{"id":7004,"date":"2024-09-04T08:00:00","date_gmt":"2024-09-04T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7004"},"modified":"2024-08-30T12:06:42","modified_gmt":"2024-08-30T12:06:42","slug":"impactos-sociais-dos-eventos-climaticos-extremos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7004","title":{"rendered":"Impactos sociais dos eventos clim\u00e1ticos extremos"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"eventos-climaticos-extremos-agravam-as-desigualdades-sociais-e-afetam-as-populacoes-mais-vulneraveis-no-brasil\"><span style=\"color: #808080;\">Eventos clim\u00e1ticos extremos agravam as desigualdades sociais e afetam as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis no Brasil<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"introducao\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es na frequ\u00eancia ou intensidade dos fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos e clim\u00e1ticos extremos podem ter impactos profundos na natureza e na sociedade. Existe uma base cient\u00edfica s\u00f3lida que sustenta que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas (antropog\u00eanicas) induzem altera\u00e7\u00f5es nesses extremos. O Sexto Relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) <sup>[1, 2]<\/sup> destacou que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas antropog\u00eanicas t\u00eam contribu\u00eddo para o aumento de eventos meteorol\u00f3gicos e clim\u00e1ticos extremos, que resultam em mortes e em significativos impactos decorrentes de desastres. Extremos de chuva deflagram inunda\u00e7\u00f5es, enchentes e deslizamentos de terra; a falta de chuva pode gerar estiagens e secas, al\u00e9m de inc\u00eandios florestais. Ondas de calor e frio, ciclones, furac\u00f5es, tornados e vendavais tamb\u00e9m podem afetar a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel. Os impactos socioecon\u00f4micos decorrentes das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas incluem o aumento da pobreza, agravamento da fome, movimentos migrat\u00f3rios e maior ocorr\u00eancia de eventos extremos, como enchentes, tempestades e estiagens.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 30 anos, o n\u00famero de desastres tem aumentado em todo o planeta devido \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o de eventos hidrometeorol\u00f3gicos e clim\u00e1ticos em muitas regi\u00f5es, ou em raz\u00e3o do aumento da popula\u00e7\u00e3o que vive em \u00e1reas de risco. Esses eventos tamb\u00e9m t\u00eam o potencial de causar perdas agr\u00edcolas, desabastecimento e contamina\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, cortes de luz e prolifera\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Um evento clim\u00e1tico extremo \u00e9 definido como uma situa\u00e7\u00e3o rara em um determinado local e \u00e9poca do ano. Um evento clim\u00e1tico ou meteorol\u00f3gico extremo resulta em uma s\u00e9ria interrup\u00e7\u00e3o no funcionamento normal de uma comunidade, afetando seu cotidiano. Eventos clim\u00e1ticos extremos causam perdas materiais, humanas e animais, al\u00e9m de danos ao meio ambiente e riscos \u00e0 sa\u00fade. Por isso, s\u00e3o t\u00e3o perigosos e precisam de medidas preventivas e estudos socioambientais para mitigar seus impactos. Assim, \u00e9 essencial analisar eventos extremos para identificar suas tend\u00eancias atuais e explorar as poss\u00edveis altera\u00e7\u00f5es que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas induzir\u00e3o em sua frequ\u00eancia e intensidade. Isto \u00e9 extremamente importante em regi\u00f5es onde eventos extremos desencadeiam desastres e podem afetar popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis, que acabam abandonando \u00e1reas expostas, gerando impactos nos sistemas naturais e humanos.<\/p>\n<p>Os extremos da variabilidade clim\u00e1tica e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas aumentam os fatores que levam as pessoas \u00e0 pobreza e as mant\u00eam nessa situa\u00e7\u00e3o. Inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos de terra podem assolar favelas urbanas, destruindo casas e meios de subsist\u00eancia. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas afetam a disponibilidade de \u00e1gua, tornando-a mais escassa em v\u00e1rias regi\u00f5es. O calor pode dificultar o trabalho ao ar livre, enquanto a escassez de \u00e1gua pode afetar a agricultura, a gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica e aumentar o risco de fogo em biomas protegidos, com impactos sobre a sa\u00fade humana por diferentes vias e intensidades. Algumas dessas transforma\u00e7\u00f5es atingem diretamente a popula\u00e7\u00e3o, como a ocorr\u00eancia de secas, ondas de calor, furac\u00f5es, tempestades e enchentes.<sup>[3] <\/sup>(<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-secas-ondas-de-calor-furacoes-tempestades-e-enchentes-tem-impactos-sobre-a-saude-humana-por-diferentes-vias-e-intensidades-foto-marcello-casal-jr-agencia-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7006\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura1-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura1-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura1-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura1-768x460.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura1-1536x919.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura1-800x479.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura1-1160x694.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. <\/strong><strong>Secas, ondas de calor, furac\u00f5es, tempestades e enchentes t\u00eam impactos sobre a sa\u00fade humana por diferentes vias e intensidades.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Marcello Casal Jr.\/ Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"extremos-de-tempo-e-clima-observados\"><strong>Extremos de tempo e clima observados<\/strong><\/h4>\n<p>Os eventos clim\u00e1ticos e meteorol\u00f3gicos extremos, geralmente, s\u00e3o classificados como de origem hidrol\u00f3gica (inunda\u00e7\u00f5es bruscas e graduais, alagamentos, enchentes, deslizamentos), hidrogeol\u00f3gica (processos erosivos, de movimenta\u00e7\u00e3o de massa e deslizamentos resultantes de processos geol\u00f3gicos em consequ\u00eancia de extremos de chuva); meteorol\u00f3gica (raios, ciclones tropicais e extratropicais, tornados e vendavais); e climatol\u00f3gica (estiagem e seca, queimadas e inc\u00eandios florestais, chuvas de granizo, geadas e ondas de frio e de calor).<\/p>\n<p>As palavras &#8220;extremos clim\u00e1ticos&#8221; e &#8220;extremos meteorol\u00f3gicos&#8221; s\u00e3o utilizadas quase indistintamente, uma vez que o tempo e o clima fazem parte do mesmo <em>continuum<\/em>. No entanto, enquanto os extremos clim\u00e1ticos t\u00eam sempre uma probabilidade finita, embora pequena, de acontecer, nos extremos clim\u00e1ticos procuramos um padr\u00e3o de comportamento ao longo de v\u00e1rios eventos meteorol\u00f3gicos sin\u00f3pticos, de modo que as mudan\u00e7as nos extremos sejam avaliadas em todas as escalas de tempo e espa\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"eventos-climaticos-extremos-causam-perdas-materiais-humanas-animais-danos-ao-meio-ambiente-e-risco-a-saude\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEventos clim\u00e1ticos extremos causam perdas materiais, humanas, animais, danos ao meio ambiente e risco \u00e0 sa\u00fade.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as e a variabilidade dos extremos s\u00e3o indicativas de mudan\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas perigosas, resultando em fortes efeitos adversos (desastres) nos ecossistemas ou setores da sociedade, embora extremos mais raros (por exemplo, com um per\u00edodo de retorno de 1 em 10 a 50 anos) possam comportar-se diferentemente. Os impactos de extremos muito raros dependem, em grande medida, do sistema, incluindo sua vulnerabilidade, resili\u00eancia e capacidades de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1ria uma abordagem especial \u00e0 an\u00e1lise e ao comportamento dos fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos e clim\u00e1ticos extremos no quadro da avalia\u00e7\u00e3o do impacto potencial das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, o que fornecer\u00e1 elementos para estudos de impacto.<\/p>\n<p>Conforme observado pelo IPCC (2021 e 2022) <sup>[1, 2]<\/sup> e anteriormente no IPCC (2012) <sup>[4]<\/sup> e Dunn <em>et al.<\/em> (2020, 2024),<sup>[5, 6]<\/sup> os pa\u00edses em desenvolvimento careciam de an\u00e1lises de extremos clim\u00e1ticos devido \u00e0 insufici\u00eancia de recursos para realizar tais an\u00e1lises, acesso limitado aos dados, menos registros digitalizados e redu\u00e7\u00e3o da qualidade dos dados, aos quais as an\u00e1lises extremas s\u00e3o muito sens\u00edveis. Em todo o mundo, v\u00e1rias abordagens s\u00e3o usadas para definir extremos. Geralmente, baseiam-se na determina\u00e7\u00e3o de limites relativos (por exemplo, percentil 90\u00b0) ou absolutos (por exemplo, 35 \u00b0C para um dia quente) acima dos quais as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o consideradas extremas. As mudan\u00e7as nos extremos podem ser examinadas a partir de duas perspectivas, focando-se nas mudan\u00e7as na frequ\u00eancia de determinados extremos ou nas mudan\u00e7as em sua intensidade. Frich <em>et al.<\/em> (2002) <sup>[7]<\/sup> derivaram indicadores, que foram compilados para classificar se a frequ\u00eancia e\/ou gravidade dos extremos clim\u00e1ticos mudaram durante a segunda metade do s\u00e9culo XX. Este per\u00edodo proporciona a melhor cobertura espacial de s\u00e9ries di\u00e1rias homog\u00eaneas, que podem ser utilizadas para calcular a propor\u00e7\u00e3o da \u00e1rea terrestre global que apresenta uma mudan\u00e7a significativa em condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas extremas ou severas.<\/p>\n<p>As tend\u00eancias observadas de mudan\u00e7as nos extremos usando alguns dos \u00edndices clim\u00e1ticos extremos na Am\u00e9rica do Sul de 1901 a 2018 mostram uma intensifica\u00e7\u00e3o das ondas de calor e chuvas intensas ou ausentes, levando a inunda\u00e7\u00f5es, deslizamentos de terra e secas em vastas regi\u00f5es da Am\u00e9rica do Sul.<sup>[6]<\/sup> As proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas futuras mostram aumentos nas tend\u00eancias de secas, chuvas intensas e ondas de calor em diversas regi\u00f5es da Am\u00e9rica do Sul. No continente, os extremos de temperatura mostram aumentos regionais, e eventos impactantes combinam frequentemente calor e umidade elevados, afetando assim significativamente setores como a agricultura \u2014 impactando negativamente o rendimento das colheitas, reduzindo a capacidade de trabalhar ao ar livre e aumentando a mortalidade em popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis. Estudos anteriores <sup>[5, 6, 8, 9, 10, 11]<\/sup> identificaram lacunas significativas na cobertura espacial dos \u00edndices de Frich em 2002.<sup>[7]<\/sup> No entanto, nota-se um aumento na intensidade e dura\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es quentes, e correspondentes diminui\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es frias desde meados do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Nas regi\u00f5es tropicais da Am\u00e9rica do Sul, o n\u00famero de noites quentes aumentou mais de oito dias por d\u00e9cada, levando a uma duplica\u00e7\u00e3o desde o final da d\u00e9cada de 1970 (a frequ\u00eancia m\u00e9dia anual durante o per\u00edodo base 1961-90 \u00e9 de 36,5 dias), para entre 70 e 80 dias por ano durante o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. Houve tamb\u00e9m fortes diminui\u00e7\u00f5es no n\u00famero de noites frias durante o mesmo per\u00edodo, para cerca de apenas 15 dias por ano. Uma regi\u00e3o com comportamento semelhante na tend\u00eancia de dias quentes \u00e9 vista no sul da Am\u00e9rica do Sul. Os locais com tend\u00eancias mais fortes est\u00e3o na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Em contraste, as noites frias mostram que a Am\u00e9rica do Sul tem algumas das mudan\u00e7as mais acentuadas em todas as esta\u00e7\u00f5es, com uma diminui\u00e7\u00e3o de at\u00e9 tr\u00eas dias por d\u00e9cada. Em suma, os quatro \u00edndices percentuais de temperatura (noites e dias quentes, noites e dias frios) (<strong>Figura 2 A-C<\/strong>) mostram que as maiores mudan\u00e7as nas temperaturas ocorrem no norte da Am\u00e9rica do Sul. Os dias de precipita\u00e7\u00e3o intensa (<strong>Figura 2 D-E<\/strong>) mostram \u00e1reas cont\u00edguas de altera\u00e7\u00f5es positivas e negativas. As tend\u00eancias mais fortes aparecem nos Andes e na Amaz\u00f4nia oriental, onde h\u00e1 redu\u00e7\u00f5es. Aumentos s\u00e3o detectados em uma faixa do norte da Argentina at\u00e9 a costa do Caribe, com aumentos de cerca de 2 mm por d\u00e9cada nas partes orientais do sul da Am\u00e9rica do Sul (<strong>Figura 2<\/strong>).<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-tendencias-lineares-nas-series-anuais-de-duracao-da-onda-de-calor-a-dias-quentes-b-dias-frios-c-em-dias-decada-quantidade-maxima-de-precipitacao-de-1-dia-d-e-numero-de-dias-com-pr\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7007\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura2-300x209.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura2-300x209.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura2-1024x714.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura2-768x536.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura2-800x558.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura2-1160x809.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura2.jpg 1475w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Tend\u00eancias lineares nas s\u00e9ries anuais de dura\u00e7\u00e3o da onda de calor (a), dias quentes (b), dias frios (c) em dias\/d\u00e9cada, quantidade m\u00e1xima de precipita\u00e7\u00e3o de 1 dia (d) e n\u00famero de dias com precipita\u00e7\u00e3o acima de 10 mm (e) entre 1901\u20132018. Tend\u00eancias significativas s\u00e3o indicadas com pontilhado. O sombreamento cinza nos pain\u00e9is \u00e9 a incerteza de cobertura de dados. Todas as figuras t\u00eam um per\u00edodo de refer\u00eancia de 1961 a 1990, com mapas apresentados em uma grade de 1,875\u00b0 x 1,25\u00b0 longitude-latitude.<\/strong><br \/>\n(Fonte: Dunn <em>et al.<\/em> 2020)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), mais de oito milh\u00f5es de pessoas, em sua maioria pobres, moram em \u00e1reas de alto risco de desastres nas cidades brasileiras. Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem levar tr\u00eas milh\u00f5es \u00e0 pobreza extrema no Brasil.<sup>[12]<\/sup> Choques clim\u00e1ticos poder\u00e3o empurrar de 800 mil a tr\u00eas milh\u00f5es de brasileiros para a pobreza extrema j\u00e1 em 2030, mesmo em cen\u00e1rio que n\u00e3o considera grandes rupturas ambientais no pa\u00eds.<sup>[12]<\/sup><\/p>\n<p>O ano de 2023 foi o mais quente j\u00e1 registrado em muitas partes da Am\u00e9rica Latina, o que se reflete nas anomalias de alta temperatura ao n\u00edvel nacional. Na Am\u00e9rica do Sul, temperaturas acima da normalidade, com anomalias em torno de +2 \u00b0C, at\u00e9 +3 \u00b0C em alguns locais, foram observadas no centro e norte da Argentina, os Andes centrais e meridionais do Peru, Bol\u00edvia, norte do Chile e Paraguai, a Amaz\u00f4nia peruana e boliviana e toda a zona tropical da Am\u00e9rica do Sul, alguns deles refletindo as ondas de calor que afetaram a regi\u00e3o.<sup>[13]<\/sup> O IPCC AR6 <sup>[1, 2]<\/sup> tamb\u00e9m afirma que para a Am\u00e9rica Central e do Sul, as tend\u00eancias observadas indicam um prov\u00e1vel aumento na intensidade e frequ\u00eancia dos extremos quentes, e uma prov\u00e1vel diminui\u00e7\u00e3o na intensidade e frequ\u00eancia dos extremos frios, bem como um aumento nas temperaturas m\u00e9dias e extremas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-alteracoes-climaticas-incluindo-o-aumento-da-frequencia-e-intensidade-dos-extremos-reduziram-a-seguranca-alimentar-e-hidrica\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAs altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, incluindo o aumento da frequ\u00eancia e intensidade dos extremos, reduziram a seguran\u00e7a alimentar e h\u00eddrica.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com base em informa\u00e7\u00f5es do Banco de Dados de Eventos de Emerg\u00eancia do Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres (CRED) (EM-DAT), em 2023, foram notificados 67 extremos meteorol\u00f3gicos, hidrol\u00f3gicos e clim\u00e1ticos na regi\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. Destes 67 perigos, 77% foram tempestades e eventos relacionados com inunda\u00e7\u00f5es, sendo respons\u00e1veis por 69% das 909 mortes documentadas nesta base de dados. Os preju\u00edzos econ\u00f4micos estimados em 21 bilh\u00f5es de d\u00f3lares comunicados \u00e0 EMDAT foram principalmente devido a tempestades (66%) (incluindo os 12 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de danos associados ao furac\u00e3o Otis no M\u00e9xico), inunda\u00e7\u00f5es (16%) e secas (14%).<sup>[13]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"impactos-sociais-das-mudancas-climaticas\"><strong>Impactos sociais das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/h4>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas naturais e aquelas induzidas pelo homem, incluindo eventos extremos mais frequentes e intensos, t\u00eam causado efeitos adversos generalizados, impactos, perdas e danos relacionados \u00e0 natureza e \u00e0s pessoas, al\u00e9m da variabilidade clim\u00e1tica natural. Em todos os setores e regi\u00f5es, as pessoas e os sistemas mais vulner\u00e1veis s\u00e3o desproporcionalmente afetados. As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, incluindo o aumento da frequ\u00eancia e intensidade dos extremos, reduziram a seguran\u00e7a alimentar e h\u00eddrica, dificultando os esfor\u00e7os para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS).<sup>[2]<\/sup><\/p>\n<p>Os eventos meteorol\u00f3gicos e clim\u00e1ticos extremos expuseram milh\u00f5es de pessoas \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar aguda e reduziram a seguran\u00e7a h\u00eddrica, com os maiores impactos observados em muitos locais e\/ou comunidades no mundo. Em conjunto, as perdas repentinas na produ\u00e7\u00e3o e no acesso aos alimentos, agravadas pela diminui\u00e7\u00e3o da diversidade alimentar, aumentaram a desnutri\u00e7\u00e3o em muitas comunidades, especialmente entre povos ind\u00edgenas, ribeirinhos amaz\u00f4nicos, pequenos produtores de alimentos e fam\u00edlias de baixa renda, com crian\u00e7as, idosos e mulheres gr\u00e1vidas particularmente afetados. (<strong>Figura 3<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-eventos-extremos-impactam-especialmente-populacoes-mais-vulneraveis-foto-cimi-regional-norte-i-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7008\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura3-300x157.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"261\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura3-300x157.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura3-1024x535.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura3-768x401.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura3-1536x802.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura3-18x9.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura3-800x418.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura3-1160x606.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-opinia\u0303o-Impactos-Sociais-dos-Eventos-Clima\u0301ticos-Extremos-figura3.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Eventos extremos impactam especialmente popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Cimi Regional Norte I. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a do clima n\u00e3o \u00e9 justa. Apesar de afetar a todos, a distribui\u00e7\u00e3o dos impactos \u00e9 desigual \u2014 a popula\u00e7\u00e3o marginalizada em seus direitos sociais, econ\u00f4micos, culturais, pol\u00edticos e institucionais \u00e9 mais vulner\u00e1vel aos efeitos clim\u00e1ticos. Residentes em assentamentos informais \u2014 sobretudo mulheres, idosos, crian\u00e7as e pessoas com defici\u00eancia \u2014, por exemplo, podem ter suas capacidades de adapta\u00e7\u00e3o limitadas devido a barreiras socioecon\u00f4micas.<sup>[14]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"justica-climatica\"><strong>Justi\u00e7a clim\u00e1tica<\/strong><\/h4>\n<p>Embora os impactos dos eventos clim\u00e1ticos extremos atinjam a todos, nem todas as pessoas t\u00eam a mesma capacidade de enfrent\u00e1-los e se recuperar deles com facilidade. A experi\u00eancia tem mostrado que popula\u00e7\u00f5es historicamente exploradas, discriminadas e exclu\u00eddas por estruturas econ\u00f4micas e sociais que beneficiam pequenas elites \u2014 geralmente brancas \u2014 s\u00e3o desproporcionalmente mais vulner\u00e1veis, pois s\u00e3o obrigadas a viver em \u00e1reas de risco e possuem menos recursos.<\/p>\n<p>A crise clim\u00e1tica tem, sem d\u00favida, responsabilidades hist\u00f3ricas. A forma como essa discuss\u00e3o tem sido abordada nas esferas multilaterais tem se concentrado exclusivamente nas responsabilidades dos Estados, evidenciando as responsabilidades hist\u00f3ricas dos pa\u00edses &#8220;mais desenvolvidos,&#8221; onde os Estados Unidos da Am\u00e9rica ocupam o primeiro lugar, seguidos por toda a Europa e outros pa\u00edses industrializados. Esses pa\u00edses utilizaram combust\u00edveis f\u00f3sseis n\u00e3o apenas para desenvolver suas ind\u00fastrias, mas tamb\u00e9m para estabelecer rela\u00e7\u00f5es coloniais, controlar o acesso aos recursos e gerar lucros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-mudanca-do-clima-nao-e-justa-apesar-de-afetar-a-todos-a-distribuicao-dos-impactos-e-desigual-a-populacao-marginalizada-em-seus-direitos-sociais-economicos-culturais-politicos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA mudan\u00e7a do clima n\u00e3o \u00e9 justa. Apesar de afetar a todos, a distribui\u00e7\u00e3o dos impactos \u00e9 desigual \u2013 a popula\u00e7\u00e3o marginalizada em seus direitos sociais, econ\u00f4micos, culturais, pol\u00edticos e institucionais \u00e9 mais vulner\u00e1vel aos efeitos clim\u00e1ticos.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Justi\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 o termo usado pelos movimentos socioambientais e pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico para abordar a crise clim\u00e1tica como algo que vai al\u00e9m do aquecimento global e da altera\u00e7\u00e3o do clima, que n\u00e3o \u00e9 apenas um fen\u00f4meno f\u00edsico e natural. O termo se refere ao movimento global que busca uma divis\u00e3o mais justa dos investimentos e das responsabilidades no combate \u00e0 emerg\u00eancia clim\u00e1tica. A justi\u00e7a clim\u00e1tica exige que as solu\u00e7\u00f5es para a crise clim\u00e1tica incluam quest\u00f5es de justi\u00e7a social, reconhecendo que a base do problema est\u00e1 nas injusti\u00e7as socioecon\u00f4micas, cujas consequ\u00eancias afetam de forma muito diferente e desigual tanto as pessoas quanto os pa\u00edses, conforme seus recursos e grau de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>A ideia de justi\u00e7a clim\u00e1tica e ambiental p\u00f5e em perspectiva o Direito Ambiental, que j\u00e1 se expressa no teor do artigo 225 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, no qual \u00e9 enfatizado que todos os seres humanos t\u00eam o direito de viver em um meio ambiente ecologicamente equilibrado, indispens\u00e1vel para a sua sobreviv\u00eancia, tanto no presente quanto para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"adaptacao-as-mudancas-climaticas\"><strong>Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>Considerando as dimens\u00f5es continentais do Brasil e as complexidades e diferen\u00e7as socioecon\u00f4micas, culturais e ambientais das cinco regi\u00f5es administrativas do pa\u00eds \u2014 Norte, Sul, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste \u2014, torna-se necess\u00e1rio construir uma Pol\u00edtica de Estado para Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas integrada com a Redu\u00e7\u00e3o de Riscos de Desastres. Uma Pol\u00edtica Nacional dever\u00e1 consolidar as contribui\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias regionais abrangentes, levando em conta as realidades locais, estaduais e municipais.<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo de ajuste aos impactos do clima atual e esperado. Em sistemas humanos, a adapta\u00e7\u00e3o busca moderar, evitar danos ou explorar oportunidades ben\u00e9ficas. Em alguns sistemas naturais, interven\u00e7\u00f5es humanas podem facilitar o processo de ajuste. Um caminho para as cidades prevenirem mortes, danos \u00e0 infraestrutura e perdas materiais decorrentes de desastres relacionados aos extremos do clima e \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o de Planos de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas. Esses planos s\u00e3o desenvolvidos para reduzir os impactos de desastres junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e podem salvar vidas e diminuir perdas materiais em trag\u00e9dias. Atualmente, 16 das 27 capitais do Brasil n\u00e3o t\u00eam seus planos conclu\u00eddos. As capitais que ainda n\u00e3o possuem planos finalizados s\u00e3o: Aracaju, Bel\u00e9m, Boa Vista, Campo Grande, Cuiab\u00e1, Florian\u00f3polis, Goi\u00e2nia, Macap\u00e1, Macei\u00f3, Manaus, Natal, Palmas, Porto Alegre, Porto Velho, S\u00e3o Lu\u00eds e Vit\u00f3ria. As prefeituras de Bel\u00e9m, Florian\u00f3polis, Macap\u00e1, Manaus, Natal, Porto Alegre e Vit\u00f3ria est\u00e3o em processo de elabora\u00e7\u00e3o de seus respectivos planos de enfrentamento \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A experi\u00eancia das inunda\u00e7\u00f5es que afetaram o estado do Rio Grande do Sul e a capital Porto Alegre em maio de 2024 mostra que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 afetam negativamente a infraestrutura urbana, a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos e o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Atualmente, o Governo Federal, em conjunto com o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, est\u00e1 elaborando o Plano Clima Adapta\u00e7\u00e3o, que coloca o Brasil na trajet\u00f3ria de se tornar um pa\u00eds resiliente, sustent\u00e1vel, seguro, justo e desenvolvido, com governo e sociedade engajados diante de um clima em mudan\u00e7a. O objetivo geral do Plano Clima Adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 orientar, promover e catalisar a\u00e7\u00f5es coordenadas que visem \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o de sistemas humanos e naturais, por meio de estrat\u00e9gias de curto, m\u00e9dio e longo prazo, \u00e0 luz do desenvolvimento sustent\u00e1vel e da justi\u00e7a clim\u00e1tica.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"discussoes-e-recomendacoes\"><strong>Discuss\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>Os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se refletem em sistemas naturais e humanos, afetando vidas, meios de subsist\u00eancia, sa\u00fade, ecossistemas, infraestruturas, economia e outros aspectos. Trata-se da propens\u00e3o ou predisposi\u00e7\u00e3o de um sistema a ser adversamente afetado pelos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>As vulnerabilidades e os riscos clim\u00e1ticos s\u00e3o frequentemente reduzidos por meio de medidas cuidadosamente concebidas e implementadas, como leis, pol\u00edticas, processos e interven\u00e7\u00f5es que abordam desigualdades espec\u00edficas do contexto, tais como aquelas baseadas em g\u00eanero, etnia, defici\u00eancia, idade, localiza\u00e7\u00e3o e renda. Essa \u00e9 a dimens\u00e3o central do debate sobre justi\u00e7a clim\u00e1tica. Os eventos clim\u00e1ticos extremos podem ser especialmente perturbadores para sistemas urbanos complexos, pois grande parte da popula\u00e7\u00e3o urbana mundial vive em \u00e1reas costeiras baixas. Metade da popula\u00e7\u00e3o mundial vive em cidades, e grande parte da ind\u00fastria mundial tamb\u00e9m est\u00e1 nelas. Em 2050, mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o \u2014 6,4 bilh\u00f5es de pessoas \u2014 \u00e9 projetada para viver em \u00e1reas urbanas.<\/p>\n<p>Em geral, s\u00e3o aqueles que menos causam impacto ambiental e que menos consomem os recursos naturais do planeta os que mais sofrem com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 em andamento. E essa \u00e9 a dimens\u00e3o humana da justi\u00e7a clim\u00e1tica que, na voz dos injusti\u00e7ados, exige repara\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a. A solu\u00e7\u00e3o para essas duas dimens\u00f5es da crise clim\u00e1tica, a ecol\u00f3gica e a humana, depende da \u00e9tica, da diplomacia, da pol\u00edtica e da ci\u00eancia. A solu\u00e7\u00e3o exige direcionar os necess\u00e1rios investimentos econ\u00f4micos em adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos ambientais, principalmente aqueles que penalizam os socialmente mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"referencias\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/h5>\n<h5 id=\"1-ipcc-2021-summary-for-policymakers-in-climate-change-2021-the-physical-science-basis-contribution-of-working-group-i-to-the-sixth-assessment-report-of-the-intergovernmental-panel-on-climate\"><span style=\"color: #808080;\">[1] IPCC (2021) Summary for Policymakers. In: Climate Change (2021) The Physical Science Basis. Contribution of Working Group I to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change [Masson-Delmotte, V., P. Zhai, A. Pirani, S.L. Connors, C. P\u00e9an, S. Berger, N. Caud, Y. Chen, L. Goldfarb, M.I. Gomis, M. Huang, K. Reitzel, E. Lonnoy, J.B.R. Matthews, T.K. Maycock, T. Waterfield, O. Yelek\u00e7i, R. Yu, and B. Zhou (eds.)]. Cambridge University Press, Cambridge, United Kingdom and New York, NY, USA, pp. 3\u221232, doi:10.1017\/9781009157896.001.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"2-ipcc-2022-climate-change-2022-impacts-adaptation-and-vulnerability-contribution-of-working-group-ii-to-the-sixth-assessment-report-of-the-intergovernmental-panel-on-climate-change-cambridge\"><span style=\"color: #808080;\">[2] IPCC (2022) Climate Change 2022: Impacts, Adaptation and Vulnerability. Contribution of Working Group II to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge University Press. Cambridge University Press, Cambridge, UK and New York, NY, USA, p. 3056. https:\/\/doi.org\/10.1017\/ 9781009325844, 2022<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"3-fiocruz-instituto-de-comunicacao-e-informacao-cientifica-e-tecnologica-em-saude-icict-2024-observatorio-de-clima-e-saude-temas-e-indicadores-fiocruz-rio-de-janeiro-brasil-aces\"><span style=\"color: #808080;\">[3] Fiocruz. Instituto de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica em Sa\u00fade &#8211; ICICT (2024)\u00a0Observat\u00f3rio de Clima e Sa\u00fade. Temas e Indicadores. Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil. Acesso em: 23 de julho de 2024. Dispon\u00edvel em:\u00a0https:\/\/climaesaude.icict.fiocruz.br\/eventos-extremos-0\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"4-ipcc-2012-summary-for-policymakers-in-managing-the-risks-of-extreme-events-and-disasters-to-advance-climate-change-adaptation-field-c-b-v-barros-t-f-stocker-d-qin-d-j-dokken\"><span style=\"color: #808080;\">[4] IPCC (2012)\u00a0 Summary for Policymakers. In: Managing the Risks of Extreme Events and Disasters to Advance Climate Change Adaptation [Field, C.B., V. Barros, T.F. Stocker, D. Qin, D.J. Dokken, K.L. Ebi, M.D. Mastrandrea, K.J. Mach, G.-K. Plattner, S.K. Allen, M. Tignor, and P.M. Midgley (eds.)]. A Special Report of Working Groups I and II of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge University Press, Cambridge, UK, and New York, NY, USA, pp. 3-21.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"5-dunn-r-j-h-alexander-l-v-donat-m-g-zhang-x-badorm-herold-n-et-al-2020-development-of-an-updated-global-land-in-situ%e2%80%90based-data-set-of-temperature-and-precipitatio\"><span style=\"color: #808080;\">[5] Dunn, R. J. H., Alexander, L. V., Donat, M. G., Zhang, X., Bador,M., Herold, N., et al. (2020). Development of an updated global land in situ\u2010based data set of temperature and precipitation extremes: HadEX3. Journal of Geophysical Research: Atmospheres, 125, e2019JD032263. https:\/\/doi.org\/10.1029\/2019JD032263<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"6-dunn-r-j-h-herold-n-alexander-l-v-donat-m-g-allan-r-bador-m-et-al-2024-observed-global-changes-in-sector%e2%80%90relevant-climate-extremes-indices-an-extension-t\"><span style=\"color: #808080;\">[6] Dunn, R. J. H., Herold, N., Alexander, L. V., Donat, M. G., Allan, R., Bador, M., et al. (2024). Observed global changes in sector\u2010relevant climate extremes indices\u2014 An extension to HadEX3. Earth and Space Science, 11, e2023EA003279. https:\/\/doi.org\/10.1029\/2023EA003279<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"7-frich-p-alexander-lv-della-marta-p-gleason-b-haylock-m-tank-amgk-and-peterson-t-2002-observed-coherent-changes-in-climatic-extremes-during-the-second-half-of-the-twentieth-century-climat\"><span style=\"color: #808080;\">[7] Frich P, Alexander LV, Della-Marta P, Gleason B, Haylock M, Tank AMGK and Peterson T. (2002). Observed coherent changes in climatic extremes during the second half of the twentieth century. <em>Climate Research<\/em>, 19, 193-212.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"8-vincent-l-peterson-t-barros-vr-2005-observed-trends-in-indices-of-daily-temperature-extremes-in-south-america-1960-2000-j-of-climate-18-5011-5024\"><span style=\"color: #808080;\">[8] Vincent L, Peterson T Barros VR (2005) Observed Trends in Indices of Daily Temperature Extremes in South America 1960\u20132000, J.of Climate, 18 (5011-5024)<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"9-haylock-mr-peterson-tc-alves-lm-et-al-2006-trends-in-total-and-extreme-south-american-rainfall-in-1960-2000-and-links-with-sea-surface-temperature-j-of-climate-18-1490-1512\"><span style=\"color: #808080;\">[9] Haylock MR, Peterson TC, Alves LM et al (2006) Trends in Total and Extreme South American Rainfall in 1960\u20132000 and Links with Sea Surface Temperature, J of Climate, 18 (1490-1512)<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"10-sillmann-j-v-v-kharin-x-zhang-f-w-zwiers-and-d-bronaugh-2013-climate-extremes-indices-in-the-cmip5-multimodel-ensemble-part-1-model-evaluation-in-the-present-climate-j-geophys\"><span style=\"color: #808080;\">[10] Sillmann, J., V. V. Kharin, X. Zhang, F. W. Zwiers, and D. Bronaugh (2013), Climate extremes indices in the CMIP5 multimodel ensemble: Part 1. Model evaluation in the present climate, J. Geophys. Res. Atmos., 118,1716\u20131733, doi:10.1002\/jgrd.50203.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"11-dereczynski-c-chou-sc-lyra-a-et-al-2023-downscaling-of-climate-extremes-over-south-america-part-i-model-evaluation-in-the-reference-climate-weather-and-climate-extremes-29-2020\"><span style=\"color: #808080;\">[11] Dereczynski C, Chou SC, Lyra A et al (2023) Downscaling of climate extremes over South America \u2013 Part I: Model evaluation in the reference climate. Weather and Climate Extremes 29 (2020) 100273\/<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"12-onu-2024-causas-e-efeitos-das-mudancas-climaticas-onu-genebra-suica-acesso-em-23-de-julho-de-2024-disponivel-em-https-www-un-org-pt-climatechange-science-causes-effects-climate-ch\"><span style=\"color: #808080;\">[12] ONU (2024) Causas e Efeitos das Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas. ONU, Genebra, Su\u00ed\u00e7a. Acesso em: 23 de julho de 2024. Dispon\u00edvel em:\u00a0https:\/\/www.un.org\/pt\/climatechange\/science\/causes-effects-climate-change<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"13-wmo-2024-state-of-climate-for-latin-america-and-caribbean-2023-wmo-geneva-switzerland\"><span style=\"color: #808080;\">[13] WMO (2024) State of Climate for Latin America and Caribbean 2023. WMO, Geneva, Switzerland.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"14-c40-cities-2019-c40-cities-annual-report-2019-climate-leadership-group-inc-120-park-avenue-floor-23-31-p\"><span style=\"color: #808080;\">[14] C40 Cities (2019) C40 CITIES Annual Report 2019, Climate Leadership Group, Inc. 120 Park Avenue, Floor 23, 31 p.<\/span><\/h5>\n<hr \/>\n<h6 id=\"capa-eventos-climaticos-extremos-tem-impactos-desiguais-sobre-a-populacao-agravando-a-vulnerabilidade-social-no-brasil-fonte-paulo-pinto-agencia-brasil-reproducao\"><strong>Capa. Eventos clim\u00e1ticos extremos t\u00eam impactos desiguais sobre a popula\u00e7\u00e3o, agravando a vulnerabilidade social no Brasil <\/strong><br \/>\n(Fonte: Paulo Pinto\/ Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Eventos clim\u00e1ticos extremos agravam as desigualdades sociais e afetam as popula\u00e7\u00f5es mais&hellip;\n","protected":false},"author":241,"featured_media":7005,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7004"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/241"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7004"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7004\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7031,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7004\/revisions\/7031"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7005"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7004"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7004"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7004"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}