{"id":6692,"date":"2024-07-23T07:30:50","date_gmt":"2024-07-23T07:30:50","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6692"},"modified":"2024-07-22T18:44:34","modified_gmt":"2024-07-22T18:44:34","slug":"artefatos-indigenas-retornam-ao-brasil-apos-decadas-de-exilio-na-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6692","title":{"rendered":"Artefatos ind\u00edgenas retornam ao Brasil ap\u00f3s d\u00e9cadas de ex\u00edlio na Fran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"mais-de-580-itens-culturais-de-50-etnias-incluindo-o-raro-manto-tupinamba-voltam-ao-museu-do-indio-no-rio-de-janeiro-apos-esforco-conjunto-do-mpf-funai-e-mre\"><span style=\"color: #808080;\">Mais de 580 itens culturais de 50 etnias, incluindo o raro Manto Tupinamb\u00e1, voltam ao Museu do \u00cdndio no Rio de Janeiro ap\u00f3s esfor\u00e7o conjunto do MPF, Funai e MRE.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em um marco significativo para a preserva\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o da cultura ind\u00edgena brasileira, 585 artefatos de mais de 50 etnias que estavam retidos na Fran\u00e7a h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas est\u00e3o retornando ao Brasil. Entre os itens est\u00e3o m\u00e1scaras, cocares, mantos, adere\u00e7os, instrumentos musicais, cestarias, armas e esculturas, que ir\u00e3o compor o acervo do Museu do \u00cdndio, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O retorno desses artefatos foi poss\u00edvel gra\u00e7as a uma opera\u00e7\u00e3o conjunta entre o <strong><a href=\"https:\/\/www.mpf.mp.br\/\"><span style=\"color: #800000;\">Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF)<\/span><\/a><\/strong>, a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/funai\/pt-br\">Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai)<\/a><\/strong><\/span> e o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/mre\/pt-br\">Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (MRE)<\/a><\/strong><\/span>. Parte desses itens j\u00e1 voltou ao pa\u00eds no dia 10 de julho, ap\u00f3s uma d\u00e9cada de negocia\u00e7\u00f5es com as autoridades francesas e a instaura\u00e7\u00e3o de um inqu\u00e9rito civil p\u00fablico pelo MPF do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-jornada-dos-artefatos\"><strong>A jornada dos artefatos<\/strong><\/h4>\n<p>Os artefatos foram adquiridos em 2003 por representantes do Museu de Hist\u00f3ria Natural e Etnografia de Lille, na Fran\u00e7a, de uma loja em S\u00e3o Paulo que n\u00e3o tinha autoriza\u00e7\u00e3o para comercializar esses produtos. Sem seguir os tr\u00e2mites legais, os bens foram levados para a Fran\u00e7a, onde ficaram por mais de 20 anos.<\/p>\n<p>O MPF explicou que os itens, que incluem adornos Kayap\u00f3 e Enawen\u00ea-Naw\u00ea, al\u00e9m de chocalhos e arcos Arawet\u00e9, s\u00e3o protegidos pela Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Com\u00e9rcio Internacional das Esp\u00e9cies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extin\u00e7\u00e3o (Cites). Esse tratado, juntamente com a Conven\u00e7\u00e3o da Unesco sobre importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de bens culturais (1970) e a Conven\u00e7\u00e3o de Unidroit sobre bens culturais ilicitamente furtados (1995), garantiu o regresso dos artefatos ao Brasil.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"o-processo-de-repatriacao\"><strong>O processo de repatria\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Ap\u00f3s muitas tratativas, as autoridades francesas concordaram em doar o acervo ao Museu do \u00cdndio (hoje <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/museudoindio\/pt-br\">Museu Nacional dos Povos Ind\u00edgenas<\/a><\/strong><\/span>) em 2004, com um contrato de comodato de cinco anos, renov\u00e1vel por igual per\u00edodo, autorizando o museu franc\u00eas a exibir a cole\u00e7\u00e3o. No entanto, ap\u00f3s o fim do contrato, a prefeitura de Lille n\u00e3o cumpriu a cl\u00e1usula que previa a cobertura dos custos de transporte, seguro e devolu\u00e7\u00e3o dos itens, levando \u00e0 abertura do inqu\u00e9rito civil p\u00fablico em 2015 para assegurar a repatria\u00e7\u00e3o dos bens.<\/p>\n<p>Em meio a in\u00fameras reuni\u00f5es e comunica\u00e7\u00f5es entre o MPF, Funai, Itamaraty e o museu franc\u00eas, a Funai finalmente assumiu a responsabilidade pelos custos e garantiu o retorno dos artefatos. Agora, os itens est\u00e3o passando por um per\u00edodo de quarentena para evitar poss\u00edveis contamina\u00e7\u00f5es e ter\u00e3o seu estado verificado antes de serem exibidos ao p\u00fablico no <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/museudoindio\/pt-br\">Museu Nacional dos Povos Ind\u00edgenas<\/a><\/strong><\/span>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"o-manto-tupinamba\"><strong>O Manto Tupinamb\u00e1<\/strong><\/h4>\n<p>Al\u00e9m dos artefatos de Lille, o Museu Nacional tamb\u00e9m recebeu o Manto Tupinamb\u00e1, uma vestimenta de 1,80 metro confeccionada com penas vermelhas de guar\u00e1 sobre uma base de fibra natural. Este item, que estava na Dinamarca desde o s\u00e9culo 17, \u00e9 um dos 11 mantos semelhantes ainda expatriados em museus europeus, conforme estudo da pesquisadora norte-americana Amy Bueno, da Universidade de Chapman.<\/p>\n<p>O retorno do Manto Tupinamb\u00e1 e dos demais artefatos ind\u00edgenas representa uma vit\u00f3ria na luta pela preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural brasileiro e pela restitui\u00e7\u00e3o de bens culturais ao seu local de origem. A expectativa \u00e9 que esses itens n\u00e3o apenas enrique\u00e7am o acervo museol\u00f3gico do Brasil, mas tamb\u00e9m fortale\u00e7am a identidade e o orgulho das comunidades ind\u00edgenas do pa\u00eds.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>Com informa\u00e7\u00f5es de <a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/\">Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-paulo-pinto-agencia-brasil-reproducao\">Capa. Paulo Pinto\/ Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mais de 580 itens culturais de 50 etnias, incluindo o raro Manto&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":6693,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6692"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6692"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6692\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6695,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6692\/revisions\/6695"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6693"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6692"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6692"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6692"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}