{"id":6971,"date":"2024-08-28T07:30:31","date_gmt":"2024-08-28T07:30:31","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6971"},"modified":"2024-08-27T19:15:21","modified_gmt":"2024-08-27T19:15:21","slug":"carbono-azul-a-nova-fronteira-na-luta-contra-o-aquecimento-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=6971","title":{"rendered":"Carbono azul: a nova fronteira na luta contra o aquecimento global"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"explorando-o-papel-controverso-da-fauna-oceanica-e-dos-ecossistemas-marinhos-na-captura-de-carbono\"><span style=\"color: #808080;\">Explorando o papel controverso da fauna oce\u00e2nica e dos ecossistemas marinhos na captura de carbono<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O \u201ccarbono azul\u201d, que se refere ao carbono capturado e armazenado em ambientes marinhos e costeiros, tem despertado um interesse crescente devido ao seu potencial para desacelerar o aquecimento global. Enquanto h\u00e1 um consenso sobre a contribui\u00e7\u00e3o positiva dos ecossistemas vegetados costeiros, a participa\u00e7\u00e3o da fauna oce\u00e2nica nesse processo \u00e9 mais controversa. Especialistas divergem sobre a capacidade de grandes animais e cardumes em armazenar carbono, ressaltando que o metabolismo dessas esp\u00e9cies pode, em alguns casos, liberar di\u00f3xido de carbono (CO<sub>2<\/sub>) em vez de armazen\u00e1-lo. Al\u00e9m disso, \u00e9 fundamental considerar o contexto dos ecossistemas e a interfer\u00eancia humana nessas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Ecossistemas como marismas, manguezais e pradarias marinhas armazenam cerca de metade do carbono presente nos sedimentos oce\u00e2nicos. Seus solos compactos evitam a degrada\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica, mas, por estarem localizados em regi\u00f5es costeiras ou atrativas para o turismo, correm risco de desaparecer. No entanto, a preocupa\u00e7\u00e3o com o carbono azul nos oceanos tem aumentado nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Um <strong><a href=\"https:\/\/www.oceansciencetechnology.com\/feature\/oceanic-allies\/\"><span style=\"color: #800000;\">relat\u00f3rio recente<\/span><\/a><\/strong> da organiza\u00e7\u00e3o <span style=\"color: #800000;\"><strong><em><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.oceansciencetechnology.com\/\">Ocean Science &amp; Technology<\/a><\/em><\/strong> <\/span>destaca alguns exemplos da contribui\u00e7\u00e3o da fauna marinha para o armazenamento de carbono: predadores que controlam herb\u00edvoros, permitindo o crescimento da vegeta\u00e7\u00e3o; peixes que incorporam carbono durante a alimenta\u00e7\u00e3o; e baleias que transportam nutrientes ao migrarem. Segundo o relat\u00f3rio, cachalotes, ao se alimentarem em zonas profundas e defecarem perto da superf\u00edcie, armazenam cerca de dois milh\u00f5es de toneladas m\u00e9tricas de carbono por ano, o equivalente \u00e0s emiss\u00f5es de 600 voos de ida e volta entre Paris e Nova York.<\/p>\n<p>Embora grandes animais contenham mais carbono individualmente, a maior contribui\u00e7\u00e3o conjunta prov\u00e9m dos peixes mesopel\u00e1gicos, que habitam a zona de penumbra oce\u00e2nica entre 200 e 1000 metros de profundidade e armazenam mais de 27 milh\u00f5es de toneladas de carbono, uma quantidade equivalente \u00e0 de uma floresta com o dobro do tamanho do Reino Unido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"controversia\"><strong>Controv\u00e9rsia<\/strong><\/h4>\n<p>Contudo, a contribui\u00e7\u00e3o da fauna marinha para a captura de carbono ainda \u00e9 bastante debatida, uma vez que seu metabolismo tamb\u00e9m pode gerar emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub>. O ciclo do carbono envolve v\u00e1rios processos qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos antes de atingir o fundo do mar, dificultando a avalia\u00e7\u00e3o precisa do impacto do carbono azul. Desta forma, o papel da ci\u00eancia \u00e9 fundamental para o carbono azul ser verific\u00e1vel e confi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Por um lado, as tartarugas marinhas, que se alimentam principalmente de pasto marinho, n\u00e3o s\u00e3o grandes aliadas do carbono azul. Mas por outro, as baleias-azuis podem sequestrar at\u00e9 30 toneladas de carbono ao longo de suas vidas, al\u00e9m de fertilizarem o oceano com seus dejetos, que fornecem nutrientes para as microalgas. Diante disso, \u00e9 preciso valorizar iniciativas como o Santu\u00e1rio de Baleias estabelecido no Chile desde 2001, embora ainda em processo de implementa\u00e7\u00e3o, para consolidar uma pol\u00edtica nacional de conserva\u00e7\u00e3o e uso n\u00e3o letal de cet\u00e1ceos, assim como a recente cria\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea protegida no Arquip\u00e9lago de Humboldt, uma zona de alimenta\u00e7\u00e3o de baleias e pinguins pr\u00f3xima a um projeto de minera\u00e7\u00e3o de ferro e cobre que tem gerado preocupa\u00e7\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"inovacao\"><strong>Inova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Outras estrat\u00e9gias para a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha e dos estoques de carbono t\u00eam se mostrado mais inovadoras. Em 2010, Belize proibiu a pesca de arrasto, que al\u00e9m de seus efeitos destrutivos, emite at\u00e9 370 milh\u00f5es de toneladas anuais de CO<sub>2<\/sub>. A iniciativa foi poss\u00edvel com o apoio da organiza\u00e7\u00e3o Oceana, que comprou os \u00faltimos dois barcos que realizavam essa atividade. H\u00e1 o questionamento se novas aquisi\u00e7\u00f5es como essa poderiam contribuir para as metas de mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Esse questionamento \u00e9 v\u00e1lido, especialmente considerando um <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.abb4848\">estudo<\/a><\/strong><\/span>\u00a0de 2020 que sugere que a limita\u00e7\u00e3o das atividades pesqueiras, especialmente em \u00e1reas menos lucrativas, poderia reduzir as emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub> devido ao menor consumo de combust\u00edvel e \u00e0 regenera\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es de peixes. Um<span style=\"color: #800000;\"><strong> <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/aslopubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/pdfdirect\/10.1002\/lno.11709\">estudo adicional<\/a><\/strong>\u00a0<\/span>destaca que \u201cos peixes proporcionam outros benef\u00edcios \u00e0s pessoas (nutri\u00e7\u00e3o, biodiversidade, valores culturais, recreativos e comerciais)\u201d, que tamb\u00e9m devem ser considerados ao tomar decis\u00f5es de manejo.<\/p>\n<p>Entretanto, qualquer estimativa da contribui\u00e7\u00e3o de peixes ou baleias ao fluxo de carbono depende de uma quantifica\u00e7\u00e3o precisa da biomassa atual e da taxa de transporte de carbono para as profundezas oce\u00e2nicas, algo que ainda est\u00e1 longe de ser concretizado.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>Com informa\u00e7\u00f5es de <a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/www.scidev.net\/\">SciDev.Net<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h6 id=\"capa-freepik-com\">Capa. Freepik.com<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Explorando o papel controverso da fauna oce\u00e2nica e dos ecossistemas marinhos na&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":6972,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6971"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6971"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6971\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6974,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6971\/revisions\/6974"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6972"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}