{"id":6700,"date":"2024-07-25T07:30:05","date_gmt":"2024-07-25T07:30:05","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6700"},"modified":"2024-07-25T10:29:20","modified_gmt":"2024-07-25T10:29:20","slug":"a-educacao-cientifica-deve-ser-priorizada-desde-a-escola-para-que-mais-e-mais-meninas-se-interessem-por-acessar-e-ocupar-os-campos-cientificos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6700","title":{"rendered":"\u201cA educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica deve ser priorizada desde a escola, para que mais meninas se interessem por acessar e ocupar os campos cient\u00edficos\u201d"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"confira-entrevista-com-maria-elisa-maximo-secretaria-regional-em-santa-catarina-da-sbpc\"><span style=\"color: #808080;\">Confira entrevista com Maria Elisa M\u00e1ximo, secret\u00e1ria regional em Santa Catarina da SBPC<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Cada vez mais mulheres v\u00eam ocupando lugares de destaque na sociedade, mas conquistar esses espa\u00e7os \u00e9 uma luta constante, especialmente no meio acad\u00eamico. \u00c9 o que aponta Maria Elisa M\u00e1ximo, professora do Departamento de Antropologia da <strong><a href=\"Universidade%20Federal%20de%20Santa%20Catarina%20(UFSC)\"><span style=\"color: #800000;\">Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)<\/span><\/a><\/strong>. Para a antrop\u00f3loga, o fator estrutural \u00e9 uma das principais causas das distor\u00e7\u00f5es entre os espa\u00e7os e pap\u00e9is ocupados por homens e mulheres na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento. \u201cA igualdade s\u00f3 ser\u00e1 efetivamente alcan\u00e7ada se o princ\u00edpio do tratamento ison\u00f4mico for aplicado em todas as inst\u00e2ncias da ci\u00eancia e do campo acad\u00eamico\u201d, afirma. Como secret\u00e1ria regional em Santa Catarina da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC)<\/a><\/strong><\/span>, Maria Elisa aborda com veem\u00eancia as disparidades estruturais que perpetuam a desigualdade de g\u00eanero na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico. Ela destaca a import\u00e2ncia de linhas de financiamento e editais espec\u00edficos para mulheres cientistas em diferentes est\u00e1gios da carreira, al\u00e9m de incentivar a forma\u00e7\u00e3o de grupos de pesquisa focados em estudos de g\u00eanero e diversidade. \u201cAs novas gera\u00e7\u00f5es precisam mais do que exemplos nos quais se espelhar e se inspirar. Elas precisam de condi\u00e7\u00f5es reais e efetivas para acessarem, permanecerem e transitarem no meio acad\u00eamico, em todas as suas \u00e1reas e espa\u00e7os, incluindo inst\u00e2ncias de poder e decis\u00e3o\u201d, pontua.<\/em> <em>A experi\u00eancia e o compromisso de Maria Elisa M\u00e1ximo com a causa se refletem em suas a\u00e7\u00f5es e palavras. Ela acredita que a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas espec\u00edficas para apoiar mulheres cientistas, desde o financiamento at\u00e9 a forma\u00e7\u00e3o e pesquisa, \u00e9 crucial para promover um ambiente acad\u00eamico mais justo e inclusivo. M\u00e1ximo, que tamb\u00e9m \u00e9 professora do Departamento de Antropologia da UFSC, m\u00e3e e cientista, aponta os maiores desafios enfrentados por mulheres na ci\u00eancia: a maternidade e a hostilidade do meio acad\u00eamico, agravada pelo machismo institucional. \u201cSe pensarmos que a ci\u00eancia hegem\u00f4nica coaduna com l\u00f3gicas produtivistas, utilitaristas e mercadol\u00f3gicas do capitalismo contempor\u00e2neo, o di\u00e1logo com outras matrizes de conhecimento nos coloca uma s\u00e9rie de quest\u00f5es sobre que tipo de ci\u00eancia queremos produzir\u201d, enfatiza.<\/em><\/p>\n<p>Leia a entrevista completa!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura &#8211; Em sua opini\u00e3o e viv\u00eancia, como as mulheres t\u00eam contribu\u00eddo para avan\u00e7os significativos no campo cient\u00edfico ao longo dos anos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Maria Elisa M\u00e1ximo &#8211; <\/strong>Mulheres t\u00eam contribu\u00eddo no campo cient\u00edfico em v\u00e1rias frentes e perspectivas. Hoje, vemos mulheres liderando e envolvidas em pesquisas sobre astrof\u00edsica, estudos clim\u00e1ticos, biomedicina, dentre outras \u00e1reas onde at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s s\u00f3 v\u00edamos homens atuando. A Jaqueline Goes, recentemente nomeada Embaixadora da Ci\u00eancia no Brasil, \u00e9 um exemplo importante dessas conquistas: uma mulher, negra, nordestina, que coordenou a equipe respons\u00e1vel pelo sequenciamento do genoma do v\u00edrus SARS-CoV-2, poucos dias ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o do primeiro caso no Brasil. Nas Humanidades, onde as mulheres est\u00e3o, historicamente, em maior n\u00famero, h\u00e1 contribui\u00e7\u00f5es important\u00edssimas em todas as \u00e1reas e campos, mas destaco o campo interdisciplinar de estudos de g\u00eanero, que possibilitam a sociedade entender como as desigualdades e viol\u00eancias de g\u00eanero se expressam nos mais diferentes espa\u00e7os, colaborando direta e indiretamente na elabora\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para a promo\u00e7\u00e3o da equidade, o reconhecimento da diversidade de modos de se \u201cser mulher\u201d e para o fortalecimento de uma perspectiva interseccional, que olhe para as quest\u00f5es de g\u00eanero considerando atravessamentos de ra\u00e7a, etnia, classe social, defici\u00eancias e outros marcadores sociais e condi\u00e7\u00f5es materiais de vida. Por fim, h\u00e1 outra frente de atua\u00e7\u00e3o das mulheres nas ci\u00eancias, hoje, que n\u00e3o pode deixar de ser mencionada: h\u00e1 um grupo crescente de mulheres que v\u00eam se dedicando a repensar a pr\u00f3pria ci\u00eancia na forma como esta \u00e9 tradicionalmente pensada e praticada por indiv\u00edduos que representam o \u201csujeito universal\u201d, isto \u00e9, por homens, brancos e situados no norte global. Devemos falar especialmente de cientistas negras e ind\u00edgenas que, ao insistirem na pot\u00eancia dos saberes e epistemologias locais, permitem repensarmos n\u00e3o apenas o que costumamos definir como conhecimento cient\u00edfico, mas tamb\u00e9m as formas de produzi-lo. Se pensarmos que a ci\u00eancia hegem\u00f4nica coaduna com l\u00f3gicas produtivistas, utilitaristas e mercadol\u00f3gicas do capitalismo contempor\u00e2neo, o di\u00e1logo com outras matrizes de conhecimento nos coloca uma s\u00e9rie de quest\u00f5es sobre que tipo de ci\u00eancia queremos produzir, para quem, com quem e que futuro desejamos construir a partir dela? E as mulheres, na sua diversidade, t\u00eam sem d\u00favida alguma protagonizado essas reflex\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ha-um-grupo-crescente-de-mulheres-que-vem-se-dedicando-a-repensar-a-propria-ciencia-na-forma-como-esta-e-tradicionalmente-pensada-e-praticada-por-individuos-que-representam-o-sujeito\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cH\u00e1 um grupo crescente de mulheres que v\u00eam se dedicando a repensar a pr\u00f3pria ci\u00eancia na forma como esta \u00e9 tradicionalmente pensada e praticada por indiv\u00edduos que representam o \u2018sujeito universal\u2019, isto \u00e9, por homens, brancos e situados no norte global.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Quais s\u00e3o os principais desafios enfrentados pelas mulheres na busca pela igualdade de oportunidades e reconhecimento em \u00e1reas cient\u00edficas, em sua vis\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>MEM &#8211; S\u00e3o muitos, certamente. Eu diria que o maior desafio ainda \u00e9 fazer com que governos, legisladores, gestores institucionais e a sociedade de modo geral compreendam que a igualdade s\u00f3 ser\u00e1 efetivamente alcan\u00e7ada se o princ\u00edpio do tratamento ison\u00f4mico for aplicado em todas as inst\u00e2ncias da ci\u00eancia e do campo acad\u00eamico: que \u00e9 tratar desigualmente os desiguais na medida das suas desigualdades. Isso j\u00e1 deveria ser um assunto superado, mas o fato \u00e9 que nas pol\u00edticas p\u00fablicas, nos crit\u00e9rios de pontua\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, na din\u00e2mica dos concursos p\u00fablicos, na defini\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as e gestores e em outras esferas da vida acad\u00eamica ainda persiste a l\u00f3gica meritocr\u00e1tica que, por sua vez, segue privilegiando as mesmas pessoas, a maioria homens, a maioria brancos, a maioria heterossexuais e cisg\u00eaneros. Mudar esse estado de coisas implica em fraturar essa estrutura, enfrentar a meritocracia e encarar uma agenda que inclua um tratamento distinto para cientistas m\u00e3es e m\u00e3es at\u00edpicas, que repense formas de ingresso para mulheres deficientes, que implemente pol\u00edticas efetivas para a perman\u00eancia de mulheres trans nos espa\u00e7os acad\u00eamicos, que enfrente com efetividade e cultura do ass\u00e9dio e do estupro, que crie linhas de financiamento mais robustas para projetos coordenados por mulheres, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Qual \u00e9 o impacto do pioneirismo de figuras como Rosina de Barros, Ligia Sila Leite, Lilia Moritz Schwarcz, Carolina Bori e Johanna Dobereiner na hist\u00f3ria da ci\u00eancia no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>MEM &#8211; Elas abriram caminhos, mostraram ser poss\u00edvel ocupar espa\u00e7os de diferentes graus de import\u00e2ncia, produziram trabalhos relevantes, alcan\u00e7aram reconhecimento e, por isso, t\u00eam um papel fundamental na representatividade. Mas, sem diminuir a import\u00e2ncia dessas mulheres, \u00e9 crucial refletirmos sobre os limites da representatividade. Em geral, o papel da representatividade esbarra na cultura meritocr\u00e1tica: elas chegaram l\u00e1, nos \u201ctopos\u201d da carreira acad\u00eamica, em suas \u00e1reas, em suas \u00e1reas; mas, h\u00e1 de fato condi\u00e7\u00f5es reais para que todas cheguem? Tamb\u00e9m \u00e9 preciso pensar sobre que mulheres s\u00e3o essas que \u201cchegam l\u00e1\u201d? Que cor elas t\u00eam? De onde elas v\u00eam? Ao nos fazermos essas perguntas, muitas vezes, vamos nos deparar com privil\u00e9gios que foram ou s\u00e3o determinantes para o sucesso de um carreira na ci\u00eancia e isso nos permite problematizar o papel da representatividade. O que quero dizer \u00e9 o seguinte: se quisermos que as meninas de hoje se tornem futuras cientistas, elas devem sim conhecer, ler, explorar a hist\u00f3rias dessas mulheres, sua produ\u00e7\u00e3o, sua trajet\u00f3ria. E mais: precisamos ampliar esse pante\u00e3o da representatividade, e incluir definitivamente nomes como L\u00e9lia Gonzalez, Jurema Werneck, Cida Bento, Sueli Carneiro, Luiza Bairros, S\u00f4nia Guimar\u00e3es e outras intelectuais negras, ind\u00edgenas, deficientes, etc. Mas, as novas gera\u00e7\u00f5es precisam mais do que exemplos nos quais se espelhar e se inspirar. Elas precisam de condi\u00e7\u00f5es reais e efetivas para acessarem, permanecerem e transitarem no meio acad\u00eamico, em todas as suas \u00e1reas e espa\u00e7os, incluindo inst\u00e2ncias de poder e de decis\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<h4 id=\"a-divulgacao-cientifica-pode-reforcar-o-protagonismo-das-mulheres-na-producao-de-ciencia-difundir-sua-producao-cientifica-e-afetar-positivamente-a-opiniao-publica\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica pode refor\u00e7ar o protagonismo das mulheres na produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia, difundir sua produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e afetar positivamente a opini\u00e3o p\u00fablica.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Como a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica pode desempenhar um papel crucial na promo\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das mulheres na ci\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>MEM &#8211; Com certeza, a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica pode refor\u00e7ar o protagonismo das mulheres na produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o em todos os campos de conhecimento, difundir sua produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e afetar positivamente a opini\u00e3o p\u00fablica. Pensando especificamente na divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, que envolve ve\u00edculos, jornalistas e outros agentes, para que a atua\u00e7\u00e3o das mulheres seja pauta priorit\u00e1ria, vire manchete e destaque nos sites, revistas e demais canais, \u00e9 fundamental subverter a estrutura que privilegia sempre os mesmos nomes, as mesmas \u00e1reas, o mesmo tipo de produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. N\u00e3o podemos esquecer que existem desigualdades e assimetrias profundas no campo cient\u00edfico que fazem com que as chamadas ci\u00eancias \u201cduras\u201d (biol\u00f3gicas, ci\u00eancias da sa\u00fade e aquelas inseridas na sigla STEM) ainda sejam aquelas normalmente al\u00e7adas ao estatuto de ci\u00eancia. As Humanidades, ao contr\u00e1rio, nem sempre s\u00e3o vistas como ci\u00eancias. Curiosamente, de modo geral, \u00e9 nas Humanidades que encontramos uma maior participa\u00e7\u00e3o de mulheres. Precisamos, \u00e9 claro, de uma s\u00e9rie de pol\u00edticas e iniciativas que promovam maior participa\u00e7\u00e3o de mulheres nas tais ci\u00eancias \u201cduras\u201d, mas tamb\u00e9m precisamos reivindicar cada vez mais o estatuto cient\u00edfico das Humanidades para, consequentemente, valorizar e difundir a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de mulheres.<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Como as representa\u00e7\u00f5es e narrativas sobre mulheres na ci\u00eancia t\u00eam evolu\u00eddo ao longo do tempo, especialmente no contexto da revista <\/strong><span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a><\/strong><\/span><strong>?<\/strong><\/p>\n<p>MEM &#8211; As contribui\u00e7\u00f5es das mulheres nas ci\u00eancias devem estar cada vez mais presentes no cotidiano das editorias, nas pautas di\u00e1rias. Penso que os ve\u00edculos de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da <strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a><\/span>\u00a0\u2014\u00a0<\/strong>a revista <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a><\/strong><\/span>, mas tamb\u00e9m o <strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.jornaldaciencia.org.br\/\">Jornal da Ci\u00eancia<\/a><\/span>\u00a0\u2014\u00a0<\/strong>se esfor\u00e7am nesse sentido e servem de exemplo, mas isso precisa ser a regra em todos os meios de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Afinal, se as conquistas s\u00e3o muitas, as barreiras e dificuldades que encontramos tamb\u00e9m s\u00e3o muitas. Hoje em dia, por exemplo, enfrentamos for\u00e7as reacion\u00e1rias que ocupam espa\u00e7os de poder e de decis\u00e3o para tentar retroceder em direitos conquistados pelas mulheres. A educa\u00e7\u00e3o e a ci\u00eancia est\u00e3o entre os campos mais disputados por esses grupos radicalizados e seus agentes pol\u00edticos, que tentam a todo custo deslegitimar nossas pautas, tirar direitos e, mais do que isso, impedir ou minar o debate sobre equidade de g\u00eanero e suas interseccionalidades nos espa\u00e7os educacionais. A educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica deve ser priorizada desde a escola, para que mais e mais meninas se interessem por acessar e ocupar os campos cient\u00edficos. Nesse contexto, ve\u00edculos como a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a><\/strong><\/span>, que compreendem o papel da ci\u00eancia na manuten\u00e7\u00e3o e nos, fortalecimento da democracia, da justi\u00e7a social e das equidades, t\u00eam um papel fundamental. Abrir espa\u00e7os para que mulheres diversas \u2014 negras, ind\u00edgenas, deficientes, l\u00e9sbicas, trans \u2014 contem suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias, apresentem as ci\u00eancias que produzem, tragam suas quest\u00f5es e demandas \u00e9, a meu ver, uma urg\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"dai-a-importancia-e-a-revolucao-provocada-pelas-acoes-afirmativas-nas-universidades-descolonizando-esses-espacos-inserindo-neles-corpos-e-saberes-diversos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cDa\u00ed a import\u00e2ncia e a revolu\u00e7\u00e3o provocada pelas a\u00e7\u00f5es afirmativas nas universidades, descolonizando esses espa\u00e7os, inserindo neles corpos e saberes diversos.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; De que maneira a diversidade de perspectivas e experi\u00eancias das mulheres contribui para a riqueza e a inova\u00e7\u00e3o nos campos cient\u00edficos e culturais? <\/strong><\/p>\n<p>MEM &#8211; A meu ver, a maior contribui\u00e7\u00e3o das mulheres hoje para a ci\u00eancia e a cultura vem, justamente, dos grupos e categorias sociais historicamente sub representados nesses espa\u00e7os. N\u00e3o h\u00e1 mais possibilidades de discutirmos equidade de g\u00eanero sem considerarmos o qu\u00ea o feminismo negro, as cientistas ind\u00edgenas, os estudos sobre defici\u00eancia, o transfeminismo v\u00eam produzindo, debatendo e demandando acerca do acesso e perman\u00eancia nos campos cient\u00edficos. A presen\u00e7a dessas pessoas nas universidades \u2014 uma presen\u00e7a conquistada tardiamente, diga-se de passagem, e ainda insuficiente \u2014 \u00e9 fundamental nesse processo, pois deixa evidente que \u201cser mulher\u201d nesses espa\u00e7os implica em experi\u00eancias, modos de exist\u00eancia e enfrentamentos muito distintos. Da\u00ed a import\u00e2ncia e a revolu\u00e7\u00e3o provocada pelas a\u00e7\u00f5es afirmativas nas universidades, descolonizando esses espa\u00e7os, inserindo neles corpos e saberes diversos. O grande desafio ainda \u00e9 eliminar as formas de viol\u00eancia que essas mulheres ainda enfrentam nas diferentes esferas da academia e das ci\u00eancias: s\u00e3o viol\u00eancias que v\u00e3o desde a dimens\u00e3o epist\u00eamica \u2014 pelo n\u00e3o reconhecimento, valoriza\u00e7\u00e3o e at\u00e9 pelo \u201csequestro\u201d de suas ideias e formula\u00e7\u00f5es \u2014 at\u00e9 viol\u00eancias psicol\u00f3gicas e f\u00edsicas, pelas pr\u00e1ticas de ass\u00e9dio moral e sexual. Nesse ponto, \u00e9 urgente que governos e gestores se empenhem na elabora\u00e7\u00e3o e efetiva\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e institucionais voltadas ao enfrentamento dessas viol\u00eancias, incluindo o racismo, xenofobia, intoler\u00e2ncia religiosa, discursos de \u00f3dio, manifesta\u00e7\u00f5es neofascistas e qualquer outra pr\u00e1tica ou vis\u00e3o de mundo pautada pelo machismo e pela misoginia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Confira entrevista com Maria Elisa M\u00e1ximo, secret\u00e1ria regional em Santa Catarina da&hellip;\n","protected":false},"author":42,"featured_media":6702,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6700"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6700"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6700\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6704,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6700\/revisions\/6704"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6702"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}