi se tornando, a partir dos anos 1950, um equipamento cada vez mais essencial para a pesquisa cient\u00edfica\u00a0<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1936, o matem\u00e1tico ingl\u00eas <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Alan_Turing\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Alan Turing<\/span><\/strong><\/a>, com apenas 24 anos, submeteu um artigo ao peri\u00f3dico <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.lms.ac.uk\/publications\/plms\"><strong><em>Proceedings of the London Mathematical Society<\/em><\/strong><\/a><\/span>. Publicado no ano seguinte, o artigo \u201c<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cs.virginia.edu\/~robins\/Turing_Paper_1936.pdf\"><strong><em>On Computable Numbers, with an Application to the Entscheidungsproblem<\/em><\/strong><\/a><\/span><strong><em><u>\u201d<\/u><\/em><\/strong> descreve como \u201cn\u00fameros comput\u00e1veis podem ser descritos brevemente como n\u00fameros reais cujas express\u00f5es como decimais s\u00e3o calcul\u00e1veis \u200b\u200bpor meios finitos\u201d. E o que eram os tais n\u00fameros comput\u00e1veis? \u201cDe acordo com minha defini\u00e7\u00e3o, um n\u00famero \u00e9 comput\u00e1vel se o seu decimal puder ser anotado por uma m\u00e1quina\u201d, disse Alan Turing. Resumindo, foi a primeira descri\u00e7\u00e3o do computador moderno.<\/p>\n<p>No artigo, Alan Turing reformulou resultados obtidos cinco anos antes pelo austr\u00edaco Kurt G\u00f6del, substituindo a linguagem formal universal baseada na aritm\u00e9tica de G\u00f6del pelos dispositivos hipot\u00e9ticos que chamou de \u201cm\u00e1quinas universais\u201d. Essas m\u00e1quinas, que poderiam ser programadas para realizar qualquer c\u00e1lculo matem\u00e1tico ou executar as tarefas de qualquer outra m\u00e1quina, tornar-se-iam conhecidas como \u201cm\u00e1quinas de Turing\u201d antes de virarem simplesmente \u201ccomputadores\u201d.<\/p>\n<p>Com a urg\u00eancia promovida pela Segunda Guerra Mundial, cientistas e engenheiros do Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos desenvolveram e colocaram em funcionamento a partir de 1940 diversos computadores eletromec\u00e2nicos program\u00e1veis, entre eles o pr\u00f3prio Turing, em Bletchley Park. Um dos mais conhecidos foi o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Harvard_Mark_I\"><strong>Harvard Mark I<\/strong><\/a><\/span>, constru\u00eddo pela IBM em 1944 nos Estados Unidos. Foram m\u00e1quinas que realizavam feitos inimagin\u00e1veis poucos anos antes, mas que tinham em comum o fato de serem todas anal\u00f3gicas. Um grande salto ocorreu em 1945, com a entrada em funcionamento do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/ENIAC\"><strong>Eniac<\/strong><\/a><\/span>, sigla de <em>Electronic Numerical Integrator and Computer<\/em>, que foi o primeiro computador de uso geral, program\u00e1vel, eletr\u00f4nico e digital. O ano que marcou o fim da Segunda Guerra viu o in\u00edcio de uma era tecnol\u00f3gica que continua nos dias de hoje.\u00a0(Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-construido-em-1945-o-eniac-foi-o-primeiro-computador-digital-programavelfoto-u-s-army-wikipedia-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6078\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura1-300x229.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"382\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura1-300x229.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura1-1024x783.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura1-768x587.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura1-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura1-800x612.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura1-1160x887.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura1.jpg 1477w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Constru\u00eddo em 1945, o ENIAC foi o primeiro computador digital program\u00e1vel<br \/>\n<\/strong>(foto: U.S. Army \/ Wikipedia. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alguns anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento do Eniac, o termo \u201ccomputador\u201d (ou \u201ccomputador eletr\u00f4nico\u201d, inicialmente) tornou-se presen\u00e7a frequente na revista <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a><\/span>. A primeira men\u00e7\u00e3o foi publicada em 1956 (volume 8, n\u00famero 3), no artigo \u201c<em>Um tanque anal\u00edtico para a An\u00e1lise de Servomecanismos<\/em>\u201d, de Philip Bartlett Smith e Iuda Dawid Goldman vel Lejbman, do ent\u00e3o Departamento de F\u00edsica da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\"><strong>USP<\/strong><\/a><\/span>. \u201cEnquanto o ponto de proa caminha sobre este equipotencial, um computador eletr\u00f4nico calcula o integral do fluxo varrido\u201d, escreveram os autores, ainda teorizando com rela\u00e7\u00e3o ao uso, uma vez que os modernos computadores n\u00e3o haviam dado as caras em universidades e institutos de pesquisa no Brasil.<\/p>\n<p>Em 1958, no artigo \u201c<em>Complementa\u00e7\u00e3o de Tabela de N\u00edveis de Energia para Rotores Quase-sim\u00e9tricos<\/em>\u201d (volume 10, n\u00famero 3), Nicolau Januzzi e S\u00e9rgio Pereira da Silva Porto, do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.ita.br\/\"><strong>Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica (ITA)<\/strong><\/a><\/span>, destacaram os \u201cos resultados foram obtidos pelo m\u00e9todo utilizado pelos autores e os c\u00e1lculos feitos num computador eletr\u00f4nico \u2013 Univac 120 \u2013 gentilmente cedida pelo Sr. S. Barros Martins, chefe da Divis\u00e3o Powers da Remington Rand de S\u00e3o Paulo, a quem os autores agradecem sensibilizados\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"em-sao-paulo-talvez-houvesse-um-ou-dois-computadores-em-algumas-empresas-mas-com-aplicacoes-comerciais-o-da-usp-foi-o-primeiro-computador-para-aplicacoes-cientificas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEm S\u00e3o Paulo, talvez houvesse um ou dois computadores em algumas empresas, mas com aplica\u00e7\u00f5es comerciais. O da USP foi o primeiro computador para aplica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/UNIVAC_I\"><strong>Univac<\/strong><\/a> <\/span>(<em>Universal Automatic Computer<\/em>) foi o primeiro computador eletr\u00f4nico produzido comercialmente nos Estados Unidos. Sua hist\u00f3ria remonta ao fim da d\u00e9cada de 1940, quando a Remington Rand come\u00e7ou a desenvolver o sistema, em equipe liderada por J. Presper Eckert e John Mauchly, os mesmos engenheiros respons\u00e1veis pelo Eniac. O desenvolvimento do Univac foi financiado em parte pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que viu o potencial dessas m\u00e1quinas para a realiza\u00e7\u00e3o de c\u00e1lculos complexos, como os necess\u00e1rios em projetos militares. Depois, al\u00e9m de ser usado no censo, o Univac se tornou conhecido no pa\u00eds quando foi usado pela rede de televis\u00e3o CBS para prever os resultados das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 1952. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-com-o-univac-os-computadores-deixam-as-instalacoes-militares-e-passam-a-ser-vendidosfoto-wikipedia-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6079\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura2-300x232.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"387\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura2-300x232.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura2-1024x792.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura2-768x594.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura2-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura2-800x619.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura2-1160x898.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura2.jpg 1402w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Com o Univac, os computadores deixam as instala\u00e7\u00f5es militares e passam a ser vendidos<br \/>\n<\/strong>(Foto: Wikipedia. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A terceira vez em que o termo computador entrou nas p\u00e1ginas de <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a><\/span> foi em 1962 (volume 14, n\u00famero 1), no artigo \u201c<em>A estrutura eletr\u00f4nica do \u00e1cido viol\u00farico<\/em>\u201d, de Yvonne Mascarenhas, ent\u00e3o pesquisadora no Departamento de F\u00edsica da Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos. Para calcular a densidade eletr\u00f4nica por meio da s\u00edntese de Fourier, Yvonne Mascarenhas usou um computador.<\/p>\n<p>\u201cQuando em 1959 comecei a trabalhar nos Estados Unidos no Departamento de Cristalografia chefiado pelo ingl\u00eas G. A. Jeffrey, tive uma oportunidade extraordin\u00e1ria de atuar em um grupo onde j\u00e1 se usava computador a fim de realizar os longos c\u00e1lculos necess\u00e1rios para, utilizando as intensidades dos feixes difratados, obter a estrutura molecular e cristalina das subst\u00e2ncias em estudo. A Universidade de Pittsburgh tinha um computador IBM 650 lan\u00e7ado no mercado pela IBM um ano antes\u201d, disse Mascarenhas \u00e0 revista <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/yvonne-primerano-mascarenhas-pensar-nunca-fez-mal-a-nenhuma-sociedade\/\"><strong>Pesquisa Fapesp<\/strong><\/a><\/span>. \u201cEntretanto, quando cheguei a S\u00e3o Carlos, n\u00e3o havia computador no campus. O \u00fanico computador existente na USP ficava na Escola Polit\u00e9cnica. Era um IBM 1620 e eu passei a viajar frequentemente para S\u00e3o Paulo para us\u00e1-lo por cerca de duas horas. Insisti muito para que alguma das verbas que o nosso Departamento de F\u00edsica da Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos recebia dos \u00f3rg\u00e3os financiadores fosse dedicada a comprar um computador. Isso foi feito com recursos do BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento]\u201d, disse.<\/p>\n<p>O uso e a inser\u00e7\u00e3o de dados nos computadores da \u00e9poca eram bastante diferentes do que estamos acostumados hoje em dia. Os dados eram inseridos principalmente por meio de cart\u00f5es perfurados. Os programadores preparavam esses cart\u00f5es usando uma m\u00e1quina chamada perfuradora de cart\u00f5es. Cada cart\u00e3o continha uma linha de dados ou instru\u00e7\u00f5es, perfuradas em posi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para representar caracteres alfanum\u00e9ricos ou comandos do sistema. Os cart\u00f5es perfurados eram ent\u00e3o organizados em pilhas e inseridos no leitor de cart\u00f5es do computador.<\/p>\n<p>Tanto o primeiro computador da IBM a chegar ao Brasil, em 1959, o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/museucapixaba.com.br\/hoje\/ibm-650-de-1953\/\"><strong>IBM 650<\/strong><\/a><\/span>, quanto o <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/IBM_1620\"><strong>IBM 1620<\/strong><\/a>, eram baseados em tubos de v\u00e1cuo e tinham uma unidade central de processamento (CPU) que executava as instru\u00e7\u00f5es contidas nos cart\u00f5es. As opera\u00e7\u00f5es eram realizadas sequencialmente, processando um cart\u00e3o de cada vez. O computador lia os cart\u00f5es perfurados, executava as opera\u00e7\u00f5es especificadas e, em seguida, passava para o pr\u00f3ximo cart\u00e3o. A sa\u00edda de dados era geralmente feita por meio de impressoras ou perfuradoras, que produziam resultados na forma de cart\u00f5es perfurados ou de impressos em papel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-pesquisas-em-eletronica-e-computacao-revolucionaram-as-tecnicas-industriais-de-comunicacao-de-ensino-e-muitas-outras-a-computacao-amplifica-a-capacidade-humana-de-acumular-classificar\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAs pesquisas em eletr\u00f4nica e computa\u00e7\u00e3o revolucionaram as t\u00e9cnicas industriais, de comunica\u00e7\u00e3o, de ensino e muitas outras. A computa\u00e7\u00e3o amplifica a capacidade humana de acumular, classificar e analisar dados.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os cart\u00f5es perfurados eram propensos a erros e danos. Um \u00fanico furo fora do lugar poderia causar grandes problemas nos resultados do processamento. A prepara\u00e7\u00e3o dos cart\u00f5es perfurados era um processo lento e propenso a erros humanos. A depura\u00e7\u00e3o de programas tamb\u00e9m era desafiadora, pois envolvia a identifica\u00e7\u00e3o manual de erros nos cart\u00f5es perfurados. O tempo de espera para a obten\u00e7\u00e3o dos resultados era consider\u00e1vel. Uma vez que o computador processava os dados de forma sequencial, grandes volumes de dados poderiam levar horas, ou at\u00e9 dias, para serem processados. Em geral, o uso de computadores na d\u00e9cada de 1960 era uma tarefa complexa e exigia habilidades t\u00e9cnicas significativas. O processo de entrada de dados por meio de cart\u00f5es perfurados, juntamente com as limita\u00e7\u00f5es de velocidade e capacidade de processamento dos computadores da \u00e9poca, tornava o uso dessas m\u00e1quinas uma atividade desafiadora e demorada.<\/p>\n<p>Yvonne Mascarenhas lembrou desse processo no artigo \u201c<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1515\/pac-2018-0606\"><strong><em>Science in my life<\/em><\/strong><\/a><\/span><em><u>\u201d<\/u><\/em>, publicado em 2019 na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.degruyter.com\/journal\/key\/pac\/html\"><strong><em>Pure and Applied Chemistry<\/em><\/strong><\/a><\/span>, em que apresenta um panorama de sua carreira desde o primeiro contato com a Qu\u00edmica em 1948. \u201cAntes de iniciar a coleta de dados, tive que decidir como realizar nossas medi\u00e7\u00f5es para obter os melhores dados poss\u00edveis para o c\u00e1lculo da densidade eletr\u00f4nica (&#8230;) As intensidades de 425 reflex\u00f5es foram estimadas por compara\u00e7\u00e3o visual com uma escala padr\u00e3o. Depois, tive que perfurar manualmente os cart\u00f5es do tipo Hollerith \u2013 um cart\u00e3o por reflex\u00e3o \u2013 que foram usados \u200b\u200bpara alimentar dados ao computador IBM no Centro de Processamento de Dados da Universidade. Depois veio o pr\u00f3ximo passo: produzir modelos e test\u00e1-los utilizando os programas existentes para c\u00e1lculo de fatores de estrutura e densidades eletr\u00f4nicas\u201d, escreveu.\u00a0(Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-o-ibm-650-foi-o-primeiro-computador-digital-produzido-em-escala-industrial-e-o-primeiro-a-chegar-ao-brasilfoto-ibm-arquivo-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6080\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura3-300x239.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura3-300x239.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura3-1024x816.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura3-768x612.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura3-15x12.jpg 15w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura3-800x637.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura3-1160x924.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura3.jpg 1420w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. O IBM 650 foi o primeiro computador digital produzido em escala industrial e o primeiro a chegar ao Brasil<br \/>\n<\/strong>(foto: IBM\/ Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1964, a palavra \u201ccomputador\u201d volta \u00e0s p\u00e1ginas de <a href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a> (volume 16, n\u00famero 2), novamente com Yvonne Mascarenhas, com a comunica\u00e7\u00e3o \u201c<em>Alguns resultados preliminares relativos \u00e0 estrutura cristalina do clorocuprato de 11-Amino-undecan\u00f3ico<\/em>\u201d. \u201cTodos os c\u00e1lculos foram realizados no computador IBM 1620 da Universidade de S\u00e3o Paulo (&#8230;) Queremos agradecer ao pessoal do Computador e em particular ao Sr. Alain Lepine que se encarregou do processamento dos dados\u201d, escreveu a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"programa-pioneiro\"><strong>Programa pioneiro<\/strong><\/h4>\n<p>Em 1965, o artigo \u201c<em>Estimativa do efeito gen\u00e9tico dos casamentos consangu\u00edneos<\/em>\u201d (volume 17, n\u00famero 4) foi publicado com um ap\u00eandice de Ivan Jelinek Kantor intitulado \u201cPrograma para se estimar a carga gen\u00e9tica revelada pelo endocruzamento (&#8230;) usando-se um computador eletr\u00f4nico IBM-1620\u201d, que consistia nas linhas de c\u00f3digo de um programa escrito na linguagem Fortran e usado no estudo gen\u00e9tico feito por Ademar Freire-Maia e Newton Freire-Maia na Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas e Biol\u00f3gicas em Botucatu e no Laborat\u00f3rio de Gen\u00e9tica Humana da Universidade do Paran\u00e1. Com a publica\u00e7\u00e3o do programa, outros cientistas poderiam empreg\u00e1-los em seus trabalhos.<\/p>\n<p>Na mesma edi\u00e7\u00e3o saiu o artigo \u201c<em>O emprego do computador eletr\u00f4nico na simula\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos gen\u00e9ticos populacionais<\/em>\u201d, de Luiz Edmundo de Magalh\u00e3es, do Departamento de Biologia Geral da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras, e Jos\u00e9 Dion de Melo Teles e Jos\u00e9 Barbosa de Oliveira, do Centro de C\u00e1lculo Num\u00e9rico da USP, que destaca: \u201ca simula\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica abre um novo caminho para a gen\u00e9tica de popula\u00e7\u00f5es\u201d.\u00a0\u201cOs m\u00e9todos de simula\u00e7\u00e3o apresentam, em geral, uma grande flexibilidade, isto \u00e9, podemos submeter os sistemas que estamos analisando \u00e0 diferentes condi\u00e7\u00f5es passando de uma para outra, simulando uma situa\u00e7\u00e3o real que seria altamente complicada de analisar analiticamente. Diante dessas facilidades, antes de realizarmos uma experi\u00eancia em laborat\u00f3rio, podemos simular no computador a experi\u00eancia desejada, variando certos par\u00e2metros e estudar cuidadosamente todos os resultados obtidos e assim determinar quais as condi\u00e7\u00f5es mais apropriadas para a realiza\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia em laborat\u00f3rio ou na natureza\u201d, disseram os autores.<\/p>\n<p>\u201cO computador \u00e9 um dispositivo repetitivo e sujeito a uma l\u00f3gica ditada pelo pesquisador atrav\u00e9s de um &#8216;programa&#8217; em linguagem pr\u00f3pria como a &#8216;linguagem b\u00e1sica&#8217;, o &#8216;Fortran&#8217;, etc. A diferen\u00e7a b\u00e1sica deste dispositivo para os de c\u00e1lculos cl\u00e1ssicos (m\u00e1quinas de calcular) est\u00e1 na mem\u00f3ria, onde \u00e9 guardada a sequ\u00eancia de opera\u00e7\u00f5es para processamento dos dados (entrada) e fornecimento dos resultados no formato desejado (sa\u00edda). Os dados, programa e resultados, s\u00e3o guardados em \u201c\u00e1reas\u201d da mem\u00f3ria; com os dados, o programa \u00e9 processado e os resultados s\u00e3o fornecidos ao experimentador na forma e ritmo previstos no programa\u201d, escreveram Magalh\u00e3es, Teles e Oliveira sobre o funcionamento do novo instrumento que come\u00e7ava a fazer parte dos trabalhos de pesquisa no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ibm-1620\"><strong>IBM 1620<\/strong><\/h4>\n<p>O IBM 1620 se tornou um <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=a0lumuJ47-4\"><strong>personagem famoso<\/strong><\/a><\/span> para a ci\u00eancia da \u00e9poca, desde que chegou ao Centro de C\u00e1lculo Num\u00e9rico no Departamento de Matem\u00e1tica da Escola Polit\u00e9cnica. \u201cA iniciativa de instalar um computador na USP foi do professor [Jos\u00e9 Ot\u00e1vio] Monteiro de Camargo, o grande impulsionador de a USP ter um computador, com o professor Oscar Sala, do Instituto de F\u00edsica, e o professor [Fl\u00e1vio Fausto] Manzoli, da Faculdade de Economia. Todas as universidades americanas j\u00e1 tinham computador. Era uma coisa que estava se espalhando no mundo e eles acharam que a USP tamb\u00e9m tem que ter\u201d, disse o professor Valdemar Setzer, do Instituto de Matem\u00e1tica e Estat\u00edstica, em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=a0lumuJ47-4\"><strong><span style=\"color: #800000;\">entrevista<\/span><\/strong><\/a> ao Canal USP.\u00a0(Figura 4)<\/p>\n<h6 id=\"figura-4-o-ibm-1620-foi-o-computador-mais-usado-nos-laboratorios-brasileiros-na-decada-de-1960foto-todd-dailey-wikipedia-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6082\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura4-300x142.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"237\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura4-300x142.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura4-1024x485.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura4-768x364.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura4-18x9.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura4-800x379.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura4-1160x549.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CC-2E24-reportagem-Os-primeiros-computadores-nos-laborato\u0301rios-brasileiros-figura4.jpg 1512w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 4. O IBM 1620 foi o computador mais usado nos laborat\u00f3rios brasileiros na d\u00e9cada de 1960<br \/>\n<\/strong>(Foto: Todd Dailey \/ Wikipedia. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isu Fang, que dirigiu o ent\u00e3o Centro de C\u00e1lculo Num\u00e9rico (CCN) da USP, estima que o IBM 1620 custou meio milh\u00e3o de d\u00f3lares, para uma m\u00e1quina com ent\u00e3o 20 K de mem\u00f3ria \u2013 centenas de vezes menos do que uma \u00fanica foto feita hoje com um smartphone. \u201cEm S\u00e3o Paulo, talvez houvesse um ou dois computadores em algumas empresas, mas com aplica\u00e7\u00f5es comerciais. O da USP foi o primeiro computador para aplica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. Come\u00e7ou em 1962 e foi uma coisa exponencial, pois cada vez mais gente queria usar\u201d, disse o professor Tomasz Kowaltowski na mesma entrevista.<\/p>\n<p>Em 1967, a <a href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/span><\/strong><\/a> (volume 19, n\u00famero 4) noticia a cria\u00e7\u00e3o do Centro de Processamento de Dados da Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos da USP que tem, \u201centre outras finalidades, as de executar trabalhos que lhes forem solicitados por entidades p\u00fablicas ou particulares e ministrar cursos sobre programa\u00e7\u00e3o, processamento e opera\u00e7\u00e3o de problemas que necessitem o emprego do computador eletr\u00f4nico\u201d.<\/p>\n<p>Em 1968 (volume 20, n\u00famero 2), outra not\u00edcia sobre computador, desta vez a inaugura\u00e7\u00e3o do Computador Cient\u00edfico da USP, com presen\u00e7a de altas autoridades e membros do Conselho Universit\u00e1rio da universidade e do Conselho Nacional de Pesquisas. Instalado no Departamento de F\u00edsica da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras, na Cidade Universit\u00e1ria, o computador foi doado \u00e0 USP pelo Conselho Nacional de Pesquisas e pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp). \u201cCom 128 mil posi\u00e7\u00f5es de mem\u00f3ria, este moderno aparelho destina-se, inicialmente, ao processamento de c\u00e1lculos cient\u00edficos\u201d, noticiou.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"1962: chega \u00e0 USP o IBM 1620!\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/a0lumuJ47-4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h6 id=\"video-1962-chega-a-usp-o-ibm-1960fonte-usp-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong>V\u00eddeo: 1962: chega \u00e0 USP o IBM 1960!<\/strong><br \/>\n(Fonte: USP. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1969 (volume 20, n\u00famero 2), Maria de Lourdes Bemfica, da Biblioteca Central da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais, no artigo \u201c<em>Biblioteca, Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e Universidade<\/em>\u201d, defende o uso de computador para auxiliar a \u201cprovidenciar acesso apropriado e seguro ao conhecimento e \u00e0 informa\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cA Automa\u00e7\u00e3o na Biblioteca, ajuda o bibliotec\u00e1rio a conduzir melhor o trabalho de assist\u00eancia ao leitor; o Processamento de Dados no Centro, informa o usu\u00e1rio, diretamente. A Universidade, por sua vez, \u00e9 local apropriado para o funcionamento de um Centro de Informa\u00e7\u00e3o, instalado na Biblioteca Central e controlado por um computador no campus\u201d, pontuou Maria de Lourdes Bemfica.<\/p>\n<p>Nos anos seguintes, v\u00e1rios artigos publicados na<span style=\"color: #800000;\"> <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a> <\/span>mencionam o uso do computador nas mais diversas \u00e1reas do conhecimento, como qu\u00edmica, agronomia, gen\u00e9tica, biologia marinha, engenharia, f\u00edsica, matem\u00e1tica, astronomia, hist\u00f3ria e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ciencia-da-computacao\"><strong>Ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>No artigo \u201c<em>A d\u00e9cada dos 70 e perspectivas brasileiras\u201d<\/em>, publicado em 1970 (volume 22, n\u00famero 3), Warwick Kerr, que presidiu a<span style=\"color: #800000;\"> <a style=\"color: #800000;\" href=\"Sociedade%2520Brasileira%2520para%2520o%2520Progresso%2520da%2520Ci%2525C3%2525AAncia%2520(SBPC)\"><strong>Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC)<\/strong><\/a> <\/span>de 1969 a 1973, destaca a import\u00e2ncia do computador. \u201cAs pesquisas em eletr\u00f4nica e computa\u00e7\u00e3o revolucionaram as t\u00e9cnicas industriais, de comunica\u00e7\u00e3o, de ensino e muitas outras. A computa\u00e7\u00e3o amplifica a capacidade humana de acumular, classificar e analisar dados. Por isso o poder de computa\u00e7\u00e3o dos EUA est\u00e1 sendo multiplicado por 10 em cada 2 anos e meio\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-acelerada-mudanca-e-o-desenvolvimento-extraordinario-que-se-verificou-nestes-ultimos-anos-no-desenvolvimento-dos-computadores-digitais-tem-tido-seus-reflexos-nas-modificacoes-que-se-prod\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA acelerada mudan\u00e7a e o desenvolvimento extraordin\u00e1rio que se verificou, nestes \u00faltimos anos, no desenvolvimento dos computadores digitais, tem tido seus reflexos nas modifica\u00e7\u00f5es que se produzem na pesquisa em educa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1971 (n\u00famero 6), Joel Martins, da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.pucsp.br\/paginainicial\/\"><strong>Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP)<\/strong><\/a><\/span>, no artigo \u201c<em>Objetivos e estrutura de um curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o para pesquisadores educacionais<\/em>\u201d, destaca a introdu\u00e7\u00e3o do computador na pesquisa em educa\u00e7\u00e3o. \u201cA acelerada mudan\u00e7a e o desenvolvimento extraordin\u00e1rio que se verificou, nestes \u00faltimos anos, no desenvolvimento dos computadores digitais, tem tido seus reflexos nas modifica\u00e7\u00f5es que se produzem na pesquisa em educa\u00e7\u00e3o. O n\u00facleo das influ\u00eancias tem sido o desenvolvimento das t\u00e9cnicas de an\u00e1lise de dados. Antes dos computadores, os m\u00e9todos anal\u00edticos exigiam um c\u00e1lculo infinito que podia ser aplicado apenas com grandes limita\u00e7\u00f5es. Hoje, todos os m\u00e9todos de an\u00e1lise, ou quase todos, podem ser, pronta e repetidamente, usados com relativa facilidade, uma vez que se conhe\u00e7am as possibilidades de an\u00e1lise e as limita\u00e7\u00f5es que os computadores oferecem. Esta posi\u00e7\u00e3o determina um novo tipo de problema. Enquanto se usava o m\u00e9todo da an\u00e1lise fatorial com alguma facilidade, os problemas que exigiam c\u00e1lculos longos e trabalhosos eram proibitivos. No campo da personalidade e dos aspectos sociais da educa\u00e7\u00e3o, como atitude e outras escalas e testes, o trabalho era quase proibitivo para os pesquisadores que n\u00e3o viam meios de executarem a complexidade e extens\u00e3o dos c\u00e1lculos. Sendo agora poss\u00edvel e realiz\u00e1vel esta an\u00e1lise, o uso do computador influenciou a teoria psicol\u00f3gica e a constru\u00e7\u00e3o de escalas e testes. O computador traz consigo alguns efeitos colaterais que influenciam muito a pesquisa em educa\u00e7\u00e3o. De uma certa forma, o computador \u00e9 um professor, pois for\u00e7a o pesquisador a aprender os seus m\u00e9todos em profundidade. Para fazer o computador realizar algo, \u00e9 preciso instru\u00e7\u00f5es operat\u00f3rias detalhadas. Estas instru\u00e7\u00f5es, comumente, exigem uma compreens\u00e3o funcional completa dos m\u00e9todos usados. Um segundo efeito colateral, \u00e9 que os pesquisadores precisam compreender os usos dos computadores e a programa\u00e7\u00e3o\u201d, escreveu.<\/p>\n<p>A mesma edi\u00e7\u00e3o noticiou o convite feito pela <a href=\"Unesco\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Unesco<\/span><\/strong><\/a> ao professor S\u00e9rgio Mascarenhas, da Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos e membro da Comiss\u00e3o de Tecnologia da USP, \u201cpara representar a Am\u00e9rica Latina na comiss\u00e3o de cinco consultores encarregada de organizar uma confer\u00eancia sobre tecnologia educacional e o uso dos computadores a realizar-se em Moscou, em 1972\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"1968 - COMPUTADOR DA USP\" width=\"1200\" height=\"900\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/75rDe0xICCk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h6 id=\"video-1968-computador-da-uspfonte-sebo-dos-videos-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong>V\u00eddeo: 1968: Computador da USP<\/strong><br \/>\n(Fonte: Sebo dos V\u00efdeos. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o de outubro de 1973 publicou o artigo \u201c<em>O Brasil face ao desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico mundial<\/em>\u201d, no qual Jayme Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, diretor-presidente da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/fapesp.br\/\"><strong>Fapesp<\/strong><\/a><\/span> de 1962 a 1976, fala sobre a import\u00e2ncia do computador e destaca suas limita\u00e7\u00f5es em um momento em que ainda n\u00e3o era comum nos laborat\u00f3rios de pesquisa brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cO computador tem utilidade real. A superioridade que apresenta sobre o esp\u00edrito humano \u00e9 a do seu poder de tirar conclus\u00f5es de dados muito complexos. O esp\u00edrito humano \u00e9 capaz, facilmente, de compreender as rela\u00e7\u00f5es determinantes entre duas vari\u00e1veis. \u00c9 incapaz, de faz\u00ea-lo, se as vari\u00e1veis forem muitas, embora estas estejam ligadas por simples rela\u00e7\u00e3o. Este fato tem sido comprovado muitas vezes. Evidentemente, o que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 o aperfei\u00e7oamento do processo de computa\u00e7\u00e3o, e neste sentido ainda h\u00e1 muito o que fazer\u201d, escreveu.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o de dezembro de 1973 publica o artigo \u201c<em>Estrutura de um Programa de Bacharelato em Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>, no qual Fulvia Stamato e Jos\u00e9 Stamato J\u00fanior, da USP em S\u00e3o Carlos, apresentam o projeto de um curr\u00edculo. Segundo os autores, \u201cconsidera\u00e7\u00f5es sobre a natureza da Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o levaram-nos \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o deste programa, sendo uma modifica\u00e7\u00e3o do originalmente proposto para o Departamento de Matem\u00e1tica, e que procura servir como base para a cria\u00e7\u00e3o de novos cursos de Ci\u00eancia de Computa\u00e7\u00e3o, quer como uma nova op\u00e7\u00e3o dentro dos curr\u00edculos de Matem\u00e1tica Aplicada, Engenharia El\u00e9trica, Engenharia de Sistemas, etc., quer como curso espec\u00edfico para a forma\u00e7\u00e3o de especialistas na \u00e1rea de Computa\u00e7\u00e3o Eletr\u00f4nica\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"patinho-feio\"><strong>Patinho Feio<\/strong><\/h4>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o de <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a><\/span> de julho de 1976, Selma Shin Shimizu Melnikoff, da Escola Polit\u00e9cnica da USP, descreve as atividades do Laborat\u00f3rio de Sistemas Digitais (LSD), que ent\u00e3o contava com 30 engenheiros e 40 estagi\u00e1rios e desenvolvia projetos em v\u00e1rias \u00e1reas, e fala sobre o hist\u00f3rico computador desenvolvido na USP, o <a href=\"https:\/\/pcs.usp.br\/blog\/2022\/09\/26\/poli-usp-comemora-os-50-anos-do-patinho-feio-primeiro-computador-brasileiro\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Patinho Feio<\/span><\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>\u201cEm \u2018hardware\u2019, as principais atividades do grupo de concentram no projeto e implementa\u00e7\u00e3o de dois computadores, o Pato Feio e G-10 (sendo esse \u00faltimo, com a colabora\u00e7\u00e3o de Equipamentos Eletr\u00f4nicos S.A.), e das suas interfaces para os dispositivos de entrada e sa\u00edda. Foram tamb\u00e9m desenvolvidos os programas de \u2018software\u2019 b\u00e1sico para essas m\u00e1quinas: montadores, carregadores, compiladores (Algol e Patol para Pato Feio e Fortran para G-10) e outros. Esses projetos, tanto de \u2018software\u2019 como de \u2018hardware\u2019, foram bastante auxiliados pela utiliza\u00e7\u00e3o de simuladores e. interpretadores, constru\u00eddos pela equipe. Al\u00e9m disso, est\u00e1 sendo atualmente desenvolvido um sistema de automa\u00e7\u00e3o de projetos de \u2018software\u2019 e \u2018hardware\u2019. Alguns dos programas j\u00e1 se encontram implementados e outros em desenvolvimento. Ao lado desses trabalhos, existem in\u00fameros outros em andamento, como teses de doutoramento e mestrado e programa de treinamento de estagi\u00e1rios\u201d, disse Selma Melnikoff.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A hist\u00f3ria do projeto Patinho Feio\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wQ22Ymo0Spk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h6 id=\"video-a-historia-do-projeto-patinho-feiofonte-escola-politecnica-da-usp-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong>V\u00eddeo: A hist\u00f3ria do projeto Patinho Feio<\/strong><br \/>\n(Fonte: Escola Polit\u00e9cnica da USP. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na mesma edi\u00e7\u00e3o, em \u201c<em>Simula\u00e7\u00e3o de Problemas Complexos da Intelig\u00eancia Artificial\u201d<\/em>, Tamio Shimizu, tamb\u00e9m da Escola Polit\u00e9cnica da USP, aborda uma \u00e1rea da computa\u00e7\u00e3o muito popular atualmente e tamb\u00e9m menciona a tecnologia por tr\u00e1s dos atuais <em>chatbots<\/em>, ao falar da aplica\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas de intelig\u00eancia artificial na constru\u00e7\u00e3o de modelos para simula\u00e7\u00e3o de problemas complexos.<\/p>\n<p>\u201cAs t\u00e9cnicas e m\u00e9todos usuais de constru\u00e7\u00e3o e testes de modelos matem\u00e1ticos tornam-se ineficientes quando o problema a ser simulado requer um n\u00famero elevado de vari\u00e1veis para sua representa\u00e7\u00e3o, ou quando o problema \u00e9 do tipo especial com um simulador que responde pergunta ou efetua tradu\u00e7\u00f5es. Um esquema geral com as frases principais, tais como busca global e local, busca heur\u00edstica, aprendizagem e realimenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 apresentado. Tamb\u00e9m \u00e9 apresentado em exemplo de simula\u00e7\u00e3o complexa adotando tais esquemas, \u00e9 um exemplo de sistemas simulador que responde a perguntas formuladas em sua linguagem natural\u201d, disse.<\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1980, diminuem as men\u00e7\u00f5es ao termo \u201ccomputador\u201d nas p\u00e1ginas de Ci\u00eancia e Cultura. O equipamento deixou de ser novidade nos laborat\u00f3rios e nas pesquisas, em todas as \u00e1reas do conhecimento. Tornou-se fundamental e onipresente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-computadores-marcaram-desenvolvimento-da-ciencia-brasileira-e-presenca-nas-paginas-da-revistafoto-poli-usp-arquivo-reproducao\"><strong>Capa. Computadores marcaram desenvolvimento da ci\u00eancia brasileira e presen\u00e7a nas p\u00e1ginas da revista<br \/>\n<\/strong>(Foto: Poli-USP\/ Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Artigos publicados na Ci\u00eancia &amp; Cultura mostram como o computador foi se&hellip;\n","protected":false},"author":202,"featured_media":6081,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6077"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6077"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6077\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6095,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6077\/revisions\/6095"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6081"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6077"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6077"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}