{"id":6212,"date":"2024-07-01T08:00:49","date_gmt":"2024-07-01T08:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6212"},"modified":"2024-06-27T18:01:32","modified_gmt":"2024-06-27T18:01:32","slug":"da-historia-a-pratica-os-legados-da-cc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6212","title":{"rendered":"Da hist\u00f3ria \u00e0 pr\u00e1tica: os legados da Ci\u00eancia &#038; Cultura"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"por-meio-da-divulgacao-a-revista-constroi-as-bases-para-uma-cultura-cientifica-no-pais\"><span style=\"color: #808080;\">Por meio da divulga\u00e7\u00e3o, a revista constr\u00f3i as bases para uma cultura cient\u00edfica no pa\u00eds<\/span><\/h4>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>H\u00e1 75 anos, a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a><\/span> tem servido como pedra angular para a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Brasil. Ela transcende o papel de uma revista acad\u00eamica tradicional, atuando como uma ponte entre as fronteiras da descoberta cient\u00edfica e a sociedade brasileira. A publica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem servido como um espa\u00e7o para reflex\u00e3o, nos diversos per\u00edodos da hist\u00f3ria do pa\u00eds, sobre quest\u00f5es de relev\u00e2ncia nos cen\u00e1rios cultural, social e pol\u00edtico nacional \u2014 refletindo as atividades desempenhadas pela comunidade cient\u00edfica e pela pr\u00f3pria <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\"><strong>Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC)<\/strong><\/a><\/span>. Como o nome j\u00e1 enuncia, ci\u00eancia e cultura se entrela\u00e7am nas palavras aqui registradas. Ao longo das d\u00e9cadas, a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a><\/span> vem construindo m\u00faltiplos legados \u2014 alguns dos quais ser\u00e3o abordados neste artigo \u2014 seguindo os anseios de Jos\u00e9 Reis, seu idealizador, de \u201caproxima\u00e7\u00e3o dos cientistas entre si, e destes com o p\u00fablico\u201d.<sup>[1] <\/sup>(Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-jose-reis-idealizador-da-revista-ciencia-culturafoto-acervo-coc-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6213\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura1-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura1-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura1-768x511.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura1-1536x1022.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura1-800x532.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura1-1160x772.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Jos\u00e9 Reis, idealizador da revista Ci\u00eancia &amp; Cultura<br \/>\n<\/strong>(Foto: Acervo COC. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/span><\/strong><\/a> re\u00fane caracter\u00edsticas essenciais de uma publica\u00e7\u00e3o de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica: formato e linguagem acess\u00edveis, multiplicidade de temas abordados e diversidade de vozes. Essas qualidades somadas possibilitam a revista desempenhar um papel importante para a penetra\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia na cultura do pa\u00eds e trazer a cultura para a ci\u00eancia nacional. Em um exerc\u00edcio de s\u00edntese, podemos listar ao menos tr\u00eas formas que a revista tem cumprido seu papel nesse sentido. O primeiro e talvez mais not\u00f3rio legado da revista, em raz\u00e3o dos seus 75 anos de exist\u00eancia, seja o car\u00e1ter de registro hist\u00f3rico da ci\u00eancia nacional. O segundo \u00e9 atuar como plataforma para que cientistas brasileiros exercitem a linguagem da divulga\u00e7\u00e3o, transformando quest\u00f5es muitas vezes complexas dos seus campos de estudo em informa\u00e7\u00e3o compreens\u00edvel para um p\u00fablico mais amplo. Por fim, nesse jogo de conhecimento e comunica\u00e7\u00e3o, a <a href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/span><\/strong><\/a> atua como um elemento transformador da pr\u00f3pria ci\u00eancia, bem como da cultura nacional, promovendo a chamada cultura cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Do ponto de vista hist\u00f3rico, o acervo da revista configura um passeio por d\u00e9cadas de contribui\u00e7\u00f5es de pesquisadores brasileiros para a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, amplamente, a partir da ci\u00eancia por eles praticada. A publica\u00e7\u00e3o tem registrado ao longo dos anos os pensamentos de grandes nomes da comunidade cient\u00edfica nacional, al\u00e9m do trabalho de jornalistas que se especializaram e se dedicaram a divulgar ci\u00eancia. Indo al\u00e9m, as suas p\u00e1ginas servem tamb\u00e9m como registro dos movimentos da comunidade cient\u00edfica \u2014 e da pr\u00f3pria SBPC, como institui\u00e7\u00e3o \u2014 para a consolida\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica cient\u00edfica, a defesa da democracia e o desenvolvimento social no Brasil. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-acervo-da-revista-e-um-passeio-por-decadas-de-contribuicoes-de-pesquisadores-brasileiros-para-a-construcao-do-conhecimento-foto-centro-de-memoria-sbpc-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6214\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura2-300x196.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"327\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura2-300x196.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura2-1024x670.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura2-768x502.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura2-1536x1005.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura2-800x523.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura2-1160x759.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/CC-2E24-opinia\u0303o-Da-histo\u0301ria-a\u0300-pra\u0301tica-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Acervo da revista \u00e9 um passeio por d\u00e9cadas de contribui\u00e7\u00f5es de pesquisadores brasileiros para a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Centro de Mem\u00f3ria SBPC. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e3o centenas de edi\u00e7\u00f5es que, hoje, podem ser navegadas <em>on-line<\/em>. Desde 2022 a revista ganhou um novo formato, digital, se renovando e seguindo a tend\u00eancia de consumo de informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da popula\u00e7\u00e3o brasileira por meio da internet.<sup>[2]<\/sup> Os esfor\u00e7os de digitaliza\u00e7\u00e3o do conte\u00fado da revista impressa, por sua vez, j\u00e1 acontecem h\u00e1 algum tempo. Em 2019, a publica\u00e7\u00e3o passou a integrar o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/sbpcacervodigital.org.br\/handle\/20.500.11832\/2534\"><strong>Acervo Digital da SBPC<\/strong><\/a><\/span>,<sup>[3]<\/sup> organizado pelo Centro de Mem\u00f3ria da institui\u00e7\u00e3o, na forma de arquivos PDF das edi\u00e7\u00f5es impressas. O acervo mais antigo da revista, por sua vez, desde o primeiro fasc\u00edculo de 1949 at\u00e9 2017, est\u00e1 disponibilizado pela <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/memoria.bn.br\/docreader\/DocReader.aspx?bib=003069&amp;pagfis=1\"><strong>Hemeroteca Digital Brasileira<\/strong><\/a><\/span>, da Biblioteca Nacional.<sup>[4]<\/sup> S\u00e3o mais de 450 edi\u00e7\u00f5es e milhares de p\u00e1ginas que podem ser consultadas por qualquer pessoa. O processo de digitaliza\u00e7\u00e3o de todo o material, realizado em 2018, foi poss\u00edvel a partir de parceria firmada entre a SBPC e a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"Funda%2525C3%2525A7%2525C3%2525A3o%2520Biblioteca%2520Nacional\"><strong>Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional<\/strong><\/a><\/span>, em projeto que contou com o financiamento do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es (MCTIC), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES). O acervo configura uma rica fonte de informa\u00e7\u00f5es sobre a hist\u00f3ria da ci\u00eancia brasileira, podendo inclusive servir como material para pesquisas acad\u00eamicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-ciencia-cultura-atua-como-um-elemento-transformador-da-propria-ciencia-bem-como-da-cultura-nacional-promovendo-a-chamada-cultura-cientifica\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA Ci\u00eancia &amp; Cultura atua como um elemento transformador da pr\u00f3pria ci\u00eancia, bem como da cultura nacional, promovendo a chamada cultura cient\u00edfica.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2002, a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a> <\/span>foi indexada \u00e0 Biblioteca Virtual <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_issues&amp;pid=0009-6725&amp;lng=pt&amp;nrm=iso\"><strong>SciELO<\/strong><\/a><\/span><strong>\u00a0<\/strong><sup>[5]<\/sup>como revista de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<sup>[6]<\/sup> Atualmente, a revista \u00e9 classificada no Qualis, sistema brasileiro de avalia\u00e7\u00e3o de peri\u00f3dicos cient\u00edficos mantido pela <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\"><strong>Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes)<\/strong><\/a><\/span>, no estrato A1 \u2014 que contempla peri\u00f3dicos de excel\u00eancia internacional \u2014 na \u00e1rea interdisciplinar. A indexa\u00e7\u00e3o na SciELO e a inclus\u00e3o no Qualis Capes permitiu que a publica\u00e7\u00e3o ganhasse ainda mais refer\u00eancia de credibilidade e tradi\u00e7\u00e3o dentro da comunidade cient\u00edfica. Esse movimento, quase natural para peri\u00f3dicos cient\u00edficos de excel\u00eancia, ganha relev\u00e2ncia quando colocado em marcha por uma publica\u00e7\u00e3o de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, facilitando o que seria o segundo legado da C&amp;C, ou seja, as contribui\u00e7\u00f5es de pesquisadores das mais diversas \u00e1reas para a dissemina\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia de forma mais ampla.<\/p>\n<p>O registro de achados cient\u00edficos \u00e9 parte fundamental da ci\u00eancia institucionalizada. Pesquisadores comunicam os resultados de seus estudos (bem como os m\u00e9todos empregados na pesquisa e seu embasamento te\u00f3rico) a seus pares \u2014 geralmente, cientistas da mesma \u00e1rea e\/ou que estudam o mesmo fen\u00f4meno pelo olhar de outras disciplinas \u2014 de formas diversas, por exemplo, em congressos acad\u00eamicos e por meio da publica\u00e7\u00e3o de artigos em revistas especializadas. Esse sistema de comunica\u00e7\u00e3o entre pesquisadores \u00e9 o que John Ziman (1925-2005), f\u00edsico e humanista brit\u00e2nico, chamou de \u201cinstitui\u00e7\u00e3o fundamental da ci\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>\u201cO princ\u00edpio basilar da ci\u00eancia acad\u00eamica \u00e9 que os resultados da pesquisa devem ser p\u00fablicos. Independentemente do que os cientistas pensem ou digam individualmente, as suas descobertas n\u00e3o podem ser consideradas como pertencentes ao conhecimento cient\u00edfico at\u00e9 que tenham sido comunicadas ao mundo e registradas permanentemente. A institui\u00e7\u00e3o fundamental da ci\u00eancia, ent\u00e3o, \u00e9 o sistema de comunica\u00e7\u00e3o.\u201d [7]<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a> <\/span>permitiu que, ao longo das d\u00e9cadas, gera\u00e7\u00f5es de pesquisadores brasileiros fossem al\u00e9m, no sentido de dar mais um passo na \u201cespiral da cultura cient\u00edfica\u201d proposta por Carlos Vogt.<sup>[8]<\/sup> Por meio da met\u00e1fora de uma forma gr\u00e1fica (espiral), Vogt desenha os caminhos que a dissemina\u00e7\u00e3o dos achados cient\u00edficos percorre, dando voltas e ampliando, em um movimento de ac\u00famulo e transforma\u00e7\u00f5es do conhecimento. Do ponto de partida, da comunica\u00e7\u00e3o entre pares, segue para o ensino da ci\u00eancia e da forma\u00e7\u00e3o de cientistas, nas universidades; continua, ent\u00e3o, para o ensino para a ci\u00eancia, nas escolas e espa\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o formal, como museus; chegando at\u00e9 ve\u00edculos e meios de comunica\u00e7\u00e3o em massa, como a imprensa e, hoje, as redes sociais. Nesse processo, alguns aspectos se modificam: o primeiro deles \u00e9 o n\u00famero de pessoas que recebem a informa\u00e7\u00e3o (de poucas, a princ\u00edpio, para muitas, ao final). O segundo, \u00e9 o tipo de linguagem empregado na comunica\u00e7\u00e3o (de algo t\u00e9cnico, caracter\u00edstico dos artigos cient\u00edficos, ao formato jornal\u00edstico e\/ou da divulga\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-conhecimento-cientifico-transforma-a-humanidade-e-as-culturas-possibilitando-novas-formas-de-se-viver-e-de-se-relacionar-e-em-ultima-analise-o-mundo-como-o-conhecemos-hoje\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO conhecimento cient\u00edfico transforma a humanidade e as culturas, possibilitando novas formas de se viver e de se relacionar \u2013 e, em \u00faltima an\u00e1lise, o mundo como o conhecemos hoje.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando cientistas escrevem na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a><\/span>, come\u00e7a o exerc\u00edcio da linguagem da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Isso porque, na comunica\u00e7\u00e3o entre pares, s\u00e3o usados termos e conceitos muitas vezes incompreens\u00edveis at\u00e9 mesmo para cientistas de outras \u00e1reas. Ao escrever um artigo para a revista, a linguagem se transforma e a informa\u00e7\u00e3o chega mais longe. Essa pr\u00e1tica, da divulga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o faz parte da forma\u00e7\u00e3o da grande maioria dos pesquisadores brasileiros. E, muitas vezes, \u00e9 algo a que n\u00e3o se dedicam no seu dia a dia &#8212; seja pela falta de treinamento, mas tamb\u00e9m de habilidade\/interesse, ou at\u00e9 mesmo de tempo, j\u00e1 que, al\u00e9m das pesquisas, os profissionais da ci\u00eancia no Brasil, em sua maioria, tamb\u00e9m se dedicam ao ensino e \u00e0 administra\u00e7\u00e3o de projetos e laborat\u00f3rios. Vale lembrar, apenas h\u00e1 poucos anos o item \u201cEduca\u00e7\u00e3o e Populariza\u00e7\u00e3o de C&amp;T\u201d foi inserido no Curr\u00edculo Lattes do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\"><strong>Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq)<\/strong><\/a><\/span><strong>\u00a0\u2014\u00a0<\/strong>e que cientistas n\u00e3o s\u00e3o formalmente avaliados pela sua produ\u00e7\u00e3o e contribui\u00e7\u00f5es nesse aspecto. Nesse sentido, a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a><\/span> construiu mais um legado, o da possibilidade da pr\u00e1tica da divulga\u00e7\u00e3o por pesquisadores de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por fim, talvez como resultado dos aspectos aqui mencionados, a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a><\/span> tem como legado fundamental a promo\u00e7\u00e3o da cultura cient\u00edfica no pa\u00eds. Primeiro, por se tratar de um mecanismo de amplia\u00e7\u00e3o do acesso das pessoas \u2014 em um n\u00famero cada vez maior \u2014 ao conhecimento produzido pela ci\u00eancia. Quando munidas de informa\u00e7\u00f5es embasadas em evid\u00eancias, a sociedade, de forma organizada e suas institui\u00e7\u00f5es, assim como os indiv\u00edduos em suas vidas privadas, podem fazer escolhas mais acertadas. A ci\u00eancia passa ent\u00e3o a fazer parte da vida das pessoas e, de forma mais ampla, de sua cultura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"uma-cultura-cientifica-so-e-possivel-quando-o-conhecimento-e-valorizado-e-utilizado-como-base-para-praticas-cotidianas-e-tomadas-de-decisao-e-com-uma-ciencia-atenta-as-questoes-do-seu-tempo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cUma cultura cient\u00edfica s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando o conhecimento \u00e9 valorizado e utilizado como base para pr\u00e1ticas cotidianas e tomadas de decis\u00e3o, e com uma ci\u00eancia atenta \u00e0s quest\u00f5es do seu tempo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo, porque tratar dos m\u00e9todos e das pr\u00e1ticas da ci\u00eancia, desde as metodologias aplicadas em uma pesquisa at\u00e9 os mecanismos de financiamento e organiza\u00e7\u00e3o da atividade cient\u00edfica no pa\u00eds, \u00e9 tratar da ci\u00eancia como um processo cultural. A pesquisa \u00e9 feita por pessoas, inseridas em institui\u00e7\u00f5es, que por sua vez fazem parte de um sistema que \u00e9 organizado e que se modifica (ou \u00e9 modificado) ao longo do tempo. A ci\u00eancia \u00e9 guiada, em algum n\u00edvel, pelas preocupa\u00e7\u00f5es e habilidades dos cientistas, assim como pelas quest\u00f5es e problemas da sociedade, no pa\u00eds e no mundo. Os conte\u00fados da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a><\/span>, para al\u00e9m dos achados da ci\u00eancia, exploram os fundamentos filos\u00f3ficos das pesquisas e suas implica\u00e7\u00f5es na sociedade, apresentando as dimens\u00f5es human\u00edsticas da explora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Essa troca por meio da divulga\u00e7\u00e3o permite, portanto, que se estabele\u00e7am rela\u00e7\u00f5es cr\u00edticas necess\u00e1rias entre a ci\u00eancia e a sociedade.<\/p>\n<p>O conhecimento cient\u00edfico transforma a humanidade e as culturas, possibilitando novas formas de se viver e de se relacionar \u2014 e, em \u00faltima an\u00e1lise, o mundo como o conhecemos hoje. Por outro lado, como diz o engenheiro e fil\u00f3sofo franc\u00eas Jean-Pierre Dupuy, uma atividade intelectual deve se comunicar com o que n\u00e3o \u00e9 ela pr\u00f3pria para que se torne cultura.<sup>[9]<\/sup> Ou seja, para que esse \u201cestado\u201d de cultura cient\u00edfica exista, em que ci\u00eancia e cultura se entrela\u00e7am como partes de uma coisa s\u00f3, a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial, atuando como elemento transformador de ambas. Uma cultura cient\u00edfica s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando o conhecimento \u00e9 valorizado e utilizado como base para pr\u00e1ticas cotidianas e tomadas de decis\u00e3o, e com uma ci\u00eancia atenta \u00e0s quest\u00f5es do seu tempo. \u00c9 isso que a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a><\/span> tem praticado ao longo da sua hist\u00f3ria e tamb\u00e9m por isso ser\u00e1 sempre lembrada.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 id=\"notas-e-referencias\"><span style=\"color: #999999;\"><strong>Notas e refer\u00eancias <\/strong><\/span><\/h6>\n<h6 id=\"1-reis-j-1949-ciencia-e-cultura-vol-1-n-1-2-p-3-acesso-em-https-memoria-bn-gov-br-docreader-docreader-aspxbib003069-pesqpagfis7\"><span style=\"color: #999999;\">[1] Reis, J. (1949). <em>Ci\u00eancia e Cultura<\/em>, vol. 1. n. 1-2, p. 3. Acesso em: <a style=\"color: #999999;\" href=\"https:\/\/memoria.bn.gov.br\/DocReader\/docreader.aspx?bib=003069&amp;pesq=&amp;pagfis=7\">https:\/\/memoria.bn.gov.br\/DocReader\/docreader.aspx?bib=003069 pesq=&amp;pagfis=7<\/a><\/span><\/h6>\n<h6 id=\"2-segundo-dados-da-ultima-pesquisa-de-percepcao-publica-da-cc-no-brasil-lancada-recentemente-cerca-de-61-da-populacao-brasileira-ontem-informacao-sobre-ciencia-e-temas-correlatos-por-meio-de\"><span style=\"color: #999999;\">[2] Segundo dados da \u00faltima pesquisa de Percep\u00e7\u00e3o P\u00fablica da C&amp;C no Brasil, lan\u00e7ada recentemente, cerca de 61% da popula\u00e7\u00e3o brasileira ontem informa\u00e7\u00e3o sobre ci\u00eancia e temas correlatos por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas digitais. Ref: <em>CGEE (2024). Percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica da C&amp;T no Brasil &#8211; 2023<\/em>. Resumo Executivo. Bras\u00edlia, DF. 30 p. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cgee.org.br\/documents\/10195\/4686075\/CGEE_OCTI_Resumo_Executivo-Perc_Pub_CT_Br_2023.pdf<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"3-pagina-da-colecao-da-cc-no-acervo-digital-da-sbpc-https-sbpcacervodigital-org-br-handle-20-500-11832-2534\"><span style=\"color: #999999;\">[3] P\u00e1gina da cole\u00e7\u00e3o da C&amp;C no Acervo Digital da SBPC: <a style=\"color: #999999;\" href=\"https:\/\/sbpcacervodigital.org.br\/handle\/20.500.11832\/2534\">https:\/\/sbpcacervodigital.org.br\/handle\/20.500.11832\/2534<\/a><\/span><\/h6>\n<h6 id=\"4-hemeroteca-digital-http-bndigital-bn-gov-br-hemeroteca-digital-para-acessar-o-acervo-da-cc-deve-se-digitar-ciencia-e-cultura-no-campo-de-busca-periodico82\"><span style=\"color: #999999;\">[4] Hemeroteca Digital: &lt;<a style=\"color: #999999;\" href=\"http:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/\">http:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/<\/a>&gt;. Para acessar o acervo da C&amp;C, deve-se digitar &#8220;Ci\u00eancia e Cultura&#8221; no campo de busca &#8220;peri\u00f3dico&#8221;.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"5-pagina-da-cc-no-scielo-http-cienciaecultura-bvs-br\"><span style=\"color: #999999;\">[5] P\u00e1gina da C&amp;C no SciELO: <a style=\"color: #999999;\" href=\"http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/\">http:\/\/cienciaecultura.bvs.br<\/a><\/span><\/h6>\n<h6 id=\"6-versao-impressa-issn-0009-6725-versao-on-line-issn-2317-6660\"><span style=\"color: #999999;\">[6] Vers\u00e3o impressa ISSN 0009-6725; vers\u00e3o on-line ISSN 2317-6660<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"7-ziman-j-1984-an-introduction-to-science-studies-p-58\"><span style=\"color: #999999;\">[7] Ziman, J. (1984). \u201cAn introduction to science studies\u201d, p. 58.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"8-vogt-c-2012-the-spiral-of-scientific-culture-and-cultural-well-being-brazil-and-ibero-america-public-understanding-of-science-211-4-16-https-doi-org-10-1177-09636625114\"><span style=\"color: #999999;\">[8] Vogt, C. (2012). &#8220;The spiral of scientific culture and cultural well-being: Brazil and Ibero-America&#8221;. Public Understanding of Science, 21(1), 4-16. https:\/\/doi.org\/10.1177\/0963662511420410<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"9-dupuy-j-p-2006-retour-de-tchernobyl-journal-dun-homme-en-colere-paris-seuil-apud-jurdant-b-2006-falar-ciencia-in-vogt-c-org-cultura-cientifica-de\"><span style=\"color: #999999;\">[9] Dupuy, J.-P. (2006). &#8220;Retour de Tchernobyl&#8221;.<em> Journal d\u00fan homme en col\u00e8re<\/em>, Paris, Seuil; Apud Jurdant. B. (2006). &#8220;Falar ci\u00eancia?&#8221;, In Vogt, C. (org), <em>Cultura Cient\u00edfica: Desafios<\/em>. S\u00e3o Paulo, Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo\/Fapesp, 232 p.<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"capa-a-revista-ciencia-cultura-tem-como-legado-fundamental-a-promocao-da-cultura-cientifica-no-paisfoto-freepik-com-reproducao\"><strong>Capa. A revista Ci\u00eancia &amp; Cultura tem como legado fundamental a promo\u00e7\u00e3o da cultura cient\u00edfica no pa\u00eds<br \/>\n<\/strong>(Foto: Freepik.com. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por meio da divulga\u00e7\u00e3o, a revista constr\u00f3i as bases para uma cultura&hellip;\n","protected":false},"author":208,"featured_media":6215,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6212"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/208"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6212"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6212\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6419,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6212\/revisions\/6419"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6215"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}