{"id":7011,"date":"2024-09-04T07:55:10","date_gmt":"2024-09-04T07:55:10","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7011"},"modified":"2024-08-30T12:09:15","modified_gmt":"2024-08-30T12:09:15","slug":"correndo-mais-devagar-do-que-o-leao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7011","title":{"rendered":"Correndo mais devagar do que o le\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"o-que-o-mundo-e-o-brasil-esta-fazendo-para-proteger-o-clima-e-barrar-o-avanco-dos-impactos-das-mudancas-climaticas\"><span style=\"color: #808080;\">O que o mundo \u2013 e o Brasil \u2013 est\u00e1 fazendo para proteger o clima e barrar o avan\u00e7o dos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas? <\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o faltam dados alarmantes sobre o aquecimento global e suas consequ\u00eancias para a vida na Terra. Segundo dados da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"Organiza%25C3%25A7%25C3%25A3o%2520Meteorol%25C3%25B3gica%2520Mundial%2520(OMM)\">Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM)<\/a><\/strong><\/span>, 2023 foi o ano mais quente j\u00e1 registrado. A temperatura m\u00e9dia anual global chegou muito perto de 1,5 <sup>o<\/sup>C acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais (per\u00edodo em que a humanidade n\u00e3o queimava grandes quantidades de combust\u00edveis f\u00f3sseis). O aumento de 1,5 <sup>o<\/sup>C na temperatura da Terra foi o limite estabelecido pelo acordo de Paris em 2015 por ser considerado um ponto de inflex\u00e3o entre uma situa\u00e7\u00e3o pass\u00edvel de ser controlada e revertida e o colapso clim\u00e1tico global. Se aquecermos a Terra acima deste limite, os efeitos podem ser desastrosos. Ainda assim, o recorde mundial da emiss\u00e3o de gases de efeito estufa (GEE) \u00e9 batido ano a ano. A concentra\u00e7\u00e3o de GEE atingiu um n\u00edvel in\u00e9dito em 2022 \u2013 2023 e 2024 parecem caminhar para quebrar esse recorde.<\/p>\n<p>A corrida para evitar o superaquecimento do planeta come\u00e7ou a ser travada no s\u00e9culo passado. Seu marco inicial foi a RIO92, uma das maiores reuni\u00f5es de chefes de estado de toda a hist\u00f3ria. Na ocasi\u00e3o, a \u201cConven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as do Clima\u201d definiu que impedir uma eleva\u00e7\u00e3o da temperatura m\u00e9dia do planeta era imperativo, em nome do princ\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o. Em uma an\u00e1lise desses \u00faltimos 30 anos, S\u00e9rgio Besserman Vianna, presidente do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"Instituto%2520de%2520Pesquisas%2520Jardim%2520Bot%25C3%25A2nico%2520do%2520Rio%2520de%2520Janeiro\">Instituto de Pesquisas Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro<\/a><\/strong><\/span>, afirma que o mundo est\u00e1 muito atrasado na prote\u00e7\u00e3o ao clima e no objetivo de barrar o avan\u00e7o dos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: \u201cTudo que foi feito de l\u00e1 para c\u00e1 \u00e9 muito insuficiente em rela\u00e7\u00e3o ao necess\u00e1rio. \u00c9 como se algu\u00e9m que est\u00e1 correndo de um le\u00e3o na savana com um fone de ouvido e fosse indagado sobre como est\u00e3o as coisas e respondesse \u2018estou correndo\u2019. Sim, disso n\u00f3s sabemos. A quest\u00e3o \u00e9 se voc\u00ea est\u00e1 correndo mais do que o le\u00e3o ou menos do que o le\u00e3o. Se voc\u00ea estiver correndo menos do que o le\u00e3o, n\u00e3o far\u00e1 a menor diferen\u00e7a. Estamos correndo menos do que o le\u00e3o. Muito menos do que o necess\u00e1rio foi feito nesses \u00faltimos 32 anos e n\u00f3s estamos caminhando para uma situa\u00e7\u00e3o extraordinariamente dif\u00edcil\u201d. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-conferencia-das-nacoes-unidas-sobre-meio-ambiente-e-desenvolvimento-a-rio-92-foi-um-marco-no-combate-as-mudancas-climaticasfoto-rio92-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7013\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura1-300x171.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura1-300x171.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura1-1024x584.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura1-768x438.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura1-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura1-800x457.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura1-1160x662.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura1.jpg 1477w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. <\/strong><strong>Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92, foi um marco no combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<br \/>\n<\/strong>(Foto: Rio92 Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"e-preciso-fazer-mais\"><strong>\u00c9 preciso fazer mais<\/strong><\/h4>\n<p>Um dos principais aliados na redu\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa na atmosfera \u00e9 a floresta. Como as plantas armazenam e absorvem o carbono do ar, proteger os habitats \u00e9 imprescind\u00edvel para diminuir a concentra\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa na atmosfera. Cientistas v\u00eam apontando que a prote\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas traz benef\u00edcios diretos e indiretos para todos, na medida que atuam na regula\u00e7\u00e3o do clima terrestre. \u201cExiste uma rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre os modos de vida de uma popula\u00e7\u00e3o e as condi\u00e7\u00f5es ambientais e clim\u00e1ticas. Quando conseguimos fazer o restauro produtivo da floresta e trazer de volta servi\u00e7os ecossist\u00eamicos que foram sendo perdidos por conta dessa degrada\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel conter a incid\u00eancia de enchentes e o impacto direto na infraestrutura, tanto no meio rural como nas cidades\u201d, explica Patricia Pinho, diretora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"quando-conseguimos-fazer-o-restauro-produtivo-da-floresta-e-trazer-de-volta-servicos-ecossistemicos-que-foram-sendo-perdidos-por-conta-dessa-degradacao-e-possivel-conter-a-incidencia-de-ench\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cQuando conseguimos fazer o restauro produtivo da floresta e trazer de volta servi\u00e7os ecossist\u00eamicos que foram sendo perdidos por conta dessa degrada\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel conter a incid\u00eancia de enchentes e o impacto direto na infraestrutura, tanto no meio rural como nas cidades.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A agricultura tamb\u00e9m pode desempenhar um papel importante no sequestro do carbono do ar, desde que sejam implementadas pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1veis. Josileia Acordi Zanatta, engenheira-agr\u00f4noma e pesquisadora na <strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"embrapa.b\">Embrapa Florestas<\/a><\/span>,<\/strong> aponta que a agricultura pode deixar de ser emissora para tornar-se mitigadora de gases de efeito estufa. Para isso \u00e9 preciso incorporar nos sistemas produtivos pr\u00e1ticas de manejo sustent\u00e1veis que garantam o aumento dos estoques de carbono para o solo. Com esse objetivo, o governo lan\u00e7ou em 2022 o plano ABC+ (<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/repositorio-dspace.agricultura.gov.br\/handle\/1\/150?mode=full#:~:text=O%20ABC%2B%2C%20Plano%20Setorial%20para,per%C3%ADodo%20de%202020%20a%202030.\">Plano de Adapta\u00e7\u00e3o e Baixa Emiss\u00e3o de Carbono na Agropecu\u00e1ria<\/a><\/strong><\/span>). O plano, que conta com a colabora\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/\">Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (EMBRAPA)<\/a><\/strong><\/span>, visa mitigar a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa na atmosfera pelo setor agr\u00e1rio por meio de incentivos e fomentos a tecnologias ambientais. Alguns dos objetivos do plano s\u00e3o: recupera\u00e7\u00e3o de pastagens degradadas; integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria-floresta e sistemas agroflorestais; sistema de plantio direto e florestas plantadas. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-a-agricultura-pode-deixar-de-ser-emissora-para-se-tornar-mitigadora-de-gases-de-efeito-estufafoto-embrapa-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7014\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"374\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura2-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura2-1024x767.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura2-768x575.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura2-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura2-800x599.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura2-1160x869.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Correndo-mais-devagar-do-que-o-lea\u0303o-figura2.jpg 1477w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. A agricultura pode deixar de ser emissora para se tornar mitigadora de gases de efeito estufa<br \/>\n<\/strong>(Foto. Embrapa. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pecu\u00e1ria tamb\u00e9m \u00e9 um setor de preocupa\u00e7\u00e3o pela alta emiss\u00e3o de gases de efeito estufa na atmosfera. Algumas pesquisas cient\u00edficas v\u00eam tentando fornecer caminhos poss\u00edveis para que esse setor deixe de ser um vil\u00e3o para tornar-se um aliado na transfer\u00eancia de carbono da atmosfera para o solo. \u201cAs pr\u00e1ticas voltadas a garantir uma melhor qualidade da pastagem, como o bom manejo da altura de pasto, pastos com boa digestibilidade, geralmente retornam em menor emiss\u00e3o de metano por unidade de produto (carne\/leite, por exemplo). Muitos estudos t\u00eam indicado que essa \u00e9 a alternativa mais relevante, pois, ao mesmo tempo que reduz emiss\u00e3o de metano, tamb\u00e9m pode aumentar o ac\u00famulo de carbono no solo. H\u00e1 tamb\u00e9m alternativas como inibi\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias metanog\u00eanicas do r\u00famen de animais atrav\u00e9s de aditivos\u201d, descreve Josileia Zanatta. Tais pr\u00e1ticas, caso sejam incentivadas pelo governo por meio de subs\u00eddios aos produtores rurais, ou at\u00e9 mesmo por meio de taxa\u00e7\u00e3o para os que n\u00e3o migrarem para pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis, podem ser poderosas ferramentas no combate aos gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"uma-governanca-global\"><strong>Uma governan\u00e7a global<\/strong><\/h4>\n<p>Segundo os atuais c\u00e1lculos do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/\">Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC)<\/a><\/strong><\/span>, para que a meta de 1,5 <sup>o<\/sup>C de aquecimento global n\u00e3o seja ultrapassada, precisamos reduzir as emiss\u00f5es globais de poluentes em metade at\u00e9 2030 e totalmente at\u00e9 2050. Essa meta, segundo S\u00e9rgio Besserman, configura-se como imposs\u00edvel \u2014 ou extraordinariamente dif\u00edcil e s\u00f3 poss\u00edvel em um contexto de transforma\u00e7\u00f5es de grandes propor\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"nos-temos-que-agir-em-todas-as-frentes-mas-se-a-principal-frente-que-e-reduzir-o-vicio-da-civilizacao-humana-nos-combustiveis-fosseis-nao-e-enfrentada-nao-ha-a-menor-possibilidade-de-exit\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cN\u00f3s temos que agir em todas as frentes, mas se a principal frente, que \u00e9 reduzir o v\u00edcio da civiliza\u00e7\u00e3o humana nos combust\u00edveis f\u00f3sseis, n\u00e3o \u00e9 enfrentada, n\u00e3o h\u00e1 a menor possibilidade de \u00eaxito.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as dr\u00e1sticas s\u00e3o necess\u00e1rias. Ant\u00f3nio Guterres, secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, afirmou recentemente que apenas reduzir o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis n\u00e3o ser\u00e1 o suficiente para cumprir as metas. \u00c9 preciso interromper completamente o seu uso o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. S\u00e9rgio Besserman tamb\u00e9m acredita que essa seja a \u00fanica sa\u00edda: \u201ctemos que agir em todas as frentes, mas se a principal frente, que \u00e9 reduzir o v\u00edcio da civiliza\u00e7\u00e3o humana nos combust\u00edveis f\u00f3sseis n\u00e3o \u00e9 enfrentada, n\u00e3o h\u00e1 a menor possibilidade de \u00eaxito. Para isso \u00e9 preciso interven\u00e7\u00e3o dos governos, adotando medidas de incentivo a energias limpas, taxando e limitando os combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d.<\/p>\n<p>Quando falamos em grandes mudan\u00e7as, como a transfer\u00eancia de uma matriz energ\u00e9tica baseada em carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s para energias limpas e renov\u00e1veis, a discuss\u00e3o esbarra na quest\u00e3o econ\u00f4mica. Pa\u00edses como a China e os Estados Unidos ainda se mant\u00eam resistentes a eliminar completamente os combust\u00edveis f\u00f3sseis de suas matrizes energ\u00e9ticas por receio de queda no crescimento econ\u00f4mico. Fontes renov\u00e1veis como a e\u00f3lica e a solar podem sofrer oscila\u00e7\u00f5es de acordo com condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas (pouco vento ou pouco sol) enquanto os combust\u00edveis f\u00f3sseis seriam fontes est\u00e1veis. S\u00e9rgio Besserman acredita que essa preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se justifica precisamente sob o ponto de vista econ\u00f4mico: \u201cA ideia de \u00e1reas priorit\u00e1rias que n\u00e3o interfiram tanto com o crescimento econ\u00f4mico \u00e9 completamente equivocada. Os estudos demonstram que a queda do crescimento econ\u00f4mico derivada do aquecimento global \u00e9 muitas vezes superior\u201d. Previs\u00f5es j\u00e1 apontam que se as metas n\u00e3o forem atingidas, os eventos clim\u00e1ticos extremos ocorrer\u00e3o com cada vez mais frequ\u00eancia e os custos com perda de planta\u00e7\u00f5es, infraestrutura urbana e sistema de sa\u00fade ser\u00e3o muito superiores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-mundo-precisa-de-uma-sociedade-civil-planetaria-e-de-formas-de-governanca-global-com-capacidade-de-traduzir-as-metas-em-uma-execucao-programada-com-custo-elevado-para-quem-se-retirar-do-pro\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO mundo precisa de uma sociedade civil planet\u00e1ria e de formas de governan\u00e7a global com capacidade de traduzir as metas em uma execu\u00e7\u00e3o programada com custo elevado para quem se retirar do processo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pesquisador acredita que a principal raz\u00e3o por estarmos perdendo essa corrida contra o aquecimento global \u00e9 a incapacidade de criar mecanismos efetivos de controle e san\u00e7\u00f5es aos pa\u00edses que n\u00e3o cumprem as metas: \u201cOs mercados se globalizaram, mas a governan\u00e7a n\u00e3o se globalizou. A ONU, respons\u00e1vel pelo tratado de Paris, n\u00e3o tem os poderes necess\u00e1rios para que essas metas sejam efetivamente cumpridas. Essas metas deixaram de ser volunt\u00e1rias no sentido pol\u00edtico e jur\u00eddico, mas do ponto de vista econ\u00f4mico, o custo de n\u00e3o cumprir o tratado de Paris \u00e9 irris\u00f3rio. Praticamente n\u00e3o h\u00e1 custo a n\u00e3o ser reputacional. A ONU sequer levou a quest\u00e3o do clima ao conselho de seguran\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para esse problema, segundo o pesquisador, passa inevitavelmente pela cria\u00e7\u00e3o de uma governan\u00e7a global focada na manuten\u00e7\u00e3o do clima no planeta: \u201cComo construir uma governan\u00e7a global? Essa \u00e9 uma das principais lacunas do processo hist\u00f3rico e pol\u00edtico conturbado que temos pela frente nos pr\u00f3ximos anos e d\u00e9cadas, tendo esses primeiros trinta anos caracterizados pela incapacidade de estar \u00e0 altura do desafio. O mundo precisa de uma sociedade civil planet\u00e1ria e de formas de governan\u00e7a global com capacidade de traduzir as metas em uma execu\u00e7\u00e3o programada com custo elevado para quem se retirar do processo\u201d, conclui S\u00e9rgio Besserman.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-brasil-possui-protagonismo-na-luta-contra-as-mudanca-climaticas-mas-ainda-esta-longe-de-cumprir-seu-papelfoto-alex-pazuello-secom-reproducao\"><strong>Capa. Brasil possui protagonismo na luta contra as mudan\u00e7a clim\u00e1ticas, mas ainda est\u00e1 longe de cumprir seu papel<br \/>\n<\/strong>(Foto: Alex Pazuello\/Secom. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O que o mundo \u2013 e o Brasil \u2013 est\u00e1 fazendo para&hellip;\n","protected":false},"author":67,"featured_media":7012,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7011"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/67"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7011"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7011\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7033,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7011\/revisions\/7033"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7012"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7011"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7011"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7011"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}