{"id":6807,"date":"2024-07-29T07:55:40","date_gmt":"2024-07-29T07:55:40","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6807"},"modified":"2024-07-29T19:04:41","modified_gmt":"2024-07-29T19:04:41","slug":"carolina-bori-aspectos-de-uma-vida-dedicada-a-construcao-da-ciencia-cidada-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6807","title":{"rendered":"Aspectos de uma vida dedicada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia cidad\u00e3 no Brasil"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"a-jornada-academica-e-as-influencias-duradouras-de-carolina-bori-uma-pioneira-na-psicologia-experimental-no-brasil-atraves-das-memorias-de-seus-alunos-e-amigos\"><span style=\"color: #808080;\">A jornada acad\u00eamica e as influ\u00eancias duradouras de Carolina Bori, uma pioneira na Psicologia Experimental no Brasil, atrav\u00e9s das mem\u00f3rias de seus alunos e amigos.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conhecemos a Professora Carolina Bori em 1972. Est\u00e1vamos perto do final da gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia na Universidade de Bras\u00edlia. O Departamento de Psicologia vivia um per\u00edodo ca\u00f3tico, no qual v\u00e1rios de nossos professores foram demitidos. O Departamento tinha bons laborat\u00f3rios que ficaram praticamente abandonados. Ocupamos um dos laborat\u00f3rios e montamos um equipamento para fazer um experimento com ratos, cujo tema n\u00e3o interessa aqui, porque n\u00e3o queremos falar sobre n\u00f3s, mas sim da professora Carolina, a partir de nossa experi\u00eancia como p\u00f3s-graduandos orientados por ela e depois amigos dela (que depois de algum tempo passamos a trat\u00e1-la de modo menos formal, apenas como \u201cCarolina\u201d, como vamos fazer nesse texto).<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, ainda estudantes de gradua\u00e7\u00e3o, conclu\u00edmos a nossa pesquisa e a apresentamos na Reuni\u00e3o Anual da Sociedade de Psicologia de Ribeir\u00e3o Preto (SPRP), que depois se tornou a Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP). Carolina esteve presente \u00e0quela reuni\u00e3o e assistiu nossa apresenta\u00e7\u00e3o. N\u00f3s j\u00e1 est\u00e1vamos interessados em ingressar no mestrado em Psicologia Experimental da USP, e quer\u00edamos ser orientados por Carolina. Um colega que j\u00e1 estava cursando a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o nos apresentou a ela. Na breve conversa com Carolina contamos sobre nosso interesse no mestrado em Psicologia Experimental. Ela foi receptiva e nos encorajou. Um de n\u00f3s (J\u00falio), iniciou o mestrado em 1973, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Carolina, e o outro (Olavo) iniciou o mestrado em 1974, tamb\u00e9m sob sua orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ambos est\u00e1vamos interessados na an\u00e1lise do comportamento, uma abordagem \u00e0 ci\u00eancia psicol\u00f3gica na qual Carolina foi pioneira e l\u00edder no Brasil. A Psicologia \u00e9 uma disciplina fragmentada, com diferentes abordagens que pouco conversam entre si. Carolina via a an\u00e1lise do comportamento como um caminho promissor para o crescimento cient\u00edfico da psicologia e se dedicou bastante a ela, mas estava comprometida com a ci\u00eancia, n\u00e3o com uma corrente espec\u00edfica. Ela tinha clareza do papel social da ci\u00eancia, de sua relev\u00e2ncia para o pa\u00eds, e da necessidade e import\u00e2ncia de elevar o status cient\u00edfico da psicologia como um todo. Ela acompanhava com interesse qualquer pesquisa psicol\u00f3gica com qualidade cient\u00edfica e entendia que a an\u00e1lise do comportamento n\u00e3o tinha o monop\u00f3lio da cientificidade. Ali\u00e1s, ela tamb\u00e9m tinha clareza de como era necess\u00e1rio que os cientistas da psicologia estivessem a par de avan\u00e7os de outras ci\u00eancias que tamb\u00e9m contribu\u00edam para a compreens\u00e3o de fen\u00f4menos psicol\u00f3gicos e comportamentais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ela-tinha-clareza-do-papel-social-da-ciencia-de-sua-relevancia-para-o-pais-e-da-necessidade-e-importancia-de-elevar-o-status-cientifico-da-psicologia-como-um-todo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEla tinha clareza do papel social da ci\u00eancia, de sua relev\u00e2ncia para o pa\u00eds, e da necessidade e import\u00e2ncia de elevar o status cient\u00edfico da psicologia como um todo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na atua\u00e7\u00e3o rica e multifacetada de Carolina, como educadora e pesquisadora, ela participou de trabalhos cient\u00edficos marcantes, incluindo seus trabalhos iniciais sobre psicologia social e depois o desenvolvimento do Sistema Personalizado de Instru\u00e7\u00e3o (PSI) juntamente com Fred Keller, Rodolpho Azzi e Gil Sherman. Ela liderou interven\u00e7\u00f5es experimentais aplicando este sistema em diversos cursos profissionais e universit\u00e1rios. Mas, como observou Nale (1998), Carolina promoveu, com alunos e colaboradores, uma mudan\u00e7a acentuada na concep\u00e7\u00e3o do sistema, bastante enraizada na an\u00e1lise do comportamento e sua aplica\u00e7\u00e3o ao ensino. A concep\u00e7\u00e3o de Carolina partia da formula\u00e7\u00e3o de objetivos comportamentais, isto \u00e9, formulados a partir dos comportamentos relevantes para o aluno (e para sua atua\u00e7\u00e3o na sociedade). A partir dos objetivos s\u00e3o, ent\u00e3o, programadas as atividades de ensino, a partir do que os analistas do comportamento denominam \u201cconting\u00eancias\u201d, as condi\u00e7\u00f5es ambientais que promover\u00e3o a aquisi\u00e7\u00e3o dos comportamentos.<\/p>\n<p>Esta concep\u00e7\u00e3o inspirou o desenvolvimento e aplica\u00e7\u00e3o de muitos programas de ensino e muitas pesquisas relacionadas. Dificuldades decorrem das demandas que o m\u00e9todo coloca para os docentes e da resist\u00eancia que uma concep\u00e7\u00e3o inovadora de educa\u00e7\u00e3o pode despertar. Como exemplo, um de n\u00f3s desenvolveu um curso programado para aplica\u00e7\u00e3o em disciplinas de psicologia oferecidas em cursos de licenciatura. As atividades para aquisi\u00e7\u00e3o de comportamentos identificados como importantes para futuros professores foram divididas em \u201cpassos\u201d que os alunos podiam fazer em ritmo pr\u00f3prio, com o professor avaliando quando os alunos podiam avan\u00e7ar para passos seguintes. Como ocorre tipicamente no PSI, n\u00e3o havia aulas, mas o trabalho do professor era muito mais intenso, envolvendo reda\u00e7\u00e3o de material que era constantemente revisado, administra\u00e7\u00e3o das atividades, avalia\u00e7\u00e3o constante do desempenho dos alunos, etc. No entanto, havia resist\u00eancias institucionais e o fato de n\u00e3o haver aulas chegou a ser interpretado como uma maneira do professor evadir-se de seus deveres.<\/p>\n<p>Apesar das demandas e das resist\u00eancias, manteve-se em nosso pa\u00eds uma tradi\u00e7\u00e3o de pesquisa e desenvolvimento de aplica\u00e7\u00f5es de an\u00e1lise do comportamento ao ensino que, como observou Nale, em grande parte deve-se \u00e0 influ\u00eancia de Carolina: \u201cessencialmente em fun\u00e7\u00e3o de sua habilidade de reconhecer, subjacente a aspectos perif\u00e9ricos do que se fez num determinado momento dos trabalhos, quest\u00f5es essenciais de investiga\u00e7\u00e3o, fil\u00f5es ricos abertos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, e difundir tais aspectos como professora, orientadora, assessora, administradora e \u2014 talvez o mais importante \u2014 como ser pol\u00edtico e profundamente preocupado com o social, como sempre foi\u201d. (Nale, 1998, p. 295).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"talvez-a-maior-contribuicao-de-carolina-para-o-desenvolvimento-da-analise-do-comportamento-tenha-sido-a-formacao-de-pesquisadores\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cTalvez a maior contribui\u00e7\u00e3o de Carolina para o desenvolvimento da an\u00e1lise do comportamento tenha sido a forma\u00e7\u00e3o de pesquisadores.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Talvez a maior contribui\u00e7\u00e3o de Carolina para o desenvolvimento da an\u00e1lise do comportamento tenha sido a forma\u00e7\u00e3o de pesquisadores. Aqui, como em tudo o que fazia, ela era completamente desinteressada da promo\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria carreira: todo o seu esfor\u00e7o era dedicado a contribuir para que o estudante, em especial o p\u00f3s-graduando, se desenvolvesse como cientista competente e independente. Ela orientou, apenas na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), 49 disserta\u00e7\u00f5es de mestrado e 47 teses de doutorado.<\/p>\n<p>A maioria destes trabalhos foi de analistas do comportamento, mas ela tamb\u00e9m orientou pesquisadores de outras correntes de pensamento. Apesar da import\u00e2ncia do trabalho de orientadora, do quanto de tempo e esfor\u00e7o ela dedicava a isso, ela cedia o protagonismo ao aluno. O trabalho era do aluno, desde a ideia, desde a concep\u00e7\u00e3o, at\u00e9 a finaliza\u00e7\u00e3o. Mas a participa\u00e7\u00e3o dela criava as condi\u00e7\u00f5es para a execu\u00e7\u00e3o e elevava o n\u00edvel do resultado. E o resultado diz respeito tanto ao trabalho de disserta\u00e7\u00e3o ou tese quanto \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do pesquisador e futuro professor.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o de Carolina como orientadora exemplifica v\u00e1rios aspectos onde a atua\u00e7\u00e3o dela era discrepante de vis\u00f5es atuais em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho cient\u00edfico. O protagonismo do aluno implicava em que ela pr\u00f3pria se assumia como coadjuvante. Ao contr\u00e1rio da pr\u00e1tica vigente em v\u00e1rias ci\u00eancias e que atualmente tamb\u00e9m predomina na Psicologia, ela n\u00e3o figurava como coautora de trabalhos da maioria de seus alunos. V\u00e1rios artigos de seus orientandos s\u00e3o assinados pelo aluno, com cr\u00e9dito \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o recebida. Em cada caso ela era convidada a assinar como coautora e praticamente sem exce\u00e7\u00e3o ela declinava.<\/p>\n<p>Pelos padr\u00f5es atuais, ela poderia ser talvez descredenciada de programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o pela falta de publica\u00e7\u00f5es. No entanto, pelos padr\u00f5es de ent\u00e3o, assim como os atuais, ela seria coautora de in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es de seus orientandos. Mas acreditamos que ela discordaria da \u00eanfase atual no n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es como crit\u00e9rio principal na avalia\u00e7\u00e3o de pesquisadores. Da mesma forma, ela tinha algumas reservas em rela\u00e7\u00e3o a publica\u00e7\u00f5es no exterior, em l\u00edngua estrangeira. Em rela\u00e7\u00e3o a isso, empenhou-se bastante na cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de revistas nacionais, que publicassem na nossa l\u00edngua. Ela considerava importante que as publica\u00e7\u00f5es fossem lidas no pa\u00eds e tamb\u00e9m dava grande import\u00e2ncia \u00e0 cita\u00e7\u00e3o dos trabalhos de autores nacionais. Tendo atuado por muito tempo na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), ela interagia com cientistas de todas as \u00e1reas e certamente sabia da import\u00e2ncia de publica\u00e7\u00f5es internacionais. Acreditamos que ela considerasse as publica\u00e7\u00f5es nacionais em psicologia como um requisito necess\u00e1rio para o fortalecimento da \u00e1rea no pa\u00eds e para o crescimento de seu status cient\u00edfico: os cientistas estariam produzindo material que poderia contribuir para a forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do alunado brasileiro numa \u00e9poca em que o n\u00famero de cursos de gradua\u00e7\u00e3o estava crescendo e o material cient\u00edfico em portugu\u00eas poderia ser essencial para a forma\u00e7\u00e3o. Na sua vis\u00e3o, o trabalho cient\u00edfico deveria ser publicado n\u00e3o apenas para ser lido e citado pesquisadores estrangeiros, mas principalmente para o fortalecimento cient\u00edfico da psicologia brasileira. (Figura 1) Coerentemente com essa vis\u00e3o, Carolina foi decisiva, junto com Maria Amelia Matos e alguns de seus alunos, na cria\u00e7\u00e3o de uma revista intitulada Psicologia, que sobreviveu por v\u00e1rios anos. Ela tamb\u00e9m sugeriu e incentivou a cria\u00e7\u00e3o, pela SBP, dos Cadernos de Psicologia, uma revista que publica artigos did\u00e1ticos, que podem ser usados no ensino de psicologia.<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-carolina-bori-e-homenageada-na-sessao-de-encerramento-da-56a-reuniao-anual-da-sbpc-em-2004-fonte-acervo-sbpc-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-6808\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-opinia\u0303o-aspectos-de-uma-vida-dedicada-a\u0300-construc\u0327a\u0303o-da-cie\u0302ncia-cidada\u0303-no-Brasil-figura1-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"373\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-opinia\u0303o-aspectos-de-uma-vida-dedicada-a\u0300-construc\u0327a\u0303o-da-cie\u0302ncia-cidada\u0303-no-Brasil-figura1-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-opinia\u0303o-aspectos-de-uma-vida-dedicada-a\u0300-construc\u0327a\u0303o-da-cie\u0302ncia-cidada\u0303-no-Brasil-figura1-1024x763.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-opinia\u0303o-aspectos-de-uma-vida-dedicada-a\u0300-construc\u0327a\u0303o-da-cie\u0302ncia-cidada\u0303-no-Brasil-figura1-768x572.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-opinia\u0303o-aspectos-de-uma-vida-dedicada-a\u0300-construc\u0327a\u0303o-da-cie\u0302ncia-cidada\u0303-no-Brasil-figura1-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-opinia\u0303o-aspectos-de-uma-vida-dedicada-a\u0300-construc\u0327a\u0303o-da-cie\u0302ncia-cidada\u0303-no-Brasil-figura1-800x596.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-opinia\u0303o-aspectos-de-uma-vida-dedicada-a\u0300-construc\u0327a\u0303o-da-cie\u0302ncia-cidada\u0303-no-Brasil-figura1-1160x865.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/CC-2S24-opinia\u0303o-aspectos-de-uma-vida-dedicada-a\u0300-construc\u0327a\u0303o-da-cie\u0302ncia-cidada\u0303-no-Brasil-figura1.jpg 1308w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Carolina Bori \u00e9 homenageada na sess\u00e3o de encerramento da 56\u00aa Reuni\u00e3o Anual da SBPC em 2004.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Acervo SBPC. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O papel destacado na forma\u00e7\u00e3o de cientistas para promover o desenvolvimento cient\u00edfico n\u00e3o apenas da an\u00e1lise do comportamento, mas da psicologia em geral estava, acreditamos, ligado \u00e0 vis\u00e3o que ela tinha do papel da ci\u00eancia na promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento do pa\u00eds e do bem-estar das pessoas (ver Botom\u00e9, 2007, para uma transcri\u00e7\u00e3o do que a pr\u00f3pria Carolina disse a este respeito).<\/p>\n<p>Era esta meta que orientava a atua\u00e7\u00e3o dela em todas as frentes a que se dedicava: na forma\u00e7\u00e3o de cientistas, na cria\u00e7\u00e3o de novos cursos de psicologia, na atua\u00e7\u00e3o em sociedades cient\u00edficas, em algumas oportunidades que esteve na administra\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, como, por exemplo, nos fins dos anos 1960, na extin\u00e7\u00e3o da c\u00e1tedra e departamentaliza\u00e7\u00e3o da USP e, j\u00e1 na d\u00e9cada de 1970, na dire\u00e7\u00e3o do Centro de Educa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancias Humanas da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-papel-destacado-na-formacao-de-cientistas-para-promover-o-desenvolvimento-cientifico-nao-apenas-da-analise-do-comportamento-mas-da-psicologia-em-geral-estava-acreditamos-ligado-a-visao-q\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO papel destacado na forma\u00e7\u00e3o de cientistas para promover o desenvolvimento cient\u00edfico n\u00e3o apenas da an\u00e1lise do comportamento, mas da psicologia em geral estava, acreditamos, ligado \u00e0 vis\u00e3o que ela tinha do papel da ci\u00eancia na promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento do pa\u00eds e do bem-estar das pessoas.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela se queixava algumas vezes de que as sociedades cient\u00edficas de psicologia s\u00f3 existiam para promover congressos e que deviam procurar exercer um papel social e pol\u00edtico mais ativo. Ela teve essa experi\u00eancia na SBPC, num momento em que esta sociedade era uma das poucas vozes da sociedade civil no Brasil e depois, durante a Constituinte, quando teve intensa participa\u00e7\u00e3o na elabora\u00e7\u00e3o dos cap\u00edtulos sobre ci\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o, o que resultou na cria\u00e7\u00e3o do Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (FNDCT) e na cria\u00e7\u00e3o dos Fundos Estaduais de C&amp;T. Ela tamb\u00e9m teve uma atua\u00e7\u00e3o decisiva na psicologia, com participa\u00e7\u00e3o direta na cria\u00e7\u00e3o das Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Psicologia, fundadas em uma concep\u00e7\u00e3o de indissociabilidade entre o ensino e a pesquisa, e a exig\u00eancia de laborat\u00f3rios e servi\u00e7os \u2014 n\u00e3o apenas salas de aula \u2014 como parte das condi\u00e7\u00f5es de ensino oferecidas pelas institui\u00e7\u00f5es para a aprova\u00e7\u00e3o de um projeto de curso de Psicologia.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o queremos fazer um relato completo das realiza\u00e7\u00f5es de Carolina nas suas diversas linhas de atua\u00e7\u00e3o. Como tivemos o privil\u00e9gio de ser alunos e orientados de Carolina e, posteriormente, tivemos v\u00e1rias oportunidades de testemunhar sua atua\u00e7\u00e3o em todas as frentes que j\u00e1 destacamos, nos limitamos aqui a um relato de algumas de nossas impress\u00f5es e mem\u00f3rias de nossa conviv\u00eancia com uma figura de imensa import\u00e2ncia no panorama da psicologia e da ci\u00eancia brasileira em geral.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 id=\"notas\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Notas<\/strong><\/span><\/h6>\n<h6 id=\"botome-s-p-2007-onde-falta-melhorar-a-pesquisa-em-psicologia-no-brasil-sob-a-otica-de-carolina-martuscelli-bori-psicologia-teoria-e-pesquisa-23-29-40-https-doi-org-10-1590-s0102-377220070\"><span style=\"color: #808080;\">Botom\u00e9, S. P. (2007). Onde falta melhorar a pesquisa em Psicologia no Brasil sob a \u00f3tica de Carolina Martuscelli Bori. <em>Psicologia: Teoria e Pesquisa<\/em>, <em>23<\/em>, 29-40. <a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0102-37722007000500006\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0102-37722007000500006<\/a><\/span><\/h6>\n<h6 id=\"nale-n-1998-programac%cc%a7a%cc%83o-de-ensino-no-brasil-o-papel-de-carolina-bori-psicologia-usp-91-275-301-https-doi-org-10-1590-psicousp-v9i1-107804\"><span style=\"color: #808080;\">Nale, N. (1998). Programac\u0327a\u0303o de ensino no Brasil: o papel de Carolina Bori. <em>Psicologia USP, 9<\/em>(1), 275-301. <a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/psicousp.v9i1.107804\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/psicousp.v9i1.107804<\/a><\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"capa-carolina-bori-figura-central-na-formacao-de-muitos-psicologos-no-brasil-cuja-orientacao-inspiradora-na-usp-marcou-profundamente-a-trajetoria-academica-de-seus-alunos-fonte-acervo-sbpc-repr\"><strong>Capa. Carolina Bori, figura central na forma\u00e7\u00e3o de muitos psic\u00f3logos no Brasil, cuja orienta\u00e7\u00e3o inspiradora na USP marcou profundamente a trajet\u00f3ria acad\u00eamica de seus alunos.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Acervo SBPC. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A jornada acad\u00eamica e as influ\u00eancias duradouras de Carolina Bori, uma pioneira&hellip;\n","protected":false},"author":225,"featured_media":6809,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6807"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/225"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6807"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6807\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6812,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6807\/revisions\/6812"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6809"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6807"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6807"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6807"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}