{"id":6190,"date":"2024-06-17T08:00:32","date_gmt":"2024-06-17T08:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6190"},"modified":"2024-06-17T10:31:51","modified_gmt":"2024-06-17T10:31:51","slug":"protagonismo-das-mulheres-na-historia-da-ciencia-cultura-e-o-papel-transformador-da-divulgacao-cientifica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6190","title":{"rendered":"Protagonismo das mulheres na Ci\u00eancia &#038; Cultura e o papel transformador da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"ao-longo-dos-seus-75-anos-a-revista-ciencia-cultura-promove-a-participacao-das-mulheres-na-ciencia\"><span style=\"color: #808080;\">Ao longo dos seus 75 anos, a revista Ci\u00eancia &amp; Cultura promove a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na ci\u00eancia\u00a0<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o das mulheres na forma\u00e7\u00e3o do pensamento cient\u00edfico \u00e9 t\u00e3o antiga quanto a origem da pr\u00f3pria ci\u00eancia. Contudo, a atua\u00e7\u00e3o feminina est\u00e1 longe de ter a mesma equidade ao longo da hist\u00f3ria: meninas e mulheres ainda enfrentam uma s\u00e9rie de obst\u00e1culos ao acesso \u00e0s carreiras cient\u00edficas, assim como \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o e \u00e0 promo\u00e7\u00e3o, que abrangem aspectos tanto culturais quanto estruturais.<\/p>\n<p>Felizmente, este cen\u00e1rio vem mudando, mesmo que a passos lentos. Hoje, vemos mulheres envolvidas em v\u00e1rias \u00e1reas e perspectivas na ci\u00eancia, onde at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s s\u00f3 v\u00edamos homens atuando. Prova disso \u00e9 o fato de que 46% \u2014 ou seja, quase metade do total de pesquisadores nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe \u2014 s\u00e3o mulheres, segundo <a href=\"https:\/\/www.britishcouncil.org.br\/sites\/default\/files\/policypapers-cilac-gender-pt.pdf\"><span style=\"color: #800000;\"><strong>relat\u00f3rio<\/strong><\/span><\/a> realizado pela <a href=\"https:\/\/www.britishcouncil.org.br\/sites\/default\/files\/policypapers-cilac-gender-pt.pdf\"><span style=\"color: #800000;\"><strong>British Council<\/strong><\/span><\/a> em parceria com a <a href=\"https:\/\/www.britishcouncil.org.br\/sites\/default\/files\/policypapers-cilac-gender-pt.pdf\"><span style=\"color: #800000;\"><strong>Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU)<\/strong><\/span><\/a> em 2022. Com isso, a regi\u00e3o conquistou na \u00faltima d\u00e9cada a chamada paridade de g\u00eanero na ci\u00eancia, que ocorre quando 45% entre 55% dos pesquisadores s\u00e3o representados por mulheres. Ainda, o Brasil possui 72% de seus artigos cient\u00edficos assinados por ao menos uma mulher (seja como autora ou coautora), liderando o ranking dos pa\u00edses ibero-americanos, de acordo com o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2019-03\/mulheres-assinam-72-dos-artigos-cientificos-publicados-pelo-brasil\"><strong>estudo da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Ibero-americanos (OEI)<\/strong><\/a><\/span> realizado em 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"com-certeza-a-divulgacao-cientifica-pode-reforcar-o-protagonismo-delas-na-producao-de-ciencia-tecnologia-e-inovacao-em-todos-os-campos-de-conhecimento-difundir-sua-producao-cientifica-e-af\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cCom certeza, a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica pode refor\u00e7ar o protagonismo delas na produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o em todos os campos de conhecimento, difundir sua produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e afetar positivamente a opini\u00e3o p\u00fablica.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOs canais de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que se prop\u00f5em a contar as hist\u00f3rias de vida das mulheres e de suas pesquisas enquanto cientistas promovem n\u00e3o s\u00f3 a visibilidade, mas tamb\u00e9m desconstroem muitos estere\u00f3tipos e mitos, al\u00e9m de inspirar outras meninas e mulheres a produzir conhecimento e a pensarem que \u2018esse espa\u00e7o tamb\u00e9m \u00e9 pra mim\u2019\u201d, declara Bettina Heerdt, professora do Departamento de Biologia na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/\"><strong>Universidade Estadual do Centro Oeste do Paran\u00e1 (Unicentro)<\/strong><\/a><\/span> e pesquisadora em\u00a0 Educa\u00e7\u00e3o e Ensino, G\u00eanero, Sexualidade e rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais. \u201cCom certeza, a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica pode refor\u00e7ar o protagonismo delas na produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o em todos os campos de conhecimento, difundir sua produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e afetar positivamente a opini\u00e3o p\u00fablica\u201d, afirma Maria Elisa M\u00e1ximo, professora do Departamento de Antropologia da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"Universidade%2520Federal%2520de%2520Santa%2520Catarina%2520(UFSC)\"><strong>Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)<\/strong><\/a><\/span> e secret\u00e1ria regional da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\"><strong>Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC)<\/strong><\/a><\/span> de Santa Catarina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"inspiracoes\"><strong>Inspira\u00e7\u00f5es<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>A revista <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a><\/span> da SBPC, como o mais antigo ve\u00edculo de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em circula\u00e7\u00e3o no Brasil, sempre se preocupou em estimular a participa\u00e7\u00e3o feminina. Especialmente no contexto da revista ao longo de seus 75 anos de exist\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel observar a evolu\u00e7\u00e3o dessas representa\u00e7\u00f5es e narrativas na ci\u00eancia. O primeiro artigo escrito por uma mulher foi publicado por Rosina de Barros (1909-1996) j\u00e1 na terceira edi\u00e7\u00e3o da revista, em 1949. Nomes como Graziela Maciel Barroso (1912-2003), importante bot\u00e2nica brasileira, Mar\u00edlia Chaves Peixoto (1921-1961) matem\u00e1tica e engenheira e primeira mulher brasileira a ingressar na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"Academia%2520Brasileira%2520de%2520Ci%25C3%25AAncias%2520(ABC)\"><strong>Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC)<\/strong><\/a><\/span>, Elisa Frota Pessoa (1921-2018), uma das primeiras f\u00edsicas no pa\u00eds e uma das fundadoras do Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF), s\u00e3o importantes protagonistas cujo impacto de seus pioneirismos refletem diretamente na evolu\u00e7\u00e3o acad\u00eamica que vivenciamos at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n<p>Com destaque tamb\u00e9m para Johanna Dobereiner (1924-2000), agr\u00f4noma pioneira em biologia de solo, cujo estudo sobre a fixa\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio representou um avan\u00e7o significativo para a agricultura tropical e o cultivo de soja. O Brasil \u00e9 hoje o maior exportador de soja do mundo, com cerca de 101 milh\u00f5es de toneladas de soja exportada em 2023, segundo a <span style=\"color: #800000;\"><strong>Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC)<\/strong><\/span>.\u00a0(Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-johanna-dobereiner-engenheira-agronoma-brasileira-pioneira-em-biologia-do-solo-fonte-embrapa-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6191\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura1-300x196.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"327\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura1-300x196.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura1-1024x669.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura1-768x502.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura1-800x523.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura1-1160x758.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura1.jpg 1370w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Johanna Dobereiner, engenheira agr\u00f4noma brasileira, pioneira em biologia do solo.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Embrapa. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 praticamente imposs\u00edvel n\u00e3o associar a SBPC aos feitos de Carolina Bori (1924-2004): a primeira mulher a ocupar a presid\u00eancia da entidade em 1987. Entre tantas frentes de atua\u00e7\u00e3o, Carolina Bori destacou-se ao popularizar a ci\u00eancia por meio de programas de r\u00e1dio e confer\u00eancias, na regula\u00e7\u00e3o da Psicologia como ensino e profiss\u00e3o no Brasil, enfrentou a ditadura militar e defendeu que a comunidade cient\u00edfica olhasse para os problemas sociais do pa\u00eds, buscando diminuir a dist\u00e2ncia entre o conhecimento acad\u00eamico e o p\u00fablico em geral.\u00a0(Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-carolina-bori-uma-das-primeiras-psicologas-brasileiras-a-realizar-trabalhos-de-campo-e-primeira-mulher-a-ocupar-a-presidencia-da-sbpcfonte-abpmc-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6192\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura2-300x183.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura2-300x183.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura2-768x467.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura2.jpg 797w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Carolina Bori, uma das primeiras psic\u00f3logas brasileiras a realizar trabalhos de campo e primeira mulher a ocupar a presid\u00eancia da SBPC<br \/>\n<\/strong>(Fonte: ABPMC. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Membro titular da ABC, Vanderlan da Silva Bolzani (1949), professora do Instituto de Qu\u00edmica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara, foi a primeira presidente da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"Sociedade%2520Brasileira%2520de%2520Qu%25C3%25ADmica%2520(SBQ)\"><strong>Sociedade Brasileira de Qu\u00edmica (SBQ)<\/strong><\/a><\/span> em 2008 e vice-presidente da SBPC durante dois mandatos, sendo respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio \u201cCarolina Bori Ci\u00eancia &amp; Mulher\u201d em 2019. \u201cAt\u00e9 ent\u00e3o, a SBPC s\u00f3 tinha premiado homens e n\u00e3o tinha nenhuma premia\u00e7\u00e3o para homenagear as cientistas mulheres. Ent\u00e3o, em uma assembleia-geral fiz a proposta de cria\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Carolina Bori para mulheres e meninas na ci\u00eancia: hoje um grande sucesso. Sinto-me feliz por ter criado esta premia\u00e7\u00e3o e mais ainda por ter tido total apoio\u201d, declara. Este ano, a pesquisadora foi homenageada com uma edi\u00e7\u00e3o especial da revista cient\u00edfica <strong><em>Journal of Natural Products<\/em> da Sociedade Americana de Qu\u00edmica (ACS)<\/strong>, refer\u00eancia na \u00e1rea qu\u00edmica, destacando seu papel como formadora de novas gera\u00e7\u00f5es de cientistas. \u201cFoi a primeira vez que esta homenagem \u00e9 concedida a um cientista fora dos Estados Unidos e Europa. Fiquei muito emocionada e feliz com este reconhecimento. Acredito que s\u00e3o com a\u00e7\u00f5es desta natureza que continuaremos a mudar a hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"espacos\"><strong>Espa\u00e7os<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>Muitas outras seguiram e seguem sendo inspira\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso de Jaqueline Goes de Jesus (1989), biom\u00e9dica recentemente nomeada Embaixadora da Ci\u00eancia no Brasil e \u00e9 mais um exemplo importante dessas conquistas. Uma mulher, negra, nordestina, que coordenou a equipe respons\u00e1vel pelo sequenciamento do genoma do v\u00edrus SARS-CoV-2 apenas 48 horas ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o do primeiro caso de COVID-19 no Brasil. \u201cMulheres como ela abriram caminhos, mostraram que \u00e9 poss\u00edvel ocupar espa\u00e7os de diferentes graus de import\u00e2ncia, produziram trabalhos relevantes, alcan\u00e7aram reconhecimento e, por isso, t\u00eam um papel fundamental na representatividade\u201d, destaca Maria Elisa M\u00e1ximo. \u201cContudo, \u00e9 crucial refletirmos sobre os limites da representatividade, que em geral, esbarra na cultura meritocr\u00e1tica: elas chegaram nos \u2018topos\u2019 da carreira acad\u00eamica em suas \u00e1reas, mas, h\u00e1 de fato condi\u00e7\u00f5es reais para que todas cheguem? Se quisermos que as meninas de hoje se tornem futuras cientistas, elas devem sim conhecer, ler, explorar a hist\u00f3rias dessas mulheres, sua produ\u00e7\u00e3o, sua trajet\u00f3ria. E mais: precisamos ampliar esse pante\u00e3o da representatividade, e incluir definitivamente nomes como L\u00e9lia Gonzalez, Jurema Werneck, Cida Bento, Sueli Carneiro, Luiza Bairros, S\u00f4nia Guimar\u00e3es e outras intelectuais negras, ind\u00edgenas, deficientes, etc. As novas gera\u00e7\u00f5es precisam mais do que exemplos nos quais se espelhar e se inspirar. Elas precisam de condi\u00e7\u00f5es reais e efetivas para acessarem, permanecerem e transitarem no meio acad\u00eamico, em todas as suas \u00e1reas e espa\u00e7os, incluindo os de poder e de decis\u00e3o\u201d, declara.\u00a0(Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-jaqueline-goes-de-jesus-biomedica-que-coordenou-a-equipe-responsavel-pelo-sequenciamento-do-genoma-do-virus-sars-cov-2-apenas-48-horas-apos-a-confirmacao-do-primeiro-caso-de-covid-19-no-bra\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6193\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura3-279x300.jpg\" alt=\"\" width=\"464\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura3-279x300.jpg 279w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura3-951x1024.jpg 951w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura3-768x827.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura3-11x12.jpg 11w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura3-800x861.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-reportagem-Protagonismo-das-mulheres-figura3.jpg 954w\" sizes=\"(max-width: 464px) 100vw, 464px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Jaqueline Goes de Jesus, biom\u00e9dica que coordenou a equipe respons\u00e1vel pelo sequenciamento do genoma do v\u00edrus SARS-CoV-2 apenas 48 horas ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o do primeiro caso de COVID-19 no Brasil.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: UFBA. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"desigualdade-de-genero\"><strong>Desigualdade de g\u00eanero<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>A disparidade de g\u00eanero \u00e9 uma caracter\u00edstica presente em praticamente todas as \u00e1reas da ci\u00eancia. Mulheres geralmente constituem uma minoria em v\u00e1rias disciplinas e enfrentam mais desafios do que os homens para avan\u00e7ar em suas carreiras ou alcan\u00e7ar posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a. Ainda hoje, existem assimetrias no campo cient\u00edfico, onde as ci\u00eancias STEM (sigla em ingl\u00eas para ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica) consideradas \u201cduras\u201d s\u00e3o frequentemente associadas a pesquisadores homens. Nessas \u00e1reas, as mulheres s\u00e3o apenas 33%, de acordo com o relat\u00f3rio \u201c<strong><em>Women and the Digital Revolution<\/em><\/strong>\u201d da ONU, que inclusive criou o quinto Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) voltado para mudar esse cen\u00e1rio. \u201c\u00c9 muito comum vermos mulheres mais presentes em ambientes acad\u00eamicos relacionados ao cuidado, como medicina, enfermagem ou biologia, do que ocupando esses espa\u00e7os em outras \u00e1reas como as engenharias e a f\u00edsica, por exemplo\u201d, refor\u00e7a Bettina Heerdt.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a revista <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a> <\/span>evoluiu, artigos e discuss\u00f5es passaram a abordar mais quest\u00f5es como desigualdade salarial, representatividade e discrimina\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de destacar o impacto de mulheres que abriram caminho para outras. Isso ajudou a aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da diversidade e da equidade de g\u00eanero na ci\u00eancia. \u201cQuando pensamos em uma ci\u00eancia mais diversa e inclusiva, precisamos pensar no g\u00eanero e nas suas interseccionalidades, pois, quando impedimos mulheres negras, ind\u00edgenas, trans de participarem da ci\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 um preju\u00edzo s\u00f3 para essas pessoas que n\u00e3o est\u00e3o produzindo conhecimento, mas \u00e9 um preju\u00edzo tamb\u00e9m para toda a humanidade\u201d, ressalta Bettina Heerdt.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"quando-impedimos-mulheres-negras-indigenas-trans-de-participarem-da-ciencia-nao-e-um-prejuizo-so-para-essas-pessoas-que-nao-estao-produzindo-conhecimento-mas-e-um-prejuizo-tambem-para-tod\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cQuando impedimos mulheres negras, ind\u00edgenas, trans de participarem da ci\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 um preju\u00edzo s\u00f3 para essas pessoas que n\u00e3o est\u00e3o produzindo conhecimento, mas \u00e9 um preju\u00edzo tamb\u00e9m para toda a humanidade.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Maria Elisa M\u00e1ximo, o grande desafio \u00e9 eliminar as formas de viol\u00eancia que essas mulheres ainda enfrentam nas diferentes esferas das ci\u00eancias. \u201cDesde a dimens\u00e3o epist\u00eamica (pelo n\u00e3o reconhecimento, valoriza\u00e7\u00e3o e at\u00e9 pelo \u2018sequestro\u2019 de suas ideias e formula\u00e7\u00f5es), at\u00e9 viol\u00eancias psicol\u00f3gicas e f\u00edsicas, de ass\u00e9dio moral e sexual. Neste ponto, \u00e9 urgente que governos e gestores se empenhem na elabora\u00e7\u00e3o e efetiva\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e institucionais voltadas ao enfrentamento dessas viol\u00eancias, incluindo o racismo, xenofobia, intoler\u00e2ncia religiosa, discursos de \u00f3dio, manifesta\u00e7\u00f5es neofascistas e qualquer outra pr\u00e1tica ou vis\u00e3o de mundo pautada pelo machismo e pela misoginia\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"diversidade-de-perspectivas\"><strong>Diversidade de perspectivas<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>A desconstru\u00e7\u00e3o de preconceitos, por mais clich\u00ea que seja, \u00e9 parte de um processo que resulta na melhoria do espa\u00e7o feminino. \u201cTemos que ter um ambiente mais que familiar para mudan\u00e7as da quest\u00e3o de g\u00eanero, onde as meninas e meninos possam perceber que o mundo sustent\u00e1vel, t\u00e3o propalado e discutido hoje, deve ter homens e mulheres excelentes no que fazem, independente da \u00e1rea\u201d, ressalta Vanderlan Bolzani. Pioneiras na ci\u00eancia, artes e cultura, muitas s\u00e3o as mulheres que merecem ser destacadas n\u00e3o apenas por suas contribui\u00e7\u00f5es, mas por serem protagonistas no entendimento mais amplo da ci\u00eancia brasileira e na sociedade. \u201cA import\u00e2ncia da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica est\u00e1 muito ligada \u00e0 humaniza\u00e7\u00e3o das mulheres cientistas. A partir do momento em que divulgamos a hist\u00f3ria dessas mulheres, divulgamos tamb\u00e9m pessoas que s\u00e3o humanas, que t\u00eam filhos e uma vida social, mulheres que produzem um conhecimento comprometido tanto pol\u00edtico quanto social. E o melhor, conseguimos fazer com que essas hist\u00f3rias sejam tamb\u00e9m de outras pessoas.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"mesmo-com-os-avancos-que-alcancamos-hoje-em-plena-sociedade-do-conhecimento-temos-que-ter-espacos-mais-justos-e-igualitarios-com-relacao-as-mulheres-em-todos-os-campos-profissionais-que-elas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cMesmo com os avan\u00e7os que alcan\u00e7amos hoje em plena sociedade do conhecimento, temos que ter espa\u00e7os mais justos e igualit\u00e1rios com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres em todos os campos profissionais que elas queiram estar.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A diversidade de perspectivas e vozes advindas de experi\u00eancias das mulheres enriquece e promove a inova\u00e7\u00e3o nos campos cient\u00edficos e culturais de diversas maneiras, refletido em benef\u00edcios tanto para a qualidade da pesquisa quanto para a relev\u00e2ncia cultural. \u201c\u00c9 mais do que uma quest\u00e3o de valoriza\u00e7\u00e3o das mulheres e das cientistas. \u00c9 uma quest\u00e3o social. Mesmo com os avan\u00e7os que alcan\u00e7amos hoje em plena sociedade do conhecimento, temos que ter espa\u00e7os mais justos e igualit\u00e1rios com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres em todos os campos profissionais que elas queiram estar\u201d, conclui Vanderlan Bolzani.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-premio-carolina-bori-da-sbpc-homenageia-e-incentiva-mulheres-e-meninas-na-cienciafonte-jardel-rodrigues-sbpc-reproducao\"><strong>Capa.<\/strong> <strong>Pr\u00eamio Carolina Bori, da SBPC, homenageia e incentiva mulheres e meninas na ci\u00eancia<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Jardel Rodrigues\/SBPC. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ao longo dos seus 75 anos, a revista Ci\u00eancia &amp; Cultura promove&hellip;\n","protected":false},"author":42,"featured_media":6194,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6190"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6190"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6190\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6267,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6190\/revisions\/6267"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6194"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6190"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6190"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6190"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}