{"id":6744,"date":"2024-07-29T08:00:10","date_gmt":"2024-07-29T08:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6744"},"modified":"2024-07-26T11:33:34","modified_gmt":"2024-07-26T11:33:34","slug":"carolina-bori-voz-que-ecoa-na-psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6744","title":{"rendered":"Carolina Bori: voz que ecoa na Psicologia e inspira mulheres cientistas"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"pesquisadora-defendia-a-necessidade-de-integrar-a-comunidade-academica-para-a-criacao-de-um-pais-moderno\"><span style=\"color: #808080;\">Pesquisadora defendia a necessidade de integrar a comunidade acad\u00eamica para a cria\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds moderno<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Janeiro de 1924. Em uma sexta-feira comum da capital paulista, vinha ao mundo Carolina Bori, uma das mais ilustres personagens da hist\u00f3ria cient\u00edfica brasileira. Ao longo de quase 60 anos de carreira, Carolina Bori lutou incansavelmente pelo desenvolvimento da ci\u00eancia no Brasil e pela valoriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, duas de suas maiores paix\u00f5es. O alcance e os impactos de suas batalhas foram tamanhos que, mesmo ap\u00f3s seu falecimento, em 2004, aos 80 anos, seu nome e legado continuam rendendo frutos, seja na voz de seus filhos e netos acad\u00eamicos, seja nas palavras de meninas e mulheres motivadas por suas conquistas, nas leis e normas que ajudou a construir ou nas medidas a favor da difus\u00e3o cient\u00edfica que defendeu. Carolina Bori foi pioneira em tempos de crise democr\u00e1tica e sua obra transformou o rumo da ci\u00eancia brasileira.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito profissional, o primeiro amor de Carolina Bori foi a Pedagogia. Foi esse o curso que a levou, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 40, para a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\">Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/a><\/strong><\/span> e permitiu que se aproximasse do ambiente acad\u00eamico. Durante sua gradua\u00e7\u00e3o, descobriu a Psicologia, que, na \u00e9poca, era ensinada apenas como disciplina isolada e ligada \u00e0 Filosofia. Pouco tempo depois, se viu encantada pelo potencial cient\u00edfico dessa \u00e1rea do conhecimento dedicada ao cuidado pelas pessoas. O novo interesse rendeu \u00e0 Carolina Bori uma especializa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea e, em seu \u00faltimo ano de forma\u00e7\u00e3o, um convite feito pela docente Annita Cabral para atuar como professora assistente na cadeira de Psicologia da USP.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-primeira-psicologa-do-brasil\"><strong>A primeira psic\u00f3loga do Brasil<\/strong><\/h4>\n<p>Junto \u00e0 Annita Cabral, Carolina Bori teve papel crucial na cria\u00e7\u00e3o do curso de Psicologia da USP e participou de diversos momentos importantes para a consolida\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o de psic\u00f3logo no Brasil, que, no fim dos anos 1900, ainda engatinhava em termos de regulamenta\u00e7\u00e3o. \u201cEla organizava (&#8230;) comiss\u00f5es de professores, profissionais e estudantes para visitarem pol\u00edticos e obterem apoio para a aprova\u00e7\u00e3o da lei que regulamenta a forma\u00e7\u00e3o em Psicologia\u201d, relembrou Maria Amelia Matos, tamb\u00e9m pioneira na Psicologia brasileira, durante a XXIV Reuni\u00e3o Anual de Psicologia, realizada em Ribeir\u00e3o Preto em 1994. Como fruto de sua luta, Carolina Bori viu nascer, em 1962, a lei nacional de n\u00famero 4.119\/62, que determina o curr\u00edculo m\u00ednimo para a forma\u00e7\u00e3o em Psicologia no Brasil e regulamenta a profiss\u00e3o no pa\u00eds. \u00danica mulher entre os primeiros membros do conselho da categoria, al\u00e9m de uma das precursoras da An\u00e1lise Comportamental no pa\u00eds, Carolina Bori foi a primeira pessoa a ser registrada como psic\u00f3loga no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"trabalhou-incansavelmente-para-a-sbpc-ser-protagonista-na-construcao-da-atual-constituicao-federal-promulgada-em-1988\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cTrabalhou incansavelmente para a SBPC ser protagonista na constru\u00e7\u00e3o da atual Constitui\u00e7\u00e3o Federal, promulgada em 1988.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao longo de sua carreira, ajudou ainda a implantar os cursos de Psicologia na <a href=\"https:\/\/www.rc.unesp.br\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Universidade Estadual Paulista de Rio Claro (Unesp)<\/span><\/strong><\/a>, na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unb.br\/\"><strong>Universidade de Bras\u00edlia (UnB)<\/strong><\/a><\/span> e na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufscar.br\/\"><strong>Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar)<\/strong><\/a><\/span>. Tamb\u00e9m orientou mais de 100 teses e disserta\u00e7\u00f5es e foi fundadora e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Pesquisa e P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia, al\u00e9m de ter presidido e participado de diversas outras sociedades dedicadas \u00e0s ci\u00eancias.<\/p>\n<p>Engajada na miss\u00e3o de firmar um contato maior entre a Psicologia e as demais ci\u00eancias e tamb\u00e9m movida pela vontade de estruturar um sistema nacional cient\u00edfico no pa\u00eds, em 1969, Carolina Bori passou a integrar o conselho da <a href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC)<\/span><\/strong><\/a>. Logo nos primeiros anos, o empenho da pesquisadora foi not\u00e1vel. \u201cCarolina se entregou, desde logo, de corpo e alma \u00e0 SBPC\u201d, ressalta Luiz Edmundo de Magalh\u00e3es, professor do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados (IEA) da USP e colega de Carolina Bori, em <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/pusp\/a\/4rpJQDvDpQX8dS3sc6TYbZd\/?lang=pt\"><strong>texto<\/strong><\/a><\/span> publicado no Scielo Brasil em 1998. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-carolina-bori-foi-a-primeira-presidente-mulher-da-sbpcfonte-acervo-sbpc-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6745\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura1-300x175.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"292\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura1-300x175.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura1-1024x598.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura1-768x449.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura1-800x467.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura1-1160x678.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura1.jpg 1308w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Carolina Bori foi a primeira presidente mulher da SBPC<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Acervo SBPC. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como resultado de seu engajamento, quase 20 anos depois, em 1987, a pesquisadora alcan\u00e7ou a presid\u00eancia da sociedade. Vanderlan Bolzani, professora do Instituto de Qu\u00edmica da Unesp e membro do Conselho da SBPC, lembra que Bori foi a primeira mulher a conquistar esse cargo e teve um papel decisivo na formula\u00e7\u00e3o da nova democracia que estava sendo constru\u00edda. \u201cFicou apenas dois anos no comando da SBPC, mas, em seu mandato, trabalhou incansavelmente para a SBPC ser protagonista na constru\u00e7\u00e3o da atual Constitui\u00e7\u00e3o Federal, promulgada em 1988\u201d. Como presidente, destacava causas ind\u00edgenas, da mulher e do meio ambiente e defendia a necessidade de integrar a comunidade acad\u00eamica para a cria\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds moderno. \u201cUm pa\u00eds que fa\u00e7a valer os direitos das pessoas que vivem nele\u201d, disse Carolina Bori em julho de 1987, durante a abertura da 39\u00aa Reuni\u00e3o Anual da SBPC, realizada na UnB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"bori-e-o-pioneirismo-feminino\"><strong>Bori e o pioneirismo feminino<\/strong><\/h4>\n<p>Eda de Oliveira Tassara, que conviveu por 25 anos com Bori e hoje \u00e9 professora do Instituto de Psicologia da USP, apontou, em declara\u00e7\u00e3o publicada em 1998, que Carolina foi essencial para que seus alunos, orientandos e parceiros desbravassem e ocupassem novos espa\u00e7os. Em especial, as mulheres. \u201cEngajada na constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do pa\u00eds, ela ofereceu, a mim e a todos que a circundavam, oportunidades enriquecedoras de vir a contribuir para e nesta constru\u00e7\u00e3o\u201d, disse. No entanto, as conquistas de Carolina Bori h\u00e1 tempos deixaram de ser um legado apenas para aqueles que conviveram com ela e resistem, com seus efeitos, at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"engajada-na-construcao-da-historia-do-pais-ela-ofereceu-oportunidades-enriquecedoras-de-vir-a-contribuir-para-e-nesta-construcao\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEngajada na constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do pa\u00eds, ela ofereceu oportunidades enriquecedoras de vir a contribuir para e nesta constru\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ocupar o cargo de primeira presidente mulher em uma sociedade antes liderada apenas por homens, abriu portas para que outras duas mulheres not\u00f3rias assumissem o mandato posteriormente: a bioqu\u00edmica Glaci Zancan e a biom\u00e9dica Helena Nader. \u201cHoje em dia, a maior parte da diretoria da SBPC \u00e9 constitu\u00edda por mulheres, mas n\u00e3o era. O exemplo de Carolina Bori est\u00e1 se reproduzindo e melhorando\u201d, pontua Fernanda Sobral, ex-vice-presidente da SBPC e professora em\u00e9rita do Instituo de Ci\u00eancias Sociais da UnB.<\/p>\n<p>\u201c[At\u00e9 hoje, a SBPC] teve apenas tr\u00eas mulheres presidentes! Carolina Bori, sendo a primeira, viveu todo o preconceito de um Brasil subdesenvolvido, na \u00e9poca, enfrentando muitos problemas de ordem econ\u00f4mica e de desenvolvimento social\u201d, comenta Vanderlan Bolzani. Em entrevista ao podcast \u201cO Som da Ci\u00eancia\u201d, uma produ\u00e7\u00e3o da SBPC, Eunice Maria Fernandes Personini, secret\u00e1ria-executiva da entidade, disse que a resist\u00eancia \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de Bori para o cargo de presidente foi marcante. \u201cNaquela \u00e9poca, as c\u00e9dulas de vota\u00e7\u00e3o eram impressas e n\u00f3s, funcion\u00e1rios da comiss\u00e3o eleitoral, fic\u00e1vamos numa sala para a apura\u00e7\u00e3o. Um grupo de s\u00f3cios nos avisou que iria conferir e fiscalizar as elei\u00e7\u00f5es. Era uma resist\u00eancia muito grande, porque o outro candidato que estava concorrendo era um homem\u201d, relembra. Carolina Bori n\u00e3o cedeu \u00e0 press\u00e3o e fez parte de um movimento revolucion\u00e1rio na entidade que ficaria registrado na hist\u00f3ria como um marco de pioneirismo feminino.<\/p>\n<p>Ainda que a atua\u00e7\u00e3o de Carolina Bori tenha surtido efeitos positivos para a presen\u00e7a de cada vez mais mulheres em posi\u00e7\u00f5es relevantes nas sociedades cient\u00edficas brasileiras, Fernanda Sobral ressalta que ainda h\u00e1 um longo caminho pela frente. \u201cEmbora as mulheres sejam a maioria atualmente nos cursos de mestrado e doutorado, por exemplo, quando analisamos os dados salariais, elas ainda recebem menos\u201d, diz a professora. \u201cNo topo da carreira e l\u00edderes de destaque nacional e internacional, os homens ainda s\u00e3o dominantes. Apenas 38% dos l\u00edderes s\u00e3o mulheres e recebem, em geral, cerca de 78% do sal\u00e1rio pago aos homens na mesma fun\u00e7\u00e3o\u201d, completa Vanderlan Bolzani. Nesse cen\u00e1rio, o eco de Carolina Bori resiste e seu nome est\u00e1 presente em diversas iniciativas que buscam dar voz \u00e0s mulheres cientistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"um-legado-atemporal\"><strong>Um legado atemporal<\/strong><\/h4>\n<p>Um exemplo \u00e9 o Pr\u00eamio \u201cCarolina Bori Ci\u00eancia e Mulher\u201d, criado por Vanderlan Bolzani em 2019 como uma forma de ampliar o reconhecimento de meninas e mulheres cientistas. A ideia surgiu em 2018, quando a pesquisadora era vice-presidente da SBPC, sendo acatada pela diretoria como uma homenagem para grandes personalidades no cen\u00e1rio cient\u00edfico. \u201c[At\u00e9 ent\u00e3o], a SBPC, criada no p\u00f3s-segunda guerra, s\u00f3 tinha pr\u00eamios dedicados a homens!\u201d, relembra a idealizadora. Em fevereiro de 2024, a celebra\u00e7\u00e3o completou sua quinta edi\u00e7\u00e3o, premiando a qu\u00edmica Yvonne Mascarenhas, a antrop\u00f3loga Maria Manuela Ligeti Carneiro da Cunha e a biom\u00e9dica Regina Pekelmann Markus. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-premio-carolina-bori-ciencia-e-mulher-homenageia-a-pesquisadora-e-reconhece-meninas-e-mulheres-cientistasfoto-sbpc-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6746\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura2-300x190.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"317\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura2-300x190.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura2-1024x649.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura2-768x487.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura2-1536x974.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura2-800x507.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura2-1160x735.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Pr\u00eamio \u201cCarolina Bori Ci\u00eancia e Mulher\u201d homenageia a pesquisadora e reconhece meninas e mulheres cientistas<br \/>\n<\/strong>(Foto: SBPC. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Fernanda Sobral, que j\u00e1 participou da premia\u00e7\u00e3o como coordenadora de avalia\u00e7\u00e3o, a honraria tem um papel essencial para estimular a forma\u00e7\u00e3o e a ascens\u00e3o de mulheres cientistas. \u201cEsse pr\u00eamio mostra ao p\u00fablico meninas e mulheres reconhecidas e serve de est\u00edmulo para poderem entrar na carreira cient\u00edfica\u201d, defende.<\/p>\n<p>As lutas de Carolina Bori pelo desenvolvimento cient\u00edfico tamb\u00e9m s\u00e3o homenageadas com o sucesso de uma ag\u00eancia de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que leva seu sobrenome, a <a href=\"https:\/\/abori.com.br\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Ag\u00eancia Bori<\/span><\/strong><\/a>. A plataforma, fundada pelas jornalistas e pesquisadoras Sabine Righetti e Ana Paula Morales, tem o objetivo de desenvolver solu\u00e7\u00f5es para tornar o conhecimento cient\u00edfico de pesquisadores brasileiros acess\u00edvel. \u201cA gente acessa esse conhecimento por meio de uma tecnologia in\u00e9dita que, atrav\u00e9s de parcerias com peri\u00f3dicos cient\u00edficos e editoras do mundo todo, mapeia a ci\u00eancia brasileira em tempo real\u201d, elucida Morales. \u201cJ\u00e1 divulgamos \u00e0 imprensa, de maneira explicada, cerca de 600 estudos \u2014 e metade deles tem mulheres como porta-voz, porque a diversidade, inclusive de g\u00eanero, est\u00e1 na nossa espinha dorsal\u201d, completa a fundadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"embora-as-mulheres-sejam-a-maioria-atualmente-nos-cursos-de-mestrado-e-doutorado-por-exemplo-quando-analisamos-os-dados-salariais-elas-ainda-recebem-menos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEmbora as mulheres sejam a maioria atualmente nos cursos de mestrado e doutorado, por exemplo, quando analisamos os dados salariais, elas ainda recebem menos.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sabine Righetti enfatiza que a escolha do nome n\u00e3o foi por acaso. \u201cN\u00f3s duas, fundadoras da Bori, sempre nos deparamos com homenagens a pesquisadores homens ao longo da nossa carreira. Ent\u00e3o, desde que come\u00e7amos a desenhar a nossa iniciativa para dar voz \u00e0 ci\u00eancia nacional, pensamos em homenagear uma cientista brasileira\u201d. A jornalista conta que Carolina Bori foi encontrada durante as pesquisas para nomear a Ag\u00eancia e que o fato de a psic\u00f3loga ter sido a primeira mulher presidente da SBPC chamou a aten\u00e7\u00e3o. \u201cEntendemos que a SBPC \u00e9 o principal \u00f3rg\u00e3o cient\u00edfico do pa\u00eds, ent\u00e3o presidi-lo pela primeira vez \u00e9 muito simb\u00f3lico. N\u00e3o tivemos d\u00favida, nunca nem tivemos uma op\u00e7\u00e3o de nome como plano B\u201d, diz, em refer\u00eancia \u00e0 pesquisadora que tamb\u00e9m defendia a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica como parte essencial das ci\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"memoria-e-historia-de-carolina-bori\"><strong>Mem\u00f3ria e hist\u00f3ria de Carolina Bori<\/strong><\/h4>\n<p>Mesmo ap\u00f3s sua partida, 20 anos atr\u00e1s, diversas outras homenagens \u00e0 Bori podem ser encontradas no meio acad\u00eamico e cient\u00edfico, como uma <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/carolinabori.mec.gov.br\/\"><strong>plataforma nacional<\/strong><\/a><\/span> de revalida\u00e7\u00e3o dos diplomas internacionais e uma s\u00e9rie de pr\u00e9dios de universidades p\u00fablicas. Al\u00e9m disso, suas contribui\u00e7\u00f5es, bem como sua hist\u00f3ria e seus ideais, est\u00e3o reunidos no <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/memorialcarolinabori.sbpcnet.org.br\/\"><strong>Memorial Carolina Bori<\/strong><\/a><\/span>, um portal virtual preparado como parte das homenagens da SBPC para o centen\u00e1rio da pesquisadora, rec\u00e9m-completado em janeiro de 2024. O site re\u00fane depoimentos, documentos e textos escritos por Carolina Bori, assim como v\u00eddeos da pr\u00f3pria pesquisadora, fotografias e um gr\u00e1fico de sua \u00e1rvore geneal\u00f3gica acad\u00eamica mostrando a quantidade de filhos, netos e bisnetos que ajudou a formar. (Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-memorial-carolina-bori-desenvolvido-pela-sbpc-celebra-centenario-da-pesquisadorafonte-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6747\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura3-300x162.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura3-300x162.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura3-1024x553.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura3-768x415.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura3-1536x830.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura3-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura3-260x140.jpg 260w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura3-800x432.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura3-1160x627.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-reportagem-voz-que-ecoa-na-Psicologia-e-inspira-mulheres-cientistas-figura3.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Memorial Carolina Bori, desenvolvido pela SBPC, celebra centen\u00e1rio da pesquisadora<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O legado de Carolina Bori, refletido na vasta quantidade de pessoas, projetos e iniciativas que influenciou, seja em vida ou atrav\u00e9s de sua mem\u00f3ria, \u00e9 uma parte fundamental da hist\u00f3ria da ci\u00eancia e da democracia no Brasil. Nesse contexto, a ideia de relembrar e celebrar suas lutas atua como um farol para constru\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o mais comprometida com os ideais que Carolina Bori prezava, como a igualdade de g\u00eanero, a integra\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, a defesa da educa\u00e7\u00e3o e a promo\u00e7\u00e3o de um di\u00e1logo mais pr\u00f3ximo entre a ci\u00eancia e a sociedade. \u201cTemos que conhecer nossa hist\u00f3ria para entender o presente e projetar o futuro\u201d, conclui Vanderlan Bolzani.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-carolina-bori-continua-inspirando-mulheres-e-pesquisadores-na-ciencia-brasileirafonte-acervo-sbpc-reproducao\"><strong>Capa. Carolina Bori continua inspirando mulheres e pesquisadores na ci\u00eancia brasileira<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Acervo SBPC. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pesquisadora defendia a necessidade de integrar a comunidade acad\u00eamica para a cria\u00e7\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":124,"featured_media":6748,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6744"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/124"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6744"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6744\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6761,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6744\/revisions\/6761"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6748"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6744"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6744"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6744"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}