{"id":6738,"date":"2024-07-29T07:55:42","date_gmt":"2024-07-29T07:55:42","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6738"},"modified":"2024-07-30T18:13:20","modified_gmt":"2024-07-30T18:13:20","slug":"carolina-bori-e-o-compromisso-com-ciencia-e-com-a-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6738","title":{"rendered":"Carolina Bori e o compromisso com a ci\u00eancia e com a democracia"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"pesquisadora-dedicou-sua-vida-a-formar-cientistas-e-promover-a-ciencia-participando-criando-e-gerenciando-varias-sociedades-cientificas\"><span style=\"color: #808080;\">Pesquisadora dedicou sua vida a formar cientistas e promover a ci\u00eancia, participando, criando e gerenciando v\u00e1rias sociedades cient\u00edficas.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cMilit\u00e2ncia \u00e9 a palavra que, cremos, melhor caracteriza a natureza da atua\u00e7\u00e3o de Carolina Bori em suas in\u00fameras frentes de trabalho. Milit\u00e2ncia na forma\u00e7\u00e3o de docentes\/pesquisadores; na implanta\u00e7\u00e3o de cursos e laborat\u00f3rios de Psicologia Experimental em todo o Brasil; na introdu\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o da An\u00e1lise Experimental do Comportamento em nosso meio cient\u00edfico; junto a associa\u00e7\u00f5es e \u00f3rg\u00e3os de fomento, para viabilizar pol\u00edticas adequadas de incentivo \u00e0 pesquisa, n\u00e3o apenas na psicologia, mas para a ci\u00eancia em geral; no esfor\u00e7o permanente de implementar melhores condi\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de programa\u00e7\u00e3o de cursos, de forma\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento de docentes de primeiro, segundo e terceiro graus; na divulga\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia para os jovens e para a popula\u00e7\u00e3o em geral; e, com n\u00e3o menos empenho, na lideran\u00e7a da comunidade cient\u00edfica em prol da redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, da defesa dos direitos humanos e de todas as outras lutas que o pa\u00eds tem assistido nas \u00faltimas d\u00e9cadas\u201d. Assim descrevem Maria Am\u00e9lia Matos e Anna Maria Almeida Carvalho em <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/prc\/a\/qyxYSbX3vRmcB4J7TPXdnqm\/?lang=pt\"><strong>artigo<\/strong><\/a> <\/span>publicado em uma edi\u00e7\u00e3o especial da revista <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/prc\/a\/qyxYSbX3vRmcB4J7TPXdnqm\/?lang=pt\"><strong>Psicologia USP<\/strong><\/a><\/span> de 2018, em homenagem \u00e0 Carolina Bori.<\/p>\n<p>Nascida em S\u00e3o Paulo em 1924, Carolina Martuscelli Bori se formou em Pedagogia na Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras (FFCL), da <a href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/span><\/strong><\/a>, em 1947. No ano seguinte foi contratada pela mesma universidade como professora assistente de Psicologia. Movida pela premissa de que a ci\u00eancia tem que ser feita dentro e fora do laborat\u00f3rio, desde o in\u00edcio de sua carreira ela participou de sociedades cient\u00edficas, tendo atuado na cria\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de v\u00e1rias delas. \u201cCarolina foi uma personalidade pol\u00edtica constru\u00edda no trabalho pela ci\u00eancia em seu aspecto mais amplo. Inspirada nos grandes modelos tinha uma forte convic\u00e7\u00e3o de que toda cr\u00edtica tinha que ser estruturada sobre o conhecimento cient\u00edfico para ter validade, da\u00ed seu trabalho e dedica\u00e7\u00e3o para formar pessoas, formar cientistas\u201d, conta Eda Terezinha de Oliveira Tassara, professora em\u00e9rita do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP. \u201cS\u00f3 que formar pessoas demandava recursos e, portanto, para garantir estes recursos era fundamental o envolvimento na pol\u00edtica cient\u00edfica, nas institui\u00e7\u00f5es\u201d, complementa Eda Tassara, que foi orientada por Carolina Bori em seu mestrado e em seu doutorado e que trabalhou com ela na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\"><strong>Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC)<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"carolina-foi-uma-personalidade-politica-construida-no-trabalho-pela-ciencia-em-seu-aspecto-mais-amplo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cCarolina foi uma personalidade pol\u00edtica constru\u00edda no trabalho pela ci\u00eancia em seu aspecto mais amplo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conforme aponta o texto publicado no <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/memorialcarolinabori.sbpcnet.org.br\/sobre.php\"><strong>Memorial Carolina Bori<\/strong><\/a><\/span>, idealizado pela SBPC para celebrar o centen\u00e1rio da pesquisadora, Carolina Bori presidiu ou participou da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.sbponline.org.br\/\"><strong>Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP)<\/strong><\/a><\/span>, da Sociedade de Psicologia de S\u00e3o Paulo e da Associa\u00e7\u00e3o de Modifica\u00e7\u00e3o do Comportamento. Fundou a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Pesquisa e P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia e a Associa\u00e7\u00e3o de Docentes da USP. Criou e dirigiu o Departamento de Psicologia na ent\u00e3o rec\u00e9m-criada <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unb.br\/\"><strong>Universidade de Bras\u00edlia (UnB)<\/strong><\/a><\/span>, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960. Sua carreira como cientista pioneira da Psicologia Experimental se confunde com uma atua\u00e7\u00e3o institucional ativa ao longo de toda sua trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p>A consolida\u00e7\u00e3o do Curso de Psicologia no Brasil talvez tenha sido um dos primeiros desafios institucionais que Carolina abra\u00e7ou. Ciente do impacto no contexto da reforma universit\u00e1ria que estava em curso nos anos 1960 e que culminaria com a substitui\u00e7\u00e3o do sistema de c\u00e1tedras pelo de departamentos, institutos de centros, ela passou a lutar para a Psicologia ser reconhecida como uma ci\u00eancia aut\u00f4noma. Isso porque, at\u00e9 os anos 1960, no Brasil, esta n\u00e3o era uma \u00e1rea de pesquisa formalmente constitu\u00edda. \u201c\u00c9 a partir dos anos 1950 que come\u00e7am os primeiros esfor\u00e7os para a autonomiza\u00e7\u00e3o da Psicologia no Brasil, ou seja, como uma \u00e1rea independente da Educa\u00e7\u00e3o, da Filosofia ou da Medicina\u201d, explica Gabriel Vieira C\u00e2ndido, psic\u00f3logo e pesquisador da \u00e1rea de Hist\u00f3ria da Psicologia, que estudou a trajet\u00f3ria de Carolina Bori em seu doutorado, conclu\u00eddo em 2014 na Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras de Ribeir\u00e3o Preto da USP.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"sua-atuacao-na-sbpc-chama-a-atencao-pelas-diversas-iniciativas-nas-ciencias-no-brasil-extrapolando-o-campo-da-psicologia\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cSua atua\u00e7\u00e3o na SBPC chama a aten\u00e7\u00e3o pelas diversas iniciativas nas ci\u00eancias, no Brasil, extrapolando o campo da Psicologia.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA regulamenta\u00e7\u00e3o se concretizou em 1962, por meio da Lei n.\u00ba 4.119. Carolina Bori foi fundamental em todo o processo, desde seu empenho na elabora\u00e7\u00e3o do projeto de lei e na busca de assinaturas\u201d, lembra Gabriel C\u00e2ndido, que est\u00e1 preparando um livro sobre ela, a ser publicado ainda este ano, com apoio da SBPC. \u201cA hist\u00f3ria dela como cientista acabou ficando ofuscada por essa motiva\u00e7\u00e3o de consolidar a Psicologia como um campo cient\u00edfico, de formar pessoas todas as \u00e1reas, de lutar pelo fortalecimento da ci\u00eancia como um todo no Brasil. Nesse sentido, ela foi assumindo cada vez mais posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, n\u00e3o como um objetivo final, mas como um meio para fazer jus a essas convic\u00e7\u00f5es\u201d, pontua Eda Tassara.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"constituinte\"><strong>Constituinte<\/strong><\/h4>\n<p>Nesse sentido, a atua\u00e7\u00e3o de Carolina Bori na SBPC \u00e9 emblem\u00e1tica. \u201cSua atua\u00e7\u00e3o na SBPC chama a aten\u00e7\u00e3o pelas diversas iniciativas nas ci\u00eancias, no Brasil, extrapolando o campo da Psicologia\u201d, escreveu Gabriel C\u00e2ndido. Seu primeiro cargo na diretoria foi em 1973, como primeira secret\u00e1ria, assumindo posteriormente a secretaria geral (1977-1981), depois a vice-presid\u00eancia (1981-1986) e, finalmente, a presid\u00eancia (1986 a 1989). \u201cFoi algo extraordin\u00e1rio uma mulher assumir a presid\u00eancia da SBPC, mas, ao mesmo tempo, isto foi uma conquista que construiu ao longo de toda a sua trajet\u00f3ria na entidade guiada por uma vis\u00e3o iluminista da ci\u00eancia, que para ela, era um motor de desenvolvimento e de transforma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds\u201d, lembra Eda Tassara. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-carolina-bori-em-sessao-de-encerramento-da-56a-reuniao-anual-da-sbpc-realizada-em-cuiaba-em-2004fonte-acervo-sbpc-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6739\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura1-300x194.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"324\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura1-300x194.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura1-1024x663.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura1-768x497.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura1-800x518.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura1-1160x751.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura1.jpg 1302w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Carolina Bori em sess\u00e3o de encerramento da 56\u00aa Reuni\u00e3o Anual da SBPC realizada em Cuiab\u00e1 em 2004<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Acervo SBPC. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como presidente da SBPC, Carolina Bori articulou a elabora\u00e7\u00e3o de propostas da comunidade cient\u00edfica para a atual Constitui\u00e7\u00e3o Federal, promulgada em 1988. Em 17 de julho de 1987, um documento de 15 p\u00e1ginas com propostas para as \u00e1reas de ci\u00eancia e tecnologia, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, espa\u00e7o territorial, meio ambiente e popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas foi pessoalmente entregue por Carolina para o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimar\u00e3es. \u201cOs pesquisadores atuaram como assessores, muitas vezes informais, na Constituinte. Durante a abertura da 39\u00aa Reuni\u00e3o Anual da SBPC, realizada na UnB em 1987, Carolina afirmou: \u2018Estamos na expecta\u00adtiva de a\u00e7\u00e3o, urgente, imediata, no sen\u00adtido de que nossas propostas se con\u00adcretizem na nova Constitui\u00e7\u00e3o como uma contribui\u00e7\u00e3o da comunidade acad\u00eamica para a cria\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds moderno, um pa\u00eds novo, um pa\u00eds que fa\u00e7a valer os direitos das pessoas que vivem nele\u2019\u201d.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 \u00e9 a primeira que manifesta de modo expl\u00edcito a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica da ci\u00eancia e da tecnologia para o desenvolvimento socioecon\u00f4mico do Brasil ao estabelecer que \u00e9 responsabilidade do Estado promover o progresso da ci\u00eancia visando o desenvolvimento econ\u00f4mico e social e o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o. O Artigo 218 determina que \u201ca pesquisa cient\u00edfica b\u00e1sica receber\u00e1 tratamento priorit\u00e1rio do Estado, tendo em vista o bem p\u00fablico e o progresso das ci\u00eancias\u201d. \u201cAcredito que Carolina Bori fez parte de uma comunidade de grandes nomes da ci\u00eancia brasileira, como Milton Santos e Cesar Lattes, pessoas que tinham um programa para o pa\u00eds. E isso fez toda a diferen\u00e7a!\u201d, destaca Gloria Malavoglia, bi\u00f3loga e idealizadora do <a href=\"https:\/\/canalciencia.ibict.br\/sobre-o-canal-ciencia\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Canal Ci\u00eancia<\/span><\/strong><\/a>, um servi\u00e7o de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"Instituto%2520Brasileiro%2520de%2520Informa%2525C3%2525A7%2525C3%2525A3o%2520em%2520Ci%2525C3%2525AAncia%2520e%2520Tecnologia%2520(IBICT)\"><strong>Instituto Brasileiro de Informa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia e Tecnologia (IBICT)<\/strong><\/a><\/span>. \u201cEm minha opini\u00e3o, Carolina Bori representa essa gera\u00e7\u00e3o de cientistas ao captar essa vontade de expandir as fronteiras da academia e criar uma ponte com a sociedade\u201d, complementa. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-como-presidente-da-sbpc-carolina-bori-articulou-a-elaboracao-de-propostas-da-comunidade-cientifica-para-a-atual-constituicao-federal-promulgada-em-1988fonte-acervo-sbpc-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6740\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura2-300x163.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"272\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura2-300x163.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura2-1024x556.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura2-768x417.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura2-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura2-200x110.jpg 200w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura2-260x140.jpg 260w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura2-800x435.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura2-1160x630.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-Carolina-Bori-e-as-instituic\u0327o\u0303es-figura2.jpg 1368w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2.Como presidente da SBPC, Carolina Bori articulou a elabora\u00e7\u00e3o de propostas da comunidade cient\u00edfica para a atual Constitui\u00e7\u00e3o Federal, promulgada em 1988<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Acervo SBPC. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"divulgacao-de-ciencia-e-educacao\"><strong>Divulga\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>E essa ponte dependia de uma boa comunica\u00e7\u00e3o com a sociedade, ou seja, dependia de uma boa divulga\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. \u201cA difus\u00e3o era a express\u00e3o de uma consci\u00eancia da necessidade de intervir na sociedade\u201d, pontua Gloria Malavoglia que, na d\u00e9cada de 1980, trabalhou no departamento de difus\u00e3o cient\u00edfica da pesquisa brasileira criado por Carolina Bori na SBPC. \u201cEla fez algo in\u00e9dito que foi idealizar um programa de bolsas do CNPq para atua\u00e7\u00e3o de pesquisadores em divulga\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e ainda estabelecer parcerias com ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o como a R\u00e1dio USP e a R\u00e1dio Cultura, de S\u00e3o Paulo\u201d, conta. Ainda segundo ela, buscando apoiar o trabalho dos jornalistas na cobertura das reuni\u00f5es anuais da SBPC e, com isso, ampliar a presen\u00e7a das pautas de ci\u00eancia na m\u00eddia, Carolina Bori capitaneou a cria\u00e7\u00e3o de uma sala de imprensa e de uma comiss\u00e3o de difus\u00e3o cient\u00edfica que selecionava temas e pautas que poderiam gerar interesse junto \u00e0 imprensa.<\/p>\n<p>Uma das atua\u00e7\u00f5es institucionais pouco lembradas de Carolina Bori \u00e9 sua passagem pelo Instituto Brasileiro de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura (IBECC), criado no Rio de Janeiro em 1946, como uma Comiss\u00e3o Nacional da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco). Ap\u00f3s atuar como secret\u00e1ria na longa gest\u00e3o do professor Oscar Sala, ele a indicou substitu\u00ed-la quando se aposentou, sugest\u00e3o que foi prontamente aprovada pelo Itamaraty. \u201cSua trajet\u00f3ria at\u00e9 chegar a essa posi\u00e7\u00e3o, no campo da forma\u00e7\u00e3o de professores nas diferentes \u00e1reas cient\u00edficas, foi enorme e cobriu v\u00e1rias iniciativas e a\u00e7\u00f5es. Passou pela participa\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o de programas de p\u00f3s- gradua\u00e7\u00e3o em ensino na USP, tendo prosseguido no IBECC. Participou das atividades da Coordenadoria Executiva de Coopera\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria e de Atividades Especiais (Cecae), da USP, articulando professores de Ci\u00eancias em atividades de extens\u00e3o. Por esse envolvimento foi diretora da Esta\u00e7\u00e3o Ci\u00eancia, um centro de difus\u00e3o cient\u00edfica, tecnol\u00f3gica e cultural da Pr\u00f3-Reitoria de Cultura e Extens\u00e3o Universit\u00e1ria da USP, onde permaneceu at\u00e9 1994, quando entrou na compuls\u00f3ria\u201d, contou a professora Eda Tassara. \u201cS\u00e3o dimens\u00f5es amplas de a\u00e7\u00e3o que transcendem a Psicologia e que criaram fatos irrevers\u00edveis\u201d, destaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ela-entendia-a-necessidade-de-conferir-maior-flexibilidade-para-os-cursos-poderem-fazer-arranjos-proprios-possibilitando-uma-atualizacao-nas-areas-de-atuacao-do-psicologo-para-incluir-temas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEla entendia a necessidade de conferir maior flexibilidade para os cursos poderem fazer arranjos pr\u00f3prios, possibilitando uma atualiza\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o do psic\u00f3logo para incluir temas como a promo\u00e7\u00e3o da qualidade de vida.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo ap\u00f3s aposentada, Carolina se manteve ativa. Entre 1994 e 1999, ela comp\u00f4s a comiss\u00e3o de especialistas em ensino de psicologia criada para discutir alternativas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea que posteriormente gerariam subs\u00eddios para uma revis\u00e3o das diretrizes curriculares para o ensino de psicologia. \u201cUma das principais discuss\u00f5es do grupo era sobre como garantir flexibilidade e inova\u00e7\u00f5es nos cursos sem correr o risco de uma especializa\u00e7\u00e3o precoce dos profissionais\u201d, conta Antonio Virg\u00edlio Bastos, do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufba.br\/\"><strong>Universidade Federal da Bahia (UFBA)<\/strong><\/a><\/span>, que trabalhou com Caroline Bori na comiss\u00e3o. \u201cEla percebia os limites do primeiro curr\u00edculo m\u00ednimo de cuja elabora\u00e7\u00e3o ela havia participado nos anos 1960 e entendia a necessidade de conferir maior flexibilidade para os cursos poderem fazer arranjos pr\u00f3prios, possibilitando uma atualiza\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o do psic\u00f3logo para al\u00e9m das tradicionais \u2018cl\u00ednica, escola e trabalho\u2019, e de incluir temas como a promo\u00e7\u00e3o da qualidade de vida\u201d, complementa Bastos que tamb\u00e9m \u00e9 conselheiro do Conselho Federal de Psicologia.<\/p>\n<p>Carolina Bori morreu em 2004 devido a complica\u00e7\u00f5es advindas de sequelas de um desastre de carro que ela sofreu em S\u00e3o Carlos anos antes e que foram agravadas por uma queda que ela sofreu em meio \u00e0s atividades da reuni\u00e3o anual da SBPC daquele ano. Tinha 80 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-carolina-bori-uniu-conhecimento-e-politica-cientifica-para-garantir-recursos-e-avancos-para-a-ciencia-brasileirafoto-acervo-sbpc-reproducao\"><strong>Capa. Carolina Bori uniu conhecimento e pol\u00edtica cient\u00edfica para garantir recursos e avan\u00e7os para a ci\u00eancia brasileira<br \/>\n<\/strong>(Foto: Acervo SBPC. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pesquisadora dedicou sua vida a formar cientistas e promover a ci\u00eancia, participando,&hellip;\n","protected":false},"author":18,"featured_media":6741,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6738"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6738"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6738\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6824,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6738\/revisions\/6824"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6741"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}